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Pontifcia Universidade  
Católica de Minas Gerais  
Programa de Pós-Graduação  
em Relações Internacionais  
Belo Horizonte  
ISSN: 2317-773X  
v. 13 n. 2  
junho 2025  
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Effects of religious heterogeneity on global beef trade ............................9  
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Michelle Márcia Viana Martins Effects of religious heterogeneity on global beef trade  
Effects of religious heterogeneity on global  
beef trade  
Efeitos da heterogeneidade religiosa no comércio global  
de carne bovina  
Efectos de la heterogeneidad religiosa en el comercio  
mundial de carne de vacuno  
1
Michelle Márcia Viana Martins  
DOI: 10.5752/P.2317-773X.2025v13.n2.p9  
Enviado: 06 de abril de 2025  
Aceito em: 30 de setembro de 2025  
ABSTRACT  
This study evaluates the effect of religious distance on bilateral beef trade flows  
between 21 exporting countries and 167 importing countries from 2000 to 2021.  
The analysis examines both facilitating and hindering effects of religious factors  
on commercial flows. Religious similarity may reduce transaction costs through  
shared norms and trust networks, while religious differences may create exclu-  
sionary practices functioning as trade barriers. Using a structural gravity model,  
the results show that religious asymmetry does not impact overall beef trade  
flows, except when controlling for major Halal and Kosher-certified exporters.  
The findings reveal that religion does not systematically affect beef trade, thou-  
gh certification creates competitive advantages in specialized market segments.  
Key words: Religion; Beef; International Trade; Cultural Barriers; Gravity  
Model.  
RESUMO  
Este estudo avalia o efeito da distância religiosa nos fluxos de comércio bilateral de  
carne bovina entre 21 países exportadores e 167 países importadores de 2000 a 2021. A  
análise examina tanto os potenciais efeitos facilitadores quanto restritivos dos fatores  
religiosos nos fluxos comerciais. A similaridade religiosa pode reduzir custos de tran-  
sação por meio de normas compartilhadas e redes de confiança, enquanto diferenças  
religiosas podem criar práticas excludentes que funcionam como barreiras comerciais.  
Utilizando um modelo gravitacional estrutural, os resultados mostram que a assime-  
tria religiosa não afeta os fluxos comerciais gerais de carne bovina, exceto quando  
controlados os principais exportadores certificados Halal e Kosher. Os achados reve-  
lam que a religião não afeta sistematicamente o comércio de carne bovina, embora a  
certificação crie vantagens competitivas em segmentos especializados globalmente.  
Palavras-chave: Religião; Carne bovina; Comércio internacional; Barreiras  
culturais; Modelo gravitacional.  
1. Doutora em Economia Aplicada, Universidade de São Paulo e professora no Departamento de Economia,  
Universidade Federal de Viçosa.  
9
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 9-33  
RESUMEN  
El estudio evalúa el efecto de la distancia religiosa en los flujos de comercio  
bilateral de carne de vacuno entre 21 países exportadores y 167 países importa-  
dores de 2000 a 2021. El análisis examina tanto los potenciales efectos facilita-  
dores como restrictivos de los factores religiosos en los flujos comerciales. La  
similitud religiosa puede reducir los costos de transacción a través de normas  
compartidas y redes de confianza, mientras que las diferencias religiosas pueden  
crear prácticas excluyentes que funcionan como barreras comerciales. Utilizan-  
do un modelo gravitacional estructural, los resultados muestran que la asimetría  
religiosa no afecta los flujos comerciales generales de carne de vacuno, excepto  
cuando se controlan los principales exportadores certificados Halal y Kosher.  
Los hallazgos revelan que la religión no afecta sistemáticamente el comercio de  
carne de vacuno, aunque la certificación crea ventajas competitivas en segmen-  
tos especializados globalmente.  
Palabras clave: Religión; Carne de vacuno; Comercio internacional; Barreras  
culturales; Modelo gravitacional.  
1 INTRODUCTION  
International trade is necessary for ensuring food security and  
maintaining public food reserves. A 14% global supply expansion in the  
meat market is anticipated by 2030, accompanied by a 5.9% rise in beef  
availability (OECD-FAO, 2024). This growth trend is also observed on  
the demand side. The consumption of animal protein is driven by dietary  
changes resulting from urbanization and rising global average income.  
Consequently, there is an anticipated increase in international meat flo-  
ws, particularly towards Asia and the Middle East (OECD-FAO, 2024).  
Although commodity trade is generally associated with products that  
have uniform characteristics, are produced on a large scale and with homo-  
geneous physical attributes (Martins; Martinelli, 2010), products can be dif-  
ferentiated by historical, institutional and cultural factors, such as religious  
traditions and cultural ties (Ermgassen et al., 2021; Carneiro et al., 2022). This  
is especially applicable in the meat trade, which, despite being categorized  
as a commodity, may be ascribed other characterizations that are not solely  
reliant on its physical and observable characteristics (Fonseca et al., 2021).  
International negotiations have included specific provisions for  
meat products, considering unobservable quality attributes, including  
adherence to processing and slaughter methods, which are essential  
for markets influenced by religious beliefs. Regulations that define the-  
se qualities can influence market access and generate trade possibilities  
(DallAzen; Weise, 2014).  
The Halal industry, which follows processing rules following the  
Islamic religion, encompasses more than 1.8 billion consumers across 112  
countries. By 2030, the industry is expected to continue growing, given  
the forecast that the Muslim population will reach 29% of the global po-  
pulation (Daud; Lee, Ismail; 2022). Furthermore, the number of young  
Muslims with higher educational levels is rising, reflecting the growth of  
a new market segment with high purchasing power, estimated at appro-  
ximately USD 2.57 trillion by 2024 (Hossain et al., 2021).  
10  
Michelle Márcia Viana Martins Effects of religious heterogeneity on global beef trade  
Similarly, the Kosher meat business offers appealing possibilities.  
The term Kosher denotes items prepared by Jewish law and is linked to  
health and hygiene due to rigorous food processing, demanding coope-  
ration and transparency from supplying companies (Hossain et al., 2021;  
Rudy et al., 2019). In 2021, the global Jewish population was predicted  
to be roughly 15.2 million, constituting about 0,195% of the total global  
population (DellaPergola, 2022). The primary slaughter requirements for  
this religious group require the animal’s vitality and awareness during  
the slaughter and the complete removal of blood, which is considered  
impure and unsuitable for consumption (Rudy et al., 2019).  
Halal and Kosher products not only represent religious symbols  
with potential for the Islamic and Jewish consumer markets, are also as-  
sociated with excellence in quality assurance, attracting non-Muslim and  
non-Jewish consumers who value quality, safety, health, and authenticity  
(Hossain et al., 2021; Abdul-Talib; Abd-Razak, 2013). To ensure these cha-  
racteristics, religious agencies must certify products which attest to com-  
pliance with technical standards and the brand’s symbol.  
In the realm of certifications, trust among the parties involved is  
important, influencing the selection of the governance framework and  
commercial partner to guarantee reliability. Implementing procedu-  
res that cultivate trust among agents is essential for alleviating uncer-  
tainty, deterring opportunistic behavior, and reducing transaction costs  
(Colares-Santos; Shanoyan; Schiavi, 2020).  
However, religious and cultural issues, when incorporated into  
contracts, can be considered trade barriers (Audu; Okorie; Orekoya, 2023).  
Companies wishing to export products in compliance with religious re-  
quirements must adapt their production processes to the standards esta-  
blished by their trading partners to ensure market access (Aguiar, 2020).  
This leads to additional costs that may reduce exporters’ competitiveness,  
with the consequences of leaving the market.  
Eventually, this is questioned. Audu; Okorie; Orekoya (2023) sta-  
te that religious asymmetries appear to have little impact on trade flo-  
ws, even when comparing the most and least religious nations globally.  
Regardless of the level of religiosity, countries do not typically form trade  
partnerships based on shared religious beliefs. Instead, trade reciprocity  
and economic considerations are more relevant in shaping trade. For ins-  
tance, countries with high levels of religiosity, such as Israel, Saudi Arabia,  
and India, continue to maintain stable trade relations with nations that do  
not share their religious traditions, indicating that religion does not di-  
rectly influence trade decisions (Audu; Okorie; Orekoya, 2023). However,  
Costa et al (2023) and Hamid et al (2022) argue that religion can affect  
positively or negatively the trade of certain products, such as cultural  
products (films) and food.  
New investigations further underscore how religious, cultural  
and economic factors shape trade patterns. Applying a gravity model to  
Indonesia’s seafood exports, Herianingrum et al. (2024) highlight how  
GDP and common language can strengthen export performance and  
bolster the Halal market. Meanwhile, Muchtar et al (2025) employ a com-  
putable general equilibrium approach to show that free trade agreements  
11  
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with countries members of the Organization of Islamic Cooperation  
(OIC) can boost welfare and real GDP for Indonesia’s halal food sector,  
though some product segments may face export declines.  
From a different angle, Zhang; Saghaian; Reed (2023) use a stochas-  
tic frontier gravity model to analyze U.S. bourbon whisky exports, de-  
monstrating that economic size, common language, and policy measures  
can promote trade, again indicating how specialized product attributes,  
religious or otherwise, interact with classical trade drivers. Within the  
European Union, Zaninovi (2025) further confirms that factor producti-  
vity, resource endowments and the ability to meet evolving standards are  
key determinants of agricultural trade flows. These more recent studies  
show that production attributes (e.g., Halal compliance, resource use and  
geographical indication) intertwine with broader economic variables to  
shape the contours of trade, reinforcing the importance of analyzing reli-  
gious and cultural distance alongside conventional drivers.  
This study adopts an agnostic stance regarding religion’s role in  
beef trade, recognizing that cultural factors can both facilitate and hin-  
der commercial flows. Religion may reduce transaction costs by fostering  
trust among members sharing religious traditions, while religious diffe-  
rences can create exclusionary practices that function as trade barriers  
(Lewer; Van Den Berg, 2007; Lee; Park, 2016).  
This analysis contributes to International Relations by examining  
how informal institutions shape trade patterns beyond formal agree-  
ments and tariffs. While traditional international trade literature focuses  
on state policies and formal arrangements, this study addresses how cul-  
tural norms influence economic decisions between states, enriching un-  
derstanding of how identity factors affect countries’ integration into the  
global economy. Based on expansion opportunities in this market seg-  
ment and different possibilities of trade effects (positive, negative, or non-  
-significant), the question arises: what is the effect of religious distance on  
global beef trade? This study evaluates, through a statistical model, the  
effect of religious asymmetry on beef trade flows between 2000 and 2021.  
2 THEORETICAL FRAMEWORK  
2.1 Religious institutions in international relations  
International relations theory provides some frameworks for un-  
derstanding how cultural factors influence interstate economic beha-  
vior. Liberal institutionalism suggests that shared norms and values re-  
duce transaction costs in international cooperation by creating predic-  
table behavioral patterns and common standards (Keohane; Nye, 2011).  
Constructivist approaches emphasize how cultural identities shape state  
preferences and interests beyond material calculations, arguing that ac-  
tors’ understanding of their interests is socially constructed through cul-  
tural practices and shared meanings (Wendt, 1999).  
Religious institutions operate within these theoretical framewor-  
ks as informal constraints that create both opportunities for cooperation  
12  
Michelle Márcia Viana Martins Effects of religious heterogeneity on global beef trade  
and potential conflicts in trade relations. Unlike formal institutions such  
as trade agreements or international organizations, religious norms are  
embedded in social practices and cultural traditions that persist across  
political changes, making them stable but potentially rigid factors in in-  
ternational economic relations.  
When religious backgrounds align between trading partners, facili-  
tative mechanisms emerge. Shared religious practices establish common  
products, production, and business conduct expectations, reducing the  
need for strict monitoring and verification procedures. Religious networ-  
ks provide information channels about market conditions and regulatory  
requirements that complement formal commercial information systems.  
Additionally, transnational religious communities maintain social capital  
that enables reputation-based contract enforcement, reducing dependen-  
ce on formal legal mechanisms for dispute resolution.  
The diaspora literature offers perspectives into these dynamics.  
Graham (2014) demonstrates how ethnic and religious networks reduce  
information asymmetries in international trade, while Cruz (2013) shows  
that diaspora connections help overcome formal trade barriers through  
relationship networks. This is because these communities sustain shared  
norms, repeated interactions, and reputational mechanisms that lower  
transaction costs and improve information flow. Religious communities  
function similarly, creating bridges between geographically separated  
markets through shared cultural understanding and trust.  
However, religious differences can generate exclusionary practices  
that function as non-tariff barriers. Religious dietary restrictions create  
market segmentation requiring specialized certification procedures, se-  
parate supply chains, and costly production adaptations. This segmen-  
tation can exclude countries lacking appropriate religious or conformity  
infrastructure while providing preferential access to those with establi-  
shed certification systems.  
The dual nature of religious influence reflects broader dynamics  
between cultural preservation and economic integration in the interna-  
tional political economy. States must balance domestic religious consti-  
tuencies’ demands for cultural authenticity with international market ac-  
cess requirements, creating policy choices that extend beyond traditional  
economic considerations.  
2.2 Transaction costs and institutional economics  
Classical international trade theories, which focus on productivity  
and factor endowment, did not initially highlight trade costs. However,  
Anderson and van Wincoop (2004) observe that, as trade expands, tran-  
saction costs may surpass transportation costs and tariffs. These transac-  
tion costs encompass all stages of international business, from negotia-  
tions to final delivery (Maragno; Kalatziz; Paulillo, 2006).  
Transaction Cost Theory (TCT) underscores key assumptions  
such as bounded rationality, which refers to limited decision-ma-  
king capacity; uncertainty, which addresses information asymmetry;  
opportunism, which involves exploiting these asymmetries; and asset  
13  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 9-33  
specificity, which concerns exclusive features in transactions (DallAzen;  
Weise, 2014). Economic agents, mindful of these costs, choose gover-  
nance structures that minimize them (Mendes; Figueiredo; Michels,  
2008). In this regard, institutions arise as governance solutions for pro-  
duction and trade (Dasilva-Glasgow, 2020; Cabarello; Soto-Oñate, 2016;  
Acemoglu; Antràs; Helpman, 2007), establishing norms and mechanis-  
ms that reduce risks and foster trust (DallAzen; Weise, 2014).  
North (1993) defines institutions as the “rules of the game” that  
direct economic behavior, whether formal (laws, regulations, con-  
tracts) or informal (traditions, customs, religion). When informal prac-  
tices become formalized, they promote predictable market behavior  
(DallAzen; Weise, 2014; Mendes; Figueiredo; Michels, 2008). Consistent  
with New Institutional Economics, these rules reduce uncertainty, tran-  
saction costs, and opportunities for fraud (Bueno, 2004). By implemen-  
ting regulations, institutions encourage trust and cooperation, limiting  
deceptive conduct and enhancing transparency (Mendes; Figueiredo;  
Michels, 2008). Religion, as an informal institution, shapes norms re-  
garding acceptable meat products, slaughter practices, and labeling,  
thus influencing supply and demand in the meat trade. Importers’ qua-  
lity requirements reinforce consumer confidence in suppliers (Thomé;  
Reis; Paiva, 2003).  
Yet, if producers fail to meet certain religious guidelines, they  
may face barriers in entering specific markets (DallAzen; Weise, 2014).  
Studies indicate that shared religious culture can strengthen bilateral  
trade by reducing transaction costs (Lewer; Van Den Berg, 2007; Bonne;  
Vermeir; Verbeke, 2008; Lee; Park, 2016; Irshad et al, 2018), fostering trust  
and minimizing the need for costly adaptations (Czelusniak; Ribeiro;  
Dergin, 2018).  
Conversely, divergent cultural norms can act like tariffs (Lee; Park,  
2016). Meeting religious requirements often entails additional invest-  
ments in specialized slaughter procedures, certifications, or training, all  
of which can limit access to specific markets (DallAzen; Weise, 2014).  
Similarly, cultural factors such as language, colonial heritage, labor re-  
lations, and religion tend to remain unchanged over time, reinforcing  
consumption patterns and challenging exporters’ efforts to reach certain  
markets (Lopez; Gama, 2010).  
As a result, the historical, religious, and institutional characteristics  
of each region influence trade patterns. When religions and cultural cus-  
toms differ, mistrust generally increases transaction costs and constrains  
bilateral trade. Therefore, the economic burden associated with reduced  
trade flows can become relevant for key markets.. In light of this, it is  
important to examine cultural aspects, particularly religion, as a possib-  
le determinant of export performance. This consideration is vital in the  
meat industry, which faces strict regulations and anticipates growth in  
both consumption and numbers of Jewish and Muslim consumers. The  
following section explains the methodology employed in this study.  
14  
Michelle Márcia Viana Martins Effects of religious heterogeneity on global beef trade  
3 METHODOLOGY  
3.1 Theoretical gravity model  
Tinbergen (1962) was the first to propose a gravity model to ex-  
plain international trade flows, suggesting that trade volume between  
countries is influenced by their economic size and the distance between  
them. His model laid the groundwork for quantifying deviations bet-  
ween observed and expected trade in the absence of barriers. However,  
despite its empirical success, the gravity model lacked a solid theoretical  
foundation for decades. This gap was addressed by Anderson and van  
Wincoop (2003), who developed a micro-founded version of the gravity  
model based on a constant elasticity of substitution (CES) utility function  
and market-clearing conditions. Their framework provided the necessary  
theoretical consistency, enabling more accurate estimations of bilateral  
trade flows, following the 1 equation:  
where the variable is the exports of product from country to im-  
porter in year; is the expenditures of country on products in year; and  
are, respectively, the quantity of produced in country and the aggregate  
international production of such products in the world, in; and are multi-  
lateral resistance terms of trade in; is the elasticity of substitution among  
products, represent the bilateral trade costs betweenand countries in year  
for product.  
The major contribution of Anderson and van Wincoop (2003) was  
the consolidation of the multilateral resistance terms. The variables and  
were formally defined to show that bilateral trade flows are influenced  
not only by the trade costs between two countries but also by costs in-  
curred with other trading partners. In other words, trade between coun-  
tries i and j is affected not only by their direct costs but also by the costs  
between country j and a third country. Mathematically, these indices are  
represented by the following equations:  
represents external multilateral resistance, indicating that exports  
from country i to country j depend on the trade costs between country j  
and all potential export markets. denotes internal multilateral resistance  
and reflects how country j imports depend on trade costs with all possible  
supplier countries for products k. The inclusion of these terms marked an  
advancement in the gravity model, allowing for more accurate estimates.  
According to Carneiro et al (2022), omitting these terms is a major econo-  
metric issue that leads to biased estimates due to omitted variable bias. A  
15  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 9-33  
common method to address this issue involves using fixed effects, which  
account for any variables representing potential trade frictions.  
is a function of all bilateral barriers that affect trade. Literature of-  
ten approximates this using a set of variables representing costs, which  
may be geographic or historical-institutional, such as distance, conti-  
guity, common language, cultural ties, or religious differences. Also, it  
can incorporate measures of trade policy, including tariffs and non-tariff  
barriers.  
Building on this theoretical development, the gravity model has  
become a widely used tool in empirical studies involving trade volumes.  
Given that trade flows are a key element in economic relations and the  
necessary data for estimating the model is easily accessible, many studies  
have adopted the gravity model, solidifying it as one of the most utilized  
methods in the field of international economics (Baldwin; Taglioni, 2006;  
Carneiro et al, 2022).  
The evolution of the model, as well as improvements in estimation  
techniques, as discussed by Yotov et al (2016), has enabled the use of gra-  
vity equations to contrast the influence of trade preferences against other  
determinants of trade, such as distance between countries, income levels,  
language, borders, trade agreements, religion, among others Anderson;  
Larch; Yotov (2020), Carneiro et al (2022) and Costa et al (2023) employed  
the gravity model approach to estimate trade determinants.  
3.2 Empirical model  
The analysis of the relationship between beef exports and bilate-  
2
ral religious disparity covered the years 2000 to 2021 . The trade flow  
occurred between 21 major beef exporters and 164 trading partners, re-  
presenting 95% of the global exports of the product during this period.  
The selection of exporters was based on countries responsible for 95% of  
global beef imports, similar to the methodology employed by Peci and  
Sanjuan (2020), who identified 40 importing countries that accounted for  
80% of global pork imports.  
The estimates utilized a panel data framework, analyzing infor-  
mation from individuals (countries) across several time points. This data  
structure improves estimator efficiency and parameter inference accu-  
racy, as panel data offers increased degrees of freedom (Hsiao, 2005).  
Various beef products were incorporated into the panel alongside the na-  
tion and year measurements. The products were categorized at the six-di-  
git level following the Harmonized Commodity Description and Coding  
3
System (HS).  
The model is estimated to be using the Poisson Pseudo-Maximum  
Likelihood (PPML) estimator, which is appropriate for analyzing trade  
flows as it addresses the issue of bilateral flows equal to zero in dependent  
2. The period from 2000 to 2021 was selected due to the availability of consistent and standardized data,  
enabling long-term analysis of cyclical and structural patterns in beef trade. More recent data remain under  
revision, making this time frame the most reliable for cross-country comparisons.  
3. HS020110, 020120, 020130, 020210, 020220, 020230, 020610, 020621, 020622, 020629, that means beef cuts  
(fresh/frozen) and edible offal (tongue, liver, etc.), encompassing whole carcasses or bone-in/boneless portions.  
16  
Michelle Márcia Viana Martins Effects of religious heterogeneity on global beef trade  
variable, indicating the absence of trade for certain country pairs, year  
and the product, or data missing. Around 94% of the sample contains  
zero or missing data. The PPML surpasses the Ordinary Least Squares  
(OLS) estimator, omitting observations with zero trade flows, resulting  
in selection bias and the loss of significant information from null flows.  
Besides addressing this issue, the PPML can estimate the model despite  
the heteroscedasticity (Santos Silva; Tenreyro, 2006). The functional spe-  
cification for the estimated equation is articulated as:  
4
Where represents beef imports from to importing countries of in  
year; is the constant;, are fixed effects of exporter-year-product and im-  
porter-year-product; is an index variable; is the bilateral distance between  
countries of origin and destination, a proxy for transportation costs; is a  
dummy that takes the value 1 if and countries share a common border  
and 0 otherwise; is a dummy that takes the value 1 if and countries have  
a trade agreement in year and 0 otherwise; is a dummy indicating colo-  
nial ties between countries, with value 1 if there are colonial ties and 0  
otherwise; is a dummy indicating whether the countries have the same  
official language, assuming value equal to 1 if so and 0 otherwise; is the  
error term.  
The Religious Distance variable ( refers to the religious proximity  
index (comrelig) developed by the Centre d’Études Prospectives et d’Infor-  
mations Internationales (CEPII). It is a bilateral similarity measure in built  
from country-level shares of three denominations, Catholic, Protestant,  
and Muslim, sourced from La Porta et al (1999, 2008). Formally, where  
is the share of denomination in country Values near 1 indicate highly  
similar compositions; values near 0 indicate little or no overlap. The va-  
riable is symmetric, time-invariant in CEPII’s Gravity dataset, and cap-  
tures a narrow but tractable dimension of cultural proximity that can  
affect trade by shaping information flows and trust. A limitation is that  
it aggregates only three traditions and omits others, so it should be read  
as a coarse proxy rather than an exhaustive religious landscape (Mayer;  
Zignago, 2011).  
To provide greater robustness to the model, some alternative es-  
timations were carried out to verify whether the effect of the religious  
variable remains. Firstly, the estimations were categorized by product  
5
type: chilled beef, frozen beef and offal . This distinction is interesting  
because the trade of offal may be influenced by cultural factors, such  
as the prohibition against consuming residues and blood in Jewish and  
4. Although the analysis is based on export data, import data is used for reliability. Customs authorities have  
greater control over import data because it is on this data that customs duties are levied.  
5. Chilled beef is fresh meat preserved at 0-4°C with limited shelf life, requiring fast transportation and  
serving premium markets. Frozen beef has extended shelf life enabling long-distance trade and representing  
53.5% of beef trade during the analyzed period. Offal includes organ meats and by-products that face distinct  
religious restrictions, as certain traditions prohibit consumption of blood-containing organs, making this  
category potentially more sensitive to religious differences between trading partners.  
17  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 9-33  
Muslim religions. Additionally, there is a distinction for chilled pro-  
ducts, as their trade is less frequent than that of frozen beef due to their  
perishability and the transportation costs associated with maintaining  
refrigeration. These categories may respond differently to religious dis-  
tance because frozen beef dominates trade volumes where cultural trust  
matters more, while religious similarity may actually reduce offal trade  
when shared dietary restrictions prohibit organ meat consumption.  
The second robustness strategy was to control the main exporters  
of Halal and Kosher-certified meat. To this, a dummy variable was im-  
6
plemented for the principal global exporters of these products in 2022 ()  
(Equation 5), and an interaction between this variable and religion was  
analyzed (Equation 6). Also, there was an interaction between this varia-  
ble and the religion variable to analyze (Equation 6). Religious slaughter  
involves costs associated with modifying manufacturing techniques. If  
these countries maintain access to consumer markets, it indicates that  
they have not only borne these costs but also remained competitive in  
international markets.  
Still to test the robustness of the estimates, the population of each  
exporter allocated across various religions was included in the model.  
The latest data for this information is from 2010 and was applied to all  
years of the panel as a proxy for religious representation. While the num-  
ber of devotees may fluctuate over time, no significant variation in the  
proportion of adherents to religions is expected. Consequently, utilizing  
lagged data is not anticipated to pose an issue.  
, refer to the number of individuals in the exporting country (i)  
who adhered to Christianity, Judaism and Islam (Muslims) in 2010, res-  
pectively. To estimate these variables, exporter-year-product fixed effects  
were removed because their inclusion would lead to the omission of tho-  
se variables due to multicollinearity. Importer-year-product fixed effects  
were maintained.  
Another strategy to test the robustness of the results is to insert the  
importer and exporter Gross Domestic Product [GDP] on the gravity mo-  
del, replacing the time-varying unilateral fixed effects, which are replaced  
by fixed effects of importer, exporter, year and product (Capoani; Barlese,  
2021; Nijkamp; Ratajczak, 2021; Ribeiro et al, 2019). The GDP variables  
are proxies for the importer’s demand capacity and the exporter’s supply  
capacity, respectively.  
6. This data is a proxy for the largest exporters between 2001 and 2021. No time series were found to indicate  
which countries held the largest market shares for these goods. However, the inclusion of this variable allows  
us to associate the largest suppliers of beef with a comparative advantage in exports of meat with religious  
certificates.  
18  
Michelle Márcia Viana Martins Effects of religious heterogeneity on global beef trade  
and represent the GDP of the exporter and the importer in year,  
respectively. Both variables were absorbed in equation (4) by the fixed  
effects importer-year-product and exporter-year-product.  
The religion variable did not change for the evaluated years, as it  
varies only between countries. For this reason, bilateral fixed effects to  
country pairs are not included, as their inclusion would omit the variable  
of interest due to multicollinearity issues. The use of time-varying uni-  
lateral fixed effects (importer-year, exporter-year) controls multilateral  
resistance terms in the theoretical model (Feenstra, 2015; Head; Mayer,  
2014). Fally (2015) notes that estimates containing these fixed effects cor-  
respond to the structural gravity terms, which differ from the traditional  
gravity model. In the structural model, the time-varying unilateral fi-  
xed effects determine the expenditures and output adjusted to the actual  
values of production and expenditures, represented as and in the theore-  
tical model.  
One particularly useful feature of the structural gravity model for  
empirical applications is its separability, allowing it to be applied to dif-  
ferent product categories. This enables the study of bilateral flows for a  
specific product independently. Consequently, the unilateral fixed effects  
become importer-time-product and exporter-time-product fixed effects  
(Carneiro et al., 2022). Secondly, from a practical perspective, adding fixed  
effects ensures a consistent consideration of bilateral trade costs, which  
can be achieved in three simple steps: (i) estimating the gravity equa-  
tion using PPML; (ii) constructing bilateral trade costs for each country  
pair, which this study did not address due to multicollinearity issues with  
the variable of interest; and (iii) aggregating bilateral trade costs at the  
desired level using the estimates of importer and exporter fixed effects  
(Yotov; Piemartini, 2016).  
To address step (ii), standard variables commonly used in gravity  
models were included. Anderson and van Wincoop (2003) highlight tra-  
ditional variables used as proxies for costs in gravity models, such as bi-  
lateral distance, shared borders, language, and colonial ties—factors that  
represent time-invariant bilateral costs. Additionally, Yotov et al (2016)  
recommend estimating the gravity model with spaced intervals, sugges-  
ting gaps of 3 to 5 years to capture adjustments in trade flows to trade  
policies. However, since this study does not aim to evaluate trade policies  
such as tariffs or non-tariff measures, the model was estimated without  
incorporating time gaps.  
19  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 9-33  
Table 1 provides a description of the variables used in econometric evaluation, inclu-  
ding their measurement units and sources.  
Table 1 – Description and data source of the variables of model.  
Variable  
Unit  
Source  
The United Nations Com-  
trade  
Bilateral imports of beef  
1.000 USD  
Religious similarity index. Ranges from 0 to  
1 and increases when the pair of countries  
share a common religion practiced by a large  
part of the population  
CEPII Research and Experti-  
se on the World Economy  
Index (0 to 1)  
World Bank  
Importer’s GDP  
Exporter’s GDP  
Current US$  
Current US$  
World Bank  
Presence of trade agreements between coun-  
tries involved in trade  
Mario Larch Database  
Dummy  
Kilometers  
Dummy  
Dummy  
Dummy  
Dummy  
Bilateral distance between the capitals of the  
countries  
CEPII Research and Experti-  
se on the World Economy  
Presence of borders between those involved  
in trade  
CEPII Research and Experti-  
se on the World Economy  
CEPII Research and Experti-  
se on the World Economy  
Common colonial ties between countries  
Common language between countries  
CEPII Research and Experti-  
se on the World Economy  
Largest exporters of Halal and Kosher certi-  
fied meat  
The Halal Times, (2022) e  
Grand View Research, (2022)  
Number of individuals allo-  
cated to each religion (2010  
data)  
Exporter population adherents to the Chris-  
tian, Jewish and Islamic (Muslim) religions  
World Religion Data  
Source: Author’s elaboration.  
4 RESULTS  
Before presenting the econometric results, Figure 1 presents infor-  
mation about the international beef market from 2000 to 2021, indicating  
the largest producers, importers, exporters, and consumers. The U.S. is  
the largest beef producer worldwide, with a cumulative production of  
275,052 thousand metric tons (MT), underscoring its pivotal position in  
the global supply chain. Brazil (207,593 thousand MT) and the European  
Union (EU) (176,897 thousand MT) are the next largest producers. Brazil,  
with its vast agricultural land and favorable conditions for livestock far-  
ming, stands out as the leading producer in Latin America, while China  
and India are the major producers in Asia, accounting for 140,121 thou-  
sand MT and 72,949 thousand MT, respectively. Despite being the largest  
producer, the U.S. is also the top importer of beef, with 30,966 thousand  
MT of imports over the period, highlighting strong domestic demand.  
China, driven by rapid economic growth and shifting consumption pat-  
terns, imported 16,183 thousand MT. Other key markets include Japan  
(17,385 thousand MT) and the European Union (10,463 thousand MT),  
reflecting the global appetite for beef in both developed and expanding  
20  
Michelle Márcia Viana Martins Effects of religious heterogeneity on global beef trade  
economies.  
Figure 1 – Main producers, importers, exporters and consumers of beef, 2000 to 2021  
(in %).  
Source: Author’s elaboration based on Foreign Agricultural Service, Official USDA  
Estimates7.  
On the export side, Brazil leads with 39,318 thousand MT of beef  
exported, consolidating its position as one of the world’s major suppliers.  
Australia (32,580 thousand MT), the U.S. (24,429 thousand MT), and  
India (24,844 thousand MT) also stand out as key suppliers to internatio-  
nal markets. Domestic consumption trends reflect production and im-  
port patterns. The U.S., with total consumption of 281,449 thousand MT,  
leads the world in beef consumption, highlighting the role of domestic  
demand in influencing the global market. Brazil, with 169,451 thousand  
MT, and China, with 155,285 thousand MT, respectively, also emerge as  
consumers.  
The data indicates that a few key players largely dominate the glo-  
bal beef trade. The U.S., Brazil, China, and the EU are major actors in  
both production and consumption, while Brazil, Australia, and India lead  
as top exporters. The growing demand in Asian markets, especially in  
China and Japan, suggests a shift in global consumption trends that were  
previously more concentrated in the U.S. and EU, with beef becoming a  
more important part of diets in these regions.  
7. Available at: https://apps.fas.usda.gov/psdonline/app/index.html#/app/advQuery. Accessed in February  
2025.  
21  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 9-33  
The territorial distribution of the Christian, Muslim, and Jewish  
religions is presented in Figure 2. Predominantly Christian countries are  
located in the Americas, Europe, southern Africa, and Oceania. Muslim  
populations are primarily concentrated in northern Africa, the Middle  
East, and parts of Asia. Israel is the country with the largest Jewish po-  
pulation, holding 75.6% of the world’s Jewish population (Pew Research  
Center, 2024). The primary exporters of beef are predominantly Christian  
countries.  
Figure 2 – Territorial distribution of the Christian, Islamic and Jewish religions in the  
world.  
Source: Author’s elaboration based in Pew Research Center8. Note: Data refer to  
2010, the most recent year with available data.  
Table 2 presents the descriptive analysis of the variables. The reli-  
gious index measures religious similarity between country pairs, whe-  
re values equal to or closer to 0 indicate lower religious similarity, and  
values closer to 1 represent greater similarity in the religions of the po-  
pulations of two countries. The mean value of 0.204103 suggests that, on  
average, religious similarity between country pairs is low, indicating dif-  
ferences in religious practices among most pairs. The standard deviation  
of 0.261002 reflects considerable variation in the data, indicating a wide  
variation in similarity among countries. The minimum value of 0 indica-  
tes that some country pairs have no religious similarity at all, while the  
maximum value of 0.960284 suggests that the most similar country pair  
shares 96% religious proximity.  
Table 2 – Descriptive analysis of variables.  
8. Available at: https://www.pewresearch.org/religion/2014/04/04/religious-diversity-index-scores-by-coun-  
try/. Accessed in February 2025.  
22  
Michelle Márcia Viana Martins Effects of religious heterogeneity on global beef trade  
Variable  
Observations  
757,680  
Mean  
531.6  
Standard deviation Minimum  
Maximum  
4,175,342.0  
15,565.9  
0.0  
757,680  
757,680  
757,680  
757,680  
7,967.7  
4671.9  
0.0  
0
19,629.5  
0.204103  
0.261002  
0.960284  
-
-
-
-
0
0
1
1
757,680  
750,330  
757,680  
757,680  
757,680  
757,680  
757,680  
-
-
0
1
3.83E+11  
1.78E+12  
-
1.54E+12  
3.39E+12  
-
7.60E+07  
7.20E+09  
0
2.30E+13  
2.30E+13  
1
373,098.7  
8,604,929  
4.36E+07  
1,252,069  
3.39E+07  
5.75E+07  
1,600  
1015  
5,942,248  
1.60E+08  
2.33E+08  
2,361,557  
Source: Author’s elaboration.  
Based on descriptive analyses and the observation that some of the  
main importers consider the religious aspect as a determinant of beef  
consumption, this study estimates the average effect of religious simi-  
larity on trade volume. The econometric results are presented in Table  
3, with each column representing the results of a different econometric  
equation.  
Table 3 – Econometric results of the gravity model with fixed effects.  
1
2
4
5
6
7
3
8
Equation Equation  
(4) (5)  
Equation Equation Equation Equation  
(7)  
Equation (6)  
Equation (6, 7 e 9)  
(9)  
(7 e 9)  
(5, 7 e 9)  
Insertion of  
Insertion the HalalKo- of the  
Insertion  
Insertion of Insertion of the  
GDP, reli- variables GDP,  
gious share religious share and  
Insertion  
of GDP  
and re-  
ligious  
share  
variables  
Only the of the  
sher dummy religious Insertion  
and the  
HalalKosher of the  
and religion  
interaction  
religion  
variable  
Halal-  
Kosher  
dummy  
portion  
of GDP  
variables  
and Ha-  
lalKosher  
dummy  
variables  
the HalalKosher  
dummy and the in-  
teraction HalalKo-  
sher and religion  
popula-  
tion  
1.256  
1.392*  
(0.815)  
1.586  
-0.693  
-0.007  
-0.151  
(0.743)  
-0.217  
-0.440  
(0.800)  
(1.008)  
(0.696)  
(0.646)  
(0.698)  
1.841***  
(0.322)  
(0.744)  
1.763***  
(0.424)  
0.486  
-0.505  
(0.445)  
-0.481  
(0.450)  
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-0.278  
-
-
-
-
-
(0.899)  
(1.087)  
-0.756***  
(0.225)  
0.210**  
(0.099)  
-0.337***  
(0.068)  
-0.110  
-0.438  
-0.756***  
(0.223)  
-
-
-
(0.180)  
0.363***  
(0.115)  
-0.109*  
(0.062)  
(0.315)  
0.316***  
(0.110)  
0.211**  
(0.098)  
-0.216**  
(0.096)  
-0.336***  
(0.067)  
23  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 9-33  
1
2
4
5
6
7
3
8
Equation Equation  
(4) (5)  
-0.718*** -0.570**  
Equation Equation Equation Equation  
(7)  
Equation (6)  
Equation (6, 7 e 9)  
(9)  
(7 e 9)  
(5, 7 e 9)  
-0.565**  
(0.229)  
0.968  
0.296  
0.547**  
(0.258)  
0.327  
-0.235  
-0.234  
(0.199)  
0.825  
(0.226)  
0.962  
(0.229)  
2.757***  
(1.013)  
0.981**  
(0.476)  
1.193***  
(0.369)  
0.850***  
(0.317)  
(0.215)  
3.203***  
(1.141)  
(0.163)  
1.999*  
(0.165)  
1.079  
(0.815)  
2.035*  
(0.800)  
0.642  
(0.811)  
0.758  
(0.811)  
0.78  
(1.089)  
0.731**  
(0.354)  
0.853**  
(0.350)  
0.605**  
(0.245)  
0.671***  
(0.192)  
1.363***  
(0.212)  
(1.116)  
1.518***  
(0.534)  
1.036**  
(0.466)  
1.092***  
(0.379)  
0.774***  
(0.279)  
0.475*  
0.727**  
(0.357)  
0.858**  
(0.352)  
0.606**  
(0.244)  
0.679***  
(0.201)  
1.365***  
(0.212)  
-32.078***  
(6.483)  
655190  
(0.470)  
0.776**  
(0.374)  
0.600**  
(0.254)  
(0.486)  
0.821**  
(0.381)  
0.683***  
(0.246)  
(0.506)  
0.804**  
(0.383)  
0.683***  
(0.247)  
1.384***  
(0.365)  
0.797***  
(0.276)  
0.301***  
(0.098)  
-
-
-
-
-
-
-
-
(0.252)  
1.377***  
(0.206)  
1.390***  
(0.208)  
16.795*** 15.659*** 15.602***  
5.848*  
(3.211)  
268940  
-43.791*** -39.419*** -31.870***  
(1.925)  
243516  
(2.094)  
243516  
(2.138)  
243516  
(6.817)  
655190  
(6.708)  
655190  
(6.459)  
655190  
N
R2  
EF  
Yes a  
Yes a  
Yes a  
Yes a  
Yes a  
Yes a  
Yes a  
Yes a  
Source: Author’s elaboration. Values in parentheses refer to robust standard errors  
clustered by country pair. * p<0.10.** p<0.05. *** p<0.01. a EF of importer-year-pro-  
duct, exporter-year-product; b EF of importer-year-product; c EF of importer, year and  
product. Missing values in the dependent variable were replaced by zero indicating  
the absence of bilateral trade for the country-sector-year pair combination.  
For total beef exports, the variable wasn’t statistically significant in  
trade across all regressions, except in 2 column. Various functional forms  
were employed to test the robustness of the effects of religious distance  
on trade flows, and in almost all estimations, beef trade wasn’t affected  
by religious heterogeneity between parties. This finding is consistent  
with Iannaccone (1998) and Audu; Okorie; Orekoya (2023), who suggest  
that there is no relationship between religion and economic activity.  
Furthermore, the sample includes all types of meat, and there may be  
hidden heterogeneity among the beef modality heterogeneity that affects  
the average results.  
Since the sample of countries considered in the study is quite he-  
terogeneous, it is important to highlight specific characteristics of the  
exporters. When the analysis incorporates the dummy (column 2), it con-  
trols for the main exporting countries of Islamic and Jewish products. In  
this case, religion has a positive and significant effect on trade flows, that  
is, the impact of religious symmetry on trade when the main exporters  
of Halal and Kosher certified meat are not considered. When isolating  
from estimates, countries with appropriate certifications to foster trust  
among Halal and Kosher meat consumers, the religious proximity posi-  
tively affects trade flows, suggesting that the greater the religious simi-  
larity, the higher the trade flows are likely to be. On the other hand, the  
interaction term (column 3) reinforces the previous finding that, for the  
24  
Michelle Márcia Viana Martins Effects of religious heterogeneity on global beef trade  
main exporters of meat subject to religious requirements, does not have  
significant trade effects.  
To understand the effect of religion on beef trade, columns 4, 6, 7,  
and 8 include the proportion of religious people from different religions  
in the exporter country population in the estimations. In all cases, con-  
sidering the religious population did not alter the non-significant effect  
of religious symmetry between country pairs on trade volume. To test  
the robustness of these estimates, the fixed effects for exporter-year-pro-  
duct were removed. Without any additional control variables, the results  
indicate that the number of Christians in the exporting country has no  
statistically significant relationship with trade. However, the larger the  
Jewish population in the exporting country, the stronger the positive re-  
lationship with beef exports, while the larger the Muslim population, the  
more negative the relationship with beef trade.  
The results are robust when controls for the economic size of the  
countries are added, which includes the importer and exporter GDP (co-  
lumn 6), the dummy variable (column 7), and the interaction term (co-  
lumn 8). In the inclusion of these last variables, the Christian population,  
represented by ln, showed a negative statistical relationship with trade  
flows, suggesting that the larger the Christian population in the expor-  
ting country, the lower trade. In 8 column, populations were re-estimated  
one by one. In this case, the relationship between the Christian popula-  
tion and trade remained non-significant, while the Jewish population (p  
< 0.01) and Muslim population (p < 0.001) maintained their significance  
and sign.  
