estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 236-241  
Mulheres e Guerra: Lições sobre uma  
Realidade Ocultada  
Women and War: Insights into a Hidden Reality  
Mujeres y guerra: aprendizajes sobre una realidad oculta  
1
Ana Laura Baia de Morais  
Thaís Vieira  
2
DOI: 10.5752/P.2317-773X.2025v13.n2.p236  
Enviado em: 13 de novembro de 2025  
Aceito em: 16 de março de 2026  
RESUMO  
Esta resenha analisa a obra Twelve Feminist Lessons of War (2023), da teórica femi-  
nista Cynthia Enloe. O tema central é o impacto do militarismo sobre os corpos  
femininos e a necessidade de uma lente de gênero para compreender como o  
militarismo atravessa violentamente a vida de mulheres, crianças e populações  
LGBTQUIA+. O objetivo do texto é examinar, a partir de uma abordagem crí-  
tica, as doze lições propostas pela autora, que desafiam a invisibilidade das mu-  
lheres nas narrativas de guerra e discutem a militarização. Ademais, propõe-se  
um diálogo com a antropóloga argentina Rita Segato, dadas suas contribuições  
acerca da violência no Sul Global e de sua relação com a masculinidade. Desta-  
ca-se que, embora a obra de Enloe seja indispensável pela fluidez e pela riqueza  
de casos práticos, apresenta lacunas quanto à formalização metodológica e à  
integração de perspectivas latino-americanas. Por fim, ressalta-se a originalidade  
do livro ao convocar uma construção coletiva de novos saberes feministas, rea-  
firmando que a compreensão da guerra é indissociável das dinâmicas de gênero  
que a tornam possível.  
Palavras-chave: Militarismo; Gênero; Relações Internacionais; Cynthia Enloe;  
Feminismo.  
ABSTRACT  
This review analyzes the work Twelve Feminist Lessons of War (2023), by  
feminist theorist Cynthia Enloe. The central theme is the impact of militarism  
on female bodies and the need for a gender lens to understand how militarism  
violently permeates the lives of women, children, and LGBTQIA+ populations.  
The objective of this text is to examine, through a critical approach, the twelve  
1. Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade  
Federal de Goiás (UFG). Graduada em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG).  
E-mail: analauramoraiscontato@gmail.com. ORCID: 0009-0004-2630-1802.  
2. Doutora em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Mestra em Relações Interna-  
cionais pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Bacharela em Relações Internacionais pela Pon-  
tifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Bolsista de Pós-doutorado Capes no Programa de Pós-Gradua-  
ção em Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade Federal de Goiás, código de financiamento  
001. E-mail: thaisvieirari@gmail.com. ORCID: 0000-0002-9524-4141.  
236  
Ana Laura Baia de Morais, Thaís Vieira Mulheres e Guerra: Lições sobre uma Realidade Ocultada  
lessons proposed by the author, which challenge the invisibility of women in  
war narratives and discuss militarization. Furthermore, a dialogue is proposed  
with the Argentine anthropologist Rita Segato, given her contributions regar-  
ding violence in the Global South and its relationship with masculinity. It is  
noted that, although Enloe’s work is indispensable for its fluidity and richness  
of practical cases, it presents gaps regarding methodological formalization and  
the integration of Latin American perspectives. Finally, the review highlights the  
book’s originality in calling for a collective construction of new feminist know-  
ledge, reaffirming that the understanding of war is inseparable from the gender  
dynamics that make it possible.  
Keywords: Militarism; Gender; International Relations; Cynthia Enloe; Femi-  
nism.  
RESUMEN  
Esta reseña analiza la obra Twelve Feminist Lessons of War (2023), de la teórica  
feminista Cynthia Enloe. El tema central es el impacto del militarismo sobre  
los cuerpos femeninos y la necesidad de una lente de género para comprender  
cómo el militarismo atraviesa violentamente la vida de las mujeres, niños y  
poblaciones LGBTQIA+. El objetivo del texto es examinar, desde un enfoque  
crítico, las doce lecciones propuestas por la autora, las cuales desafían la invi-  
sibilidad de las mujeres en las narrativas de guerra y discuten la militarización.  
