106
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 106-122
O G20 e a governança internacional
contemporânea
The G20 and contemporary international governance
El G20 y la gobernanza internacional contemporánea
Ana Rachel Simões Fortes1
Flávia de Campos Mello2
DOI: 10.5752/P.2317-773X.2025v13n1p106-122
Enviado: 15 de Setembro de 2024
Aceito em: 12 de Agosto de 2025
RESUMO
Este artigo procura analisar o papel do G20 na atualidade, considerando a evolu-
ção da governança internacional desde o nal do século XX e seus determinantes
do ponto de vista da mudança na distribuição de poder, nos marcos da tendência
à multipolaridade. Para tanto, recupera os debates sobre as origens da criação
do G20 em 1999 e sobre seus novos propósitos a partir de 2008, que geraram
questionamentos acerca de sua representatividade e legitimidade enquanto
fórum de membros restritos e sem aspiração universal. Em seguida, com base no
levantamento das declarações nais das cúpulas do G20 de 2008 a 2023, o artigo
procura compreender a expansão de suas agendas e avaliar o processo de criação
dos Grupos de Trabalho que hoje imprime novas dinâmicas ao funcionamento e à
institucionalidade do arranjo. Nas considerações nais, busca-se explorar as impli-
cações das tendências identicadas, em especial as expectativas de incidência sobre
o multilateralismo em crise e os riscos de fragmentação da ordem internacional.
Palavras-chave: G20; Governança Internacional; Multilateralismo.
ABSTRACT
This article seeks to analyze the role of the G20 today, considering the evolution
of international governance since the end of the 20th century and its determinants
from the point of view of the change in the distribution of power, within the fra-
mework of the trend towards multipolarity. To this end, it revisits the debates on
the origins of the creation of the G20 in 1999 and on its new purposes since 2008,
which have raised questions about its representativeness and legitimacy as a forum
of restricted members and without universal reach. Then, based on the survey of
the nal declarations of the G20 summits from 2008 to 2023, the article seeks to
understand the expansion of its agendas and evaluate the process of creating the
Working Groups that today gives new dynamics to the functioning and institu-
tionality of the arrangement. In the nal considerations, it seeks to explore the
implications of the identied trends, in particular the expectations of impact on
multilateralism in crisis and the risks of fragmentation of the international order.
Keywords: G20; International governance; Multilateralism.
1. Doutoranda em Relações Internacio-
nais pelo Programa de Pós-graduação
San Tiago Dantas (Unesp\Unicamp\PUC-
-SP). Pesquisadora do Instituto Nacional
de Ciência e Tecnologia para Estudos
sore os Estados Unidos (INCT\INEU).
2. Professora do Programa de Pós-
-graduação San Tiago Dantas (Unesp\
Unicamp\PUC-SP). Pesquisadora do
Instituto Nacional de Ciência e Tecnolo-
gia para Estudos sore os Estados Unidos
(INCT\INEU).
107
Ana Rachel Simões Fortes, Flávia de Campos Mello O G20 e a governança internacional contemporânea
RESUMEN
Este artículo busca analizar el rol del G20 en la actualidad, considerando la
evolución de la gobernanza internacional desde nales del siglo XX y sus de-
terminantes desde la perspectiva del cambio en la distribución del poder, en el
marco de la tendencia hacia la multipolaridad. Para ello, recupera los debates
sobre los orígenes de la creación del G20 en 1999 y sobre sus nuevos propósi-
tos desde 2008, que han cuestionado su representatividad y legitimidad como
foro de miembros restringidos y sin aspiraciones universales. Posteriormente, a
partir del análisis de las declaraciones nales de las cumbres del G20 entre 2008
y 2023, el artículo busca comprender la expansión de sus agendas y evaluar el
proceso de creación de los Grupos de Trabajo que hoy en día dinamizan el fun-
cionamiento y la institucionalidad del acuerdo. En las consideraciones nales,
se exploran las implicaciones de las tendencias identicadas, en particular las
expectativas de impacto en el multilateralismo en crisis y los riesgos de fragmen-
tación del orden internacional.
Palabras clave: G20; Gobernanza internacional; Multilateralismo.
Introdução
No contexto da governança internacional contemponea, o Grupo
dos Vinte (G20) adquiriu posição de destaque nos últimos anos. O agru-
pamento tem gerado expectativas no sentido das possibilidades de for-
talecimento de mecanismos de cooperação internacional, considerando
o peso político e econômico de seus membros sobre a situação de crise
instaurada nas organizações internacionais tradicionais. Também foram
apontadas, no âmbito do G20, possibilidades de criação de mecanismos
inovadores na governança internacional, a partir de agendas mais exí-
veis, informais e envolvendo atores não-estatais no engajamento com po-
líticas e práticas para além do âmbito nacional. Contudo, as avaliações
quanto às realizações efetivas e alcance futuro do arranjo permaneceram
diversas. As alises que enfatizaram o G20 enquanto ampliação do G7
tenderam a pressupor sua capacidade ampliada de inuência global e seu
papel de protagonismo na governança internacional. Por outro lado, no
período mais recente, o exame dos resultados alcançados suscitou ênfase
nas diculdades e limitações do G20 na produção de respostas aos pro-
blemas contemponeos. Este artigo procura analisar o papel do G20 na
atualidade, considerando a evolução da governança internacional desde
o nal do século XX e seus determinantes do ponto de vista da mudança
na distribuição de poder, nos marcos da tendência à multipolaridade. Em
2008, o agrupamento, que até então se reunia a nível de ministros das
nanças e presidentes de Bancos Centrais, foi alçado ao nível de chefes
de Estado e de governo, no contexto da crise econômica global. É preciso
situar, nesse mesmo ano, o início do processo de institucionalização do
grupo BRICS (na sua formação original Brasil, Rússia, Índia, China, com
o ingresso posterior da África do Sul em 2011), que se reuniu a nível de
chanceleres e realizaria sua 1a Cúpula de Chefes de Estado em 2009.
O novo protagonismo do G20 projetava uma governança interna-
cional centrada no papel de liderança da ação conjunta dos membros do G7
(Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Ilia e Canadá)
108
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 106-122
junto aos membros do grupo BRICs, além de Arábia Saudita, Argentina,
Austlia, Coreia do Sul, Indonésia, México, Turquia e a Uno Europeia.
Desde então, a governança internacional tem sido marcada, em diversas
áreas, pelo esvaziamento de arranjos centrados em compromissos vincu-
lantes e sua substituição por formatos de adesão por ações voluntárias,
mais flexíveis e informais, em busca de novos incentivos políticos para
a superação de impasses, com envolvimento de atores não-estatais com
papel crescente no que tem sido caracterizado como um multilateralismo
híbrido. No caso do G20, observa-se que a informalidade e a exibilida-
de foram acompanhadas, nos últimos anos, pela criação de um grande
número de espaços permanentes de dlogos temáticos, resultante da ex-
pansão de sua agenda, indicando nítida evolução dos objetivos do grupo
desde a sua criação.