The population size can have two distinct interpretations concer-  
ning trade in the context of religious differences. First, when most of a  
country’s population follows religions different from those in another  
country, this may lead to a reduction in trade transactions due to the  
religious requirements imposed by consumers in importing countries,  
which limits meat exports from countries with religiously distinct po-  
pulations. A second explanation concerns countries with predominantly  
religious populations that follow traditional practices. In such markets,  
much of the meat produced is likely for domestic consumption or trade  
with countries sharing similar religions. This argument is supported by  
Irshad et al (2018), who suggest that countries with similar religions tend  
to engage in more trade with one another.  
The positive coefficient for Jewish populations may reflect the con-  
centration of Jewish communities in developed countries with advanced  
meat processing capabilities and established export networks. Jewish  
dietary laws (Kosher) require extensive supervision and certification  
infrastructure, which may signal higher quality standards that benefit  
overall meat exports beyond religious markets. Conversely, the negative  
coefficient for Muslim populations may reflect supply-side constraints in  
countries with large Muslim populations. Many Muslim-majority coun-  
tries may prioritize domestic consumption or have production systems  
less oriented toward international export markets. Additionally, Halal  
certification requirements may involve different production adaptations  
that create trade-offs between serving domestic religious populations and  
25  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 9-33  
competing in broader international markets.  
The expectation that religion might matter in beef markets stems  
from the dominance of Christian-majority countries as major exporters,  
which creates an apparent puzzle. If comparative advantage based on  
land endowments and production costs primarily determines beef export  
patterns, religious factors should be irrelevant. However, the presence  
of religious minorities within exporting countries may create speciali-  
zed production capacities that serve global religious markets. Countries  
like Australia and Brazil, while predominantly Christian, have developed  
Halal and Kosher certification infrastructure that enables access to rapi-  
dly growing Muslim and Jewish consumer populations, suggesting that  
religious considerations operate alongside rather than against traditional  
comparative advantage factors.  
The analysis for disaggregated products (Table 4) shows that frozen  
meat trade (column 2) and offal (column 9) are significantly influenced by  
the variable in some particular cases. Religious proximity between coun-  
try pairs indicates a positive relationship with trade flows for frozen meat  
and a negative relationship for offal.  
Table 4 – Results of the gravity model with fixed effects, for different beef types.  
1
2
3
4
5
6
7
8
9
Equation Equation Equation Equation  
Equation  
(6 e 9)  
Equation  
(6 e 9)  
Equation  
(6, 7 e 9)  
Equation  
(6, 7 e 9)  
Equation  
(6, 7 e 9)  
(4)  
(4)  
(4)  
(6)  
Chilled  
beef, in-  
sertion of  
religious  
portion,  
Halal  
Kosher  
dummy,  
Halal  
Frozen  
beef, in-  
sertion of  
religious  
portion,  
Halal  
Kosher  
dummy,  
Halal  
Offal, in-  
sertion of  
religious  
share, Ha-  
lalKosher  
dummy,  
HalalKo-  
sher inte-  
raction,  
Chilled  
Frozen  
Offal,  
beef, in-  
sertion of  
the Ha-  
lalKosher  
dummy,  
HalalKo-  
sher inte-  
raction,  
religion  
and GDP  
beef, in-  
sertion of  
the Ha-  
lalKosher  
dummy,  
HalalKo-  
sher inte-  
raction,  
religion  
and GDP  
insertion  
of the Ha-  
lalKosher  
dummy,  
HalalKo-  
sher inte-  
raction,  
Chilled  
beef  
Frozen  
beef  
Offal  
Kosher in- Kosher in- religion  
religion  
and GDP  
teraction,  
religion  
teraction,  
religion  
and GDP  
and GDP  
and GDP  
1.717  
1.963*  
(1.093)  
-1.502  
-0.253  
(1.211)  
0.586  
0.262  
-0.563  
(1.190)  
1.236**  
(0.524)  
-0.100  
(1.534)  
0.517  
-0.116  
-1.722*  
(1.037)  
1.876***  
(0.447)  
0.034  
(1.140)  
(1.102)  
(0.944)  
0.891**  
(0.386)  
1.00  
(0.951)  
0.808  
(0.998)  
1.680***  
(0.408)  
0.801  
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
(0.642)  
0.983  
(0.779)  
1.764  
(1.878)  
(0.978)  
(2.123)  
-1.409***  
(0.443)  
0.624***  
(0.120)  
-0.636***  
(0.116)  
-0.488***  
(0.174)  
(0.974)  
-0.449**  
(0.215)  
-0.013  
(1.507)  
-1.173***  
(0.426)  
0.392**  
(0.171)  
-
-
-
-
-
-
-
-
-
(0.099)  
-0.237***  
(0.067)  
0.279  
-0.503***  
(0.127)  
-0.702*  
(0.367)  
-1.052*** -0.413  
(0.211) (0.264)  
-0.554  
(0.421)  
-0.189  
-0.721***  
(0.259)  
-0.047  
(0.245)  
(0.368)  
(0.270)  
26  
Michelle Márcia Viana Martins Effects of religious heterogeneity on global beef trade  
1
2
3
4
5
6
7
8
9
Equation Equation Equation Equation  
Equation  
(6 e 9)  
Equation  
(6 e 9)  
Equation  
(6, 7 e 9)  
Equation  
(6, 7 e 9)  
Equation  
(6, 7 e 9)  
(4)  
(4)  
(4)  
(6)  
2.147**  
(0.847)  
1.506*  
(0.808)  
0.571  
0.727  
-0.709  
(1.350)  
2.347***  
(0.822)  
-0.393  
(0.497)  
-0.245  
(0.457)  
-0.233  
(0.683)  
1.375***  
(0.529)  
0.988**  
(0.385)  
0.579*  
(0.318)  
1.167  
2.493**  
(1.072)  
2.274***  
(0.842)  
0.326  
5.030***  
(1.295)  
0.865*  
1.657  
0.692  
(0.804)  
-1.031  
(0.714)  
0.860**  
(0.437)  
0.776***  
(0.292)  
(0.879)  
-0.077  
(1.022)  
-0.435  
(1.631)  
1.161  
(0.655)  
1.468***  
(0.421)  
0.948***  
(0.275)  
0367  
(0.462)  
0.309  
(0.610)  
1.334***  
(0.406)  
0.772***  
(0.293)  
0.516***  
(0.191)  
(0.889)  
-0.223  
(0.560)  
-0.12  
(0.433)  
0.527**  
(0.260)  
(0.742)  
-0.339  
(0.391)  
0.519*  
(0.389)  
(0.273)  
1.248***  
(0.452)  
1.427***  
(0.288)  
-37.394***  
(11.113)  
191517  
(0.354)  
1.140***  
(0.303)  
0.560***  
(0.184)  
0.316***  
(0.121)  
0.372***  
(0.129)  
-
-
-
-
-
-
(0.083)  
1.630***  
(0.280)  
-44.461  
(8.708)  
192840  
1.477***  
(0.221)  
0.540***  
(0.192)  
1.617***  
(0.282)  
18.888*** 14.323*** 15.332*** -40.554***  
-17.484**  
(7.772)  
-42.704*** -11.342  
(2.200)  
70389  
(2.533)  
84085  
(3.940)  
89042  
(7.276)  
191517  
(9.172)  
(7.084)  
250400  
N
250400  
192840  
R2  
EF  
Yes a  
Yes a  
Yes a  
Yes a  
Yes a  
Yes a  
Yes a  
Yes a  
Yes a  
Source: Author’s elaboration. Values in parentheses refer to robust standard errors  
clustered by country pair. * p<0.10.** p<0.05. *** p<0.01. a EF of importer-year-pro-  
duct, exporter-year-product; b EF of importer-year-product; c EF of importer, year and  
product. Missing values in the dependent variable were replaced by zero indicating  
the absence of bilateral trade for the country-sector-year pair combination.  
In the frozen meat trade, the significant results occur only in the  
general model, the results are not consistent with the inclusion of the va-  
riable, the interaction term (column 5), and the proportion of adherents  
to religions variables (column 8). For offal beef, the results were only sig-  
nificant when the controls, the interaction term, and the religious sha-  
re were included. Sharing religious norms reduces compliance costs and  
increases competitiveness for exporters with similar traditions as their  
trading partners. Stronger cultural and social ties facilitate trade and the  
formation of partnerships. These ties establish a greater degree of trust  
and mutual compliance in meat production and trade practices, easing  
trade transactions between partners. The frozen beef trade was particu-  
larly affected because transactions in this type of meat are more frequent  
than in other categories. Of the beef trade during the investigated period,  
53.5% was frozen, 36.3% was chilled meat, and 10.2% was offal.  
Countries with similar traditions tend to have similar food prefe-  
rences. Some religions impose specific dietary restrictions that prohibit  
the consumption of certain foods, such as offal, which may be considered  
impure or associated with specific ritual practices. Therefore, countries  
with similar religious traditions are negatively correlated with the trade  
of this type of meat, as they avoid consuming offal to prevent impurity  
and demonstrate religious respect.  
The variable was positive and significant in regressions (8) and (9) for  
frozen meat and offal, respectively. This dummy variable represents the  
largest exporters of Halal and Kosher meat and reflects the characteristics  
27  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 9-33  
and competitive advantages of these countries, making them more likely  
to engage in large-scale trade transactions for meats that meet religious  
requirements.  
For the other variables, the trade elasticity of distance, represented  
by the estimated logarithmic variable, is negative and statistically signi-  
ficant, demonstrating its relevance as a trade resistance factor. More spe-  
cifically, distance serves as a proxy for transportation costs, which may  
involve the need for specialized transportation, such as refrigerated con-  
tainers, increasing logistical expenses over longer distances. This result  
aligns with Gani (2021), who argues that a 1% increase in the distance  
between a pair of countries causes a 0.71% decline in trade between them.  
The binary variable measuring the colonial relationship between  
countries is not significant. This finding is consistent with Bampi; Zago  
de Azevedo; dos Reis (2020), who argue that global integration and the  
evolution of trade have made colonial trade relations irrelevant. Similarly,  
the coefficient for contiguity is also not significant. Junior, Massuquetti;  
Azevedo (2017) suggest that the establishment of trade agreements can  
enhance logistical development through the incorporation of transport  
technology, and therefore, sharing a common border may indeed be in-  
significant in explaining trade.  
The language variable reveals statistical significance and a positive  
coefficient, indicating the advantage that a common language provides  
in increasing trade levels (Majeed et al, 2019). A common language fa-  
cilitates communication and negotiation, reducing the language barrier  
and associated costs of translating packaging and labels. Moreover, it can  
also serve as a cultural link between countries that speak the same native  
language.  
Membership in trade agreements, represented by the RTA variable,  
shows statistical significance with a positive effect on trade flows. Trade  
agreements facilitate trade between countries by establishing common  
terms and implementing less restrictive tariff policies. Majeed et al (2019),  
citing the case of Halal markets, discuss how commercial gains could be  
achieved if countries with similar cultural backgrounds developed a con-  
solidated beef market, including a common certification body for Halal  
products. Such preferential agreements could enhance trade between re-  
ligious countries while potentially limiting trade opportunities for non-  
-member markets.  
The GDP of importers and exporters countries also exhibited sig-  
nificance with positive parameters. The exporter’s GDP indicates produc-  
tion capacity, while the importer’s GDP reflects consumption capacity.  
In the context of trade influenced by religious considerations, exporting  
countries must adapt their production and marketing strategies to meet  
the cultural demands of the importing countries. These importers are  
expected to pay a premium for meat produced under religious certifica-  
tion. This aligns with the predictions of the gravity model, as noted by  
Gani (2021).  
28  
Michelle Márcia Viana Martins Effects of religious heterogeneity on global beef trade  
5 FINAL CONSIDERATIONS  
Although the global beef trade is concentrated among a few expor-  
ting countries, the question arose whether this trade could be influenced  
by religion as a cultural factor. Some studies have demonstrated that sha-  
red religious beliefs favor shipments from economies with similar reli-  
gious practices. To broaden the analysis, this study investigated whether  
this effect persisted across a larger sample that included all beef-impor-  
ting countries.  
The expansion of global supply chains and the increase in inter-  
national shipments require countries to adapt to the demands of foreign  
markets. In the beef sector, this involves navigating a complex industry  
where slaughtering and processing practices are often dictated by reli-  
gious specifications. Emphasizing the religious aspect underscores the  
need to examine the various barriers to exports, as trade with speciali-  
zed markets necessitates suppliers adapt their practices and obtain the  
appropriate certifications. This study explored beef exports through the  
lens of different religious beliefs, focusing on the stringent requirements  
imposed by Halal and Kosher consumer markets.  
The results show that bilateral beef trade is influenced by factors  
such as distance, importer and exporter income, common language, and  
trade agreements. However, no statistically significant relationships were  
found between religion and trade flows in the analysis that includes all  
types of beef, particularly without specific controls for major Halal and  
Kosher beef exporters. This result indicates that, for a broader group of  
countries, not just those with specific religious requirements, cultural va-  
riables were not a determinant of trade. This finding could be consistent  
with two key arguments: First, not all countries strictly enforce laws on  
beef slaughter based on religious beliefs like those of Islam and Judaism.  
While these religions profoundly influence the culture and lifestyles of  
their followers, affecting their dietary patterns. Second, the institutions  
in exporting countries may be sufficiently adapted to minimize transac-  
tion costs related to religious slaughter requirements.  
However, when controlling for the major exporters of Halal- and  
Kosher-certified beef, religion emerges as a factor in determining the beef  
trade. The statistical significance of religion variable indicates that reli-  
gious similarity between countries influences animal protein shipments.  
Nevertheless, countries that do not share similar religious practices with  
their trading partners can still establish successful international nego-  
tiations by understanding the institutions that shape market behavior,  
including cultural customs, laws, and religious considerations of the im-  
porting country.  
The results suggest that trade effects operate primarily through  
religious population composition in exporting countries rather than bila-  
teral religious distance per se. The significant coefficients for Jewish and  
Muslim population shares, combined with the generally non-significant  
religious distance variable, indicate that domestic religious demogra-  
phics matter more for export performance than cultural similarity with  
trading partners. This pattern suggests that religious minorities within  
29  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 9-33  
exporting countries may drive specialized production capabilities that  
serve global markets, rather than religious proximity facilitating trade  
through reduced transaction costs between similar countries.  
Religious culture can influence the international beef trade in se-  
veral ways, as it shapes dietary preferences and consumption practices  
regarding animal protein. Specifically, religion plays a relevant role in  
determining beef imports for predominantly Islamic or Jewish countries  
in their trade with the global market. The procedures required for Halal  
and Kosher certification exemplify the specific standards that beef must  
meet to enter these markets.  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 34-53  
New projectment economy and Chinese  
embedded globalization: insights from the  
Chinese football plan  
Nova economia do projetamento e globalização instituída  
pela China: perspectivas do plano do futebol chinês  
La nueva economia del proyectamiento e globalización  
instituida por China: perspectivas del plan de fútbol chino  
1
Emanuel Leite Junior  
DOI: 10.5752/P.2317-773X.2025v13.n2.p34  
Enviado em: 04 de abril de 2025  
Aceito em: 14 de outubro de 2025  
ABSTRACT  
After triumphing at the Olympic Games and fulfilling the objectives set out by  
the various sports policies to achieve Olympic glory, and now under the leader-  
ship of Xi Jinping, China has set itself the goal of deepening the strengthening  
of its sports industry with the aim of transforming this sector of the economy  
into an even more relevant source in the processes of capital accumulation and  
the advancement of its productive forces. Aiming for the sports industry to ac-  
count for around 5% of the country’s Gross Domestic Product (GDP) by 2035,  
several projects have been put forward since 2014. First, there was the “Opinions  
on Accelerating the Development of the Sports Industry and Promoting Sports  
Consumption” (  
respectively by the “The Overall Reform Plan to Boost the Development of Foo-  
tball in China” ( ) and the “China’s medium and long-term foo-  
tball development plan (2016-2050)”- ( 2016—2050 ). This paper  
), followed in 2015 and 2016  
aims to demonstrate how the “Chinese Football Dream” represents the Chinese  
Dream and, therefore, serves as an instrument for the realization of two funda-  
mental objectives for the Centenary of the People’s Republic of China, namely,  
Common Prosperity and the Community with a Shared Future for Mankind.  
To this end, this work proposes to interpret the Football Plan from a synthesis  
between Chinese political economy and geopolitics, bringing perspectives on  
two intersecting political processes: the New Projectment Economy and the  
embedded Chinese globalization.  
1. Emanuel Leite Junior é Pesquisador Associado da Faculdade Internacional de Futebol da Universidade  
Tongji, em Xangai (China). É doutor em Políticas Públicas pela Universidade de Aveiro (Portugal). Sua pesquisa  
concentra-se na economia política e nas implicações geopolíticas do futebol, com particular enfoque na China.  
Nos últimos anos, tem contribuído consistentemente para periódicos acadêmicos, incluindo Sport in Society;  
Sports, Business and Management; Movimento; Revista Brasileira de Ciências do Esporte; e Turismo & Desen-  
volvimento. É coautor do livro “China, Football and Development: Socialism and Soft Power” (Routledge, ISBN  
9781032511160). Também escreveu livros sobre a história do futebol na União Soviética e sobre os direitos de  
transmissão do futebol brasileiro. Orcid 0000-0002-1512-0019 emanuel.leite.junior@gmail.com  
34  
Emanuel Leite Junior  
New projectment economy and Chinese embedded globalization: insights from the Chinese football plan  
Keywords: China; Football; Chinese Dream; New Projectment Economy; Em-  
bedded Chinese Globalization  
RESUMO  
Depois de triunfar nos Jogos Olímpicos e cumprir os objetivos traçados pelas  
diversas políticas do esporte para atingir a glória Olímpica e já sob a liderança  
de Xi Jinping, a China estabeleceu como meta aprofundar o fortalecimento de  
sua indústria esportiva com o objetivo de transformar este setor da economia  
em uma fonte ainda mais relevante nos processos de acumulação de capital e o  
avanço de suas forças produtivas. Visando a que a indústria esportiva represente  
cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2035, alguns projetos  
foram apresentados desde 2014. Primeiro, foram as “Opiniões sobre a acele-  
ração do desenvolvimento da indústria desportiva e a promoção do consumo  
esportivo” (  
vamente, do “Plano Geral de Reforma para Impulsionar o Desenvolvimento do  
Futebol na China” ( ) e do “Plano de desenvolvimento do futebol  
de médio e longo prazo da China (2016-2050)”- ( 2016—2050  
), seguido, em 2015 e 2016 respecti-  
). Este artigo propõe demonstrar de que forma o “Sonho do Futebol chinês”  
representa o Sonho Chinês e, portanto, serve como um instrumento para a  
realização de dois objetivos fundamentais para o Centenário da República  
Popular da China, a saber, a Prosperidade Comum e a Comunidade com Futuro  
Compartilhado para a Humanidade. Para isso, este trabalho propõe interpre-  
tar o Plano do Futebol a partir de uma síntese entre a economia política e a  
geopolítica chinesa, trazendo perspectivas acerca de dois processos políticos que  
se entrecruzam: a Nova Economia do Projetamento e a globalização instituída  
pela China.  
Palavras-chave: China; Futebol; Sonho Chinês; Nova Economia do Projetamen-  
to; Globalização Instituída pela China  
RESUMEN  
Luego de triunfar en los Juegos Olímpicos y cumplir los objetivos marcados  
por las diversas políticas deportivas para alcanzar la gloria olímpica y ya bajo  
el liderazgo de Xi Jinping, China se propuso profundizar el fortalecimiento de  
su industria deportiva con el objetivo de transformar este sector de economía  
en una fuente aún más relevante en los procesos de acumulación de capital y  
el avance de sus fuerzas productivas. Con el objetivo de que la industria del  
deporte represente alrededor del 5% del Producto Interior Bruto (PIB) nacional  
en 2035, desde 2014 se han presentado algunos proyectos. En primer lugar, se  
trataba de las “Opiniones sobre la aceleración del desarrollo de la industria del  
deporte y la promoción del consumo deportivo”. (  
), seguido, en 2015 y 2016 respectivamente, por el “Plan general de reforma  
para impulsar el desarrollo del fútbol en China” (  
) y “El medio  
de China” y Plan de Desarrollo del Fútbol a Largo Plazo (2016-2050)”- (  
2016—2050 ). Este artículo se propone demostrar cómo el “Sueño del  
Fútbol Chino” representa el Sueño Chino y, por tanto, sirve como instrumento  
para el logro de dos objetivos fundamentales para el Centenario de la República  
Popular China, a saber, la Prosperidad Común y la Comunidad con un Pue-  
blo Compartido. Futuro para la Humanidad. Para ello, este trabajo propone  
interpretar el Plan de Fútbol a partir de una síntesis entre la economía política y  
la geopolítica china, aportando perspectivas sobre dos procesos políticos que se  
cruzan: la Nueva Economía del Diseño y la globalización instituida por China.  
Palabras clave: China; Fútbol; Sueño Chino; Nueva Economia del Proyecta-  
miento; Globalización Instituída por China  
35  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 34-53  
1 INTRODUCTION  
In 2016, Chinese clubs shook the world of football with their sig-  
nings, which reached 461.1 million euros, placing the Chinese Super  
League (CSL) at the top of the transfer list in the 2016 winter transfer  
window (January and February) and among the clubs that spent the most  
in both transfer windows that year. Obviously, this boom attracted the  
attention of not only the international press, but also academia. Several  
studies have sought to explain this phenomenon, in particular by analy-  
zing Chinese sports policies, especially three fundamental documents  
for strengthening football in the country: “Opinions on Accelerating the  
Development of the Sports Industry and Promoting Sports Consumption”  
(
), from 2014, followed in 2015 and 2016  
respectively by the “The Overall Reform Plan to Boost the Development  
of Football in China” ( ) and the “China’s medium and  
long-term football development plan (2016-2050)”- (  
2050 ), from now on the Chinese Football Plan.  
2016—  
Among the first to address the issues related to Chinese football  
are Tan et al., who sought to explain the Chinese football dream and  
trying to understand the power relations and interactions between sta-  
keholders in Chinese elite football (Tan et al., 2016). Yu et al. did some-  
thing similar, examining how the state positioned football and its deve-  
lopment as a significant cultural and historical event, but framing it in  
the context of what they called ‘post-Socialist China’ (Yu et al., 2017), a  
definition, as we will see later, with which we disagree. Peng et al. applied  
the Multiple Streams Framework (MSF) when reflecting on the reforms  
in Chinese football since 2015 and explaining the combination of factors  
that provided that window of opportunity (Peng et al., 2019). Leite Junior  
and Rodrigues were the first to address the issue of national identity and  
soft power (Leite Junior & Rodrigues, 2017), while Morales Ruvalcaba  
and Zhang, in a comparative analysis between China and Argentina, ar-  
gued how football can contribute to national power (Morales Ruvalcaba  
& Zhang, 2018). More recently, Gündo an presented his considerations  
from the perspective of ‘top-level design’ and under the theoretical fra-  
mework of ‘Political steering’ (Gündo an, 2024a, 2024b). Leite Junior and  
Rodrigues have extensive work on football in China, ranging from its  
innovative character and the role of the Chinese state in creative destruc-  
tion (Leite Junior & Rodrigues, 2019, 2024), to sports diplomacy, with a  
particular focus on China’s relations with Portuguese-speaking countries  
(Leite Junior & Rodrigues, 2021, 2024; Leite Junior et al., 2019), but also  
how football intertwines with the Belt and Road Initiative (Leite Junior  
& Rodrigues, 2020). However, no work has ever gone in-depth into the  
reflection of how the Chinese Football Plan, while helping us to unders-  
tand, is also a case study of how the New Projectment Economy (NPE)  
and Embedded Chinese Globalisation (ECG) manifest themselves in the  
real movement, as this paper aims to do.  
Football is way more than simply the “beautiful game”. Football is  
a cultural phenomenon, a business on a global scale with ramifications  
in various economic sectors and at the same time has political, political  
36  
Emanuel Leite Junior  
New projectment economy and Chinese embedded globalization: insights from the Chinese football plan  
economy and geopolitical dimensions. More than that, only a very limited  
number of sports attain the heights of genuine popular culture and reach  
well beyond the niche of their immediate producers and consumers, and  
in that sense football represent one of the very few languages that is un-  
derstood on a global scale (Markovits & Rensmann, 2010). In that sense,  
Giulianotti and Robertson state that “sport, in particular football, consti-  
tutes one of the most dynamic and sociologically enlightening domains  
of globalization” and that being “the global game”, football helps us to  
theoretically and empirically explore multidimensional and long-term  
processes of globalization (Giulianotti & Robertson, 2004). That is why  
we concur with Hargreaves, for whom power is diffused and circulates  
throughout the social body and sport, football in particular, constitutes a  
fundamental component of power networks (Hargreaves, 1987).  
Taking this into consideration, the theoretical framework and con-  
ceptual discussions of this paper reflect the methodological option for  
dialectical historical materialism, that is, Marxism as Science (Lukács,  
1972). According to Lukács, “the materialist dialectic can understand uni-  
versality in a continuous tension with singularity, in a continuous con-  
version to particularity and vice versa” (Lukács, 1978, p. 104). As Milton  
Santos taught us, ‘the whole can only be known through knowledge of  
the parts and the parts can only be known through knowledge of the  
whole’, however, as Santos stated, ‘these two truths are, however, partial’,  
because ‘to reach the total truth, it is necessary to recognize the joint  
movement of the whole and the parts, through the process of totaliza-  
tion’ (Santos, 2006, p. 77). In other words, we cannot look at the Chinese  
Football Plan individually, but rather as part of the universal, integrated  
into its totality, that is, into its social, political, economic and geopolitical  
context. In the Chinese Football Plan, we understand that it is an excel-  
lent analytical tool to understand, on the one hand, the economic and so-  
cial formation of China and, on the other, the disruptive dynamics caused  
by the Chinese rise in the scenario of global geopolitics.  
That is the reason why this paper proposes to demonstrate how  
the Chinese Football Dream is related to the Chinese Dream, that is, the  
realization of the development of football in China as an instrument for  
the concretization of Common Prosperity and Community with Shared  
Future for Mankind. Which consequently allows us to explore how  
the Football Plan helps us understand concepts such as the “Embedded  
Chinese Globalisation” – and how this practice effectively differs from  
that Western hegemon, representing an institutional and multidimen-  
sional historical construct, with not only different characteristics, but as  
an alternative to neoliberal globalization (Jabbour et al., 2021; Vadell et  
al., 2019) -, and also the emergence of a new economic-social formation  
in China, a higher stage of Chinese socialism, the “New Projectment  
Economy” (Gabriele & Jabbour, 2022; Jabbour & Dantas, 2021).  
It is precisely the analysis of the role of the Football Plan in rea-  
lizing the Chinese Dream and how the achievement of its objectives  
is directly related to Embedded Chinese Globalization (ECG) and the  
New Projectment Economy (NPE), which, in turn, intersect, that makes  
this work unique. Thus, this paper contributes, at the same time, to the  
37  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 34-53  
deepening of the reflection on football in China and to the theoretical  
discussion on ECG and NPE, taking Chinese football as a case study.  
2 EMBEDDED CHINESE GLOBALIZATION, AN ALTERNATIVE TO  
NEOLIBERAL CAPITALISM  
To understand what ECG means, particularly as an alternative do  
neoliberal capitalism, we first need to have in mind what we comprehend  
as (capitalist) globalization. Academic production on globalization is wide  
and heterogeneous. However, there is a general understanding that glo-  
balization presupposes the idea of interconnectivity and interdependen-  
ce. Giddens, for example, alludes to the concept of “living in one world”,  
highlighting the growing interdependence between individuals, groups  
and nations, which, therefore, makes globalization a result of processes  
of globalization and internationalization (Giddens, 2009, p. 126). It was  
from the 1990s onwards that the term globalization came into fashion,  
becoming widely used in many debates in the world of politics, business  
and media (Giddens, 2009).  
Also from the 1990s onwards, “globalization” came to be associa-  
ted with the “world expansion of capitalism”, representing a “new world  
order” (Chanda, 2007; Duffey, 2009). Castells understands that a new eco-  
nomy emerged on a global scale in the last quarter of the 20th century,  
looking at the transformations in the social organization of communi-  
cation and information to explain that globalization is a network of pro-  
duction, culture and power, which is constantly being altered by techno-  
logical advances, especially in information technologies (Castells, 2009).  
Harvey, on his turn, coined the term “time-space compression” to ex-  
plain how the flow of capital, which moves faster and faster, is driven by  
increasingly accelerated economic activities (production, circulation and  
exchange), mainly due to advances in technology. communication and  
transport, leads to the breaking of spatial barriers and distances (Harvey,  
1989, p. 199). Harvey also argues that the “deregulation of finance, which  
began in the late 1970s, accelerated after 1986, became unstoppable in the  
1990s” (Harvey, 2011).  
So, what became common sense as “globalization” basically is  
the globalization of neoliberal capitalism. With the neoliberalization of  
markets, finance became a relatively autonomous field of capitalist pro-  
fitmaking with its own rules and internal life, causing the financial profit  
to have a predatory aspect setting it apart from profit in the sphere of  
production and this predatory dimension of finance has placed its mark  
on financialization (Lapavitsas, 2013, p. 799). As Dunford and Liu (2018)  
pointed out, the consequences of greater neoliberal interdependence and  
interconnectedness were mixed, because, according to them, countries  
such as China that made non-neoliberal choices gained, while those that  
implemented World Bank and International Monetary Fund (IMF) struc-  
tural adjustment programs suffered: increasing class inequalities; increa-  
sed concentration of income forming an smaller, restricted and even more  
isolated global elite; loss of purchasing power for wage earners in deve-  
loped countries and, of course, impoverishment of the working classes  
38  
Emanuel Leite Junior  
New projectment economy and Chinese embedded globalization: insights from the Chinese football plan  
in less developed countries. Hence, there is scope to argue that neolibe-  
ral globalization is a manifestation of imperialism (Petras & Veltmeyer,  
2000) or, as Harvey said, “new imperialism” (Harvey, 2003). Even the IMF  
recognized that the globalization of neoliberal capitalism has failed. In  
the study entitled “Neoliberalism: Oversold?” the IMF admits that ins-  
tead of delivering growth, some neoliberal policies have increased ine-  
quality, in turn jeopardizing durable expansion (Ostry et al., 2016).  
ECG, on the other hand, emerges with the Chinese presenting a  
different modus operandi to the world. China proposes to the international  
community a different global development model, that is why ECG can  
also be read as globalization with Chinese characteristics – a more inclu-  
sive and open mode, based on cooperation, exchange, and mutual gain  
(Dunford & Liu, 2018; Liu & Dunford, 2016). China invites the world to  
a peaceful, multipolar relationship that seeks to respect the models and  
stages of development of each nation, without imposing social, economic  
and political models as a counterpart, as the Western hegemon do when  
impose their neoliberal globalization. In other words, ECG, as a manifes-  
tation of globalization with Chinese characteristics, represents an alter-  
native to the neoliberal globalization. So, we can argue that the Beijing  
Consensus poses as an alternative to the Washington Consensus (Mendes,  
2010; Wang and Lu, 2008). ECG, therefore, is intrinsically related to the  
construction of the “Community of Shared Future for Mankind.  
That leads us to the concept of “embeddedness”. Li Xing claims that  
the Chinese globalization is different from the one imposed by Western  
forces. Analyzing the transition from feudalism to capitalism, Li reflects  
on “the phenomenon of the disembedded transformation from a ‘society  
with market’ (pre-capitalist society) to a ‘market society’ (capitalist so-  
ciety)” (Li, 2016, p. 19), to introduce the notion of “embeddedness”, im-  
plying that individuals and institutions are engaged in ongoing social  
relations. These relations, accordingly, cannot be understood as being  
independent from one another (Li, 2016). Li looks at a free-market eco-  
nomy as “an economic system directed, controlled, and regulated by the  
market mechanism alone, in which all values are economically based,  
and nothing exists outside the free market framework. As such, a free  
market-driven society is characterized by the “disembeddness” of market  
forces from a wider context of social relations, norms, and institutions. In  
Li’s (2016, p. 20) line of though, the concept of “embeddedness” refers to  
“the extent to which economic rationality and practice is constrained by  
non-economic institutions”, demonstrating that “socio-cultural and so-  
cio-political factors play a vital role in influencing economic activities and  
shaping distinctive institutional forms. In the same vein, Amin states  
that “the law of value not only dictates economic life under capitalism  
but all aspects of social life (this is what is meant by market alienation)”  
(Amin, 1996, p. 219). As we are going to see in the following section of this  
paper, this is the opposite of what happens in China, with the emergence  
of the New Projectment Economy.  
At the foreign relations field, considering the need for its econo-  
mic and social development, China focuses its geopolitical vision on an  
expansion of its relations that results in the promotion of a globalization  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 34-53  
process different from that dominated by neoliberal capitalism. In this  
vision, there is no primacy of free markets and the financialization of  
the economic system to override national interests. What exists is the  
attempt to build up what Vadell et al. (2019, p. 49) call a “parallel institu-  
tional superstructure, mainly financial, through multilateral and pluri-  
lateral initiatives. Among these initiatives, the same authors highlight  
the Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB), the New Development  
Bank (NBD), the Contingency Reserve Arrangement (ARC) and the  
Silk Road Fund (FRS). That is why they coin the expression ‘embedded  
Chinese globalization’ (Vadell et al., 2019), similarly to what Liu and  
Dunford (2016) classify as ‘inclusive globalization’, one based on inter-  
connectivity, cooperation, exchange, win-win relationships, which have  
strong investments in infrastructures and a financial superstructure con-  
trolled by the States. The Belt and Road Initiative is probably the greatest  
example of the ECG and China’s contribution to building a “Community  
with a shared future for mankind.  
As we have already introduced, we consider that the ECG (Vadell  
et al., 2019) resonates the Chinese Dream, which, according to Xi Jinping  
himself, will only be fully achieved if “shared with the world” (Xi, 2014,  
p. 62). The Chinese leader developed Hu Jintao’s idea of common destiny  
(The State Council The People’s Republic Of China, 2011) and presented  
the idea of a ‘community with a shared future for mankind’ (Staiano, 2020;  
Vadell, 2021). Although mentioned in Xi’s public speeches since 2013 (Xi,  
2014), it gained international significance in 2015, when Xi, at the United  
Nations, first drawn the attention of the international community to the  
idea of building a community of shared future for mankind, arguing for  
the need to build up a new model of international relations with mutually  
beneficial cooperation (Xi, 2017). It is worth noticing that, in 2018, the  
idea was incorporated into the Constitutions of the People’s Republic of  
China (PRC) and the Communist Party of Chine (CPC), together with  
the conception of rejuvenation of the Chinese nation, both integrative  
parts of Xi’s thought on ‘socialism with Chinese characteristics for a new  
era’. This proposition can be related to ancient Chinese core philosophical  
values, which, per se, underpin a pivotal difference between the ECG and  
the neoliberal globalization. That is because the idea of a ‘Community of  
a shared future for mankind’ finds roots in Confucianism and its advoca-  
cy for a prosperous society and great harmony (Hu et al., 2014). Besides  
that, one can also find these ideas in Marxism tradition. Analyzing the  
division of labor and its implications on the contradiction between the  
individual interest or individual family interest and the communal inte-  
rest of all individuals, Marx and Engels refer to the socialization of labor:  
mutual relationship is more advantageous through socialization, in order  
to guarantee a common future (Marx & Engels, 1976).  
Therefore, we follow the understanding of Vadell and Jabbour,  
who state that the ECG emerges as a historical negation of neoliberal glo-  
balization, and is also an expression of a new economic-social formation  
that emerges in China, the NEP, which we will discuss below (Vadell &  
Jabbour, 2023).  
40  
Emanuel Leite Junior  
New projectment economy and Chinese embedded globalization: insights from the Chinese football plan  
3 NEW PROJECTMENT ECONOMY, A HIGHER STAGE OF SOCIALISM  
WITH CHINESE CHARACTERISTICS  
China’s economic, technological and social development stands as  
one of the most impressive transformations in modern history. At the  
same time the rise of China has caused a disruptive dynamic on the global  
geopolitical scene and has also shaken the Western hegemonic status quo.  
Many tried to label the Chinese socialist experience, with definitions ran-  
ging from ‘free market economy’ to a type of ‘state capitalism’, as Jabbour  
and Capovilla observe, something that encompasses schools of thought  
as distinct as neoclassical economists to Western Marxists (Jabbour &  
Capovilla, 2024), and there are others, as mentioned before, who refers  
to ‘post-socialism’ (Yu et al., 2017). We do not align with any of these in-  
terpretations. We follow Heilmann’s understanding that China’s develop-  
ment dynamics require the use of analytical perspectives that go beyond  
preconceived typologies (Heilmann, 2018). Gabriele and Schettino, when  
analyzing ‘market socialism’ in China, pointed out the need for a new  
typology, peculiar to the Chinese experience, since they identified the  
emergence of a Modern Mode of Production (Gabriele; Schettino, 2012).  
Jabbour went further and suggested that a new economic-social forma-  
tion is emerging (Jabbour, 2019, p. 113), an idea Gabriele adhere to when  
writing on this topic together with Jabbour (Gabriele & Jabbour, 2022, p.  
325).  
Therefore, we adopt the view that socialism with Chinese charac-  
teristics represents a multifaceted social formation (Jabbour et al., 2021).  
This framework restructured development planning in terms of content,  
processes, and methods, integrating market coordination while main-  
taining overarching state control (Heilmann, 2018, p. 132). The Chinese  
government continues to pursue long-term political agendas aimed at  
anticipating, harnessing, and shaping national and global market trends  
(Heilmann, 2018, p. 131). And as Huang notes, it is important to obser-  
ve how the term for ‘planning’ in Chinese has evolved in recent years.  
The original terms, jihua (  
) and zhilingxing jihua (  
) or ‘comman-  
dist planning, shifted to zhidaoxing jihua (  
), meaning ‘guidance  
planning. More recently, the term jihua was abandoned entirely in fa-  
vor of guihua (  
Commission (  
), as adopted by the National Development and Reform  
) (Huang, 2013, p. 576). Huang emphasizes the  
importance of this change when explaining that in Chinese the terms  
jihua and guihua have slightly different connotations: guihua gives the  
idea of something more comprehensive and longer term than jihua, thus  
highlighting that aspect of contemporary planning (Huang, 2013, p. 576).  
Thus, we understand that the Chinese catching-up process built its  
own economic-social formation, based on its concrete reality, through the  
dialectical process called market socialism, which allowed the country,  
by adopting elements of the market economy, to undertake its impressive  
process of development and capital accumulation. In this way, our point  
of view aligns with Jabbour et al., who classify the PRC as a society led by  
a political force determined to advance towards socialism (Jabbour et al.,  
2021). Here, planning is viewed as the deliberate human action for aiming  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 34-53  
to ensuring stability that makes sense in the form of an essential econo-  
mic logic of market socialism (Jabbour, 2019, p. 112). We are thus witnes-  
sing an advanced phase of socialism with Chinese characteristics, that is,  
we are facing the emergence of a new economic-social formation, which  
Jabbour conceptualized as the New Projectment Economy (Gabriele &  
Jabbour, 2022, p. 325; Jabbour & Dantas, 2021; Jabbour et al., 2021).  
In the intricate framework of the NPE, different modes of produc-  
tion coexist. This is a typical condition for a long process of transforma-  
tion of the dominant mode of production, as happened, for example, du-  
ring the transition from feudalism to capitalism, as we referred above.  
In fact, the coexistence of different modes of production in a transitional  
period is something found in Marxist literature. In instance, we first have  
in the Communist Manifesto, Marx and Engels establishing the basis for  
the conception of the transition from capitalism to communism. ‘The  
proletariat will use its political supremacy to gradually wrest all capital  
from the bourgeoisie, to centralize all instruments of production in the  
hands of the State, that is, of the proletariat organized as the ruling class;  
and to increase the total productive forces as rapidly as possible’ (Marx  
& Engels, 1976a). From this statement, three points stand out. Marx and  
Engels recognize that the transition will be ‘gradual’, but at the same  
time they emphasize the importance of the ‘commanding heights of the  
economy’, when they state that ‘the proletariat will use its political su-  
premacy to centralize all instruments of production in the hands of the  
State’. The third point has to do with the recognition of the coexistence  
of different modes of production in this period of transition. After all, in  
addition to being a change by degrees, they place the need to ‘increase  
the total number of productive forces as rapidly as possible’, which means  
that by then there will be at least more than one productive force.  
In 1875, writing The Critique of the Gotha Program (1875), Marx  
refers once again to the transition to communism, in which he describes  
that communist society will inevitably be marked with the birthmarks  
of the old society (Marx & Engels, 1976b). The critical factor, therefore, is  
identifying which mode of production is dominant and which class and/  
or political force(s) has control over objectively strategic factors (Jabbour  
et al., 2021).  
In China, as we know, the State holds the centrality of political and  
economic power, in a ‘political-social composition centered on forces that  
advocate the socialist direction – notably the historical bloc formed by  
the Communist Party of China (CPC)’ (Jabbour & Capovilla, 2024, p. 4).  
Jabbour and Capovilla also add that it is the constructive path of socia-  
lism that allows the emergence and development of concepts such as the  
New Projectment Economy, which creates the basis for transforming the  
fundamental development needs of society into technologies that con-  
ceive, design and implement strategic projects for the collective good,  
instead of serving capital or the market. In China, under the leadership of  
the Communist Party, addressing social demands consciously becomes a  
genuine tool for fostering social rationality (Jabbour & Capovilla, 2024).  
It is the centrality of power in the State and the use of rationality  
to produce common goods that differentiates socialism with Chinese  
42  
Emanuel Leite Junior  
New projectment economy and Chinese embedded globalization: insights from the Chinese football plan  
characteristics, which advances in the form of an emerging new econo-  
mic-social formation (New Projectment Economy), from a typically ca-  
pitalist experience and, therefore, cannot be confused with the adoption  
of the ‘unrestricted free market’, ‘state capitalism’ or ‘post-socialism’. In  
China, this is not the case, because the market does not control, direct,  
or regulate. The market, rather, is at the service of national development,  
under the political and economic power of the State. This is the reason  
why Li (2016) argues that China’s unique ‘embedded’ process is realized  
and maintained through a dynamic state-market-society relationship.  
The centrality of power in using social rationality in the service of the de-  
velopment of productive forces aiming at the transformation of concrete  
reality, through planning and projectment, is precisely what characteri-  
zes the New Projectment Economy (Jabbour & Capovilla, 2024, p. 5).  
