estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 190-211  
Estudos de Áreas e Geografia no Brasil  
Area Studies and Geography in Brazil  
Estudios de Áreas y Geografía en Brasil  
1
1. Prof. Dr. do Departamento de Ciências  
Geográficas da UFPE e do Programa de  
Pós-Graduação em Geografia/UFPE.  
Rodrigo Dutra Gomes  
DOI: 10.5752/P.2317-773X.2025v13n1p190-211  
Submetido em: 16 de dezembro de 2024  
Aceito em: 20 de junho de 2025  
RESUMO  
Frente à reanimação contemporânea dos estudos de áreas estrangeiras nas diver-  
sas disciplinas, como a Geografia no Brasil tem pesquisado esta temática? Dis-  
cernimos aqui quatro formas pelas quais têm sido realizados: (3) estudos de área  
sem Geografia, (4) análises territoriais, geopolíticas e regionais de processos, pa-  
íses e regiões, (5) Globalização e integração regional críticas e (6) ancestralidade  
crítica. Foram realizadas pesquisas no Catálogo de Teses e Dissertações da CA-  
PES e no Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPQ, organizando os resulta-  
dos por continentes. Observou-se que a maioria dos estudos de áreas ocorre em  
outras disciplinas. Na Geografia, os estudos de áreas se dão por análises sociais,  
geopolíticas e econômicas, incluindo estudos sobre globalização e integração  
da América Latina, seus desafios e perversidades. A Ásia aparece principalmente  
nos estudos sobre a China e sua influência nos BRICs e em outras regiões do  
mundo. Pelo que chamamos de ‘ancestralidade crítica’, a África tem sido muito  
estudada por africanos em intercâmbio no Brasil e, cada vez mais, incorporada  
no currículo de formação de geógrafos, servindo de referência, junto com a  
Europa, para construções críticas sobre o processo de regionalização do mundo.  
Palavras-chave: Estudos de áreas; Geografia; análises críticas; globalização e  
integração regional.  
ABSTRACT  
In response to the contemporary revival of area studies in various disciplines,  
how has Geography in Brazil researched this theme of international studies? We  
identify here four ways in which has approached this field: (3) area studies wi-  
thout Geography, (4) territorial, geopolitical, and regional analyses of processes,  
countries, and regions, (5) critical globalization and regional integration, and (5)  
critical ancestry. Research was conducted in the CAPES Thesis and Dissertations  
Catalog and in the CNPQ Research Groups Directory, with results organized  
by continents. It was observed that most area studies occur in other disciplines.  
In Geography, area studies are carried out through social, geopolitical, and  
economic analyses, including studies on globalization and the integration of  
Latin America and the Global South, focusing on the challenges and perversions  
generated by such processes. Asia appears primarily in studies on China and  
its influence in the BRICS. Africa has been extensively studied by Africans on  
190  
Rodrigo Dutra Gomes Estudos de Áreas e Geografia no Brasil  
exchange programs in Brazil and is incorporated into the curriculum for the  
training of geographers, serving as a reference, along with Europe, for critical  
constructions about the process of world regionalization.  
Keywords: Area studies; Geography; critical analysis; Globalization and regional  
integration.  
RESUMEN  
Ante la reactivación contemporánea de los estudios de áreas en diversas disci-  
plinas, cómo ha investigado la Geografía científica en Brasil este tema de los  
estudios internacionales? Identificamos aquí cuatro formas: (3) estudios de área  
sin Geografía, (4) análisis territoriales, geopolíticos y regionales de procesos,  
países y regiones, (5) globalización e integración regional crítica, y (6) ancestrali-  
dad crítica. Se realizaron investigaciones en el Catálogo de Tesis y Disertaciones  
de CAPES y en el DGP/CNPQ, organizando los resultados por continentes. Se  
observó que la mayoría de los estudios de áreas ocurren en otras disciplinas. En  
Geografía, los estudios de áreas se realizan a través de análisis sociales, geopo-  
líticos y económicos, incluyendo estudios sobre globalización e integración de  
América Latina y del Sur, enfocándose en los desafíos y las perversidades gene-  
radas por dichos procesos. Asia aparece principalmente en los estudios sobre  
China y su influencia en los BRICS. África ha sido muy estudiada por africanos  
en intercambio en Brasil y se incorpora al currículo de formación de geógrafos,  
sirviendo como referencia, junto con Europa, para construcciones críticas sobre  
el proceso de regionalización del mundo.  
Palabras clave: Estudios de áreas; Geografía; análisis críticos; globalización e  
integración regional.  
1 INTRODUÇÃO  
A reanimação da pesquisa em estudos de áreas estrangeiras tem  
sido observada em diversas disciplinas, contextos e países (BUSSE et  
al., 2024; CHENG; LIU, 2022; SHARP, 2019; SIDAWAY et al., 2016). Na  
Geografia, sua negligência e expansão têm sido problematizadas em te-  
máticas geopolíticas e pós-coloniais, com a possibilidade de novos sig-  
nificados epistemológicos conforme a “difração” inerente aos lugares  
(SHARP, 2019). Nesse panorama, como a Geografia no Brasil tem pes-  
quisado a temática dos estudos de áreas? Partindo dessa questão central,  
pretende-se oferecer o panorama de “animação” dos estudos de áreas nas  
últimas décadas nas pesquisas em Geografia no Brasil, tanto em termos  
de temáticas desenvolvidas, quanto apresentar as condições de sua negli-  
gência e revitalização nesta disciplina, buscando discernir perspectivas e  
contextos históricos e políticos de sua produção.  
Apesar do notável avanço dos estudos de áreas estrangeiras na  
Geografia Brasileira, ainda não foram realizadas análises gerais de como  
esta temática se desenvolveu e tem se posicionado frente aos desafios in-  
ternacionais contemporâneos. Considera-se aqui que os estudos de área  
não são apenas produtos da delimitação de regiões ou especializações te-  
máticas. Entende-se que as definições, enfoques analíticos e delimitações  
dessas “áreas”, ao se tratar ‘do outro’, são construídas por redes políti-  
cas, epistemológicas e institucionais, e não simplesmente recortes objeti-  
vos no espaço. Assim, os estudos de área devem ser lidos como arranjos  
191  
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dinâmicos e situados de produção de saber, moldados por interesses e  
conexões interescalares (CHESKIN; JAŠINA-SCHÄFER, 2022).  
Relevando a importância e atualidade dos desafios geopolíticos do  
século XXI — relacionados às incertezas bilaterais entre o Brasil e países  
como os Estados Unidos, vizinhos sul-americanos ligados ao Mercosul  
(como Argentina e Venezuela), ao fortalecimento dos BRICS neste século,  
atualmente frente às ‘guerras tarifárias’, e aos crescentes interesses es-  
tratégicos, econômicos e culturais do Brasil no continente africano —  
seriam estes os mesmos protagonistas dos estudos de áreas estrangeiras  
na Geografia? Quais foram as condições de sua negligência e reanimação  
na Geografia no Brasil? Quais temáticas se destacam? Podemos discernir  
alguma característica predominante nas pesquisas? Como o continente  
africano e asiático têm sido pesquisados pela Geografia?  
Diante dessas perguntas, o objetivo é realizar uma apreciação geral  
sobre como os estudos de áreas estrangeiras na Geografia se desenvolve-  
ram e se apresentam atualmente, incluindo algumas condições históricas  
e políticas que influenciaram tanto na sua negligência ao longo do século  
XX, quanto na sua “animação” no século XXI.  
