Ivi Vasconcelos Elias Colonialismo químico em escala global: a dependência do uso de agrotóxicos no Brasil e seus impactos  
Colonialismo químico em escala global:  
a dependência do uso de agrotóxicos no  
Brasil e seus impactos  
Chemical colonialism on a global scale: Brazil’s  
dependence on pesticide use and its impacts  
Colonialismo químico a escala global: la dependencia del  
uso de agroquímicos en Brasil y sus impactos  
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1. Ivi Vasconcelos Elias é doutora  
em Relações Internacionais (PPGRI-  
-UERJ). Atualmente é pesquisadora de  
pós-doutorado da Escola de Comando e  
Estado-Maior do Exército (PPGCM-ECE-  
ME) onde pesquisa segurança alimentar,  
além de desastres naturais, químicos,  
biológicos, radiológicos e nucleares  
0001-6933-5333  
Ivi Vasconcelos Elias  
DOI: 10.5752/P.2317-773X.2025v13n1p183-189  
Enviado: 23 de Maio de 2025  
Aceito em: 04 de Junho de 2025  
O livro Agrotóxicos e colonialismo químico” é o mais recente lan-  
çamento da geógrafa, Larissa Mies Bombardi. Em 2017, a autora publi-  
cou o “Atlas Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a  
União Europeia”. A versão em inglês da obra, lançada na União Europeia  
(UE), levou ao boicote de produtos brasileiros pela maior rede de produ-  
tos orgânicos da Escandinávia (Merlino, 2021). O episódio desencadeou  
uma série de ofensas, ameaças e tentativas de desqualificação pública,  
com textos que ultrapassaram o campo científico e recorreram a táticas  
de abalo emocional e terror psicológico. Como consequência, Bombardi  
licenciou-se de seu cargo de professora na Universidade de São Paulo  
(USP) e passou a atuar profissionalmente na Europa. Outros pesquisado-  
res também foram alvo de perseguições por conta de suas pesquisas na  
temática (Alves, 2022). Esses casos evidenciam a interdição de temas liga-  
dos ao meio ambiente e à produção agrícola no debate público brasileiro,  
especialmente quando confrontam os interesses do agronegócio, setor  
que tem ampliado seu poder político nas últimas décadas.  
Em seu mais novo livro, Larissa Bombardi (2023) retoma a temática  
dos agrotóxicos, analisando seu uso na agricultura brasileira e sua cone-  
xão estrutural com a mundialização do capital. A abordagem proposta  
pela autora é fundamental para a compreensão dos desafios políticos con-  
temporâneos enfrentados pelo Brasil, assim como para a análise crítica  
do papel que o país ocupa na economia política internacional. Embora se  
auto-proclame uma potência agroalimentar global, o Brasil configura-se,  
na prática, como um exportador de commodities que dilapida seus recursos  
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naturais e negligencia a segurança alimentar de sua própria população.  
A manutenção desse modelo agrícola depende, de forma central, do uso  
intensivo de agrotóxicos. Durante o governo Bolsonaro (2019–2022), fo-  
ram aprovados 2.182 registros de novos agrotóxicos (Campanha, 2022).  
Essa tendência foi mantida no governo Lula, que autorizou a liberação de  
1.218 novos produtos entre 2023 e 2024 (Mapa, 2025). Em 2023, a aprova-  
ção da chamada “PL do Veneno”, posteriormente transformada na Lei nº  
14.785/2023, instituiu um novo marco regulatório mais permissivo para o  
registro, uso e fiscalização dessas substâncias no país. Apesar da gravida-  
de dos dados, no Brasil os impactos dos agrotóxicos seguem sendo deba-  
tidos majoritariamente no campo da saúde, o que torna a contribuição de  
Bombardi particularmente relevante para estimular o engajamento das  
ciências humanas nesse debate. Com linguagem acessível, riqueza de da-  
dos e uma ampla cartografia que facilita a compreensão das informações,  
seu livro constitui também um importante instrumento de divulgação  
científica voltado ao público mais amplo.  