4 THE CHINESE FOOTBALL PLAN  
As we have already argued above, sport is not dissociated with the  
politics and geopolitics of a country. On the contrary, sports can be extre-  
mely useful civil society tools for a nation to seek legitimacy and recogni-  
tion (Allison & Monnington, 2002), both internally and externally, as well  
as sports public policies can both promote social inclusion and the deve-  
lopment of the sports industry – at the national and international levels.  
Therefore, elite sport and the sports industry have their historical evolu-  
tion closely linked to globalization processes (Giulianotti & Robertson,  
2004, 2009; Markovits & Rensmann, 2010).  
Football, as has been already stated, helps us to perceive the univer-  
sal in particular, understanding that the universal is a fragment of an in-  
dividual, which, in turn, is, in one way or another, universal. An example  
of this dialectic is found precisely in how football helps us to understand  
globalization. According to Giulianotti and Robertson “football at the  
same time reflects and contributes to the advancement of globalization  
processes in various ways”. After all, “the genealogy of the game is clo-  
sely linked to globalization processes”, since the expansion of modern  
football, encoded in England, which is confused with the global influen-  
ce of English commerce and, more recently, the cultural interpenetra-  
tion by economic institutions and ideologies in football (Giulianotti &  
Robertson, 2009). This was how modern football entered China, through  
Hong Kong, which was colonized by the British Empire after the Opium  
War (1839-1842). So as happened in several parts of the world, British sol-  
diers, traders, and missionaries played football and the local population  
began to take an interest, starting to play with foreigners. From Hong  
Kong, football reached Shanghai (in 1879), Beijing (in the late 19th cen-  
tury) and other Chinese cities.  
However, football has always had great difficulty flourishing in  
China, for several reasons (Leite Junior & Rodrigues, 2024). In the 1990s,  
the 14th CPC Congress in October 1992 established the socialist mar-  
ket economy system officially and Deng Xiaoping Theory on socialism  
with Chinese characteristics became the guiding theory. In line with  
the economic reforms, and in order to modernize sports, the General  
43  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 34-53  
Administration of Sport (GAS) restructured the elite sport system, dri-  
ving the move towards the commercialization and professionalization of  
sport. Football has undergone a major transformation. Before 1992, there  
was no sports commercial activities in China, so Chinese sports industry  
really kicked off after the establishment of the socialist market economy  
(Zhan, 2016). Football was the pioneer of the reform in sport and Chinese  
Football Association (CFA) took the lead in the sports community ‘self-  
-managing’ its own affairs (Hong & Zhouxiang, 2013). Despite this, foo-  
tball continued to fail to prosper as imagined with the projects implemen-  
ted in the 1990s and early 2000s (Leite Junior & Rodrigues, 2024).  
So, in 2014, as mentioned in the introduction, the Chinese State  
Council issued a document to boost China’s sports industry: “Opinions  
on Accelerating the Development of Sports Industry and Promoting  
Sports Consumption” (  
). This strategy is  
commonly deemed as the milestone marking the take-off of the Chinese  
sports industry (Liu, 2017). To meet that challenge, the Chinese gover-  
nment sees the development of football as the driving force behind this  
growth process. For this reason, “The Overall Reform Plan to Boost the  
Development of Football in China” (  
) was issued in 2015,  
a kind of preamble to the main document, from April 2016: “China’s me-  
dium and long-term football development plan (2016-2050)”- (  
2016—2050 ).  
To talk about the Football Plan, we need to identify the public pro-  
blem or problems that led the Chinese authorities to formulate strategic  
planning – public policies – aimed at the development of football industry  
and practice in the country. For instance, the poor performance of the  
Chinese football team should be addressed by the government to solve  
it (thus, this is seen as a problem). Comparing the performance of the  
Chinese football team with those of Japan and South Korea, for example,  
constitutes a problem. People will see a problem quite differently if it is  
put into one category rather than another. For instance, the categoriza-  
tion of the need for football development in China as an economic issue  
(it could play a significant role in the development of the whole sports  
industry) may influence the level of political interest and attract policy  
resources.  
So, whatweretheproblemsthatcanbeidentifiedrelatingtoChinese  
football and the sports industry in China? The country aims to have one  
of the largest national sports economies in the world. The sports industry  
is expected to become one of the key industries in the national economy  
by 2035, representing a GDP share of 5%. In 2014, the year “Opinions on  
Accelerating the Development of Sports Industry and Promoting Sports  
Consumption” was published, it corresponded to 0.64% of GDP. Football,  
in addition to being identified alongside basketball and volleyball, as one  
of the three sports that should be developed as the starting point for the  
development of the sports industry, was placed as a priority, with the need  
to develop a medium-and long-term development plan due to lagging in  
development (State Council Of The People’s Republic Of China, 2014).  
To address these problems, in March 2015, the Chinese government  
initiated a programme for football reform, which was characterized by  
44  
Emanuel Leite Junior  
New projectment economy and Chinese embedded globalization: insights from the Chinese football plan  
a new public policy entitled “The Overall Plan for Chinese Football  
Reform and Development”. As the Government outlined in the 50-point  
document: “Since Comrade Xi Jinping has become General Secretary in  
the 18th Congress of the Chinese Communist Party, he has placed the  
development of football on the agenda in order to build China as a great  
sports nation” (State Council Of The People’s Republic Of China, 2015).  
With this report, China recognized another problem: the need to develop  
football at all levels, not only elite level but also youth participation in  
football as a mid-term goal. In the following year, the Government issued  
“China’s medium and long-term football development plan (2016-2050)”.  
This document turned the issue into an even more important problem by  
placing the development of football as part of China’s national strategy.  
The policy make it clear the role of football development to the sports  
industry in the country stating: “football has a leading role for China’s  
sports development and reform” (State Council Of The People’s Republic  
Of China, 2016). As Yu et al. put it, the new policy represents the update of  
substantial central planning and sizeable resources allocations (Yu et al.,  
2017, p. 3). The Football Plan also draws attention to the living standards  
of the people and to the crucial period of building comprehensively a  
society in which the material needs of most citizens are adequately met.  
While also connects the revitalization and development of football with  
the construction of a powerful sports nation, the promotion of social  
development and the realization of the Chinese Dream (State Council  
of the People’s Republic of China, 2016). Therefore, as we can see, the  
Football Plan serves as a tool for the fulfilment of one of the most impor-  
tant Chinese national strategies: the Chinese Dream.  
5 THE FOOTBALL PLAN AND THE NPE  
Chinese authorities want the country to consolidate itself as a po-  
werful sports nation. Considering the success of the country’s Olympic  
and Paralympic strategies, what is meant by “powerful sports nation” has  
two immediate meanings: success in sports of great international popu-  
larity, such as football, and the Chinese sports industry reaching the goal  
level of the largest market in the sector in the world. Without a doubt,  
these are audacious targets. Regarding sports industry indices, the objec-  
tive is to reach 5 trillion Yuan by 2025 (about US$ 712 billion) and that by  
2035 the sector will represent 5% of Chinese GDP. In 2022 it reached US$  
461.3 billion.  
The Football Plan is a public policy under the tutelage of the State  
Council’s Office of the Inter-Ministerial Joint Conference on Football  
Reform and Development, created solely for its execution. Which brings  
together, among others, 11 ministries, State Council commissions, local  
and regional government bodies and the Publicity Department of the  
Central Committee of the Communist Party of China. The various au-  
thorities specifically referenced in the Football Plan are:  
45  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 34-53  
Table 1. Chinese Authorities with responsibilities according to the Football  
Chinese state institution  
Organizational level  
Inter-Ministerial Joint Conference on Football Reform & Development (  
)
State Council Office  
China Insurance Regulatory Commission (  
China Securities Regulation Commission (  
)
State Council Commission  
State Council Commission  
State Council Commission  
)
National Health and Family Planning Commission  
(
)
National Development and Reform Commission  
State Council Commission  
(
)
Ministry of Civil Affairs (  
Ministry of Commerce (  
)
Ministry  
Ministry  
Ministry  
Ministry  
Ministry  
Ministry  
Ministry  
)
Ministry of Culture and Tourism (  
)
Ministry of Education (  
Ministry of Finance (  
)
)
Ministry of Foreign Affairs (  
)
Ministry of Housing and Urban–Rural Development  
(
)
Ministry of Human Resources and Social Security  
Ministry  
Ministry  
(
)
Ministry of Industry and Information Technology  
(
)
Ministry of Natural Resources (  
Ministry of Public Security (  
)
Ministry  
)
Ministry  
State Administration for Industry and Commerce  
Government Agency  
(
)
National Radio and Television Administration (  
State Taxation Administration (  
State General Administration of Sport (  
People’s Bank of China (  
)
Government Agency  
Government Agency  
Government Agency  
Central Bank  
)
)
)
Local and Provincial Government (  
CPC Propaganda Department (  
)
Provincial/Municipal Government  
Communist Party  
Judiciary  
)
Supreme People’s Court (  
)
Supreme People’s Procuratorate (  
)
Judiciary  
Source: Leite Junior & Rodrigues, 2024.  
Accordingly, to transform China into a future global football po-  
wer, the original plan proposed three development stages, each one es-  
tablishing goals to be fulfilled in 2020, 2030 and 2050, respectively: (1) By  
2020: 20,000 specialized football schools, 70,000 football fields, 30 to 50  
million primary and secondary school students practicing football. (2) By  
2030: 50,000 specialized football schools, the Chinese Men team being  
one of the best in Asia, and the Women team established as “world-class”.  
(3) Until 2050: the Men team in the top 20 of the FIFA ranking, established  
as a global football power.  
As noted, the formulation involved a complex process, with seve-  
ral stages and the participation of several sectors, not restricted to the  
Government, including the participation of civil society (e.g. scholars).  
However, it is the Football Plan’s implementation that demonstrates to  
46  
Emanuel Leite Junior  
New projectment economy and Chinese embedded globalization: insights from the Chinese football plan  
us how China’s NPE, a complex political and economic system, operates:  
from Central Government to Provincial and Municipal Governments, as  
well as the interaction between State and Market. As the Football Plan  
states, the Chinese central government leads the “reform and innovative  
development” and is responsible for fully displaying that “football has a  
leading role for China’s sports development and reform”. However, the  
policy also highlights the role of provincial and municipal governments  
and the non-governmental partners. In other words, from the central  
leadership, which sets out the grand vision and establishes the targets,  
there is a necessary decentralization of competences, with the delegation  
of responsibilities, so that the policy is operationalized and implemented.  
This also allows the constant adaptation to change that may occur in the  
surrounding environment, justifying the continual adjustments during  
implementation (Heilmann, 2018, p. 4). This also highlights the observa-  
tion we have already brought from Huang about the change of the term  
“planning” in Chinese, from zhilingxing jihua (  
) or “commandist  
planning” to zhidaoxing jihua ( ) or “guidance planning” (Huang,  
2013, p. 576). This is because the centralization of decision-making is still  
in the hands of Central Government, but planning serves as a guide for  
other actors to implement it. In relation to the sphere of government  
power at the provincial or municipal level, we can find various football  
plans at the local and provincial levels. Provinces generally issue a me-  
dium-to long-term football development plan (  
), while cities  
at the municipal, sub-provincial (prefecture), and county (sub-prefecture)  
levels issue a document called the Overall Program of Football Reform  
and Development (  
). An example of responsibility at the lo-  
cal level are the specialized football schools, which are closely linked to  
training academies that are typically attached to public primary and mi-  
ddle schools.  
However, one of the most interesting aspects to observe in the  
implementation of the Football Plan is the active participation of State-  
Owned Enterprises (SOE), and private businesses. That is, how this pro-  
ject operates in market relations. If we look at the three main policies  
issued to develop the sports industry since the “Opinions on Accelerating  
the Development of Sports Industry and Promoting Sports Consumption”  
(2014), we will notice that all of them foresee an active participation  
of the private sector. In fact, both the policy from 2014 and the “The  
Overall Reform Plan to Boost the Development of Football in China”  
(2015) in their Guiding Ideology section state the influence and guidance  
of Deng Xiaoping Theory, while the Football Plan mentions the “Four  
2
Comprehensives” and the necessary use of the reform and innovation  
as a driving force. We can also find the guidelines of market socialism in  
the basic/fundamental/development principles of the three policies un-  
der analysis. The “Opinions on Accelerating” and “The Overall Reform  
2. The Four Comprehensives or the Four-pronged Comprehensive Strategy is a list of political goals for China,  
put forward by Xi Jinping. Xi spoke of them for the first time in December 2014. The Four Comprehensives are:  
complete a moderately prosperous society; further reform; to advance the rule of law; strengthen the Party  
discipline (Xi, 2017, p. 22).  
47  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 34-53  
Plan” address more the issue. Both bring as guiding fundamentals “reform  
and innovation”, “further simplify administration and decentralization”,  
“strengthen market supervision”, and “create a market environment with  
competitive and equal participation”. At the market role, both consider  
the importance of improving “the market mechanism, actively cultivate  
multi-market entities, attract social capital participation”. Furthermore,  
both reinforce the role of the State “on overall coordination, giving full  
play to the positive interaction between the sports industry and the in-  
dustry, promoting the integration of the sports industry and other indus-  
tries, and achieving the coordinated development of the sports industry  
and the economy and society”. While in the Football Plan, we find the  
prerogatives of creating a development environment of equal participa-  
tion and fair competition, in addition to the development of opening-up,  
increasing the level of domestic and foreign opening up.  
The implementation of the Football Plan is a good example for us  
to observe how the NPE operates in a specific case. On the one hand, be-  
cause it has been in part driven by private initiative. That is because many  
of the Chinese investments that have been made both in the national and  
international football markets have been through private companies. On  
the other hand, since 2017 we have seen the government supervising and  
the Chinese Football Association (CFA) intervening to ensure that the  
development of football and the football market in China takes place in  
a financially sustainable manner. In June 2017, for example, a fee of 100%  
on the value of international transfers above €5.9 million was implemen-  
ted (rate reverted to finance training centers). This had a huge impact. In  
2016, Chinese clubs broke the transfer record in Asian football history by  
spending €461.1 million. In 2017, the amount spent dropped to €239 mil-  
lion and in 2018 it went down to €175 million. In December 2020, the CFA  
tightened the belts on football clubs again. The regulation of wages and  
payrolls became stricter. A foreign player can only earn up to €3 million  
annually and a Chinese player up to €628 thousand. Club sheets cannot  
exceed €75 million, with only €10 million for foreigners. All these mea-  
sures are unimaginable in the increasingly unequal European football,  
marked by the hyper-concentration of capital in the hands of a few clubs,  
from a few countries.  
6 THE FOOTBALL PLAN AND THE ECG  
Throughout the text, references were made to Chinese Dream,  
Shared Future and Common Prosperity. It was also mentioned that  
the development project for the Chinese sports industry, which has the  
Football Plan as its main implementation tool, is directly related to these  
concepts and the objectives of Chinese Government. The realization of  
the Chinese Dream ideal involves the realization of the advancement of  
Chinese society, which means achieving a Common Prosperity, which is,  
at the domestic level, full prosperity with a less unequal society, based on  
the redistribution of wealth. But externally, it is necessary to understand  
that China, from its dialectical formulation in which Confucianism and  
Marxism guide its actions, has as its goal a world in which prosperity is  
48  
Emanuel Leite Junior  
New projectment economy and Chinese embedded globalization: insights from the Chinese football plan  
common to all, that is, in which there is a ‘Community of a shared future  
for mankind. The Football Plan also connects the revitalization and de-  
velopment of football with the construction of a powerful sports nation,  
the promotion of social development and the realization of the Chinese  
Dream, as in its “Guiding Ideology” section football is identified as “an  
emerging and green industry” and that its development represents a new  
sector of economic growth, in addition to representing the Chinese Core  
Socialist Values. The Football Plan can contribute to achieving these tar-  
gets, both in terms of the development of the national economy – genera-  
ting wealth to be redistributed – and in the aspect of promoting external  
relations based on friendship, harmony, and the exchange of knowledge.  
As an instrument for promoting cultural and diplomatic exchan-  
ges with other nations, the Football Plan explicitly demonstrates the  
Chinese authorities’ perception of the importance of football as a tool to  
exert influence and attraction. For example, the Plan discusses the need  
to intensify international exchange, stating that football activities are “a  
fundamental part of sport diplomacy. It also draws attention to the need  
to strengthen “international cooperation and exchanges of talent in the  
football industry”, adding that international football exchange channels  
should be expanded, encouraging all bodies to promote various forms  
of international activities and football specialists abroad for studies and  
training, in addition to encouraging the participation of representatives  
in international organizations. The Plan also refers to the importance of  
increasing openness (‘opening up’) and advantage (‘win-win’) in coopera-  
tion. Looking at the Football Plan, we realize how “exchange” and “coo-  
peration” are paramount to the development of football and the Chinese  
sports industry. Both are keywords in the political discourses of the Belt  
and Road Initiative. After all, as have already been said, the BRI is one of  
the most ambitious geopolitical and economic projects in the world, a glo-  
bal integration plan, with China as the link of union and interconnectivity.  
In recent years, we have seen Chinese diplomacy documents men-  
tion cooperation in the field of sport as an important part of exchanges and  
cooperation, particularly in Joint Statements between the PRC and other  
nations, like Joint Statements between the PRC and Brazil, Argentina,  
Spain, Portugal, and Italy, for example. There are other examples of the  
geopolitical dimension of football and its correlation with the Belt and  
Road Initiative and the ECG. Such as the case of China Media Capital’s  
investments in City Football Group, owned by Abu Dhabi United Group,  
an investment group that belongs to Sheikh Mansour bin Zayed bin  
Sultan bin Zayed bin Khalifa Al Nahyan (Sheik Mansour), a member  
of the Abu Dhabi royal family (CFG, which owns Manchester City and  
in 2019 bought Sichuan Jiuniu FC, then in the Chinese third tier and in  
2023 gained access to the CSL and changed its city and name, leaving  
Chengdu for Shenzhen, becoming Shenzhen Peng City FC to play the  
CSL 2024). There is also the case of stadium diplomacy and the construc-  
tion of two stadiums in Pakistan, in strategic cities for both the China-  
Pakistan Economic Corridor (CPEC) and the BRI maritime route, Quetta  
and Gwadar. In addition to several football exhibitions and tournaments  
promoted under the motto of the BRI (Leite Junior & Rodrigues, 2020).  
49  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 34-53  
7 CONCLUSION  
This paper sought to bring a new analytical perspective to frame  
the fundamental role played by the Chinese State in the development of  
its football industry. Although the topic addressed is not new, the origi-  
nality of this work lies in its theoretical framework, which reflects on the  
relationship between the Chinese Football Plan, the NPE and ECG.  
As seen in this work, in relation to the ECG, football has demons-  
trated its effectiveness by becoming an instrument of sports diplomacy,  
building bridges and enabling the deepening of China’s relations with  
several countries in the world: stadium diplomacy with Pakistan, tour-  
naments under the BRI motto, in addition to cooperation and exchange  
with more developed countries in football – here somewhat similar to the  
Strategy for Olympic Glory. On the one hand, it is clear how the Football  
Plan is a case study for understanding NPE, such as, for example, centrali-  
zed decentralization, in which much of the implementation is the respon-  
sibility of the private sector and provincial and municipal governments,  
but always under the centrality of State power (such as the examples of  
CFA interventions that aimed at greater financial control after criticism  
from government members).  
There is also the role of the State as an inducer of creative des-  
truction, the disruptive link capable of starting the process of creating  
a new cultural and consumer habit – the mass practice of football and  
the expansion and loyalty of a consumer market for this sport. And this  
is a huge challenge, since a tradition is not invented overnight and it is  
also necessary to consider that two or three generations of young people  
trained in football academies are needed for a reasonable number of high-  
-level players to emerge, capable of raising the competitive level of the  
Chinese men’s team. On the other hand, however, unlike what happened  
in the case of Olympic sports, where the Chinese project proved to be  
extremely successful, making China an Olympic superpower in less than  
40 years, the development of football in the country still faces several  
obstacles. Cases of corruption and the bankruptcy of companies that own  
some clubs make even more complicated something that would already  
be difficult if all factors collaborated for less turbulent development. The  
government’s fight against corruption in football, however, is exemplary.  
We must wait and see what effects will be like soon.  
In conclusion, we believe that this work contributes both to the  
discussion on public policies for Chinese football and to the debate on  
socialism with Chinese characteristics, based on the analysis of two in-  
tertwined concepts, the New Projection Economy and the Embedded  
Chinese Globalization. Thus, this paper innovates not only by analyzing  
the Chinese Football Plan under innovative conceptual aspects, but also  
by adopting these concepts to football, in particular Chinese football, its  
challenges, its ambitions and its mission to realize the Football Dream as  
part of the realization of the Chinese Dream.  
50  
Emanuel Leite Junior  
New projectment economy and Chinese embedded globalization: insights from the Chinese football plan  
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53  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 54-76  
Poder blando y megaeventos deportivos:  
hacia una propuesta de precisión  
conceptual y analítica  
Poder brando e megaeventos esportivos: uma proposta de  
refinamento conceitual e analítico  
Soft power and sports mega-events: towards a Proposal  
for Conceptual and Analytical Clarity  
1
Bruno Rivas Frías  
2
Ignacio Javier Cardone  
DOI: 10.5752/P.2317-773X.2025v13.n2.p54  
Enviado em: 19 de outubro de 2024  
Aceito em: 17 de outubro de 2025  
RESUMEN  
El presente artículo aborda la conceptualización del poder blando en el ámbito  
de los megaeventos deportivos. Frente a la falta de claridad conceptual observada  
en la literatura sobre poder blando y deporte, se propone una definición más pre-  
cisa que permitan su estudio de modo más adecuado. El análisis se basa en una  
revisión crítica de las contribuciones de Joseph Nye y otros autores, identificando  
tres componentes esenciales del poder blando: estatus, influencia y estrategia.  
Estos componentes se aplican a la organización de megaeventos deportivos, reve-  
lando que la ausencia del componente estratégico en muchos estudios previos ha  
llevado a confusiones con otras formas de acciones simbólicas, como la promo-  
ción turística o la construcción de marca-país. El artículo concluye destacando la  
necesidad de incluir el componente estratégico para diferenciar adecuadamente  
el poder blando de otras acciones no coercitivas en el contexto de los megaeven-  
tos deportivos. A través de este refinamiento conceptual, se busca proporcionar  
una base más sólida para futuras investigaciones sobre el uso político de los me-  
gaeventos deportivos y desarrollar una agenda de investigación más exhaustiva,  
que permita una comprensión más matizada de las dinámicas involucradas en su  
proyección y en la construcción de poder en el ámbito internacional.  
Palabras clave: Poder blando, megaeventos deportivos, teoría liberal, estrategia  
política, estatus internacional, influencia.  
1. Magíster en Estudios Culturales por la Pontificia Universidad Católica del Perú (PUCP) y Máster en Escritura  
Creativa por la Universidad de Salamanca. Docente Ordinario Auxiliar del Departamento de Comunicaciones de la  
PUCP, bruno.rivas@pucp.edu.pe. https://orcid.org/0000-0003-4629-852X. Este artículo se deriva de la investigaci-  
ón doctoral realizada en el Programa de Posgrado en Ciencia Política y Relaciones Internacionales de la PUCP.  
2. Doctor en Relaciones Internacionales por la Universidad de San Pablo y el King’s College London. Profesor  
Tiempo Completo del Departamento de Ciencias Sociales de la Pontificia Universidad Católica del Perú (PUCP),  
ignaciocardone@gmail.com / icardone@pucp.edu.pe. https://orcid.org/0000-0001-5743-9469  
54  
Bruno Rivas Frías, Ignacio Javier Cardone Poder blando y megaeventos deportivos: hacia una propuesta de precisión conceptual y analítica  
RESUMO  
O presente artigo analisa a conceptualização do poder brando no contexto dos  
megaeventos esportivos. Diante da ambiguidade conceitual encontrada na lite-  
ratura sobre poder brando e esporte, o artigo propõe uma definição mais clara  
que facilite um estudo mais eficaz. A análise se baseia em uma revisão crítica das  
contribuições de Joseph Nye e de outros estudiosos, identificando três compo-  
nentes-chave do poder brando: status, influência e estratégia. Esses componen-  
tes são aplicados à organização de megaeventos esportivos, ressaltando como  
a ausência do componente estratégico em muitos estudos anteriores pode ter  
levado a confusões com outras ações simbólicas, como a promoção turística e a  
construção de marca-país. O artigo conclui enfatizando a importância de incluir  
o componente estratégico para distinguir adequadamente o poder brando de  
outras ações não coercitivas no âmbito dos megaeventos esportivos. Através  
desse refinamento conceitual, busca-se estabelecer uma base mais sólida para  
pesquisas futuras sobre o uso político dos megaeventos esportivos e desenvol-  
ver uma agenda de pesquisa mais abrangente, que permita uma compreensão  
mais aprofundada das dinâmicas envolvidas em sua projeção e na construção de  
poder no cenário internacional.  
Palavras-chave: poder brando, megaeventos esportivos, estratégia política,  
status internacional, influência  
ABSTRACT  
This article explores the conceptualization of soft power within the context of  
sport mega-events. Given the conceptual ambiguity found in the literature sur-  
rounding soft power and sports, the article proposes a clearer definition that fa-  
cilitates a more effective study of soft power and sport mega-events. The analy-  
sis draws on a critical review of the contributions from Joseph Nye and other  
scholars, identifying three key components of soft power: status, influence, and  
strategy. These components are applied to the organization of mega-events, hi-  
ghlighting how the absence of a strategic component in many previous studies  
has led to confusion with other symbolic actions, such as tourism promotion  
and nation branding. The article concludes by emphasizing the importance of  
incorporating the strategic component to effectively distinguish soft power from  
other non-coercive actions in the realm of mega-events. Through this concep-  
tual refinement, we aim to establish a solid foundation for future research on  
the political implications of mega-events and to develop a more comprehensive  
research agenda that enables a deeper understanding of the dynamics involved  
in their projection and the shaping of international power.  
Keywords: soft power, sports mega-events, political strategy, international  
status, influence  
1 INTRODUCCIÓN  
A pesar de que, en el sentido común, no se suela vincular al de-  
porte con la política, las conexiones entre estos dos ámbitos, en especial  
desde la masificación del deporte, son bien conocidas (Caspistegui, 2012;  
Dunning, 1992). El aspecto político del deporte ha sido analizado tanto en  
referencia a la promoción del nacionalismo y la cohesión interna, como  
en su dimensión de expresión externa, sea en términos del imperialismo,  
3
la globalización o, más comúnmente, la política exterior . Al respecto de  
3. En la literatura, se relaciona al deporte con aspectos como la raza, género y los vínculos coloniales de  
55  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 54-76  
esta última, se ha identificado usualmente al deporte como un medio de  
proyección de soft power, o poder blando, entendido como aquella expre-  
sión de poder que no utiliza la coerción como forma de condicionar las  
acciones de otros actores. Este poder blando a través del deporte puede  
expresarse por medio de dos formas distintas: un alto desempeño depor-  
tivo o la realización exitosa de eventos de gran impacto (Grix; Houlihan,  
2014). El presente trabajo hace foco en esta segunda forma, los megaeven-  
tos deportivos, buscando un análisis conceptual que permita clarificar  
algunos aspectos analíticos del poder blando como estrategia, en parti-  
cular en referencia a la distinción entre la dimensión de poder y otro tipo  
de objetivos. En definitiva, se trata de determinar si hay una dimensión  
de poder cuando se piensa en megaeventos deportivos, y diferenciar el  
poder blando de la mera promoción turística, visibilidad internacional, o  
construcción de marca país.  
Desde la primera década del siglo XXI es posible encontrar traba-  
jos dedicados al uso de eventos deportivos, como los Juegos Olímpicos  
y las Copas Mundiales de Fútbol, como herramientas de poder blando.  
Dentro de estos, destacan los estudios que han analizado al conjunto de  
los BRICS (Brasil, Rusia, India, China y Sudáfrica), considerados como  
estados emergentes que, gracias al crecimiento económico y creciente in-  
fluencia regional de inicios de siglo, habrían buscado presentarse como  
interlocutores válidos frente a las potencias occidentales. Dichos trabajos  
coinciden en concluir que la realización de megaeventos deportivos por  
parte de cada uno de estos países habría seguido estrategias de política  
exterior tendientes a la búsqueda de, por un lado, el reconocimiento de  
un nuevo estatus y, por otro, la solución a problemas de reputación, uti-  
lizando al deporte como medio de proyección de valores (García, 2007;  
Viera; Pereira; Pinto; Pires, 2011; Grix; Lee, 2013; Schausteck; Marchi;  
Pike, 2014; Grix; Houlihan, 2014; Pulleiro, 2016; Grix; Brannagan, 2016;  
Grix, Brannagan; Lee, 2019; Bettine, 2024).  
También encontramos análisis que utilizan el concepto de poder  
blando a través de la proyección deportiva para explicar casos indivi-  
duales, desde países pequeños hasta potencias regionales y globales. Por  
lo general, estos estudios relacionan la proyección deportiva de poder  
blando con la búsqueda de reconocimiento internacional. Entre los ejem-  
plos, están Cuba, que busca ser vista como un actor cooperativo (Huish,  
Carter; Darnell, 2013); Kosovo, que intenta ser reconocido como Estado  
por otras naciones (Brentin; Tregoures, 2016); Hungría, con objetivos di-  
plomáticos regionales (Garamvölgyi; Dóczy, 2021); Tailandia, que quiere  
obtener reconocimiento a través de un arte marcial admirado global-  
mente (Jones; Theerawong, 2021); Brasil, que intenta destacar como una  
potencia regional (Schausteck, Marchi; Pike, 2014); China, que trabaja  
para ser identificada con el fútbol, considerado el deporte más popular  
dominación (Ver, sobre nacionalismo: Houlihan (1997), Alabarces, Branz & Zucal (2024), Chaeroni et al (2024);  
imperialismo: Mangan (1998), Besnier, Brownell & Carter (2018), Lee & Ok (2022); raza: Denham (2005),  
Carrington (2010), Hartmann (2012), Nauright & Wiggins (2017); género: Archetti (1995), Meier, Konger &  
Krieger (2017), Flores et al (2020), Molnár & Bullingham (2022)). Mientras todas estas constituyen fenómenos  
relevantes de la relación entre política y deporte, nuestro foco analítico se centra especificamente en el rol del  
deporte en la política externa.  
56  
Bruno Rivas Frías, Ignacio Javier Cardone Poder blando y megaeventos deportivos: hacia una propuesta de precisión conceptual y analítica  
del mundo (Leite Júnior; Rodriguez, 2017; Connell, 2018); y Suecia, que  
gracias a sus deportistas descendientes de inmigrantes se presenta inter-  
nacionalmente como una sociedad integradora (Shaltaev, 2019).  
Por otro lado, desde la literatura también se ha mostrado como la  
realización de megaeventos deportivos puede llegar a producir efectos  
negativos, como en el caso de la organización de la Copa Mundial de  
Fútbol realizada en Qatar, donde acusaciones de violaciones a derechos  
humanos realizadas durante la etapa de organización del megaevento  
terminó afectando negativamente la reputación del país (Brannagan;  
Giulianotti, 2018).  
Así, puede reconocerse el crecimiento de la literatura que analiza el  
efecto político de los megaeventos deportivos, vinculando el poder blan-  
do con la proyección de imagen o con la búsqueda de estatus por parte de  
un Estado, brindando una mirada plural y amplia sobre esta cuestión. Sin  
embargo, más allá de los importantes aportes a nivel casuístico y empíri-  
co, ninguno de estos estudios ha definido de manera clara al poder blan-  
do, a modo de distinguirlo de otras acciones vinculadas con el posiciona-  
miento internacional. Por lo tanto, aunque estos trabajos han abonado  
a los estudios sobre la relación entre política y megaeventos deportivos,  
aún falta precisión en la conceptualización del poder blando.  
En particular, falta una clara definición de qué es lo que distingui-  
ría la realización de un megaevento como base de una estrategia de poder  
blando de otras formas de proyección internacional que no incluyen ne-  
4
cesariamente una dimensión de “poder” , tales como la búsqueda de pu-  
5
blicidad, la promoción turística, o la construcción de una “marca país” .  
Sin tal posibilidad de distinción conceptual en términos del poder blando  
como forma de poder, el concepto pierde tanto la posibilidad clara de dis-  
tinción a nivel empírico (Lekakis, 2019), como la utilidad heurística que  
podría tener como forma diferenciada de ejercicio del poder.  
Por otro lado, en la literatura no existen diferenciaciones analíticas  
para casos de naturalezas muy distintas. A excepción de algunas consi-  
deraciones sobre el “tamaño” del país, no se han establecido categorías  
basadas en dimensiones analíticas que permitan identificar o clasificar  
diferentes tipos de estrategias de poder blando. Cuestiones como la posi-  
ción al respecto del orden hegemónico y el carácter ascendente, estable o  
6
descendente dentro del orden internacional , deberían sumarse a la con-  
sideración sobre el tamaño del país, para ser consideradas en la construc-  
ción de una categorización de estrategias de poder blando que permita un  
refinamiento conceptual.  
Buscando contribuir con una propuesta que pueda llenar este vacío  
y servir de guía para futuras investigaciones del área, el presente trabajo  
proporciona un análisis crítico del concepto de poder blando aplicado a  
los megaeventos deportivos por medio de una relectura de las elaboracio-  
nes de Nye y otros autores. Esto requiere desglosar el concepto para iden-  
tificar sus diferentes componentes y dimensiones, enfatizando el aspecto  
4. Un aspecto incluso poco elaborado por el propio Nye.  
5. Estos objetivos pueden ser parte de una estrategia de poder blando, pero no deberían confundirse con este.  
6. Consideraciones al respecto aparecen en Grix; Brannagan; Lee (2019), pero no como parte de un modelo analítico.  
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de poder y separándose, incluso, de las definiciones originales propuestas  
7
por Joseph Nye .  
Para ello, el artículo presenta cuatro secciones, incluída la presente  
introducción: la segunda sección discute la cuestión del poder y el poder  
blando, postulando una redefinición del concepto con sus dimensiones  
constitutivas a nivel empírico—estatus, influencia y estrategia—, junto  
con una propuesta de clasificación tipológica; la tercera sección discute la  
idea del poder blando en el caso específico de los megaeventos deporti-  
vos, avanzando en la determinación de aspectos que puedan orientar un  
estudio más concreto en la base a algunas definiciones operacionales; y  
la cuarta sección presenta una reflexión final al respecto del concepto de  
poder blando y su utilidad para el estudio de las finalidades políticas de  
los megaeventos deportivos.  
2 REDEFINIENDO AL PODER BLANDO COMO FORMA DE PODER  
En términos de su definición abstracta, siguiendo a Max Weber, po-  
demos definir al poder como la probabilidad de imponer la propia volun-  
tad sobre otro, incluso frente a cualquier tipo de resistencia (Weber, 1996,  
p.43). Así entendido, el poder se define por medio de un elemento relacio-  
nal que determina la potencialidad de imposición de un actor sobre otro,  
8
sin importar el origen o fundamento de tal relación . En otras palabras,  
no existe poder como elemento objetivo, ni el poder precisa ser efecti-  
vamente ejercido para contar como tal (basta que sea una probabilidad).  
La idea de imposición de la propia voluntad sobre otros incluye que  
el actor que ejerce el poder lo haga siguiendo algún tipo de racionalidad  
como fundamento de su acción —ya que la idea de voluntad requiere de  
una definición propia de objetivos y/o preferencias— y que esta acción  
sea orientada hacia un “otro” significativo —es decir que tenga la inten-  
cionalidad de imponer algún tipo de “reacción”.  
Adicionalmente, el concepto determina que debe existir algún tipo  
de asimetría que permita a un actor imponer su voluntad sobre otro, in-  
cluso frente a la resistencia del segundo. Pero tal definición nada dice  
sobre dónde reside tal asimetría, qué medios se utilizan para expresar esa  
probabilidad, o cómo es justificado el acto de imposición. De este modo,  
el poder puede incluir diversos medios y formas de expresión. Eso incluye  
la posibilidad de que una relación social establezca una forma de poder  
que se base en la admiración y el seguimiento.  
En Relaciones Internacionales, debido al carácter anárquico del  
sistema internacional — es decir, carente de una autoridad central que  
pueda oficiar de garante de reglas y ejecutora de sanciones —, el poder  
7. Si bien esto ha sido pensado para el caso de los megaeventos deportivos, tal redefinición puede tener  
alcances que va más allá del deporte.  
8. Existen debates en torno a la naturaleza objetiva o relacional del poder. Robert Dahl (1957) y Max Weber  
(1996) destacan su carácter relacional y la dificultad de medirlo objetivamente, mientras Susan Strange (2004)  
introduce la noción de poder estructural, de carácter objetivo, que garantiza el ejercicio del poder (pp.24-29).  
Si bien el poder blando podría ser identificado parcialmente con este poder estructural—en particular, con el  
control sobre el conocimiento, las creencias y las ideas—esto vale apenas para sus aspectos distributivos.  
Incluso cuando un actor se vale de estructuras para ejercer el poder, la búsqueda de condicionamiento de las  
acciones de los otros indica, en última instancia, su carácter relacional.  
58  
Bruno Rivas Frías, Ignacio Javier Cardone Poder blando y megaeventos deportivos: hacia una propuesta de precisión conceptual y analítica  
ha sido visto, normalmente, desde sus expresiones más impositivas, vin-  
culadas con el poderío militar y económico. Sin embargo, a lo largo del  
tiempo, también han surgido miradas que han intentado complejizar esa  
perspectiva y proporcionar una visión alternativa que destaque la posi-  
bilidad de formas más “benignas” de poder, como ha sido el concepto  
de soft power, o poder blando, desarrollado por el famoso teórico liberal  
Joseph Nye.  
Este autor ha contribuido a ampliar la concepción del poder más  
allá de su dimensión material — sin negarla — al incorporar la dimensión  
simbólica como un ámbito de expresión y disputa de las relaciones entre  
Estados (Nye, 1990). Surgido en la década de 1990, el poder blando estu-  
vo originalmente vinculado al intento de explicar cómo Estados Unidos  
podía mantener su posición hegemónica sin recurrir de manera perma-  
nente al uso de la fuerza. Nye se contraponía así a aquellos que predecían  
la decadencia norteamericana, previendo la permanencia de su liderazgo  
a través de las ideas. En este marco, contrapuso el poder militar y econó-  
mico a lo que denominó un poder de atracción y admiración, capaz de  
condicionar las visiones, preferencias y, con ello, las acciones de otros ac-  
tores (Nye, 2003). Según su conceptualización, mientras el poder duro se  
basa en recursos tangibles—fuerzas armadas, economía, población, etc.;  
el poder blando proviene de recursos intangibles, tales como la cultura, la  
ideología y los valores, entre otros.  
En este sentido, el poder blando proviene de la admiración que ta-  
les recursos despiertan en otros, suscitando formas indirectas de obedien-  
cia. Es precisamente en esta especie de condicionamiento cognitivo, en el  
seguimiento que deviene de la admiración suscitada, que el poder blando  
encuentra su fuente, ya sea desde el imaginario impuesto a través del  
cine, la música, el deporte o la valoración externa sobre la cultura política  
de un determinado país. Así, el poder blando no solo atrae, también tiene  
la capacidad de configurar las preferencias de otros Estados. Es, por lo  
9
tanto, un poder que funciona a nivel ideológico .  
Desde esta perspectiva, el concepto de poder blando se acerca a  
otras conceptualizaciones del poder que han destacado esta dimensión  
intangible, aunque enfocado en las estrategias de política exterior y las  
relaciones interestatales. Al igual que en el concepto de poder simbólico  
de Pierre Bourdieu (2012), el poder blando se manifiesta mediante la capa-  
cidad de un actor de imponer una visión del mundo, operando a través de  
mecanismos sutiles y frecuentemente invisibles. Asimismo, al igual que  
en Michel Foucault (1993; 2002), el poder blando actúa de manera pro-  
ductiva, generando comportamientos y discursos, en lugar de operar de  
forma negativa a través de la coerción. Sin embargo, a diferencia de am-  
bos, el concepto de poder blando no se orienta a entender las relaciones  
sociales de dominación, sino las relaciones interestatales y las estrategias  
derivadas de ellas.  
Por otro lado, al igual que en la noción de hegemonía de Antonio  
Gramsci (2023), el poder blando nos remite a la dimensión consensual y  
9. Es importante aquí distinguir esta noción de ideología vinculada a las ideas, del sentido de ideología como  
reflejo de la lucha de clases de Gramsci (2023).  
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no coercitiva del poder, pero difiere fundamentalmente en sus dimen-  
10  
siones de análisis . Mientras la hegemonía gramsciana mira hacia las es-  
tructuras de clase y cómo estas se expresan a nivel nacional por medio de  
una estructura política de dominación, el concepto de poder blando hace  
referencia a las relaciones interestatales en un marco sin existencia de una  
autoridad política que legitime las asimetrías de poder. En consecuencia,  
mientras que el concepto de hegemonía explica cómo el orden político y  
la dominación de clases son naturalizados y reproducidos por medio de  
la ideología, el concepto de poder blando se orienta a entender los meca-  
nismos normativos y simbólicos a través de los cuales los estados buscan  
legitimar su lugar y condicionar las acciones de otros en un orden global  
11  
descentralizado .  
De este modo, el poder blando muestra su especificidad como una  
herramienta heurísticamente valiosa para analizar esas formas distinti-  
vas de ejercicio del poder internacional, en el cual referencias ideológicas,  
culturales y normativas pueden condicionar las acciones de otros por me-  
dio de la influencia, en lugar del control.  
Esta perspectiva ofrecida por el poder blando ganó rápidamente  
numerosos adeptos, en especial como forma de entender la ascensión es-  
tadounidense como única potencia hegemónica mundial e, incluso, más  
allá de su ámbito de aplicación original, siendo utilizada por diversos  
12  
autores para analizar la política exterior de otros países . Sin embargo,  
el concepto no estuvo libre de críticas, las cuales se han concentrado en  
cuatro dimensiones principales (Bakalov, 2019): 1) La ambigüedad con-  
ceptual presente en la distinción entre poder blando y poder duro; 2) el  
alcance analítico limitado del concepto; 3) la naturaleza ambivalete de la  
atracción; y 4) el sesgo ideológico, liberal-democrático y occidental, im-  
plícito en la noción.  
En lo referido al primer punto, la elaboración de Nye ha sido cri-  
ticada por su ambigüedad y falta de definición, lo que hace posible, por  
un lado, identificar al poder blando con prácticamente cualquier tipo de  
recurso (Gelb, 2009; Layne, 2010), y, por otro, una distinción demasiado  
estricta entre poder duro y poder blando que ignora las fuertes interrela-  
ciones entre ambos (Bohas, 2006, p. 410-411).  
