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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 12-28
Inovação Tecnológica no G20: caminhos
para a inclusão financeira e a equidade na
saúde Global
Technological Innovation in the G20: Pathways for
Financial Inclusion and Global Health Equity
Innovación Tecnológica en el G20: Caminos para la
Inclusión Financiera y la Equidad en la Salud Global
Aline Regina Alves Martins
Henrique Zeferino de Menezes
DOI: 10.5752/P.2317-773X.2025v13n1p12-28
Enviado em: 27 de Março de 2025
Aceito em: 06 de Agosto de 2025
R
Este artigo analisa o papel do G20, sob a presidência brasileira, na promoção
da inovação tecnológica como ferramenta para reduzir desigualdades socioe-
conômicas, com foco na inclusão nanceira e na equidade no acesso à saúde. O
estudo destaca como avanços tecnológicos têm potencial para superar barrei-
ras históricas de acesso a serviços nanceiros, especialmente para populações
marginalizadas. No campo da saúde, o G20 reforça a importância de sistemas de
saúde resilientes e inclusivos, com ênfase no acesso equitativo a medicamentos
e vacinas. Este estudo tem uma abordagem metodológica, baseada em análise
bibliográca e documental. Conclui-se que, embora a inovação tecnológica
seja um instrumento relevante e avanços tenham sido alcançados no âmbito da
inclusão nanceira e acesso à saúde, seu impacto a longo prazo na redução da
pobreza e desigualdades depende de um arcabouço regulatório sólido, políticas
públicas inclusivas e cooperação no âmbito global. No entanto, a crescente frag-
mentação geopolítica e as tensões entre grandes potências ameaçam a ordem
multilateral, impondo obstáculos signicativos à agenda do G20 e desaando
sua capacidade de manter-se como um fórum global ecaz de cooperação
global.
Palavras-chave: G20, inovação tecnológica; inclusão nanceira; acesso à saúde
R
Este artículo analiza el papel del G20, bajo la presidencia de Brasil, en la promo-
ción de la innovación tecnológica como herramienta para reducir las desigual-
dades socioeconómicas, centrándose en la inclusión nanciera y la equidad en
el acceso a la salud. El estudio destaca cómo los avances tecnológicos tienen
el potencial de superar barreras históricas de acceso a servicios nancieros,
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Aline Regina Alves Marns, Henrique Zeferino de Menezes Inovação Tecnológica no G20: caminhos para a inclusão nanceira e a equidade na saúde Global
especialmente para poblaciones marginadas. En el ámbito de la salud, el G20
refuerza la importancia de sistemas de salud resilientes e inclusivos, con énfasis
en el acceso equitativo a medicamentos y vacunas. Este estudio adopta un en-
foque metodológico cualitativo, basado en análisis bibliográco y documental.
Se concluye que, aunque la innovación tecnológica es un instrumento relevante
y se han logrado avances en inclusión nanciera y acceso a la salud, su impacto
a largo plazo en la reducción de la pobreza y las desigualdades depende de un
marco regulatorio sólido, políticas públicas inclusivas y cooperación global. Sin
embargo, la creciente fragmentación geopolítica y las tensiones entre grandes
potencias amenazan el orden multilateral, imponiendo obstáculos signicativos
a la agenda del G20 y desaando su capacidad para mantenerse como un foro
global ecaz de cooperación.
Palabras clave: G20, innovación tecnológica, inclusión nanciera, acceso a la salud
A
This article examines the role of the G20, under Brazil’s presidency, in promo-
ting technological innovation as a tool to reduce socioeconomic inequalities,
focusing on nancial inclusion and equitable access to healthcare. The study
highlights how technological advancements have the potential to overcome
historical barriers to accessing nancial services, especially for marginalized
populations. In the health sector, the G20 reinforces the importance of resilient
and inclusive health systems, emphasizing equitable access to medicines and
vaccines. The study adopts a qualitative methodological approach, based on
bibliographic and documentary analysis. It concludes that, although technolo-
gical innovation is a relevant instrument and signicant progress has been made
in nancial inclusion and healthcare access, its long-term impact on poverty and
inequality reduction depends on a robust regulatory framework, inclusive public
policies, and global cooperation. However, increasing geopolitical fragmenta-
tion and tensions among major powers threaten the multilateral order, posing
signicant obstacles to the G20’s agenda and challenging its ability to remain an
eective global forum for cooperation.
Keywords: G20, technological innovation, nancial inclusion, access to healthcare
Introdução
O G20 desempenha um papel importante na governança global, re-
unindo as principais economias do mundo para coordenar a cooperação
econômica e enfrentar desaos globais. Criado em 1999 como um fórum
de ministros das nanças e presidentes de bancos centrais das maiores
economias do mundo, sua agenda ampliou-se nos últimos anos, assim
como o grupo passou a realizar cúpulas de líderes mais ambiciosas.
Além das questões estruturais alinhadas à estabilidade e à reforma
do sistema nanceiro internacional, o G20 incorporou discussões impor-
tantes relacionadas às mudanças climáticas e sustentabilidade, desigual-
dades socioecomicas e igualdade de gênero, qualidade do trabalho e
saúde global. Sob a presidência brasileira em 2024, priorizou-se a redu-
ção das desigualdades, o combate à fome e à pobreza e a preservação
ambiental.
A inovação tecnológica tem se consolidado como um elemento
central nas discussões sobre desenvolvimento econômico e redução das
desigualdades (G20, 2024). A tecnologia sempre foi um campo estratégico
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de disputa de poder entre os Estados, mas, atualmente, no que se conven-
cionou chamar de Quarta Revolução Industrial, as disputas nesse cam-
po se dão em um momento de rupturas técnicas e de transformação da
ordem global mais profundas. A fragmentação do multilateralismo e a
intensicação da rivalidade entre grandes potências moldam um cenário
internacional marcado por crescente instabilidade. A crise da ordem libe-
ral, já abalada por eventos como a crise nanceira de 2008, o acirramento
da disputa entre China e EUA, o avanço do nacionalismo e a ascensão
da extrema direita, além da guerra na Ucrânia, tem alimentado conitos
geopolíticos e a erosão da cooperação internacional (Cisneros, 2024).
Nesse contexto desaador à ordem multilateral, a presidência bra-
sileira no G20 procurou destacar a inovação tecnológica, especialmente
na busca por soluções que ampliem o acesso à saúde e promovam a inclu-
são nanceira como um caminho possível de coordenação e de avanços
(G20, 2024; Brasil, 2024). A adoção de novas tecnologias é tratada como
uma estratégia para fortalecer capacidades institucionais que permitam o
aprimoramento de políticas públicas e a cooperação internacional, garan-
tindo maior equidade no acesso a serviços essenciais, reduzindo dispari-
dades sociais.