O cerceamento científico sofrido por ela encontra paralelo, coloca-  
do logo na introdução, com o lançamento do livro “Primavera silenciosa”  
de Rachel Carson em 1962. Carson (1969) denunciava os perigos do uso  
indiscriminado de agrotóxicos, em especial de pesticidas organoclorados  
como o DDT, e é considerada pioneira na consideração do meio ambiente  
como algo holístico, ou seja, um sistema complexo e interdependente.  
Para Carson, a banalização do uso de agrotóxicos instaurou o que ela  
considerava ser uma “era do veneno” em que uma espécie de guerra quí-  
mica entre ser humano e natureza era constantemente travada na busca  
de estimular a superprodução agrícola (Carson, 1969).  
O grande feito de Carson não foi desenvolver uma pesquisa iné-  
dita sobre os efeitos prejudiciais dos agrotóxicos, já que seus principais  
argumentos baseiam-se em dados secundários, mas foi divulgá-los para  
o grande público em linguagem acessível. Dessa forma, o livro impulsio-  
nou o debate público que passou a incluir os cidadãos estadunidenses que  
foram informados sobre a questão. Podemos observar, então, que Carson  
realizou uma divulgação científica construindo pontes entre ciência e  
meio ambiente impulsionando, assim, o debate público e a politização do  
movimento ecologista. No caso, a ciência assumia papel crítico que viria  
a se tornar cada vez mais crucial nos direcionamentos políticos das dis-  
cussões do regime ambiental internacional. Alguns princípios clássicos  
da regulamentação ambiental como da prevenção, da precaução, da in-  
formação, da participação e do poluidor-pagador foram inspirados pelas  
discussões que seu trabalho suscitou (Maia, Franco, 2021).  
Por conta da notoriedade de sua obra, que se tornou um best seller,  
Carson foi duramente atacada pela indústria química e por cientistas de-  
fensores do uso de pesticidas, inclusive, com críticas de cunho misógino.  
Ao longo do tempo, no entanto, as advertências de Carson acerca dos  
riscos no uso de pesticidas provaram ser pertinentes e seguem atuais.  
O exemplo de Carson evidencia como mulheres que enfrentam os  
ditames predatórios do desenvolvimento capitalista são frequentemente  
desqualificadas como irracionais, histéricas ou emocionalmente instá-  
veis. Essa reação não é acidental, mas revela a lógica de um sistema que  
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atribui às mulheres a responsabilidade pela reprodução social, entendida  
como o conjunto de práticas que sustentam e regeneram a vida cotidiana,  
ao mesmo tempo em que desvaloriza esse trabalho, tornando-o invisível  
e associando-o à natureza. Ao ser naturalizado, o trabalho reprodutivo é  
tratado como algo disponível para ser explorado, apropriado e exaurido,  
sem reconhecimento ou compensação (Werlhof, 1988). Essa subordina-  
ção é sustentada por diferentes formas de violência que operam no plano  
simbólico, material e institucional. Assim, quando mulheres denunciam  
a destruição ambiental e as ameaças à vida, sua crítica revela uma inver-  
são central no funcionamento do capital: para que a sociedade mercantil  
continue operando, é preciso que tanto a vida quanto a natureza sejam  
reduzidas a recursos exploráveis. A reação violenta a essas denúncias bus-  
ca silenciar aqueles que a expõem e preservar essa lógica e a violência  
silenciosa dos agrotóxicos que se acumula no meio ambiente e gera inú-  
meros problemas como câncer, má formação fetal, alterações genéticas,  
dentre outros males.  