Nesse sentido, este artigo procura avançar na reexão sobre o G20
com base em perspectivas analíticas que incorporam a centralidade da
dimensão das relações de poder, mas também a consideração do papel
das práticas diplomáticas e estratégias discursivas enquanto elementos de
construção de possibilidades políticas em âmbito internacional (Cooper;
Pouliot, 2015; Slaughter, 2020a; Slaughter, 2020b). Nos últimos anos, ob-
serva-se que o grupo deixou de ter um funcionamento típico de cúpulas
de chefes de Estados e de governos para adquirir uma dinâmica com na-
tureza permanente, com atividades intensas em curso entre os encontros
anuais dos líderes, a incorporação de novas agendas e a instauração de
expectativas de que o G20 possa inuir de maneira inovadora na manu-
tenção de espaços para o multilateralismo, no contexto da paralisia das
instituições internacionais.
Para a construção do quadro analítico proposto, este trabalho está
dividido em três seções, além da introdução e das considerações nais. As
duas primeiras partes do artigo recuperam debates sobre as origens da
criação do G20, em 1999, e em seguida sobre seus novos propósitos a par-
tir de 2008, que geraram questionamentos acerca de sua representativida-
de e legitimidade enquanto fórum exclusivo de países ricos, caracterizan-
do um multilateralismo de membros restritos e sem aspiração universal.
Em seguida, com vistas a compreender a expano das agendas ao longo
do período e avaliar o processo de criação dos Grupos de Trabalho (GTs)
que hoje imprime novas dinâmicas ao funcionamento e à instituciona-
lidade do arranjo, o artigo apresenta um levantamento das declarações
nais das cúpulas do G20, de 2008 a 2023, com base em metodologia de
análise qualitativa desses documentos. Por m, as considerações nais
buscam explorar as implicações das tendências identicadas, em especial
as expectativas de incidência sobre o multilateralismo em crise e os riscos
de fragmentação da ordem internacional.
2 O G20 enquanto expansão do G7
A reexão sobre o papel do G20 na atualidade requer a compreen-
são abrangente da evolução da governança internacional desde o nal do
século XX e de seus determinantes do ponto de vista da mudança na dis-
tribuição de poder nos marcos da tendência à multipolaridade. A relação
109
Ana Rachel Simões Fortes, Flávia de Campos Mello O G20 e a governança internacional contemporânea
existente entre a distribuição de poder, a natureza dos desaos e os ar-
ranjos internacionais constituídos para lidar com os problemas percebi-
dos como coletivos está permanentemente sujeita a mudanças (Newman;
Thakur; Tirman, 2006). No que se refere às origens do G20, é importante
recuperar que a criação do grupo em 1999 se deu por iniciativa do G7,
no contexto do agravamento da crise financeira na Ásia e na América
Latina, instituindo um espaço de dlogo entre ministros das Finanças e
presidentes de Bancos Centrais.
Desse modo, foram agrupadas as economias mais relevantes de
cada região do planeta, de modo a engajar países emergentes que tinham
peso cada vez maior na economia global, na busca de respostas coleti-
vas às crises do mercado nanceiro da segunda metade da década de 90.
Tratava-se, portanto, de uma seleção feita pelo próprio G7, congregan-
do os países mais ricos do mundo, com maior peso econômico, tendo
por base alguns critérios de representação regional. No entanto, apesar
do signicado histórico de sua constituição, esse foro não teve papel de
maior destaque em seus primeiros dez anos, o que seria drasticamente
alterado em 2008, na sequência de outra grave crise internacional (Lyrio;
Pontes, 2024).
A criação do G20, ainda no nal do século XX, deve ser compreen-
dida enquanto elemento relevante da trajetória das aspirões acerca da
governança internacional, em termos de seu signicado e de sua prática
desde o contexto do imediato pós-Guerra Fria, que remetia às possibili-
dades então vislumbradas de promoção e aceitação de um modo inclusi-
vo e consensual de ordenamento das relações internacionais. A ideia de
governança, de fato, teve origem no contexto extremamente liberal da
virada da década de 1980 para a década de 1990, vinculada não apenas aos
discursos sobre o “m da história” e o “m das ideologias”, mas também
às reformas econômicas liberalizantes e suas dimensões internacionais
então sintetizadas na chamada agenda do “Consenso de Washington”.
Posteriormente, a própria crítica analítica e prática ao conceito de go-
vernança internacional nas discussões acadêmicas e políticas ao longo da
década de 1990 constituiu em si uma dimensão muito signicativa dos
processos de mudança normativa no pós-Guerra Fria, incluindo os deba-
tes sobre os impactos das ideias das ideias do Consenso de Washington
sobre a origem das crises econômicas dos anos 1990 (Mello, 2009).
Conforme se discutirá mais especicamente na próxima seção, na
avaliação dessas mudanças normativas, o multilateralismo também cons-
tituiu uma dimeno central, na medida em que a evolução na própria
natureza desse conceito talvez constitua uma das principais expressões
dessa mudança normativa no plano global desde o imediato pós-Guerra
Fria (Finnemore, 2005). Ao longo da década de 1990, o discurso liberal
sobre o multilateralismo na ordem internacional já havia claramente
fracassado, tendo sido cada vez mais questionado por diversos Estados e
atores sociais, deixando de constituir um projeto alternativo para a gover-
nança internacional.
A defesa do multilateralismo e de Instituões Internacionais sóli-
das enquanto princípios organizadores das relações internacionais con-
temporâneas foi então profundamente alterada, não apenas pelas razões
110
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 106-122
tradicionalmente apontadas por alises realistas quanto às assimetrias
de poder e ganhos relativos, mas também, conforme sugerido em diver-
sas discussões críticas, porque haveria riscos crescentes de que fossem
aprofundadas as desigualdades e fortalecidas estruturas hierárquicas de
ordenamento internacional (Hurrel; Woods, 1999).
Um dos principais pontos de inexão na dinâmica da reversão
das expectativas otimistas sobre a governança internacional na déca-
da de 1990 foi sem dúvida a intervenção da Organização do Tratado do
Atlântico Norte (OTAN) em Kosovo em 1999, empreendida à margem da
institucionalidade e do multilateralismo universalista da Organização das
Nações Unidas (ONU). Quatro anos antes de os Estados Unidos iniciarem
a guerra no Iraque sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU,
as evidências da falta de compromisso das potências com o universalismo
já sugeriam que essa dimensão da ordem em constituição poderia abrir
caminho para uma mudança permanente, apontando para a formação de
coalizões ad hoc e padrões de atuação com base em grupos reduzidos de
Estados. Antes do nal da década de 1990, portanto, já se delineava uma
mudança organizacional muito signicativa nas possibilidades de gover-
nança internacional no pós-Guerra Fria (Mello, 2011). Na sequência, nos
marcos do excepcionalismo da atuação da principal potência, os retro-
cessos normativos se expressaram especialmente na signicativa perda
de credibilidade do papel do direito e das instituições internacionais de
cunho político no início do século XXI.
Nos anos 2000, a acentuação das tendências à multipolaridade no
sistema internacional foi denidora dos novos contornos, propósitos e al-
cances da governança internacional bem como dos arranjos interacionais
em constituição. Ao nal da primeira década do século XXI, a institucio-
nalização do grupo BRICS e a substituição do então G8 (o G7 acrescido
da Rússia) pelo G20 como foro privilegiado de interlocução dos líderes
mundiais após a eclosão da crise nanceira de 2008 demarcou uma nova
conguração dos rumos da governança internacional, reetindo dimen-
sões da crise do multilateralismo em seus formatos tradicionais.