Este artigo analisa como o G20, sob a liderança do Brasil, impulsio-
nou iniciativas voltadas à aplicação da inovação tecnológica para enfren-
tar desaos estruturais, com foco na redução das desigualdades e pro-
moção da equidade, por meio do fortalecimento do direito e do acesso à
saúde e da ampliação da inclusão nanceira. Para isso, serão examinadas
as políticas e estratégias adotadas no âmbito do grupo, considerando as
diretrizes formuladas por seus principais fóruns de debate e formulação
de políticas. A centralidade dada à inovação é explorada a partir do estudo
das discussões promovidas pelos grupos de trabalho sobre saúde, pesqui-
sa e inovação, nanças e inclusão nanceira.
A pesquisa se baseia na alise de documentos e relatórios produzi-
dos por instâncias como o Grupo de Trabalho de Saúde do G20, o Grupo
de Trabalho de Pesquisa e Inovação, a Força-Tarefa Conjunta de Finanças
e Saúde, o Grupo de Trabalho de Inclusão Financeira e a Parceria Global
para a Inclusão Financeira. Esses documentos oferecem um panorama
das iniciativas desenvolvidas e permitem compreender o impacto das so-
luções tecnológicas propostas. Assim, o estudo busca contribuir para o
debate sobre o papel do G20 na promoção de políticas inovadoras capa-
zes de reduzir desigualdades e fortalecer a resiliência socioeconômica dos
países em desenvolvimento.
O artigo está estruturado em duas seções principais, além da intro-
dução e das considerações nais. Ambas as seções exploram a crescente
importância da inovação tecnológica nas agendas globais de desenvolvi-
mento, com foco na redução das desigualdades e na inclusão social. Em
particular, destaca-se o papel da inovação na ampliação do acesso a servi-
ços nanceiros e na garantia do direito à saúde, evidenciando como esses
avanços podem contribuir para a equidade social. Ao mesmo tempo, o
artigo também aborda limites estruturais do grupo na apresentação de
propostas com maior alcance e que proponham reformas mais profun-
das em estruturas econômicas e políticas internacionais. Essa constatação
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Aline Regina Alves Marns, Henrique Zeferino de Menezes Inovação Tecnológica no G20: caminhos para a inclusão nanceira e a equidade na saúde Global
aparece de forma mais clara nas discussões sobre colaboração para produ-
ção de tecnologias farmacêuticas, mas também nas já conhecidas contro-
vérsias acerca da reforma do sistema nanceiro internacional.
A primeira seção aborda a inclusão nanceira como um instrumen-
to de combate à pobreza, analisando iniciativas e propostas que utilizam
a inovação tecnológica para ampliar o acesso a serviços nanceiros. Já a
segunda seção examina a relação entre inovação tecnogica e equidade
no acesso à saúde, com ênfase nas medidas debatidas no G20 para for-
talecer sistemas de saúde, garantir o fornecimento de medicamentos e
vacinas e mitigar os impactos das mudanças climáticas na saúde global.
Por m, nas considerações nais, são discutidos os avanços, desa-
os e limitações das iniciativas apresentadas pelo G20. Sob a presidência
brasileira, o G20 reforçou a inovação tecnológica como um vetor central
para reduzir desigualdades socioecomicas. Apesar dos avanços, como
a digitalização de serviços nanceiros e o fortalecimento da cooperação
internacional em saúde, desaos persistem, exigindo governança global
coordenada, infraestrutura inclusiva e políticas públicas ecazes. A hete-
rogeneidade dos países-membros torna difícil a formulação de estratégias
efetivas, resultando, muitas vezes, em compromissos vagos
2. Inclusão Financeira e Redução das Desigualdades
O Banco Mundial (2025) aponta que a inclusão nanceira é um ele-
mento fundamental para o desenvolvimento, com efeitos positivos para
o alcance de diversos objetivos e metas que compõem os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS). Estudos desenvolvidos ao longo da
presidência do Brasil no G20 corroboram essa armação, apontando para
a capacidade da inclusão nanceira de melhorar o bem-estar nanceiro
e acelerar o avanço de treze desses objetivos (G20, 2024), reduzindo a po-
breza e a desigualdade, além de estimular o empoderamento feminino
(World Bank, 2025). Logo, é essencial que governos, formuladores de po-
líticas, reguladores, provedores de serviços nanceiros e a sociedade civil
intensiquem esforços para garantir que serviços nanceiros seguros e de
qualidade alcancem populações ainda excluídas.
Infelizmente, a exclusão nanceira ainda é uma realidade para
muitas pessoas, com destaque para regiões em que o acesso à internet e
a dispositivos digitais é limitado. Existem aproximadamente 1,5 bilhão
de adultos nanceiramente excluídos nos países de baixa e média renda
(GPFI, 2024). É importante frisar que a maior parte da população excluí-
da desses serviços é formada por mulheres (um grupo historicamente
marginalizado da economia formal), pessoas de baixa renda em países
de baixa e média renda, trabalhadores informais e moradores de áreas
rurais (OECD; G20; GPFI,2024). Outros elementos que contribuem para
a exclusão nanceira incluem a condição de migrante ou pertencimento a
comunidades indígenas, além de serem portadores de alguma deciência
(GPFI, 2024). Cerca de metade desse grupo está concentrada em apenas
sete nações: Índia (230 milhões), China (130 milhões), Paquistão (115 mi-
lhões), Indonésia (100 milhões), Nigéria (64 milhões), Bangladesh (57 mi-
lhões) e Egito (50 milhões) (GPFI, 2024).
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Cerca de 16% da população nanceiramente excluída não possui
documento de identidade, enquanto 33% não têm telefone celular e 67%
não têm acesso à internet. A gravidade dessas limitações varia entre as
regiões. Na África Subsaariana, por exemplo, 31% das pessoas excluídas
do sistema nanceiro não possuem identicação ou outros documentos
necessários. A ausência de um telefone celular é mais comum na África
Subsaariana (51%), no Sul da Ásia (44%) e na América Latina e Caribe
(25%). Já a falta de acesso à internet é um obstáculo presente em todas as
regiões. Outro agravante se refere à distância até as instituições bancá-
rias, à conança nas entidades nanceiras e ao nível de educação nancei-
ra dos indivíduos. Segundo o Global Findex 2021, citado pelo G20 (GPFI,
2024), 32% dos adultos sem conta bancária armam que o banco mais
próximo está muito distante, enquanto 23% relatam falta de conança
nas instituições nanceiras formais. Em relação ao conhecimento nan-
ceiro, 63% das pessoas nanceiramente excluídas em países de baixa e
média renda dependem do auxílio de um familiar ou agente para utilizar
uma conta corrente (GPFI, 2024).