En cuanto al segundo punto, aunque el propio Nye reconoció la in-  
fluencia de Gramsci en su formulación, su noción de poder blando ha sido  
criticada por no incorporar adecuadamente el concepto de hegemonía del  
autor italiano. En este sentido, se ha señalado que Nye presenta al poder  
blando como una fuerza capaz de generar consentimiento por sí misma,  
sin reflejar la complementariedad estructural entre poder duro y poder  
10. Bohas (2006), Zahran y Ramos (2010) y Lock (2010) proponen observar el poder blando desde la hegemo-  
nía gramsciana y la lectura del poder de Foucault (1993; 2002). El poder blando incluiría así la elaboración  
de estrategias que permitan a un estado establecer su hegemonía entre los antagonismos existentes en la  
comunidad internacional. Sin embargo, dicha visión mantiene la especificidad del poder blando como forma  
de expresión internacional del poder, contrastando con la visión de clases de Gramsci (2023) y los mecanismos  
sociales de producción y circulación del poder de Foucault (1993; 2002).  
11. Esto no significa negar la relevancia de las estructuras de clase y otras que operan a nivel internacional,  
sino simplemente que el foco analítico del concepto se orienta en otro sentido.  
12. Incluyendo países emergentes: Bakalov, 2019; Hill, 2010; Layne, 2010; Smith, 2010; Suzuki, 2010; Al Horr;  
Evren; Gagoshidze, 2019.  
60  
Bruno Rivas Frías, Ignacio Javier Cardone Poder blando y megaeventos deportivos: hacia una propuesta de precisión conceptual y analítica  
blando, ni considerar la existencia de disputas en el ámbito simbólico de  
las ideas, (Zahran; Ramos, 2010). Asimismo, se le ha cuestionado por no  
atender a las formas relacionales y estructurales del poder (Lock, 2010).  
En términos de la atracción, se ha señalado que esta aparece, en la  
obra de Nye, tanto como recurso como acción. En consecuencia, el autor  
ha sido criticado por confundir los recursos de poder — entendidos en  
términos de su tangibilidad — con las formas de ejercicio del mismo —  
es decir, a través de la persuasión o coerción (Baldwin, 2002, p. 252). Esta  
confusión conduce a una distinción artificial basada en la materialidad del  
recurso, antes que en la dinámica relacional del poder.  
Por último, en relación al sesgo ideológico, Nye ha sido criticado  
por naturalizar y universalizar los valores e ideales liberales propios de la  
tradición política estadounidense, sin reconocer la existencia de un cam-  
po de contestación y la posibilidad de alternativas ideológicas que puedan  
suscitar esa misma atracción (Lock, 2010; Zahran; Ramos, 2010).  
Tales cuestionamientos promovieron subsecuentes desarrollos de  
parte de Nye, quien, respondiendo a las críticas sobre su falta de recono-  
cimiento de la interrelación entre poder duro y poder blando, reformuló  
su propuesta concibiendo el poder como un continuo, que va desde el  
poder de mando —como forma de poder coercitivo— hasta la coopera-  
ción —como poder persuasivo (Nye, 2010; 2016; 2021). Con posterioridad,  
avanzó en la formulación del concepto de poder inteligente (smart power),  
entendido como la combinación estratégica de recursos y políticas de po-  
der duro y blando (Nye, 2009; 2011; 2021).  
Asimismo, frente a la crítica referida a la confusión entre recursos  
y formas, Nye complementó su distinción previa entre recursos tangibles  
e intangibles, admitiendo que ciertos recursos materiales pueden generar  
poder blando. Ello implicó reconocer la necesidad de ir más allá de la ma-  
13  
terialidad del recurso para determinar su carácter como duro o blando .  
Finalmente, aunque el autor aceptó que las ideas del liberalismo  
occidental estadounidense no son universales y que otros actores tam-  
bién pueden ejercer poder blando, Nye sostuvo que tal ideología continúa  
siendo altamente atractiva frente a las alternativas existentes (Nye, 2010;  
2021), resultando en una posición altamente apologética de la ideología  
liberal y de la cultura occidental.  
Sin embargo, a pesar de los esfuerzos de Nye por responder a sus  
detractores, la mayoría de las objeciones se mantienen vigentes, tanto a  
nivel teórico como a nivel de los estudios empíricos que han intentado  
hacer uso de este concepto (Bakalov, 2019). Ahora bien, más allá de Nye y  
las importantes limitaciones que el concepto de poder blando ha presen-  
tado, es posible reconocer la utilidad analítica del concepto de poder blan-  
do como herramienta para interpretar una dimensión específica de las  
acciones internacionales orientadas a generar poder, entendido como la  
probabilidad de imponer la propia voluntad sobre otros sin recurrir al uso  
o amenaza del uso de la fuerza. No obstante, para aprovechar plenamen-  
te tal potencial analítico, resulta necesario realizar algunas precisiones  
13. El carácter del poder no está en el recurso material sobre el que se sustenta, sino en la actitud que genera  
sobre quien ese recurso opera, es decir coerción o atracción (Nye, 2021).  
61  
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conceptuales para delimitar mejor su contenido, alcance y condiciones  
de aplicación.  
En primer lugar, parece necesario escapar de la idea de continuo  
esbozada por Nye y recurrir al concepto de tipos ideales de molde webe-  
riano, en el sentido de conceptos con adecuación plena de sentido (Weber,  
1996, p.16-17), para entender al poder blando. Bajo esa perspectiva, poder  
blando es una categoría analítica para interpretar una dimensión limitada  
de acciones que nunca se corresponden plenamente con el concepto, aun-  
que puedan ser interpretadas por medio del mismo. En el caso del poder  
blando, eso permite ver acciones como teniendo características de poder  
14  
blando combinadas con poder duro, sin que implique una contradicción .  
De ese modo, se superan las cuestiones referidas a la relación entre poder  
duro y poder blando, sea en términos de la tangibilidad de los recursos  
como en la vinculación entre las formas blandas y duras de poder, ya que  
las acciones pueden tener dimensiones tanto “duras” como “blandas”. Lo  
importante allí es la distinción de dicha dimensión más que la clasifica-  
15  
ción de una acción en un sentido u otro .  
Ahora bien, también resulta necesario distinguir el poder como re-  
lación, de las acciones orientadas a obtenerlo. Como relación, el poder se  
manifiesta por medio de las acciones del actor sometido a la dinámica de  
poder, es decir, por medio del condicionamiento de sus acciones en fun-  
ción de las preferencias e intereses del actor que lo ejerce. Diferentemente,  
la búsqueda de poder se materializa en las acciones del actor que busca  
detentarlo mediante la acumulación de capacidades que le permitan so-  
meter a otro/s a sus designios. En otras palabras, mientras que la existen-  
cia de una relación de poder se puede observar en las acciones del actor  
que está sujeto al poder, la búsqueda de poder se observa en las acciones  
del actor que aspira a detentar el poder. Como nuestro enfoque está en  
la realización de megaeventos deportivos como posible estrategia de po-  
der blando, es sobre esta segunda clase de fenómenos sobre la que nos  
16  
enfocaremos en el presente trabajo , sin negar la existencia o utilidad de  
entender al poder desde sus efectos.  
En segundo lugar, debemos redefinir el poder blando y desglosar  
dicha definición para entender las atribuciones que caracterizan su bús-  
queda: 1) como poder; y 2) como forma distintiva de poder. Como poder,  
debe definirse como una acción intencional, orientada a provocar una  
reacción por parte de otro actor en función de mis propios intereses, so-  
bre la base de una relación asimétrica. Como forma distintiva de poder,  
debe ser blando, esto es, basada en medios no coercitivos. Así, nuestra  
definición de poder blando consta de tres componentes: i) intencionalidad  
sobre las acciones de otro; ii) basado en una relación asimétrica; iii) basa-  
do en medios no coercitivos.  
14. No se trata de probar o refutar la existencia de poder blando, sino de ver, en casos particulares, si estos  
pueden ser explicados parcialmente por medio del concepto.  
15. En ese sentido seguimos estrictamente el sentido metodológico que Weber le da a los conceptos típico-i-  
deales.  
16. Desde la investigación empírica, la búsqueda de poder presenta mayores posibilidades de comprobación  
que las relaciones efectivas de poder (véase, por ejemplo Dahl). Más aún todavía cuando nos referimos a un  
poder intangible, como el blando.  
62  
Bruno Rivas Frías, Ignacio Javier Cardone Poder blando y megaeventos deportivos: hacia una propuesta de precisión conceptual y analítica  
En cuanto al primer componente, la intencionalidad, la búsqueda  
de recursos de poder blando debe seguir una estrategia, es decir, el con-  
dicionamiento de las acciones de los demás actores en la base a dicho  
recurso/acción. De este modo, la determinación de la intencionalidad a  
nivel empírico se da por medio de la existencia de una planificación cuyo  
objetivo final es provocar acciones en otros actores, independientemente  
17  
de la existencia de referencias formales al concepto de poder blando .  
Por su parte, la existencia de una relación asimétrica debe eviden-  
ciarse por medio de una expresión que no haga referencia a recursos coer-  
citivos —es decir, de poder duro— sino a elementos que expresen cierto  
18  
reconocimiento “social” . Ese componente de relación asimétrica puede  
identificarse con la idea de admiración al que hacía referencia Nye en  
su concepción original, y que nosotros consideraremos a nivel empírico  
como estatus, esto es, como forma de expresión de un reconocimiento de  
otros actores en la base de atributos positivos.  
En cuanto al tercer elemento, la utilización de medios no coerciti-  
vos en la búsqueda de condicionar las acciones de otros actores, debemos  
considerar la necesidad de que las opiniones y preferencias del actor que  
busca poder blando adquieran una visibilidad y posicionalidad que permi-  
tan usufruir del estatus del que se goza —o pretende gozar— para influir  
en las decisiones de otros actores. Consecuentemente, se puede afirmar  
que el medio principal por el cual se debe expresar el poder blando a nivel  
empírico es a partir de la influencia.  
Así, una acción orientada a la búsqueda de poder blando incluirá  
una estrategia que busque hacer uso de un estatus (ya sea existente o  
adquirido por medio de la acción) con el fin de ejercer influencia sobre las  
decisiones y acciones de otros actores, sin necesidad de imposición coerci-  
tiva. De este modo, llegamos a la distinción de tres dimensiones que nos  
permitirán definir más claramente en qué medida una acción representa  
o no la búsqueda de poder blando: i) estrategia, ii) estatus y iii) influencia.  
Por último, entendido como tipo ideal, la búsqueda de poder blando no  
precisa estar limitada a la potencia hegemónica o grandes potencias, ni a una  
19  
posición hegemónica o contrahegemónica , lo que permite distinguir algu-  
nas situaciones típicas que podrían proporcionar una categorización útil de  
tipos de acciones de poder blando en función de tres variables: i) la situación  
en función del campo hegemónico; ii) las capacidades del actor en cuestión y  
iii) la tendencia de ascenso, estancamiento o descenso en términos de dichas  
20  
capacidades y el posicionamiento del actor en el sistema internacional . De  
17. Una estrategia puede mencionar al poder blando sin que se adecúe al concepto o, al contrario, que no lo  
mencione pero constituya una estrategia en tal sentido. Así, teóricamente, no basta ni es necesaria la enun-  
ciación discursiva del concepto de poder blando como comprobación de su existencia.  
18. Si bien esto acerca el concepto a la idea de poder simbólico bourdiano, una diferencia fundamental es  
que no explica aquí las relaciones de poder al interior de una sociedad, sino los efectos de dicho poder social  
sobre las relaciones internacionales.  
19. No nos referimos aquí al concepto gramsciano de hegemonía (2023), sino a cómo es entendido desde la  
disciplina de RI. Si bien Nye pensó el concepto para la potencia hegemónica, no existe ninguna cuestión de  
principio que haga pensar que el poder blando no puede ser un útil para pensar políticas de proyección de  
poder por parte de países con capacidades materiales más limitadas.  
20. Estas cuestiones aparecen incidentalmente a lo largo del análisis de Grix, Brannagan & Lee (2019) pero no  
han sido sistematizadas.  
63  
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ese modo, se puede evitar así el sesgo ideológico y la universalización de la  
ideología liberal realizada por Nye, entendiendo las acciones de búsqueda de  
poder blando como acciones orientadas a tener cierto liderazgo simbólico, y  
no exclusivo de una ideología particular.  
En el caso del primer elemento, una acción de poder blando por  
parte de un país del campo hegemónico irá orientada a reforzar los valo-  
res, creencias e ideas predominantes del campo hegemónico, siendo típi-  
camente conservadora — no a nivel del espectro izquierda-derecha sino  
de lo que resulta dominante; mientras que una acción del campo contrah-  
egemónico o cualquier campo alternativo buscará mostrar la validez de  
otros valores, creencias e ideas, con tendencias a cierto reformismo.  
En el caso del segundo elemento, las acciones orientadas a obtener  
poder blando van a cambiar en función de las capacidades con las que se  
cuentan, pudiendo ser más orientadas a demostrar grandeza en los casos  
en que se cuenta con una gran cantidad de recursos; en contraste con  
aquellas orientadas a demostrar el valor intrínseco de una determinada  
característica, valores, ideas o creencias.  
Por último, en cuanto a la tendencia en términos del posiciona-  
miento internacional, aquellas potencias en situación de emergencia ten-  
derán a acciones que busquen reconocer una nueva situación, con cierto  
reformismo en términos del orden internacional; mientras que los acto-  
res en situación de estancamiento tenderán a un cierto conservadurismo  
y los actores en decadencia a una posición que puede ir desde el conserva-  
durismo a un pensamiento reaccionario.  
Llegamos así a la distinción en la base de tres variables típicas que  
permiten pensar en posibles categorías como forma de entender qué sería  
esperable en términos de poder blando según cada situación particular.  
Así, la presente concepción del poder blando permite distinguir diferen-  
tes estrategias y posibilidades, entendiendo la naturaleza diferenciada de  
cada una de ellas en función de la pluralidad de situaciones en las cuales  
puede expresarse y sobre las cuales pueden entenderse las tres dimen-  
siones identificadas de estrategia, estatus e influencia. Son estas tres di-  
mensiones de la búsqueda del poder blando las que desarrollaremos a  
continuación, a fin de establecer una definición conceptual que permita  
acercarse de modo más preciso a la determinación de la existencia de  
estrategias de poder blando en la realización de megaeventos deportivos.  
3 EL PODER BLANDO Y LOS MEGAEVENTOS DEPORTIVOS:  
ESTRATEGIA, ESTATUS E INFLUENCIA  
Siguiendo el concepto de poder blando, observamos que el deporte  
puede ocupar una función esencial en la percepción externa de un país.  
El deporte no solo expresa excelencia competitiva, sino también valores  
culturales, capacidad técnica y de trabajo en equipo, disciplina individual,  
entre otros. Adicionalmente, por su carácter internacional, alcance y for-  
mas organizativas, los megaeventos deportivos pueden oficiar de plateas  
para la expresión de capacidad de gestión, disponibilidad de infraestructu-  
ra, receptividad, tecnología, cultura, gastronomía y muchas otras. En este  
sentido, los megaeventos involucran no solo las competencias deportivas,  
64  
Bruno Rivas Frías, Ignacio Javier Cardone Poder blando y megaeventos deportivos: hacia una propuesta de precisión conceptual y analítica  
sino también todo el rango de actividades colaterales en la forma de es-  
pectáculos, ceremonias, obras de infraestructura, etc.  
Sin embargo, el análisis del poder blando en relación con los me-  
gaeventos deportivos se ha desarrollado, en muchos casos, sin una for-  
mulación clara y explícita de qué convierte a tales acciones en estrategias  
de poder. Si bien Nye identificó las fuentes del poder blando, no propor-  
cionó una delimitación conceptual que permitiera operacionalizar empí-  
ricamente el concepto. Aunque diversos estudios han destacado el papel  
simbólico del deporte –y especialmente de los megaeventos deportivos—  
como instrumentos de proyección del poder blando (Al Horr; Evren;  
Gagoshidze, 2019; Grix; Brannagan, 2016; Brannagan; Giulianotti, 2018;  
Grix; Brannagan; Lee, 2019), rara vez han ofrecido una formulación teó-  
rica consistente que permita distinguir la proyección de poder blando de  
21  
otras formas más limitadas de promoción simbólica .  
En general, estos trabajos han reconocido las deficientes delimita-  
22  
ciones del concepto, el cual es entendido — siguiendo al propio Nye —  
como la posibilidad de modificar las acciones de otros por medio de la  
atracción, resaltando la vinculación del poder blando con los factores de  
reputación, y distinguiéndolo de la mera proyección de imagen (Grix;  
Brannagan, 2016, p. 256; Brannagan; Giulianotti, 2018, p.1141; Grix;  
Brannagan; Lee, 2019, p.29). Sin embargo, tal distinción se ha limitado al  
aspecto más superficial y temporal de la proyección de imagen, frente al  
más duradero y “genuino” del poder blando, sin profundizar en la cues-  
tión del condicionamiento de actitudes y la intencionalidad.  
Probablemente el intento más desarrollado de proporcionar una lec-  
tura operacional del concepto ha sido el desarrollo por Grix y Brannagan,  
(2016), luego reproducido en Grix, Brannagan y Lee (2019), donde se pre-  
sentan indicadores dirigidos a reconocer las estrategias de poder blando a  
través de megaeventos deportivos. Tal propuesta ha avanzado lo que los  
autores denominan un tipo ideal de poder blando, pero que en la prác-  
tica se trata de un compendio de acciones vinculadas con estrategias de  
proyección e impacto, lo que de algún modo limita el concepto de poder  
blando a cierto tipo de estrategias específicas en lugar de a su sentido in-  
tencional. Si bien tal propuesta resulta un avance significativo para orien-  
tar la interpretación del concepto en bases más concretas, en su utiliza-  
ción termina siendo operada como una forma de observar la presencia o  
23  
ausencia de acciones específicas y de efectos determinados , en lugar de  
focalizar en la intencionalidad del actor que busca poder blando.  
A fin de resolver tal limitación y siguiendo lo elaborado en el  
apartado anterior, consideramos necesaria la determinación conceptual  
de lo que define una acción de búsqueda de poder, como conteniendo  
21. También pueden mencionarse intentos de medición empírica del poder blando desde su dimensión  
distributiva, como los informes de Brand Finance Global Soft Power Index (2020–2023) y The Soft Power 30 de  
Portland Communications (2015–2019), centrados en estimar el poder blando de los Estados.  
22. También destacan la compatibilidad del poder blando con el poder duro. Algunos llegan a rescatar las ela-  
boraciones más recientes del autor, como el smart power, el subtle power y el nested power (Al Horr; Evren;  
Gagoshidze, 2019), pero sin que ello permita una conceptualización más clara del concepto.  
23. En ese sentido, no se trata sobre la presencia o no de promoción turística o de si esta ha tenido éxito, sino  
de si la misma fue realizada persiguiendo una finalidad ulterior de influencia en el escenario internacional.  
65  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 54-76  
una dimensión de poder blando: una estrategia basada en el uso de un  
determinado estatus internacional a fin de obtener influencia sobre  
otros actores. Pero estas dimensiones deben ser definidas y delimitadas  
conceptualmente.  
A nivel de estrategia, deben existir al menos dos elementos esencia-  
les: la presencia de objetivos, y la planificación para alcanzarlos. La pre-  
sencia de objetivos determina la intencionalidad de la acción como forma  
de poder, orientada a lograr determinadas acciones por parte de otros  
actores, mientras que la planificación para alcanzarlos lo convierte en una  
estrategia de poder blando a partir de la búsqueda de tales objetivos por  
medios no coercitivos. Es esta dimensión estratégica la que separa clara-  
mente a las acciones de poder blando de otras acciones simbólicas que no  
24  
obedecen a una dinámica de poder, al menos desde su formulación ideal .  
Llevándolo al campo de los megaeventos deportivos, la definición  
conceptual de una estrategia de poder blando debe estar reflejada en los  
objetivos y la planificación de tales eventos, en el sentido de articular una  
intencionalidad de generar y/o usufruir de uno o varios recursos desde  
sus aspectos simbólicos, entendidos como estatus, a fin de generar un  
determinado tipo de actitudes o acciones por parte de los otros actores,  
entendido como influencia. Consecuentemente, más allá de cualquier  
referencia formal o no a la cuestión de poder blando, una estrategia de  
poder blando incluirá un elemento de efecto internacional donde se bus-  
ca destacar alguna característica propia a fin de producir un efecto en las  
acciones de otros actores.  
En cuanto al estatus, lo definimos aquí como la posición relativa de  
un Estado en una escala social internacional determinada, expresando la  
relación de asimetría de la que puede valerse un actor que busca poder a  
fin de fundamentar su influencia. Conceptualmente se ha distinguido al  
25  
26  
estatus de la reputación y el prestigio , en especial en función de su carác-  
27  
ter relativamente descriptivo o normativo . Mientras que el estatus tiene  
que ver con la situación relativa de un estado dentro de una escala objetiva,  
aunque percibida, la reputación se relaciona con la valoración que existe  
sobre ese estado en función de características que son consideradas como  
28  
valiosas desde un punto de vista normativo . Sin embargo, para los fines  
del presente trabajo consideraremos todos estos conceptos como forman-  
24. Nuevamente, nos referimos aquí a la posibilidad de que una misma acción concreta tenga elementos coer-  
citivos y elementos no coercitivos, es decir, elementos de poder duro y elementos de poder blando, respectiva-  
mente, lo que no solamente es común, como muchas veces complementario.  
25. Las definiciones sobre estatus articulan un carácter neutral como “…clasificación de un estado deter-  
minado en función de sus atributos” y uno más normativo como membresía y posición relativa en un “club”  
determinado (Larson; Paul; Wholforth, 2014, p. 7) o jerarquía social (Neumann; De Carvalho, 2015, p. 4).  
26. La reputación hace refencia a la presencia o ausencia de un atributo valorado normativamente, sea de  
modo positivo o negativo; mientras que el prestigio refiere únicamente a una reputación positiva. Para los  
fines del presente trabajo, la distinción entre ambos conceptos es inocua.  
27. La reputación y el prestigio se definen, al igual que el estatus, en términos relacionales y dependen de la  
percepción “social”. Sin embargo, estos conceptos deben ser distinguidos en función de su dimensión descrip-  
tiva (estatus) o normativa (reputación) (Larson; Paul; Wholforth, 2014, p. 16).  
28. En otras palabras, el estatus de potencia económica o potencia militar, no dan reputación a una determi-  
nada nación, cómo sí lo da el hecho de ser una nación respetuosa de determinados valores. Como un ejemplo,  
China es indiscutiblemente una nación con estatus de potencia mundial en términos económicos y militares,  
entre otros; pero cuyo prestigio es cuestionado en cuestiones tales como el respeto a los derechos humanos.  
Por otro lado, un país podría tener un estatus de potencia militar y una reputación de ser un país pacífico.  
66  
Bruno Rivas Frías, Ignacio Javier Cardone Poder blando y megaeventos deportivos: hacia una propuesta de precisión conceptual y analítica  
do parte de la misma dimensión, enmarcada en el concepto de estatus.  
Este carácter social, relacional y maleable del estatus (Larson; Paul;  
Wholforth, 2014, p. 4) hace que este no dependa únicamente de la pose-  
sión de ciertas características, sino también de la percepción de otros ac-  
29  
tores sobre las mismas . Así, toda acción que busque generar o utilizar el  
estatus como recurso de poder irá orientada al reconocimiento por parte  
de los otros actores de la disponibilidad de ciertos recursos o atributos,  
30  
independientemente de que sea vista positivamente o no .  
Así, nuestra definición de estatus recoge e incorpora un atributo  
social, dado por el reconocimiento internacional de características/atri-  
butos; un atributo percibido como objetivo, el estatus; y un atributo nor-  
mativo, la reputación y prestigio, los cuales son recogidos en el Cuadro  
1. Volviendo al campo de los megaeventos deportivos, la dimensión de  
estatus debe estar dirigida a obtener visibilidad internacional, ya sea de  
atributos objetivos o normativos. La organización y realización de me-  
gaeventos deportivos puede servir la función de dar visibilidad a distin-  
tos atributos que se poseen y que se consideran que pueden brindar una  
ventaja relativa, en caso de ser reconocidos. Así, tales atributos pueden ir  
desde cuestiones vinculadas con el desempeño deportivo (por ejemplo,  
a nivel objetivo un buen desempeño; a nivel normativo, una conducta  
adecuada) a cuestiones de disponibilidad de recursos (por ejemplo, a nivel  
objetivo, riqueza; a nivel normativo, modernidad), cuestiones culturales  
(por ejemplo, a nivel objetivo, bienes patrimoniales; a nivel normativo,  
una cultura rica y plural) y cuestiones sociales (por ejemplo, a nivel obje-  
tivo, capacidad organizativa; a nivel subjetivo, receptividad), entre otras.  
De este modo, acciones de poder blando desde los megaeventos deporti-  
vos deben contar en su estrategia la búsqueda de desarrollo, visibilidad y  
uso de estas características y recursos como forma de obtener un estatus  
que le permita tener influencia sobre otros actores.  
Cuadro 1: La dimensión de estatus y sus atributos  
Dimensión de Estatus: posición relativa en una escala social internacional determinada  
Atributo Objetivo (percibido)  
Atributo Normativo  
Atributo Social  
Posición relativa en una escala en función Características con las que es identificado un Reconocimiento/Visibilidad internacional  
de la disponibilidad de recursos  
estado en función de una escala normativa  
Nota: Elaboración propia  
Llegamos así a la definición de influencia, la cual, aunque relacio-  
nada con el poder, debe distinguirse de este. Entendida como una forma  
de determinar las percepciones de otros actores, la influencia puede ser  
considerada como un recurso, entre otros, a través del cual el poder pue-  
de ejercerse por medios no coactivos. Así, mientras que el poder puede  
ejercerse incluso a través del uso de la violencia, la influencia se ejerce  
29. Esto vale también para el poder duro, al menos en su carácter disuasivo, ya que su efectividad como ame-  
naza depende de su reconocimiento por parte de otros. Sin embargo, uno de los aspectos distintivos del poder  
duro frente al blando es que el primero puede expresarse materialmente (por ejemplo un ataque militar), mien-  
tras que el segundo sólo puede hacerlo simbólicamente, para lo que depende de su reconocimiento por otros.  
30. Tal reconocimiento se vincula con la idea de familiaridad incluída en la conceptualización de Nye.  
67  
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por medio de un cierto condicionamiento cognitivo del otro actor, que  
adopta las visiones y perspectivas del actor influyente. Asimismo, aun-  
que comparte con el poder blando esta determinación cognitiva de otros  
actores, la influencia puede ejercerse sin necesidad de constituir un po-  
der, en el sentido de que tal influencia puede no responder a los deseos o  
31  
estrategias del actor influyente . Por lo tanto, si bien la influencia es un  
componente esencial del poder blando —como mecanismo a través del  
cual el poder se hace efectivo en acciones—, este debe ir acompañado  
de una estrategia o intencionalidad que busque un efecto determinado a  
partir de tal influencia.  
Al mismo tiempo, la influencia deviene necesariamente de una va-  
loración respecto a un determinado atributo considerado como de nivel  
superior en el actor influyente, lo que hemos llamado de estatus, y que  
justifica su seguimiento. Así entendida, esta conceptualización nos vincu-  
la los tres elementos del poder blando que hemos destacado: la estrategia,  
el estatus y la influencia.  
A nivel de los megaeventos deportivos, al igual que en lo referido  
al estatus, la influencia puede buscarse en diferentes ámbitos, desde lo  
simbólico hasta lo social, económico y político, y utilizando una varie-  
dad de canales. De este modo, la búsqueda de influencia debe utilizar  
la visibilización de un determinado estatus como forma de generar una  
determinada acción en otros actores en función de los propios intereses,  
sea la atracción de deportistas, inversiones, influencia en organismos in-  
ternacionales (incluyendo los deportivos), entre otros.  
En síntesis, consideramos que la búsqueda del poder blando des-  
de los megaeventos deportivos debe expresarse a nivel empírico por me-  
dio de la existencia de los elementos que hemos destacado en el presente  
apartado, y que se recogen en el siguiente Cuadro 2.  
Así entendido, la comprobación de una estrategia de poder blando  
detrás de la organización de un megaevento deportivo, requiere mirar  
fundamentalmente a los agentes que se encuentran detrás de la iniciativa,  
sus objetivos, y los medios articulados con tal finalidad. Tomando como  
ejemplo el análisis realizado por Grix, Brannagan y Lee (2019) para el  
caso brasileño, se puede observar que tal análisis no comprueba ni niega  
la existencia de una estrategia de poder blando, sino que la presupone, y  
se orienta a analizar los efectos que los megaeventos de la Copa Mundial  
de Fútbol FIFA 2014 y los Juegos Olímpicos de 2016 finalmente tuvieron.  
En contraste, un análisis como el propuesto aquí hubiera hecho hinca-  
pié en buscar al interior de ambos proyectos cómo estos fueron ideados,  
proyectados y gestionados; buscando, por ejemplo, identificar la presen-  
cia de objetivos de política exterior por medio de la implementación de  
acciones orientadas a generar estatus por medio de dichos megaeventos.  
Cuestiones vinculadas a los objetivos que estuvieron por detrás de la idea  
en su fase de conceptualización, cómo esta fue estructurada institucio-  
nalmente (por ejemplo, a través de la participación activa de organismos  
vinculados con el Ministerio de Relaciones Exteriores), qué objetivos  
31. Nos referimos aquí a la posibilidad de que la influencia sea no planificada (inintencionada) o negativa (en  
sentido contrario al deseado).  
68  
Bruno Rivas Frías, Ignacio Javier Cardone Poder blando y megaeventos deportivos: hacia una propuesta de precisión conceptual y analítica  
fueron planteados organizativamente, y qué medios se plantearon para  
tales fines, podrían ayudar a clarificar hasta qué punto existió o no una  
intencionalidad donde objetivos claros de política exterior estaban vin-  
32  
culados con la promoción de una determinada imagen o estatus . Un  
ejemplo extremo, hipotético, de ello sería la presencia de un objetivo (es-  
trategia) vinculado a posicionar claramente al Brasil como nueva gran  
potencia (estatus) para obtener mayor influencia en foros multilaterales  
(influencia), tanto regionales como globales, por medio de la ostentación  
de infraestructura, recursos financieros y capacidad de gestión.  
Cuadro 2: Dimensiones empíricas de la búsqueda de poder blando por medio de los  
megaeventos deportivos  
Búsqueda del poder blando  
Dimensión del PB  
Definición  
Ejemplos en megaeventos deportivos  
Existencia de objetivos y medios definidos:  
demostrar grandeza y capacidad por medio  
de obras de infraestructura modernas para  
atraer inversiones y ser visto como un po-  
tencial socio internacional  
Existencia de una planificación para gene-  
rar o hacer uso de un determinado estatus  
para generar influencia en un determinado  
sentido  
Estrategia  
Incluye la obtención de una valoración su- Posicionar al país como un país moderno  
perior (visibilidad/familiaridad) en base a y pujante, visibilizando su capacidad de or-  
la disponibilidad de características objeti- ganización, técnológica y de sus recursos  
vas (estatus) y/o normativas (reputación/ humanos por medio de la disponibilidad de  
Estatus  
prestigio)  
gran infraestructura  
Incluye la utilización del estatus como Asociación tecnológica de empresas na-  
forma de orientar las acciones de actores cionales con referentes internacionales en  
externos en función de las propias prefe- el campo de infraestructura, junto con un  
Influencia  
rencias e intereses  
incremento de la IED  
Nota: Elaboración propia  
4 CONSIDERACIONES FINALES  
A lo largo del presente trabajo hemos buscado resolver dos cues-  
tiones vinculadas con el concepto de poder blando, una teórica y una  
empírica. A nivel teórico, hemos especificado mejor el concepto, a modo  
de brindar algunas precisiones que permitan superar las limitaciones en-  
contradas hasta el momento con el uso del concepto de poder blando en  
Nye y sus seguidores, en especial en su utilización para el análisis de los  
megaeventos deportivos. A nivel empírico, hemos destacado los aspectos  
de poder desde sus expresiones como forma “blanda”, buscando superar  
la identificación de este concepto con cuestiones que se limitan apenas a  
la visibilidad internacional.  
En cuanto a lo primero, consideramos necesario destacar que el  
poder blando no es una forma excluyente de poder, sino apenas una di-  
mensión que puede expresarse, parcialmente, en diverso tipo de acciones  
y por medio de diversos tipos de recursos, alejándose de cualquier tipo de  
32. Si bien en el trabajo de Grix, Brannagan y Lee (2019) se explica que los megaeventos organizados fueron  
parte de un proceso ideado por el Gobierno brasileño para mostrar su nuevo estatus, posteriormente, como  
el trabajo se enfoca en los efectos, el elemento estratégico deja de tener relevancia en el análisis desde los  
tipos ideales.  
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determinismo en función de tangibilidad o materialidad de un recurso, o  
de la separación estricta entre poder duro y poder blando. Por otro lado,  
hemos definido la distinción entre la búsqueda de poder y su ejercicio,  
especificando la diferenciación analítica que existe en uno y otro caso,  
y el correspondiente cambio en términos del objeto de estudio, optando  
por el desarrollo de una propuesta específica para estudios orientados a la  
búsqueda de poder.  
En cuanto a lo segundo, hemos buscado superar las limitaciones  
propias de los estudios empíricos que relacionan a los megaeventos de-  
portivos con el poder blando, para poder especificar la dimensión de po-  
der, superando así visiones que identifican al concepto de poder blando  
con acciones que se limitan apenas a la búsqueda de estatus, reputación  
y prestigio; es decir, acciones de visibilidad internacional. Para ello, la  
definición del poder blando como forma de poder por medios no coacti-  
vos nos ha llevado a identificar tres componentes: intencionalidad sobre  
las acciones de actores externos, utilizando una situación de asimetría,  
por medios no coercitivos, de los cuales hemos derivado tres dimensiones  
empíricas: la estrategia, el estatus y la influencia. Asimismo, hemos de-  
finido la posibilidad de categorizar los diferentes casos de proyección de  
poder blando por medio de tres variables: la posición respecto al campo  
hegemónico; la disponibilidad de recursos y la dinámica emergente, es-  
tanca o decadente del actor en el ámbito internacional.  
Todo ello nos ha permitido avanzar en mayores precisiones con-  
ceptuales que, aplicadas a los megaeventos deportivos, nos permiten en-  
tender las políticas orientadas a su promoción, organización y realización  
desde posibles dimensiones de poder blando, con posibilidades de com-  
probación empírica más concretas que las implementadas hasta el mo-  
mento. Así, la realización de megaeventos deportivos debe articular las  
tres dimensiones identificadas, para poder decir que está orientada a la  
obtención de poder blando.  
En concreto, pensando en los megaeventos, para que se pueda ha-  
blar de una búsqueda de poder blando, su planificación, organización y  
ejecución deben contar con elementos de una estrategia tendiente a uti-  
lizar capacidades diferenciadas como forma de obtener influencia en di-  
versos campos. Sin la existencia de una definición de objetivos y medios  
que busquen obtener un determinado estatus que permita tener mayor  
influencia y orientar las acciones de otros actores en función de los pro-  
pios intereses, no es posible afirmar que un megaevento ha sido parte de  
33  
una estrategia de poder blando .  
Al mismo tiempo, las capacidades diferenciadas que se buscan uti-  
lizar deben ser destacadas en términos de su visibilidad, a fin de que sean  
valoradas por actores externos y los atraigan hacia su ámbito de influen-  
cia, sin remitir a ningún tipo de sanción o posibilidad de sanción. Los  
megaeventos deportivos brindan muchas posibilidades en ese sentido,  
y diversos estudios sobre los mismos ya han revelado las formas en las  
33. Esto es independiente de sus efectos. Diversas acciones pueden generar estatus e influencia sin intencio-  
nalidad, al tiempo que la intencionalidad no garantiza que se consiga obtener estatus e influencia a partir de  
las mismas.  
70  
Bruno Rivas Frías, Ignacio Javier Cardone Poder blando y megaeventos deportivos: hacia una propuesta de precisión conceptual y analítica  
cuales estos sirven tal utilidad, sea por medio del desempeño deportivo  
(sea exitoso o vinculado a valores); la promoción de una cultura o valores  
nacionales (tales como la receptividad, la música, artes gráficas, gastro-  
nomía, etc); la gestión exitosa de obras y la organización del evento; y la  
visibilización de recursos y patrimonio (sea preexistente o realizado con  
los fines del evento).  
Por último, el objetivo no puede estar limitado apenas a la visibili-  
dad, sino que debe extenderse a la búsqueda de provocar acciones especí-  
ficas que se orienten en la base a intereses propios relativamente definidos  
por la estrategia. En el ámbito de los megaeventos, esto puede incluir,  
por ejemplo, la búsqueda de convertirse en referencia deportiva a nivel  
mundial, sea para atraer deportistas o para que deportistas nacionales  
sean convocados en el exterior; la promoción de determinados valores  
sociales y expresiones culturales como forma de ganar presencia y reco-  
nocimiento internacional; la obtención de lugares vinculados con la toma  
de decisiones en el campo del deporte internacional, tales como comités  
deportivos internacionales; o la atracción de inversiones, la generación de  
asociaciones estratégicas con empresas y capitales exteriores, o la expan-  
sión de mercados internacionales para productos y servicios nacionales.  
Tales dimensiones se expresarán de forma distintiva, según las va-  
riables que hemos definido como relevantes para categorizar las diferen-  
tes acciones de búsqueda de poder blando. Una nación del campo contrah-  
egemónico implementará una estrategia que probablemente se oriente a  
promover valores y expresiones culturales diferentes de las dominantes  
destacando sus virtudes intrínsecas y efectos beneficiosos, como puede  
ser resaltar cómo la forma de organización política ha permitido un cier-  
to crecimiento y desarrollo, buscando aumentar su campo de influen-  
cia internacional y legitimando su posición; mientras que una nación del  
campo hegemónico reforzará los valores dominantes, caracterizando su  
predominancia como un efecto natural de su superioridad, por medio  
de símbolos culturales masivos y el refuerzo de la situación actual. En  
los megaeventos esto puede manifestarse desde diversas expresiones que  
van desde lo deportivo hasta las obras de infraestructura y los eventos  
culturales. Pero para que sean expresión de poder blando deben estar  
claramente articuladas por una estrategia.  
Por otro lado, un país con escasos recursos buscará reforzar los  
valores intrínsecos de aquellos recursos simbólicos que quiera destacar,  
mientras que un país con amplios recursos es probable que ostente los  
mismos como forma de obtener reconocimiento. Así, es probable que en  
el primer caso se busque destacar un cierto prestigio y/o tradición en la  
base del reconocimiento de una característica no vinculada con recursos  
materiales y/o económicos; mientras que en el segundo se haga gala de  
un cierto estatus material y económico. En el campo de los megaeventos,  
es probable que los primeros orienten sus acciones a destacar bienes pa-  
trimoniales, valores y tradiciones, lo que puede expresarse en lo depor-  
tivo, patrimonial y cultural; y que los segundos lo hagan en referencia  
a la disponibilidad de recursos, que también puede expresarse desde lo  
deportivo, desde la infraestructura (preexistente o construída para el me-  
gaevento) o los gastos vinculados con expresiones artísticas y culturales  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 54-76  
vinculadas al evento. Nuevamente, más que las acciones en sí, lo impor-  
tante para identificar una estrategia de poder blando es que tales acciones  
estén articuladas por medio de objetivos concretos de política exterior.  
Por último, un país emergente probablemente buscará destacar su  
carácter ascendente dentro de una determinada jerarquía internacional,  
destacando aquel aspecto, sea crecimiento económico, desarrollo social,  
importancia política, o cualquier otro. Por otro lado, países en situación  
de estabilidad o bien resaltarán las virtudes que les han permitido llegar  
a su posición de preeminencia, en los casos de países de posición privile-  
giada, o bien evitarán considerar la cuestión, recurriendo a otros factores  
más vinculados con su valorización cultural. Por último, es esperable que  
países en decadencia busquen evitar la consideración de su trayectoria  
reciente y se enfoquen en destacar su tradición más antigua y su posicio-  
namiento privilegiado en el pasado. Desde el campo de los megaeventos,  
un país emergente puede buscar destacar un desempeño deportivo cre-  
ciente, el desarrollo tecnológico por medio de obras de infraestructura,  
etc.; mientras que una potencia buscará resaltar la infraestructura y re-  
cursos existentes, mantener su desempeño deportivo, etc.; y una potencia  
decadente resaltar su tradición, sus bienes patrimoniales y mantener un  
cierto estatus deportivo. Pero, nuevamente, todo ello debe estar orienta-  
do a ganar cierta influencia internacional para constituir poder blando.  
En conclusión, a través del presente trabajo hemos buscado definir  
más claramente el concepto del poder blando como búsqueda de poder, a  
fin de tornar las investigaciones empíricas sobre los megaeventos depor-  
tivos más precisas, sin que ello signifique una división categórica entre  
poder duro y blando. Buscamos, de este modo, determinar qué aspectos  
de poder blando pueden identificarse en el desarrollo de un megaevento  
deportivo y clasificarlo en función de variables analíticas. De modo algu-  
no esto niega los aportes que los estudios previos han realizado a nivel  
casuístico y teórico, pero busca proporcionar una base conceptual sobre  
la cual futuros desarrollos puedan establecer un campo más sistemático  
y preciso al respecto de la búsqueda de poder blando por medio de los  
megaeventos deportivos.  
Pretendemos que la presente propuesta sirva de marco para el de-  
sarrollo de estudios de casos específicos, aportando a su vez una base  
comparativa para estudios transversales sobre diferentes casos. Ello per-  
mitirá avanzar en el desarrollo de una categorización empírica con base  
en las características que los diferentes megaeventos adoptan en función  
de la presencia de una dimensión de poder blando en su gestación, pla-  
nificación y ejecución. Considerando que deporte y política no son dos  
ámbitos separados, esperamos que la presente contribución permita una  
aproximación más compleja, matizada y precisa al fenómeno del poder  
blando y los megaeventos deportivos. En conclusión, aunque preliminar,  
este refinamiento conceptual no pretende proporcionar categorías abso-  
lutas, sino tipos ideales que ayuden a explorar y comprender las condi-  
ciones y dinámicas involucradas en el uso político de los megaeventos  
deportivos y a desarrollar una agenda de investigación más exhaustiva  
sobre los mismos.  