O objetivo do governo norte-americano, ao convocar uma eunião
do G20 em novembro de 2008, era o de trazer para a mesa de concertação
a China e o tema da subvalorização da moeda chinesa. O interesse no
envolvimento dos países emergentes em iniciativas como essa reetia não
apenas o reconhecimento da contribuição que esses países poderiam efe-
tivamente assumir frente às tendências recessivas na economia mundial,
mas também o objetivo de incorporá-los aos novos arranjos regulatórios
que pudessem resultar do processo. Embora tenha sido criado e mantido
como uma instância informal, o G20 sempre teve o propósito de mobi-
lizar e distribuir mandatos especícos para diversas instituições formais,
constituindo-se assim como foro de pré-negociação do multilateralismo,
embora não tenha alcance universal.
Em 2008, o G20 foi concebido como um mecanismo de resposta
ágil e com capacidade de improvisação, com a vantagem de que o grupo
já se reunia em nível de ministros das Finanças e presidentes de Bancos
Centrais, facilitando a preparação da reunião de cúpula e tornando au-
tomática a identicação dos países que seriam convidados, evitando-se
111
Ana Rachel Simões Fortes, Flávia de Campos Mello O G20 e a governança internacional contemporânea
debates desgastantes sobre o formato e a composição do grupo mais
adequados para a reuno (Lyrio; Pontes, 2024). A partir de então, o G20
aumentou seu perl e se tornou o foro por excelência em que os países
ricos discutiriam desequilíbrios na economia internacional. Representou,
além disso, uma tentativa de atualização dos espaços de governança ao
ampliar o G7, incorporando países emergentes e intermediários na cú-
pula do poder do sistema internacional dos anos 2000. A constituição do
G20 foi fortemente apoiada pelo BRICS, que reconheciam a importância
de se reforçar a cooperação para superar a crise econômica global e con-
sideravam que, em comparação com outros arranjos, o G20 seria mais
inclusivo, representativo, diverso e efetivo.
Conforme se examinará na próxima seção, a dimensão do reforço
da hierarquia em um foro restrito não foi enfatizada, nem pelos BRICS,
que priorizavam nesse momento alcançar espaços mais efetivos de par-
ticipação junto aos países desenvolvidos, nem pelos membros do G7, que
visavam possibilidades de incorporação dos emergentes nas suas agen-
das tradicionais (tanto no G20 quanto na OCDE). Ao mesmo tempo,
em diversas arenas de negociação, o nal da primeira década do século
evidenciava impasses do multilateralismo de cunho universalista, em te-
máticas e foros variados, tanto nas negociações da Organização Mundial
do Comércio (OMC), nas negociações sobre mudanças climáticas ou no
Conselho de Segurança da ONU.
Na OMC, a ausência de avanços desde o fracasso da reunião mi-
nisterial em 2008, após sete anos de negociações, suscitou avaliações de
que o multilateralismo universalista não seria mais adequado aos desaos
do sistema comercial internacional e estimulou debates quanto à neces-
sidade de reforma institucional para uma nova governança nesse campo.
No que se refere às negociações sobre meio ambiente, a Conferência de
Copenhague sobre mudanças climáticas, em dezembro de 2009, foi encer-
rada sem que pudesse ser denido um marco negociador para a redução
de emissões de gases de efeito estufa (Mello, 2011). Após anos de negocia-
ções frustradas para a criação de um marco normativo que substituísse o
Protocolo de Quioto, a assinatura do Acordo de Paris foi entendida como
uma transformação signicativa do modelo de governança climática ins-
taurado até então3 (Green; Franchini; Evangelista Mauad, 2022).
Em resumo, as principais instituições multilaterais que estive-
ram à frente dos esforços de governança internacional, como a OMC,
o Conselho de Segurança da ONU e a Convenção-Quadro das Nações
Unidas sobre Clima (UNFCCC, sigla em inglês), debilitaram-se em razão
de impasses entre os membros e defrontaram-se com o aprofundamento
de sua crise de legitimidade (Barnett, Pevehouse, Raustiala 2022; Narlikar
2017; Newman, Thakur, Tirman 2006; Sinha 2021). Simultaneamente, o
G20 assumiu novos propósitos nesse período, com ampla diversicação
de suas agendas (Cooper, Pouliot 2015; Slaughter 2020 a; Slaughter 2020
b). Conforme será exposto na quarta seção, o G20 deixou de ser apenas
uma cúpula de chefes de Estado e Ministros das Finanças e passou envol-
ver uma gama de temáticas em diversos níveis, cuja coordenação global
das maiores economias do mundo tem buscado fazer frente aos desaos
que permeiam a governança internacional.
3. À época de sua assinatura, o acordo
foi celebrado como uma vitória diplomá-
tica de uma nova governança de múlti-
plos níveis, mais flexível e mais realista
quanto às condições políticas para fazer
frente às mudanças climáticas, mas su-
jeita a grandes incertezas (Green 2022;
Franchini, Evangelista Mauad 2022).
112
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 106-122
3 Perspectivas sobre a eficácia de um multilateralismo “light”
No contexto dos impasses das negociações do nal dos anos 2000,
fortaleceram-se perspectivas políticas e analíticas de busca de novos for-
matos para o multilateralismo, mais ecaz do que o modelo universalista
e eventualmente mais informal. Como mencionado, após o fracasso da
reunião ministerial da OMC e, especialmente após a ausência de resul-
tados da conferência de Copenhague em 2009, propostas mais contun-
dentes de rompimento com o multilateralismo clássico se tornaram mais
frequentes.
Para Richard Haass (2010), a adoção de um multilateralismo menos
rígido já se justicaria frente ao diagnóstico de que o formato tradicional
teria se tornado crescentemente inoperante. O “multilateralismo demo-
crático, fundamentado na transposição da base de representação da de-
mocracia do plano doméstico para o internacional e garantindo o mesmo
direito a voto para todos, passaria a constituir, segundo essa visão, fator
de paralisia, não apenas pelo grande número de participantes, mas tam-
bém porque confere o mesmo status aos pequenos países e às potências
(Haass, 2010). Segundo o autor, alternativas para um novo padrão de mul-
tilateralismo poderiam estar em gestação a partir de quatro perspectivas:
o elitismo, o regionalismo, o funcionalismo e o informalismo.
O multilateralismo elitista estaria expresso em arranjos exclusivos
como o G20 nanceiro, que emergiu da crise internacional do nal de
2008 como foro destacado para a interlocução entre as principais econo-
mias de países desenvolvidos e em desenvolvimento. A segunda alternati-
va, o multilateralismo regionalista, decorreria da proliferação de arranjos
comerciais bilaterais e regionais, entendida como reação ao fracasso da
tentativa de se avançar no plano global. Da perspectiva da liberalização
comercial, seria preferível a concretização de alguns avaos no processo,
mesmo que em detrimento da universalização.
A terceira alternativa seria o multilateralismo funcional, no qual
os principais atores ou os mais comprometidos com a regulação em uma
certa área assumiriam a condução do processo em negociações nas quais
um acordo abrangente nos marcos das Nações Unidas parece pouco pro-
vel – como é o caso, novamente, do tema das mudanças climáticas.
Por m, o multilateralismo informal, como o do G20, poderia surgir em
casos nos quais se torne impossível negociar acordos internacionais que
venham a ser raticados pelos parlamentos nacionais, levando os gover-
nos a avançarem na regulação internacional por meio da implementação
de medidas consistentes com normas internacionais acordadas, mas sem
os compromissos formais de assinatura e raticação.