Además, se propone un diálogo con la antropóloga argentina Rita Segato, dadas  
sus contribuciones sobre la violencia en el Sur Global y su relación con la mas-  
culinidad. Se destaca que, si bien la obra de Enloe es indispensable por su fluidez  
y riqueza de casos prácticos, presenta lagunas en cuanto a la formalización  
metodológica y la integración de perspectivas latinoamericanas. Por último, se  
resalta la originalidad del libro al convocar una construcción colectiva de nuevos  
saberes feministas, reafirmando que la comprensión de la guerra es indisociable  
de las dinámicas de género que la hacen posible.  
Palabras claves: Militarismo; Género; Relaciones Internacionales; Cynthia  
Enloe; Feminismo.  
Cynthia Enloe é uma ativista feminista, teórica e referência indis-  
pensável nos estudos feministas de Relações Internacionais. Atualmente,  
atua como professora e pesquisadora na Clark University, no departa-  
mento de Sustentabilidade e Justiça Social. O mais recente dos seus 15  
livros publicados, Twelve Feminist Lessons of War, publicado em 2023 pela  
University of California Press, possui a mesma fluidez do seu clássico livro  
Bananas, Beaches and Bases: Making Feminist Sense of International Politics  
(Enloe, 1990), sendo um grande compilado dos aprendizados e insights  
que a autora acumulou ao longo da sua vida se dedicando a estudar como  
o militarismo atravessa os corpos femininos.  
Publicado em inglês um ano após o início da guerra entre Rússia e  
Ucrânia, a autora, com muita sensibilidade, dedica seu livro às feministas  
ucranianas – as quais posteriormente recebem um capítulo onde a autora  
explicita os ensinamentos que essas mulheres nos deixam em contexto de  
guerra. Já no prefácio, Enloe explica de forma clara o propósito da obra:  
ela não está trazendo doze lições feministas sobre a guerra para trans-  
formar em militares de alta patente, mas sim para podermos expandir as  
percepções sobre as guerras a partir de uma lente de gênero e compreen-  
der como essas guerras afetam violentamente a vida de mulheres, crian-  
ças e populações LGBTQUIA+. Dessa forma, a autora defende que “se  
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não prestarmos séria atenção às complexidades das ideias e experiências  
em tempos de guerra de diversas mulheres, nós arriscamos perder – ou  
3
compreender de forma errônea – as causas e consequências das guerras”  
(Enloe, 2023, p. 2, tradução nossa).  
Assim, suas doze lições não são fruto de um ano ou dois de pes-  
quisa, mas de uma vida inteira observando atentamente e, especialmen-  
te, conversando com outras mulheres que também estavam observando  
atentamente o mundo ao seu redor. Este fato contribui para que a autora  
traga uma vasta lista de referências e notas de rodapé valiosíssimas, com  
vivências e estudos de casos plurais, trazendo à luz casos e pesquisas,  
tanto mais conhecidos – como, por exemplo, os escândalos dos capacetes  
azuis mencionados no quarto capítulo –, quanto aqueles pouco impul-  
sionados pelo mainstream. Suas doze lições são, na verdade, um convite  
para que possamos refletir sobre nossas experiências e dedicar um olhar  
cuidadoso a experiências divergentes, para que seja uma construção co-  
letiva crescente.  
