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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 1, (fev. 2025), p. 9-11
das ações voltadas à mitigação e adaptação às mudanças climáticas; iii)
o imperativo de reformar a governança global, de modo a torná-la mais
representativa, democrática e ecaz frente aos desaos do século XXI.
Esse protagonismo brasileiro ocorre em um momento particular-
mente desaador para a ordem internacional, marcado por uma profun-
da instabilidade política. A presidência coincide com a continuidade da
guerra entre Rússia e Ucrânia, o agravamento da crise humanitária resul-
tante do massacre de Israel na Palestina e a iminente, agora conrmada,
reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos, fatores que tensionam
ainda mais o cenário geopolítico e dicultam consensos no âmbito do
G20.
Apesar das diculdades estruturais apontadas, o Brasil conseguiu
articular importantes consensos e alcançar resultados concretos ao lon-
go de sua presidência no G20. Mais do que aprofundar o debate qualita-
tivo sobre desaos cruciais da agenda internacional e mediar interesses
frequentemente divergentes, o país obteve avanços práticos e assegu-
rou compromissos políticos relevantes em áreas estratégicas como meio
ambiente, saúde global e segurança alimentar. Além disso, aprofundou
discussões fundamentais sobre igualdade, inclusão social e inclusão -
nanceira, rearmando o potencial do G20 como um espaço legítimo e
necessário de governança global.
Com o objetivo de compreender parte dessas questões, este dossiê
reúne seis artigos dedicados a examinar o papel do G20 na governança
internacional contemporânea, com ênfase em suas potencialidades e li-
mites diante dos desaos globais atuais.
Abre o dossiê o artigo “O G20 e a governança internacional con-
temporânea”, de Flávia de Campos Mello e Ana Rachel Simões Fortes. As
autoras exploram o G20 como fórum de governança global, sua transfor-
mação, desaos e a diversicação de suas agendas no contexto de crise do
multilateralismo e de fragmentação da ordem internacional. Em segui-
da, o artigo “A Dinâmica Política da Reforma das Instituições de Bretton
Woods no G20: as tensões da expansão do modelo de clubes em um mun-
do multipolar”, de Alex Jobim Farias, debate como a ascensão do G20
impulsionou, por um lado, reformas nas instituições de Bretton Woods
para acomodar potências emergentes e de outro, gerou críticas à sua legi-
timidade, alimentando a formação competitiva do Brics como contrape-
so. Após, há o estudo “Mecanismo Inovador de Desenvolvimento Limpo
do G20: uma proposta para alavancar e acelerar o nanciamento da mi-
tigação da mudança global do clima”, de José D.G Miguez,Thiago de A.
Mendes e Luciano T. Schweizer. Os autores apresentam o Mecanismo
Inovador de Desenvolvimento Limpo do G20, estrutura que visa acelerar
os esforços globais de mitigação climática através de soluções cientícas,
diplomáticas e nanceiras. Logo após, o artigo “Inovação Tecnológica
no G20: caminhos para a inclusão nanceira e a equidade na saúde glo-
bal”, de Aline Regina Alves Martins e Henrique Zeferino de Menezes,
avalia como a presidência brasileira do G20 está utilizando a inovação
tecnológica como estratégia para enfrentar disparidades socioeconômi-
cas, com ênfase em inclusão nanceira e desenvolvimento de tecnologias
farmacêuticas. Em seguida, o estudo “O Papel do Brasil na Construção de