Em outras avaliações, a defesa da informalidade e de um “multila-
teralismo light” recorreu explicitamente à imagem do Concerto Europeu
do século XIX como modelo de concertação entre potências (Penttilä,
2009). Com base na perspectiva do equilíbrio de poder é central a ideia
de que um sistema de governança, para operar enquanto concerto, deve
necessariamente incluir todas as potências que possam destruir o fun-
cionamento do sistema existente por meio da mudança de suas políti-
cas. Nesse sentido, o G7 não constituiu um concerto na Guerra Fria pela
113
Ana Rachel Simões Fortes, Flávia de Campos Mello O G20 e a governança internacional contemporânea
simples razão de que não incluía a União Soviética. Da mesma forma,
o G7/G8 não constituiria um concerto na medida em que não incluiu a
China, que é uma potência e que tem poder, em diversas áreas, para afe-
tar o funcionamento do sistema como um todo. Dessa perspectiva, o G20
constituiria, sim, um concerto global de potências envolvidas na tentativa
de implementar uma administração conjunta do sistema internacional
(Mello, 2011).
Assim, o sistema de governança internacional do século XXI po-
deria ser entendido como dual, mesclando elementos de um concerto
informal de potências nos moldes do século XIX com a institucionali-
dade formal (e universalista) criada no século XX. O “multilateralismo
light”, portanto, teria não apenas a vantagem de incorporar rapidamente
potências emergentes no foro mais exclusivo daqueles que concentram
poder. Poderia também fornecer uma complementaridade funcional en-
tre os arranjos informais (os grupos exclusivos que tomariam decisões)
e as organizações formais, às quais caberia legitimar e garantir os me-
canismos de cumprimento dos resultados alcançados na informalidade
(Penttilä, 2009).
O termo multilateralismo teve seu uso difundido a partir da instau-
ração da ordem internacional do período pós-Segunda Guerra Mundial,
surgindo no vocabulário do governo norte-americano para se referir es-
pecicamente à institucionalidade econômica criada pela conferência de
Bretton Woods (Novosselo, 2002). Seu signicado original remetia a
condões históricas precisas, no contexto de uma certa conguração do
sistema internacional e de um certo padrão de interação entre os princi-
pais Estados. De maneira geral, o uso do termo no vocabulário das rela-
ções internacionais tendeu a adotar uma concepção abrangente, sendo
denido como um sistema de interação estatal no qual cada membro bus-
ca estabelecer relações com o conjunto dos demais membros do sistema,
ao invés de priorizar ações unilaterais ou bilaterais (Ruggie 1992).
O conceito expressa, portanto, um projeto lítico a ser promovido
por uma institucionalidade internacional ou, ao menos, a preferência por
um padrão de ação coletiva em detrimento de soluções individuais. A essa
denição cabe também acrescentar as dimensões normativas do objeti-
vo da universalidade, de uma percepção de indivisibilidade do espaço e
dos problemas comuns, e de perspectivas futuras, na busca de princípios
ordenadores que garantam um mínimo de previsibilidade à interação en-
tre os atores. O conceito de multilateralismo abarca assim uma extensa
variedade de situões internacionais, como método de negociação, prá-
ticas de institucionalização de normas e de regulação do sistema interna-
cional, ao mesmo tempo em que remete a um certo conjunto de valores
universais fundados nos princípios da Carta da ONU (Mello, 2009).
Nos debates teóricos no campo das relações internacionais, a crítica
às perspectivas tradicionais sobre regimes internacionais conferiu gran-
de imporncia, na discussão sobre desenho institucional, à consideração
da mudança e das perspectivas futuras dos propósitos da construção de
instituições internacionais (Barnett; Duvall, 2005). Enquanto as alises
institucionalistas liberais se fundamentaram no conhecimento acerca do
desempenho passado das instituições internacionais para discutir suas
114
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 106-122
possibilidades de ecácia e efetividade, novas perspectivas têm buscado
explorar a necessidade de levar em conta o futuro para desenhar as ins-
tituições capazes de lidar com desaos dimicos. Nessa perspectiva, a
questão dos valores que irão pautar o processo de construção institucio-
nal adquiriu centralidade e abriu espaço signicativo para a incorporação
de considerações normativas nos debates sobre instituões internacio-
nais (Acharya 2016; Barnett, Pevehouse, Raustiala 2022; Mello, 2009).
Se a governança internacional envolve tanto a promoção de al-
gum interesse comum quanto dos mecanismos de incorporação das as-
simetrias de poder entre os atores do sistema internacional, seu terceiro
propósito reside no intento da mediação da diferença, hoje claramen-
te reconhecido na medida em que foram evidentemente superadas as
expectativas de convergência progressiva e homogeneidade em escala
global. O conceito já não se refere unicamente à criação e manutenção
de arranjos institucionais supostamente fundamentados no consenso.
Uma vez incorporados ao debate os fundamentos normativos da gover-
nança internacional, também se reconhece que suas práticas envolvem
necessariamente políticas de mediação das diferenças (Barnett; Duvall,
2005). Nesse sentido, em lugar da homogeneidade e do consenso, a go-
vernança internacional no século XXI deveria encontrar condições de
possibilidade na própria política de reconhecimento da diversidade,
conforme os esforços empreendidos pelos governos no âmbito do G20,
examinados a seguir.
4 Das finanças à ampliação de agendas no âmbito do G20:
informalidade com institucionalização
Embora o G20 tenha ganho relevância em resposta à crise nan-
ceira global de 2008, suas cúpulas passaram a incorporar um leque cres-
cente de questões sociais. O caráter informal de sua estrutura permitiu
que suas discussões fossem inuenciadas por agendas globais para além
das pautas econômicas e nanceiras estritamente denidas. Neste proces-
so, tensões geopolíticas também passaram a receber atenção do grupo.
Segundo Narlikar (2017), a agenda do G20 sofreu tamanha expano que,
em 2014, a presidência australiana pediu por uma cúpula com foco apenas
em questões econômicas e nanceiras.
Tal expansão pode ser observada por meio da alise dos conteú-
dos dos compromissos nais rmados em cada cúpula, identicando
novos temas, agendas e espaços de articulação institucional. De modo
inicial, no ano de 2008, o G20 aprovou um “Plano de Ação” para imple-
mentar reformas nas instituições nanceiras multilaterais (BM e FMI)
e intensicar a cooperação entre agências econômicas. Em 2009, nos
encontros de Londres e Pittsburgh, pela primeira vez o G20 sinalizava
seus esforços para outras temáticas relacionadas às áreas de segurança
energética, mudanças do clima e emprego. Neste período, os líderes se
comprometeram com as disposições da Convenção-Quadro das Nações
Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, sigla em inglês), bem como
concordaram em lançar um arcabouço para a geração de empregos de
qualidade (G20, 2009).
115
Ana Rachel Simões Fortes, Flávia de Campos Mello O G20 e a governança internacional contemporânea
Durante a cúpula de 2010, a temática sobre o combate à corrupção
foi reconhecida como uma das principais pautas que deveriam ser traba-
lhadas nos encontros, foi neste momento que o G20 solicitou a raticação
da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (UNCAC, sigla em
inglês) por todos os membros e implementou integralmente as revisões de
acordo com as disposições da UNCAC (G20, 2010). A partir da presidência
francesa, em 2011, o tema da segurança alimentar foi incluído nos debates
da cúpula, sendo criado um “Plano de Ação sobre Volatilidade dos Preços
dos Alimentos e Agricultura” entre os Ministros da Agricultura que se
comprometeram a desenvolver instrumentos adequados para conter emer-
gências humanitárias, a m de apoiar a segurança alimentar (G20, 2011).