Portanto, façamos um passeio pelas lições elaboradas no volume,  
embora a densidade dos capítulos não permita que somente seus títu-  
los sejam mencionados. Em primeiro lugar, Cynthia Enloe aponta que  
as guerras das mulheres não são as guerras dos homens, uma vez que  
mulheres e homens vivenciam a guerra de formas diferentes, visto que  
mesmo na guerra as mulheres estão sobrecarregadas por trabalhos desva-  
lorizados e invisibilizados. Assim, a autora defende que a guerra antecede  
o primeiro disparo, na verdade ela sempre é precedida por condições de  
desigualdade. Na segunda lição, a autora nos ensina que toda guerra é  
travada em um contexto histórico inerentemente permeado pela variável  
gênero. Neste sentido, todos os detalhes que constroem uma guerra são  
genderizados, os meios de comunicação são genderizados, o acesso aos  
recursos é genderizado, o capital é genderizado. Partir desse pressuposto  
permite que vejamos padrões, decisões e cálculos deliberados onde antes  
havia somente “consequências inevitáveis” e “efeitos colaterais”. “A guer-  
ra é um inferno. A guerra é um inferno genderizado. A guerra é um infer-  
4
no genderizado dentro de uma história genderizada em curso” (Enloe,  
2023, p. 32, tradução nossa).  
Terceira lição: fazer homens lutarem não é tão fácil assim, uma vez  
que envolve acesso à informação, dinheiro, treinamento e, especialmente,  
uma intensa construção social da masculinidade como sendo algo atrela-  
do ao militarismo. Assim, o elo forte entre o militarismo e a masculini-  
dade é forjado não somente pelo Estado, mas pelo apoio civil, incluindo  
as mulheres – mães e esposas, por exemplo –, o que faz com que possam  
ser também vozes de contestação. Como consequência, entender a guer-  
ra é compreender as dinâmicas de gênero que a torna possível. A quarta  
lição, por sua vez, ensina que as mulheres soldadas não configuram um  
tipo de libertação, visto que há uma permissão de que as mulheres aden-  
trem somente espaços que os homens julgam apropriados, explorando  
3. If we do not pay serious attention to the complexities of diverse women’s ideas and wartime experiences,  
we risk missing – or misunderstanding – the causes and consequences of wars. (Enloe, 2023, p. 2).  
4. War is hell. War is a gendered hell. War is a gendered hell in ongoing gendered history (Enloe, 2023, p. 32).  
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convenientemente as contribuições das forças de trabalho feminina, po-  
rém mantendo o privilégio masculino acima das necessidades femininas.  
Na quinta lição, Enloe (2023) demonstra que mulheres como in-  
surgentes armadas oferecem advertências feministas, uma vez que estas  
fazem esforços e sacrifícios para se juntar a forças anti-coloniais e anti-di-  
tatoriais e então, ao reestabelecer lideranças e partidos, são deixadas com-  
pletamente de fora. Nenhum levante organizado por homens será contra  
o patriarcado, logo, o fim do privilégio masculino será sempre posterga-  
do. Tal leitura realizada pela autora vai ao encontro do que Segato (2022,  
p. 37) propõe ao dizer que “nenhum patriarcão fará a revolução”, onde  
a autora argentina argumenta que os homens não abrirão mão de seus  
privilégios em prol de construir conjuntamente os direitos das mulheres,  
uma vez que a relação entre homens e mulheres e pautada numa lógica  
de donidade, em que os homens se configuram enquanto donos da vida.  
A sexta lição informa que feridos importam, e os feridos possuem gênero.  
Dedicar atenção aos feridos é expandir a visão sobre as reais consequên-  
cias da guerra e entender mais sobre a dor que vem com a guerra – além  
de chamar à atenção para o fato de que esses feridos serão cuidados por  
alguém, que mais uma vez serão em maioria mulheres com o trabalho  
completamente invisibilizado. E toda essa invisibilização nos faz pensar  
que os custos de uma guerra são menores do que realmente são.  