As micro, pequenas e médias empresas enfrentam um grande de-
sao para a inclusão nanceira, já que 70% delas operam informalmente
(países em desenvolvimento) e 40% enfrentam um décit nanceiro de
US$ 5 trilhões devido à falta de acesso a crédito. Povos indígenas, que
somam 6% da população global, representam 19% da população extre-
mamente pobre e sofrem com posse insegura de terras, o que agrava con-
itos, degradação ambiental e exclusão nanceira. Migrantes, estimados
em 281 milhões no mundo, dependem de serviços nanceiros acessíveis
para integração econômica, sendo que 60% migram por trabalho e 42%
são deslocados à força. Já as pessoas com deciência, que, globalmente,
superam 1 bilhão de indivíduos, enfrentam barreiras signicativas, espe-
cialmente nos países em desenvolvimento, onde 80% vivem e trabalham
no setor informal.
Importante destacar que das mais de 1,5 bilhão de pessoas sem con-
ta bancária em países de baixa e média renda, 55% (cerca de 800 milhões)
são mulheres, evidenciando uma persistente lacuna de gênero na inclu-
são nanceira, mesmo em economias com altas taxas de bancarização.
Essa desigualdade é impulsionada por diversas barreiras, como normas
de gênero discriminatórias, restrições legais e regulatórias, e menor par-
ticipação das mulheres na economia formal. Além disso, as mulheres
têm acesso mais limitado a fatores essenciais para a inclusão nanceira,
como documentos de identidade, celulares, educação e emprego formal.
Questões sociais, como restrições de mobilidade, tempo e autonomia,
também dicultam seu engajamento no setor nanceiro e na aquisição
de conhecimentos digitais e nanceiros (GPFI, 2024).
Durante a presidência brasileira no G20, destacou-se a imporncia
da inovação nanceira como um elemento fundamental para a inclusão
social e a redução das desigualdades, reforçando seu papel na melhoria
do bem-estar nanceiro. Como aponta o Banco Mundial (2025), a inclu-
são nanceira possibilita que pessoas e pequenas e médias empresas te-
nham acesso, de forma responsável e sustentável, a serviços e produtos
nanceiros essenciais. Isso inclui serviços como transações, realização
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Aline Regina Alves Marns, Henrique Zeferino de Menezes Inovação Tecnológica no G20: caminhos para a inclusão nanceira e a equidade na saúde Global
de pagamentos, gerenciamento de poupança, acesso a crédito e seguros,
atendendo às diferentes necessidades nanceiras desses usuários.
A inovação tecnológica no âmbito nanceiro tem sido um instru-
mento importante na superação dos obstáculos apontados acima, permi-
tindo novas abordagens para a inclusão nanceira por meio dos serviços
nanceiros digitais, como bancos online, aplicativos móveis, assinaturas
eletrônicas e sistemas de identicação digital, que reduzem as barreiras
tradicionais ao acesso a esses servos.
Nesse contexto, vem ganhando destaque o uso da Inteligência
Articial também no âmbito dos serviços nanceiros. Ela proporciona o
aumento da eciência operacional por meio da automação de processos e
da redução de custos. Além disso, contribui para uma gestão de riscos mais
precisa, facilitando a identicação de fraudes e a previsão de oscilações no
mercado (Leitner et.al, 2024). Essa tecnologia também viabiliza um aten-
dimento ao cliente mais personalizado e permite a criação de produtos
nanceiros adaptados às necessidades individuais, tornando a experiência
do usuário mais eficiente. Empresas inovadoras fora do sistema bancário
tradicional, como as fintechs, têm adotado a inteligência artificial para
oferecer serviços financeiros de forma mais ágil e personalizada, desa-
ando o modelo convencional dos bancos (IFG, 2017).
A partir de dados do Global Findex Database, o relatório do G20
aponta que já houve muitos avanços da inclusão nanceira, impulsiona-
dos em grande medida pela digitalização dos serviços nanceiros. A la-
cuna de gênero na inclusão nanceira caiu de 10% para 6% nos países de
baixa e média renda. Além disso, a diferença de inclusão nanceira entre
ricos e pobres caiu de 20% para 9% nesses grupos de países. Pagamentos
veis e carteiras digitais, intensicadas com os bancos digitais, foram
diminuindo a necessidade de agências bancárias físicas, o que é estratégi-
co em cidades menores e isoladas, permitindo que mais pessoas tenham
acesso a serviços nanceiros.
O relatório mostra alguns dados interessantes sobre a redu-
ção de desigualdades de gênero na posse de contas bancárias na África
Subsaariana. Entre 2014 e 2021, a posse de contas entre mulheres subiu de
30% para 43%, um aumento de 13%. Igualmente, os avanços tecnológi-
cos no setor nanceiro também tiveram um papel fundamental durante
a pandemia de Covid-19, em que a digitalização dos serviços nanceiros
permitiu que fossem disponibilizados auxílios nanceiros mais rapida-
mente para populações vulneráveis. Em 2021, 66% das pessoas adultas
receberam pagamentos governamentais no formato digital, reduzindo o
impacto da pandemia sobre os mais pobres e fortalecendo a inclusão -
nanceira dos mais vulneráveis (OECD; G20; GPFI, 2024).
Esses exemplos mostram como avanços na inclusão nanceira têm
potencial para o fortalecimento e ampliação de políticas públicas, redu-
zindo desigualdades e impulsionando o desenvolvimento socioeconô-
mico. Entretanto, ainda há desaos signicativos a serem superados. A
ampliação do acesso a servos nanceiros exige inovações tecnológicas,
concomitantes a políticas públicas que garantam a acessibilidade, a pro-
teção do consumidor, a educação nanceira e a adaptabilidade às neces-
sidades das populações vulneráveis. É nesse contexto que a presidência
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do G20 conduziu uma série de estudos e reuniões destacando a busca por
estratégias que promovam a inclusão nanceira, com foco nos desaos
persistentes das populações historicamente marginalizadas, incluindo as
principais iniciativas destacadas acima, com a ampliação do acesso a ser-
vos nanceiros, com destaque para a inclusão nanceira das mulheres.
