estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 212-230  
De Estado Pária aos desafios de uma  
Potência Emergente: reflexões sobre os 30  
anos de política externa da África do Sul  
pós-apartheid  
From Pariah State to the Challenges of an Emerging  
Power: Reflections on 30 Years of Post-Apartheid South  
African Foreign Policy  
De un Estado Paria a los desafios de una potencia  
emergente: reflexiones sobre los 30 anõs de la política  
exterior de Sudáfrica despúes del apartheid  
1
1. Professor de Relações Internacionais  
da África e do Oriente Médio na Escola  
Paulista de Política, Economia e Negó-  
cios da Universidade Federal de São  
Paulo (EPPEN/UNIFESP) e Vice-coorde-  
nador do grupo de pesquisa e extensão  
GEOS: Geopolítica, Geoeconomia e  
Geocultura da EPPEN/UNIFESP. Pesqui-  
sador vinculado ao Núcleo de Estudos e  
Pesquisas em Relações Internacionais  
do Sul Global (NEPRISUL) e ao Núcleo  
de Estudos do BRICS (NEBRICS), todos  
pertencentes à Universidade Federal  
do Rio Grande do Sul (UFRGS). E-mail  
Anselmo Otavio  
DOI: 10.5752/P.2317-773X.2025v13n1p212-230  
Submetido em: 23 de setembro de 2024  
Aceito em: 04 de agosto de 2025  
RESUMO  
O artigo em destaque se propõe a refletir sobre as principais características da  
política externa da África do Sul entre 1994 e 2024. Feito isso, espera-se apresen-  
tar as principais especificidades vistas nas administrações Mandela (1994-1998),  
Mbeki (1999-2008), Zuma (2009-2018) e Ramaphosa (2018-2024), que não ape-  
nas levaram ao fim o isolamento diplomático resultante do regime de segre-  
gação racial (apartheid), como também garantiram o maior protagonismo da  
África do Sul nos cenários regional e internacional. Em termos metodológicos,  
adotaremos abordagem qualitativa, de caráter interpretativo, uso de fontes pri-  
márias e secundárias consideradas relevantes para o desenvolvimento do tema,  
bem como a estruturação em quatro seções, sendo a primeira, a introdução,  
e a última, as considerações finais. Acerca das outras duas seções, na primeira  
centraremos a discussão sobre as principais características da política externa  
sul-africana adotada durante as duas primeiras administrações pós-apartheid,  
enquanto a segunda, concetrará a análise das políticas externas adotadas nas  
administrações Zuma e Ramaphosa.  
Palavras-Chaves: África do Sul; Continente Africano; Política Externa; Potências  
Tradicionais; Potências Emergentes.  
ABSTRACT  
This article aims to reflect on the main characteristics of South Africa’s foreign  
policy between 1994 and 2024. Having done so, it is expected to present the  
212  
Anselmo Otavio De Estado Pária aos desafios de uma Potência Emergente:  
reflexões sobre os 30 anos de política externa da África do Sul pós-apartheid  
main specificities seen in the administrations of Mandela (1994-1998), Mbeki  
(1999-2008), Zuma (2009-2018) and Ramaphosa (2018-2024), which not only  
brought an end to the diplomatic isolation resulting from the apartheid regime,  
but also ensured greater prominence for South Africa in the regional and inter-  
national scenario. In methodological terms, we will adopt a qualitative approa-  
ch, of an interpretative nature, using primary and secondary sources considered  
relevant for the development of the theme, as well as structuring it into four  
sections, the first being the introduction, and the last being the final considera-  
tions. Regarding the other two sections, the first will focus the discussion on the  
main characteristics of South African foreign policy adopted during the first two  
post-apartheid administrations, while the second will concentrate on the analy-  
sis of the foreign policies adopted in the Zuma and Ramaphosa administrations.  
Keywords: South Africa; African Continent; Foreign Policy; Traditional Powers;  
Emerging Powers  
RESUMEN  
El artículo presentado tiene como objetivo reflexionar sobre las principales ca-  
racterísticas de la política exterior de Sudáfrica entre 1994 y 2024. Hecho esto, se  
espera presentar las principales especificidades observadas en las administracio-  
nes de Mandela (1994-1998), Mbeki (1999-2008), Zuma (2009-2018) y Ramapho-  
sa (2018-2024), quienes no sólo pusieron fin al aislamiento diplomático resul-  
tante del régimen del apartheid, sino que garantizaron un mayor protagonismo  
de Sudáfrica en la escena regional e internacional. En términos metodológicos,  
adoptaremos un enfoque cualitativo, interpretativo, utilizando fuentes primarias  
y secundarias consideradas relevantes para el desarrollo del tema, además de  
estructurarlo en cuatro apartados, siendo el primero la introducción y el último  
las consideraciones finales. Respecto a las otras dos secciones, en la primera  
centraremos la discusión en las principales características de la política exterior  
sudafricana adoptada durante las dos primeras administraciones post-apartheid,  
mientras que la segunda se centrará en el análisis de las políticas exteriores adop-  
tadas durante el régimen de Zuma. y las administraciones de Ramaphosa.  
Palabras Clave: Sudáfrica; Continente africano; Política exterior; Potencias tradi-  
cionales; Potencias emergentes  
1 INTRODUÇÃO  
No State of the Nation (SONA) de 2023, Cyril Ramaphosa destacou  
a importância de integrar fóruns internacionais, como o G20, em parti-  
cipar de discussões, como por exemplo, sobre as mudanças climáticas,  
do interesse em estar cada vez mais presente no continente africano e  
o desejo de fortalecer laços com outros países como forma de garantir a  
entrada de investimentos na África do Sul. Ainda que tais anseios possam  
parecer corriqueiros diante a inserção internacional e regional de uma  
potência média, em verdade, elas são resultados de uma política externa  
que passou por transformações ao longo dos últimos trinta anos, assim  
como representam o êxito diante dos impactos causados pelas mais de 4  
décadas de institucionalização do racismo na África do Sul (apartheid).  
Embora a segregação racial fizesse parte do território sul-africano  
desde seu processo de colonização holandesa no século XVII, e expandido  
durante a dominação britânica entre os séculos XIX e XX (Pereira, 2012),  
foi ao longo das administrações Malan (1948-1954), Strydom (1954-1958),  
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Verwoerd (1958-1966), Vorster (1966-1678), Botha (1978-1989) e De Klerk  
(1989-1993) que o racismo se tornou cada vez mais institucionalizado.  
Enquanto no âmbito interno, o apartheid era expresso por leis racistas,  
pelo uso da violência em manifestações contrárias ao regime (Sharpeville  
em1960 e Soweto em 1976), e na discriminação de partidos símbolos da  
luta contra o racismo, no caso, o Congresso Pan-Africano (PAC), e o  
Congresso Nacional Africano (CNA); nas relações internacionais, a seleti-  
vidade e a exclusão foram constantes na inserção do país.  
