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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 12-28
mercado, perdas nanceiras, venda inadequada de serviços, fraudes e
roubos. Dessa forma, é imprescindível que se encontrem maneiras de re-
gular essas tecnologias de forma a garantir sua ecácia na promoção da
inclusão nanceira.
Diante desse cenário, torna-se essencial que formuladores de polí-
ticas e reguladores, além das instituições multilaterais, acompanhem de
perto o desenvolvimento dessas inovações, avaliando de forma sistemáti-
ca seus impactos e estabelecendo diretrizes que assegurem tanto a segu-
rança quanto o acesso equitativo para populações vulneráveis.
Um aspecto que a presidência do Brasil no G20 buscou dar destaque
e avançar diz respeito à qualidade da inclusão nanceira - ou bem-estar
nanceiro1 da população (Brasil, 2024; OECD; G20; GPFI, 2024). Isso in-
clui expandir o foco do debate não apenas no acesso e no uso de serviços
nanceiros, para incluir aspectos e métricas sobre o nível de bem-estar
nanceiro. O Brasil identicou a necessidade de abordar mais profunda-
mente a qualidade dessa inclusão e o impacto real na vida das pessoas.
Por isso, o país trouxe esse tema para as discussões do G20, destacando
que a inclusão nanceira deve vir acompanhada de um processo que ga-
ranta qualidade, evitando problemas como o superendividamento e pro-
movendo um uso consciente do crédito, além de incentivar a poupança
e o planejamento nanceiro. O caso brasileiro foi apresentado como um
exemplo de sucesso global em termos de inclusão nanceira, usando o
Pix como exemplo, mas também como um alerta para os desaos que
surgem com o aumento do acesso, como o crescimento do endividamen-
to e uso inadequado de produtos e serviços nanceiros. Com a criação de
métricas e ferramentas para medir o bem-estar nanceiro da população,
o Brasil propõe que a inclusão seja monitorada e resulte em uma vida
nanceira mais equilibrada e sustentável para todos (OECD; G20; GPFI,
2024).
Essa estrutura de medição do bem-estar nanceiro deve ser leva-
da às organizações internacionais, formuladores de políticas e pesquisa-
dores. Os estudos apresentados apontam como o monitoramento da in-
clusão nanceira deve estar alinhado com os cronogramas nacionais de
desenvolvimento e acompanhar o progresso de iniciativas globais, como
os ODS, garantindo que populações marginalizadas sejam efetivamente
incluídas no sistema nanceiro (GPFI,2024).
Como mencionado, a inovação tecnológica também é instrumento
fundamental não somente para garantir a inclusão, mas também para a
promoção do bem-estar nanceiro. Produtos e serviços nanceiros de-
vem estar alinhados às necessidades nanceiras de consumidores e cida-
dãos, garantindo um ecossistema nanceiro digital sólido, seguro e pro-
tegido. Dessa forma a população pode se sentir satisfeita e conante sobre
suas vidas nanceiras.
Embora não diretamente explicitado nos estudos do G20, cabe res-
saltar que as inovações tecnológicas podem também contribuir para o
desenvolvimento dessas métricas de bem-estar nanceiro. Por exemplo,
o uso de grandes volumes de dados nanceiros e comportamentais pode
permitir análises mais precisas sobre hábitos de consumo, endividamen-
to e capacidade de planejamento nanceiro. Algoritmos de inteligência
1. A literatura acadêmica reconhece
amplamente que o bem-estar financeiro
envolve tanto aspectos objetivos quanto
subjetivos. Os aspectos subjetivos di-
zem respeito às percepções, sentimen-
tos e auto avaliações individuais sobre
a própria situação financeira, como
a sensação de segurança, controle e
confiança nas finanças pessoais. Esses
fatores são baseados em relatos pesso-
ais, tornando-se altamente subjetivos
e não diretamente observáveis. Já os
aspectos objetivos do bem-estar finan-
ceiro referem-se a elementos concretos
e mensuráveis, como a existência de
uma poupança ou o acesso a produtos
e serviços financeiros que auxiliam na
satisfação de necessidades básicas, na
manutenção do consumo e na gestão
de imprevistos financeiros. Enquanto
os aspectos subjetivos refletem a expe-
riência individual, os objetivos podem
ser quantificados e analisados de forma
tangível (OECD; G20; GPFI, 2024)