Para garantir sistemas nanceiros digitais inclusivos, o G20 aponta
a necessidade de tecnologia da informação e comunicação (TIC) e infraes-
trutura pública digital. Esta desempenha um papel central na promoção
da inclusão nanceira, abrangendo desde a digitalização das transferên-
cias governamentais para os cidadãos até o uso de redes de agentes para
facilitar o acesso aos serviços. Além disso, é necessário estabelecer cama-
das regulatórias e de supervisão que garantam a proteção do consumidor,
a privacidade dos dados e promovam a alfabetização digital e nanceira.
Essas medidas são essenciais para permitir que os indivíduos utilizem
os serviços nanceiros de forma segura e ecaz, ao mesmo tempo em
que favorecem o desenvolvimento de inovações tecnológicas escaláveis
e acessíveis, capazes de atender a uma grande diversidade de pessoas e
necessidades. Dessa forma, observa-se como o desenvolvimento de tec-
nologia, bem como o conhecimento sobre o seu uso, são elementos fun-
damentais para a inclusão nanceira e a diminuição da pobreza e da de-
sigualdade social.
Entre as propostas de políticas e regulamentações para garantir o
acesso aos serviços tecnológicos na inclusão nanceira, destaca-se o for-
talecimento do diálogo entre as autoridades nanceiras e de telecomuni-
cações, com o objetivo de expandir a conectividade, especialmente para
as populações mais vulneráveis e desatendidas. Além disso, é essencial
incentivar a cooperação entre provedores de serviços digitais para com-
partilhar os custos de infraestrutura em comunidades remotas. Também
se propõe fornecer dispositivos acessíveis ou subsidiar dados móveis para
garantir que grupos vulneráveis possam utilizar esses serviços.
O G20 destaca a identicação digital como essencial para a inclu-
são nanceira. Estudos liderados pelo Brasil apontam a necessidade de
compreender a diversidade dos grupos marginalizados e a escassez de
dados sobre eles. Recomenda-se avaliações locais com organizações co-
munitárias para mapear restrições e criar estratégias ecazes. Diante das
limitações de conectividade, soluções oine, como IDs com QR Codes e
cartões inteligentes, são fundamentais. Além disso, é preciso monitorar a
adoção desses documentos e fortalecer o diálogo entre autoridades nan-
ceiras e de identicação para simplicar requisitos regulatórios. Garantir
processos oine é essencial para a inclusão digital e nanceira.
Quanto aos pagamentos digitais, sua fragmentação diculta trans-
ferências entre instituões, ampliando a exclusão nanceira. Populações
vulneráveis evitam serviços caros ou complexos. O G20 recomenda a
implementação de sistemas interoperáveis para facilitar transações entre
plataformas e incentiva a cooperação entre empresas para dividir custos
e ampliar a cobertura. Também alerta para a necessidade de um sistema
justo e transparente, sem privilégios desproporcionais, garantindo um
ambiente competitivo que benecie consumidores e estimule a inova-
ção nanceira. Recomenda-se ainda que o compartilhamento de dados
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Aline Regina Alves Marns, Henrique Zeferino de Menezes Inovação Tecnológica no G20: caminhos para a inclusão nanceira e a equidade na saúde Global
nanceiros seja seguro, acessível e justo, promovendo a inclusão de po-
pulações marginalizadas. As regras devem permitir que bancos e ntechs
usem esses dados de forma responsável para criar soluções mais acessí-
veis. Além disso, os reguladores devem ter capacidade para monitorar
e scalizar o uso dessas informações, reduzindo riscos como roubo de
identidade e uso indevido. Para evitar vigincia excessiva e práticas dis-
criminatórias, é essencial que as empresas sigam regras claras de segu-
rança e privacidade, garantindo a proteção dos consumidores.
O avanço de novas tecnologias demanda, concomitantemente, a
alfabetização digital e nanceira, para que a inclusão de comunidades
marginalizadas possa levar ao uso de serviços nanceiros digitais com
eciência e segurança. É ressaltado nos estudos do G20 que os programas
de educação nanceira devem ser adaptados à realidade das populações
atendidas, respeitando suas culturas, idiomas e necessidades especícas.
Ademais, também é enfatizado que o treinamento em educação nancei-
ra deve ser desenvolvido com base em pesquisas e dados concretos que
identiquem as diculdades enfrentadas pelas comunidades. Para isso,
é essencial realizar avaliações locais antes da criação dos materiais, per-
mitindo compreender os principais desaos e lacunas no conhecimento
nanceiro e, assim, garantir que o conteúdo seja relevante e ecaz.
Ademais, os estudos do G20 durante a presidência do Brasil res-
saltaram a necessidade de centralizar os pagamentos governamentais e
permitir que todos os provedores de serviços nanceiros participem da
distribuição. Essa medida melhora a eciência do sistema, reduz custos
operacionais e amplia o alcance dos pagamentos, especialmente para po-
pulações de difícil acesso. Além disso, o governo deve denir taxas de
distribuição justas, considerando os custos enfrentados pelos provedores
para operar em regiões remotas, garantindo a continuidade e sustentabi-
lidade dos servos. Outra iniciativa essencial é priorizar as mulheres no
recebimento de benefícios sociais.
Além de administrar os pagamentos, os governos centrais também
devem fortalecer a rede de agentes nanceiros locais, que desempenham
um papel essencial em áreas sem infraestrutura bancária. Para isso, é ne-
cessário capacitar empreendedores rurais para atuarem como agentes -
nanceiros, permitindo que realizem transações básicas, como depósitos,
saques e pagamentos. A inclusão de mulheres como agentes nanceiros
pode ampliar ainda mais a inclusão econômica feminina e fortalecer as
economias locais. No campo regulatório, o G20 ressalta que os governos
devem incluir organizações nanceiras comunitárias, como cooperativas
agrícolas e associações de crédito e poupança.
Novas tecnologias, como a tecnologia de contabilidade distribuída
(DLT), inteligência articial e computação em nuvem, também têm im-
pulsionado inovações nos serviços nanceiros digitais. Além disso, crip-
toativos e moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) vêm ganhando es-
paço nesse ecossistema. Embora essas inovações apresentem um grande
potencial para ampliar a inclusão nanceira, ainda há poucas evidências
concretas de seu impacto positivo para populações marginalizadas. Logo,
a crescente complexidade e interconexão desses novos modelos trazem
desaos signicativos, como o uso indevido de dados, a volatilidade do
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mercado, perdas nanceiras, venda inadequada de serviços, fraudes e
roubos. Dessa forma, é imprescindível que se encontrem maneiras de re-
gular essas tecnologias de forma a garantir sua ecácia na promoção da
inclusão nanceira.