Foram realizadas consultas no Diretório de Grupos de Pesquisa  
(DRG) do CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico  
e Tecnológico) e no Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES  
(Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) (CTDC),  
selecionando teses e dissertações dos últimos 36 anos, do ano de 1988 a  
2024, sendo 1988 o ano da pesquisa mais antiga postada no catálogo en-  
volvida com o tema. A busca por título, linha de pesquisa e palavra-chave  
dos nomes das regiões do mundo (Ásia, África, Oriente Médio, América  
Latina e do Sul, América do Norte) teve a intenção de oferecer um pano-  
rama quantitativo para auxiliar as discussões críticas. Além da Geografia,  
foram quantificados estudos nos campos de Ciências Políticas, Relações  
Internacionais, Política Internacional, Economia, Sociologia, Educação e  
História. Pela pesquisa realizada no Diretório e Catálogo, essas áreas do  
conhecimento são as que mais produzem pesquisas das regiões do mun-  
do – por isso foram selecionadas. A intenção é contextualizar os estudos  
na Geografia em relação às outras áreas do conhecimento, além de diag-  
nosticar possíveis preferências gerais. Apenas para Geografia foi possível  
discernir quais eram especificamente os estudos de área.  
Se as pesquisas anteriores publicadas sobre o tema se constituíram  
nos próprios estudos de áreas estrangeiras, a pretensão aqui é destacar  
a consolidação de um campo de investigação. Assim, o presente texto  
é muito mais um convite à leitura das pesquisas do que representações  
absolutas sobre o tema. Porém, realizar tal apreciação busca contribuir  
não somente para a divulgação de pesquisas, mas principalmente ofere-  
cer uma leitura sobre como o mundo tem sido pensado e problematiza-  
do pela Geografia Brasileira, incluindo os contextos que influenciaram  
a produção desses conhecimentos. Para o meio acadêmico dos estudos  
de áreas, o texto busca ser relevante também para a conscientização de  
possíveis lacunas, hegemonias e predominâncias de temas que, poste-  
riormente, poderão ser problematizados, confirmados ou refutados pelos  
colegas. Este artigo não se propõe, então, a ser um estudo de área em si,  
192  
Rodrigo Dutra Gomes Estudos de Áreas e Geografia no Brasil  
nem pretende aprofundar a teoria ou a prática desenvolvidas pelas pes-  
quisas anteriores, mas sim oferecer uma visão panorâmica para auxiliar  
na consolidação e futuros avanços nesse campo.  
O texto inicia apresentando sugestões de “condições e contextos”  
que influenciaram tanto a negligência quanto a “reanimação” dos  
estudos de áreas nas pesquisas no Brasil, não somente para a Geografia,  
mas em geral. Em seguida, discernimos quatro formas como os estudos  
de áreas aparecem na Geografia: (3) estudos de área sem Geografia; (4)  
análises territoriais, geopolíticas e regionais; e o que denominamos de (5)  
“Globalização e integração regional críticas” e (6) “ancestralidade crítica”.  
Estas conceituações são propostas de classificação elaboradas a partir das  
pesquisas analisadas que originaram o texto. Nesse sentido, fundamen-  
tam-se nos estudos previamente discutidos, contudo, não têm a intenção  
de estabelecer definições fixas nem de serem tomadas como conceitos  
definitivos.  
2 CONDIÇÕES E CONTEXTOS  
Se a Guerra Fria estimulou os estudos de áreas estrangeiras sob a  
liderança dos Estados Unidos (WALLERSTEIN, 1997), o Brasil foi um dos  
países estudados pelos estudos de áreas que não poderia “cair nas garras”  
do comunismo. Decorrente da militarização do século XX, a produção de  
estudos estratégicos no Brasil sobre áreas estrangeiras ficou longo tempo  
ligados às agências militares, sem acesso civil às informações. Essas agên-  
cias voltaram seus esforços quase que exclusivamente para atividades  
de monitoramento de defesa às ameaças externas, principalmente com  
respeito às fronteiras com os países da América do Sul (COSTA, 2017).  
Somado ao contexto planejador e desenvolvimentista, a influência militar  
e repressiva do século XX influenciou a forma como os estudos de área fo-  
ram tratados no Brasil. Durante a Ditadura Militar (1964-1985), qualquer  
pesquisa nacional sobre o envolvimento dos militares na política nacional  
era censurada, restringindo o acesso civil e acadêmico a informações es-  
tratégicas sobre áreas internas e externas (VIZENTINI, 2014).  
Nesse sentido, não apenas na Geografia, mas de modo geral, não  
parece ter havido nenhuma política estratégica do Estado, desenvolvida  
em nível nacional, sobre a produção de estudos de áreas como apoio à  
política externa (ONUKI, 2020). De acordo com Onuki (2020) o mais pró-  
ximo disso foi a estrutura organizacional do Itamaraty em forma de áreas  
geográficas com o apoio dos diplomatas assessorando as relações políti-  
cas e embaixadas, e depois somente na década de 90 houve a criação de  
centros especializados pelos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia  
(INCTs) em diversas áreas do conhecimento. No plano acadêmico brasi-  
leiro, ainda que os departamentos, institutos e centros possuíssem estu-  
dos de áreas, estes eram restritos a análises individuais de pesquisadores  
e grupos de pesquisas, não havendo, ao longo do século XX, uma grande  
ênfase e sistematicidade neste tipo de estudo (ONUKI, 2020).  
O contexto autoritário e repressivo acabou também por fomentar  
um espírito crítico na academia que depois reverberou nos enfoques da-  
dos aos estudos de áreas atualmente. De forma geral, o autoritarismo  
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imposto pela Ditadura Militar de 1964 influenciou fortemente o cam-  
po das ciências humanas, reafirmando na universidade uma “cultura  
de oposição” em diálogo com os movimentos sociais (MOTTA, 2014).  
Historicamente antes mesmo do Golpe Militar de 1964, as instituições de  
ensino já se tornaram, nos anos 60, lugares de divulgação das pautas dos  
movimentos sociais e das lutas políticas. A universidade foi uma das prin-  
cipais instituições reprimidas e monitoradas pela ditadura militar, pois  
era considerada uma das instituições-chave para a chamada “moderniza-  
ção autoritária”, que visava reduzir a influência dos partidos de esquerda  
e dos movimentos sociais sobre os valores dos jovens – que, por sua vez,  
repercutiria futuramente na mídia e na cultura de massa (MOTTA, 2014).  
Essa “cultura de oposição” nas universidades não só se manteve  
presente, mas mesmo com as reformas universitárias durante a Ditadura,  
ela se expandiu com o aumento de estudantes de classe econômica mais  
baixa e contrários ao regime (MOTTA, 2014), e continuou marcante no  
processo de redemocratização, com a geografia acadêmica participando  
ativamente do movimento. Durante as lutas pela democratização, o 3º  
Encontro da Associação dos Geógrafos Brasileiros em 1978 foi um dos  
eventos com forte conotação política, social e crítica em oposição às  
ações da Ditadura Militar, marcando a afirmação da perspectiva crítica  
na Geografia do Brasil (VERDI, 2018). Inicialmente marxista nas décadas  
de 80 e 90, a perspectiva crítica foi sendo reelaborada no século XXI em  
diálogo com diversas outras teorias, abordagens e correntes filosóficas  
(existencialismo, feminismo, fenomenologia, descolonialidade etc).  
