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Neblina Orrico, Danilo Elias Fialho Josaphat O Papel do Brasil na Construção de uma Aliança Global contra a Fome e a Pobreza no Contexto do G20
abalaram a estabilidade global, o G20 foi concebido como um mecanismo
de coordenação entre os países-membros para discutir os grandes temas
nanceiros internacionais num horizonte mais amplo do que o existente
anteriormente, o G7/83 , sendo o objetivo principal trazer os grandes paí-
ses “emergentes” a práticas e comportamentos considerados adequados
para o avanço “sem sobressaltos” da internacionalização dos uxos nan-
ceiros (Cozendey, 2011, p. 83).
Nos anos seguintes, a importância do grupo cresceu rapidamente
em razão dos choques econômicos que abalaram a estabilidade nancei-
ra global no nal do século XX (Albuquerque, 2023). Essas crises incluí-
ram a crise do México de 1994, a crise dos tigres asiáticos de 1997, a crise
da Rússia de 1998 e a desvalorização do Real em 1998/99. Diante desses
eventos e perante um cenário global multipolar, as maiores economias do
mundo reconheceram a necessidade de um fórum mais abrangente e in-
clusivo para coordenar respostas políticas e econômicas (Ramos; Garcia,
2024) e o G20 ganhou força nesse cenário.
Atualmente, o agrupamento desempenha, através de presidências
rotativas anuais, um papel importante na denição e no reforço da arqui-
tetura e da governança mundiais. Desta forma, apesar de inicialmente
o fórum se concentrar principalmente em questões macroeconômicas
e nanceiras, sua agenda foi progressivamente dilatada para incluir te-
mas como comércio, desenvolvimento sustentável, saúde, agricultura,
energia, meio ambiente, mudanças climáticas e combate à corrupção. O
Grupo dos 20 solidicou sua importância a partir da realização das cúpu-
las de chefes de Estado e governo de 2008, durante a crise nanceira glo-
bal (Albuquerque, 2023). Em síntese, o G20 ocupa-se da governança glo-
bal, a partir do reconhecimento da inexorabilidade da interdependência
no sistema internacional, ou seja, a inevitabilidade de soluções coletivas,
assim como explorado por Keohane & Milner (1996).
Apesar do nome, o G20 é composto por 19 países membros, União
Europeia e mais recentemente a União Africana, representando as maio-
res economias do mundo4 . A inclusão recente da União Africana, em
2023, reete a crescente legitimidade dos questionamentos por uma re-
presentação mais equilibrada e diversicada na governança global.
A despeito da considerável desproporcionalidade de representação
geográca – com maioria de países do norte global –, juntos, os membros
do G20 representam cerca de 85% do PIB mundial, 75% do comércio in-
ternacional e dois terços da população do planeta. Essa relevância global
resulta no comparecimento massivo durante os encontros ministeriais e
cúpulas do grupo de uma série de entidades internacionais como partici-
pantes xas das cúpulas do G20, nomeadamente: o sistema da Organização
das Nações Unidas (ONU), o Fundo Monetário Internacional (FMI), o
Banco Mundial (BM), a Organização Mundial do Comércio (OMC), a
Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização Internacional
do Trabalho (OIT), o Conselho de Estabilidade Financeira (Financial
Stability Board - FSB, em inglês) e a Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Porém, a conjunção de membros do G20 projeta uma relevância
para o enfrentamento de desaos globais cujo potencial nem sempre é
3. O G8 incorporou a Rússia ao G7, mas
os temas econômicos continuavam
a ser discutidos prioritariamente no
formato G7.
4. Os países membros incluem África do
Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argen-
tina, Austrália, Brasil, Canadá, China,
Coreia do Sul, Estados Unidos, França,
Índia, Indonésia, Itália, Japão, México,
Reino Unido, Rússia e Turquia, União
Europeia (UE) e União Africana (UA).