Até então, o G2 ainda passava por um processo de consolidação
como o principal fórum de cooperação econômica internacional para o
gerenciamento de crises. Assim, a partir de 2012, o G20 se propôs a li-
dar com seu décit democrático, estabelecendo um “processo de engaja-
mento” para incorporar uma gama diversicada de atores não estatais4 e
Organizações Internacionais em sua formulação de políticas e compro-
missos. Em 2013, o G20 reconheceu ocialmente tais grupos como parte
fundamental das cúpulas, se comprometendo a intensicar as relações
entre ambos (Narlikar, 2017). No encontro em Brisbane, em 2014, os com-
promissos referentes a gênero e saúde foram incluídos no debate, os líde-
res concordaram em reduzir a diferença entre as taxas de participação
da força de trabalho masculina e feminina em 25% até 2025 por meio da
“Meta de Brisbane”.Além disso, devido ao surto de ebola na África, os
membros também se comprometeram em garantir esforços econômicos
e humanirios aos países afetados (G20, 2014).
No ano de 2015, a partir da presidência da Turquia, problemas vin-
culados ao terrorismo e à crise dos refugiados também foram abarcados
no âmbito da cúpula, bem como o engajamento dos países membros com
os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU (G20,2015).
Observa-se que tais agendas foram reiteradas sob a presidência chinesa
em 2016, além da inserção de pautas sobre a tecnologia da informação, ao
estabelecer princípios comuns5 para a promoção do desenvolvimento e
da cooperação na economia digital (G20, 2016).
As agendas sobre clima, meio ambiente, combate à corrupção, em-
prego, gênero, saúde, refúgio, economia digital e terrorismo foram robuste-
cidas durante as reuniões de Hamburgo em 2017. O G20, com a presidência
alemã, rearmou o sistema de comércio multilateral baseado em regras,
buscou reforçar a capacidades na luta contra o terrorismo, criou a “Iniciativa
de Financiamento para Mulheres Empreendedoras”6 e destacou a necessi-
dade de abordar as necessidades dos refugiados e migrantes. Nas palavras
de Bery (2018 apud Slaughter, 2020a), estima-se que quase 90% dos com-
promissos na cúpula do G20 de 2008 estavam relacionados à reforma das
instituições nanceiras globais, ao comércio, à regulamentação nanceira
ou à macroeconomia, enquanto apenas aproximadamente 25% dos compro-
missos na cúpula de 2017 estavam relacionados a essas outras preocupações.
A cúpula em 2018, na cidade de Buenos Aires, por meio do primeiro
encontro de Ministros da Educação do G20, incluiu a agenda da educação
como uma das pautas a serem trabalhadas nas reuniões (G20, 2018). No
4. Em 2013, o G20 reconheceu os grupos
da sociedade civil como participantes.
Os grupos em questão são os seguintes:
Civil 20 (C20); Think 20 (T20); Labour 20
(L20 Labour 20 (L20): Os encontros do
L20 são organizados pela Trade Union
Confederation (ITUC, sigla em inglês) e
Trade Union Advisory Committee (TUAC,
sigla em inglês); Youth 20 (Y20). Ape-
nas, o Women 20 (W20) foi reconhecido
em 2015.
5. Os princípios da: Inovação; Parceria;
Sinergia; Flexibilidade; Inovação; Am-
biente de negócios aberto e favorável; e
Fluxo de informações para crescimento
econômico, confiança e segurança.
6. Projeto que visa ajudar as mulheres
de países em desenvolvimento a expan-
dir seus próprios negócios.
116
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 106-122
Japão, em 2019, houve declarações e trabalhos ministeriais sobre nanças,
emprego, educação, economia digital, gênero, agricultura, saúde, comér-
cio, turismo e energia. Em paralelo, foi criada a Aliança do G20 para o
Empoderamento e Progresso da Representação Econômica das Mulheres
(G20 EMPOWER), com objetivo de promover uma aliança mais abran-
gente e orientada para a ação entre empresas e governos (G20, 2019).
Devido à pandemia da Covid-19 em 2020, as reuniões na Arábia
Saudita estiveram vinculadas à saúde global, os líderes do G20 acordaram
em apoiar os países mais vulneráveis, principalmente na África, em sua
luta contra a pandemia. Ademais, foram trabalhadas questões relaciona-
das à precariedade e informalidade do trabalho no mundo. Semelhante a
discussões do ano anterior, em 2021 foram trabalhadas demandas sobre a
crise global da saúde, outros resultados foram a assinatura da “Declaração
de Matera”7 sobre segurança alimentar, a meta compartilhada de plantar
um trilhão de árvores até 2030 e o reconhecimento da cultura como uma
agenda importante no âmbito do G20.
Durante a presidência da Indonésia8 , as pautas sobre transição ener-
gética e transformação digital tornaram-se compromissos reforçados pe-
los membros do G20. Ademais foi lançado um “Plano de Ação” para ace-
lerar e monitorar a integração das pessoas com deciência no mercado de
trabalho entre os membros do G20 (G20, 2022). Segundo Lyrio e Pontes
(2024), em 2022, o maior número de compromissos versava sobre os se-
guintes temas: meio ambiente, desenvolvimento, alimentação e agricul-
tura, questões macroeconômicas, mudança do clima e saúde. Realizada
em 2023, a cúpula na Índia, além das agendas dos últimos treze anos, bus-
cou abarcar os desaos sobre o multilateralismo a partir de engajamentos
para uma suposta revitalização da ONU (G20, 2023).
Sendo assim, observa-se que o G20 tem expandido seus compro-
missos para outras agendas. De fato, para a realização das cúpulas do
G20, o país que exerce a presidência rotativa anual dene suas agendas
prioritárias, como foi o caso da Austrália ao tratar sobre gênero, bem
como da Turquia ao debater sobre terrorismo e refúgio, ou ainda, o caso
brasileiro com ações para o combate à fome. O aumento dessas agendas
trabalhadas conduziu o G20 para uma dimica multidimensional, po-
dendo ser observada a partir da criação dos Grupos de Trabalho9 (GTs) da
Trilha de Sherpas. Ao se converterem como parte do processo de tomada
de decisões do G20, esses Grupos de Trabalho10 indicam a crescente esca-
la de redes políticas que sustentam os encontros do G20 e seus tópicos de
interesse cada vez mais amplos. Criado em 2010, a primeira agenda a se
tornar um Grupo de Trabalho foi o combate à corrupção, ao discutir polí-
ticas sobre o tema para as lideranças do G20 estabelecerem certos padrões
entre os seus sistemas jurídicos. Também concebido em 2010, o Grupo
sobre Desenvolvimento tem procurado estabelecer agendas para o desen-
volvimento e para a redução da pobreza, atualmente é o órgão coordena-
dor das ações para o “Desenvolvimento Sustentável no G20” (G20,2024).
O tópico da Agricultura também foi um dos pioneiros a possuir seu
próprio GT. Desde 2011, o grupo busca atuar na redução da volatilidade
dos preços dos alimentos, endossar a à segurança alimentar e estabelecer
metas para alcançar os ODS da Agenda 2030 da ONU. De modo similar,
7. A declaração é um compromisso do
G2O de alcançar a segurança alimentar
e a nutrição adequada para todos até
2030 (G20, 2021).