A influência crítica foi se tornando crescente nas gerações seguin-  
tes de profissionais bacharéis e licenciados em Geografia. Por um lado,  
ao longo dos anos 1980, a crítica à atuação capitalista do Estado levou as  
primeiras gerações de geógrafos prioritariamente a pesquisas voltadas à  
crítica ao sistema internacional, conflitos e segregações em território na-  
cional e na elaboração de materiais didáticos (CAMPOS, 2014). Por outro  
lado, a consolidação dessa perspectiva crítica acabou por fornecer, mais  
adiante, os fundamentos teórico-políticos que, já no século XXI, sustenta-  
ram uma abordagem crítica nos estudos de áreas, marcada pelo distancia-  
mento em relação ao uso instrumental do saber geográfico por interesses  
geoestratégicos.  
A abertura econômica ao neoliberalismo nos anos 90 gerou crises  
econômicas e sociais internas que reafirmaram a consciência das exclu-  
sões sociais no processo de Globalização (GONÇALVES, 1998). Com o  
fim da Guerra Fria, no século XXI estabeleceu-se na América do Sul a cha-  
mada “onda rosa”, com a maioria dos países da região sendo governados  
por partidos de centro-esquerda e críticos ao neoliberalismo, o que, por  
sua vez, abriu um campo político favorável às pesquisas de caráter crítico  
ao capitalismo e envolvendo movimentos sociais e suas demandas. Sob  
esta influência consolida-se nas ciências humanas no Brasil uma leitura  
crítica sobre a globalização neoliberal e processos capitalistas associados  
(SANTOS, 2019). Num contexto de expansão e interiorização das uni-  
versidades e da pós-graduação no Brasil (NOVAES; LAMEGO, 2022), o  
imaginário crítico se afirma na Geografia acadêmica, permeando diferen-  
tes temáticas e abordagens, com diversos estudos bibliométricos tendo  
194  
Rodrigo Dutra Gomes Estudos de Áreas e Geografia no Brasil  
observado atualmente a influência majoritária dos autores da tradição  
crítica na disciplina (SANTOS, 2019, PINTO, 2022, PINTO et al. 2021).  
Neste contexto, os estudos de áreas estrangeiras se expandem na  
Geografia no Brasil no século XXI principalmente pelas pesquisas em  
Relações Internacionais (VITTE et al., 2022), realizando análises e inves-  
tigações geográficas nas temáticas políticas, econômicas e físico-naturais.  
Tais pesquisas passaram a integrar de forma recorrente a programação de  
congressos e encontros acadêmicos — em níveis nacional, regional e local  
—, resultando também na publicação de livros e crescentes artigos em  
periódicos especializados. As áreas estrangeiras passam a ser estudadas  
por um filtro epistemológico-geopolítico de viés crítico que não apenas  
analisam, mas também as reposicionam politicamente, referenciando de-  
terminadas regiões como categorias epistemológicas, influenciadas por  
disputas e agendas geopolíticas nacionais. Sem pretender abarcar todos os  
tipos, discernimos aqui 4 formas pelas quais os estudos de área têm sido  
realizados: (3) estudos de área sem Geografia, (4) análises territoriais, geo-  
políticas e regionais de processos, países e regiões, (5) Globalização e inte-  
gração regional críticas, problematizando processos de integração globais  
e regionais, e (6) Ancestralidade crítica: novas possibilidades, destacando  
as possibilidades críticas a partir dos legados das identidades históricas e  
sociais, em destaque para a educação sobre a África.  
3 ESTUDOS DE ÁREA SEM GEOGRAFIA: A PESQUISA GEOGRÁFICA  
“PARA DENTRO”  
No Brasil a pesquisa geográfica foi historicamente voltada para o  
território nacional, sendo pouco mobilizada como instrumento estratégi-  
co para o estudo de áreas estrangeiras. A continentalidade – associada à  
extensa dimensão territorial do país – orientou os discursos oficiais e os  
investimentos estatais na produção geográfica ao longo dos séculos XIX  
e XX. Os temas prioritários incluíam o conhecimento interno do territó-  
rio, sua integração e a gestão das fronteiras. A criação das Sociedades de  
Geografia (desde 1838), dos Institutos Históricos e Geográficos no século  
XIX, e posteriormente do IBGE (1936) e do CNG (1937), refletiu um pro-  
jeto estatal de racionalização e controle do território, marcado por uma  
visão centralizadora. A Geografia foi instrumentalizada como ferramen-  
ta ideológica de construção da identidade nacional e territorialização do  
poder estatal e privado.  
A fundação dos cursos de Geografia em São Paulo (1937) e no  
Rio de Janeiro (1938) visava formar uma elite técnica e intelectual dedi-  
cada ao conhecimento do território interior e à consolidação da identi-  
dade nacional. Essa formação foi fortemente influenciada pela tradição  
regional francesa, com destaque para De Martonne, Brunhes, Febvre e  
Demangeon (MONTEIRO, 1978). No pós-guerra, a lógica geopolítica da  
Guerra Fria e a influência dos EUA impulsionaram políticas regionais sob  
uma perspectiva mackinderiana. A criação de órgãos como SUDENE,  
SUDAM, SUDECO etc e projetos como RADAMBRASIL consolidaram  
uma Geografia funcionalista (CAMPOS, 2014). Com o avanço do neo-  
liberalismo nos anos 1990, as políticas regionais foram desarticuladas.  
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Tentativas de reativação no governo Lula mostraram-se limitadas  
(COÊLHO, 2015), e os estudos atuais seguem setorizados entre institui-  
ções como Universidades, IBGE, IG, CPRM, ANA, EMBRAPA, INPE e  
IPEA.  
Com a Geografia no século XX desenvolvendo uma tradição de  
pesquisa “para dentro”, mesmo com a reanimação a partir da Geografia  
das Relações Internacionais (GRI) (VITTE et al., 2022), no século XXI  
os estudos de países estrangeiros se desenvolveram principalmente em  
outros campos como Ciências Políticas, Política Internacional, Relações  
Internacionais, Economia e História. A Tabela 1 apresenta um panora-  
ma quantitativo dos centros e grupos de pesquisa registrados no CNPQ  
por área do conhecimento e a Tabela 2 o quantitativo de teses e disser-  
tações do Catálogo da CAPES, defendidas nos últimos 36 anos (1988 a  
2024), sobre regiões e países estrangeiros. O objetivo da Tabela 1 e 2 é  
comparar quantitativamente a Geografia em relação às outras disciplinas,  
vislumbrando a situação contextual das pesquisas geográficas nos estudos  
dos países e regiões do Mundo. Contudo, ainda será necessário verificar,  
em investigações posteriores, o quanto destas pesquisas nas outras  
disciplinas são realmente estudos de áreas. Isso pode caracterizar o que  
Child e Barnes (2019) chamaram de “estudos de áreas sem Geografia” ao  
criticar abordagens acadêmicas de pesquisas que, embora se apresentem  
como estudos regionais ou territoriais, desconsideram os fundamentos  
epistemológicos e metodológicos centrais da Geografia, como a análise  
espacial, relações entre escalas, relações dos lugares, dinâmicas territoriais  
e geopolíticas, bem como o uso de técnicas específicas como cartogra-  
fia, sistemas de informação geográfica (SIG) e geoprocessamento. Neste  
texto, apenas para a Geografia distinguimos quais teses e dissertações, de  
fato, se configuram como estudos de áreas — o que apresentaremos no  
próximo tópico.  