Seletividade, visto que ao tomar posição do lado capitalista,  
Pretoria não apenas se tornava um aliado na luta contra a expansão do  
socialismo na região sul do continente africano, como também restrin-  
gia suas relações internacionais a potências como Estados Unidos, França  
e Inglaterra, forjando com este o Simon’s Town Agreement, acordo que  
vigorou entre 1955 e 1975, que garantia aos ingleses e a seus aliados o  
uso da base de Simon’s Town, tanto em tempos de paz, quanto em pe-  
ríodos de Guerra (Du Toit, 2012). Exclusão, uma vez que a vigência do  
regime racista levou a África do Sul a ser alvo de isolamento e sanções,  
como na Conferência de Belgrado de 1961, onde era exposto a repulsa do  
Movimento dos Não Alinhados (MNA) ao apartheid; em 1963, quando a  
recém-criada Organização da Unidade Africana (OUA) solicitou aos paí-  
ses-membros que isolassem a África do Sul (Otavio, 2014). Em síntese,  
a seletividade e a exclusão como característica do regime apartheid, le-  
varam o país encerrar o período da Guerra Fria com apenas 30 missões  
diplomáticas (Barber, 2005).  
Nesse sentido, retornando aos pontos indicados no SONA de 2023,  
é fato que Pretoria rompeu com o isolamento ocasionado pelo regime  
apartheid e, diante deste êxito, que o artigo possui como objetivo princi-  
pal refletir sobre as principais características da política externa da África  
do Sul entre 1994 e 2024. Feito isso, espera-se apresentar as principais es-  
pecificidades nos processos de inserção internacional e regional que leva-  
ram não apenas ao fim o isolamento diplomático, mas que garantiram o  
maior protagonismo da África do Sul. Em termos metodológicos, se uti-  
lizará de abordagem qualitativa, de caráter interpretativo, uso de fontes  
primárias e secundárias consideradas relevantes para o desenvolvimento  
do tema, bem como a estruturação em quatro seções, sendo a primeira,  
a introdução, e a última, as considerações finais. Acerca das outras duas  
seções, na primeira o objetivo específico será compreender as principais  
características da política externa sul-africana adotada durante as admi-  
nistrações Mandela (1994-1998) e Mbeki (1999-2008). Já na segunda, o ob-  
jetivo específico será analisar as políticas externas adotadas nas adminis-  
trações Zuma (2009-2018) e Ramaphosa (2018-2024).  
2 DE ESTADO PÁRIA À VOZ DA ÁFRICA NO CENÁRIO INTERNACIONAL:  
A POLÍTICA EXTERNA DA ÁFRICA DO SUL ENTRE 1994 E 2008  
Quando analisadas as administrações Mandela (1994-1998) e Mbeki  
(1999-2008), destarte algumas especificidades em cada uma delas, é possí-  
vel destacarmos a contínua adoção da universalidade na política externa  
e a defesa do multilateralismo. Para além de contrastar com a seletividade  
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Anselmo Otavio De Estado Pária aos desafios de uma Potência Emergente:  
reflexões sobre os 30 anos de política externa da África do Sul pós-apartheid  
adotada pelas administrações anteriores - escolha que restringiu às rela-  
ções internacionais do país há um grupo pequeno de países - tanto a uni-  
versalidade quanto o multilateralismo eram vistas como instrumentos  
de ruptura com o isolamento diplomático e econômico resultante do re-  
gime racista. Na administração Mandela, outras escolhas que auxiliaram  
nesta ruptura foi a defesa de pontos que passavam a ser cada vez mais  
estimados pelas potências ocidentais, conforme visto em 1993, ou seja,  
antes mesmo de assumir a presidência, quando em artigo intitulado de  
South Africa’s Future Foreign Policy e publicado na Foreign Affairs, destacou a  
necessidade do país englobar em sua política externa a defesa dos direitos  
humanos, do multilateralismo, a promoção da democracia, o respeito à  
soberania dos Estados e a resolução de conflitos por meios pacíficos.  
Já como presidente, a adoção e defesa dos pontos anteriormente  
indicados levou o país a romper com o isolamento causado pelas adminis-  
trações anteriores, inclusive, se nos anos finais do regime apartheid o país  
possuía apenas 30 missões diplomáticas no exterior, em 1996, esse número  
chegava a 124, e a África do Sul passava de um país símbolo de sanções,  
para estar presente em mais de 45 organizações e fóruns internacionais,  
como a Organização das Nações Unidas (ONU), o Movimento dos Países  
Não-Alinhados, o G77, a Organização da Unidade Africana (OUA), den-  
tre outras (Dirco, 1996; Barber, 2005). Acerca das missões diplomáticas, a  
universalidade na política externa adotada por Mandela foi expressa na  
busca em fortalecer ou forjar parcerias tanto com países que, em momen-  
tos anteriores, mantiveram laços com o regime apartheid, como Estados  
Unidos, Inglaterra, França e Israel, bem como com países que haviam  
apoiado o CNA em sua luta contra o regime de segregação racial, em  
especial Irã, Cuba e Líbia (Hamill; Lee, 2001).  
Embora a ampliação das relações internacionais tenha colocado  
entre as parcerias sul-africanas países que, no geral, eram concorrentes,  
logo, que poderiam afetar as interações de Pretória com as potências oci-  
dentais, em verdade, a valorização do multilateralismo e de pontos esti-  
mados pelas potências tradicionais, trouxeram outro êxito para a inser-  
ção internacional da África do Sul, qual seja, de elevar o país ao status de  
“forte componente moral” (Van Wyk, 2002, p. 182, tradução própria). De  
modo geral, era esperado que o sucesso no âmbito internacional também  
ocorresse no cenário regional, uma vez que, para além de adentrar nos  
anos 1990 como a principal economia do continente, bem como em parti-  
cipar de organizações como a OUA e a Comunidade de Desenvolvimento  
da África Austral (SADC), uma nova inserção no continente simboliza-  
ria o rompimento com uma das principais heranças do regime racista, a  
imagem de África do Sul como um país ocidental. Inclusive, como indi-  
cado por Mandela, “primeiro e acima de tudo, nós somos parte do conti-  
nente africano, e os problemas africanos são nossos problemas também”  
(Mandela, 1999, s.p, tradução própria).  
No entanto, mesmo adotando a universalidade na política externa e  
a valorização do multilateralismo, a administração Mandela não alcançou  
o mesmo êxito no cenário regional, visto que a atuação em determinados  
episódios foi amplamente criticada. Um primeiro exemplo pode ser visto  
no caso nigeriano pós-golpe militar realizado por Sani Abacha em 1993,  
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diante do qual a atuação sul-africana variou entre a não-ingerência em  
assuntos internos e o clamor pelo isolamento internacional da Nigéria.  