Diante desse cenário, torna-se essencial que formuladores de polí-
ticas e reguladores, além das instituões multilaterais, acompanhem de
perto o desenvolvimento dessas inovações, avaliando de forma sistemáti-
ca seus impactos e estabelecendo diretrizes que assegurem tanto a segu-
rança quanto o acesso equitativo para populações vulneráveis.
Um aspecto que a presidência do Brasil no G20 buscou dar destaque
e avançar diz respeito à qualidade da inclusão nanceira - ou bem-estar
nanceiro1 da população (Brasil, 2024; OECD; G20; GPFI, 2024). Isso in-
clui expandir o foco do debate não apenas no acesso e no uso de serviços
nanceiros, para incluir aspectos e métricas sobre o nível de bem-estar
nanceiro. O Brasil identicou a necessidade de abordar mais profunda-
mente a qualidade dessa inclusão e o impacto real na vida das pessoas.
Por isso, o país trouxe esse tema para as discussões do G20, destacando
que a inclusão nanceira deve vir acompanhada de um processo que ga-
ranta qualidade, evitando problemas como o superendividamento e pro-
movendo um uso consciente do crédito, além de incentivar a poupança
e o planejamento nanceiro. O caso brasileiro foi apresentado como um
exemplo de sucesso global em termos de inclusão nanceira, usando o
Pix como exemplo, mas também como um alerta para os desaos que
surgem com o aumento do acesso, como o crescimento do endividamen-
to e uso inadequado de produtos e serviços nanceiros. Com a criação de
métricas e ferramentas para medir o bem-estar nanceiro da população,
o Brasil propõe que a inclusão seja monitorada e resulte em uma vida
nanceira mais equilibrada e sustentável para todos (OECD; G20; GPFI,
2024).
Essa estrutura de medição do bem-estar nanceiro deve ser leva-
da às organizações internacionais, formuladores de políticas e pesquisa-
dores. Os estudos apresentados apontam como o monitoramento da in-
clusão nanceira deve estar alinhado com os cronogramas nacionais de
desenvolvimento e acompanhar o progresso de iniciativas globais, como
os ODS, garantindo que populações marginalizadas sejam efetivamente
incluídas no sistema nanceiro (GPFI,2024).
Como mencionado, a inovação tecnológica também é instrumento
fundamental não somente para garantir a inclusão, mas também para a
promoção do bem-estar nanceiro. Produtos e serviços nanceiros de-
vem estar alinhados às necessidades nanceiras de consumidores e cida-
dãos, garantindo um ecossistema nanceiro digital sólido, seguro e pro-
tegido. Dessa forma a população pode se sentir satisfeita e conante sobre
suas vidas nanceiras.
Embora não diretamente explicitado nos estudos do G20, cabe res-
saltar que as inovações tecnológicas podem também contribuir para o
desenvolvimento dessas métricas de bem-estar nanceiro. Por exemplo,
o uso de grandes volumes de dados nanceiros e comportamentais pode
permitir alises mais precisas sobre hábitos de consumo, endividamen-
to e capacidade de planejamento nanceiro. Algoritmos de inteligência
1. A literatura acadêmica reconhece
amplamente que o bem-estar financeiro
envolve tanto aspectos objetivos quanto
subjetivos. Os aspectos subjetivos di-
zem respeito às percepções, sentimen-
tos e auto avaliações individuais sobre
a própria situação financeira, como
a sensação de segurança, controle e
confiança nas finanças pessoais. Esses
fatores são baseados em relatos pesso-
ais, tornando-se altamente subjetivos
e não diretamente observáveis. Já os
aspectos objetivos do bem-estar finan-
ceiro referem-se a elementos concretos
e mensuráveis, como a existência de
uma poupança ou o acesso a produtos
e serviços financeiros que auxiliam na
satisfação de necessidades básicas, na
manutenção do consumo e na gestão
de imprevistos financeiros. Enquanto
os aspectos subjetivos refletem a expe-
riência individual, os objetivos podem
ser quantificados e analisados de forma
tangível (OECD; G20; GPFI, 2024)
21
Aline Regina Alves Marns, Henrique Zeferino de Menezes Inovação Tecnológica no G20: caminhos para a inclusão nanceira e a equidade na saúde Global
articial podem identicar padrões e tendências que não seriam facil-
mente captados por pesquisas tradicionais. Aplicativos nanceiros, por
sua vez, podem incluir ferramentas de autoavaliação do bem-estar nan-
ceiro, permitindo que os usuários relatem suas percepções sobre seguran-
ça e controle nanceiro de forma contínua, fornecendo dados subjetivos
mais frequentes e representativos.
Observa-se que os debates no âmbito do G20 reconhecem a im-
portância da digitalização e da inovação nanceira como políticas e es-
tratégias essenciais para reduzir desigualdades e promover crescimento
econômico sustentável. Por isso, é necessária a adoção de políticas públi-
cas e de investimentos de forma coordenada, capaz de promover uma
infraestrutura digital, buscando uma regulamentação inclusiva e modos
de superar barreiras de infraestrutura nanceira. Constata-se o papel das
inovações tecnogicas como catalisadoras de transformação estrutural.
Ao viabilizar o acesso a serviços nanceiros por meio da digitalização, da
interoperabilidade e da identicação digital, a inovação tecnológica não
apenas amplia o alcance das soluções já existentes, mas redene os pró-
prios contornos da inclusão nanceira.
No entanto, seu potencial não pode ser analisado isoladamente,
pois a tecnologia, por si só, não resolve desigualdades. Ela precisa estar
inserida em um arcabouço regulatório que assegure proteção ao consu-
midor, privacidade de dados e acessibilidade real para grupos vulnerá-
veis (G20,2024, Brasil, 2024). Dessa forma, a tecnologia não deve ser vista
como um m, mas como um meio fundamental para integrar políticas
públicas, investimentos e estratégias sociais que promovam um sistema
nanceiro mais justo e inclusivo.
Há muitos desaos no horizonte para a concretização das soluções
propostas pelo G20. A implementação das inovações nanceiras não é
homogênea entre os países do G20, pois há grandes disparidades na in-
fraestrutura digital, no acesso à internet e no nível de educação nanceira
da população. Dessa forma, a inovação pode tanto reduzir desigualdades
quanto ampliá-las. Essa diversidade de contextos torna difícil a formula-
ção de políticas que sejam realmente aplicáveis a todos os membros, resul-
tando, muitas vezes, em compromissos vagos e recomendações amplas,
sem mecanismos concretos de implementação e acompanhamento. Além
disso, a inclusão nanceira não ocorre isoladamente, mas dentro de um
contexto mais amplo de fragmentação da governança global e crescente
competição entre grandes potências. Não é simples coordenar estratégias
ecazes entre países com interesses divergentes e diferentes capacidades
de implementação tecnológica, ainda mais num ambiente internacional
mais desaador. A falta de uma governança global coordenada signi-
ca que muitas das inovações propostas pelo G20 dependem da vontade
individual dos países e da interação com o setor privado, o que pode in-
tensicar ainda mais as assimetrias na adoção e aplicação das políticas
sugeridas. Nesse contexto, é necessário garantir uma governança mul-
tilateral forte e resiliente. Cabe compreender se o G20 é um ator capaz
de contribuir para transformar suas recomendações em ações concretas.