8. Com o desencadeamento da Guerra
da Ucrânia em 2022, o tema foi, de
certo modo, inserido na declaração
final: “É essencial defender o direito
internacional e o sistema multilateral
que protege a paz e a estabilidade. Isso
inclui a defesa de todos os propósitos
e princípios consagrados na Carta das
Nações Unidas e a adesão ao direito
humanitário internacional, incluindo a
proteção de civis e da infraestrutura em
conflitos armados. O uso ou a ameaça
de uso de armas nucleares é inadmissí-
vel” (G20, 2022, tradução nossa).
9. De acordo com Lyrio e Pontes (2024,
p. 51), “a regra a criação de grupos é,
de maneira geral, o consenso. A presi-
dência possui influência significativa na
proposição de novas temáticas, mas não
pode fazê-la de maneira discricionária,
sem consultas aos demais membros”.
Além do mais, cabe mencionar que
a Trilha de Sherpas também possui
forças-tarefa e iniciativas.
10. Cabe salientar que as únicas pautas
recorrentes nas declarações finais que
não se tornaram Grupo de Trabalho são
as agendas sobre Terrorismo e Refúgio.
117
Ana Rachel Simões Fortes, Flávia de Campos Mello O G20 e a governança internacional contemporânea
o GT sobre Emprego começou como força-tarefa em 2011 sob a presidên-
cia francesa, e foi elevada ao nível de Grupo de Trabalho em 2014 (G20,
2023b). Na atualidade, discute questões trabalhistas, sociais e sobre inclu-
são. Um dos temas centrais do G20 desde a sua criação, as pautas sobre co-
mércio e investimentos, adquiriram em 2016 seu próprio GT, onde estão
concentrados assuntos relacionados ao fortalecimento dos mecanismos
comerciais dos países membros, bem como negociações multilaterais so-
bre a reforma da OMC (G20, 2024).
As proposições e os compromissos referentes ao meio ambiente,
mencionados nas declarações nais desde 2009, foram segmentadas em três
Grupos de Trabalho: 1) Sustentabilidade Ambiental e Climática, iniciado
em 2017, trata de temas relacionados, como degradação de solos, saúde dos
oceanos, biodiversidade e economia circular; 2) Transições Energéticas, o
GT dedicado à sustentabilidade energética foi criado em 2013 para discutir
questões relacionadas à energia; 3) Redução do Risco de Desastres, criado
sob a presidência da Índia para incentivar o trabalho coletivo do G20, reali-
zar pesquisas multidisciplinares e trocar melhores práticas sobre a redução
do risco de desastres (G20, 2024). Desse modo, o G20 tem sido uma plata-
forma para os Estados membros deliberarem sobre a necessidade de apoiar
os processos formais da ONU para lidar com as mudanças climáticas, com
base na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.
Distinto dos tópicos nanceiros, os Ministros da Cultura do G20
se reuniram pela primeira vez em 2020 e destacaram a contribuição
transversal da cultura e a necessidade do avanço dessa agenda no âmbito
das reuniões. Dessa maneira, tal tema foi integrado ao G20 como um
Grupo de Trabalho em 2021. Incentivada na cúpula de 2016, o tema sobre
Economia Digital passou a ser um GT em 2017 para tratar de pautas refe-
rentes à inclusão digital, inovação e digitalização da indústria (“Indústria
4.0”). No mesmo ano, o Grupo de Trabalho de Saúde do G2011 foi criado
pela presidência alemã, e, desde então, discute temas relacionados à pre-
paração a emergências de saúde, resistência antimicrobiana, saúde digi-
tal, e produção regional de vacinas (G20, 2024).
Em um processo que derivou do Grupo de Trabalho sobre Emprego,
o GT de Educação, criado em 2018, tem buscado produzir, com o apoio
de organismos internacionais, compêndios gerais sobre boas práticas em
política educacional. Mesmo com a primeira reunião de Ministros do
Turismo do G20 em 2010, convocada pelo governo sul-africano. O GT
sobre Turismo surgiu em 2020, com o objetivo de estabelecer a promoção
do desenvolvimento sustentável no setor turístico por meio de ações que
envolvam a cooperação internacional entre os membros (G20, 2023b).
O debate sobre o empoderamento das mulheres, que também ga-
nhou espaço no G20 a partir de 2014, obteve seu Grupo de Trabalho du-
rante a cúpula na Índia, e se reuniu pela primeira vez sob a presidência
do Brasil em 2024, com o propósito de apoiar os países no tema da desi-
gualdade de gênero e de impulsionar o empoderamento das mulheres em
suas diferentes dimensões (G20, 2023a).
Da mesma forma, o GT sobre Pesquisa e Inovação foi desenvolvido
pelo Brasil, com base no primeiro encontro sobre o tema na Indonésia em
2022. O G20 possui atualmente quinze (15) Grupos de Trabalho:
11. Em 2021, durante a Presidência ita-
liana, foi criada a Força-Tarefa Conjunta
de Finanças e Saúde, que faz parte da
Trilha de Finanças, para fortalecer a
colaboração e a cooperação global entre
os ministérios em questões relaciona-
das à prevenção, preparação e resposta
a pandemias (G20, 2024).
118
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 106-122
Tabela 1- Ampliação dos Grupos de Trabalho do G20
Ano de Criação Grupos de Trabalho-G20
2011 Agricultura
2010 Anticorrupção
2016 Comércio e Investimentos
2021 Cultura
2014 Emprego
2018 Educação
2017 Economia Digital
2023 Empoderamento das Mulheres
2010 Desenvolvimento
2023 Redução de Riscos e Desastres
2017 Saúde
2017 Sustentabilidade Ambiental e Climática
2024 Pesquisa e Inovação
2013 Transição Energética
2020 Turismo
Fonte: Elaborado pelas próprias autoras, baseado em G20 (2024).
Como mencionado, esses Grupos de Trabalho sugerem que o G20
está desenvolvendo uma identidade multidimensional, ao passo que a
ampliação desses GTs imprime novas dinâmicas ao funcionamento e à
institucionalidade das cúpulas. Segundo Slaughter (2020a), isso se deve
às maneiras práticas pelas quais essas agendas podem impactar a econo-
mia global, mas também se deve às preocupações de alguns membros12
, que pretendem se afastar de debates nanceiros mais restritos. Ainda
assim, o alargamento das agendas do G20 não se limita somente a al-
guns encontros ou determinados interesses de certos países. Trata-se,
na realidade, de um procedimento constante no G20, onde tais agendas,
que transpassam as nanças, se tornaram “consenso” no que se refere
à manutenção de dlogos connuos e aos compromissos rmados no
decorrer das cúpulas.
O aumento desses GTs demonstra como esses grupos são uma
estratégia fundamental para permitir que o G20 desenvolva uma pre-
sença consistente no que tange aos desafios da governança interna-
cional. Consequentemente, embora esses grupos sejam o resultado
do apelo de cada presidência para promover a interação em uma área
específica, a introdução dos GTs representa também uma necessidade
de manutenção de espaços para discussões sobre problemas globais
(Rakhra, 2023).