Neste caso, além de não conseguir tal isolamento, a busca por sanções ao  
governo nigeriano foi interpretada como unilateral e autoritária, caracte-  
rísticas que remetiam à política externa desenvolvida durante a vigência  
do apartheid (Van Wyk, 2002; Hamill; Lee, 2001).  
Além do caso da Nigéria, outro exemplo a ser destacado refere-se  
às duas guerras na República Democrática do Congo (RDC). No primei-  
ro conflito, marcado pela atuação da Aliança de Forças Democráticas  
pela Libertação do Congo (AFDLC, na sigla em francês) contra o regime  
autoritário imposto por Mobutu Sese Seko (1965-1996), Pretoria buscou  
atuar via solução pacífica entre governo e oposição, cujo resultado foi o  
exílio de Mobutu no Marrocos. No entanto, já na segunda guerra, resul-  
tado da crescente impopularidade da AFDLC e da intervenção de países  
como Burundi, Ruanda e Uganda, o interesse sul-africano na resolução  
por meios pacíficos foi solapado por Zimbábue, Namíbia e Angola, estes  
favoráveis à intervenção militar sob a égide da SADC (Adelmann, 2004).  
Ainda que demonstrassem o descompasso entre o êxito no cená-  
rio internacional e a dificuldade em alcançar outra inserção regional,  
os episódios ocorridos na Nigéria e na RDC, indicavam a existência do  
descolamento entre o interesse de Pretória em estar mais presente no  
continente africano e, de fato, a consecução deste objetivo, uma vez que  
a desconfiança com relação ao país mantinha-se presente, indicando a di-  
ficuldade do país em romper com uma das consequências deixadas pelo  
apartheid, no caso, conforme expresso por Hammill e Lee (2001, p. 53)  
de “um Estado na África porém não da África”. É diante deste cenário  
que a administração Mbeki desenvolveu sua política externa, e, mesmo  
mantendo a defesa dos direitos humanos e da democracia, a resolução por  
meios pacíficos e a valorização do multilateralismo e da universalidade  
na política externa (Nathan, 2005), seu governo trazia como principal ob-  
jetivo difundir uma nova ideologia econômica e política para à África,  
conhecida como African Renaissance.  
Em linhas gerais, tal ideologia pode ser compreendida a partir de  
duas dimensões, sendo a primeira relacionada às transformações vistas  
tanto no cenário internacional quanto no regional, ambas favoráveis ao  
continente. No internacional, tal favorecimento relaciona-se à maior pre-  
sença de potências tradicionais e emergentes no continente africano, moti-  
vado, principalmente, pela busca por recursos naturais. Já no âmbito regio-  
nal, o aumento das eleições democráticas, o declínio ou fim de regimes au-  
toritários, o crescimento econômico e a diminuição do número de guerras  
existentes, são alguns dos exemplos que simbolizavam um continente em  
transformação (Oliveira, Otavio, 2021). Paralelamente a esta dimensão, a  
segunda diz respeito ao protagonismo da África do Sul neste processo de  
renascimento, no qual Pretoria atuaria na defesa dos interesses africanos  
no cenário internacional, bem como no convencimento destes a adotarem  
mudanças políticas, econômicas e securitárias (Otavio, 2014).  
Por um lado, ainda que mantendo fortes laços econômicos com os  
Estados Unidos e a União Europeia; por outro lado, a adoção do multi-  
lateralismo e da universalidade na política externa garantiram ao país  
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Anselmo Otavio De Estado Pária aos desafios de uma Potência Emergente:  
reflexões sobre os 30 anos de política externa da África do Sul pós-apartheid  
intensificar as relações com potências emergentes. No âmbito bilateral,  
por exemplo, o principal exemplo pode ser encontrado no fortalecimen-  
to de relações com parcerias consideradas estratégicas, destacadamente,  
Brasil, Índia e China, países que, seja no âmbito político ou no econômi-  
co, buscaram fortalecer laços com a África do Sul. Já no multilateral, a  
valorização de agrupamentos em que o país havia sido integrado durante  
a administração anterior, como o G77 e Movimento dos Não Alinhados,  
somaram-se à inserção em diversos outros grupos, destacadamente, o  
Fórum de Cooperação China-África (FOCAC, na sigla em inglês), a New  
Asia-Africa Strategic Partnership, e o Fórum IBAS.  
De forma semelhante ao cenário internacional, a estratégia adota-  
da para a inserção no âmbito regional foi pautada pelo multilateralismo  
e pela universalidade na política externa. Enquanto o multilateralismo  
servia para demonstrar o caráter não impositivo da atuação sul-africa-  
na, e a universalidade garantia o fortalecimento de laços com outras po-  
tências africanas, ambos eram vistos como importantes para o protago-  
nismo da África do Sul no Renascimento Africano. Um primeiro êxito  
neste objetivo pode ser encontrado na criação da Nova Parceria para o  
Desenvolvimento Econômico da África (NEPAD) de 2001, que atrela o  
desenvolvimento da África ao respeito à segurança humana, à boa go-  
vernança, e ao investimento nos setores industrial, agropecuário, meio  
ambiente, ciência e tecnologia, infraestrutura, dentre outros (Nepad,  
2001). Em seu processo de criação, vale destacar a parceria sul-africana  
com Nigéria, Argélia e Senegal, episódio que demonstrava a busca por  
alianças com outros países africanos.  
Tais países, também se mostraram relevantes em outro exemplo  
de sucesso da África do Sul, no caso, à transformação da OUA em União  
Africana (UA), realizada a partir da Cúpula Extraordinária da OUA, em  
Sirte, Líbia, em 1999. Ao longo desta transição, duas vertentes passaram a  
ser predominantes. A primeira simbolizada pelo desejo da Líbia em criar  
os Estados Unidos da África, isto é, mover o continente para a forma-  
ção de um Estado Federalista. Já a segunda englobava os interesses da  
Nigéria, país que defendia maior participação da organização em temas  
relacionados à segurança, e da África do Sul, cuja percepção era de que  
a nova organização deveria ser marcada tanto pela criação de regras e  
normas, como também e, fundamentalmente, pelo comprometimento  
dos países-membros em acatá-las (Landsberg, 2012a). Grosso modo, a se-  
gunda vertente foi predominante, uma vez que pontos como segurança  
humana, a valorização e construção de princípios, de instituições, de es-  
truturas políticas e de mecanismos que pudessem regulamentar o com-  
portamento dos Estados passaram a fazer parte da UA.  
Os êxitos conquistados anteriormente auxiliaram na formulação  
de um terceiro exemplo, símbolo do interesse sul-africano em ser mais  
atuante no continente, a Agenda Africana. Em linhas gerais, tal Agenda  
pode ser entendida como a fase de continuidade e intensificação da African  
Renaissance. Continuidade, visto que se mantém fiel ao incentivo à criação  
e adoção de sistemas democráticos pelos países africanos, à busca pela paz  
e segurança do continente, à criação de meios que levem ao crescimento  
econômico dos países africanos, dentre outros objetivos defendidos por  
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esta doutrina de renovação africana. Intensificação, pois potencializou a  
interação entre África do Sul e outros países africanos, construindo ou  
mantendo parcerias estratégicas com Argélia, Nigéria, Gana, Tanzânia,  
Moçambique e Botswana (Otavio, 2014).  