Tabela 1 - Número de Grupos de Pesquisa por áreas do conhecimento cadastrados no  
CNPQ - DRG que estudam regiões do mundo.  
Áreas de Conhecimento  
Regiões do mundo  
Ásia  
Geografia  
Ciências Políticas Economia  
Sociologia  
Educação  
História  
1
10  
12  
5
9
4
6
9
África  
8
4
13  
1
55  
2
77  
8
Europa  
0
1
Oriente Médio  
Améroca do Norte  
América latina  
0
6
0
0
0
2
0
11  
57  
0
1
0
10  
40  
12  
20  
35  
39  
Fonte: BRASIL (2024). Organizado pelo autor.  
196  
Rodrigo Dutra Gomes Estudos de Áreas e Geografia no Brasil  
Tabela 2 - Quantidades de Teses e Dissertações produzidas no Brasil disponíveis no  
CTDC por região do mundo.  
Áreas de Conhecimento  
Ciências  
Políticas  
Relações  
Internacionais  
Política  
Internacional  
Regiões do mundo  
Geografia  
Economia  
Sociologia  
Educação  
História  
África  
26  
15  
3
70  
50  
86  
11  
61  
8
32  
62  
19  
48  
9
28  
118  
19  
146  
1
51  
48  
13  
157  
5
81  
5
326  
28  
Ásia-China  
95  
Europa  
26  
34  
267  
25  
30  
14  
108  
240  
29  
América latina  
Oriente Médio  
América do Norte  
América do Sul  
110  
4
351  
11  
12  
72  
114  
91  
55  
59  
113  
62  
55  
32  
28  
20  
261  
76  
Fonte: BRASIL (2024). Organizado pelo autor.  
As Tabelas 1 e 2 revelam padrões que destacam não apenas desi-  
gualdades regionais de interesse, mas também algumas assimetrias entre  
as áreas do conhecimento. A Geografia ocupa uma posição secundária,  
tanto em número de grupos de pesquisa cadastrados no CNPq quanto na  
quantidade de teses e dissertações, com sua inserção nos debates inter-  
nacionais mostrando-se reduzida quando comparada às outras áreas. Na  
Tabela 1, observa-se apenas 21 grupos de pesquisa da Geografia voltados  
ao estudo de regiões do mundo, sendo a área com menor presença entre  
os campos analisados. Áreas como Ciência Política, História, Sociologia  
e Educação demonstram maior atuação, com destaque para História e  
Educação nos estudos sobre a África, e Ciência Política e Economia nas  
pesquisas sobre América Latina e Ásia. Na Tabela 2 o padrão se repete: a  
produção geográfica é menor em relação à de outras áreas. Embora haja  
maior número de trabalhos (com destaque para as regiões da América  
Latina e América do Sul), a Geografia ainda é minoritária.  
A América Latina e a África aparecem como as regiões mais estu-  
dadas no conjunto das áreas, revelando um esforço crítico de recuperação  
dos laços históricos, econômicos, sociais e culturais que conectam essas  
regiões ao Brasil. Para a África, a História lidera com 326 trabalhos, se-  
guida por Educação (81) e Sociologia (51). Esse cenário corrobora a ideia  
de que o campo da História tem assumido papel de destaque na recons-  
trução das conexões Sul-Sul. A América Latina, por sua vez, concentra o  
maior número de pesquisas em todas as áreas, incluindo a Geografia, o  
que aponta para uma valorização da identidade regional e dos processos  
de integração continental, como indicam Carvalho e Cimini (2019).  
No caso da Ásia, especialmente da China, e da América do Norte, os  
dados revelam uma concentração das pesquisas nas áreas de Economia,  
Ciência Política, Relações Internacionais e Política Internacional. Esse in-  
teresse é esperado frente à crescente importância geopolítica e econômi-  
ca dessas regiões para o Brasil, considerando que China e Estados Unidos  
são seus principais parceiros comerciais. Como destacam Rocha (2023) e  
Caixeta (2018), os estudos de área dentro das Relações Internacionais es-  
tão em expansão, e os BRICS, com destaque para a China, figuram entre  
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os temas mais recorrentes na produção da área. A Geografia, no entanto,  
apresenta números baixos nesses contextos: apenas 15 trabalhos sobre a  
Ásia-China e 12 sobre a América do Norte, o que pode sugerir uma limi-  
tação na inserção da área nos debates geográficos internacionais.  
O caso da Europa pode ser um exemplo. Apesar de seu legado his-  
tórico e colonial na formação do Brasil e de suas instituições científicas,  
a região aparece com baixa densidade de estudos em todas as áreas, com  
exceção da História. A Geografia não apresenta grupo de pesquisa dedi-  
cado à Europa (Tabela 1) e registra apenas três teses e dissertações (Tabela  
2), o que demonstra um afastamento da disciplina em relação aos deba-  
tes contemporâneos sobre, por exemplo, integração regional, fronteiras  
e mobilidade no contexto europeu. Quanto ao Oriente Médio, os dados  
apontam uma quase ausência de pesquisas em todas as áreas, incluindo  
a Geografia. Segundo Menem (2020), essa lacuna pode ser explicada por  
barreiras geopolíticas, culturais e epistemológicas que ainda limitam o  
desenvolvimento de pesquisas mais aprofundadas sobre essa região no  
Brasil.  
De modo geral, as Relações Internacionais despontam como um  
campo emergente e protagonista nos estudos de áreas estrangeiras –  
ainda sendo necessário verificar quais especificamente são estudos de  
áreas. Com números expressivos de dissertações e teses sobre a China,  
os Estados Unidos, países dos BRICS e a América do Sul, a área tem am-  
pliado sua atuação analítica e metodológica, articulando os temas das  
relações diplomáticas, comércio exterior, integração regional e reconfi-  
gurações do poder global. Como afirmam Caixeta (2018) e Rocha (2023),  
embora os estudos de área ainda sejam um campo minoritário dentro das  
Relações Internacionais, seu crescimento recente é notável e responde às  
transformações do cenário internacional. Essa atuação contrasta com a  
da Geografia, cuja menor inserção sugere o desafio de intensificar a ex-  
pansão da temática na disciplina.  
4 ANÁLISES TERRITORIAIS, GEOPOLÍTICAS E REGIONAIS  
Análises territoriais, geopolíticas e regionais de processos, países e  
regiões do mundo são uma das principais formas pelas quais a Geografia  
no Brasil tem produzido estudos de áreas estrangeiras. Os dados do CTDC  
nas tabelas 3 e 4 especificam os dados sobre a Geografia. Ao aprofundar  
nos dados e na leitura de pesquisas representativas, o viés crítico, de tradi-  
ção consolidada desde o movimento de redemocratização, se destaca nas  
pesquisas sobre áreas estrangeiras na Geografia do Brasil. Dialogando  
com Powell et al. (2017), frequentemente vistos como herança de projetos  
estratégicos dos países do norte geopolítico, tais pesquisas no Brasil se  
reconectam à geografia política e econômica por meio de práticas episte-  
mológicas críticas, localizadas e de viés anticoloniais.  