Nesse sentido, a trajetória de Rachel Carson encontra ressonância  
na de Larissa Bombardi. Ambas utilizam a ciência como ferramenta de  
crítica aos abusos associados ao uso de agroquímicos, denunciando um  
modelo de produção que explora de forma predatória a natureza e impõe  
riscos profundos à saúde humana. Ao cumprirem esse papel, tornam-se  
alvo de ataques por parte dos interesses econômicos que sustentam e lu-  
cram com essa lógica de produção. Essa convergência revela ainda uma  
lacuna fundamental entre a divulgação científica e o debate público, o  
que contribui para a invisibilização do problema e alimenta contextos  
marcados pela alienação, pela desinformação e pelo fortalecimento de  
discursos negacionistas.  
Na época em que Carson publicou seu livro, estava em curso a  
chamada Revolução Verde que representou um conjunto de transfor-  
mações tecnológicas e organizacionais nos sistemas agrícolas impulsio-  
nado por desenvolvimento de sementes melhoradas, mecanização e mo-  
dernização e uso intensivo de insumos químicos. Esse foi o prenúncio  
da transformação dos países do Sul Global em máquinas de produção  
de grãos, carne, cana de açúcar, celulose e outras commodities para o  
comércio internacional. Os combustíveis dessa produção são as sementes  
transgênicas, os fertilizantes químicos e os agrotóxicos. O fomento da  
produção tinha como justificativa primordial combater a fome no mun-  
do. No entanto, ao longo do século XX, a lógica capitalista fez com que a  
produção agrícola deixasse de ser produção de alimentos para se tornar  
uma máquina de produção de commodities que submete povos e territó-  
rios e arregimenta como seus defensores os representantes políticos. O  
mercado de agrotóxicos movimenta cerca de 60 milhões de dólares por  
ano e intoxica involuntariamente cerca de 1 milhão de pessoas.  
O livro é divido em três capítulos, o primeiro versa sobre os agro-  
tóxicos e a assimetria Norte-Sul, o segundo é dedicado a explorar a rela-  
ção entre capitalismo e agrotóxicos, e o terceiro traz o conceito de colo-  
nialismo químico para se referir ao sistema econômico internacional dos  
agrotóxicos. O primeiro capítulo se inicia com a constatação de que a  
agricultura se tornou o substrato da reprodução capitalista de indústrias  
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sediadas no Norte Global. As exportações mundiais de agrotóxicos de-  
monstram essa assimetria geopolítica com os Estados Unidos, União  
Europeia e China dentre os maiores países exportadores. Do ponto de  
vista das corporações, esse é um mercado oligopolista: as três maiores  
empresas produtoras (Syngenta, Bayer, Basf) detêm 80% do valor total da  
comercialização global de agrotóxicos.  
Os países da América Latina figuram entre os maiores consumido-  
res de agrotóxicos, o que reafirma o padrão histórico de inserção subordi-  
nada da região como exportadora de recursos naturais. Grande parte dos  
agroquímicos utilizados na região é proibida em países do Norte Global.  
Argentina e Brasil destacam-se nesse cenário, não apenas pelo volume de  
consumo, mas também por manterem legislações regulatórias permis-  
sivas. No caso brasileiro, 90% dos agrotóxicos são aplicados em apenas  
cinco culturas: soja, milho, algodão, pasto e cana-de-açúcar, nenhuma  
delas destinada prioritariamente à alimentação da população. Bombardi  
apresenta uma visualização espacial desses dados por meio de mapas que  
revelam a concentração do uso de agrotóxicos nas regiões Centro-Oeste  
e Sul, justamente aquelas em que predomina a produção de commodities  
para exportação. A expansão dessa lógica produtiva ocorre à custa da su-  
pressão progressiva da agricultura voltada para a alimentação, que inclui  
cultivos como arroz, feijão e mandioca. Essas mesmas regiões concen-  
tram ainda o maior número de casos notificados de intoxicação humana  
por agrotóxicos, em especial por meio da pulverização aérea.  
O segundo capítulo analisa a relação entre o uso de agrotóxicos e o  
modo de produção capitalista. O avanço do capitalismo sobre a natureza  
reflete a dinâmica da acumulação primitiva descrita por Marx, caracte-  
rizada pela apropriação violenta como meio para a expansão do capital.  