Neste caso, um dos principais resultados foi a inauguração de uma  
nova inserção econômica da África do Sul no continente, marcada pelo  
aumento e diversificação dos investimentos sul-africanos, variando des-  
de a extração mineral até a indústria de entretenimento, passando por  
setores relacionados à construção civil, à infraestrutura, às telecomunica-  
ções, aos serviços bancários e financeiros, ao setor hoteleiro, dentre ou-  
tros (Alden; Soko, 2005). Em números, por exemplo, diferentemente do  
período de vigência do apartheid, quando se contabilizava apenas 179 in-  
vestimentos sobre o continente e estes se restringiam a apenas 14 países,  
em 2004 tais investimentos chegavam ao número de 439 – distribuídos  
em 35 países (Ezeoha; Uche, 2005). Além disso, entre 1993 e 2003, o co-  
mércio com o continente aumentou em 328% (Landsberg; Kondlo, 2007).  
3 ENTRE ÊXITOS E DESAFIOS DE UMA POTÊNCIA EMERGENTE: A  
POLÍTICA EXTERNA NAS ADMINISTRAÇÕES ZUMA E RAMAPHOSA  
No ano de 1996 o então Ministro do Department Trade and Industry  
(DTI) da África do Sul, Alec Erwin (1996-2004), comparou a política co-  
mercial da África do Sul pós-apartheid com uma borboleta. Enquanto  
o corpo estaria alinhado às potências tradicionais - até então os princi-  
pais parceiros comerciais da África do Sul -, as asas estariam voltadas  
para Ásia e América Latina (Almeida Filho, 2009; Vickers; Ajulu, 2008).  
Evidentemente que desqualificar tal argumento seria um equívoco, visto  
que o período de escrita da butterfly strategy era marcado pela prepon-  
derância da União Europeia e dos EUA. Contudo, quando analisado o  
século XXI, destacadamente após o término da administração Mbeki, é  
inegável que a interpretação de Erwin não mais condizia com o momen-  
to atual, uma vez que não englobava em sua análise possíveis mudanças  
no âmbito sistêmico.  
De fato, o encerramento da segunda administração sul-africana  
pós-apartheid, coincidiu com um dos episódios que impactariam tanto  
no sistema internacional, quanto no continente africano, qual seja, a crise  
financeira de 2008, marcada pela intervenção norte-americana na econo-  
mia, com destaque a empréstimos para bancos e montadoras (Bresser-  
Pereira, 2009). Para além de representar certa contradição de uma ad-  
ministração amplamente defensora do neoliberalismo, tal crise trouxe  
como uma de suas consequências o maior protagonismo das potências  
emergentes, que diante deste cenário passaram a pressionar, não apenas  
pela inclusão, mas pela maior participação nos rumos da economia in-  
ternacional. O principal exemplo desta pressão foi a elevação do G20 ao  
posto de principal espaço de debate sobre a economia mundial.  
Para o continente africano, o maior protagonismo das potên-  
cias emergentes trouxe três consequências que se mostrariam cada vez  
mais relevantes para a nova inserção internacional da África. A primei-  
ra diz respeito a convergência de agendas, visto que tanto as potências  
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reflexões sobre os 30 anos de política externa da África do Sul pós-apartheid  
emergentes quanto os países africanos defendiam a resolução de mazelas  
sociais, destacadamente, o combate à pobreza. Já a segunda refere-se a  
defesa das potências emergentes da Cooperação Sul-Sul, cuja divergên-  
cias com relação à Cooperação Norte-Sul (CNS) não são meramente no-  
minais, mas, fundamentalmente, paradigmáticas acerca do conceito de  
cooperação (sem condicionalidades políticas) e de como o bem-estar pode  
ser alcançado (benefícios mútuos e horizontalidade entre os envolvidos).  
Neste caso, a maior valorização da CSS contrastava com a divergência de  
interesses entre potências tradicionais e o continente africano.  
Em certa medida, esta divergência já era vista durante a adminis-  
tração Bush, quando a priorização do combate ao terrorismo internacio-  
nal (Guerra contra o Terror), levou Washington a priorizar o tema de  
segurança em detrimento a outras áreas consideradas importantes para o  
continente africano, como saúde, educação, infraestrutura, dentre outras.  
Dentre os principais exemplos que refletem esta tendência, vale destacar  
a criação do Comando dos Estados Unidos para a África (AFRICOM),  
iniciativa voltada a apoiar os países africanos em operações, exercícios,  
capacitação de soldados, dentre outros objetivos, cujo processo de cria-  
ção foi caracterizado pela não participação dos países africanos, fator que  
gerou a repulsa da quase totalidade das nações africanas em sediarem tal  
iniciativa, que acabou sendo estabelecida na Alemanha (Cardoso, 2020).  
Entretanto, se mostrou continua também na administração Obama (2009-  
2017), quando o apoio dado a França e Inglaterra a intervenção militar na  
Líbia (Primavera Árabe), demonstrou a priorização de Washington a seus  
parceiros sistêmicos, e não as consequências para o continente africano.  
Paralelamente ao hiato de interesses entre o continente africano  
e as potências tradicionais, a terceira consequência da ascensão das po-  
tências emergentes refere-se a alternativa econômica gerada por estes ao  
continente africano, uma vez que, enquanto as tradicionais passaram a  
diminuir as trocas comerciais após a crise de 2008, às emergentes segui-  
ram caminho contrário. Em termos numéricos, por exemplo, em 2008 a  
União Europeia havia importado €161 bilhões e exportado €120 bilhões  
junto ao continente africano; em 2009, as importações caíram para €122  
bilhões e as exportações para €108 bilhões (Eurostat, 2019). Neste mesmo  
período, o declínio norte-americano foi mais acentuado, passando de US$  
113,5 bilhões (2008) para US$ 62,4 nas importações (2009) e, referente às  
exportações, de US$ 28,39 bilhões (2008) para US$ 24,33 bilhões (2009)  
(Statista, 2021). Contrastando com esse declínio, a Índia aumentou, a cada  
ano, suas exportações em 20,2% e importações em 17,8% entre os anos de  
2000 e 2014; e a China, neste mesmo período, incrementou as exportações  
em 22,6% e as importações em 22,4%, se transformando no principal par-  
ceiro comercial do continente africano (Nowak, 2016).  