A Tabela 3 mostra o número de pesquisas de teses e dissertações de  
Geografia (CTDC) que, de fato, são caracterizadas como estudos de área,  
e a Tabela 4 mostra os principais temas gerais desenvolvidos nas pesqui-  
sas. O critério adotado para discernir quais pesquisas realmente eram  
‘estudo de áreas’ foi a verificação da ocorrência de análises geográficas  
198  
Rodrigo Dutra Gomes Estudos de Áreas e Geografia no Brasil  
humanas ou naturais focadas sobre um país (ou áreas dentro de suas  
fronteiras) ou região do mundo. Neste sentido, não foram considerados  
como ‘estudos de áreas’ as pesquisas que utilizam o nome das regiões  
ou países como referência para análises de áreas e processos dentro do  
Brasil. Somente as pesquisas cujo foco de análise foram as regiões e áreas  
estrangeiras (países, regiões, integração regional, cidades etc) foram con-  
siderados ‘estudos de áreas’.  
Tabela 3 – Quantitativo dos Estudos de áreas nos trabalhos selecionados de Geogra-  
fia no CTDC.  
Geografia  
Geografia  
Estudos de Área  
África  
26  
15  
3
10  
6
Ásia  
Europa  
1
latino-americano  
Oriente Médio  
América do Norte e EUA  
Sul-americano  
110  
4
27  
1
12  
72  
8
25  
Fonte: BRASIL (2024). Organizado pelo autor.  
Tabela 4 – Principais temas desenvolvidos nos estudos de área em Geografia por  
região do mundo (CTDC).  
TEMAS  
REGIÕES  
DO  
MUNDO  
Poderes,  
Conflito,  
Território  
Integração Movimentos  
Gênero  
e raça  
Climatologia e  
Desertificação  
Planejamento.  
Urbano, gestão regional  
Segurança  
Geopolítica  
Migração  
2
Agrário  
regional  
sociais  
latino-a-  
mericano  
13  
5
4
1
3
3
Sul-ameri-  
cano  
2
1
7
1
8
2
4
África  
5
1
Europa  
1
Médio  
Oriente  
1
América  
do Norte  
2
1
2
4
1
1
1
Ásia  
1
Fonte: BRASIL (2024). Organizado pelo autor.  
Comparativamente a outros campos das ciências humanas, os estu-  
dos de área na Geografia brasileira ainda não são numerosos, como mos-  
tram os dados do CTDC. A Tabela 3 revela que a maioria dessas pesquisas  
se concentra na América Latina (27) e América do Sul (25), seguidas pela  
África (10), América do Norte (8) e Ásia (6), o que demonstra uma forte  
tendência à priorização do entorno geopolítico imediato e de parcerias  
199  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 190-211  
estratégicas do Brasil no Sul Global. Essa concentração regional pode ser  
vista como expressão de um projeto geopolítico e epistemológico, em  
que a Geografia das Relações Internacionais tem buscado territorializar  
criticamente os vínculos internacionais do país, articulando temas como  
poder, conflito e integração regional (COSTA, 2009; VITTE, 2020).  
Os dados da Tabela 4 indicam que os principais temas abordados  
nesses estudos concentram-se nas categorias clássicas da geografia polí-  
tica e crítica: relações de poder, conflitos territoriais, geopolítica e inte-  
gração regional, especialmente nas pesquisas sobre a América Latina e  
América do Sul. Nessa perspectiva, estudos como os de Nogueira (2017) e  
Garcia (2021) se destacam por adotar abordagens comparativas e de viés  
marxista e neomarxista, centradas na dialética capital-trabalho e no papel  
estratégico dos movimentos sociais. Tais trabalhos utilizam categorias  
como território, espaço e conflito para analisar as desigualdades e as re-  
sistências construídas nos espaços latino-americanos.  
A América Latina, conforme apontam Vitte et al. (2020), foi a pri-  
meira região a estruturar de forma sistemática o enfoque dos estudos  
de área na GRI, com ênfase na integração regional através de pesquisas  
sobre a infraestrutura, energia e logística regional. A abordagem críti-  
ca à integração proposta pelo Mercosul e Unasul reflete-se em pesquisas  
que investigam tanto os efeitos econômicos quanto os impactos socioam-  
bientais danosos desses projetos sobre os territórios locais (VITTE, 2020).  
Além disso, a predominância de pesquisas em escala regional (9 no total)  
parece indicar uma tentativa de superar as análises fragmentadas e refor-  
çar uma leitura integral e continental dos processos geográficos.  
No caso da África, os estudos apresentam uma singularidade: são  
frequentemente realizados por estudantes africanos em intercâmbio aca-  
dêmico no Brasil, especialmente de Moçambique. Dos 39 estudos iden-  
tificados, 32 foram produzidos por moçambicanos, com temas que vão  
desde conflitos e territorialidades até saúde, turismo e epistemologia. A  
produção científica sobre a África também é fortalecida por grupos de  
pesquisa como o GéoÁfrica (UFRJ) e o GeoAfro (UnB), além das contri-  
buições sistemáticas de autores como Frédéric Moiné (2020, 2022, 2023),  
que têm consolidado um campo próprio de análise territorial africana na  
Geografia brasileira.  
A Ásia aparece menos nos estudos de área, com destaque para a  
China, foco principal de pesquisas voltadas à reordenação da geopolítica  
global no pós-Guerra Fria, especialmente no contexto da Belt and Road  
Initiative (BRI) (IBANEZ et al., 2023; SANTOS, 2022). A Índia, Japão,  
Coreia do Sul e Indonésia permanecem marginalizados nas pesquisas,  
refletindo uma lacuna, dado o peso político e econômico dessas nações.  
O mesmo ocorre com o Oriente Médio, região praticamente ausente nas  
teses e dissertações analisadas, apesar da crescente importância do Brasil  
nas relações energéticas e comerciais com países árabes (MENEM, 2020).  
Sobre a Europa e América do Norte, os estudos, mesmo pouco nu-  
merosos, estão focados em comparações com a realidade latino-america-  
na. As pesquisas sobre a Europa tendem a abordar desequilíbrios regionais  
e as disputas territoriais internas à União Europeia, com destaque para os  
desafios impostos pelos novos regionalismos e pelas políticas territoriais  
200  
Rodrigo Dutra Gomes Estudos de Áreas e Geografia no Brasil  
comparadas entre França e Brasil (SILVA; SILVA, 2010; RUCKERT, 2013;  
RUCKERT; GRASLAND, 2016; RUCKERT; CARNEIRO, 2021). Tais estu-  
dos, embora pontuais, revelam um esforço para compreender os descom-  
passos entre políticas públicas e as dinâmicas espaciais no contexto euro-  
peu, inserindo-se num debate crítico sobre coesão territorial e desigual-  
dades socioespaciais. Já as pesquisas sobre os Estados Unidos dialogam  
com temas globais, como a disputa hegemônica com a China em torno  
das políticas climáticas (MOREIRA, 2014), revelando um viés geopolítico  
que extrapola a análise de um único território e busca compreender as  
dinâmicas de poder em escala planetária.  
A Rússia, por sua vez, tem emergido como objeto de análise sobre-  
tudo a partir de sua atuação geopolítica em contextos de crise, como na  
pandemia de COVID-19 (LUCENA; CUNHA, 2022) e no conflito com a  
Ucrânia, abordado sob múltiplas perspectivas, incluindo as tensões pré-  
-guerra (COSTA, 2015; LUCENA et al., 2020) e as consequências da guerra  
para a ordem internacional (IBANEZ; SILVA, 2023). As pesquisas sobre a  
Guerra Civil da Síria (LUCENA, 2017; MARIA VARGAS; LUCENA, 2022)  
completam esse quadro, demonstrando que, mesmo quando escassos, os  
estudos de área sobre Europa, Rússia e Oriente Médio são fortemente orien-  
tados por uma leitura crítica da geopolítica contemporânea, marcada por  
conflitos, reposicionamentos estratégicos e disputas pela hegemonia global.  