22
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 12-28
3. Inovação Tecnológica e Equidade no Acesso à Saúde
A Declaração de Líderes do G20, documento que sintetiza os com-
promissos assumidos pelos países nas diversas áreas de interesse cobertas
pelo grupo, dedica atenção signicativa aos desaos da saúde global. O
texto reete não apenas a sensação persistente de urgência e ameaça ge-
rada pela pandemia de Covid-19, mas também reconhece a necessidade de
enfrentar problemas estruturais que perpetuam desigualdades no acesso
à saúde. Ao tratar dessas questões, a declaração, em consonância com a
Declaração dos Ministros da Saúde do G20, rearma o compromisso com
o fortalecimento dos sistemas de saúde, a equidade no acesso a serviços
essenciais e a preparação para futuras crises sanitárias.
Entre os temas abordados no âmbito da saúde global, destacam-se
questões de caráter abrangente, como a necessidade de ampliação do -
nanciamento ao setor, inclusive por meio da cooperação internacional,
com vistas à construção de sistemas de saúde mais resilientes, inclusivos,
equitativos e sustentáveis. O fortalecimento dos sistemas de saúde cons-
titui uma importante agenda em discussão no âmbito da Organização
Mundial da Saúde (OMS), vinculando-se à meta de alcance da cobertu-
ra universal em saúde, incorporada pelos Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (Tangcharoensathien, Mills, Palu, 2015; Ooms, 2014).
Ademais, o investimento em saúde é amplamente reconhecido não
apenas como um instrumento essencial para a redução das desigualdades
sociais e econômicas, mas também como um fator determinante para o
crescimento e desenvolvimento econômico. Ao impulsionar a produtivi-
dade e melhorar a qualidade de vida da população, a saúde assume um
papel central nas estratégias de desenvolvimento global. Nesse contexto,
a cobertura universal em saúde baseia-se no princípio de garantir o acesso
a serviços essenciais de qualidade sem que isso represente riscos nancei-
ros para os indivíduos ou comprometa severamente o orçamento fami-
liar. Tal abordagem reforça a necessidade de políticas públicas ecazes e
de um compromisso internacional robusto para assegurar a sustentabili-
dade dos sistemas de saúde no longo prazo.
Ainda que de forma discreta, reconhece-se o impacto das desigual-
dades socioecomicas nos resultados em saúde. No entanto, os avanços
no enfrentamento dos determinantes sociais da saúde permanecem limi-
tados, reetindo a fragilidade dos esforços nesse campo (Marmot, 2005).
O principal compromisso assumido até o momento é o de aprimorar a
mensuração e o entendimento dos efeitos da pobreza e da desigualdade
sobre a saúde, sem que isso se traduza, necessariamente, em ações con-
cretas para mitigar esses impactos.
A relação entre saúde e mudanças climáticas também foi um tema
central nas discussões do G20, resultando na elaboração de um docu-
mento especíco sobre o assunto2 . Rearma-se a necessidade de maior
coordenação política e ampliação do nanciamento para mitigar os im-
pactos adversos das mudanças climáticas sobre a saúde das populações
vulneráveis, especialmente em países de menor renda relativa. O debate
não se limita aos efeitos diretos da poluição do ar e da água ou às con-
sequências de eventos climáticos extremos, mas enfatiza, sobretudo, a
2. G20 HEALTH MINISTERIAL DECLA-
RATION ON CLIMATE CHANGE, HEALTH
AND EQUITY, AND ON ONE HEALTH.
Disponível em https://g20.gov.br/pt-br/
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ge-health-and-equity-and-on-one-heal-
th-eng-30-10-24.pdf/@@download/file.
Último acesso em 24/03/2025
23
Aline Regina Alves Marns, Henrique Zeferino de Menezes Inovação Tecnológica no G20: caminhos para a inclusão nanceira e a equidade na saúde Global
crescente interconexão entre desequilíbrios ambientais e a emergência
de doenças infecciosas graves. Diante desse cenário, torna-se essencial o
fortalecimento de uma abordagem integrada baseada no conceito de One
Health, que reconhece a interdependência entre saúde humana, animal e
ambiental (Evans, Leighton, 2014). Essa perspectiva é fundamental para
enfrentar o aumento de doenças transmissíveis de origem zoonótica ou
vetorial, bem como para conter a progressão da resistência antimicro-
biana, desaos que se tornam ainda mais críticos diante das mudanças
ambientais globais.
Além dos desaos socioeconômicos e ambientais discutidos no
âmbito do Grupo de Trabalho sobre Saúde, os países do G20 decidiram
pela criação de um novo instrumento de cooperação técnica voltado à
inovação e produção de tecnologias farmacêuticas: a Coalition for Local
and Regional Production, Innovation and Equitable Access. Essa coalizão tem
como objetivo promover o acesso a vacinas, tratamentos terapêuticos
e diagnósticos, além de outras tecnologias de saúde, visando fortalecer
a capacidade global de prevenção, preparação e resposta a pandemias.
Ademais, busca-se enfrentar o problema das doenças negligenciadas e ga-
rantir assistência às populações em situação de vulnerabilidade, reforçan-
do a equidade no acesso à saúde em escala global.
A proposta foi recebida com entusiasmo por organizações como a
Unitaid3 , DNDi4 e a Global Health Technologies Coalition5 . Entretanto, os
documentos até então publicados que noticiam a criação da coalizão não
apresentam detalhamentos sobre seu funcionamento, oferecendo apenas
indícios preliminares sobre sua operacionalização. Aparentemente, a ini-
ciativa pretende catalisar sinergias entre atores e mecanismos já existen-
tes, além de buscar o fortalecimento e a ampliação de instrumentos de
nanciamento para pesquisa e produção.
No entanto, não há indicação de mobilização de recursos adicio-
nais, criação de novos fundos ou mesmo diretrizes claras sobre as tecno-
logias e enfermidades prioritárias. Dessa forma, trata-se, até o momento,
de uma proposta incipiente e de escopo aparentemente pouco ambicioso.