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Bruno Rivas Frías, Ignacio Javier Cardone Poder blando y megaeventos deportivos: hacia una propuesta de precisión conceptual y analítica  
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Aureo Toledo, Ana Flávia Vilela Silva Environmental Peacebuilding: definições, tendências e contradições de um emergente campo de estudos  
Environmental Peacebuilding: definições,  
tendências e contradições de um  
emergente campo de estudos  
Environmental Peacebuilding: definitions, trends, and  
contradictions of an emerging field of study  
Environmental Peacebuilding: definiciones, tendencias y  
contradicciones de un campo de estudio emergente  
1
Aureo Toledo  
2
Ana Flávia Vilela Silva  
DOI: 10.5752/P.2317-773X.2025v13.n2.p77  
Enviado em: 14 de julho de 2025  
Aceito em: 17 de outubro de 2025  
RESUMO  
O que é environmental peacebuilding? Face ao crescente e urgente debate sobre o  
impacto das mudanças do clima e a necessidade de proteção do meio ambiente,  
tem crescido a discussão sobre como a questão ambiental contribui não apenas  
para emergência de conflitos, mas sobretudo para a construção de uma paz  
duradoura e resiliente. Nesse sentido, mediante revisão bibliográfica e análise  
qualitativa de trabalhos selecionados, a proposta do artigo é apresentar o campo  
de environmental peacebuilding. Para tanto, estruturamos o artigo por meio  
da discussão das principais definições sobre o campo e suas intersecções com os  
Estudos para Paz; seguido da análise de tendências emergentes no debate e das  
principais críticas realizadas até o momento. Ao final, argumentamos que a des-  
peito das contradições identificadas, trata-se de campo potencialmente promis-  
sor para abertura de caminhos originais para a construção de alternativas mais  
justas e inclusivas para paz, particularmente quando articulado com perspecti-  
vas de gênero, abordagens locais e cosmovisões e práticas indígenas.  
Palavras-chave: Environmental Peacebuilding; Estudos para Paz; Gênero; Práti-  
cas Indígenas  
1. Professor Associado e Coordenador do Núcleo de Pesquisas em Paz, Segurança Internacional e Estudos  
Estratégicos (NUPSIEE-UFU) da Universidade Federal de Uberlândia. Doutorado em Ciência Política pela Uni-  
versidade de São Paulo. Visiting Scholar na The University of Manchester, Humanitarian and Conflict Response  
Institute, financiado pela CAPES. Fulbright Visiting Scholar na George Mason University, Jimmy and Rosalynn  
Carter School for Peace and Conflict Resolution. (aureotoledo@ufu.br). ORCID: 0000-0002-6083-0562.  
2. Pesquisadora do Núcleo de Pesquisas em Paz, Segurança Internacional e Estudos Estratégicos (NUPSIEE-  
-UFU) e bacharela em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Uberlândia. (anaflaviavilelasil-  
va5002@gmail.com). ORCID: 0009-0005-8647-4673.  
77  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 77-96  
ABSTRACT  
What is environmental peacebuilding? The growing and urgent debate sur-  
rounding the impact of climate change and the critical need for environmental  
protection has increasingly highlighted how environmental issues not only  
fuel conflicts but, more importantly, contribute to building lasting and resilient  
peace. This article aims to introduce the field of environmental peacebuilding  
through a comprehensive literature review and qualitative analysis of selected  
works. To achieve this, we have structured the article by discussing the core defi-  
nitions of the field and its intersections with Peace Studies; analyzing emerging  
trends within the current debate; and examining the primary criticisms leveled  
to date. As a conclusion, we contend that despite identified contradictions, this  
field offers significant promise for pioneering more equitable and inclusive pa-  
thways to peace, especially when integrated with gender perspectives, localized  
strategies, and indigenous worldviews and practices.  
Keywords: Environmental Peacebuilding; Peace Studies; Gender Perspectives;  
Indigenous Practices  
RESUMEN  
¿Qué es environmental peacebuilding? Frente al creciente y urgente debate sobre  
el impacto del cambio climático y la necesidad de proteger el medio ambiente,  
ha aumentado la discusión sobre cómo la cuestión ambiental contribuye no  
solo a la emergencia de conflictos, sino sobre todo a la construcción de una  
paz duradera y resiliente. En este sentido, mediante una revisión bibliográfica  
y un análisis cualitativo de trabajos seleccionados, la propuesta del artículo es  
presentar el campo de environmental peacebuilding. Estructuramos el artículo  
a través de la discusión de las principales definiciones sobre el campo y sus inter-  
secciones con los Estudios para la Paz, seguido de un análisis de las tendencias  
emergentes en el debate y las principales críticas realizadas hasta el momento.  
Al final, argumentamos que, a pesar de las contradicciones identificadas, se trata  
de un campo potencialmente prometedor para abrir caminos originales para la  
construcción de alternativas más justas e inclusivas para la paz, particularmente  
cuando se articula con perspectivas de género, enfoques locales y cosmovisiones  
y prácticas indígenas.  
Palavras clave: Environmental Peacebuilding; Estudios para la Paz; Perspectivas  
de Género; Prácticas Indígenas  
1 INTRODUÇÃO  
A proteção ao meio ambiente tem ganhado cada vez mais visibili-  
dade, particularmente com o aumento de catástrofes climáticas que afe-  
tam diretamente o bem-estar da população civil. Nesse sentido, diversos  
movimentos e ativistas ambientais tem atuado para que mais ações sejam  
adotadas por parte dos Estados, a fim de assegurar um meio ambiente  
sustentável, limpo e saudável para as próximas gerações, o que é inclusive  
resguardado como direito humano pela ONU (Organização das Nações  
Unidas, 2022).  
Dentro do campo dos Estudos para Paz, a discussão envolvendo a  
temática ambiental não é nova. Com o advento do que convencionou de-  
signar Estudos Críticos de Segurança Internacional, notou-se um proces-  
so de ampliação e aprofundamento das discussões sobre o que seria uma  
ameaça à segurança internacional. A partir dessa perspectiva, segurança  
78  
Aureo Toledo, Ana Flávia Vilela Silva Environmental Peacebuilding: definições, tendências e contradições de um emergente campo de estudos  
internacional não deveria estar restrita apenas à busca do conhecimento  
cumulativo sobre a ameaça, uso e controle da força militar (Walt, 1991).  
Pelo contrário, a ênfase na dimensão militar restringiria em demasiado a  
compreensão das ameaças contemporâneas.  
Adicionalmente, em termos metodológicos, a centralidade do  
Estado impediria a apreciação de novos atores do campo, além de man-  
ter tal entidade como referente último da segurança (Krause; Williams,  
1997). Por conseguinte, a ampliação temática da agenda de pesquisa, as-  
sim como suas revisões ontológicas e epistemológicas possibilitaram pes-  
quisas sistemáticas sobre a conexão entre meio ambiente e segurança in-  
ternacional. Surgiram assim perspectivas favoráveis à tal vinculação (e.g.  
Gleick, 1991), até àquelas críticas, as quais argumentam que o foco tradi-  
cional da segurança nacional – a violência interestatal – tem pouco em  
comum com os problemas ou soluções ambientais (e.g. Deudney, 1990).  
De um ponto de vista da construção da paz, destaca-se a partir da  
3
década de 1990 o debate sobre environmental peacebuilding o qual, em li-  
nhas gerais, aborda a temática por duas vias. De um lado, argumenta-se que  
cooperação ambiental pode contribuir para a construção da paz; por outro,  
a disputa por recursos naturais pode intensificar ou gerar conflitos (Ide et al.,  
2021). Tais estudos representaram uma contribuição importante, pois possi-  
bilitam o entendimento da paz de modo mais duradouro e abrangente. Isso  
ocorre pois considera-se tanto a esfera de prevenção de conflitos, quanto a  
construção de paz durante e após conflitos, tendo o meio-ambiente como  
elemento-chave para a segurança e a construção de cooperação (Dresse et  
al., 2019; Johnson; Rodríguez; Hoyos, 2021; Krampe; Swain, 2021).  
Embora seja uma área de pesquisa recente e heterogênea (Krampe;  
Swain, 2021), a environmental peacebuilding tem se consolidado como  
um terreno fértil para o desenvolvimento de pesquisas dentro dos  
Estudos para a Paz, sobretudo quando notamos as crescentes contribui-  
ções envolvendo paz e gênero, abordagens locais, e perspectivas indíge-  
nas por exemplo (Ide et al., 2021). Contudo, no âmbito da política inter-  
nacional, encontramos uma incoerência notável, na medida em que di-  
versas lideranças reconhecem o caráter global dos problemas ambientes,  
porém procuram eximir-se de suas responsabilidades para a resolução  
do problema (Ide, 2017). Ademais, é possível também notar que os danos  
das mudanças do clima são assimétricos, recaindo principalmente sobre  
países subdesenvolvidos, que, em geral, são os menores emissores de po-  
luentes nocivos ao meio ambiente (Maathai, 2009; Marcantonio, 2022).  
Diante desse panorama, este artigo se propõe a fazer uma revisão  
da literatura sobre environmental peacebuilding. Mediante análise qua-  
litativa de textos selecionados, o artigo estrutura-se em três seções, ex-  
cetuando-se esta introdução e as considerações finais. Na primeira seção  
apresentamos as relações analíticas entre os Estudos para Paz e o debate  
sobre environmental peacebuilding, destacando os conceitos centrais.  
Na segunda seção discutimos as tendências de estudo mais recente no  
campo. Por fim, na seção seguinte, apresentamos as principais críticas  
3. Dado não haver uma tradução consagrada para o português dessa expressão, optamos por mantê-la no  
original em inglês.  
79  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 77-96  
direcionadas a environmental peacebuilding. Ainda que modesto, com-  
preendemos que, nesses termos, o artigo contribui para apresentação e  
discussão de faceta importante dos debates relativos à construção da paz.  
2 CONCEITUANDO ENVIRONMENTAL PEACEBUILDING  
Como anteriormente apontado, a discussão sobre meio ambiente,  
recursos e conflitos não é nova, de modo que há a necessidade de desta-  
carmos qual o ganho analítico de discutir tais temas a partir dos Estudos  
para Paz. Nesse sentido, antes de adentrarmos especificamente sobre os  
conceitos próprios de environmental peacebuilding, convém demarcar  
em que bases a presente discussão será realizada.  
Uma das bases seminais do campo dos Estudos para a Paz é a dis-  
tinção proposta por Johan Galtung (1969) entre paz negativa e paz posi-  
tiva. Segundo Oliveira (2017), essa distinção resultou em epistemologias  
distintas para a investigação da paz. Para Galtung (1969), a paz negativa  
se define pela ausência de violência física e psicológica, o que, consequen-  
temente, direciona a investigação para maneiras de findar conflitos dire-  
tos — em uma escala ampliada, as guerras. Por outro lado, paz positiva  
ilumina as razões estruturais da violência, como injustiça econômica e  
opressão social, por exemplo, nos levando a inquirir como podemos su-  
perar determinações que causam e/ou sustentam ações violentas. Dessa  
perspectiva, qualquer tentativa de construção da paz perpassa análise e  
enfrentamento das condicionantes estruturais da violência.  
Tomando como referência tais epistemologias para estudo da cons-  
trução da paz, vemos que o meio ambiente é discutido em ambas. Em  
termos de paz negativa, a temática ambiental é vinculada diretamente à  
eclosão de conflitos violentos e um dos exemplos mais ilustrativos des-  
sa perspectiva é oriundo dos trabalhos de Thomas Homer-Dixon (2001).  
Segundo o autor, pressões sobre recursos e degradação ambiental levam  
a escassez e, consequentemente, violência, com destaque para conflitos  
étnicos, golpes de Estado e insurgência. Há igualmente discussões sobre  
como acesso a determinados recursos saqueáveis, como diamantes, pe-  
tróleo, entre outros, também podem dar início a disputas geopolíticas  
e intraestatais. Contudo, conforme Ramsbotham, Woodhouse e Miall  
(2011) apontam, a escassez é ocasionada por competições políticas.  
Por outro lado, quando tratamos do meio ambiente pelo prisma da  
paz positiva, a temática ambiental passa a ser vista como o pano de fundo  
para a compreensão de conflitos, muitas vezes compondo o cenário de  
violência estrutural que condiciona as disputas em questão. Isso é mais  
evidente em questões relativas a mudanças do clima pois, como salien-  
tam Ramsbotham, Woodhouse e Miall (2011), seus impactos tendem a  
ampliar as possibilidades de desastres naturais que fragilizam diversas  
populações ao redor do mundo, porém não está diretamente vinculada  
à erupção de conflitos armados violentos. É a partir dessa segunda pers-  
pectiva que procuraremos enquadrar as discussões contemporâneas de  
environmental peacebuilding.  
Environmental peacebuilding surgiu na literatura nos anos 1990  
(Ide et al., 2021; Marcantonio, 2022), apresentando diversas definições, de  
80  
Aureo Toledo, Ana Flávia Vilela Silva Environmental Peacebuilding: definições, tendências e contradições de um emergente campo de estudos  
acordo com especificidades de cada autor. Uma definição clássica afirma  
que “environmental peacebuilding compreende as múltiplas abordagens  
e caminhos pelos quais o manejo de problemas ambientais são integrados  
e podem sustentar a prevenção, mitigação, resolução e recuperação de  
conflitos” (Ide et al., 2021, p. 2–3). Outras definições expandem o escopo  
do campo para além do manejo ambiental, enfatizando a cooperação en-  
tre as partes de um conflito violento como resposta aos desafios ambien-  
tais, com o objetivo de construir uma paz duradoura (Dresse et al., 2019;  
Johnson; Rodríguez; Hoyos, 2021).  
A premissa central desse campo é que questões ambientais trans-  
fronteiriças podem ser transformadas em oportunidades para substituir  
a rivalidade por parcerias de longo prazo. Em conflitos interestatais, pro-  
põe-se subverter as fronteiras político-administrativas em favor de frontei-  
ras ecossistêmicas. Ou seja, trata-se de buscar soluções de win-win, ao pro-  
mover o diálogo e entendimento entre os atores envolvidos (Dresse et al.,  
2019), inclusive em contextos marcados por conflitos sociais e políticos em  
múltiplas escalas. Sob essa perspectiva, os autores interpretam a paz cons-  
truída pelos projetos de EPB como um continnum entre paz negativa e paz  
positiva (Johnson; Rodríguez; Hoyos, 2021; Sommer; Fassbender, 2024).  
Além da incorporação das epistemologias de paz negativa e positi-  
va, o campo de environmental peacebuilding incorpora outros entendimen-  
tos dentro do continuum de paz. Ide (2019) amplia o entendimento de  
paz ao discutir três cenários de construção de paz, esquematizados na  
figura 1. A primeira concepção descrita pelo autor é a ausência de conflito  
violento. Nessa perspectiva, a construção de paz ambiental busca prevenir  
a eclosão de violência resultante da exploração descontrolada de recursos  
naturais, da destruição de ecossistemas ou do colapso de meios de subsis-  
tência baseados no meio ambiente bem como evitar conflitos em que um  
ou mais Estados iniciem violência direta ou ameacem (Ide, 2019).  
A segunda concepção entende a paz como um processo de aproxi-  
mação simbólica, em que o meio ambiente se torna um canal de reconci-  
liação e confiança entre as partes, a partir da gestão conjunta de recursos  
(Ide, 2019; Johnson; Rodríguez; Hoyos, 2021; Sommer; Fassbender, 2024).  
Nesse cenário, a paz é alcançada quando as partes em conflito constroem  
uma identidade comum. Essa visão reconhece o papel central da política  
simbólica — por exemplo, ao rotular o outro como uma ameaça ou como  
um aliado — na dinâmica dos conflitos, assumindo que a paz vai além da  
ausência de violência, incluindo a ideia de que o conflito violento pode  
se tornar inconcebível em virtude da construção de relações simbólicas  
positivas (Ide, 2019).  
Por fim, a terceira concepção entende a paz pela integração substan-  
cial, alcançada mediante maior coordenação e comunicação entre grupos  
sociais ou pela criação de formas positivas de interdependência transso-  
cietal, tais como vínculos econômicos ou entre organizações da socieda-  
de civil dentro dos Estados ou entre Estados. Nesse sentido, a paz não se  
limita à ausência de violência nem à aproximação simbólica, mas envolve  
uma integração substancial entre comunidades ou Estados, tanto em ter-  
mos institucionais quanto por meio de conexões transsocietais (Ide, 2019;  
Johnson; Rodríguez; Hoyos, 2021).  
81  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 77-96  
Figura 1 – Cenários de Cooperação ambiental e de construção de paz  
Fonte: Extraído de Ide (2019, p. 330).  
Ademais, outro conceito importante para avaliar a construção de  
paz a partir do viés prático de análise projetos de environmental peace-  
building, é o de dimensões da paz, descrito por Ide et al (2021). Segundo  
estes autores, a análise de environmental peacebuilding deve considerar  
três dimensões principais: (i) segurança; (ii) meios de subsistência e economia;  
e (iii) política e relações sociais.  
A dimensão da segurança aborda a gestão inclusiva dos recursos  
naturais para prevenir conflitos e proteger comunidades da degradação  
ambiental. A dimensão dos meios de subsistência e economia analisa como  
a insegurança econômica e a ausência de oportunidades contribuem para  
a persistência de conflitos. A dimensão política e relações sociais examina  
como os desafios ambientais podem se tornar pontos de cooperação e diá-  
logo entre grupos em conflito, fortalecendo a resiliência frente a desafios  
globais, como as mudanças climáticas (Ide et al., 2021). Outros autores  
ainda apresentam uma quarta dimensão possível, a das capacidades, em  
que os atores reconhecem a necessidade de criar alternativas para enfren-  
tar, mitigar ou se adaptar às ameaças aos seus direitos humanos, sociais e  
ambientais. Essa abordagem enfatiza que a paz começa com a capacidade  
individual de exercer “liberdades substanciais” ou “oportunidades de es-  
colher e agir” (Johnson; Rodríguez; Hoyos, 2021)  
Além dessa diversidade disciplinar, os estudos em environmental  
peacebuilding também se caracterizam pela variedade de abordagens  
empíricas e níveis de análise. A literatura distingue estudos intraesta-  
tais — por exemplo, aqueles com foco na Colômbia — e interestatais —  
como os que analisam o Paquistão após as Guerras Indo-Paquistanesas  
(Johnson; Rodríguez; Hoyos, 2021). Teoricamente, o campo também  
apresenta duas principais vias interpretativas: uma voltada à cooperação  
ambiental; e outra à gestão de recursos naturais e aos riscos associados a  
sua escassez ou má administração (Krampe; Swain, 2021).  
A discussão sobre cooperação ambiental parte do pressuposto de que  
o manejo compartilhado de recursos pode gerar confiança e capital so-  
cial, criando condições para uma paz sustentável (Krampe; Swain, 2021).  
Essa vertente entende que a interdependência ambiental pode substituir  
a lógica de confronto por uma lógica de colaboração, promovendo ações  
conjuntas contra a destruição do meio ambiente (Johnson; Rodríguez;  
82  
Aureo Toledo, Ana Flávia Vilela Silva Environmental Peacebuilding: definições, tendências e contradições de um emergente campo de estudos  
Hoyos, 2021; Sommer; Fassbender, 2024). Em termos práticos, em ce-  
nários de baixo conflito, a cooperação ambiental tem se mostrado uma  
ferramenta eficaz na consolidação da paz recém-estabelecida, trazendo  
benefícios como a redução de vulnerabilidades econômicas e ambientais  
frente às mudanças climáticas. Em comparação à cooperação política ou  
securitária, ela é menos controversa, mais acessível e mais conectada às  
necessidades do cotidiano, reforçando os laços sociais e relações inter-  
pessoais, fortalecendo a confiança e o bem-estar entre os atores e facili-  
tando a criação de consensos, para além do impacto econômico obtidos  
(Sommer; Fassbender, 2024).  
Em segundo lugar, a abordagem dos riscos de recursos, por sua vez,  
concentra-se nos recursos naturais como possíveis catalisadores de con-  
flitos. O argumento central é que a escassez e a degradação ambiental  
podem intensificar disputas, aumentando o risco de violência (Krampe;  
Swain, 2021). Por isso, a gestão sustentável e compartilhada desses re-  
cursos torna-se essencial, tanto para evitar novos conflitos quanto para  
promover a restauração das relações entre países. Essa abordagem tam-  
bém exige a superação das causas estruturais e profundas dos conflitos —  
como desigualdades, pobreza e má governança — por meio do fortaleci-  
mento institucional e da administração equitativa dos recursos (Johnson;  
Rodríguez; Hoyos, 2021; Krampe; Swain, 2021; Marcantonio, 2022).  
Autores como Marcantônio (2022) propõem uma ampliação crítica  
do debate sobre essa abordagem de risco de recursos, ao distinguir mane-  
jo de recursos naturais e manejo ambiental. Segundo Marcantônio (2022),  
enquanto o primeiro conceito está focado no acesso e conservação, o se-  
gundo prioriza a proteção da saúde humana diante dos impactos ambien-  
tais. Para além, diversas ONGs apontam que o manejo ambiental exige  
instituições e marcos legais robustos para garantir um desenvolvimento  
sustentável durante a reconstrução no pós-guerra.  
Adicionalmente, Marcantonio (2024) também chama atenção para  
os riscos da ausência de manejo ambiental; para ele, os maiores perigos  
à vida humana hoje são representados pela poluição e pelas mudanças  
climáticas, que já matam mais do que muitos conflitos armados. Esses  
impactos não são distribuídos de maneira equitativa: países pequenos e  
médios do Sul Global são os mais afetados, enquanto os grandes emis-  
sores sofrem menos consequências, perpetuando assimetrias de poder  
(Marcantonio, 2024). Assim, urge que o campo de environmental peace-  
building também incorpore o manejo ambiental e reflita sobre formas de  
cooperação voltadas à mitigação dos problemas ambientais atuais, para  
além da análise de conflitos.  
No que tange a elaboração de projetos de environmental peace-  
building, Dresse et al. (2019) identificam três trajetórias principais, que  
embora distintas em seus fundamentos, frequentemente se entrelaçam  
na prática. As autoras utilizam a ideia de blocos fundamentais (building  
blocks) para dividir essas trajetórias, quais sejam: (i) as condições iniciais  
em que as partes iniciam a cooperação ambiental; (ii) os mecanismos uti-  
lizados para superar obstáculos da cooperação; e, por fim, (iii) os resulta-  
dos alcançados com a cooperação.  
83  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 77-96  
Figura 2 – Quadro de trajetórias do Environmental Peacebuilding  
Fonte: Extraído de Dresse et al. (2019, p. 8).  
A primeira trajetória é a technical environmental peacebuilding, basea-  
da na ideia de que soluções técnicas, como a gestão eficiente de recursos,  
podem reduzir as causas ambientais dos conflitos. Essa abordagem tende  
a ser aplicada em contextos de violência aberta, mas é limitada quando  
ignora os níveis de autoridade e as necessidades locais, resultando em  
projetos desconectados das realidades sociais que pretendem transformar  
(Dresse et al., 2019).  
A segunda trajetória é a restorative environmental peacebuilding, que  
propõe a criação de espaços coletivos de reconhecimento de injustiças e  
reconstrução de vínculos entre as ex-partes combatentes e entre os diver-  
sos grupos das sociedades em questão. Nesse caso, o diálogo ambiental  
serve como instrumento de transformação de percepções e reconfigura-  
ção de identidades, abrindo caminho para novas formas de convivência e  
colaboração (Dresse et al., 2019).  
A terceira trajetória, a do sustainable environmental peacebuilding, en-  
fatiza a importância de uma distribuição equitativa dos recursos como  
pré-requisito para o desenvolvimento sustentável e para a paz. Essa abor-  
dagem busca integrar diferentes escalas de governança e promover uma  
justiça ambiental que vá além da mitigação de danos, atacando direta-  
mente as causas estruturais dos conflitos. Ainda assim, sua efetividade  
depende da capacidade de articulação entre atores locais, regionais e in-  
ternacionais, o que nem sempre é alcançado (Dresse et al., 2019).  
No que diz respeito à implementação e ao monitoramento dos pro-  
jetos de environmental peacebuilding, é necessário que haja uma abor-  
dagem integrada que considere desde o planejamento até a avaliação de  
resultados, com foco na interação entre fragilidades ambientais e riscos  
de conflito. Isso envolve cinco etapas principais: (i) analisar como fatores  
84  
Aureo Toledo, Ana Flávia Vilela Silva Environmental Peacebuilding: definições, tendências e contradições de um emergente campo de estudos  
ambientais se relacionam com dinâmicas de conflito; (ii) revisar os impac-  
tos ambientais das atividades propostas; (iii) desenvolver estratégias para  
mitigar danos e ampliar benefícios ambientais; (iv) avaliar a capacidade  
da equipe e estabelecer parcerias estratégicas; e (v) alinhar as operações  
institucionais com políticas ambientais. Essas etapas reforçam o compro-  
misso ético e transformador dos projetos, promovendo soluções susten-  
táveis e sensíveis ao contexto local (Metcalfe; Thayer, 2024). Os proces-  
sos de monitoramento e os resultados dessas iniciativas estão disponí-  
veis em plataformas online, como a Nature-based Solutions (NbS) Initiative  
Homepage, que reúne estudos de caso (Nature-based Solutions Initiative,  
2025) e mapas de projetos (World Bank, 2025) que mostram os projetos de  
peacebuilding ao redor do mundo.  
3 TENDÊNCIAS RECENTES NA PESQUISA SOBRE ENVIRONMENTAL  
PEACEBUILDING  
Dentre as tendências mais recentes de discussões envolvendo en-  
vironmental peacebuilding, uma nova leva de trabalhos tem buscado  
ampliar os temas e métodos do campo (Ide et al., 2021). Logo, esta seção  
apresenta cinco tendências recentes na literatura sobre environmental  
peacebuilding: (i) o debate sobre programação sensível do conflito; (ii) a  
incorporação de tecnologias emergentes; (iii) cosmovisões e práticas indí-  
genas; (iv) a virada local; e (v) a dimensão do gênero.  
Uma das tendências é a programação sensível ao conflito, que propõe  
atuar dentro do contexto de conflito, em vez de manter o foco exclusivo  
em sua resolução. Essa abordagem reconhece que intervenções descon-  
textualizadas — mesmo quando bem-intencionadas — podem agravar  
tensões locais. O objetivo dessa abordagem é mitigar impactos negativos  
e fomentar interações que não aprofundem as dinâmicas de violência (Ide  
et al., 2021).  
Um exemplo ilustrativo desse efeito negativo é a reforma rural im-  
plementada na Colômbia após o acordo de paz de 2016. Durante a Guerra  
Civil na Colômbia (1964-2013), as FARC detinham o controle de parte das  
florestas do país. Esse controle restringiu a utilização das florestas por  
civis, o que, por um lado auxiliou na conservação das florestas, mas por  
outro, também promoveu o cultivo de coca e a abertura de estradas, me-  
diante atuação de grupos insurgentes, fato que contribuía para a degrada-  
ção ambiental. As negociações para o acordo de paz ocorreram entre 2013  
e 2016 e dentre as cláusulas previstas no acordo final, estava a elaboração  
do que foi chamado de Reforma Rural Integral (RRI) (Murillo-Sandoval  
et al., 2020).  
Um dos princípios dessa reforma era o desenvolvimento abrangen-  
te das áreas rurais, resguardando o meio ambiente, prezando pela susten-  
tabilidade socioambiental e levando em consideração a abordagem étnica  
e de gênero. O acordo propunha e formalizava (1) o acesso à terra, por  
meio da criação de um fundo de terras que será preenchido por terras  
vagas ou indevidamente apropriadas; (2) a proteção a áreas de reserva;  
(3) o fechamento da fronteira agrícola; (4) a construção de infraestrutu-  
ra, como estradas, acesso à água e (5) o Programa Nacional Integral de  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 77-96  
Substituição de Cultivos de Uso Ilícito (PNIS), o qual seria baseado na  
substituição dos cultivos ilícitos, a partir de acordos com comunidades, a  
fim de que elas se comprometam a não replantar e a substituir por produ-  
tos lícitos (Government of Colombia; FARC-EP, 2016).  
Contudo, ao se monitorar a prática da aplicação do acordo de paz,  
é possível perceber que o vácuo deixado pela saída da FARC levou a dis-  
putas e pressões para a utilização intensiva e desregrada da terra. Em  
razão da ineficiência do controle estatal, diversos investidores externos  
começaram a especular sobre a comercialização das terras agrícolas, o  
que culminou na expansão das fronteiras agrícolas. Apesar de campone-  
ses e pequenos agricultores terem se beneficiado dos programas adotados  
pelo governo, o que ocorreu, em sua maioria, foi a expansão da pecuária  
em larga escala e de mercados ilegais especulativos de terra. Além disso,  
também houve a disseminação do cultivo de coca, pois, mesmo com o  
Programa Nacional Integral de Substituição de Cultivos (PNIS), grupos  
armados, dissidentes das FARCs e traficante de drogas perpetuaram e  
ampliaram o cultivo de coca em algumas regiões da Colômbia (Murillo-  
Sandoval et al., 2020).  
Desse modo, diversos impactos negativos podem ser percebidos no  
caso colombiano de construção de paz, haja vista que as tensões agrárias  
existentes no país se exacerbaram, resultando, além dos efeitos já men-  
cionados, no aumento das pressões nas regiões de floresta. Por efeito, isso  
provoca também o acirramento dos conflitos entre campesinos e dissi-  
dentes da FARC, por exemplo, na região de Montes de María (Lederach,  
2023).  
Outra inovação importante é a incorporação de tecnologias emergen-  
4
tes como inteligência artificial, sistemas de informação geográfica (GIS)  
5
e blockchain . Essas ferramentas têm potencial para fortalecer sistemas  
de alerta precoce, apoiar decisões em tempo real, monitorar dinâmicas  
de conflito e fomentar ações comunitárias. No entanto, seu uso também  
impõe desafios significativos, como riscos à privacidade, problemas com  
a qualidade e integridade dos dados e a possibilidade de amplificação de  
tensões políticas e sociais (Ide et al., 2021).  
Um exemplo dessa abordagem é o estudo de Sowers e Weinthal  
(2021 apud Ide et al. 2021). Este trabalho analisa os ataques à infraestrutu-  
ra civil no Iêmen entre 2011 e 2019 e quais os impactos que eles trouxeram  
para a segurança humana e as dificuldades enfrentadas para a construção  
de paz na região, em termos logísticos e éticos. A guerra no Iêmen, de  
acordo com o autor, é caracterizada pelo ataque às infraestruturas essen-  
ciais do país, levando a inúmeras mortes civis – que inclusive ultrapassam  
às dos combatentes – e à degradação dos sistemas de água, energia, saúde  
4. Sistemas de Informação Geográfica são ferramentas computacionais que capturam, armazenam, analisam,  
gerenciam e visualizam dados, permitindo realizar consultas, sobreposição de dados e geração de dados. Uma das  
aplicações desse sistema é o monitoramento de desastres naturais e de mudanças ambientais. Esse rastreio pode  
contribuir para detectar padrões, prever cenários e formular políticas baseado nesses achados (Jonker, 2023).  
5. Blockchain é uma tecnologia de registro digital descentralizado que permite registrar e rastrear transações com  
segurança e transparência. Cada transação é armazenada em blocos conectados em cadeia e protegidos contra  
alterações, promovendo confiança entre os envolvidos. Uma aplicação dessa tecnologia são os registros de dados  
de suprimentos, terras ou doações internacionais em contexto de conflito ou de construção de paz (IBM, 2025).  
86  
Aureo Toledo, Ana Flávia Vilela Silva Environmental Peacebuilding: definições, tendências e contradições de um emergente campo de estudos  
e agricultura, culminando em violência por impactos diretos (ataques ar-  
mados) e indiretos (desnutrição, fome e surto de doenças). Além disso, es-  
ses ataques, para além da segurança humana, também impactam o meio  
ambiente (Sowers; Weinthal, 2021).  
Neste artigo, os autores expõem algumas tecnologias que foram  
utilizadas nos esforços de paz. Um dos exemplos são as coordenadas de  
GPS, que foram utilizadas pelo Programa Alimentar Mundial para o ras-  
treamento eletrônicos de alimentos e o mapeamento das distribuições  
geográficas de incidentes registrados nos bancos de dados. Contudo, há  
uma ampla dificuldade na coleta de informações confiáveis. Exemplo  
disso é o fato de que os projetos que produzem bancos de dados, como  
o Civilian Impact Monitoring Project, não coletam informações específicas  
sobre a identidade dos perpetradores dos crimes. Além disso, a utiliza-  
ção de tecnologia na construção de paz também enfrenta resistências,  
pois há o temor de vazamento de informações, que poderiam prejudicar  
os civis no conflito, revelando onde os grupos estariam localizados e os  
transformando em alvos para os grupos beligerantes. Assim, apesar de  
haver diversos benefícios na utilização dessas tecnologias na construção  
de paz, sua utilização ainda é restrita, em razão dessas limitações expos-  
tas (Sowers; Weinthal, 2021).  
Além dessas perspectivas, ganha-se destaque a incorporação das  
cosmovisões e práticas indígenas ao debate sobre environmental peacebuil-  
ding, especialmente no contexto latino-americano. No caso das comu-  
nidades indígenas do Cauca, na Colômbia, práticas como as da Guarda  
Indígena ilustram formas autônomas de proteção territorial que resistem  
tanto à violência armada quanto aos modelos hegemônicos de constru-  
ção da paz. A noção de “mala muerte”, utilizada para descrever mortes  
violentas associadas ao conflito armado, expressa uma cosmologia que  
relaciona a violência a desequilíbrios na harmonia entre seres humanos,  
natureza e ancestralidade. Essas perspectivas ampliam os horizontes do  
environmental peacebuilding ao situar o cuidado com o meio ambiente  
dentro de uma rede de significados que transcende as categorias ociden-  
tais de segurança e conservação (Ruette-Orihuela et al., 2023).  
Nas contribuições indígenas, também é de suma importância a re-  
lação entre autonomia territorial e conflito. A defesa do território pelas  
comunidades indígenas frequentemente entra em confronto com os inte-  
resses de forças de segurança, grupos armados ilegais, narcotráfico, em-  
preendimentos de mineração e monoculturas. Na cosmologia indígena, a  
terra é entendida não apenas como um recurso, mas como espaço vital de  
existência, o que transforma sua proteção em um ato de resistência frente  
ao mundo externo, o que pode gerar retaliações e novas formas de vio-  
lência dentro da sociedade (Ruette-Orihuela et al., 2023). Assim, as abor-  
dagens indígenas ao environmental peacebuilding estão profundamente  
ligadas à luta por autodeterminação e pelo controle de seus próprios re-  
cursos. Seus saberes e práticas não apenas enriquecem os debates sobre  
paz ambiental, mas também desafiam as estruturas políticas, ontológicas  
e epistemológicas que historicamente marginalizaram essas populações.  
Além disso, destacam-se as contribuições da virada local e das aborda-  
gens de baixo para cima (bottom-up approaches), que enfatizam a participação  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 77-96  
das comunidades locais nos processos de construção da paz (Ide et al.,  
2021). Nesse contexto, a crítica à paz liberal não se opõe às suas aspirações,  
mas à sua tendência de manter o status quo por meio de práticas interven-  
cionistas, resultando em uma paz frágil e superficial, marcada por confli-  
tos latentes. Como alternativa, surge a abordagem pós-liberal ou de paz  
híbrida, inspirada em perspectivas pós-coloniais, que reconhece as formas  
pelas quais as populações locais negociam, resistem ou subvertem o mo-  
delo liberal nas dinâmicas de conflito (Mac Ginty, 2011; Richmond, 2011).  
Contudo, os projetos de environmental peacebuilding têm enfren-  
tado dificuldades em integrar, de forma efetiva, as abordagens de bai-  
xo para cima, as quais facilitariam a construção da paz entre diferentes  
grupos sociais que atuam em múltiplas escalas e sob distintas formas  
de legitimidade sociopolítica (Johnson; Rodríguez; Hoyos, 2021). Nesse  
sentido, algumas experiências podem ser destacadas, como o trabalho  
da Burt e Keiru (2011), o qual analisa o fortalecimento da construção de  
paz mediante manejo de água, na República Democrática do Congo, no  
Afeganistão e na Libéria. Esse trabalho aponta como a gestão de recursos  
hídricos foi um pilar na construção de paz, mediante perspectiva na qual  
as comunidades foram protagonistas nas iniciativas de paz. Destaca-se  
também o papel de instituições, como a ONG Tearfund, a qual ofereceu  
serviços básicos de água, saúde e saneamento, além de promover treina-  
mentos sobre gerenciamento de recursos para as comunidades dos casos  
supracitados, a fim de auxiliar no desenvolvimento das capacidades locais  
e na integração destas. Dessa forma, esses organismos internacionais con-  
seguem empoderar a população local e permitir que elas sejam protago-  
nistas das iniciativas de paz (Burt; Keiru, 2011).  
Outros três casos são fundamentais para entender a dimensão do  
local dentro do environmental peacebuilding e suas consequentes limi-  
tações. Em primeiro lugar, destaca-se o artigo de Ide, Palmer e Barnett  
(2021), sobre o modelo local de environmental peacebuilding no Timor-  
Leste. Nele se analisa a incorporação do tara bandu na gestão ambiental.  
O tara bandu é uma prática ritualística que tem por propósito proteger  
plantações, fontes de água e o meio ambiente como um todo, por meio da  
mediação de disputas de terras e demarcação de limites territoriais. Dessa  
forma, previne-se que haja violência dentro da comunidade. De acordo  
com os autores, essa prática é bem-sucedida naquilo que se propõe, sendo  
uma ferramenta eficaz na construção de uma paz sustentável, uma vez  
que, por ser realizada por lideranças locais, favorece o apaziguamento de  
relações sociais que podem vir a ser ou são conflitantes.  
Nos últimos anos tem havido uma incorporação do tara bandu tan-  
to em práticas estatais quanto em outros contextos de construção de paz  
internacional. Os autores chamam a atenção para este processo, pois ao  
adotar essa prática irrefletidamente, isso pode gerar um engajamento su-  
perficial. Além disso, o fato de que essa prática é intrínseca a uma cos-  
movisão local, faz com que ao padronizá-la, a população local perca seu  
controle, fracassando em seu objetivo primordial, qual seja, a integração  
das comunidades locais. Logo, apesar prática do tara bandu ser um caso  
de sucesso de iniciativa bottom-up de construção de paz no Sul Global –  
contrariando a visão ocidental de que os países do sul são incapazes de  
88  
Aureo Toledo, Ana Flávia Vilela Silva Environmental Peacebuilding: definições, tendências e contradições de um emergente campo de estudos  
resolver seus problemas sem auxílio do ocidente –, sua transmutação para  
contextos externos pode causar fricções e levar à perda do protagonismo  
das abordagens bottom-up (Ide; Palmer; Barnett, 2021).  
Em segundo lugar, Johnson (2021) analisa a construção de paz em  
Serra Leoa, caso fundamental para se pensar as limitações das aborda-  
gens de baixo para cima. Após o fim dos conflitos, a governança ambien-  
tal tornou-se um pilar da agenda de construção de paz em Serra Leoa,  
sendo fundamental resolver a questão das disputas por tantalita (“a pe-  
6
dra negra”) e pelo direito e posse de terras no distrito de Bombali entre  
proprietários (representada pela MIACCO, cooperativa de proprietários)  
e AMR- Gold Exploration, uma empresa multinacional.  
Nesse cenário, tornou-se necessário a realização do que o autor  
conceituou como hibridismo institucional, em síntese, a integração polí-  
tica de diversos atores e grupos que pudessem contribuir para as reformas  
institucionais no pós-conflito. Embora haja críticas sobre a iliberalidade  
das iniciativas adotadas no contexto de Bombali, essa solução foi capaz  
de cumprir com o objetivo da agenda de construção de paz: construir  
uma governança ambiental mais participativa. Assim, o artigo mostra  
as limitações quanto à institucionalidade e à possibilidade de alimentar  
conflitos no curto prazo, porém, ela é vista como essencial para garantir  
a paz duradoura, mediante capacitação de atores locais que contribuirão  
para o redesenho institucional da região (Johnson, 2021).  
Por fim, Huda (2021) investiga a construção de paz local como res-  
posta ao populismo etnonacionalista. A região do Sul da Ásia é uma das  
regiões menos pacíficas do mundo e recentemente aumentou-se as ten-  
sões nesta região. Na Índia, por exemplo, o governo do Partido Bharatiya  
Janata (BJP) tem promovido políticas de exclusão, atacando muçulma-  
nos e vinculando a cidadania à identidade religiosa (Lei de Emenda da  
Cidadania). Isso levou a linchamentos, normalização do discurso de ódio  
e motins religiosos. No Paquistão, extremistas religiosos buscam uma  
identidade muçulmana sunita homogênea, com discriminação contra mi-  
norias religiosas e leis regressivas como a Lei da Blasfêmia (Huda, 2021).  
De acordo com o autor, para abordar o populismo etnonacionalista  
é necessária uma abordagem local de cooperação ambiental, pois essas  
abordagens conseguem mobilizar a juventude, abordar raízes culturais  
e religiosas do conflito, construir afinidades, criar formas regionais de  
identidade e de consistências locais, as quais sejam capazes de apoiar so-  
luções ecológicas para conflitos instáveis, como o da Índia e Paquistão.  
O trabalho, para tanto, apresenta dois estudos de caso: o da Floresta  
Sundarbans (entre a Índia e Bangladesh) e o do Deserto de Thar (entre a  
Índia e o Paquistão).  
No primeiro caso, há o treinamento de professores para problema-  
tizar os discursos históricos de ódio e disseminar teorias de justiça am-  
biental e interdependência ecológica. No segundo caso, há a troca entre  
6. Mineral valorizado bastante utilizado na indústria eletrônica. Ele pode se associar com a columbita, onde  
são nomeados de columbita-tantalina (de modo abreviado COltan), possuindo características químicas que  
suportam o calor sendo fundamentais para a utilização em computadores e automóveis. A mineração do coltan  
gera diversos conflitos, o Congo é um caso característico.  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 77-96  
alunos universitários, vinculando atividades educacionais e iniciativas  
ambientais, a partir do desenvolvimento de projetos de água e energia  
no Thar, por meio de parceria com a South Asian University (SAU). Diante  
disso, o resultado demonstra como a solução para a paz, nos casos de  
conflitos instáveis e históricos, não é possível em um curto período e com  
soluções normativas ocidentais, como é comumente proposto pelas alter-  
nativas top-down. As opções viáveis, nestes casos, apresentadas pelo autor,  
devem considerar vias de construção de paz locais, que se esforcem nas  
áreas de educação e do meio ambiente (Huda, 2021).  