Os dados revelam uma Geografia Brasileira que, embora ainda  
tímida em termos quantitativos nos estudos de área, apresenta forte  
orientação crítica e geopolítica, voltada para o Sul Global e articulada às  
contradições do sistema-mundo. A ênfase em categorias como território,  
poder e conflito, aliada à valorização de experiências locais e à crítica ao  
imperialismo, revela um projeto de conhecimento situado, que desafia as  
lógicas tradicionais dos estudos de áreas hegemônicos — o que dialoga,  
em última instância, com a crítica de Child e Barnes (2019) aos “estudos  
de áreas sem Geografia.  
5 GLOBALIZAÇÃO E INTEGRAÇÃO REGIONAL CRÍTICAS  
No final do século XX e principalmente no século XXI, o Brasil  
passou a reivindicar um papel mais ativo na cena internacional, articulan-  
do-se em fóruns multilaterais como ONU, G20 e OEA, ao mesmo tempo  
em que buscou consolidar estratégias de cooperação Sul-Sul, mediação  
de conflitos e defesa de agendas vinculadas à justiça social e à sustentabi-  
lidade. Somado à tradição da ‘cultura de oposição’ essa situação implicou  
também um reposicionamento epistemológico no campo da Geografia,  
com o fortalecimento de abordagens críticas sobre os processos de glo-  
balização e integração regional, em especial no contexto sul-americano.  
Denominamos aqui de ‘Globalização e integração regional críticas’ estas  
abordagens que questionam os efeitos excludentes das políticas neolibe-  
rais de integração mundial e regional. Essas críticas enfatizam os impac-  
tos sociais e territoriais negativos para populações locais e propõem alter-  
nativas baseadas em justiça social e autonomia regional.  
A globalização, longe de ser um processo homogêneo ou demo-  
crático, é abordada pela Geografia brasileira a partir de uma perspectiva  
201  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 190-211  
fortemente ancorada na Teoria Social Crítica (SANTOS, 2019). Nesse  
perspectiva, autores como Milton Santos, Octavio Ianni, David Harvey,  
François Chesnais e Georges Benko são frequentemente mobilizados  
para problematizar a globalização em suas expressões concretas sobre os  
territórios locais e regionais, evidenciando como seus efeitos reforçam  
desigualdades socioespaciais e impõem racionalidades externas aos luga-  
res (SANTOS, 2019). Milton Santos destaca-se como o autor majoritaria-  
mente mais citado e influente, enfatizando as “fábulas” e “perversidades”  
desse fenômeno e os efeitos desiguais que ampliam as disparidades entre  
países e dentro dos próprios territórios (SANTOS, 2019).  
Santos (2008) propõe que as “possibilidades” de construção de uma  
“outra globalização” não surgirá dos centros hegemônicos do sistema-  
-mundo, mas sim “a partir dos países subdesenvolvidos”, de modelos al-  
ternativos formulados conforme as especificidades históricas, territoriais  
e culturais de cada país. Essa visão crítica se insere em uma tradição que  
busca superar o discurso hegemônico da inevitabilidade e universalida-  
de da globalização, contrapondo-lhe a necessidade de uma reconstrução  
epistemológica e política que priorize as territorialidades periféricas.  
Para Santos (2008) a formação de blocos e associações regionais é  
concebida como uma possibilidade concreta para a reconfiguração das  
relações internacionais, no caso, devendo transcender a esfera comer-  
cial de forma a abrir espaço para a prevalência de preocupações sociais,  
culturais, ambientais e éticas. Tal proposição encontra ressonância na  
literatura crítica internacional nos estudos de áreas. Na mesma direção,  
Sidaway (2013), ao refletir sobre a geografia da globalização e a proble-  
mática dos estudos de área, também reconheceu o valor das formas re-  
gionais de organização sociopolítica nos países do Sul Global, sobretudo  
como tentativas de articular resistências à lógica neoliberal e às continui-  
dades imperiais inscritas na produção do espaço.  
Para Sidaway (2013), ainda que o regionalismo periférico não seja  
isento de contradições, ele pode representar um espaço de rearticulação  
epistemológica e política quando formulado a partir de projetos territo-  
rializados e comprometidos com valores democráticos, culturais e histó-  
ricos próprios. Os entendimentos de ambos autores questionam os dis-  
positivos de homogeneização espacial e criticam a reificação de lógicas  
supraterritoriais que desconsideram os sujeitos concretos dos lugares, e  
revelam assim a importância de modelos alternativos de globalização  
oriundos da periferia do sistema-mundo, desde que enraizados nas espe-  
cificidades locais e não simplesmente reativos às pressões hegemônicas.  
Entretanto, Sidaway (2013) alerta para o uso instrumental dos “es-  
tudos de área” por potências centrais, sobretudo quando esses saberes são  
mobilizados para justificar políticas intervencionistas e projetos geopo-  
líticos imperiais em regiões específicas do mundo. Neste sentido alerta  
para o esforço em não repetir a função colonial dos estudos de áreas, mas  
buscar caminhos éticos e comprometidos com os sujeitos e os territórios  
subalternizados. Considerando os limites do “outro” espacial, Sidaway  
(2013) destaca que os geógrafos devem pensar as regiões do mundo não  
como objetos de controle, mas como construções políticas dotadas de  
agência e complexidade própria. Na mesma direção, Santos (2008) destaca  
202  
Rodrigo Dutra Gomes Estudos de Áreas e Geografia no Brasil  
que somente os países subdesenvolvidos podem forjar uma outra globali-  
zação, desde que se recusem a replicar os paradigmas dos países centrais  
do imperialismo. Assim, considerando a globalização pela perspectiva  
crítica dos países não-hegemônicos, os estudos de áreas, em diálogo com  
Santos (2008), têm problematizado as relações territoriais e a legitimidade  
das construções político-espaciais elaboradas a partir da periferia, sem  
ceder à armadilha do essencialismo ou da captura instrumental para in-  
teresses externos.  
A partir dessa leitura crítica, pensar os processos internacionais e  
o posicionamento do Brasil no jogo geopolítico global implica considerar  
a centralidade da Divisão Internacional do Trabalho e as hierarquias so-  
cioambientais que ela engendra. Esse referencial tem orientado os estu-  
dos geográficos brasileiros sobre áreas estrangeiras, sobretudo por meio  
de uma abordagem crítica de matriz econômica e política, comprometida  
com a denúncia das assimetrias estruturais que organizam o espaço mun-  
dial. Tais significados tornam-se evidentes nas análises críticas sobre os  
processos de regionalização e de integração da América do Sul — temas  
que se consolidaram como alguns dos principais eixos da Geografia po-  
lítica e da Geografia das Relações Internacionais no Brasil (SENHORAS  
et al., 2019).  