A proposta de criação da coalizão, ainda assim, reete o reconhe-
cimento da necessidade de ampliar os investimentos em pesquisa e ino-
vação para enfrentar desaos essenciais da saúde global, sinalizando uma
aposta estratégica do G20 no potencial da inovação tecnogica como ve-
tor de transformação no setor. Entretanto, ela se dá em um contexto mais
amplo de discussões políticas e contradições acerca da necessidade de for-
talecimento de soluções e mecanismos cooperativos para o enfrentamen-
to de crises em saúde e da necessidade de reformas no sistema internacio-
nal de inovação farmacêutica. A centralidade das inovações tecnológicas
e as contradições políticas relacionadas à proposição de soluções estrutu-
rantes para os problemas de acesso a elas cam claras nas áreas críticas
de interesse da coalizão: o enfrentamento das doenças negligenciadas e
a distribuição equânime e oportuna de tecnologias farmacêuticas em pe-
ríodos de crises globais.
Uma resposta ao problema da permanência de um signicativo es-
pectro de doenças negligenciadas passa, necessariamente, pelo investimen-
to em ciência, tecnologia e inovação, para o completo desenvolvimento
3. https://unitaid.org/news-blog/
unitaid-welcomes-g20-health-working-
-group-ministerial-declarations-ahead-
-of-cop29/
4. https://dndi.org/press-releases/2024/
dndi-welcomes-g20-coalition-innova-
tion-local-regional-production-equitable-
-access-health-tools/
5. https://www.ghtcoalition.org/news/
statement-on-the-g20-global-coalition-
-for-local-and-regional-production-inno-
vation-and-equitable-access
24
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 12-28
de novos tratamentos. O conceito de doença negligenciada relaciona-se
justamente à ausência de esforços em pesquisa e desenvolvimento para
disponibilização de tratamentos, vacinas ou testes diagnósticos para
doenças tratáveis e curáveis, em razão da falta de interesse econômico
por parte das empresas farmacêuticas. Nesse sentido, são doenças que
aigem populações em situação de vulnerabilidade econômica, em países
também sem recursos orçamentários para sustentar a compra de medica-
mentos inovadores (Trouiller, 2002).
Entretanto, além da simples disponibilidade técnica de uma nova
tecnologia, é necessário considerar elementos críticos para garantir o
acesso a populações em situação de maior vulnerabilidade e exposição so-
cioeconômica. Aspectos como capacidade de produção, alocação e arma-
zenagem são essenciais, assim como a capacidade técnica e clínica para
diagnóstico, encaminhamento e aplicação, especialmente em regiões
com maiores restrições (Wounters et al, 2021).
A dependência do sistema internacional de inovação farmacêu-
tica em relação aos investimentos privados para o desenvolvimento de
novas tecnologias e disponibilização de tratamentos produz distorções
signicativas (Astone, 2023). O problema das doenças negligenciadas
é certamente o mais latente e ensejou iniciativas internacionais para
minorar seus efeitos. Durante quase uma década, discutiu-se na OMS
uma proposta oriunda do Consultative Expert Working Group on Research
and Development de estabelecimento de um instrumento juridicamente
vinculante sobre pesquisa e desenvolvimento em saúde, com a nalidade
de nanciar o desenvolvimento de pesquisas para doenças negligenciadas
pela indústria farmacêutica6 . Entretanto, as negociações esbarraram em
controvérsias técnicas sobre sua operacionalização, mas as maiores resis-
tências vieram de países desenvolvidos, respondendo a demandas de seus
setores industriais.
Os países do G20 manifestaram também apoio à conclusão das ne-
gociações em curso para a criação de um novo instrumento internacional
no âmbito da OMS voltado para a prevenção, preparação e resposta a
pandemias. Este instrumento, em negociação desde o nal de 2021, busca
suprir lacunas existentes no atual sistema de governança sanitária global,
em consonância com a proposta de reforma do Regulamento Sanitário
Internacional (RSI). Um dos pontos críticos nas discussões está na ope-
racionalização de uma importante demanda global - o acesso equitativo
a contramedidas médicas durante crises sanitárias internacionais. Esse
compromisso reete a experiência da pandemia de COVID-19, que evi-
denciou disparidades no acesso a vacinas, tratamentos e insumos mé-
dicos essenciais, além das diculdades de mecanismos multilaterais de
garantir a distribuição e acesso a vacinas aos países mais pobres (Borges,
Menezes, Crosbie, 2022).
A pandemia conrmou o diagnóstico de que a capacidade de de-
senvolvimento e produção de vacinas e medicamentos é um elemento
essencial de qualquer estratégia de resposta ecaz. A proposta de cons-
tituição de uma Coalition for Local and Regional Production, Innovation and
Equitable Access seria uma inovação signicativa caso permitisse a capaci-
tação técnica de países do Sul Global para o desenvolvimento e produção
6. WHO. Consultative Expert Working
Group on Research and Development:
Financing and Coordination. 2012.
Disponível em https://apps.who.int/gb/
cewg/pdf_files/A65_24-en.pdf. Último
acesso em 24/03/2025.
25
Aline Regina Alves Marns, Henrique Zeferino de Menezes Inovação Tecnológica no G20: caminhos para a inclusão nanceira e a equidade na saúde Global
de tecnologias farmacêuticas relevantes para o enfrentamento de pande-
mias e doenças endêmicas em suas regiões. Entretanto, a descentraliza-
ção e distribuição regional de capacidades para realizar P&D vem sendo
objeto de divergências importantes entre países desenvolvidos e países
em desenvolvimento.
Países com capacidade de desenvolvimento de vacinas esperam
que haja efetivamente uma maior capacidade de coordenação global para
ampliar a capacidade de produção de vacinas nos países do Sul, mas sem
que haja maiores transferências de tecnologia que garantam a autonomia
tecnológica desses países. Uma rede de produção de vacinas e medica-
mentos, sobre contratos de licenciamento restritivos, é importante para
a indústria farmacêutica terceirizar processos nais de produção (ll and
nish), para suprir as demandas do mercado. Essas redes de produção fo-
ram essenciais para garantir a produção de vacinas contra Covid-19, mas
poucos contratos estabeleceram formas mais amplas de transferência
tecnológica e apropriação de capacidade de desenvolvimento e produção
(Shadlen, 2023).