Diante deste contexto internacional, a resposta sul-africana adota-  
da pela administração Zuma foi manter a defesa do multilateralismo e  
defender o protagonismo da universalidade na política externa, ambas  
consideradas estratégicas para o fortalecimento e estreitamento dos la-  
ços com outras potências emergentes e africanas. No âmbito multilateral,  
um dos principais exemplos diz respeito ao convite para integrar, como  
membro efetivo, o Grupo dos BRIC, composto à época por China, Brasil,  
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Rússia e Índia que, a partir de 2011, passou a ser chamado de BRICS. No  
bilateral vale destacar as trocas comerciais com a China, país que ampliou  
suas importações e exportações junto à África do Sul entre 2005 e 2015  
(DTIC, 2020). Neste caso, uma das especificidades da política externa de  
Zuma se mostrou presente, qual seja, a diplomacia econômica, isto é, a  
criação de meios para o fortalecimento da economia do país (Hughes,  
2011).  
No continente, o reflexo desta diplomacia pode ser encontrado não  
apenas na manutenção da Agenda Africana, mas fundamentalmente, no  
seu uso para garantir a intensificação dos laços com outros países africa-  
nos considerados estratégicos. Em linhas gerais, a expressão da diploma-  
cia econômica foi a formulação dos chamados Business Forums, forjados  
com países como Nigéria, Senegal, Tanzânia, Namíbia, Zâmbia e Angola,  
sendo este último o país africano que recebeu a primeira viagem oficial  
de Zuma. Junto aos Business Forums, outro instrumento que se destaca diz  
respeito ao apoio e atuação em iniciativas de caráter multilateral, como  
a NEPAD e o Programa para o Desenvolvimento das Infraestruturas na  
África (PIDA), iniciativa criada em 2010 e voltada a criar meios que garan-  
tam o fim do déficit energético existente no continente, na instalação de  
rede de fibra ópticas que engloba quase todo o território africano, entre  
outras ações que demonstram ser importantes para o desenvolvimento  
do continente (Pida, 2012).  
Semelhante a PIDA, outra iniciativa que também passou a ser es-  
tratégica para a administração Zuma, refere-se a agenda 2063, iniciativa  
lançada em 2015 pela UA e marcada por diversos objetivos distribuídos  
em suas sete aspirações. Por um lado, a agenda 2063 destaca a importân-  
cia do Estado como elemento fundamental para a integração continental,  
bem como para alcançar a autossuficiência e o autofinanciamento do de-  
senvolvimento africano, logo, a maior autonomia do continente perante  
as transformações vistas no cenário internacional (Otavio, Lessa, 2024).  
Por outro lado, tal agenda, não apenas simboliza a busca por uma nova  
inserção internacional do continente marcada pela autonomia e busca  
por mutualidade nas relações com atores externos, em verdade, também  
reflete a maior coesão do continente em prol de soluções a seus desafios.  
Embora defendendo as iniciativas anteriormente citadas, a admi-  
nistração Zuma foi marcada pelo desafio em manter a África do Sul cada  
vez mais atuante no continente africano. Um primeiro exemplo desta di-  
ficuldade pode ser encontrado em conflito na Costa do Marfim a partir  
de 2010, cuja guerra civil era polarizada por Laurent Gbagbo e Alessane  
Ouattara seu principal expoente. No caso, a contradição foi marcante nas  
escolhas da administração Zuma, visto que inicialmente Pretoria apoiou  
Laurent Gbagbo e, posteriormente, se alinhou a UA e passou a defender  
Alessane Ouattara na presidência deste país (Otavio, 2014). Além deste  
episódio, outro que se apresentou como desafio a inserção regional diz  
respeito a violência de caráter xenófoba ou afrofóbica. Embora tal violên-  
cia já fosse vista em governos anteriores, uma vez que entre 1994 e 2018,  
tal violência somava mais de 520 incidentes xenofóbicos, contabilizando  
309 mortes e milhares de indivíduos expulsos (Mililo; Misago, 2019), du-  
rante a administração Zuma, sua existência foi marcada por números  
220  
Anselmo Otavio De Estado Pária aos desafios de uma Potência Emergente:  
reflexões sobre os 30 anos de política externa da África do Sul pós-apartheid  
trágicos, como em 2015 na região de KawaZulu Natal, quando mais de 2  
mil imigrantes foram expulsos (Otavio, 2021).  
No que concerne a inserção regional, o desafio causado pela afrofobia  
pode ser expresso na fala do Ministro das Relações Exteriores da Nigéria,  
Olugbenga Ashiru (2011-2013), em 2012, quando acusou de xenofobia a  
deportação de 125 nigerianos que estavam na África do Sul (Landsberg,  
2012b). Além do descontentamento exposto por Olugbenga, outro exemplo  
que também demonstrou o hiato entre a busca sul-africana em ser mais  
atuante no continente africano e a dificuldade em lidar com o imigrante  
africano ocorreu em 2019, quando ocorreram ataques de nigerianos a co-  
merciantes sul-africanos em Abuja como resposta a violência de sul-africa-  
nos perpetrada a comerciantes nigerianos residentes em cidades sul-africa-  
nas (Al Jazeera, 2019). Vale ressaltar que os ataques em Abuja ocorreram no  
início do primeiro mandato de Ramaphosa (2018-2024), cuja administração  
foi marcada pela construção de uma política externa pautada no equilíbrio  
entre elementos adotados no governo Mandela, destacadamente para o  
âmbito internacional; com outros pontos que foram relevantes para a ad-  
ministração Mbeki, principalmente, para o cenário regional.  
Na teoria, tal equilíbrio pode ser relacionado à mudança no  
Departamento de Relações Internacionais e Cooperação (DIRCO) que, ini-  
cialmente, era ministrada por Lindiwe Sisulu e, posteriormente, esteve sob  
a égide de Naledi Pandor. No caso Sisulu, vale destacar seu discurso rea-  
lizado no Parlamento, em 2018, quando expôs a necessidade de resgatar o  
protagonismo conquistado durante o período Mandela, quando a África do  
Sul era vista como “uma bússola moral e uma voz da razão em um mundo  
cada vez mais superado por interesses egoístas e estreitos” (Sisulu, 2018,  
s.p., tradução própria). Já sob Pandor, em discurso realizado em 2019 na  
cidade de Cape Town, a tendência em priorizar o continente africano pode  
ser encontrado na afirmativa de que “nossa política externa, como a própria  
a África do Sul, é, e sempre foi baseada na defesa de um continente africano  
próspero, pacífico e democrático (Pandor, 2019, s.p., tradução própria).  
Em termos práticos, a busca pelo equilíbrio entre elementos da ad-  
ministração Mandela com aqueles vistos na administração Mbeki foi re-  
fletida em diversas iniciativas em que a África do Sul buscou atuar. Para  
o âmbito regional, por exemplo, o multilateralismo na política externa  
foi expresso na participação em processos de pacificação na Líbia e no  
Sudão do Sul (Africa News, 2020). No caso líbio, vale ressaltar que após a  
morte de Gaddafi, a instabilidade política se apresentou reinante no país,  
caracterizado pela violação de direitos humanos, corrupção e intensa  
disparidade social. Diante deste cenário, o apoio sul-africano pode ser  
encontrado no suporte dado ao AU High Level Committee on Libya (South  
Africa, 2020a). No que diz respeito ao Sudão do Sul, a intermediação rea-  
lizada por Ramaphosa, foi fundamental para a assinatura do acordo entre  
os oponentes, o atual presidente, Salva Kiir Mayardit, e o South Sudan  
People’s Liberation Movement (SPLM-IO), liderado por Riek Machar (South  
Africa, 2020b).  