A integração regional sul-americana é um dos temas marcantes da  
produção acadêmica brasileira sobre estudos de área (SENHORAS et al.,  
2020). A formação de blocos como o Mercosul e a Unasul embora tenha  
sido inicialmente interpretada como uma tentativa de romper com a ló-  
gica neoliberal e subalterna da inserção internacional, apresentou vários  
desafios e contradições. Embora a integração regional na América do Sul  
tenha sido historicamente marginalizada durante o período da Ditadura  
Militar, o contexto político-econômico do início do século XXI, marcado  
pela chamada “onda rosa” e pelo “boom das commodities” entre 2000 e  
2014, conferiu novo impulso a essa agenda por meio do fortalecimento de  
blocos como o Mercosul e a Unasul (COSTA, 2009; VITTE, 2020). Tal mo-  
vimentação ganhou maior relevância no cenário internacional ao buscar  
contrabalançar os alinhamentos econômicos desiguais com as Grandes  
Potências e mitigar as interferências externas, inclusive no âmbito da se-  
gurança regional – sobretudo após os eventos do 11 de setembro de 2001,  
que intensificaram o cenário de conflitos políticos e militares com prota-  
gonismo estadunidense (COSTA, 2009).  
Esse período coincidiu com um aumento significativo das exporta-  
ções decorrente do “boom das commodities”, o que fomentou a demanda  
pela criação de eixos de integração física entre áreas economicamente  
dinâmicas do continente, destacando-se os investimentos em infraestru-  
tura de transporte, energia elétrica e portos. No entanto, a efetividade  
dessas iniciativas foi limitada pela ausência de convergência nos marcos  
regulatórios entre os países-membros e pela insuficiência de recursos fi-  
nanceiros, fatores que condicionaram a incipiência dos projetos de inte-  
gração (VITTE, 2020). Convergentes com os entendimentos de Santos  
(2008) e Sidaway (2013), Claudette Vitte (2020), uma das principais auto-  
ras do tema, enfatizou criticamente à ênfase geoeconômica dominante  
nesses projetos, destacando que a priorização das dimensões econômicas  
203  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 190-211  
obscureceu o desenvolvimento social e ambiental dos territórios envolvi-  
dos. Essa situação resultou em um quadro que, longe de promover bene-  
fícios locais, expôs as comunidades a riscos sociais e ambientais elevados,  
com a autora denunciando as contradições inerentes aos processos de re-  
gionalização impulsionados por interesses economicistas.  
As pesquisas têm alertado para os desafios atuais da integração re-  
gional. Nos anos mais recentes, especialmente entre 2018 e 2022, sob a  
gestão do governo Bolsonaro, foi possível observar o desmantelamento  
sistemático de projetos voltados à integração regional sul-americana, fato  
que se alia a dinâmicas externas de influência geopolítica (VITTE, 2020).  
Nesse contexto, na última década a América do Sul tornou-se palco da in-  
tensificação da disputa por hegemonia econômica e política entre Estados  
Unidos e China, cujas presenças concorrentes geram tensões comerciais  
e políticas na região. Os Estados Unidos, em particular, têm ampliado  
sua atuação estratégica no Atlântico Sul, numa tentativa explícita de con-  
ter a crescente influência dos blocos sino-indiano-brasileiros (RUCKERT;  
CARNEIRO, 2018; PECEQUILLO, 2016).  
Ainda no campo das políticas internacionais, o Banco Mundial, ali-  
nhado a preceitos neoliberais, tem promovido a adoção do “regionalismo  
aberto” como modelo para a integração sul-americana — uma orientação  
que já fora implementada na década de 1990 e que resultou em severas  
crises econômicas e sociais com impactos desiguais e altamente negati-  
vos para as populações locais (RUCKERT e CARNEIRO, 2018). Tais tipos  
de mecanismos de preservação da lógica colonial e imperial, têm sido  
denunciados no contexto internacional dos estudos de áreas, por exem-  
plo em Sharp (2019) e Cheng e Liu (2022). Sharp (2019), alerta para o uso  
instrumental dos estudos de área como prática difrativa que, ao invés  
de desafiar as hierarquias geopolíticas, frequentemente as reproduz sob  
novas roupagens. Para o autor a geografia deve abandonar a lógica de  
diferenciação binária e de produção de saberes subordinados que legiti-  
mam intervenções externas, como as promovidas por instituições mul-  
tilaterais. Nessa direção, Cheskin e Jasina-Schafer (2022) destacam que  
os estudos de área, quando operam sob lógicas normativas oriundas de  
centros hegemônicos, tendem a obscurecer as formas locais de agência e  
contestação, sendo, portanto, fundamentais os esforços de descentraliza-  
ção e pluralização epistemológica na construção de entendimentos ver-  
dadeiramente pós-hegemônicos. Buscando superar tais desafios Cheng e  
Liu (2022) introduzem o conceito de “world-writing”, que tanto expõem  
a centralidade das epistemologias eurocêntricas na produção de discursos  
globais, quanto defendem a reescrita do mundo a partir das vozes perifé-  
ricas. Os autores propõem a descentralização das narrativas geográficas  
globais em favor de epistemologias situadas – no caso deles, a chinesa,  
mas que pode ser correlacionada à sul americana.  
Nesse sentido, em termos de “world-writing”, a imposição de mo-  
delos como o “regionalismo aberto” pode ser lida como expressão de  
uma geopolítica do conhecimento que invisibiliza as possibilidades de  
integração baseadas nas especificidades territoriais, históricas e culturais  
da América do Sul. Dentro do campo da Geografia Brasileira, conforme  
indicam os dados que evidenciam uma forte concentração temática em  
204  
Rodrigo Dutra Gomes Estudos de Áreas e Geografia no Brasil  
disputas de poder e integração regional, prevalece a análise crítica de que  
o abandono dessas estratégias excludentes e geradoras de desigualdades  
constitui um dos principais desafios contemporâneos para os povos da  
América do Sul e da América Latina como um todo (THEIS, 2021).  
6 ANCESTRALIDADE CRÍTICA: NOVAS POSSIBILIDADES  
Chamamos de ancestralidade crítica o resgate contemporâneo de  
identidades epistemológicas moldadas por legados históricos e sociais que  
impactam a forma de conceber e estudar áreas estrangeiras e processos  
globais. No Brasil, a ancestralidade crítica é também herança da “cultura  
oposicionista” que se desenvolveu na universidade pública sob influên-  
cia dos movimentos sociais, na crítica ao capitalismo, na defesa da de-  
mocracia e na oposição ao autoritarismo (MOTTA, 2014; VERDI, 2018;  
GONÇALVES, 2022). A noção de ancestralidade crítica aqui sugerida se  
conecta à historicidade das lutas sociais no Brasil e ao modo como elas  
influenciam a epistemologia da Geografia no Brasil, particularmente nos  
estudos de áreas estrangeiras. Tais heranças não são apenas marcas do  
passado, mas operam ativamente como matriz teórica e metodológica na  
produção geográfica contemporânea, sobretudo em contextos de enfren-  
tamento ao colonialismo epistêmico e ao autoritarismo político.  