Quando essas abordagens locais falham — seja por dinâmicas in-  
ternas, interferência externa ou fatores políticos — os riscos incluem a  
intensificação da exploração de recursos e o agravamento de conflitos  
comunitários. Diante da prevalência de formas contemporâneas de vio-  
lência política de natureza não estatal, cresce o interesse por práticas lo-  
cais de environmental peacebuilding, especialmente em temas relacionados  
à segurança humana e aos meios de subsistência (Ide et al., 2021). Dessa  
forma, integrar a comunidade local nos projetos é fundamental: não bas-  
ta elaborar intervenções unilaterais, é necessário estabelecer diálogo com  
a população afetada, para que a preservação ambiental promova, de fato,  
condições sustentáveis de paz.  
Ao levar em consideração as comunidades locais, também deve-  
-se ter um cuidado especial com a intersecção de gênero. Atualmente, den-  
tro do campo de environmental peacebuilding, o gênero carece de uma  
maior integração, sendo ainda pouco debatido. Apesar dos avanços desde  
a Resolução 1325 do Conselho de Segurança da ONU sobre Mulheres,  
Paz e Segurança, o tema permanece em posição marginal dentro do cam-  
po (Ide et al., 2021). Ainda assim, há alguns estudos que, mediante teorias  
feministas, propõe uma abordagem crítica sobre perspectivas de gênero  
nos processos de construção da paz.  
De acordo com Yoshida e Céspedes-Báez (2021), a agenda de  
Mulheres, Paz e Segurança (MPS) e o campo de environmental peacebuil-  
ding evoluíram separadamente, com poucos esforços voltados à análise  
abrangente das interconexões entre identidades de gênero e dinâmicas de  
poder. Contudo, as autoras argumentam que as contribuições feministas  
são cruciais para aproximar esses dois campos, uma vez que oferecem  
lentes analíticas mais completas para compreender as complexas formas  
pelas quais o meio ambiente se entrelaça com conflitos, questões de gêne-  
ro e ecologias vividas pelas populações afetadas (Metcalfe; Thayer, 2024;  
Yoshida; Céspedes-Báez, 2021).  
Embora as mulheres ocupem posições fundamentais como deten-  
toras de saberes tradicionais, lideranças comunitárias e mediadoras de  
conflitos, elas ainda enfrentam vulnerabilidades específicas no que se  
refere ao acesso e ao controle de recursos naturais, especialmente em  
contextos de desigualdade estrutural. Além disso, elas comumente são  
vistas unicamente como vítimas, e não reconhecidas como agentes ativas  
na construção da paz (Ide et al., 2021). Nesse sentido, o foco excessiva-  
mente estreito da agenda MPS na violência sexual relacionada aos con-  
flitos armados contribui para obscurecer uma consideração mais ampla  
sobre outras formas de violência (como a violência ecológica e ambiental,  
90  
Aureo Toledo, Ana Flávia Vilela Silva Environmental Peacebuilding: definições, tendências e contradições de um emergente campo de estudos  
por exemplo), que impactam diretamente os meios de vida das mulheres  
(Yoshida; Céspedes-Báez, 2021) e diminuem seus papeis em esforços de  
construção da paz.  
Por conseguinte, autoras feministas têm defendido que análises in-  
formadas por perspectivas de gênero — especialmente quando articula-  
da a uma abordagem interseccional — são essenciais para evidenciar as  
diferentes formas como homens e mulheres experimentam os impactos  
da degradação ambiental, reconhecendo que essas experiências também  
variam entre grupos sociais e localizações geográficas. Tal abordagem  
permite visibilizar o papel das mulheres em práticas sustentáveis, na me-  
diação de conflitos e na reconstrução dos vínculos dentro das comuni-  
dades locais. Com base nisso, propõe-se que a agenda MPS vá além da  
vitimização das mulheres e da mera inclusão das mulheres na gestão dos  
recursos naturais, a fim de considerar as mulheres como protagonistas  
para a construção da paz ambiental (Yoshida; Céspedes-Báez, 2021).  
4 DESAFIOS E CONTRADIÇÕES  
Embora environmental peacebuilding tenha como um de seus su-  
postos trunfos a proposta de transcender conflitos ideológicos, por meio  
da cooperação ambiental frente à ameaça existencial das mudanças cli-  
máticas, essa abordagem ainda carece de revisão e aprimoramento, es-  
pecialmente no que tange aos projetos implementados. Diversas inicia-  
tivas, ao invés de contribuir para a proteção ambiental, acabam gerando  
impactos negativos ao meio ambiente (Sommer; Fassbender, 2024). Entre  
as principais críticas dirigidas ao campo, destacam-se o caráter liberal e o  
viés ocidental que muitos projetos acabam por reproduzir.  
Nesse sentido, a aplicação de lógicas liberais aos projetos de envi-  
ronmental peacebuilding tem por efeito centrar as discussões no valor de  
mercado dos recursos naturais. Desse modo, as prioridades e capacidades  
locais tendem a ser ignoradas, o que compromete o sucesso das iniciati-  
vas (Dresse et al., 2019). Assim, ainda que a gestão de recursos naturais  
possa promover uma paz localizada, tais iniciativas muitas vezes não se  
expandem para níveis mais amplos e, em certos contextos, podem até  
minar a paz. Isso se agrava quando são aplicadas por meio de abordagens  
verticalizadas, nas quais a interação entre os diferentes níveis de gover-  
nança de recursos naturais aprofunda divisões entre Estado e sociedade  
ou desestabiliza a coesão social (Johnson; Rodríguez; Hoyos, 2021)  
Além dessas críticas, muitos autores apontam a necessidade de  
maior rigor metodológico, com a adoção de metodologias mais diversas  
e hipóteses mais bem formuladas (Johnson; Rodríguez; Hoyos, 2021).  
Soma-se a isso a escassez de conceitos teóricos robustos que articulem  
de forma clara a relação entre cooperação ambiental e construção da paz  
(Krampe; Swain, 2021). Um dos pressupostos teóricos da área de envi-  
ronmental peacebuilding é que a cooperação ambiental leva automatica-  
mente à construção da paz mediante efeitos spillover (transbordamento).  
Contudo, Dresse et al. (2019) apontam que eles não ocorrem de forma  
linear, tampouco são politicamente neutros. Ao contrário, podem ser  
moldados por desigualdades preexistentes, contextos locais e relações  
91  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 77-96  
assimétricas entre os atores envolvidos, resultando em trajetórias híbri-  
das cujos resultados nem sempre correspondem às expectativas iniciais.  
Dentro desse arcabouço, três pressupostos teóricos principais de  
spillover devem ser questionados. O primeiro diz respeito ao transborda-  
mento entre fronteiras políticas, baseado na noção de que “o meio am-  
biente não conhece fronteiras”, como nos casos de poluição da água ou  
mudanças climáticas. Todavia, essa perspectiva ignora as dinâmicas de  
poder locais e internacionais, bem como os desafios de adaptação ins-  
titucional entre fronteiras sociopolíticas e ecológicas, como o caso do  
Chipre, por exemplo (Dresse et al., 2019). Neste exemplo específico, de  
acordo com Zikos, Sorman e Lau (2015), as fronteiras sociopolíticas do  
modo como elas são conformadas impactam negativamente na gestão  
conjunta de água, uma vez que estratégias unilaterais tendem a ser adota-  
das, ao invés de primar pela cooperação entre os países da região. Assim,  
para construir uma governança sustentável da água, considerando que as  
questões ambientais são uma problemática transsocietal, seria necessário  
estabelecer uma fronteira ecológica. Isso poderia se dar mediante flexibi-  
lização das fronteiras sociopolíticas, visando o aumento da cooperação  
(Zikos; Sorman; Lau, 2015).  
Já o segundo pressuposto é o de transbordamento entre setores,  
sustentado pela interdependência do meio ambiente com áreas como eco-  
nomia, saúde e justiça. Contudo, essa interconexão representa um desfio,  
pois dificulta a atribuição de causalidade direta entre cooperação ambien-  
tal e paz. Por fim, o transbordamento entre escalas envolve a articulação  
entre níveis local, nacional e internacional. No entanto, essa abordagem  
corre o risco de reforçar assimetrias existentes, como demonstrado nos  
casos de Chipre e da cooperação hídrica entre Israel e Palestina (Dresse  
et al., 2019).  
Neste último caso, questiona-se a cooperação em contextos que há  
grande assimetria de poder e percepções distintas sobre direito e neces-  
sidades ambientais, como ocorre no Comitê Conjunto de Água (JWC),  
no caso de israelo-palestino. Os acordos do regime hídrico funcionaram  
como instrumento de contenção para apaziguar as demandas palestinas e  
manter o status quo de Israel na região, que segue dominando a bacia da  
Cisjordânia. Além disso, o acordo facilita as ambições territoriais e expan-  
sionistas de Israel na Cisjordânia e garante a Israel poder de veto sobre as  
questões aquíferas. A cooperação, neste caso, de acordo com o autor, é  
uma fachada para a perpetuação da dominação israelense, reforçando as  
assimetrias de poder o que torna uma cooperação ambiental plena dificil-  
mente executável (Selby, 2013).  
Outro ponto de fragilidade do campo é a escassa análise empírica  
e teórica sobre as interações entre os processos sociais, políticos e eco-  
lógicos envolvidos nos projetos de environmental peacebuilding. Temas  
como a resistência da população civil às intervenções, a instrumentali-  
zação política da retórica ambiental e os impactos ambientais concretos  
muitas vezes são negligenciados. Além disso, a dimensão do poder costu-  
ma ser subestimada: as desigualdades históricas, os interesses conflitantes  
e as relações sociais estabelecidas ao longo dos conflitos frequentemente  
92  
Aureo Toledo, Ana Flávia Vilela Silva Environmental Peacebuilding: definições, tendências e contradições de um emergente campo de estudos  
dificultam a cooperação ambiental e a gestão sustentável dos recursos na-  
turais, revelando formas de resistência por parte de determinados grupos  
sociais (Krampe; Swain, 2021).  
Além disso, Ide (2020) apresenta uma crítica sistemática ao campo  
de environmental peacebuilding, utilizando seis pontos que evidenciam  
seus impactos negativos, referindo-se a eles como os “6Ds”. O primeira  
delEs é a despolitização, que ocorre quando os projetos priorizam soluções  
técnicas e evitam discussões sobre as causas estruturais dos conflitos. O  
segundo é o deslocamento, que diz respeito à remoção de comunidades lo-  
cais de suas terras, muitas vezes sem compensações adequadas. O tercei-  
ro é a deterioração em conflito, que se dá quando os projetos acentuam ten-  
sões sociais, étnicas ou de gênero. O quarto é a deslegitimação do Estado,  
que surge quando o governo perde sua autoridade perante a população,  
por não liderar ou participar efetivamente da implementação das inicia-  
tivas. O quinto é a degradação ambiental, a qual ocorre quando a explora-  
ção de recursos naturais se intensifica, especialmente em zonas de gestão  
compartilhada. Por fim, o sexto ponto é a discriminação, que se refere à  
marginalização de grupos sociais durante os processos de construção da  
paz, seja por razões étnicas, sociais ou de gênero (Ide, 2020).  
A fim de contornar os efeitos negativos identificados nos “6Ds”,  
propõe-se uma estratégia multifacetada. Esta envolve a aplicação de ava-  
liações de impacto ambiental e social, acompanhadas de um rigoroso  
monitoramento externo. Tal fiscalização pode ser exercida por agências  
doadoras e pela imprensa internacional. Adicionalmente, é imperativo o  
desenvolvimento de marcos legais nacionais que coíbam práticas discri-  
minatórias e deslocamentos forçados. A estratégia se completa com a pro-  
moção de consultas públicas inclusivas e a integração das perspectivas de  
gênero e de conflito nas etapas mais precoces de cada projeto (Ide, 2020).  
Outrossim, autores como Davis et al. (2023) destacam a importância  
de incluir uma perspectiva crítica sobre as dinâmicas de poder na formu-  
lação e implementação de projetos de environmental peacebuilding. Para  
esses autores, é fundamental engajar-se no estudo das causas históricas  
da marginalização e da desigualdade no acesso aos recursos naturais, a  
fim de problematizar a origem das injustiças ambientais e transformar os  
conflitos de forma significativa. Segundo eles, é preciso “passar da lógica  
da resolução para a compreensão dos conflitos” (Davis et al., 2023), incor-  
porando uma concepção relacional de poder que permita à construção da  
paz assumir um caráter verdadeiramente transformador e sustentável.  
Por fim, é importante destacar que a literatura sobre environmen-  
tal peacebuilding ainda carece de diversidade. A maioria dos estudos é  
conduzida por autores homens, com pouca representatividade de pes-  
quisadores oriundos do Sul Global. Essa falta de inclusão pode levar a  
interpretações parciais ou distorcidas das dinâmicas socioecológicas, re-  
forçando a necessidade de uma colaboração mais plural entre estudiosos  
de diferentes contextos geográficos, sociais e epistemológicos (Johnson;  
Rodríguez; Hoyos, 2021).  
Em síntese, os desafios enfrentados pela environmental peacebuil-  
ding não se limitam às suas limitações técnicas ou operacionais, mas  
dizem respeito a estruturas mais profundas de poder, desigualdade e  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 77-96  
representação. Tornar o campo verdadeiramente transformador exige  
a incorporação de múltiplas vozes, metodologias críticas e uma atenção  
constante aos contextos locais.  
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
Este trabalho buscou realizar um apanhado das principais contri-  
buições da literatura sobre o campo de environmental peacebuilding.  
Como já destacado, em meio ao contexto de crise do clima que o mundo  
vivencia hoje, é necessário repensar as formas com que lidamos com a  
economia, a justiça e a segurança. O aumento dos trabalhos sobre envi-  
ronmental peacebuilding representa um ponto de partida relevante para  
repensar os Estudos para a Paz sob uma perspectiva não apenas mais  
sustentável. O diálogo desse campo com outros debates na área, particu-  
larmente as contribuições de perspectivas feministas e do Sul Global tem  
desempenhado um papel importante na ampliação e na diversificação do  
campo.  
Apesar de ainda operar, em grande parte, a partir de pressupostos  
neoliberais e de abordagens dominantes do Norte Global, o campo tem  
oferecido importantes ferramentas para refletir sobre os vínculos entre  
meio ambiente e construção da paz. Ainda há lacunas teóricas e empíricas  
significativas, sobretudo no que diz respeito à inclusão de saberes locais,  
perspectivas indígenas e ao diálogo com conceitos como resistência civil  
e reconciliação. O aprofundamento dessas conexões pode contribuir para  
tornar a environmental peacebuilding mais sensível às dinâmicas territo-  
riais e aos processos históricos que moldam os conflitos socioambientais.  
Nesse sentido, dentro dos estudos de environmental peacebuilding  
é necessário resgatar o entendimento ancestral que discute a relação entre  
o ser humano e o meio ambiente a partir de uma perspectiva enraizada  
em identidade e pertencimento, exemplarmente ilustrada por Wangari  
Maathai quando afirma que:  
Ao buscar a restauração do meu continente, estou, literalmente, restaurando  
a mim mesma […] porque quem somos está profundamente ligado aos rios e  
córregos, às árvores e aos vales […] Estamos lutando pelo futuro de nossos fi-  
lhos, pelos filhos dos homens e mulheres que cresceram conosco, e pelas futuras  
gerações de outras espécies (Maathai, 2009, p. 301).  
Essa percepção, fortemente relacionada a muitas cosmovisões in-  
dígenas, tensiona as concepções dominantes que enxergam o meio am-  
biente apenas como recurso financeiro. Em vez disso, aponta para com-  
preensões que valorizam o vínculo afetivo, espiritual e político com a  
terra. Tais contribuições devem ser adotadas para problematizar o campo  
e permitir que seja uma abordagem que possa garantir a construção de  
uma paz duradoura e inclusiva. Logo, a environmental peacebuilding  
pode ser compreendido como um campo emergente e em constante evo-  
lução, atravessado por diferentes vertentes e potencialmente capaz de  
abrir caminhos originais para a construção de alternativas mais justas e  
inclusivas.  
94  
Aureo Toledo, Ana Flávia Vilela Silva Environmental Peacebuilding: definições, tendências e contradições de um emergente campo de estudos  
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DOI: 10.5752/P.2317-773X.2025v13.n2.97  
Enviado em: 19 de março de 2025  
Aceito em: 13 de fevereiro de 2026  
RESUMEN  
Este artículo evalúa si los acuerdos de integración sur-sur —la Comunidad Andi-  
na (CAN), la Alianza del Pacífico (AP) y el MERCOSUR— han contribuido a la  
diversificación productiva y exportadora del Perú entre 2002 y 2021. El análisis  
combina indicadores de complementariedad comercial, comercio intraindustrial  
y ventajas comparativas reveladas con estimaciones econométricas de eficiencia  
exportadora y convergencia económica. Los resultados muestran que el Perú  
mantiene una marcada complementariedad comercial con los países de la CAN  
y la AP, así como vínculos intraindustriales con potencial para expandir encade-  
namientos productivos y aumentar el valor agregado exportado. No obstante,  
no se encuentran evidencias de convergencia económica con ninguno de los  
bloques, lo que revela brechas estructurales persistentes y limitaciones en la  
capacidad de los acuerdos actuales para reducir las asimetrías productivas. El  
estudio concluye que, aunque la integración sur-sur ofrece condiciones favora-  
bles para la diversificación, su impacto depende del avance hacia una integraci-  
ón profunda que articule políticas comerciales, industriales, tecnológicas y de  
1. Profesor Principal del Departamento de Economía de la Pontificia Universidad Católica del Perú (PUCP).  
Coordina el Grupo Tinkuy: Sociedad, Energía, Territorio y Cambio Climático, y es investigador del INTE y del  
CISEPA. Es miembro de la Red Latinoamericana de Política Comercial (LATN), CLACSO y GRIDALE, y Chair de la  
Sección Unión Europea–América Latina de LASA. Ha colaborado con instituciones como la Comunidad Andina  
(CAN), el BID/INTAL, la Fundación EULAC, la OIT y la Fundación Carolina., Pontificia Universidad Católica del  
Perú, afairli@pucp.edu.pe, https://orcid.org/0000-0001-7584-2374  
2. Economista por la Pontificia Universidad Católica del Perú, especializada en seguridad alimentaria, desar-  
rollo sostenible y economía ambiental. Es integrante del Grupo Tinkuy: Sociedad, Energía, Territorio y Cambio.,  
Pontificia Universidad Católica del Perú, a20191669@pucp.edu.pe, https://orcid.org/0009-0004-1929-8836  
3. Economista por la Pontificia Universidad Católica del Perú y actualmente se desempeña como Junior  
Technical Advisor en GIZ Perú, donde trabaja en proyectos de adaptación al cambio climático y financiamiento  
climático. Su trabajo se centra en resiliencia climática, políticas ambientales y cooperación para el desarrollo.,  
Pontificia Universidad Católica del Perú, paula.paredesq@pucp.edu.pe, https://orcid.org/0000-0001-9110-5593  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 97-125  
infraestructura. Se argumenta que la integración regional puede desempeñar  
un papel estratégico en el desarrollo del Perú si se fortalecen los instrumentos  
destinados a reducir disparidades productivas y mejorar la inserción en cadenas  
de valor intrarregionales.  
Palabras Claves: integración sur-sur; diversificación productiva; complementa-  
riedad comercial; convergencia económica; Perú.  
RESUMO  
Este artigo analisa em que medida os acordos de integração sul-sul —especial-  
mente a Comunidade Andina (CAN), a Aliança do Pacífico (AP) e o MERCO-  
SUL— contribuíram para a diversificação produtiva e exportadora do Peru  
entre 2002 e 2021. Utilizam-se indicadores de complementaridade comercial,  
comércio intraindustrial e vantagens comparativas reveladas, combinados com  
estimativas econométricas de eficiência exportadora e convergência econômica.  
Os resultados mostram que o Peru apresenta elevada complementaridade co-  
mercial e vínculos intraindustriais significativos com os países da CAN e da AP,  
o que revela potencial para a expansão de encadeamentos produtivos e para o  
incremento do valor agregado exportado. No entanto, não se observam evidên-  
cias de convergência econômica com nenhum dos blocos analisados, indicando  
a persistência de assimetrias estruturais que os acordos atuais não têm conse-  
guido superar. Conclui-se que, embora a integração sul-sul ofereça condições  
favoráveis para a diversificação produtiva, seu impacto depende do avanço rumo  
a uma integração profunda, que articule políticas comerciais, industriais, tecno-  
lógicas e de infraestrutura. O estudo demonstra que a integração regional pode  
desempenhar um papel estratégico para o desenvolvimento peruano, desde que  
acompanhada por instrumentos capazes de reduzir disparidades produtivas.  
Palavras-chave: integração sul-sul; diversificação produtiva; complementarida-  
de comercial; convergência econômica; Peru.  
ABSTRACT  
This article examines whether South–South integration agreements —specifi-  
cally the Andean Community (CAN), the Pacific Alliance (PA), and MERCO-  
SUR— have contributed to Peru’s productive and export diversification between  
2002 and 2021. Indicators of trade complementarity, intra-industry trade, and  
revealed comparative advantages are combined with econometric estimates of  
export efficiency and economic convergence. The findings show that Peru exhi-  
bits strong trade complementarity and significant intra-industry linkages with  
CAN and PA members, revealing substantial potential to expand regional value  
chains and increase exported value added. However, no evidence of economic  
convergence is observed with any of the blocs, indicating persistent structural  
asymmetries that current agreements have not resolved. The study concludes  
that, although South–South integration provides favorable conditions for diver-  
sification, its effective impact depends on advancing toward deep integration  
through coordinated trade, industrial, technological, and infrastructure policies.  
The results highlight that regional integration can play a strategic role in Peru’s  
development, provided that institutional mechanisms are strengthened to redu-  
ce productive disparities.  
Keywords: South–South integration; productive diversification; trade comple-  
mentarity; economic convergence; Peru.  
98  
Alan Fairlie Reinoso, Ariana Figueroa Cornejo, Paula Paredes Quintana Integración y convergencia del Perú con la Comunidad Andina, Alianza del Pacífico y MERCOSUR  
1 INTRODUCCIÓN  
La evolución reciente del sistema internacional ha reconfigurado  
los patrones de inserción comercial de los países en desarrollo. La frag-  
mentación del orden económico global, el resurgimiento del proteccio-  
nismo y las tensiones entre grandes potencias han contribuido a la crisis  
del multilateralismo (Brown, 2023; Sanahuja, 2022). En América Latina,  
esta coyuntura ha renovado el interés por los acuerdos de integración  
como instrumentos para fortalecer capacidades productivas, ampliar  
mercados y reducir la dependencia de socios extrarregionales.  
Desde inicios de los años 2000, el Perú ha profundizado su red de  
acuerdos comerciales. Para 2024, cuenta con 22 acuerdos vigentes que  
otorgan acceso preferencial a 58 mercados. Hay tres iniciativas regionales  
importantes: la Comunidad Andina (CAN), la Alianza del Pacífico (AP) y  
el MERCOSUR. Estos bloques difieren en su diseño institucional y en sus  
niveles de armonización normativa, pero constituyen plataformas hete-  
rogéneas, donde la complementariedad podría facilitar la diversificación.  
El debate sobre los efectos de la integración es complejo. Laget et al.  
(2018) sostienen que los acuerdos profundos pueden generar beneficios sig-  
nificativos cuando promueven regulaciones comunes, facilitan el comercio  
de servicios y fortalecen el clima de inversión. Asimismo, la literatura crítica  
subraya que la apertura comercial sin coordinación productiva reproduce asi-  
metrías, limita el desarrollo de industrias locales y reduce el espacio para apli-  
car políticas industriales (Rodrik, 2018; Stiglitz, 2017). En este contexto, la in-  
tegración sur-sur ofrece un marco para impulsar la competitividad regional.  
América Latina presenta, sin embargo, un bajo nivel de comercio  
intrarregional, cercano al 14 % del total exportado. La CEPAL advierte  
que fortalecer la integración regional es esencial para enfrentar un entor-  
no global más incierto y aprovechar la complementariedad entre países  
con estructuras productivas afines (Esquivel, 2025). Este diagnóstico re-  
sulta relevante para el Perú, cuya canasta exportadora continúa concen-  
trada en bienes primarios y muestra limitados avances en encadenamien-  
tos productivos intrarregionales.  
En este marco, el presente estudio analiza las relaciones comerciales  
del Perú con la CAN, la AP y el MERCOSUR entre 2002 y 2021 para respon-  
der a una pregunta central: ¿en qué medida la integración sur-sur ha contri-  
buido a la diversificación productiva y exportadora del Perú? A través de in-  
dicadores de complementariedad, comercio intraindustrial y ventajas com-  
parativas, así como de estimaciones econométricas de eficiencia exportadora  
y convergencia económica, se construye evidencia empírica al respecto.  
2 REVISIÓN DE LITERATURA  
2.1 Globalización, reconfiguraciones políticas e integración  
Brown (2023) sostiene que el colapso de los marcos predominan-  
tes de la pos-Guerra Fría —la unipolaridad estadounidense y el paradig-  
ma neoliberal— ha dado paso a un entorno más fragmentado. Así, la  
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cooperación intergubernamental equilibrada se convierte en un meca-  
nismo indispensable para mitigar los riesgos de la fragmentación y forta-  
lecer la capacidad negociadora de los países en desarrollo. La integración  
regional, por tanto, no es solo un instrumento económico, sino también  
un componente de la arquitectura geopolítica que permite articular res-  
puestas colectivas frente a la volatilidad global.  
Las recomendaciones recientes de la CEPAL se inscriben en esta  
misma lógica. Sostiene que América Latina debe profundizar su inte-  
gración económica y diversificar sus vínculos comerciales para reducir  
vulnerabilidades y aumentar su competitividad. Asimismo, subraya que  
el comercio intrarregional —hoy apenas 14 %— podría expandirse me-  
diante proyectos de conectividad y corredores logísticos, los cuales resul-  
tan cruciales en un entorno global más incierto (Esquivel, 2025). En este  
marco, la región solo podrá aumentar su resiliencia si avanza hacia una  
integración profunda capaz de articular políticas de productividad, inno-  
vación y diversificación.  
La integración regional, así entendida, se convierte en una herra-  
mienta para construir capacidades productivas y para disputar espacios  
en sectores de mayor valor agregado. Salazar-Xirinachs (2024). Sanahuja  
(2017, 2022) coincide en que la crisis estructural de la globalización —  
marcada por el ascenso de China, la pérdida de dinamismo de las de-  
mocracias liberales y el debilitamiento de la gobernanza global— abre  
oportunidades para estrategias de inserción más inclusivas. Sin embargo,  
estas solo pueden materializarse si América Latina adapta sus políticas a  
un sistema caracterizado por tensiones regulatorias, proteccionismo se-  
lectivo y competencia tecnológica entre grandes potencias.  
Rodrik (2018) subraya los costos socioeconómicos que enfrentan las  
economías en desarrollo cuando se abren sin resguardos; Stiglitz (2017)  
advierte que muchos acuerdos norte-sur han trasladado beneficios des-  
proporcionados hacia empresas multinacionales; y Wade (2018) subraya  
la inconsistencia de potencias que promueven aperturas externas mien-  
tras aplican políticas proteccionistas internas. Para el caso peruano, estos  
argumentos adquieren relevancia considerando que, hacia 2024, el país  
mantiene 22 acuerdos comerciales que otorgan acceso preferencial a 58  
mercados (CCEX, 2025), sin que ello haya modificado sustantivamente su  
estructura exportadora.  
En contraste, los acuerdos sur-sur ofrecen un marco institucional  
más adecuado para reducir asimetrías y promover diversificación. Laget  
et al. (2018) muestran que la integración profunda —que incluye disci-  
plinas regulatorias, facilitación del comercio, armonización normativa y  
cooperación productiva— genera beneficios mayores que la sola liberali-  
zación arancelaria.  
Mattoo, Rocha y Ruta (2020) muestran que los acuerdos profundos  
—los que incluyen normas sobre servicios, inversión, competencia, pro-  
piedad intelectual y procedimientos aduaneros vinculantes— son los que  
generan efectos económicos sustantivos, pues reducen costos transfron-  
terizos que no pueden abordarse solo mediante la eliminación de arance-  
les. Estos autores destacan que este tipo de acuerdos es excepcional entre  
países en desarrollo; y la Alianza del Pacífico constituye uno de los pocos  
100  
Alan Fairlie Reinoso, Ariana Figueroa Cornejo, Paula Paredes Quintana Integración y convergencia del Perú con la Comunidad Andina, Alianza del Pacífico y MERCOSUR  
casos Sur-Sur que se aproxima a este estándar. El análisis debe contrastar  
la relación Perú–AP con la CAN y el MERCOSUR: cada uno encarna gra-  
dos distintos de profundidad regulatoria y, por tanto, diferentes posibili-  
dades para impulsar procesos de diversificación y convergencia.  
Los TLC con economías avanzadas han ampliado el acceso a mer-  
cados, pero no han revertido la concentración exportadora. En cambio,  
los acuerdos sur-sur muestran un potencial más claro para desarrollar  
industrias intensivas en conocimiento, mejorar la estabilidad frente a  
shocks globales y favorecer procesos de complementariedad y convergen-  
cia entre socios. En un sistema internacional crecientemente fragmenta-  
do, estos acuerdos ofrecen una plataforma colectiva para enfrentar res-  
tricciones estructurales persistentes —infraestructura deficiente, brechas  
institucionales y heterogeneidad productiva— que la integración abierta  
no ha logrado resolver (Rodrik, 2018).  
Finalmente, este debate se vincula con la discusión más amplia  
sobre los márgenes de autonomía estratégica en regiones periféricas.  
Mientras Europa debate mecanismos de “autonomía estratégica abierta”,  
en América Latina se ha reactivado la noción de un “no alineamiento acti-  
vo” como marco para gestionar la creciente competencia entre potencias.  
Para el Perú, evaluar empíricamente los patrones de complementariedad,  
el comercio intraindustrial y el grado de profundidad institucional de sus  
acuerdos sudamericanos, es un insumo central para evaluar posibilidades  
de complementariedad y diversificación, y los márgenes de maniobra des-  
de el plano comercial.  
2.2 Acuerdos comerciales latinoamericanos  
La CAN presenta avances en la liberalización de los bienes y en la  
creación de un marco normativo para servicios e inversiones. Sin embar-  
go, Fairlie (2022) advierte que persisten barreras no arancelarias, como  
requisitos sanitarios discrecionales, que limitan el desarrollo de cadenas  
regionales. Esta tensión entre logros formales y obstáculos prácticos en la  
CAN justifica evaluar su eficacia como plataforma para la diversificación,  
objetivo explícito de esta investigación (CEPAL, 2021).  
Al respecto, Durán y Cracau (2016) evalúan el impacto de la AP,  
identificando limitaciones estructurales: la ausencia de una estrategia  
coordinada hacia Asia-Pacífico y la interdependencia comercial insufi-  
ciente entre sus miembros.  
CEPAL (2018) examina las relaciones comerciales entre la AP y el  
MERCOSUR. El informe reconoce la baja interdependencia comercial,  
aunque resalta el potencial del comercio intraindustrial en sectores como  
el automotor.  
2.3 Diversificación productiva y exportadora  
La relación entre diversificación y estabilidad económica ha sido  
ampliamente documentada. Hesse (2008) muestra que aquellos países  
con una canasta de exportaciones reducida suelen sufrir inestabilidad de-  
bido a una demanda mundial inelástica e inestable, por lo que la diversifi-  
cación de las mismas es una forma de aliviar estas limitaciones concretas.  
Asimismo, aquellos países más pequeños y con abundancia de recursos  
101  
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tienden a estar menos diversificados.  
Giri et al. (2019) señalan factores asociados a una mayor diversifi-  
cación de las exportaciones: mejores niveles de capital humano, mayor  
apertura al comercio, instituciones de mayor calidad, sector financiero  
desarrollado y mejor infraestructura (productiva y de transporte).  
Boschma et al. (2017) añaden una perspectiva geoeconómica: una  
región tiende a reproducir en gran medida su base de capacidades preexis-  
tentes, diversificándose hacia actividades relacionadas. Simultáneamente,  
replica el conocimiento, las instituciones y los intereses arraigados en su  
régimen sociotécnico, lo que influye en la trayectoria de su desarrollo.  
2.4 Cadenas de valor y diversificación exportadora  
Durán (2018) utilizó la matriz insumo producto andina para la  
identificación de sectores con mayor vínculo productivos a nivel bilateral  
y subregional y de comercio en valor agregado en la producción exporta-  
da. Ello permite mapear oportunidades de integración vertical como: la  
conformación clústeres en sectores con mayor potencial intraindustrial,  
la convergencia regulatoria y avances coordinados en la facilitación del  
comercio.  
Tello (2021) cuantifica el impacto de las cadenas de valor complejas  
en la CAN, demostrando que incrementan las etapas productivas y gene-  
ran un aumento del empleo formal respecto a cadenas simples.  
Moncarz et al. (2021) identifican barreras estructurales el adecua-  
do desempeño en los sectores agrícola y manufacturero, entre ellos los  
altos costos comerciales y la baja proximidad entre países, lo que limi-  
ta el comercio intrarregional. La región se caracteriza por una marcada  
heterogeneidad, con un MERCOSUR más proteccionista, una CAN de  
desempeño intermedio y una mayor apertura en Centroamérica.  
Navarro-Soto et al. (2023), muestran en cuatro acuerdos comercia-  
les (MERCOSUR, UE, EFTA y CAN) que la eficiencia peruana se man-  
tuvo estable, impulsada por productos no tradicionales (químicos, metal-  
mecánicos) y la reducción de la “distancia institucional” (medida median-  
te indicadores de rendición de cuentas y control de corrupción.  
Con base a lo previamente discutido, es posible afirmar que la frag-  
mentación geoeconómica global y las asimetrías estructurales han recon-  
figurado una serie de desafíos para la convergencia económica en paí-  
ses en desarrollo. Frente a este escenario, la integración regional emerge  
como posible estrategia para mitigar riesgos, promover sinergias produc-  
tivas y avanzar hacia una convergencia resiliente.  
2.5 Convergencia económica  
La convergencia económica, entendida como el proceso mediante  
el cual las economías menos desarrolladas reducen brechas de producti-  
vidad y bienestar respecto a economías avanzadas, ha sido ampliamente  
analizada en la literatura. Barro y Sala-i-Martin (1992) establecieron las  
bases teóricas al postular que este fenómeno se sustenta en la difusión  
tecnológica, los flujos de capital y la transferencia de conocimientos.  
102  
Alan Fairlie Reinoso, Ariana Figueroa Cornejo, Paula Paredes Quintana Integración y convergencia del Perú con la Comunidad Andina, Alianza del Pacífico y MERCOSUR  
Rodrik (2018) amplía este marco, destacando que dichos mecanismos  
permiten a las economías en desarrollo acelerar su crecimiento mediante  
la adopción de innovaciones ya probadas en contextos avanzados. Desde  
la política económica, Acemo lu y Robinson (2012) argumentan que la  
convergencia puede ser impulsada por reformas institucionales, liberali-  
zación comercial y atracción de inversión extranjera directa, factores que  
facilitan la integración a mercados globales.  
No obstante, la evidencia empírica revela obstáculos estructurales.  
El Banco Mundial (Goldberg et.al. 2010; Cirera et.al., 2022) identifica  
tres barreras críticas —instituciones frágiles, infraestructura deficiente  
y capital humano insuficiente— que limitan la capacidad de absorción  
tecnológica. Estas restricciones explican las diferencias regionales: mien-  
tras Asia Oriental logró converger a través de inversiones en educación  
e industrialización, África Subsahariana enfrenta estancamiento, impul-  
sado por desigualdades históricas y alta vulnerabilidad a shocks externos  
(Hausmann, Pritchett y Rodrik, 2005).  
Si bien la convergencia teóricamente se nutre de flujos tecnológi-  
cos y capitales, su materialización exige también marcos institucionales  
sólidos y favorables. Los acuerdos comerciales regionales emergen aquí  
como herramientas posibles, que pueden contribuir a superar obstáculos  
estructurales.  
3 METODOLOGÍA  
Para construir evidencia empírica sobre las relaciones comerciales  
del Perú con los miembros de los bloques de integración sudamericanos,  
se estiman los índices la complementariedad productiva, ventajas compa-  
radas, comercio intraindustrial.  
Luego, se hace una estimación econométrica de la eficiencia de las  
exportaciones peruanas con sus socios latinoamericanos. Y, finalmente,  
una estimación sobre la convergencia o no que se ha producido en los  
últimos años.  
Con este conjunto de indicadores y cálculos, se busca identificar  
sectores productivos donde se pueda impulsar la complementariedad y  
diversificación productiva del Perú con sus socios latinoamericanos, en el  
contexto de los acuerdos de integración regional. Pero también, mostrar  
las limitaciones existentes, que nos llevan al debate no solo de la inserción  
externa o procesos de integración en que participamos, sino de la estrate-  
gia de desarrollo misma.  
3.1 Índices  
Se hará el cálculo de los índices de ventajas: comparativas reveladas,  
intensidad comercial, concentración de Hirschmann-Herfindahl, com-  
plementariedad comercial y de comercio intraindustrial Grubel-Lloyd.  
Índice de Ventajas Comparativas Reveladas: mide la especializa-  
ción de un país en la exportación de productos específicos en compara-  
ción con el promedio mundial, permitiendo identificar sectores en los que  
un país tiene una ventaja competitiva, lo que es útil para la formulación  
103  
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de políticas comerciales y estrategias industriales (Balassa, 1965; Vollrath,  
1991; Hinloopen y van Marrewijk, 2001; Laursen, 2015).  
Figura 1 – Ecuación para estimar el Índice de Ventajas Comparativas Reveladas  
Fuente: Hinloopen y van Marrewijk, 2001; Laursen, 2015GG  
Al calcular el índice de VCR para cada sector y bloque comercial (la  
CAN, la AP y el MERCOSUR), se identifican los sectores donde Perú po-  
see ventajas comparativas respecto a su contraparte. Esto permite evaluar  
la correspondencia entre la estructura exportadora peruana y las deman-  
das de los bloques comerciales, elemento clave para sostener una even-  
tual complementariedad productiva.  
Índice de Intensidad Comercial: Índice de Intensidad Comercial:  
mide la importancia relativa del comercio entre dos países en compara-  
ción con su comercio total, siendo valioso para identificar socios comer-  
ciales clave y evaluar la fuerza de las relaciones comerciales bilaterales  
(Drysdale y Garnaut, 1982; Frankel y Rose, 1998; Gnidchenko y Salnikov,  
2021).  
Figura 2 – Ecuación para estimar el Índice de Intensidad Comercial  
Fuente: Gnidchenko y Salnikov, 2021  
104  
Alan Fairlie Reinoso, Ariana Figueroa Cornejo, Paula Paredes Quintana Integración y convergencia del Perú con la Comunidad Andina, Alianza del Pacífico y MERCOSUR  
Este índice contribuye a evaluar las posibilidades de diversificación  
al señalar oportunidades para reorientar los flujos comerciales hacia paí-  
ses con baja intensidad pero alto potencial complementario.  
Índice de Concentración de Hirschmann-Herfindahl: Índice de  
Concentración de Hirschman-Herfindahl: mide el grado de concentra-  
ción o diversificación en la estructura comercial de un país. Una alta  
concentración indica dependencia de unos pocos productos o mercados,  
lo que aumenta la vulnerabilidad a shocks externos (Hirschman, 1945;  
Herfindahl, 1950; Rhoades, 1993; Brezina et.al., 2016).  
Figura 3 – Ecuación para estimar el Índice de Concentración de Hirschmann-Herfin-  
dahl  
Fuente: Rhoades, 1993; Brezina et.al., 2016  
Índice de Complementariedad Comercial: Identifica oportunidades  
comerciales potenciales al comparar el perfil de exportaciones de un país  
con el perfil de importaciones de otro (Michaely, 1996; Yeats, 1998; Zheng  
et.al. 2020; Hosein y Khadan, 2021).  
Se deriva a partir del índice de ventajas comparativas reveladas pro-  
puesto por Balassa.  
Figura 4 – Ecuación para estimar el Índice de Complementariedad Comercial  
Fuente: Zheng et.al. 2020; Hosein y Khadan, 2021  
Este índice contribuye al objetivo de analizar complementarieda-  
des productivas al identificar sectores donde la oferta peruana coincide  
con la demanda de los bloques; y exponer áreas prioritarias para enca-  
denamientos productivos regionales, esenciales para una diversificación  
sostenible a través del tiempo.  
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Índice de Comercio intraindustrial Grubel-Lloyd: mide el grado  
de comercio intraindustrial, es decir, cuando un país exporta e impor-  
ta productos de un mismo sector industrial. Un alto nivel de comercio  
intraindustrial indica una integración comercial avanzada y especia-  
lización (Grubel y Lloyd, 1975; Greenaway y Milner, 1986; Fontagné y  
Freudenberg, 1997; Brülhart, 2009; Gallucci et.al. 2019).  
Figura 5 – Ecuación para estimar el Índice de Comercio intraindustrial Grubel-Lloyd  
Fuente: Brülhart, 2009; Gallucci et.al. 2019  
De este modo, se podrá explorar el nivel de integración vertical den-  
tro de los bloques y señalar sectores con potencial para profundizar cade-  
nas de valor regionales, clave para reducir la dependencia de commodities.  
Los datos empleados para los cálculos corresponden a la base abier-  
ta de la Organización Mundial del Comercio: TradeMap, para los años  
4
2002-2021, en el caso de bienes de los 97 sectores (2 dígitos), donde la  
unidad es miles de dólares americanos (USD).  
De forma complementaria a los índices previamente estimados, en  
una segunda etapa, el estudio estima la eficiencia de las exportaciones del  
Perú con los países miembro de los bloques comerciales mencionados, y  
las posibilidades de convergencia.  