Esse alargamento é entendido, em algumas análises, “como uma
forma de (re)construir a governança internacional em novas bases, a m de
melhorar a coordenação entre os organismos internacionais” (Baumann,
2024, p. 24). Dessa perspectiva, enfatiza-se que o G20 não substituiria as
organizações existentes, mas atuaria como um instrumento de conexão
12. Slaughter (2020a) afirma que alguns
países como Alemanha, França e Coreia
do Sul, em suas presidências do G20,
defenderam a ampliação de agendas no
âmbito das cúpulas.
119
Ana Rachel Simões Fortes, Flávia de Campos Mello O G20 e a governança internacional contemporânea
entre elas. Um exemplo, é o envolvimento do G20 com a ONU, especial-
mente com relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Nas palavras de Slaughter (2020b), é importante avaliar o G20 não
(apenas) com base em sua produção ou em seus compromissos, mas
também em termos de sua contribuição para manter uma funcionalida-
de, mesmo que mínima, do multilateralismo, cada vez mais contestado.
Para o autor, sua estrutura peculiar, baseada na informalidade, tem sido
fundamental para coordenar e gerenciar as formas existentes de multi-
lateralismo. Tal tarefa, pode ser percebida a partir das atividades desen-
volvidas pelos Grupos de Trabalho em conjunto com as Organizações
Internacionais tradicionais como a ONU, Organização para a Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Organização Internacional do
Trabalho (OIT), OMC, Organização Mundial da Saúde (OMS) entre outras.
Como apontado por Lyrio e Pontes (2024), o protagonismo que o
G20 assume hodiernamente, decorre em boa medida da crise de efetivida-
de dessas instituições tradicionais, que, à espera de reformas necessárias
que custam a se materializar, abrem espaço para formas alternativas de
dlogo e concertação internacional. Nesse viés, a expansão de agendas
do G20 é um reexo de tal conjuntura, onde as instituições existentes não
são capazes de prover consensos e compromissos. Isso, explica o seu papel
central no esforço de manter minimamente abertos os canais de dlogo
entre as maiores economias do mundo e de permitir coordenação e avan-
ços que não têm sido possíveis nesses foros multilaterais de caráter formal.
o obstante, o aumento desse leque também é percebido como
um problema, já que a quantidade de compromissos e a ampla gama de
Grupos de Trabalho não é uma métrica válida para analisar as ativida-
des bem-sucedidas do G20 (Slaughter, 2020a). Segundo Cooper e Pouliot
(2015, p.334, tradução nossa13 ), “por mais inovadoras que algumas prá-
ticas diplomáticas do G20 possam ser, não se deve exagerar seu poten-
cial impacto”. Os autores ainda complementam que, apesar de o G20 ser
reconhecido como uma ferramenta importante para lidar com as crises
globais, suas contribuições são limitadas, devido à sua capacidade insti-
tucional reduzida e os questionamentos em relação à sua legitimidade
enquanto fórum decirio (Cooper; Pouliot, 2015). Dessa perspectiva, o
grupo tem se tornado uma plataforma com declarações signicativas, po-
rém com impacto limitado na transformação da realidade, até o momen-
to incapaz de gestar uma reforma mais ampla das instituições da gover-
nança internacional.
No plano emrico, constata-se que apesar de não existir qualquer
avao concreto no sentido da reforma do sistema multilateral na atua-
lidade, a ampliação de agendas e criação de GTs do G20 demonstra que
a cúpula se converteu em um órgão executivo, cuja coordenação global
de alto nível, busca prevenir crises bem como integralizar as agendas in-
seridas nas instituições multilaterais. Para Slaughter (2020b), apesar das
estruturas formais que guiam o multilateralismo serem os “elementos-
-chave” para responder às diculdades de cooperação no contexto globa-
lizado, o G20 a partir de suas práticas informais é, de certo modo, uma
tentativa de gerenciar e controlar melhor as complexidades da governan-
ça internacional contemporânea e suas normas associadas.
13. that as innovative as some diplo-
matic practices of the G20 may be, we
should not overstate
their potential impact.
120
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 106-122
Conforme sintetizaram Wang Lei e Wang Rui (2016), constata-se
que o G20 passou por três fases de transição institucional: 1) um fórum
informal entre ministros das nanças e presidentes de bancos centrais;
2) um mecanismo de gerenciamento de crises principalmente no que se
refere à crise nanceira global em 2008 e, cada vez mais; 3) uma plata-
forma de longo prazo para tentar lidar com os desaos da governança
internacional na contemporaneidade. Em suma, a ampliação de temáticas
no âmbito do G20 sinaliza para os esforços empreendidos pelos Estados,
nos últimos anos, na busca de meios exíveis para coordenar respostas
coletivas e gerenciar a natureza complexa das formas existentes de multi-
lateralismo (Slaughter, 2020b).
Considerações Finais
Este artigo buscou avançar na reexão sobre o papel do G20, em
um contexto de crise do multilateralismo e das dinâmicas da governança
internacional. Como analisado, o G20 é atualmente um mecanismo mul-
tilateral sem tratado constitutivo, integrado apenas pelas maiores eco-
nomias do mundo e, desde 2023, a União Africana. Não se trata, portan-
to, de um foro de participação universal ou aberto à adesão de qualquer
país, como é o caso da ONU. Ainda assim, o G20 deixou de ser apenas
um espaço de coordenação limitado a assuntos nanceiros e econômi-
cos, passando a estimular a adoção de compromissos em múltiplas frentes
que perpassam os desaos globais, seja na área da saúde, da educação, do
meio ambiente, do desenvolvimento, da tecnologia dentre outras.
A partir das alises sobre a expansão de agendas no âmbito das
cúpulas, observa-se que o G20 está desenvolvendo uma identidade multi-
dimensional, que além de imprimir novas dimicas ao funcionamento
e à institucionalidade das cúpulas, também estimula o diálogo num con-
texto em que se acentuam rivalidades geopolíticas entre seus membros.
Portanto, quaisquer que sejam as críticas, seja pela ameaça ao multilate-
ralismo universalista ou pelo seu potencial impacto, o G20 atualmente se
converteu em um espaço singular cuja coordenação global de alto nível
busca estimular o dlogo contínuo para a manutenção do multilateralis-
mo, mesmo que em novos formatos.
De fato, ainda que o G20 venha a se defrontar com impasses e pa-
ralisias, não há uma opção alternativa de concertação internacional ágil
e exível entre os países de maior peso econômico e político no mundo.
No cenário das transformações em curso na ordem internacional, tanto
no que diz respeito às estruturas de poder como aos processos e atores
da política contemporânea, a reexão acerca do papel do G20 enquanto
espaço de manutenção do multilateralismo ganha relevância.
Referências bibliográficas:
ACHARYA, Amitav. Rethinking Demand, Purpose and Progress in Global Governance: An
Introduction. In:ACHARYA, Amitav (org). Why Govern: Rethinking Demand and Progress
in Global Governance. Cambridge, Cambridge University Press, 2016, Cap. 1, p.1-47.
BARNETT, M.; DUVALL, R. Power in global governance. Cambridge, Cambridge University
Press, 2005, p. 375.
121
Ana Rachel Simões Fortes, Flávia de Campos Mello O G20 e a governança internacional contemporânea
BARNETT, Michael; PEVEHOUSE, John; RAUSTIALA, Kal.Global Governance in a World
of Change. Cambridge, Cambridge University Press, p. 382, 2022.