Essa herança é evidente na predominância de abordagens críticas  
nas pesquisas sobre áreas estrangeiras (Tabela 1), especialmente com ên-  
fase em temas como geopolítica, disputas de poder e conflitos, o que con-  
firma o diagnóstico de Santos (2019), Pinto (2022) e Pinto et al. (2021). Tais  
direções contestatórias podem ser indicativos no Brasil do que Cheskin  
e Jasina-Schafer (2023) chamaram de “virada epistemológica nas aborda-  
gens críticas aos estudos de área”, com os estudos se afastando das es-  
truturas estatais e se aproximando das vozes marginalizadas e das prá-  
ticas cotidianas nos territórios periféricos. A sugestão dos autores é que  
somente a partir de práticas epistêmicas vindos de saberes locais e das  
formas plurais de vínculos de pertencimento com o lugar, será gerado o  
potencial de desafiar as fixações identitárias e os binarismos geopolíticos  
herdados da Guerra Fria, no nosso caso, via Ditadura Militar. Isso abre  
caminhos para regionalizações mais situadas, éticas e sensíveis à diver-  
sidade histórica e cultural. Como demonstram os dados das tabelas, os  
temas dos estudos de áreas em Geografia no Brasil reforçam práticas que  
Sharp (2019) chamaria de difrativas, ou seja, que podem ser capazes de  
romper com os espelhamentos coloniais que separam o “nós” e os “ou-  
tros” de modo binário.  
Nesse contexto, a Europa, como representante da colonialidade  
e da modernidade, e os Estados Unidos, protagonistas da globalização  
e do capitalismo internacional, tornam-se espaços epistêmicos a serem  
problematizados, enquanto África e América Latina se consolidam como  
regiões de referência para novas possibilidades. No Brasil, esses desafios  
têm ocorrido a partir de uma perspectiva educacional e histórica (como  
indica a Tabela 2) em diálogo com os movimentos sociais, por meio da re-  
cuperação da ancestralidade africana e latina. Advinda dos movimentos  
sociais negros da década de 1970, a Lei 10.639/2003 introduziu a disciplina  
205  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 190-211  
obrigatória “História e cultura africana e afro-brasileira” no currículo na-  
cional, tornando o ensino da África um dos cinco temas mais abordados  
atualmente nas pesquisas sobre relações étnico-raciais (SANTOS, 2020).  
Isso aponta para críticas ao eurocentrismo e à discriminação, fortalecen-  
do internamente as pesquisas sobre conflitos de terra, segregação espa-  
cial e constituição de lugares étnicos (indígena, quilombola, cigano etc)  
(RATTS, 2010; 2024). Como visto na Tabela 4, é bem presente as produ-  
ções voltadas à África e Ásia que escapam da lógica geoeconômica tradi-  
cional e se alinham à crítica estrutural do colonialismo e das epistemolo-  
gias do Norte. Tal mudança estrutural parece ir na direção do que Sharp  
(2019) chama de ‘práticas geográficas que não repliquem as estruturas im-  
periais do saber’, e ao que Cheng e Liu (2022) propôs como ‘reescrita do  
mundo’ (world-rewriting) a partir das margens.  
Diante do exposto, que direções reflexivas podemos observar para  
o futuro? Na Geografia no Brasil a leitura atualmente adotada foi afirma-  
da no processo de defesa da democracia e das lutas sociais — e reafirma-  
das nos dias de hoje diante dos ataques autoritários (GONÇALVES, 2022).  
A consciência crítica sobre os efeitos das imposições de macroprocessos  
de origem colonial-capitalista-eurocêntrica sobre os países estimula o  
surgimento de novas concepções. Propostas de “regionalização de bai-  
xo para cima” (HAESBAERT, 2020) vão nessa direção, com o desafio de  
fortalecer o “bloco social dos oprimidos” (indígenas, afrodescendentes,  
gênero, camponeses etc.) e romper com a passividade da América Latina  
e África no Sistema Internacional (THEIS, 2021). A proposta de uma nova  
geografia regional no Brasil acolhe e pretende desenvolver tais iniciati-  
vas (LEOPOLDO et al., 2021). Essa perspectiva busca evitar uma unidade  
regional universal (continental ou global), e valorizar os processos de di-  
ferenciação espacial, como culturais, ambientais e de saberes. Mover-se  
nessa direção “inversa” à tradição autoritária ocidental parece ser uma  
das maneiras pelas quais a Geografia no Brasil regionalizará o mundo.  
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
Os estudos de área na Geografia Brasileira têm assumido uma  
orientação crítica que tanto se diferencia das abordagens tradicionais  
em outros contextos geográficos, especialmente nos países considerados  
‘centrais’ em termos políticos, econômicos e epistemológicos, quanto  
tem sido respaldada por discussões recentes em âmbito internacional.  
Ancorada em uma herança epistemológica influenciada pela resistência  
democrática, pelos movimentos sociais e por uma leitura contra-hege-  
mônica da globalização, a Geografia brasileira tem tensionado os usos  
instrumentais das áreas estrangeiras e reconfigurado sua prática investi-  
gativa por meio da valorização de identidades territoriais, saberes locais e  
conflitos sociais, articulando essas dimensões a um modo de conhecer o  
mundo que parte dos territórios geopoliticamente periféricos.  
Observa-se uma crescente atenção a temas geopolíticos e às dinâ-  
micas do sistema internacional. Contudo, os países mais estudados nem  
sempre coincidem com os principais parceiros estratégicos do país. Os  
Estados Unidos aparecem com alguma relevância, sobretudo no contexto  
206  
Rodrigo Dutra Gomes Estudos de Áreas e Geografia no Brasil  
de disputas de poder, mas os países específicos do Mercosul e mesmo os  
BRICS ainda não ocupam um espaço sistemático e proporcional à sua im-  
portância geopolítica atual. A presença dos BRICS, especialmente China,  
é ainda pouco volumosa nos dados mapeados (Tabelas 2 e 4), o que indica  
uma possível lacuna temática na articulação entre a política externa e a  
produção geográfica. Os estudos relacionados a África e Ásia têm ganha-  
do espaço, principalmente a partir de pesquisas de alunos africanos em  
intercâmbio e perspectivas críticas. Em muitos casos, os estudos não se  
concentram em países específicos, mas em processos mais amplos liga-  
dos à herança colonial e aos desafios contemporâneos da globalização. A  
África, por exemplo, surge não apenas como objeto de análise externa,  
mas como referência epistêmica na crítica ao eurocentrismo, especial-  
mente por meio de políticas como a Lei 10.639/2003, que impulsionaram  
o ensino e a pesquisa sobre o continente. A Ásia é menos presente, com  
raras exceções voltadas à geopolítica da China. Assim, a característica  
predominante nas pesquisas parece estar menos relacionada ao alinha-  
mento com os interesses geopolíticos contemporâneos do Brasil, e mais  
vinculada às agendas internas da Geografia crítica brasileira.  
Duas perspectivas podem ser vislumbradas. A primeira aponta  
para a consolidação de um campo de produção científica capaz de cons-  
truir alternativas regionais e críticas à globalização neoliberal, conforme  
defendido por Santos (2008) e observados nos dados analisados. Essa via  
se orienta pela ampliação de parcerias Sul-Sul, valorização das lutas terri-  
toriais e fortalecimento de blocos sociais contra-hegemônicos como práti-  
cas concretas de regionalização contra o modelo “aberto” e subordinado.  
A segunda perspectiva, mais reflexiva e ‘difrativa’, sugere a necessidade  
de repensar conceitos como região, identidade e diferença, tornando-os  
menos fixos e mais relacionais, tal como propõem autores como Sharp  
(2019), por meio de uma abordagem que não se limite à crítica, mas tam-  
bém estimule a reimaginação do mundo a partir de relações éticas, con-  
textuais e situadas. Ambas as direções convergem na valorização de uma  
geografia comprometida com as transformações sociais e luta contra as  
desigualdades históricas e epistêmicas que ainda estruturam as relações  
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