3.2 Eficiencia  
En una segunda etapa, se evaluó el nivel de eficiencia de las expor-  
taciones peruanas con respecto a cada país miembro a través de un mode-  
lo de gravedad de frontera estocástica ampliada siguiendo a Navarro-Soto  
et al. (2023) para el periodo 2002-2021. Se estima la siguiente ecuación:  
Figura 6 – Ecuación para estimar el Modelo de Gravedad de Frontera Estocástica  
Fuente: Elaboración propia, con base en Navarro-Soto et al. (2023)  
4. Se puede visualizar los 97 sectores en https://www.trademap.org/Product_SelCountry_TS.aspx?nvpm=1%-  
7c604%7c%7c%7c%7cTOTAL%7c%7c%7c2%7c1%7c1%7c2%7c2%7c1%7c1%7c1%7c%7c1  
106  
Alan Fairlie Reinoso, Ariana Figueroa Cornejo, Paula Paredes Quintana Integración y convergencia del Perú con la Comunidad Andina, Alianza del Pacífico y MERCOSUR  
Donde la variable dependiente son las exportaciones del Perú con  
respecto a los países miembro de los bloques comerciales, en dólares esta-  
dounidenses. Las variables independientes corresponden al PBI del Perú,  
5
el PBI de cada país miembro y variables del modelo de gravedad como  
lo son la variable dummy landlocked (país o región rodeada de tierra), len-  
gua común entre el Perú con el país miembro, la distancia ponderada en  
kilómetros entre el Perú con el país miembro, el área del país miembro  
medida en km2, la población del Perú, la población del país miembro, la  
variable dummy si es que comparten límite geográfico y el tipo de cam-  
bio (determinada por el tipo de cambio promedio anual del Perú/tipo de  
cambio promedio anual del país miembro), y finalmente el término de  
error convencional que es aleatorio y sigue una distribución normal, con  
media 0 y varianza (sigma v2).  
La eficiencia estimada de las exportaciones se calcula en la siguien-  
te ecuación:  
Figura 7 – Ecuación para estimar la Eficiencia de Exportaciones  
Fuente: Elaboración propia, con base en Navarro-Soto et al. (2023)  
Donde el término de error es la diferencia logarítmica entre el valor  
potencial de las exportaciones y el valor actual. En este sentido el porcen-  
taje del resultado obtenido ayuda a explicar cuánto sería el incremento de  
las exportaciones actuales si es que los insumos fueran completamente  
eficientes.  
Posterior a las dos primeras, en la tercera etapa se realiza pruebas  
de convergencia del Perú con sus socios comerciales regionales.  
3.3 Convergencia  
Carlino & Mills (1993) señalan que para que exista convergencia  
debe verificarse la existencia de la convergencia beta y también, la conver-  
gencia estocástica. Según Barro y Sala-i-Martín (1995), podemos decir que  
un grupo de economías muestran convergencia beta, si al analizar una  
regresión con la variable dependiente de la tasa de crecimiento y la varia-  
ble independiente del ingreso inicial, y el coeficiente de la variable depen-  
diente es negativo. La convergencia beta es derivada de una regresión del  
cambio en el logaritmo del PBI per cápita Δlog(GDPpci,t), en el logaritmo  
del PBI per cápita del periodo inicial en el país i log(GDPpci,t−1):  
Figura 8 – Ecuación para estimar Convergencia Beta  
(3)  
Fuente: Elaboración propia, con base en Carlino y Mills (1993)  
5. Recoge la oferta y el PBI del país destino recoge la demanda potencial.  
107  
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Finalmente, estimamos la convergencia estocástica. Para ello, se  
utilizan las pruebas de raíz unitaria: Dickey-Fuller Aumentado (ADF) y  
Phillips-Perrón (PP). Además, se considera la estacionariedad como con-  
dición necesaria de convergencia (Fernández et.al, 1997). Es decir, que  
las pruebas determinarán si hay convergencia; es decir si no se rechaza la  
hipótesis nula de raíz unitaria, significa que no hay estacionariedad, por  
lo que no habría convergencia tampoco.  
4 RESULTADOS  
Del cálculo de los principales índices de comercio (ventajas compa-  
rativas, complementariedad e intraindustrial), modelos de eficiencia ex-  
portadora y pruebas de convergencia económica, se obtuvo lo siguiente:  
4.1 Indicadores comerciales  
4.1.1 Perú – Bolivia  
Se encuentra un elevado número de sectores con ventajas compara-  
tivas reveladas (72 de 97), destacándose la pesca, los productos de caucho  
y los textiles. En el ámbito del comercio intraindustrial, los sectores más  
relevantes corresponden a la industria láctea, la agricultura y el calzado.  
Por su parte, la especialización interindustrial se manifiesta en un amplio  
espectro de actividades, que abarcan desde productos de origen animal  
hasta instrumentos musicales. Asimismo, este patrón de especialización  
interindustrial se extiende a sectores como la seda, el tabaco, las plantas  
vivas, el níquel y el estaño, entre otros.  
El índice de concentración resalta la importancia estratégica de los  
combustibles minerales, los plásticos, y las fundiciones de hierro y acero.  
En cuanto a la complementariedad económica, esta se evidencia en mine-  
rales, actividades agrícolas y sectores no tradicionales.  
Finalmente, el índice de intensidad comercial subraya la relevancia  
de los productos derivados del níquel, la pasta de madera, los equipos de  
relojería no tradicionales y los productos químicos orgánicos.  
108  
Alan Fairlie Reinoso, Ariana Figueroa Cornejo, Paula Paredes Quintana Integración y convergencia del Perú con la Comunidad Andina, Alianza del Pacífico y MERCOSUR  
Tabla 1. Resultados Perú-Bolivia  
Fuente: Elaboración propia  
4.1.2 Perú – Colombia  
El análisis revela un menor número de sectores con ventajas com-  
parativas reveladas (40 de 97), destacándose el estaño, los textiles, el zinc  
y los minerales metalíferos, los cuales representan una proporción signi-  
ficativa de las exportaciones totales. En cuanto al comercio intraindus-  
trial, los sectores con mayor dinamismo corresponden a los preparados a  
base de cereales, la confección de prendas, el vidrio y las manufacturas de  
cuero. Por otro lado, la especialización interindustrial abarca actividades  
como la producción de tabaco, las manufacturas de paja, la seda, el níquel  
y las armas.  
El índice de concentración comercial resalta la importancia estra-  
tégica del cobre, los plásticos, el zinc y los combustibles minerales en la  
estructura bilateral. En materia de complementariedad económica, esta  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 97-125  
se consolida en sectores clave como la agricultura, el cobre y los combus-  
tibles minerales. Asimismo, el índice de intensidad comercial subraya la  
relevancia del níquel, la carne, los relojes no tradicionales y las actividades  
editoriales.  
Tabla 2. Resultados Perú-Colombia  
Fuente: Elaboración propia.  
4.1.3 Perú – Ecuador  
Se observa un número significativo de sectores con ventajas com-  
parativas reveladas (70 de 97), destacándose el estaño, los minerales meta-  
líferos y el zinc. En cuanto a la especialización interindustrial, esta abarca  
un amplio espectro de actividades, que incluyen desde la producción de  
carne, armas y municiones, seda, peletería y confecciones, hasta la fabri-  
cación de paraguas y sombrillas, níquel, manufacturas de estaño e instru-  
mentos musicales.  
Por otro lado, los sectores de muebles, café y preparaciones alimen-  
ticias diversas presentan una mayor proximidad a patrones de especia-  
lización intraindustrial. El índice de concentración comercial identifica  
como sectores clave los residuos de las industrias alimentarias, la agri-  
cultura, los combustibles minerales, los plásticos y el cobre. En materia  
de complementariedad económica, esta se consolida en áreas como los  
110  
Alan Fairlie Reinoso, Ariana Figueroa Cornejo, Paula Paredes Quintana Integración y convergencia del Perú con la Comunidad Andina, Alianza del Pacífico y MERCOSUR  
residuos alimentarios, la agricultura, los combustibles minerales, las fru-  
tas y el cobre.  
Asimismo, el índice de intensidad comercial subraya la relevancia  
del níquel, el corcho, los objetos de arte no tradicionales y la carne.  
Tabla 3. Resultados Perú-Ecuador  
Fuente: Elaboración propia.  
A continuación, se exponen los resultados del análisis de las venta-  
jas comparativas, el comercio intraindustrial, la concentración, la comple-  
mentariedad y la intensidad, aplicados a la relación comercial entre Perú  
y los miembros de la AP.  
4.1.4 Perú – Chile  
En el período estudiado, hay un moderado número de sectores  
con ventajas comparativas reveladas (54 de 97), destacándose el estaño,  
el zinc, el café, el té y los textiles. En cuanto al comercio intraindustrial,  
los sectores predominantes corresponden a las preparaciones a base de  
cereales, los tejidos de punto y las herramientas especializadas. Por otro  
111  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 97-125  
lado, la especialización interindustrial se manifiesta en actividades como  
la producción de armas y municiones, las fibras textiles vegetales y la pe-  
letería y confecciones.  
El índice de concentración comercial identifica a los minerales me-  
talíferos, los combustibles minerales, los plásticos y los productos quími-  
cos inorgánicos como los sectores de mayor peso en la dinámica bilateral.  
En materia de complementariedad económica, esta se destaca en mine-  
rales metalíferos, combustibles minerales, textiles y actividades agrícolas.  
Asimismo, el índice de intensidad comercial resalta la relevancia del azu-  
fre, el aluminio y el papel.  
Tabla 4. Resultados Perú-Chile  
Fuente: Elaboración propia.  
4.1.5 Perú – México  
El análisis evidencia un número similar de sectores con ventajas  
comparativas reveladas (42 de 97), destacándose el estaño, las pieles, la  
112  
Alan Fairlie Reinoso, Ariana Figueroa Cornejo, Paula Paredes Quintana Integración y convergencia del Perú con la Comunidad Andina, Alianza del Pacífico y MERCOSUR  
seda y los residuos de las industrias alimentarias. En cuanto al comercio  
intraindustrial, los sectores con mayor dinamismo corresponden al algo-  
dón, las fibras sintéticas, el cobre y los tejidos de punto. Por otro lado, la  
especialización interindustrial abarca un amplio espectro de actividades,  
que incluyen la producción de carne, tabaco, pieles, madera, seda, níquel  
y sus manufacturas, así como armas y municiones, entre otros.  
El índice de concentración comercial resalta la importancia estraté-  
gica de los combustibles minerales, los minerales metalíferos, la madera,  
el café y las frutas en la estructura bilateral. En materia de complementa-  
riedad económica, esta se consolida en sectores clave como los minerales  
metalíferos, el cobre y los combustibles minerales. Finalmente, el índice  
de intensidad comercial subraya la relevancia de la madera, el corcho, los  
sombreros y los relojes.  
Tabla 5. Resultados Perú-México  
Fuente: Elaboración propia.  
En lo que sigue, se presentan los resultados del análisis aplicado a  
la relación comercial entre Perú y los países miembros del MERCOSUR.  
113  
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4.1.6 Perú – Argentina  
El intercambio comercial evidencia un menor número de sectores  
(40 de 97) con ventajas comparativas reveladas, destacándose entre ellos  
el zinc, el cobre y los textiles. En cuanto al comercio intraindustrial, este  
se concentra principalmente en los sectores agrícola y textil. Por otro  
lado, la especialización interindustrial se evidencia en diversos sectores,  
como la producción de carne, tabaco y construcción naval, mientras que  
los sectores de productos químicos inorgánicos, extractos curtientes y  
café presentan una mayor proximidad hacia patrones de especialización  
intraindustrial.  
El índice de concentración comercial identifica a los combustibles,  
confecciones, estaño y cobre como los sectores con mayor peso estraté-  
gico en la dinámica bilateral. En materia de complementariedad econó-  
mica, se observa una convergencia significativa en minerales metalíferos,  
combustibles minerales y cítricos. Finalmente, el índice de intensidad co-  
mercial posiciona al tabaco como el sector líder, seguido por segmentos  
textiles específicos (plumas, seda y tejidos impregnados), lo que refleja  
nichos de intercambio diferenciados en la relación bilateral.  
114  
Alan Fairlie Reinoso, Ariana Figueroa Cornejo, Paula Paredes Quintana Integración y convergencia del Perú con la Comunidad Andina, Alianza del Pacífico y MERCOSUR  
Tabla 6. Resultados Perú-Argentina  
Fuente: Elaboración propia.  
4.1.7 Perú – Brasil  
Se encuentra un limitado número de sectores con ventajas com-  
parativas reveladas (40 de 97, como en el intercambio Perú-Argentina),  
destacándose el plomo, los textiles, las hortalizas y el estaño. En el ámbito  
del comercio intraindustrial, predominan los productos químicos inor-  
gánicos, las manufacturas diversas y las prendas de vestir. Por su parte,  
la especialización interindustrial se manifiesta en un amplio espectro de  
actividades, que incluyen animales vivos, carne, tabaco, seda y armas,  
entre otros.  
Asimismo, este patrón de especialización interindustrial se extien-  
de a otros sectores, mientras que los extractos curtientes, los productos  
115  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 97-125  
de la molinería y los productos químicos inorgánicos presentan una ma-  
yor proximidad a modelos de especialización intraindustrial. El índice de  
concentración comercial identifica a los minerales metalíferos, el cobre y  
los combustibles como los sectores centrales en la dinámica bilateral. En  
materia de complementariedad económica, esta se destaca en minerales  
metalíferos, combustibles minerales y cobre.  
Finalmente, el índice de intensidad comercial subraya la relevancia  
de las manufacturas, el algodón y la agricultura. Este análisis detallado  
revela las fortalezas sectoriales de Perú, resaltando la naturaleza compleja  
de sus relaciones comerciales con Brasil, donde coexisten áreas de ventaja  
competitiva y espacios para la colaboración bilateral.  
Tabla 7. Resultados Perú-Brasil  
Fuente: Elaboración propia.  
4.1.8 Perú -Paraguay  
En el período estudiado, hay un número ligeramente mayor que el  
registrado con Brasil y Argentina de sectores con ventajas comparativas  
116  
Alan Fairlie Reinoso, Ariana Figueroa Cornejo, Paula Paredes Quintana Integración y convergencia del Perú con la Comunidad Andina, Alianza del Pacífico y MERCOSUR  
reveladas (42 de 97), destacándose el pescado, las perlas finas no tradi-  
cionales y las manufacturas. En el ámbito del comercio intraindustrial,  
predominan los aceites esenciales y resinoides, los plásticos y sus manu-  
facturas, así como las prendas de vestir y complementos. Por su parte, la  
especialización interindustrial se manifiesta en actividades como la pro-  
ducción de grasas, jabones y manufacturas diversas.  
El índice de concentración comercial identifica como sectores es-  
tratégicos los combustibles minerales, el caucho, los textiles y los produc-  
tos farmacéuticos. En materia de complementariedad económica, esta se  
consolida en áreas clave como los combustibles minerales, los residuos de  
la industria alimentaria, los minerales metalíferos y el cobre. Asimismo,  
el índice de intensidad comercial subraya la relevancia del algodón, los  
fertilizantes, las hortalizas, el pescado y los relojes.  
Tabla 8. Resultados Perú-Paraguay  
Fuente: Elaboración propia.  
4.1.9 Perú- Uruguay  
Hay mayor número de sectores dentro del bloque con ventajas com-  
parativas reveladas (53 de 97), destacándose los minerales metalíferos, el  
estaño, el zinc y la agricultura. En el ámbito del comercio intraindustrial,  
117  
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predominan la industria química, las maquinarias y las preparaciones a  
base de cereales. Por su parte, la especialización interindustrial se mani-  
fiesta en sectores como los animales vivos, la carne, los productos lácteos  
y los materiales trenzables, sin identificarse sectores con especialización  
intraindustrial de carácter medio.  
El índice de concentración comercial resalta la relevancia estratégi-  
ca de la lana, los productos editoriales, los combustibles minerales y los  
preparados de carne y pescado. En materia de complementariedad eco-  
nómica, esta se consolida en áreas como los residuos de la industria ali-  
mentaria, los combustibles minerales, el café, el té, las frutas y los textiles.  
Asimismo, el índice de intensidad comercial subraya la importancia de la  
lana, las grasas, los filamentos sintéticos, la seda y la madera.  
Tabla 9. Resultados Perú-Uruguay  
Fuente: Elaboración propia.  
118  
Alan Fairlie Reinoso, Ariana Figueroa Cornejo, Paula Paredes Quintana Integración y convergencia del Perú con la Comunidad Andina, Alianza del Pacífico y MERCOSUR  
4.1.10 Balance de indicadores comerciales  
Los resultados evidencian patrones diferenciados de especializa-  
ción y comercio intraindustrial entre el Perú y los tres bloques analizados.  
En la CAN se observa el mayor potencial para profundizar exportaciones  
de mayor valor agregado, particularmente en textiles, confecciones y ali-  
mentos procesados, segmentos en los que el Perú posee ventajas com-  
parativas y donde existe una demanda complementaria clara por parte  
de los socios. Por el contrario, el comercio con la Alianza del Pacífico y  
el MERCOSUR continúa dominado por minerales —como zinc, estaño  
y cobre— lo que confirma una estructura fuertemente concentrada en  
bienes primarios y la persistente necesidad de avanzar hacia etapas de  
procesamiento que aumenten el valor agregado de la oferta exportadora.  
El análisis del comercio intraindustrial en la CAN, el intercambio  
con Bolivia muestra integración relevante en manufacturas de piedra,  
explosivos y lácteos; con Colombia destacan los alimentos procesados,  
las confecciones y los juguetes; y con Ecuador se registran niveles altos  
en muebles, café y diversas manufacturas alimentarias. En la Alianza  
del Pacífico, el comercio con Chile presenta un desempeño dinámico en  
alimentos procesados, textiles y herramientas, mientras que con México  
predominan los textiles y fibras naturales y sintéticas. En el MERCOSUR,  
en cambio, los niveles de comercio intraindustrial son menores: con  
Argentina destacan productos químicos, curtientes y café, y con Brasil,  
curtientes, molinería y químicos.  
Los indicadores de complementariedad comercial confirman  
este patrón. Dentro de la CAN, las relaciones con Bolivia, Colombia y  
Ecuador se concentran en sectores agroindustriales y en combustibles,  
con complementariedades significativas en residuos alimentarios, cobre  
y frutas. En la Alianza del Pacífico, Chile presenta complementariedad  
relevante en minerales metalíferos, combustibles y residuos alimenta-  
rios, mientras que México continúa mostrando niveles más acotados. El  
MERCOSUR mantiene un patrón homogéneo con Argentina y Brasil,  
centrado en minerales metalíferos, combustibles y productos agrícolas de  
bajo procesamiento.  
En conjunto, estos resultados muestran que la CAN, y en menor  
medida Chile, concentran la mayor complementariedad productiva y el  
dinamismo intraindustrial más significativo, con nichos claros en manu-  
facturas y agroindustrias procesadas que pueden servir como base para  
encadenamientos productivos regionales. En cambio, las relaciones con  
México, Argentina y Brasil permanecen ancladas en estructuras extracti-  
vas o agroindustriales de bajo valor agregado.  
Esta evidencia no avala la afirmación de Mattoo, Rocha y Ruta  
(2020) sobre las bondades de la “integración profunda” de la AP (donde  
los socios tienen acuerdos Norte-Sur), ya que, para Perú, el mayor comer-  
cio intraindustrial, complementariedad y posibilidades de diversificación  
productiva y exportadora está en la CAN. Desde allí se pueden fortale-  
cer los vínculos comerciales y eventual convergencia con Mercosur. La  
Alianza del Pacífico mantiene estructuras comerciales más concentradas  
y menos propicias para procesos de upgrading productivo.  
119  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 97-125  
Este diagnóstico es clave para evaluar las opciones estratégicas del  
Perú en un contexto de fragmentación geoeconómica, donde ampliar  
márgenes de autonomía requiere identificar plataformas regionales que  
efectivamente sostengan procesos de transformación estructural.  
A partir de estos resultados, es necesario determinar en qué medida  
las limitaciones observadas —baja complementariedad, reducido comer-  
cio intraindustrial y ausencia de convergencia— responden al grado de  
eficiencia exportadora del país.  
4.2 Eficiencia  
En esta etapa se evaluó la eficiencia de las exportaciones perua-  
nas hacia los países miembros de la CAN, la Alianza del Pacífico y el  
MERCOSUR.  
Tabla 10. Resultados estimación de modelo de gravedad.  
Fuente: Elaboración propia.  
Los resultados del modelo gravitacional muestran que la mayoría  
de las variables tradicionales explican adecuadamente el comportamien-  
to de los flujos comerciales, en concordancia con la teoría. Sin embargo,  
dos factores —la condición de país sin litoral del socio y la población del  
Perú— no presentan significancia estadística, lo que indica que no ejer-  
cen un papel determinante en el desempeño exportador. Un resultado  
particularmente relevante es el coeficiente negativo asociado al PIB de los  
socios comerciales, lo cual contrasta con estudios previos, como Navarro-  
Soto et al. (2023), y sugiere que en estos bloques intervienen dinámicas es-  
tructurales que atenúan el efecto expansivo habitual del tamaño de mer-  
cado, posiblemente vinculadas a patrones de especialización similares o a  
barreras regulatorias persistentes.  
La eficiencia exportadora estimada para el periodo 2002–2021 re-  
vela diferencias marcadas entre los países. Ecuador, México, Colombia,  
Bolivia y Chile muestran los valores más altos de eficiencia, mien-  
tras que Argentina, Paraguay, Brasil y Uruguay registran desem-  
peños significativamente inferiores. Destaca nuevamente el papel de  
la CAN, donde la eficiencia tiende a ser mayor, en coherencia con los  
120  
Alan Fairlie Reinoso, Ariana Figueroa Cornejo, Paula Paredes Quintana Integración y convergencia del Perú con la Comunidad Andina, Alianza del Pacífico y MERCOSUR  
patrones de complementariedad e integración intraindustrial previamen-  
te identificados.  
Esto muestra que la eficiencia exportadora del Perú no depende  
únicamente de condiciones domésticas, sino de la calidad del entorno  
institucional y productivo de cada bloque. La CAN emerge nuevamente  
como el marco más favorable para impulsar diversificación y construir  
bases de convergencia.  
4.3 Convergencia  
Los resultados evidencian que, en términos generales, no existe  
convergencia estocástica en el período analizado, tanto bajo el enfoque  
de Mínimos Cuadrados Ordinarios (MCO) como en el Método de Efectos  
Fijos. Aunque se identificaron coeficientes estadísticamente significativos  
que sugieren convergencia beta en contextos específicos —como la rela-  
ción entre el Perú y el bloque MERCOSUR-CAN, así como entre países  
de América Latina—, estos hallazgos no se sostienen al aplicar pruebas  
de raíz unitaria.  
Tabla 11. Resultados del Coeficiente Beta para Perú (1990 al 2021)  
Fuente: TradeMap. Elaboración propia.  
Los resultados revelan que, pese a la ampliación de la apertura co-  
mercial del Perú durante las últimas tres décadas —desde la liberalización  
unilateral de los años noventa, pasando por la proliferación de acuerdos  
Norte-Sur en los 2000 y el ciclo de altos precios de los commodities— no  
se ha producido convergencia económica entre el Perú y sus socios regio-  
nales. Ni a nivel de bloques ni dentro de cada uno de ellos se observan  
patrones de convergencia estocástica, lo que contradice la expectativa tra-  
dicional según la cual la apertura comercial debería reducir brechas de  
productividad y favorecer una nivelación económica entre países.  
Sin embargo, los indicadores calculados exponen complementarie-  
dad comercial, presencia de comercio intraindustrial y ventajas compara-  
tivas reveladas en sectores específicos, especialmente dentro de la CAN  
y en menor medida con Chile. Estos elementos constituyen condiciones  
propicias para avanzar en diversificación productiva, pues muestran la  
121  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 97-125  
existencia de nichos donde podrían desarrollarse encadenamientos regio-  
nales de mayor elaboración. La ausencia de convergencia, por tanto, no se  
explica por falta de compatibilidad productiva, sino por la incapacidad de  
las estrategias de inserción vigentes para transformar esa compatibilidad  
en procesos sostenidos de acumulación productiva y tecnológica.  
Ello sugiere que los acuerdos de integración sur-sur, en su forma  
actual, no han sido suficientes para superar las limitaciones que también  
presentan los acuerdos Norte-Sur, particularmente su énfasis en la reduc-  
ción arancelaria sin mecanismos robustos de coordinación productiva,  
innovación o desarrollo industrial. Esto revela una brecha estructural: la  
integración comercial ha avanzado más rápido que la integración produc-  
tiva, lo que impide que la complementariedad detectada se traduzca en  
convergencia.  
Consecuentemente, el principal desafío consiste en articular polí-  
ticas comerciales con estrategias industriales, tecnológicas y de ciencia  
e innovación que permitan transformar la complementariedad existente  
en capacidades productivas regionales compartidas. Ello requiere profun-  
dizar la integración mediante instrumentos como la acumulación am-  
pliada de origen, la facilitación logística, programas regionales de inno-  
vación, apoyo coordinado a PYMES exportadoras y proyectos conjuntos  
de infraestructura productiva. De no adoptarse estas medidas, la frag-  
mentación productiva persistirá y la región continuará limitada a inter-  
cambios basados en bienes primarios, sin que la integración contribuya a  
cerrar brechas estructurales ni a favorecer un desarrollo más inclusivo y  
sostenible.  
5 CONCLUSIONES Y RECOMENDACIONES  
El estudio examinó las relaciones comerciales del Perú con la  
Comunidad Andina, la Alianza del Pacífico y el MERCOSUR entre 2002  
y 2021. Los resultados confirman una complementariedad significativa  
entre el Perú y sus socios andinos, con sectores donde se concentran ven-  
tajas comparativas y potencial para ampliar el comercio intraindustrial  
y la diversificación productiva. Sin embargo, la evidencia econométrica  
no muestra convergencia económica con ninguno de los bloques. Esta  
brecha entre complementariedad y ausencia de convergencia revela limi-  
taciones estructurales de la inserción internacional peruana y sugiere que  
los acuerdos vigentes, en su configuración actual, no han logrado redu-  
cir las asimetrías productivas. Destaca, no obstante, que la CAN ofrece  
un margen mayor para construir trayectorias de convergencia, y no la  
Alianza del Pacífico.  
Para ello resulta indispensable articular la política comercial con  
políticas industriales, tecnológicas y de innovación, a fin de transformar  
la complementariedad actual en capacidades productivas compartidas.  
Persisten obstáculos que limitan este proceso —heterogeneidad produc-  
tiva, costos logísticos elevados, escasa inserción en cadenas de valor regio-  
nales y baja sofisticación exportadora— que impiden que la integración  
sur-sur genere dinámicas sostenidas de crecimiento.  
Superar estas restricciones requiere avanzar hacia una integración  
122  
Alan Fairlie Reinoso, Ariana Figueroa Cornejo, Paula Paredes Quintana Integración y convergencia del Perú con la Comunidad Andina, Alianza del Pacífico y MERCOSUR  
profunda que permita generar aprendizaje productivo, reducir costos  
transfronterizos y fortalecer la cooperación regulatoria. Medidas como  
la acumulación ampliada de origen, la armonización técnica y sanitaria,  
la facilitación aduanera, el apoyo regional a PYMES exportadoras y la  
cooperación en innovación y desarrollo tecnológico son importantes.  
Asimismo, la construcción de infraestructura logística y digital compar-  
tida permitiría articular cadenas de valor andinas e incluso conectar, de  
manera estratégica, con sectores complementarios del MERCOSUR.  
La reconfiguración geoeconómica global acentúa la urgencia de  
esta agenda. Como plantea CEPAL, solo una integración regional más  
profunda permitirá aumentar la resiliencia, crear nuevas capacidades y  
reducir la vulnerabilidad frente a shocks externos. Avanzar en esta direc-  
ción no solo es un instrumento para diversificar y elevar la productividad  
del Perú y la región, sino una vía para ampliar su margen de autonomía  
relativa en sus relaciones con bloques extrarregionales en un contexto de  
creciente fragmentación y competencia por la hegemonía global.  
Este estudio muestra evidencia empírica sobre el potencial de arti-  
cular la integración latinoamericana hacia un modelo que combine coo-  
peración productiva, políticas industriales coordinadas y estrategias de  
inserción más autónomas, condiciones indispensables para avanzar hacia  
un desarrollo inclusivo, sostenible y resiliente.  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 126-148  
A internacionalização do renminbi como  
instrumento geopolítico: estratégias chinesas  
para reduzir a dependência do dólar  
La internacionalización del renminbi como instrumento  
geopolítico: estrategias chinas para reducir la  
dependencia del dólar  
The internationalization of the renminbi as a geopolitical  
instrument: China’s strategies to reduce dependence on  
the dollar  
1
Jacqueline A. Haffner  
2
Julia Driemeir Vieira Rosa  
DOI: 10.5752/P.2317-773X.2025v13.n2.p126  
Enviado em: 23 de julho de 2025  
Aceito em: 24 de novembro de 2025  
RESUMO  
A conjuntura econômica internacional atual apresenta similaridades com a crise  
do sistema de Bretton Woods, suscitando questionamentos sobre a hegemonia  
do dólar. A crescente desconfiança nas políticas dos EUA tem impulsionado paí-  
ses do Sul Global a buscar alternativas fora do sistema financeiro ocidental, am-  
pliando o protagonismo da China. Nesse cenário, o mercado petrolífero emerge  
como vetor estratégico para a internacionalização do renminbi, por meio do  
fortalecimento do benchmark de Xangai, da expansão de contratos futuros e  
de reformas liberalizantes. Contudo, desafios como a baixa conversibilidade da  
moeda e os controles estatais limitam sua projeção global. O artigo analisa se  
os avanços recentes da China no mercado de petróleo podem rivalizar com a  
supremacia do dólar. Com base em revisão bibliográfica e análise de dados se-  
cundários, utiliza o conceito de poder estrutural de Susan Strange para discutir a  
competição monetária entre EUA e China, destacando os limites e possibilidades  
da internacionalização do renminbi. Conclui-se que apesar da conjuntura atual  
desafiar o domínio do dólar, sua superioridade permanece. A China, por sua  
vez, avança gradualmente, mas ainda carece de estrutura suficiente para rivali-  
zar diretamente com o poder monetário dos EUA.  
Palavras-chave: poder estrutural; hegemonia monetária internacional; dólar;  
renminbi petróleo.  
1. Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Doutora. https://orcid.org/0000-0001-7354-0380.  
Email: jacqueline.haffner@ufrgs.br.  
2. Universidade da Califórnia, Santa Bárbara. Doutoranda em Ciência Política. https://orcid.org/0009-0003-  
3938-9084. Email: jrosa3103@gmail.com  
126  
Jacqueline A. Haffner, Julia Driemeir Vieira Rosa A internacionalização do renminbi como instrumento geopolítico: estratégias chinesas para reduzir a dependência do dólar  
RESUMEN  
La actual coyuntura económica internacional muestra similitudes con la crisis  
del sistema de Bretton Woods, lo que suscita cuestionamientos sobre la hege-  
monía del dólar. La creciente desconfianza en las políticas de Estados Unidos  
ha impulsado a países del Sur Global a buscar alternativas fuera del sistema  
financiero occidental, reforzando el protagonismo de China. En este contexto,  
el mercado petrolero emerge como un vector estratégico para la internaciona-  
lización del renminbi, mediante el fortalecimiento del benchmark de Shanghái,  
la expansión de contratos de futuros y reformas liberalizadoras. No obstante,  
desafíos como la baja convertibilidad de la moneda y los controles estatales  
limitan su proyección global. El artículo analiza si los avances recientes de China  
en el mercado petrolero pueden rivalizar con la supremacía del dólar. Basado  
en revisión bibliográfica y análisis de datos secundarios, emplea el concepto de  
poder estructural de Susan Strange para discutir la competencia monetaria entre  
Estados Unidos y China, destacando los límites y posibilidades de internacionali-  
zación del renminbi. Se concluye que, a pesar de que la coyuntura actual desafía  
el dominio del dólar, su superioridad se mantiene. Por su parte, China avanza  
gradualmente, pero aún carece de la estructura suficiente para rivalizar directa-  
mente con el poder monetario de Estados Unidos.  
Palabras clave: poder estructural; hegemonía financiera internacional; dólar;  
renminbi; petróleo.  
ABSTRACT  
The current international economic situation presents similarities with the  
Bretton Woods system crisis, raising questions about the dominance of the  
dollar. Growing mistrust of U.S. policies has driven Global South countries  
to seek alternatives outside the Western financial system, increasing China’s  
influence. In this context, the oil market emerges as a strategic channel for the  
internationalization of the renminbi, through the strengthening of the Shanghai  
benchmark, the expansion of futures contracts, and liberalizing reforms. Howe-  
ver, challenges such as the currency’s low convertibility and state controls limit  
its global reach. The article analyzes whether China’s recent advances in the oil  
market can rival the supremacy of the dollar. Based on a literature review and  
secondary data analysis, it applies Susan Strange’s concept of structural power  
to discuss the monetary competition between the U.S. and China, highlighting  
the limits and possibilities of renminbi internationalization. It is concluded  
that, despite the current situation challenging the dominance of the dollar, its  
superiority remains. China, in turn, is making gradual progress but still lacks the  
necessary structure to directly rival the U.S.’s monetary power.  
Keywords: structural power; international financial hegemony; dollar; renmin-  
bi; oil.  
1 INTRODUÇÃO  
O desejo chinês de internacionalização monetária tem-se intensi-  
ficado desde a Crise Financeira de 2008 (Helleiner; Wang, 2019). Por um  
lado, esta busca é motivada por ambições geopolíticas, a partir das quais  
a China visa ampliar a sua influência internacional por meio da agenda  
monetária (Cohen, 2017; Helleiner; Wang, 2019). Por outro, a diversifica-  
ção do sistema monetário é vista como um passo necessário para garan-  
tir a sua estabilidade e reduzir a vulnerabilidade da China à hegemonia  
do dólar americano (Freymann; Heng, 2025, Helleiner; Wang, 2019). A  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 126-148  
internacionalização do renminbi tem ocorrido paulatinamente: em 2015,  
quando a moeda passou a fazer parte dos Direitos de Saque Especiais  
do Fundo Monetário Internacional (FMI), a sua participação em reservas  
cambiais mundiais se encontrava em 1,08%. Em 2023, esta aumentou so-  
mente para 2,4% (International Monetary Fund, 2024). Apesar deste cres-  
cimento lento, a internacionalização do renminbi é esperada a ocorrer às  
custas do dólar americano (Cohen, 2017; Helleiner, 2009).  
Em este sentido, a China tem buscado internacionalizar a sua moe-  
da por meio de algumas iniciativas principais. Entre estas, apontam-se:  
a) o estabelecimento do Cross-Border Trade Settlement (Freymann; Heng,  
2025; Song; Xia, 2020); b) a criação de um sistema de pagamentos interna-  
cionais próprio, atuando como uma alternativa ao SWIFT e a potencial  
aplicação de sanções ocidentais por meio deste, como ocorre com o Irã e  
a Rússia (Freymann; Heng, 2025); c com a fundação de instituições inter-  
nacionais – o Banco Asiático de Investimentos em Infraestrutura (AIIB) e  
o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) – nas quais a China pode exer-  
cer um grau maior de influência e assegurar a liberação de empréstimos  
e serviços financeiros com base no Yuan (Helleiner; Wang, 2019; Metri,  
2020); d) o desenvolvimento do e-CNY, moeda digital chinesa visando  
a descentralização de transações comerciais (Metri, 2020; Taylor, 2025);  
e) a Nova Rota da Seda (Helleiner; Wang, 2019; Mendonça; Lopes Filho;  
Oliveira, 2021); e f) o lançamento de contratos futuros de petróleo com  
base no renminbi, dando origem ao termo petroyuan (Kamel; Wang, 2019;  
Leverett, F.; Leverett, H., 2014; Mathews; Selden, 2018; Taylor; 2025).  
Para responder ao contexto antes exposto, a pergunta de pesquisa  
associada a este artigo é: Como as iniciativas chinesas de internacionali-  
zação do renminbi refletem uma estratégia geopolítica para reduzir a de-  
pendência do dólar americano e ampliar sua influência no sistema mone-  
tário global? Os objetivos deste artigo são analisar a internacionalização  
do renminbi por meio do mercado petrolífero, comparando este processo  
com o papel histórico do petrodólar na manutenção da hegemonia mone-  
tária estadunidense e apontando as possíveis consequências desta compe-  
tição monetária à posição privilegiada do dólar. Entende-se que o colap-  
so do sistema de Bretton Woods em 1971, significando o fim do padrão  
dólar-ouro, trouxe grande instabilidade para a posição hegemônica do  
dólar. Neste contexto, o acordo entre os Estados Unidos (EUA) e a Arábia  
Saudita para indexar a comercialização do petróleo exclusivamente ao  
dólar contribuiu de forma significativa para a continuidade do seu “pri-  
vilégio exorbitante” (Mathews; Selden, 2018; Momani, 2008; Spiro, 1999).  
Esta pesquisa conta com uma revisão bibliográfica e a análise de  
dados secundários que contextualizam os argumentos do artigo. A abor-  
dagem teórica do trabalho se concentra na relação da pauta monetária  
com o poder estrutural detido pelos EUA e a China. Para tanto, apoia-  
-se nos argumentos de Strange (1987, 1988) e outros autores que discu-  
tem aspectos geopolíticos das relações monetárias, como Cohen (2017,  
2019). Desta forma, este artigo é organizado, além da Introdução e das  
Considerações Finais, em três partes. Em primeiro lugar, aprofunda-se  
o debate teórico da presente discussão. Em segundo lugar, apresenta-se  
a ascensão do petrodólar e o seu papel na manutenção da hegemonia  
128  
Jacqueline A. Haffner, Julia Driemeir Vieira Rosa A internacionalização do renminbi como instrumento geopolítico: estratégias chinesas para reduzir a dependência do dólar  
monetária norte-americana. Por fim, analisa-se os avanços chineses para  
precificar contratos futuros em petróleo com base no renminbi e assim  
promover a internacionalização da sua moeda por meio do comércio pe-  
trolífero, conceitualizando as suas estratégias dentro do debate teórico de  
poder estrutural e monetário.  
2 A INTERNACIONALIZAÇÃO MONETÁRIA E O PODER ESTRUTURAL  
DO SEU PAÍS EMISSOR  
Quando se discute o poder de um Estado como um conceito pró-  
prio, diferentes abordagens são cabíveis devido à natureza complexa e  
multifacetada do termo. Desta forma, nenhuma definição singular abor-  
da todas as dimensões de análise possíveis. O mesmo se aplica à definição  
do poder monetário, que pode ser compreendido distintamente. O enfo-  
que teórico desta pesquisa se centra na relação entre a internacionaliza-  
ção monetária e o poder estrutural do seu país emissor, entendendo que  
este processo não é somente uma consequência do poder do Estado, mas  
também uma causa, visto que amplia os seus recursos estratégicos de  
poder. Isto ocorre por meios diretos, o que se configura em instrumentos  
políticos, ou indiretos, sobretudo ao reforçar o poder de barganha estatal  
em diferentes áreas de interesse (Cohen, 2019).  
A definição de poder estrutural adotada nesta pesquisa segue o tra-  
balho de Strange (1988). Para a autora, a economia política internacional é  
sustentada por quatro estruturas de poder interdependentes. A primeira,  
a produção, se refere a tudo aquilo que é produzido, por quem e como  
ocorre a sua distribuição. A segunda diz respeito à estrutura de finanças,  
compreendendo a geração e a extensão de crédito, por quais agentes e os  
motivos que guiam a sua repartição. A terceira, segurança, é entendida  
pela capacidade de determinado ator de garanti-la. Por fim, o conheci-  
mento é voltado à compreensão da geração e à partilha do conhecimento  
científico.  
Quando um Estado detém capacidades avançadas nas estruturas  
apresentadas, é possível afirmar que ele exerce poder estrutural. Na práti-  
ca, este é o poder de influenciar a agenda e as regras da economia política  
internacional, dentro das quais outros Estados devem adequar as suas  
instituições políticas e os seus objetivos econômicos (Strange, 1987, 1988).  
Ao discutir a internacionalização monetária, é evidente que a discussão  
se enquadra na estrutura financeira conforme delimitada por Strange  
(1988). Como apontado por Cohen (2019), uma moeda com alcance global  
necessariamente implica na possibilidade de exercer influência no sistema  
monetário internacional, o que desloca a balança de poder a favor do seu  
país emissor.  
O processo de internacionalização monetária pode ser descrito  
como o uso de determinada moeda para além das suas fronteiras. Ao lon-  
go da história, poucas moedas têm alcançado status global (Cohen, 2019).  
Além disso, nem todas as moedas com alcance transfronteiriço conse-  
guem exercer as três funções monetárias básicas de uma moeda inter-  
nacional: meio de troca, reserva de valor e unidade de conta (Helleiner;  
Kirshner, 2014). A competitividade desta moeda, portanto, depende de  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 126-148  
dois fatores principais: as capacidades materiais e os recursos de poder do  
seu país emissor e a habilidade desta nação em converter estas em ação  
estatal efetiva (Cohen, 2017). É possível apontar que estas capacidades  
se referem às estruturas de poder conforme descrita por Strange (1988),  
sobretudo no que diz respeito ao tamanho econômico de determinado  
Estado, à sofisticação e à abertura da sua economia, à sua liquidez mo-  
netária, à estabilidade das suas instituições domésticas e aos seus ativos  
militares e diplomáticos (Cohen, 2017, 2019).  
Torna-se necessário ressaltar que nem todos os países com capaci-  
dades estruturais significativas irão buscar internacionalizar as suas moe-  
das de forma a exercer todas as funções monetárias. A correlação entre  
o poder e a busca por exercer influência não é automática, mas sim um  
reflexo de atitudes políticas conscientes que visam ampliar a autoridade  
desta nação na economia política internacional. Por isso, apesar de ha-  
ver uma série de moedas que ocupam posição de destaque na hierarquia  
monetária internacional, poucas ocupam o topo simultaneamente. Isto  
significa que, ao longo da história, as relações monetárias têm sido marca-  
das pela presença de uma moeda com destaque global, cujo país emissor  
sempre é uma grande potência (Cohen, 2019).  
A internacionalização monetária acompanha alguns benefícios,  
tanto para o emissor quanto para demais países que adotam a sua moeda.  
Em primeiro lugar, uma moeda internacional facilita o comércio mundial  
e é fundamental para o funcionamento dos mercados financeiros (Cohen,  
2017). Em segundo lugar, este processo garante que um Estado possa fi-  
nanciar os seus déficits comerciais com a sua própria moeda, pois a sua  
adoção por demais nações remove restrições para ajustes de pagamen-  
tos externos (Cohen, 2019; Helleiner, 2017). Em terceiro lugar, o seu país  
emissor usufrui de custos de transações reduzidos e taxas de juros mais  
baixas (Cohen, 2017). Em quarto lugar, a internacionalização monetária  
é frequentemente associada à maior autonomia por parte do seu emissor  
na definição da sua política macroeconômica (Helleiner, 2017). Por fim,  
como já explorado, uma moeda internacional traz grandes vantagens po-  
líticas ao seu emissor, permitindo que este exerça influência sobre a agen-  
da monetária global e consolide o seu poder mundial (Cohen, 2017, 2019;  
Helleiner; Kirshner, 2014).  