BAUMANN, Renato. G20 – De onde veio; onde vai. Nota Técnica, Brasília. Instituto de Pesqui-
sa Econômica Aplicada (Ipea), ed. 1, 2024. Doi: http://dx.doi.org/10.38116/ntdinte70
COOPER, Andrew F; POULIOT, Vincent. How much is global Governance changing? The G20
as international practice. Cooperation and Conict, v.50, n.3, p. 334–350, 2015.
G20 (2009). Pittsburgh Summit Final Declaration, 24-25 de setembro, 2009. Disponível em:
https://www.g20.utoronto.ca/2009/2009communique0925-br.html. Acesso em: 30 agost. 2024.
G20 (2010). Toronto Summit Final Declaration, 27 de junho, 2010. Disponível em: h t t p s ://
www.g20.utoronto.ca/2010/to-communique.html. Acesso em: 30 agost. 2024.
G20 (2011). Cannes Summit Final Declaration, 4 de novembro, 2011. Disponível em: h t t p s : //
www.g20.utoronto.ca/2011/2011-cannes-declaration-111104-en.html. Acesso em: 30 de agost.
2024.
G20 (2012). G20 Leaders Declaration Los Cabos, Mexico, 19 de junho, 2012. Disponível em:
https://www.g20.utoronto.ca/2012/2012-0619-loscabos.html. Acesso em: 30 de agost. 2024.
G20 (2013). G20 Leaders’ Declaration, St Petersburg, Russia, 6 de setembro, 2013. Disponível
em: www.g20.utoronto.ca/2013/2013-0906-declaration.html. Acesso em: 30 agost. 2024.
G20 (2014). G20 Leaders’ Communiqué Brisbane, Australia, 16 de novembro, 2014. Disponí-
vel em: https://www.g20.utoronto.ca/2014/2014-1116-communique.html. Acesso em: 30 agost.
2024.
G20 (2015). G20 Leaders’ Communiqué Antalya, Turkey, 16 de novembro, 2015. Disponí-
vel em: https://www.g20.utoronto.ca/2015/151116-communique.html. Acesso em: 30 de agost.
2024.
G20 (2016). G20 Leaders’ Communiqué Hangzhou, China, 5 de setembro, 2016. Disponível
em: https://www.g20.utoronto.ca/2016/160905-communique.html. Acesso em: 30 de agost.
2024.
G20 (2017). G20 Leaders’ Declaration: Shaping an Interconnected World, Hamburg, Germa-
ny, 8 de julho, 2017. Disponível em: https://www.g20.utoronto.ca/2017/2017-G20-leaders-de-
claration.html. Acesso em: 30 de agost. 2024.
G20 (2018). G20 Leaders’ Declaration: Building Consensus for Fair and Sustainable Deve-
lopment, Buenos Aires, Argentina, 1 de dezembro, 2018. Disponível em: https://www.g20.
utoronto.ca/2018/2018-leaders-declaration.html. Acesso em: 30 de agost. 2024.
G20 (2019). G20 Osaka Leaders’ Declaration Osaka, Japan, 9 de junho, 2019. Disponível em:
https://www.g20.utoronto.ca/2019/2019-g20-osaka-leaders-declaration.html. Acesso em: 30
agost. 2024.
G20 (2020). Leaders’ Declaration Riyadh. Saudi Arabia Summit, 21 de novembro de 2020.
Disponível em: https://www.g20.utoronto.ca/2020/2020-g20-leaders-declaration-1121.html.
Acesso em: 30 de agost. 2024.
G20 (2021). G20 Rome Leaders’ Declaration Rome, Italy, 31 de outubro de 2021. Dispovel
em: https://www.g20.utoronto.ca/2021/211031-declaration.html. Acesso em: 30 de agost. 2024.
G20 (2022). G20 Bali Leaders’ Declaration, 16 de novembro de 2022. Disponível em: h t t p s : //
www.g20.utoronto.ca/2022/221116-declaration.html. Acesso em: 30 de agost. 2024.
G20 (2023a). G20 New Delhi Leaders’ Declaration New Delhi, India, 9 de setembro de 2023.
Disponível em: https://www.g20.utoronto.ca/2023/230909-declaration.html. Acesso em: 30 de
agost. 2024.
G20 (2023b). Sherpas Track, New Delhi, India, 2023. Disponível em: https://g20.in/en/works-
treams/sherpa-track.html. Acesso em: 01 set. 2024.
G20 (2024). Trilha de Sherpas, Rio de Janeiro, Brasil, 2024. Disponível em: https://www.g20.
org/pt-br/trilhas/trilha-de-sherpas. Acesso em: 01 set. 2024.
HAASS, Richard. The case for messy multilateralism. Financial Times, Londres, 5 de janeiro
de 2010.
KAHLER, Miles. Global Governance: Three Futures,International Studies Review, Volume
20, Issue 2, June 2018, Pages 239–246,https://doi.org/10.1093/isr/viy035
LYRIO, Mauricio C.; PONTES, Kassius D. O G20. Brasília. Fundação Alexandre Gusmão. p.115,
2024.
122
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 106-122
MELLO, Flavia de Campos. “Governança Internacional no Século XXI. In: NASSER, R. M.
(org.). Os Conitos Internacionais em Múltiplas Dimensões. São Paulo, UNESP, 2009, cap 3.,
p. 232.
MELLO, Flavia de Campos.O Brasil e o multilateralismo contemporâneo. Texto para discus-
são, Brasília: IPEA, n. 1628, p.7-28, 2011.
NARLIKAR, Amrita. Can the G20 Save Globalisation? Berlim, GIGA Focus Global, n.1, 2017.
Disponível em: https://www.giga-hamburg.de/en/publications/giga-focus/can-the-g20-save-
-globalisation. Acesso em: 03 set. 2024.
NEWMAN, Edward.; THAKUR, Ramesh.; TIRMAN, John. Multilateralism under challenge?
Power, international order, and structural change. Tóquio, United Nations University Press,
2006, p.578.
NOVOSSELOFF, Alexandra. L essor du multilatéralisme: principes, institutions et actions
communes. Annuaire Français des Relations Internationales, 2002, v. 3.
RAKHRA, Kanica. The G20 as a Multilateral Force. Rio de Janeiro, CEBRI Journal, n.8, p.77-
94, 2023.
RUGGIE, John Gerard. Multilateralism: The Anatomy of an Institution. International Organi-
zation, v.26, n.3, p. 561-598, 1992.
SINHA, Aseema. Understanding the ‘crisis of the institution’ in the liberal trade order at the
WTO. International Aairs, v.97, n.3, p. 1521–1540, 2021. Doi : https://doi.org/10.1093/ia/
iiab109
SLAUGHTER, Steven. The Power of the G20: The Politics of Legitimacy in Global Gover-
nance. London, Routledge. 2020a, Cap. 8, p.203.
SLAUGHTER, Steven. Global informalism and the G20. Journal of International Relations
and Development, v.24, p. 533–554, 2020b. Doi: https://doi.org/10.1057/s41268-020-00201-z
PENTTILÄ, R. Multilateralism light: the rise of informal international governance. Centre
for European Reform. Londres, Centre for European Reform, July 2009.
VEIGA, P. da M. Um ano após a crise: o que mudou na agenda econômica global do Brasil?
Cindes, Documento, dez. 2009.
WANG, Lei; WANG, Rui. G20 Institutionalization: From Crisis-Management to Long-Term
Global Governance. Shanghai: China Quarterly of International Strategic Studies, v.2, n. 3,
p. 347–364, 2016.