Junto à resolução de conflitos, a inserção regional também se re-  
laciona a dimensão econômica e, semelhantemente à administração  
Zuma, o governo Ramaphosa manteve o interesse em fazer com que a  
221  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 212-230  
Área de Livre Comércio resultante do acordo Tripartite (TFTA, na sigla  
em inglês) entre a Common Market for East Africa (COMESA) a East African  
Community (EAC) e a SADC passe a vigorar. Neste caso, Pretoria voltou-se  
à busca de novas adesões para a ratificação do acordo, uma vez que é pre-  
ciso 14 ratificações para que a TFTA entre em vigor (Pandor, 2019). Além  
da TFTA, outra iniciativa africana de caráter multilateral que também se  
mostrou estratégica para Pretoria diz respeito à Área de Livre Comércio  
do Continente Africano (AfCFTA, na sigla em inglês), criada em 2018, que  
entrou em vigor no ano de 2020. Conforme expresso por Pandor (2019,  
s.p., tradução própria), “a entrada da AfCFTA é uma clara demonstra-  
ção da vontade política entre líderes africanos em integrar a economia  
do nosso continente, criando novas oportunidades para o aumento no  
volume comercial entre os países africanos.  
No âmbito bilateral, a administração Ramaphosa buscou intensifi-  
car as parcerias com países considerados estratégicos e, assim, dar conti-  
nuidade a política adotada por Mbeki e seguida por Zuma em fortalecer  
a inserção regional via aproximação de países considerados protagonistas  
na África. Semelhantemente ao governo anterior, um exemplo pode ser  
encontrado na relação com Angola, cuja parceria se destacou pela inten-  
ção e interesse de Ramaphosa e João Lourenço (presidente angolano),  
em cooperarem nas áreas do extrativismo, comércio, infraestrutura,  
agricultura, turismo, dentre outras consideradas relevantes para ambos  
(Africa News, 2018). Paralelamente a Angola, outro país que se mostrou  
relevante diz respeito à Gana, cuja relação com Pretoria passou a partir  
de 2018 a contar com a Comissão Binacional (BNC), que se reunirá a cada  
dois anos e será alternada entre Accra e Pretoria (Ramaphosa, 2018).  
Evidentemente que a atuação em iniciativas de caráter multilate-  
ral e a busca em fortalecer parcerias com determinados países, são ferra-  
mentas de inserção regional que refletem tanto a diplomacia econômica  
quanto a chamada Agenda Africana, mas que também se apresentaram  
estratégicos para a inserção internacional da África do Sul. Acerca da di-  
plomacia econômica, uma primeira iniciativa voltada ao fortalecimento  
da economia sul-africana refere-se às Conferências de Investimento Sul-  
Africanas, que buscam ampliar o investimento de grandes empresas no  
país que em 2019, por exemplo, havia garantido o compromisso de inves-  
timento no país por mais de 70 empresas (Ramaphosa, 2020). Ainda sobre  
investimentos, vale destacar o acesso a empréstimos junto ao Novo Banco  
de Desenvolvimento (NBD), instituição que em 2019 emprestou US$ 790  
milhões para projetos sul-africanos, destacadamente aos relacionados a  
Eskom, empresa da área energética que, além de ficar com mais da meta-  
de deste montante, também obteve acesso a mais US$ 180 milhões para  
implementação de projetos sobre energia renovável (Pandor, 2019).  
Paralelamente ao NBD, ressalta-se o anúncio de investimentos  
por parte de países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e  
da China, cuja previsão era de US$14,7 bilhões em 2018 (Shubin, 2019).  
Acerca de Pequim, outro exemplo refere-se aos vinte acordos de com-  
pra de produtos advindos de empresas sul-africanas por parte de empre-  
sas chinesas realizados em 2023, que totalizará US$2,2 bilhões (Baker  
Mckenzie, 2023). Em certa medida, tais acordos se mostram importantes,  
222  
Anselmo Otavio De Estado Pária aos desafios de uma Potência Emergente:  
reflexões sobre os 30 anos de política externa da África do Sul pós-apartheid  
primeiramente, porque podem diminuir o déficit existente na relação  
África do Sul-China, uma vez que, enquanto a China havia importado  
US$12,5 bilhões da África do Sul em 2023, neste mesmo ano, Pretoria  
havia importado, aproximadamente, US$25 bilhões (Reuters, 2024). Em  
segundo, porque auxiliará na melhoria econômica de um país marcado  
pelo baixo crescimento econômico e elevada taxa de desemprego, como  
visto em 2022, quando o crescimento do PIB foi de 1,91% e a taxa de de-  
semprego total chegou a 28,84%, e, em específico da população entre 15  
e 24 anos, em 49,83% (Statista, 2024).  
Além das relações Sul-Sul, Pretoria também busca maior interação  
com as potências tradicionais, exemplificando a importância do multi-  
lateralismo e da universalidade na política externa. Referente às trocas  
comerciais, a interação com os EUA ganha relevância por se mostrar su-  
peravitária, inclusive, conforme visto em 2022, enquanto Washington  
havia exportado US$9,3 bilhões; Pretoria havia exportado US$25,5 bi-  
lhões, apresentando um superavit de US$16,2 bilhões. Já no âmbito dos  
investimentos externos direto, o que se viu foi o aumento em quase  
12% do investimento externo direto norte-americano direcionado para  
África do Sul, entre 2021 e 2022, totalizando US$7,4 bilhões (United States  
Trade Representative, 2024). No que diz respeito às trocas comerciais  
com a União Europeia, enquanto em 2022 houve o superávit favorável  
a África do Sul em, aproximadamente, €2,9 bilhões, em 2023, o déficit  
para Pretoria foi predominante, em torno de €2,7 bilhões (European  
Commission, 2024).  
Embora a diplomacia econômica venha se mostrando relevante  
para África do Sul, garantindo o fortalecimento de parcerias estratégicas  
que podem auxiliar na melhoria da economia sul-africana, Pretoria não se  
apartou de atuar diante de um cenário internacional caracterizado pelos  
impactos da pandemia da covid-19 e por diversos conflitos que passaram  
a marcar o século atual. Neste caso, conforme destacado anteriormente,  
a administração Ramaphosa pautou a inserção a partir da defesa de pon-  
tos como democracia, direitos humanos, a resolução de conflitos, dentre  
outros que simbolizam o resgate do status de país com forte dimensão  
moral, se aproximando da política externa adotada por Mandela. Em li-  
nhas gerais, um primeiro exemplo de atuação pautada em tais pontos diz  
respeito à pandemia da covid-19.  