Na sétima lição a autora discorre sobre a necessidade de tornar os  
estupros em tempos de guerra visíveis e tratá-los como o crime gravís-  
simo que realmente são, pois somente por meio de investigações indivi-  
duais dos abusos sexuais e do mapeamento de possíveis padrões desses  
atos, será possível contabilizar e responsabilizar os abusadores. Neste sen-  
tido, podemos pensar nas próprias violências sexuais infringidas contra  
as mulheres guerrilheiras nas ditaduras latino-americanas, seja no Chile  
– como a própria Enloe exemplifica no livro –, na Argentina, no Brasil,  
entre outros diversos países que possuíram os mesmos padrões de puni-  
ção sobre corpos femininos, impedindo que esses estupros possam ser  
considerados meros efeitos colaterais da guerra dos homens. O estupro  
em tempos de guerra, de conflito, é sistemático e tem o papel de comuni-  
car uma mensagem, como abordaremos mais a frente.  
A oitava lição discutiu como as feministas seguem se organizando  
enquanto a guerra está em ebulição, uma marca dos movimentos sociais  
feministas ao longo da história que pode ser exemplificado através da mo-  
bilização em torno do Primeiro Congresso Mundial Feminino pela Paz,  
que ocorre em 1915, e delineou as bases do que hoje é conhecida como  
Política Externa Feminista. Mesmo em tempos de guerra as mulheres  
seguem se organizando, traçando estratégias e desenvolvendo seus pen-  
samentos. A nona lição nos traz as consequências da guerra para as ge-  
rações vindouras, visto que as consequências da guerra podem se refletir  
por diversas gerações. Ao dizer “após a guerra suas necessidades serão  
priorizadas”, pode-se compreender que o “depois” é uma zona temporal  
5
patriarcal (Enloe, 2023, p. 121), o que de certa forma pode se comunicar  
5. “Later” is a patriarchal time zone (Enloe, 2023, p. 121).  
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também com o quinto capítulo. Ao definir um período como “pós-guer-  
ra”, não somente falamos que se trata de um período após a guerra, mas  
que segue sendo definido em torno da guerra prévia. Pensar em pós-guer-  
ra, é ouvir os silêncios e trabalhar a memória, compreender quais serão as  
lições de guerra, evitando que seja um simples processo de colocar tudo  
debaixo do tapete e arrumar a casa superficialmente para receber visitas  
– ou investidores.  
A décima lição demonstra como a militarização começa em tempos  
de paz, sendo um lento progresso ao longo do tempo, em camadas mui-  
to sutis, em um conjunto de ideias distintas e até mesmo contraditórias.  
Assim, para entender a militarização, é preciso entender como garotas e  
mulheres se tornam militarizadas, não em processo de julgamento, mas  
de real interesse nessas vivências e nesses processos. Décima-primeira li-  
ção: as feministas ucranianas têm lições a nos ensinar sobre a guerra, em  
que Enloe (2023) traz à luz não somente a guerra russo-ucraniana, mas a  
ampla participação de ucranianas em guerras ao longo da história, como  
na I e II Guerra Mundial. Este capítulo pode ser considerado quase como  
um estudo de caso da oitava lição, de como as feministas ucranianas se-  
guiram se organizando, reconhecendo seus esforços em buscar ajudar  
mulheres e crianças a estarem seguras, reduzir as consequências devasta-  
doras da guerra e atrair solidariedade e apoio.  
Por último, Enloe traz a sua décima-segunda lição, onde defende  
que lições feministas são para todo mundo. É uma espécie de reflexão,  
mas também um convite para pensarmos as guerras em outros termos e  
desenvolvermos nossas próprias lições, sempre em movimento. Inclusive,  
ela dá uma pista do que poderia ser a décima-terceira lição: é preciso se  
colocar no lugar dessas mulheres e meninas, ser solidárias e nos mobi-  
lizarmos. Portanto, como ilustrado, a cada capítulo é como se todo um  
universo estivesse sendo revelado, com riqueza de detalhes e elucidando  
questões impensadas, ao invés de trazer simples ramificações de um mes-  
mo ponto observado.  