Longe de se restringir a uma fase histórica anterior ao capitalismo, a acu-  
mulação primitiva constitui um mecanismo permanente de sua lógica de  
expansão global, que continua subordinando a natureza e os corpos das  
mulheres por meio da violência (Federici, 2017). Esse processo se renova  
sob a aparência de avanço tecnológico, promovendo formas contempo-  
râneas de expropriação que adoecem tanto os seres humanos quanto os  
ecossistemas, e constituem a base de conflitos sociais e ambientais atuais.  
No Brasil, os conflitos fundiários constituem um dos traços estru-  
turantes da questão agrária, marcada pela grilagem de terras e pela expul-  
são de comunidades tradicionais. Esses processos convertem a terra em  
reserva de valor e ativo patrimonial, dissociando-a de sua função social e  
produtiva. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2025), des-  
de 2019 houve um aumento expressivo nos conflitos agrários, muitos dos  
quais envolveram o uso intencional de agrotóxicos como instrumento de  
intimidação e contaminação deliberada de territórios. Apenas em 2024,  
foram registradas 274 ocorrências dessa natureza.  
Os agrotóxicos introduzem uma nova forma de violência ao pro-  
moverem alterações químicas nos corpos em níveis celulares e molecu-  
lares. Essa violência tem origem na Revolução Verde, cujo desenvolvi-  
mento está diretamente relacionado à tecnologia das armas químicas  
utilizadas durante a Segunda Guerra Mundial. A correlação entre a expo-  
sição aos agrotóxicos e o surgimento de doenças encontra-se amplamente  
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documentada na literatura científica nacional. Entre 2010 e 2019, dados  
do Ministério da Saúde indicam que o número de casos de intoxicação  
por agrotóxicos mais que dobrou no Brasil. Bombardi demonstra que as  
propriedades rurais que fazem uso intensivo desses insumos apresentam  
uma distribuição espacial concentrada nas bordas da Amazônia, avan-  
çando a partir do chamado arco do desmatamento. A pulverização aérea,  
nesse contexto, opera como uma estratégia de varredura ou limpeza quí-  
mica do território, acrescentando uma nova camada de violência. Essa  
camada se articula à violência física, observada nos processos de desma-  
tamento, queimadas, expulsões e assassinatos, e à violência biológica, re-  
presentada pela dizimação de populações vulnerabilizadas por meio da  
disseminação de doenças associadas à expansão da fronteira agrícola.  
A produção agrícola baseada na dependência de insumos quími-  
cos reflete a apropriação da agricultura pelo capitalismo, que deixa de  
ter como objetivo central a produção de alimentos e passa a operar como  
substrato para a reprodução do capital. Em um primeiro momento, a  
agricultura poderia representar uma barreira ao avanço do capitalismo,  
dada a especificidade de seus ciclos produtivos e sua estreita relação com  
os ritmos da natureza. No entanto, a lógica capitalista se infiltra nesse  
setor por meio de mecanismos como a concentração fundiária, a finan-  
ceirização das cadeias produtivas e a crescente dependência tecnológica,  
que obriga os agricultores a aderirem a pacotes de insumos industriais  
compostos por sementes, fertilizantes e agrotóxicos. Nesse processo, a  
economia internacional subordina a terra e a agricultura aos imperati-  
vos da indústria e do sistema financeiro. Uma das conclusões centrais de  
Bombardi, a partir dessa constatação, é que os agrotóxicos operam em  
favor da lógica de acumulação capitalista e não têm relação direta com o  
enfrentamento da fome no mundo.  