De modo geral, mesmo contando com o auxílio na China em seu  
combate, visto que a administração Xi (2013-) doou diversos equipamen-  
tos de proteção individual (EPIs) para o combate à Covid-19 (Pandor,  
2020), o que se viu foi não apenas a África do Sul, mas o continente africa-  
no como um todo, ser impactado pelas políticas restritivas das potências  
tradicionais acerca da exportação de vacinas e outros meios utilizados  
para combater a Covid-19. Vale lembrar que, durante a administração  
Trump nos Estados Unidos, foi criado o documento 2020/0018 pela Federal  
Emergency Management Agency (FEMA), órgão pertencente ao Department  
of Homeland Security, que impôs limites à exportação de EPIs. No caso  
europeu, o caráter restritivo pôde ser visto no Regulamento de Execução  
2020/402, de 14 de março de 2020, cujo Artigo 1º limitava a exportação,  
para fora da UE, de EPIs, como óculos e viseiras de proteção, escudos  
223  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 212-230  
faciais, equipamentos de proteção da boca e do nariz, vestuário de prote-  
ção e luvas (Otavio; Lessa, 2024).  
Diante deste cenário, a administração Ramaphosa passou a, cada  
vez mais, criticar o unilateralismo adotado por parte das potências tra-  
dicionais. Reflexo disso pode ser encontrado no discurso de Ramaphosa  
na 76th Session of the UN General Assembly ocorrido em setembro de 2021.  
Nas palavras do presidente sul-africano, “é uma denúncia à humanidade  
que mais de 82% das doses de vacinas do mundo tenham sido adquiridas  
por países ricos, enquanto menos de 1% foi para países de baixa renda”  
(Ramaphosa, 2021, s/p, tradução própria). Além da crítica na ONU, outro  
exemplo pode ser encontrado no New Global Financing Pact Summit, ocor-  
rido em Paris entre os dias 22 e 23 de junho de 2023, quando Ramaphosa  
expôs o ressentimento dos países africanos, argumentando que, em suas  
palavras, “nos sentíamos como mendigos quando precisávamos de va-  
cinas e os países do hemisfério norte haviam comprado todas, as mo-  
nopolizavam e não queriam repassá-las quando mais precisávamos”  
(Ramaphosa, 2023, s/p, tradução própria).  
Junto ao posicionamento crítico no contexto da covid-19, a adminis-  
tração Ramaphosa também buscou atuar nas Nações Unidas favorável aos  
processos de pacificação e estabilização de conflitos no cenário interna-  
cional. Durante o biênio 2019/2020, quando o país ocupava assento não-  
-permanente do Conselho de Segurança, a atuação em prol da pacificação  
no continente africano e a defesa da independência do Saara Ocidental  
- demonstrando sincronia entre seus objetivos na governança global e a  
Agenda Africana - e o posicionando favorável ao fim de sanções econômi-  
cas impostas pelos EUA a Cuba, foram eventos que ganharam destaque.  
Acerca de Cuba, vale lembrar que o país não apenas havia apoiado o CNA  
na luta contra o apartheid e desde a administração Mandela vinha se man-  
tendo como um importante parceiro, mas também, auxiliou Pretoria  
no combate à epidemia da Covid-19, enviando mais de 200 médicos para  
atuarem na África do Sul (Deutsche Welle, 2020; Otavio, 2021).  
Para além do ativismo contrário ao isolamento cubano, outros dois  
eventos que não apenas colocaram a administração Ramaphosa e os EUA  
em campos opostos, mas também reforçaram o interesse sul-africanos  
em exercer a autonomia no sistema internacional, dizem respeito à guer-  
ra Russia-Ucrânia (2022-) e o conflito Israel-Hamas (2023-). No que diz  
respeito a guerra russo-ucraniano, ainda que os EUA buscassem apoio  
para isolar ou criar sanções à Rússia, bem como a existência da guerra  
venha gerando desafios aos países africanos, como o aumento nos preços  
dos alimentos e de combustíveis (Kumar Sen, 2022), Pretoria tendeu a  
adotar a neutralidade no conflito. Reflexo disso pode ser encontrado na  
votação de resolução que condenava a invasão da Ucrânia pela Rússia  
ocorrida na Assembleia Geral em março de 2022, quando a administra-  
ção Ramaphosa optou pela abstenção (White; Holtz, 2022).  
Diferentemente da neutralidade encontrada na guerra entre Rússia  
e Ucrânia, no conflito Israel e Hamas, Pretoria passou a ser ativa na crí-  
tica a Tel Aviv e defender a causa palestina. Por um lado, tal ativismo  
converge com a posição da União Africana, inclusive, vale relembrar  
que, embora tendo mais de 40 missões diplomáticas no continente, Israel  
224  
Anselmo Otavio De Estado Pária aos desafios de uma Potência Emergente:  
reflexões sobre os 30 anos de política externa da África do Sul pós-apartheid  
não obteve sucesso em se manter como membro observador na União  
Africana, tendo seus representantes retirados da 36ª Reunião Ordinária  
da UA ocorrida em fevereiro de 2023 (Back, 2022; Africa News, 2023). Por  
outro lado, o posicionamento da administração Ramaphosa se mantêm  
em consonância ao encontrado nos governos anteriores, como no gover-  
no Mandela, quando em discurso realizado em 1997, indicou que “nós  
sabemos bem que nossa liberdade estará incompleta sem a liberdade da  
Palestina” (Mandela, 1997, s/p., tradução própria); bem como de Mbeki,  
que em 2004, solicitava aos países africanos aderirem à causa Palestina,  
visto que “nenhum de nós podemos nos sentir completamente livres  
diante da situação encontrada na Palestina(Mbeki, 2004, s/p, tradução  
própria).  
De modo geral, além de manter o rebaixamento da Embaixada sul-  
-africana em Israel para o status de escritório de ligação, iniciativa adota-  
da durante o governo Zuma, a administração Ramaphosa, ao defender  
a causa palestina, entrou no final de 2023 junto a Corte Internacional de  
Justica das Nações Unidas (CIJ), com o pedido de julgamento de Israel  
por crime de genocídio (International Court of Justice, 2023). Em defe-  
sa de tal alegação ocorrida no dia 11 de janeiro de 2024, a comitiva sul-  
-africana em Haia destacou não apenas a necessidade imediata de Israel  
suspender sua operação militar em Gaza, mas também de cumprir com  
suas obrigações acerca da Convenção sobre a Prevenção e Punição do  
Crime de Genocídio de 1948, uma vez que Israel era considerado como  
praticante de crimes contra palestinos, como danos corporais e mentais  
graves, assassinato, criação de condições voltadas a destruição física to-  
tal ou parcial, imposição de medidas que prejudicam a perpetuação de  
palestinos via nascimentos, dentre outros pontos (International Court of  
Justice, 2024a).  
