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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 106-122
Japão, em 2019, houve declarações e trabalhos ministeriais sobre nanças,
emprego, educação, economia digital, gênero, agricultura, saúde, comér-
cio, turismo e energia. Em paralelo, foi criada a Aliança do G20 para o
Empoderamento e Progresso da Representação Econômica das Mulheres
(G20 EMPOWER), com objetivo de promover uma aliança mais abran-
gente e orientada para a ação entre empresas e governos (G20, 2019).
Devido à pandemia da Covid-19 em 2020, as reuniões na Arábia
Saudita estiveram vinculadas à saúde global, os líderes do G20 acordaram
em apoiar os países mais vulneráveis, principalmente na África, em sua
luta contra a pandemia. Ademais, foram trabalhadas questões relaciona-
das à precariedade e informalidade do trabalho no mundo. Semelhante a
discussões do ano anterior, em 2021 foram trabalhadas demandas sobre a
crise global da saúde, outros resultados foram a assinatura da “Declaração
de Matera”7 sobre segurança alimentar, a meta compartilhada de plantar
um trilhão de árvores até 2030 e o reconhecimento da cultura como uma
agenda importante no âmbito do G20.
Durante a presidência da Indonésia8 , as pautas sobre transição ener-
gética e transformação digital tornaram-se compromissos reforçados pe-
los membros do G20. Ademais foi lançado um “Plano de Ação” para ace-
lerar e monitorar a integração das pessoas com deciência no mercado de
trabalho entre os membros do G20 (G20, 2022). Segundo Lyrio e Pontes
(2024), em 2022, o maior número de compromissos versava sobre os se-
guintes temas: meio ambiente, desenvolvimento, alimentação e agricul-
tura, questões macroeconômicas, mudança do clima e saúde. Realizada
em 2023, a cúpula na Índia, além das agendas dos últimos treze anos, bus-
cou abarcar os desaos sobre o multilateralismo a partir de engajamentos
para uma suposta revitalização da ONU (G20, 2023).
Sendo assim, observa-se que o G20 tem expandido seus compro-
missos para outras agendas. De fato, para a realização das cúpulas do
G20, o país que exerce a presidência rotativa anual dene suas agendas
prioritárias, como foi o caso da Austrália ao tratar sobre gênero, bem
como da Turquia ao debater sobre terrorismo e refúgio, ou ainda, o caso
brasileiro com ações para o combate à fome. O aumento dessas agendas
trabalhadas conduziu o G20 para uma dinâmica multidimensional, po-
dendo ser observada a partir da criação dos Grupos de Trabalho9 (GTs) da
Trilha de Sherpas. Ao se converterem como parte do processo de tomada
de decisões do G20, esses Grupos de Trabalho10 indicam a crescente esca-
la de redes políticas que sustentam os encontros do G20 e seus tópicos de
interesse cada vez mais amplos. Criado em 2010, a primeira agenda a se
tornar um Grupo de Trabalho foi o combate à corrupção, ao discutir polí-
ticas sobre o tema para as lideranças do G20 estabelecerem certos padrões
entre os seus sistemas jurídicos. Também concebido em 2010, o Grupo
sobre Desenvolvimento tem procurado estabelecer agendas para o desen-
volvimento e para a redução da pobreza, atualmente é o órgão coordena-
dor das ações para o “Desenvolvimento Sustentável no G20” (G20,2024).
O tópico da Agricultura também foi um dos pioneiros a possuir seu
próprio GT. Desde 2011, o grupo busca atuar na redução da volatilidade
dos preços dos alimentos, endossar a à segurança alimentar e estabelecer
metas para alcançar os ODS da Agenda 2030 da ONU. De modo similar,
7. A declaração é um compromisso do
G2O de alcançar a segurança alimentar
e a nutrição adequada para todos até
2030 (G20, 2021).
8. Com o desencadeamento da Guerra
da Ucrânia em 2022, o tema foi, de
certo modo, inserido na declaração
final: “É essencial defender o direito
internacional e o sistema multilateral
que protege a paz e a estabilidade. Isso
inclui a defesa de todos os propósitos
e princípios consagrados na Carta das
Nações Unidas e a adesão ao direito
humanitário internacional, incluindo a
proteção de civis e da infraestrutura em
conflitos armados. O uso ou a ameaça
de uso de armas nucleares é inadmissí-
vel” (G20, 2022, tradução nossa).
9. De acordo com Lyrio e Pontes (2024,
p. 51), “a regra a criação de grupos é,
de maneira geral, o consenso. A presi-
dência possui influência significativa na
proposição de novas temáticas, mas não
pode fazê-la de maneira discricionária,
sem consultas aos demais membros”.
Além do mais, cabe mencionar que
a Trilha de Sherpas também possui
forças-tarefa e iniciativas.
10. Cabe salientar que as únicas pautas
recorrentes nas declarações finais que
não se tornaram Grupo de Trabalho são
as agendas sobre Terrorismo e Refúgio.