Essa distinção técnica e política entre a distribuição geográca da
capacidade de desenvolvimento ou a distribuição geogca da capacida-
de de produção de tecnologias farmacêuticas foi exposta nas negociações
do novo tratado de pandemias da OMS, assim como se tornou pano de
fundo das discussões na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre
a proposta de suspensão temporária de direitos de propriedade intelectual
durante a pandemia de Covid-19 (Ventura et.al, 2022). Uma das justicati-
vas apresentadas pelos governos de Índia e África do Sul para a suspensão
temporária dos direitos de propriedade intelectual era justamente per-
mitir a capacitação técnica de empresas farmacêuticas nos países do Sul
Global para o desenvolvimento de tecnologias farmacêuticas relevantes,
por meio do acesso a tecnologias e colaboração técnica (Menezes, 2021).
Ou seja, a proposta de uma Coalition for Local and Regional Production,
Innovation and Equitable Access enfrenta os mesmos desaos relacionados
ao tensionamento entre o controle sobre tecnologias farmacêuticas, a dis-
tribuição geogca da capacidade de produção e a construção de instru-
mentos para permitir acesso à vacinas, medicamentos e outras tecnolo-
gias. O problema ca claro no reforço discursivo de que a coalizão será
centrada na cooperação voluntária, para o fortalecimento das capacida-
des produtivas. Ainda, seus instrumentos se baseiam na cooperação téc-
nica e transferência de tecnologias voluntárias, na formalização de com-
promissos de compra antecipada e utilização de fundos de investimentos
existentes.
Considerações finais
O G20 tem incorporado em sua agenda de discussões temas rele-
vantes para o enfrentamento de desaos estruturais do desenvolvimen-
to, apesar de ainda serem incertos os efeitos concretos de grande parte
das iniciativas e propostas extraídas das ações do grupo. Neste estudo,
destacou-se a discussão promovida pelo G20, sob a presidência brasilei-
ra, sobre o papel da inovação tecnológica na redução de desigualdades
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 12-28
socioeconômicas, especialmente por meio da inclusão nanceira e da ga-
rantia de equidade no acesso à saúde. Sob a liderança do Brasil, o grupo
reforçou o compromisso com a inovação tecnológica como um vetor cen-
tral para a transformação da realidade social, buscando alinhar avanços
tecnológicos com políticas públicas inclusivas e sustentáveis. No entanto,
os desaos persistem, e as iniciativas propostas exigem uma governan-
ça global robusta e coordenada para garantir impactos signicativos e
duradouros.
No âmbito da inclusão nanceira, os avanços tecnológicos, como
a digitalização de serviços nanceiros e o uso de inteligência articial,
têm demonstrado potencial para reduzir barreiras históricas de acesso,
especialmente para populações marginalizadas. Apesar dos progressos
observados, como a diminuição da lacuna de gênero e a ampliação do
acesso a serviços nanceiros em regiões remotas, ainda há um longo
caminho a percorrer. A exclusão nanceira continua a afetar sobretudo
mulheres, populações rurais e comunidades indígenas, evidenciando a
necessidade de políticas públicas que combinem inovação tecnogi-
ca com educação financeira, proteção ao consumidor e infraestrutura
digital inclusiva. A presidência brasileira do G20 destacou a importância
de estratégias coordenadas para superar esses desafios, mas a efetividade
dessas iniciativas dependerá da capacidade dos países em implementar re-
formas estruturais e garantir a sustentabilidade dos avaos alcançados,
o que está além do escopo do grupo.
No campo da saúde, a inovação tecnogica também se mostrou
essencial para promover a equidade no acesso a serviços essenciais, es-
pecialmente diante dos desaos impostos pela pandemia de Covid-19 e
pelas mudanças climáticas. A criação da Coalition for Local and Regional
Production, Innovation and Equitable Access representa um passo importan-
te na direção de uma maior cooperação internacional para o desenvolvi-
mento e a distribuição de tecnologias farmacêuticas. No entanto, a pro-
posta ainda carece de detalhamento e compromissos concretos, especial-
mente no que diz respeito à transferência de tecnologia e ao nanciamen-
to de pesquisas para doenças negligenciadas. A efetividade dessa coalizão
dependerá da superação de divergências geopolíticas e da construção de
um sistema de inovação farmacêutica mais justo e inclusivo, que priorize
as necessidades das populações mais vulneráveis.
Em ambos os eixos temáticos, inclusão nanceira e saúde, a inova-
ção tecnológica emerge como um instrumento poderoso para a redução
das desigualdades e a promoção do desenvolvimento sustentável. No en-
tanto, seu potencial só será plenamente realizado se estiver alinhado a
um arcabouço regulatório sólido, a políticas públicas inclusivas e a um
compromisso global com a equidade. É fundamental reconhecer que a
tecnologia, por si só, não resolve desigualdades. Ela deve ser vista como
uma ferramenta complementar a esforços mais amplos de transformação
social e econômica.
Ademais, dado o grupo heterogêneo de países, muitas vezes as
políticas e ações recomendadas pelo G20 permanecem genéricas e des-
coordenadas. Apesar de sua relevância como fórum global, o G20 reúne
países com diferentes níveis de desenvolvimento econômico, capacidades
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Aline Regina Alves Marns, Henrique Zeferino de Menezes Inovação Tecnológica no G20: caminhos para a inclusão nanceira e a equidade na saúde Global
tecnológicas e prioridades políticas distintas. Enquanto algumas econo-
mias avançadas já possuem infraestruturas digitais consolidadas e regu-
lamentações sosticadas para novas tecnologias, muitas economias emer-
gentes e em desenvolvimento ainda enfrentam grandes lacunas nestes
aspectos. Essa diversidade de contextos torna difícil a formulação de po-
líticas que sejam realmente aplicáveis a todos os membros, resultando,
muitas vezes, em compromissos vagos e recomendações amplas, sem me-
canismos concretos de implementação e acompanhamento.
Por m, cabe destacar que a governança global, em um contexto
de crescente fragmentação e rivalidade geopolítica, precisa ser fortalecida
para garantir que as iniciativas propostas pelo G20 tenham um impacto
real e duradouro. A presidência brasileira do G20 deu passos importantes
nessa direção, mas o sucesso dessas iniciativas dependerá da continuidade
dos esforços e do engajamento de todos os atores envolvidos na constru-
ção de um futuro mais justo e sustentável. Embora esteja para além dos
limites deste artigo, é fundamental destacar que os desaos impostos pelo
segundo governo de Donald Trump e a guerra entre Rússia e Ucrânia à
ordem multilateral representam um ponto crucial de reexão. Tais desa-
os não apenas intensicam as diculdades para a agenda do G20, mas
também colocam em questão a própria continuidade e relevância do blo-
co em um cenário global cada vez mais polarizado e imprevisível.
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