Embora não tenha alcançado o objetivo inicial, visto que a CIJ, no  
final de janeiro, havia indicado que Israel deveria apenas tomar medi-  
das para evitar crimes que poderiam simbolizar genocídio (International  
Court of Justice, 2024b), é valido destacar que a atuação sul-africana, di-  
reta ou indiretamente, acabou por demonstrar o exito na adoção da uni-  
versalidade na política externa e a defesa do multilateralismo. De fato, en-  
quanto as potências tradicionais, destacadamente, União Europeia, Reino  
Unido e Estados Unidos ficaram do lado de Israel; do lado sul-africano, os  
principais apoiadores foram desde organizações como a Liga Árabe e a  
Organização dos Países Islâmicos, quanto de países como Brasil, Turquia,  
Paquistão, Namíbia e Colômbia. Além disso, a defesa do multilateralis-  
mo e a valorização da universalidade na política externa indicaram que  
mesmo o país passando por desafios socioeconômicos, a África do Sul  
continuará buscando atuar no sistema internacional em defesa dos pa-  
lestinos, visto que, conforme discurso televisionado em 26 de janeiro de  
2024, “nós, como sul-africanos, não seremos espectadores passivos diante  
de crimes que nos foram infligidos e que estão ocorrendo em outros luga-  
res. Estaremos do lado da liberdade para todos” (Ramaphosa, 2024, s/p.,  
tradução própria).  
225  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 212-230  
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
Ao longo do artigo buscou-se a analisar as principais especificida-  
des vistas nas administrações Mandela (1994-1998), Mbeki (1999-2008),  
Zuma (2009-2018) e Ramaphosa (2018-2024). Conforme apresentado an-  
teriormente, tais especificidades não apenas levaram ao fim o isolamento  
diplomático resultante do regime apartheid, como também garantiram  
o maior protagonismo da África do Sul no cenário regional e internacio-  
nal. Durante a administração Mandela, por exemplo, o êxito conquistado  
no cenário internacional - mensurado pela criação de 124 missões diplo-  
máticas e a participação em 45 organizações ou fóruns internacionais,  
distanciando a África do Sul do isolamento causado pelo regime racista,  
e garantindo o status de país com forte componente moral - contrastava  
com a dificuldade em obter êxito na inserção regional.  
Ainda que mantendo o interesse pelo cenário internacional, bem  
como utilizando da universalidade na política externa e na defesa do  
multilateralismo, a administração Mbeki pautou-se na inserção regional.  
Defendendo o Renascimento Africano, a criação de parcerias estratégicas  
no continente e participando ativamente em iniciativas como a transi-  
ção da OUA para UA, na criação da NEPAD e da Agenda Africana, o  
segundo governo pós-apartheid garantiu o protagonismo de Pretoria na  
inserção regional. Já na administração Zuma, junto a continuidade na  
política externa, a diplomacia econômica e a busca em fortalecer laços  
com as potências emergentes ganharam destaques. No que diz respeito  
à primeira, a criação de meios para o fortalecer a economia da África do  
Sul, foi acompanhada por iniciativas como dos chamados Business Forums,  
o apoio à NEPAD e a PIDA, a continuidade da Agenda Africana e a defesa  
da Agenda 3063. Referente aos laços com potências emergentes, o convite  
para integrar, como membro efetivo, do Grupo dos BRIC e o fortaleci-  
mento dos laços com a China contrastava com a interação entre Pretoria  
e potências tradicionais, destacadamente no contexto da intervenção na  
Líbia realizada pela OTAN.  
A crítica às potências tradicionais também passou a fazer parte da  
administração Ramaphosa que buscou construir e adotar a política exter-  
na pautada no equilíbrio entre elementos adotados no governo Mandela,  
destacadamente para o âmbito internacional; com outros pontos que fo-  
ram relevantes para a administração Mbeki, principalmente, para o ce-  
nário regional. Se no âmbito regional houve a continuidade em fortale-  
cer laços com outras potências africanas, na valorização da NEPAD, do  
PIDA, da Agenda 2063 e o empenho dado a AfCFTA, dentre outras ini-  
ciativas vistas como relevantes para a diplomacia econômica; no cenário  
internacional, a defesa de pontos como democracia, direitos humanos, a  
resolução de conflitos, dentre outros que símbolos do governo Mandela  
caminhou lado a lado a busca em fortalecer laços com as potências emer-  
gentes e a crítica às potências tradicionais, conforme analisado nos casos  
da covid-19 e nas guerras russo-ucraniana e Israel e Hamas.  
Na primeira metade de 2024, após eleições gerais ocorridas em  
maio de 2024, o Congresso Nacional Africano (CNA) perdeu a maioria  
dos assentos no Parlamento. Em termos numéricos, das 400 cadeiras que  
226  
Anselmo Otavio De Estado Pária aos desafios de uma Potência Emergente:  
reflexões sobre os 30 anos de política externa da África do Sul pós-apartheid  
compõem a Assembleia Nacional, enquanto nas eleições de 1999, 2004,  
2009, 2014 e 2019, o CNA havia ocupado, respectivamente, 266, 279, 264,  
249 e 230 cadeiras; em 2024, o partido havia conquistado apenas 159 as-  
sentos (Ipu Parline, 2024). Diante deste cenário, o governo precisou, pela  
primeira vez desde o término do regime apartheid, criar um Governo  
de Unidade Nacional (GUN), juntando-se a outros partidos, com desta-  
que a Aliança Democrática (AD) e o Partido da Liberdade Inkatha (PLI),  
ambos que nas eleições haviam conquistado 87 e 17 cadeiras (Electoral  
Commision of South Africa, 2024). De modo geral, o advento do GUN  
gerava a expectativa de mudanças na administração sul-africana visto  
que, embora Ramaphosa tenha se mantido à frente da presidência, era  
esperado que os Ministérios que compõem o Poder Executivo passassem  
a ser ocupados por membros dos partidos aliados.  
Noentanto, mesmohavendoatransferênciade12dos32Ministérios  
para os aliados e a mudança de chefia no Departamento de Relações  
Internacionais e Cooperação (DIRCO) (Deutsche Welle, 2024), represen-  
tado pela saída de Naledi Pandor e a entrada de Ronald Ozzy Lamola,  
vale ressaltar que a DIRCO ainda ficou sob o comando do CNA. Se por  
um lado a manutenção do Departamento demonstra o quão relevante  
são as relações internacionais para as lideranças do CNA, por outro lado,  
ao menos neste início de novo governo, simboliza a continuidade da polí-  
tica externa até então adotada. Inclusive, conforme afirmado por Lamola  
em julho de 2024, o governo atual manter-se-á comprometido com uma  
política externa não-alinhada e pautada nos direitos humanos, na solida-  
riedade e resolução pacífica de conflitos, na priorização da Agenda 2063,  
na valorização da Diplomacia Econômica, do multilateralismo e da uni-  
versalidade na política externa.  
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