Por fim, no terceiro capítulo, a autora traz o conceito de colonialis-  
mo químico para se referir ao sistema econômico internacional dos agro-  
tóxicos. O uso da palavra colonialismo descreve um movimento análogo  
ao colonialismo clássico que, por meio da violência, permite a reprodu-  
ção do capitalismo “moderno” dos países do Norte. Um exemplo dessa  
violência seriam as exportações de agrotóxicos da UE para o Mercosul  
que, entre 2018 a 2019, somaram mais de 6,84 mil toneladas de insumos  
proibidos em seu próprio território. Dos dez agrotóxicos mais vendidos  
no Brasil, cinco estão banidos da UE.  
Colonialismo químico e colonialismo molecular descrevem o  
abismo que separa Norte e Sul globais, marcado por assimetrias na re-  
gulamentação do uso de agrotóxicos. Enquanto países centrais adotam  
normas mais rígidas, produzem e exportam substâncias proibidas em  
seus próprios territórios para serem utilizadas na periferia global. Essa  
geografia do abismo revela que os países do Sul são afetados de forma  
desigual, com impactos mais intensos sobre populações negras, indíge-  
nas e mulheres. Uma das denúncias mais graves feitas por Bombardi é  
que a intoxicação por agrotóxicos configura uma forma de infanticídio,  
diante da contaminação de 3.754 crianças brasileiras entre 0 e 14 anos e  
de quase 300 gestantes entre 2010 e 2019, evidenciando o caráter letal da  
violência química.  
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Nesse momento, Bombardi recupera a discussão sobre o papel das  
mulheres, destacando sua liderança na construção de alternativas à agri-  
cultura envenenada, como a agroecologia e a mobilização das trabalha-  
doras do campo por meio da Marcha das Margaridas. Em contraposição à  
chamada geografia do abismo, marcada pela degradação ambiental, pela  
violência e pela lógica excludente da produção agroquímica, Bombardi  
identifica que as mulheres vêm construindo uma geografia do caminho,  
orientada pela justiça em seu sentido amplo e articulada à luta contra o  
aquecimento global e o genocídio químico. O lugar central que as mulhe-  
res historicamente ocupam nos processos de reprodução social também  
lhes confere protagonismo na formulação de propostas voltadas à sobera-  
nia e à segurança alimentar. Essas práticas não representam apenas uma  
alternativa produtiva, mas expressam um novo projeto de sociedade, fun-  
damentado em valores como ética, solidariedade, reciprocidade, justiça e  
respeito à natureza. Nesse contexto, as mulheres reafirmam a atualidade  
do pensamento de Rachel Carson ao evidenciar que a construção de jus-  
tiça social, de gênero, racial, ambiental e climática exige o rompimento  
com o patriarcado e com o modelo agrícola sustentado por uma lógica  
arquetípica masculina de reprodutibilidade ilimitada, própria do capita-  
lismo que transforma a natureza em mercadoria.  
De forma geral, o livro de Larissa Bombardi representa uma con-  
tribuição fundamental para a compreensão da economia política interna-  
cional dos agrotóxicos e da inserção subordinada do Brasil nesse sistema.  
A autora articula com rigor a apresentação de dados empíricos, análise  
crítica e um conjunto cartográfico detalhado que evidencia os impactos  
territoriais do modelo agroexportador baseado na dependência estrutu-  
ral de insumos químicos. Ao elaborar o conceito de colonialismo quími-  
co, Bombardi denuncia as engrenagens globais de dominação que sus-  
tentam esse modelo, oferecendo uma chave interpretativa fundamental  
para pensar as relações internacionais a partir do Brasil e do Sul Global.  
Assim como Rachel Carson em sua época, Bombardi ultrapassa os limites  
tradicionais da ciência ao politizar a produção do conhecimento e ao con-  
vocar a sociedade a compreender que o debate sobre agrotóxicos é, antes  
de tudo, um debate sobre vida, justiça e democracia. Seu livro se afirma,  
assim, como um instrumento de resistência e conscientização pública,  
com potência para mobilizar não apenas o meio acadêmico, mas também  
a sociedade civil em defesa de um futuro livre de veneno.  
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