O livro é muito rico, bem escrito e organizado, porém falha ao dei-  
xar de acrescentar uma perspectiva de violência contra a mulher oriunda  
do Sul Global que dialoga diretamente com a proposta do livro, como as  
obras da antropóloga argentina Rita Laura Segato, referência em estu-  
dos sobre masculinidade e violência, o que faremos, abraçando seu con-  
vite a pensar em outras lições e encararmos suas lições como algo em  
movimento. É possível traçar inúmeros diálogos entre as autoras, seja  
pensando em questões pontuais apresentadas no livro de Enloe, ou para  
expandir a própria ideia de guerra. No primeiro caso, podemos mencio-  
nar as ponderações sobre o que leva os homens a ir à guerra, e sua análise  
sobre o estupro em tempos de guerra, considerando que a Segato possui  
amplas teorizações.  
Nesse sentido, Segato em seu livro “La guerra contra las mujeres”  
compila algumas de suas formulações sobre tal tópico:  
1) la expresión “violencia sexual” confunde, pues aunque la agresión se ejecute  
por medios sexuales, la finalidad de la misma no es del orden de lo sexual sino  
del orden del poder; 2) no se trata de agresiones originadas en la pulsión libidinal  
traducida en deseo de satisfacción sexual, sino que la libido se orienta aquí al po-  
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der y a un mandato de pares o cofrades masculinos que exige una prueba de per-  
tenencia al grupo; 3) lo que refrenda la pertenencia al grupo es un tributo que,  
mediante exacción, fluye de la posición femenina a la masculina, construyéndola  
como resultado de ese proceso; 4) la estructura funcional jerárquicamente  
dispuesta que el mandato de masculinidad origina es análoga al orden mafioso;  
5) mediante este tipo de violencia el poder se expresa, se exhibe y se consolida de  
forma truculenta ante la mirada pública, por lo tanto representando un tipo de  
violencia expresiva y no instrumental. (Segato, 2016, p. 10).  
Um outro ponto de crítica que pode ser abordado em relação à obra  
analisada diz respeito à lacuna da metodologia presente no texto. Como  
o objetivo do texto é teorizar a experiência das mulheres na guerra, a au-  
sência de uma metodologia que evidencie como foi feita a coleta e a análi-  
se de dados deixa dúvidas a respeito de como o argumento foi construído.  
A falta de descrição dos aportes metodológicos utilizados deixa dúvidas  
para o leitor que pretende empreender pesquisas na área, visto que os  
dados e evidências coletados, pelo que demonstra o texto, não apresenta  
uma estruturação única, podendo ter sido reunidos de várias formas dife-  
rentes. Esta, inclusive, é uma crítica que se faz aos trabalhos referentes às  
disciplinas de Relações Internacionais no Brasil, que em geral carecem de  
metodologias bem delimitadas, especialmente, quando se trata de traba-  
lhos referentes que utilizam uma metodologia qualitativa.  
Recomendamos que seja feita uma leitura crítica do texto apresen-  
tado, considerando as inovações que a autora faz ao trazer os aspectos que  
podem ser apreendidos da vivência das mulheres na guerra e os debates  
que podem ser suscitados a partir das discussões apresentadas. Contudo,  
há que se estar atento para os déficits ou omissões metodológicas que o  
texto apresenta. Acreditamos que essa falta de uma metodologia explícita  
fragiliza o argumento, mas não o invalida como um todo. Com muita  
originalidade, Enloe (2023) nos apresenta um livro que traz considerações  
muito difíceis, mas com uma linguagem clara e acessível, contando com  
um acervo surpreendente e muito bem fundamentado.  
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  
ENLOE, Cynthia H. Bananas, Beaches & Bases: Making Feminist Sense of International  
Politics. 1. ed. Berkeley: University of California Press, 1990.  
SEGATO, Rita Laura. Cenas de um pensamento incômodo: gênero, cárcere e cultura em  
uma visada decolonial. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2022.  
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