Desde a Segunda Guerra Mundial, a moeda que tem ocupado o  
topo da hierarquia monetária é o dólar norte-americano. Como resultado  
da Conferência de Bretton Woods, a instauração do padrão dólar-ouro  
no período pós-guerra obteve resultados positivos durante as décadas de  
1950 e 1960 e foi bem-sucedida na retomada do comércio e da produtivi-  
dade internacional. Uma consequência natural deste regime cambial foi  
o aumento da circulação internacional da moeda estadunidense devido  
à sua participação crescente em reservas centrais, à intensificação dos in-  
vestimentos externos diretos (IED) dos EUA e às suas despesas militares  
(Truman, 2017). Em 1940, a circulação internacional do dólar era de cerca  
de US$ 8,4 bilhões. Este número subiu para cerca de US$ 54 bilhões no  
final de 1970 (Federal Reserve Economic Data, 2024a).  
A superioridade monetária dos EUA está diretamente ligada ao seu  
poder estrutural, consolidado em todas as facetas descritas por Strange  
130  
Jacqueline A. Haffner, Julia Driemeir Vieira Rosa A internacionalização do renminbi como instrumento geopolítico: estratégias chinesas para reduzir a dependência do dólar  
(1988) no período pós-guerra. Como consequência, o país norte-ameri-  
cano apresenta uma série de vantagens que permite a emissão de uma  
moeda internacional, incluindo o tamanho da sua economia e o seu grau  
de institucionalização, os seus mercados de capitais, a sua taxa de cresci-  
mento econômico histórica, a confiança na sua governança doméstica,  
e na sua relativa estabilidade política e segurança nacional (Helleiner;  
Kirshner, 2014). Sendo assim, a posição hegemônica dos EUA permite que  
o país combine força econômica e política para moldar a agenda interna-  
cional a seu favor. Enquanto a primeira trata do domínio norte-america-  
no de uma base material ampla, a segunda se refere às suas instituições  
domésticas estáveis. Esta combinação, como consequência, permite que  
o país exporte políticas monetárias constantes e de confiança para inves-  
tidores internacionais (Norloff, 2014).  
Além disso, o vasto poderio militar norte-americano contribui para  
a manutenção da vantagem monetária dos Estados Unidos. A presença de  
forças armadas estadunidenses ao redor do mundo assegura a sua segu-  
rança nacional e, consequentemente, a estabilidade das suas instituições  
domésticas. Somado a isto, as suas altas despesas militares contribuem  
para o aumento da circulação internacional do dólar (Baer et al., 2016;  
Norrlof, 2014). O poder militar dos EUA também assegura o seu acesso a  
fontes de recursos estratégicos que mantêm a sua hegemonia monetária,  
como o petróleo (Gokay, 2020; Wight, 2021), que será explorado com mais  
detalhes na próxima seção.  
O papel internacional do dólar garante, desta forma, alguns benefí-  
cios fundamentais aos EUA e a sua capacidade de projeção de poder, como  
mencionado anteriormente (Cohen, 2017, 2019; Helleiner; Kirshner, 2014;  
Helleiner, 2017). Adiciona-se que estas vantagens favorecem também o  
setor privado e bancário dos EUA, garantindo o seu acesso privilegiado  
aos recursos da Reserva Federal (Helleiner; Kirshner, 2014). Combinados  
à força militar dos EUA, esses benefícios permitem que o governo esta-  
dunidense exerça o seu poder monetário de forma coercitiva, explorando  
a dependência de demais países do dólar como um instrumento de po-  
lítica externa e como um meio de assegurar complacência com as suas  
preferências regulatórias. Esta posição privilegiada também representa  
um aspecto central da influência simbólica dos EUA, descrita como soft  
power por alguns autores (Nye Jr., 2010, 2019), que a longo prazo asse-  
gura a identificação de outras nações com os seus interesses (Helleiner;  
Kirshner, 2014).  
A internacionalização monetária não é um fenômeno inteiramente  
positivo e sem riscos. Para Helleiner (2017), os benefícios são exagera-  
dos e podem agir como um fardo ao país emissor. A suposta vantagem  
de maior autonomia política não revela um quadro completo. Governos  
titulares de dólares podem tentar influenciar o processo de tomada de de-  
cisão interno dos EUA, vendendo as suas reservas da moeda. Isto também  
torna a nação mais vulnerável ao dumping de dólares caso uma moeda al-  
ternativa passe a rivalizar com a sua posição (Kirshner, 2009). Ainda nesta  
linha, muitos culparam a superioridade do dólar pela Crise Financeira de  
2008, entendendo que fluxos de capital estrangeiros de baixo valor ha-  
viam contribuído para a redução nas taxas de juros e a excessiva liquidez  
131  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 126-148  
financeira que levou ao período de instabilidade. A alta demanda pela  
moeda e a garantia de que as dívidas públicas dos EUA fossem sempre  
liquidadas também criaram as condições para os EUA gastarem de forma  
imprudente, aumentando ainda mais o seu déficit. Em paralelo, a natu-  
reza altamente financeira da economia norte-americana prejudica o seu  
setor produtivo e expõe trabalhadores e grupos de baixa renda a choques  
externos (Helleiner, 2017).  
A decisão pela manutenção da posição do dólar no topo da hierar-  
quia monetária, portanto, é o resultado de um cálculo de custo e bene-  
fício. Por este motivo, a atitude dos EUA em relação à presença de moe-  
das rivais no mercado internacional tem sido passiva (Cohen, 2017, 2019;  
Helleiner, 2017). Embora os EUA tenham usufruído de uma posição su-  
perior na hierarquia monetária internacional desde a década de 1940, isto  
não significa que a moeda norte-americana não tenha enfrentado compe-  
tição ou que o seu status não tenha passado por períodos de instabilida-  
de, como será explorado na próxima seção. Nas décadas de 1970 e 1980,  
as moedas que pareciam ter capacidade de rivalizar com o dólar eram  
o marco alemão e o iene japonês. Depois, o euro passou a apresentar a  
mesma ameaça (Cohen, 2019). No entanto, como apontam Helleiner e  
Kirshner (2014), as previsões de que estas moedas ultrapassariam o status  
do dólar não estavam ligadas somente às capacidades estruturais dos seus  
países emissores, mas também coincidiam majoritariamente com perío-  
dos em que a moeda norte-americana se encontrava depreciada. No en-  
tanto, os autores ressaltam que a estabilidade da taxa de câmbio do dólar  
e o seu papel internacional não são sinônimos.  
Existem alguns motivos pelos quais estas moedas não competiram  
diretamente com o papel do dólar. Por um lado, isto pode ser atribuído a  
uma falta de ambição geopolítica em contrariar a hegemonia monetária  
dos EUA ou de assumir os riscos e as responsabilidades que acompanham  
a internacionalização monetária. Por outro lado, estes países são aliados  
dos EUA, havendo pouco interesse em desafiar o poder norte-america-  
no. Como afirmado anteriormente, o poder que um país emissor de uma  
moeda competitiva detém e a sua vontade de internacionalizá-la não são  
diretos. Ainda, mesmo ocupando uma posição no topo da hierarquia mo-  
netária, nem todas as moedas com alcance transfronteiriço usufruem do  
“privilégio exorbitante” da mesma forma. A internacionalização não é  
sempre bem-vinda, tampouco a exploração do poder monetário em prol  
dos seus interesses de Estado. Ao longo da história, a regra – e não a exce-  
ção – tem sido políticas monetárias ambivalentes ou ativamente contrá-  
rias a este processo (Cohen, 2019; Helleiner; Kirshner, 2014).  
Pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, o dólar enfren-  
ta um quadro de competição monetária aberta, advinda de uma nação  
que não é uma aliada, mas também não é uma rival (Cohen, 2019). A  
China tem buscado a internacionalização do renminbi como um objetivo  
estratégico de Estado, buscando o seu próprio “privilégio exorbitante”.  
Este processo não é um reflexo automático do crescimento econômico  
da China e da ampliação da sua condição econômica. Trata-se de uma  
vontade crescente de exercer poder estrutural sobre o sistema monetá-  
rio internacional, interligada com um desejo de prestígio nacional que  
132  
Jacqueline A. Haffner, Julia Driemeir Vieira Rosa A internacionalização do renminbi como instrumento geopolítico: estratégias chinesas para reduzir a dependência do dólar  
acompanha a ascensão da sua moeda na hierarquia monetária (Helleiner;  
Wang, 2019). Cohen (2019) descreve a ameaça da China como um desafio  
sem precedentes à posição internacional do dólar, abrindo espaço para  
uma rivalidade monetária declarada entre as duas nações, visto que:  
Como todo poder é relativo, a ascensão de uma moeda internacional implica ne-  
cessariamente alguma perda de capacidade em outros lugares; e como a aversão  
à perda é uma reação natural tanto para os Estados quanto para os indivíduos,  
não parece irrazoável supor que algumas medidas defensivas possam ser tomadas  
em resposta (Cohen, 2019, p. 149, tradução própria3).  
Para alguns analistas, é apenas uma questão de tempo até o ren-  
minbi passar a refletir efetivamente o peso da China no comércio e na  
economia mundial (Arslanalp; Eichengreen; Simpson-Bell, 2022). A polí-  
tica econômica voltada para o interesse nacional tem raízes históricas na  
ascensão econômica da China. Na década de 1980, após as reformas de  
mercados de Deng Xiaoping, a internacionalização monetária passou a  
ser discutida em círculos acadêmicos chineses. No entanto, foi somente  
a partir de 2008 que o país asiático passou a investir mais seriamente na  
internacionalização da sua moeda (Cohen, 2017; Helleiner; Wang, 2019).  
A dimensão mais visível deste processo é o papel crescente da China em  
providenciar Investimento Direto Estrangeiro (IED) e financiamento a  
países em desenvolvimento em déficit econômico para ajustes de paga-  
mentos, o que em torno tem ampliado a sua influência sobre estas nações  
(Helleiner; Kirshner, 2014; Norrlof, 2023). O FMI passou a considerar a  
moeda chinesa como parte dos Direitos de Saque Especiais somente em  
2015. Desde então, a sua participação em reservas cambiais tem aumen-  
tado de 1,08% para em torno de 2,4% em 2023 (International Monetary  
Fund, 2024).  
Apesar deste crescimento lento, ainda é possível afirmar que a as-  
censão do renminbi na hierarquia monetária tem ocorrido em um ritmo  
impressionante considerando que a sua participação em reservas centrais  
se encontrava em 0,004% no início do século XXI (Cohen, 2019; Federal  
Reserve Economic Data, 2024 b?). A baixa internacionalização da moeda  
chinesa é frequentemente atribuída aos controles de capitais do Partido  
Comunista e à sua relutância em abdicar do seu domínio sobre a taxa  
cambial do renminbi, reflexo do seu sistema financeiro altamente esta-  
tal (Freymann; Heng, 2025; Mathews; Selden, 2018; Metri, 2020). Alguns  
analistas ocidentais aguardam que a China irá eventualmente flexibilizar  
as suas contas de capitais em prol do seu objetivo de internacionalização,  
mas as suas previsões são minadas pelo fato de que as preferências mone-  
tárias do governo chinês são caracterizadas como altamente ambíguas e  
pouco transparentes (Cohen, 2017, 2019; Freymann; Heng, 2025).  
Neste sentido, é importante mencionar que existem alguns moti-  
vos pelos quais a China esteja buscando internacionalizar o renminbi.  
Para Freymann e Heng (2025), o Partido Comunista demonstra receio  
de um embate econômico com os Estados Unidos, dada a frequente  
3. Since all power is relative, the rise of one international money necessarily implies some loss of capability  
elsewhere; and since loss aversion is a natural reaction for states as much as it is for individuals, it hardly  
seems unreasonable to assume that some defensive steps might be taken in response (Cohen, 2019, p. 149).  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 126-148  
weaponization do dólar no formato de sanções e de bloqueio de instru-  
mentos financeiros globais como o SWIFT. A internacionalização mone-  
tária, portanto, seria uma estratégia que busca reduzir a eficácia destas  
ações norte-americanas e a vulnerabilidade da moeda chinesa a ataques  
especulativos. Esta visão é ecoada por Helleiner e Wang (2019), que adi-  
cionam a resistência por parte da China à hegemonia do dólar como uma  
forma de assegurar a sua soberania monetária no processo de liberaliza-  
ção financeira, assim garantindo autonomia política a longo prazo.  
Cohen (2019) ressalta que muitos analistas acreditam que as moti-  
vações da China se centram simplesmente em tentar minar o poder da  
moeda norte-americana em prol da diversificação do sistema monetário.  
Esta linha de raciocínio se concentra na ambição geopolítica do Partido  
Comunista para garantir os “[...] direitos e privilégios que a China tem  
considerado há muito tempo como seus por direito natural” (Cohen,  
4
2017, p. 7, tradução própria ). Este processo também pode ser entendido  
como uma forma de conter a exposição da China a mudanças repentinas  
no mercado cambial internacional, visto que sua vulnerabilidade a estas  
flutuações se origina da sua alta dependência do dólar como o maior titu-  
lar de reservas da moeda norte-americana (Cohen, 2017).  
3 A ASCENSÃO DO PETRODÓLAR E O SEU PAPEL NA MANUTENÇÃO  
DA HEGEMONIA DOS ESTADOS UNIDOS  
Nesta seção, examina-se como a consolidação do petrodólar con-  
tribuiu para a perpetuação da hegemonia monetária dos Estados Unidos.  
Nesse contexto, compreende-se que a Conferência de Bretton Woods  
inaugurou uma nova ordem econômica internacional, caracterizada pela  
reativação do comércio global no pós-Segunda Guerra Mundial e pelo  
incremento da produtividade em escala internacional (Truman, 2017). O  
sistema de Bretton Woods institucionalizou o dólar como a moeda anco-  
ra do sistema monetário internacional, representando cerca de 70% do  
Produto Interno Bruto (PIB) global até a década de 1970. Outras moedas  
competitivas durante este período foram a libra esterlina e o rublo sovié-  
tico (Ilzetzki; Reinhart; Rogoff, 2019). Uma consequência natural do pa-  
drão dólar-ouro foi o aumento da circulação internacional da moeda nor-  
te-americana devido à sua participação crescente em reservas centrais,  
a intensificação dos investimentos externos diretos (IED) dos EUA e das  
suas despesas militares. (Truman, 2017). Em 1940, a circulação interna-  
cional do dólar se encontrava em cerca de US$ 8,4 bilhões. Este número  
subiu para em torno de US$ 54 bilhões no final de 1970 (Federal Reserve  
Economic Data, 2024a).  
O sistema de Bretton Woods implicou que os EUA tivessem que  
incorrer em déficits recorrentes na sua balança de pagamentos para acom-  
panhar a demanda mundial por sua moeda (Spiro, 2012). Isto não seria  
possível se a moeda norte-americana desempenhasse as funções de meio  
de troca e reserva de valor ao mesmo tempo sem levar à sua escassez  
4. [...] rights and privileges that China has long regarded as its natural due (Cohen, 2017, p. 7).  
134  
Jacqueline A. Haffner, Julia Driemeir Vieira Rosa A internacionalização do renminbi como instrumento geopolítico: estratégias chinesas para reduzir a dependência do dólar  
no mercado internacional. Este fenômeno passou a ser conhecido como  
o Dilema de Triffin (James, 2009). Desta forma, ao final da década de  
1960, o país norte-americano começou a apresentar crescentes dificulda-  
des em manter o padrão cambial de Bretton Woods. Como consequência,  
o mercado cambial passou a apresentar um ceticismo crescente acerca  
da capacidade do governo estadunidense de assegurar a conversibilidade  
monetária em ouro. Neste sentido, a especulação financeira em larga es-  
cala diminuiu a confiança global na moeda norte-americana, aumentan-  
do a inflação mundial (Baer et al., 2016; James, 2009). Segundo Helleiner  
(2009), as primeiras previsões acerca do declínio da posição privilegiada  
do dólar se iniciaram nesta década.  
Como consequência da crise do dólar, bancos centrais passaram  
a insistir no resgate das suas reservas de dólar em ouro em proporções  
insustentáveis, evidenciando a incapacidade dos EUA em garantir a con-  
versibilidade entre sua moeda e o metal precioso (Hammes; Wills, 2005;  
Mathews; Selden, 2018). A sobrevalorização do dólar também prejudicava  
a competitividade de exportações norte-americanas, frente ao aumento  
de competição com o Japão e a Alemanha. Para o Presidente Richard  
Nixon (1969 – 1974), isto ameaçava a supremacia econômica dos Estados  
Unidos. Além disso, defender a economia norte-americana contra espe-  
culações financeiras se tornou demasiadamente custoso (Wight, 2021).  
Assim, o sistema de Bretton Woods foi unilateralmente suspendido pelos  
EUA em 1971, inaugurando um período de regime cambial de taxa flu-  
tuante (Baer et al., 2016). Esta medida resultou tanto na desvalorização  
média do dólar em 25% comparado a outras moedas ocidentais no ano de  
1973 quanto no aumento da inflação mundial, sobretudo no mercado de  
commodities. De tal modo, países observaram uma crescente dificuldade  
em manter suas moedas nacionais atreladas ao dólar, levando a uma di-  
minuição na sua demanda internacional. Este momento histórico amea-  
çava minar a posição do dólar como moeda internacional e, consequen-  
temente, a hegemonia monetária dos EUA (Helleiner, 2009; Mathews;  
Selden, 2018; Spiro, 1999).  
A partir da contextualização apresentada e da análise da crise ins-  
taurada, torna-se possível examinar as estratégias adotadas pelos Estados  
Unidos para preservar a posição privilegiada do dólar frente ao colapso  
do sistema de Bretton Woods, especialmente por meio da instrumenta-  
lização do mercado petrolífero. Segundo Klare (2012), a geopolítica con-  
temporânea do petróleo começou a ser desenvolvida no período anterior  
à Primeira Guerra Mundial e durante o conflito. As grandes potências  
da época, com destaque ao Reino Unido, já entendiam a relevância do  
recurso não somente ao sucesso das suas políticas industriais e à consoli-  
dação dos seus objetivos militares. Deste modo, a exploração do petróleo  
se tornou chave para as políticas imperialistas da época, aprofundando  
o interesse europeu no Oriente Médio e na África. O Gráfico 1 mostra  
o consumo global de energias não renováveis, sugerindo a sua crescente  
importância energética principalmente após a década de 1940.  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 126-148  
Gráfico 1 – Consumo Global de Combustíveis Fósseis (medido em terawatt-horas de  
consumo de energia primária)  
Fonte: elaborado pelas autoras com base em Our World in Data (2023a).  
É possível apontar que, durante o período da ascensão hegemôni-  
ca dos EUA, o hidrocarboneto já havia se consolidado como um recurso  
central do comércio mundial e, assim, da política externa norte-americana.  
O aumento do consumo global do petróleo se tornou um motivo-chave  
para a retomada econômica internacional após a Segunda Guerra Mundial  
e logo se tornou o maior bem comercializado globalmente em termos de  
valor e volume (Wight, 2021). Segundo Wight (2021), o consumo petrolífe-  
ro dos EUA aumentou em 180% entre 1949 e 1970. Tornou-se necessário,  
portanto, assegurar o acesso ininterrupto ao recurso a fim de preservar a  
produtividade econômica estadunidense e garantir a sua segurança energé-  
tica nacional a um preço acessível ao consumidor doméstico (Gokay, 2020).  
O quadro decorrente do fim do sistema de Bretton Woods foi acom-  
panhado por grandes instabilidades no mercado petrolífero. O preço da  
commodity já havia aumentado dada a reação da Organização dos Países  
Exportadores de Petróleo (OPEP) ao fim do Sistema Bretton Woods, a  
qual optou por conter seu impacto sobre a comercialização do recur-  
so ao indexar este a uma quantidade fixa de ouro. A decisão, contudo,  
não surtiu os efeitos desejados devido à incapacidade dos países-mem-  
bros da OPEP de acompanhar a elevação do preço do ouro (Hammes;  
Wills, 2005; Gokay, 2020). O cenário foi exacerbado devido ao conflito  
Árabe-Israelense, o que resultou em governos árabes aliados aos EUA,  
sobretudo a Arábia Saudita, ameaçarem restringir a produção de petró-  
leo caso o governo estadunidense continuasse a apoiar o Israel. A tensão  
136  
Jacqueline A. Haffner, Julia Driemeir Vieira Rosa A internacionalização do renminbi como instrumento geopolítico: estratégias chinesas para reduzir a dependência do dólar  
diplomática gerada levou ao armazenamento exagerado do recurso em  
mercados como os da Europa e do Japão e escalou rapidamente o preço  
mundial do petróleo bruto (Hammes; Wills, 2005; Wight, 2021), o qual  
passou de US$20,69 por metro cúbico a US$72,84 entre 1973 e 1974 (Our  
World in Data, 2024a). Nesse contexto, a importação internacional do pe-  
tróleo se estagnou e a inflação mundial se intensificou (Hughes, 2018).  
Conforme descrito por Wight (2021), diante do aumento de preço  
do petróleo, o governo dos EUA contava com os seus aliados do Oriente  
Médio, principalmente a Arábia Saudita, para aumentar a sua produção do  
recurso em um ritmo mais acelerado do que o crescimento da sua deman-  
da internacional com o objetivo de conter a inflação. Como consequência,  
a participação do dólar nas reservas centrais destes países cresceu mais  
rapidamente do que a sua capacidade de gastar a moeda. As suas decisões  
financeiras, portanto, passaram a ter grande peso no mercado internacio-  
nal. Foi este o contexto que levou o então Secretário de Estado dos Estados  
Unidos, Henry Kissinger, e o príncipe saudita Fahd Al Saud a acordarem a  
indexação de preço do barril de petróleo à moeda norte-americana, origi-  
nando o termo “petrodólar”. Por um lado, os EUA aprofundariam os seus  
pactos militares com a Arábia Saudita, oferecendo armamentos e garantias  
de proteção militar. Por outro, o reino saudita asseguraria investimentos  
e compras que retornariam dólares à economia dos EUA e que estabilizas-  
sem o sistema monetário internacional (Wight, 2021).  
Este processo é entendido como reciclagem de petrodólares, a partir  
da qual países exportadores de petróleo financiam os déficits do balanço  
de pagamentos de nações terceiras. Somente a moeda norte-americana  
poderia ter assumido este papel neste contexto. Em primeiro lugar, a ca-  
pacidade de imprimir moedas que acompanhasse o crescimento do mer-  
cado petrolífero não era possível para diversos Estados. Em segundo lugar,  
mesmo se um país além dos EUA tivesse esta habilidade, a OPEP teria  
que aceitar acumular suas moedas nas suas reservas centrais. Sem a li-  
derança estadunidense, a estabilidade do sistema monetário internacional  
seria comprometida, pois o potencial de competição monetária injusta era  
significativo (Spiro, 1999). Kamel e Wang (2019) resumem esta discussão:  
O papel do dólar na precificação do petróleo levou à sua crescente utili-  
zação na compra e venda do petróleo, uma vez que isto ajudou tanto os  
compradores quanto os vendedores a minimizar os seus riscos cambiais.  
À medida que a demanda pelo petróleo crescia na economia moderna,  
a própria moeda do comércio petrolífero se tornou uma mercadoria  
indispensável para países ao redor do mundo. Por um lado, os países  
consumidores precisam manter grandes quantidades da moeda dos  
Estados Unidos para garantir a sua segurança energética; por outro lado,  
os países produtores recebem os pagamentos pelas suas exportações  
de energia majoritariamente em dólares, que depois estes utilizam em  
troca por importações e para investir em ativos denominados em dólares  
(Kamel; Wang, 2019, p. 1141, tradução própria)5.  
5. The role of the dollar in pricing oil led to its increasing use in buying and selling oil, as this helped both  
buyers and sellers to minimize exchange rate risks. As the need for oil grew in the modern economy, so the  
currency of the oil trade itself became an indispensable commodity for countries around the world. On the one  
hand, consumer countries need to keep large amounts of US currency to ensure their energy security; on the  
other hand, producer countries receive payment for their energy exports mostly in dollars, which they then use  
in exchange for imports and for investing in dollar-denominated assets (Kamel; Wang, 2019, p. 1141).  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 126-148  
Como afirmam Mathews e Selden (2018), o colapso do sistema de  
Bretton Woods poderia ter significado o fim da hegemonia monetária  
dos EUA. Tornando o dólar o principal meio de veículo da commodity  
mais comercializada do mundo, garantiu que a demanda pela moeda  
norte-americana continuasse alta. Conforme países exportadores de  
petróleo aumentam a participação do dólar nas suas reservas centrais  
e reciclam os seus petrodólares na economia dos EUA, maior é o seu  
interesse em manter a indexação com o dólar e menor será o seu incen-  
tivo a diversificar as suas reservas por outras moedas (Momani, 2008).  
Sendo assim, a relação entre os EUA e os países árabes exportadores de  
petróleo mudou fundamentalmente, passando a ser altamente interde-  
pendente. Wight (2021) ressalta que o acordo de petrodólar serviu para  
ampliar o poder geopolítico norte-americano e intensificou a globaliza-  
ção do capitalismo.  
Assim, os EUA conseguem incidir déficits nas suas contas públicas  
a cada ano desde 1978, visto que sempre haverá um mercado para a com-  
pra dos seus títulos governamentais (Hughes, 2018). Domesticamente,  
o prestígio monetário do dólar garante a sustentação do “estilo de vida  
americano”, caracterizado por padrões elevados de consumo material  
e energético (Momani, 2008). Além disso, a posição privilegiada da  
moeda norte-americana no sistema monetário internacional possibili-  
ta as suas altas despesas militares, o que também assegura o seu aces-  
so contínuo ao petróleo como recurso estratégico (Gokay, 2020). Estes  
benefícios transformaram o imperialismo norte-americano no Oriente  
Médio, trazendo não somente investimentos, armamentos e projetos  
cooperativos de desenvolvimento à região, mas também instabilidade  
política (Wight, 2021).  
Outros países também foram incentivados a manter a nova “ordem  
do petrodólar”, segundo a caracterização de Wight (2021). Como mencio-  
nado anteriormente, nem todos os Estados teriam as capacidades neces-  
sárias para liderar a estabilização do sistema financeiro internacional. Um  
acordo como este era necessário, pois a alternativa seria uma redução no  
consumo mundial de petróleo, significando menores excedentes econô-  
micos para os membros da OPEP. Isto teria impactado negativamente di-  
versos setores econômicos e arriscava acelerar a recessão mundial a níveis  
sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial (Spiro, 1999).  
No entanto, algumas alternativas foram propostas que permiti-  
ram a reciclagem dos petrodólares por meio de organizações interna-  
cionais multilaterais, especificamente o FMI. Isto distribuiria os lucros  
do mercado petrolífero entre nações industrializadas. Os EUA vetaram  
esta proposta de forma unilateral. Esta decisão reflete a preocupação dos  
governantes norte-americanos com o declínio relativo da Centralidade  
do dólar no sistema financeiro global, contrastada pela vulnerabilidade  
frente à deterioração das contas públicas. Embora esta atitude asseguras-  
se os interesses econômicos e geopolíticos dos EUA a médio prazo, a sua  
liderança nas instituições internacionais que foram fundadas no período  
pós-guerra naquele momento foi minada (Spiro, 1999).  
138  
Jacqueline A. Haffner, Julia Driemeir Vieira Rosa A internacionalização do renminbi como instrumento geopolítico: estratégias chinesas para reduzir a dependência do dólar  
4 DESAFIOS CONTEMPORÂNEO À HEGEMONIA DO PETRODÓLAR: A  
INTERNACIONALIZAÇÃO DO RENMINBI  
Nesta seção, será analisado como a crescente internacionalização  
do renminbi tem gerado tensões e desafios à posição dominante do dólar  
no sistema internacional. A ascensão da moeda chinesa, impulsionada  
por estratégias de diversificação monetária, acordos bilaterais e o forta-  
lecimento das reservas internacionais em renminbi, tem provocado um  
deslocamento gradual na arquitetura monetária internacional. Esse mo-  
vimento suscita preocupações quanto à estabilidade da hegemonia do  
dólar, especialmente diante da ampliação das zonas de influência econô-  
mica da China e da busca por alternativas ao padrão monetário vigente.  
Conforme apontado por Cohen (2017, 2019), a internacionalização  
do renminbi representa um desafio à hegemonia monetária dos EUA que  
não encontra precedentes na história moderna. Pela primeira vez, um  
rival monetário não é aliado nem inimigo do governo norte-americano,  
se encontrando em uma posição intermediária cuja ambição de competi-  
ção é inegável ao mesmo tempo que é difícil de mensurar. Apesar desta  
ambiguidade, é possível afirmar que a China tem tornado a internacio-  
nalização da sua moeda um objetivo de Estado estratégico, com ramifi-  
cações tanto geopolíticas quanto econômicas, mirando a construção do  
seu próprio “privilégio exorbitante”. Neste sentido, será analisada aqui a  
internacionalização do renminbi por meio do mercado petrolífero, que,  
da mesma forma que contribui para a manutenção da hegemonia mone-  
tária dos EUA, apresenta grande potencial para as pretensões monetárias  
chinesas no que diz respeito ao multilateralismo comercial, financeiro e  
industrial (Mathews; Selden, 2018).  
O petróleo é um recurso estratégico para o fortalecimento do po-  
der chinês na economia política internacional, da mesma forma que é  
essencial para a geopolítica e a economia dos EUA. Desde a década de  
1980, quando a China efetivamente iniciou o seu processo de globaliza-  
ção econômica (Mendonça; Lopes Filho; Oliveira, 2021), a sua demanda  
doméstica pelo hidrocarboneto tem aumentado progressivamente. Em  
2022, a China consumiu uma média de 8.000 terrawatt-hora (TWh) de  
petróleo. Os EUA, por sua vez, utilizaram 10.000 TWh no mesmo ano  
(Our World in Data, 2023b). A China também se encontra entre os dez  
maiores produtores de petróleo do mundo (Our World in Data, 2024b),  
mas ainda depende majoritariamente do mercado global para suprir a  
sua demanda, o que coloca o nível do seu consumo petrolífero em pro-  
porções impressionantes. Isto ocorre em função da baixa qualidade do  
produto produzido nas reservas nacionais chinesas além do seu consumo  
petrolífero expressivo (Calabrese, 2012). Em 2012, a China ultrapassou os  
EUA e se tornou o maior importador mundial do combustível (Kamel;  
Wang, 2019; World Bank, 2024).  
Desta forma, é possível apontar que a China se tornou um ator cen-  
tral no mercado global do petróleo já na década de 1980, mas sua partici-  
pação ativa na comercialização do recurso se intensificou a partir da Crise  
Financeira de 2008. A partir deste marco, a China passa a centrar a sua  
segurança energética como prioridade da sua política externa, devido à  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 126-148  
instabilidade do mercado internacional, sobretudo quanto à precificação  
das commodities. Isto leva o governo chinês a firmar um número maior  
de contratos comerciais petrolíferos no renminbi com parceiros como a  
Rússia, o Irã e a Venezuela, já no início da década de 2010 (Kamel; Wang,  
2019). A importância do recurso para os objetivos chineses também se  
reflete na crescente militarização da sua política energética, a partir  
da qual a China visa reduzir a sua dependência do petróleo produzido  
pelo Oriente Médio com a expansão da sua presença na África e na Ásia  
Central. Adicionalmente, devido à importância do transporte marítimo  
para as suas importações petrolíferas, o governo chinês tem aumentado  
a sua presença militar em rotas estratégicas no fluxo comercial regional  
e internacional, com destaque ao Mar do Sul da China (Calabrese, 2012;  
Klare, 2012).  
A Crise Financeira de 2008 abriu um espaço político importante  
para a China questionar o funcionamento do sistema financeiro interna-  
cional e a participação das economias emergentes nas instituições multi-  
laterais. Esta tendência se repete no mercado energético. A China critica  
o processo de financeirização do comércio de commodities, afirmando que  
este setor se encontra altamente vulnerável ao processo especulativo e  
dependente da política monetária doméstica dos EUA, o que reverbera  
na precificação do petróleo. Dentro deste contexto, a China tem buscado  
aumentar a sua influência dentro do mercado petrolífero global, expan-  
dindo o número de parcerias estratégicas com atores como a OPEP e o  
Fórum Internacional de Energia e inserindo a pauta em espaços multi-  
laterais como o BRICS e o G20 durante a sua presidência do grupo em  
2016 (Kamel; Wang, 2019; Taylor, 2025). Utilizando a sua posição como  
o maior importador de petróleo do mundo, a China visa a criação do  
“petroyuan” para facilitar o comércio com base na sua própria moeda, re-  
duzindo conversões em dólar e diminuindo custos para os seus parceiros  
comerciais (Taylor, 2025).  
6
O petroyuan pode ser entendido como um benchmark petrolí-  
fero fixado no renminbi (Taylor, 2025). A sua viabilização é permitida  
7
por meio do lançamento de contratos futuros de petróleo com base na  
moeda chinesa na Bolsa de Valores Internacional de Energia de Xangai  
(Shanghai International Energy Exchange – SIEE). O mercado de futuros do  
petróleo se trata de uma fonte de estabilidade dentro do comércio mun-  
dial de commodities, o que por sua vez sustenta a indústria e a produção  
internacional. A primeira tentativa chinesa de lançar contratos deste tipo  
6. Por benchmark, refere-se ao sistema de precificação do petróleo utilizado em determinado contrato comer-  
cial. Trata-se de uma tentativa de estabelecer preços fixos a curto e médio prazo considerando a alta insta-  
bilidade do mercado energético. Exemplos de benchmarks incluem o Brent Blend, o West Texas Intermediate  
(WTI), o Dubai Crude, o Ural Blend e o Alaska North Slope (ANS) (Luciani, 2012). Os sistemas de precificação  
de Brent e WTI dominam o mercado petrolífero e correspondem a mais da metade dos seus contratos comer-  
ciais (Kamel; Wang, 2019).  
7. Os contratos futuros de petróleo garantem a comercialização do recurso a um preço previamente estabeleci-  
do em uma data futura. Entre as suas principais funções, aponta-se a possibilidade de hedge de negócios futu-  
ros de empresas petrolíferas, como refinarias, contra flutuações no mercado energético internacional, além de  
facilitar o processo especulativo a partir do controle na oscilação de preços do combustível. Através destes, é  
possível assegurar não somente a entrega física do produto, mas também a sua liquidação financeira (Luciani,  
2012; Mathews; Selden, 2018; Woertz, 2012).  
140  
Jacqueline A. Haffner, Julia Driemeir Vieira Rosa A internacionalização do renminbi como instrumento geopolítico: estratégias chinesas para reduzir a dependência do dólar  
foi ainda na década de 1990, mas a iniciativa falhou devido à baixa trans-  
parência e liquidez. Quase trinta anos depois, o cenário mundial mudou,  
aumentando a capacidade chinesa de desafiar a hegemonia do dólar neste  
mercado (Mathews; Selden, 2018).  
A iniciativa lançada em 2018 foi bem-vista por parceiros estratégi-  
cos como a Rússia e o Irã, considerando que o volume de negociações do  
mercado futuro de Xangai em só um ano após o seu lançamento chegou  
à metade do total de contratos firmados com base no benchmark do Brent  
Blend (Kamel; Wang, 2019). O petroyuan também foi bem recebido por  
comerciantes multinacionais como a Glencore e a Trafigura (Mathews;  
Selden, 2018; Taylor, 2025). No entanto, a COVID-19 desacelerou os avan-  
ços do petroyuan. Já em 2019, o mercado futuro de petróleo da China  
havia atingido um nível de maturidade significativo, observando uma re-  
dução na transmissão de riscos de volatilidade, assimetrias de informação  
e no estabelecimento de referência contratual demasiadamente elevada.  
8
A pandemia reverteu esta tendência , estagnando a expansão de contratos  
firmados no preço de Xangai (Corbet et al., 2022).  
Desde então, a expansão do comércio baseado no petroyuan vem ex-  
pandindo-se paulatinamente em volume e participação no mercado inter-  
nacional (Taylor, 2025). Alguns indícios, contudo, apontam para a possibili-  
dade de uma aceleração da sua adoção nas próximas décadas. Em primeiro  
lugar, o benchmark chinês traz algumas inovações significativas em relação  
às referências de Brent e do West Texas Intermediate (WTI) além da sua  
base no renminbi, como a priorização do petróleo bruto pesado e de alto  
teor sulfúrico em lugar do tipo leve e de baixa concentração de enxofre, já  
que este é mais facilmente encontrado nas fontes petrolíferas chinesas e é  
preferida por países no Oriente Médio e pela Rússia (Kamel; Wang, 2019;  
Alshareef, 2022). Em segundo lugar, a sua conversibilidade é lastreada em  
ouro, o que assegura um importante mecanismo de segurança e estabili-  
dade (Mathews; Selden, 2018). Em terceiro lugar, a referência chinesa é a  
primeira na região Ásia-Pacífico, oferecendo uma oportunidade de padro-  
nização de preços para estas nações (Kamel; Wang, 2019; Alshareef, 2022).  
No que se refere à internacionalização do renminbi, a lógica que  
sustenta a criação do petroyuan é evidente. Conforme a China amplie o  
seu número de contatos petrolíferos, mais os seus parceiros comerciais  
são esperados a acumular a moeda chinesa nas suas reservas centrais.  
Isto não somente significa mais compras de bens e serviços da China,  
mas também de títulos do governo chinês. Como resultado, isto garante  
o fortalecimento do mercado de capitais do país asiático e a internacio-  
nalização da sua moeda. Este é o mesmo racional que explica a recicla-  
gem do petrodólar no mercado doméstico dos EUA e indica que o Partido  
Comunista visa repetir alguns dos passos históricos que propulsionaram  
o dólar ao topo da hierarquia monetária global (Kamel; Wang, 2019;  
Mathews; Selden, 2018).  
8. Meidan (2020) ressalta que o sistema de precificação chinês não foi o único impactado pela COVID-19, visto  
que as referências de Brent e do WTI também foram prejudicadas. Sendo assim, devido à queda na demanda  
global resultante da pandemia, o excedente do mercado petrolífero naturalmente se destinou à China como o  
maior importador mundial do recurso. Este fato, portanto, permitiu que a China retomasse as suas negocia-  
ções no mercado futuro de Xangai, inclusive com os benchmarks de Brent e Dubai e Omã.  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 126-148  
Existem diversos motivos pelos quais diferentes países poderiam  
estar interessados em firmar contratos petrolíferos com base no ren-  
minbi. Governos que buscam diversificar as suas moedas de liquidação  
comercial enquadram o petroyuan como uma alternativa viável. Além  
disso, devido à frequente weaponization do dólar, acordos bilaterais com a  
China podem oferecer uma forma de contornar sanções ocidentais, como  
no caso da Rússia e do Irã (Taylor, 2025). Contudo, como destacam Kamel  
e Wang (2019), o número de países parceiros que estabelecem contratos  
futuros fixados no renminbi ainda é bastante restrito. Somado a isto, es-  
tas nações não estão sendo motivadas necessariamente por uma crença  
no fortalecimento da moeda chinesa a longo prazo, mas sim por uma  
vontade política mais imediata de confrontar a hegemonia monetária dos  
EUA. Rivalidades como estas, mesmo com fontes históricas, podem mu-  
dar. Sendo assim, a predisposição de determinados Estados a apoiarem o  
petroyuan pode se reverter, o que consequentemente prejudica o objeti-  
vo de internacionalização do renminbi.  
A partir do exposto, é possível compreender a iniciativa do pe-  
troyuan como um exemplo da crescente competição monetária entre a  
China e os EUA no processo de internacionalização do renminbi. Dada  
a importância da relação entre a precificação do petróleo com base na  
moeda norte-americana e a hegemonia monetária dos EUA, o aumento  
de contratos petrolíferos negociados com a China, para alguns autores,  
oferece uma ameaça sem precedentes (Mathews; Selden, 2018). Contudo,  
esta discussão é altamente dependente da capacidade destes países de  
exercerem influência no mercado de commodities, o que, por sua vez, é  
um reflexo do seu poder estrutural. No período pós-guerra, é possível  
afirmar que os EUA contavam com vantagens significativas em todas as  
estruturas descritas por Strange (1988). No século XXI, o cenário é outro,  
exceto quando se trata de segurança, já que o país norte-americano per-  
manece um poder militar unipolar (Nye Jr., 2022).  
Inegavelmente, a capacidade chinesa de “ditar as regras do jogo”  
tem se fortalecido em paralelo com um declínio gradual do poder estru-  
tural dos EUA. No entanto, ainda não é possível prever se, e muito menos  
quando, a China irá ultrapassar o seu rival em termos de poder financeiro  
(Gurcan; Donduran, 2023). Até pouco tempo, a possibilidade de o país  
asiático ocupar a posição de maior economia do mundo era realista no  
médio prazo (DiPippo, 2025; Nye Jr., 2019). Contudo, estimativas agora  
apontam que o crescimento econômico chinês tem desacelerado abaixo  
dos níveis vistos durante a pandemia da COVID-19. Em 2024, o PIB chi-  
nês caiu para 64% em comparação com o dos EUA. Em 2021, este número  
se encontrava em 77% (DiPippo, 2025). Mesmo se a China ultrapassasse  
a posição econômica dos EUA, em outras medidas de poder geopolíti-  
co o governo chinês ainda se encontraria em desvantagem (Cildir, 2025;  
Cohen, 2019; Nye Jr., 2010)  
Um fato que pode impactar o futuro do petroyuan de forma positiva  
é a mudança da relação entre os EUA e os seus aliados do Oriente Médio.  
Desde a década de 1970, o governo norte-americano e as nações árabes  
exportadoras de petróleo têm observado uma interdependência centra-  
da no petrodólar. Esta relação é contingente da capacidade do governo  
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Jacqueline A. Haffner, Julia Driemeir Vieira Rosa A internacionalização do renminbi como instrumento geopolítico: estratégias chinesas para reduzir a dependência do dólar  
norte-americano de providenciar os seus aliados árabes com poder eco-  
nômico e militar que em retorno servem os seus interesses (Wight, 2021).  
Com a invasão do Iraque em 2003, contudo, o contato dos EUA com a  
região foi colocado em xeque, levando algumas nações exportadoras de  
petróleo a questionarem a precificação com base no dólar. Além disso, pe-  
ríodos de instabilidade no valor da moeda norte-americana resultam em  
lucros petrolíferos reduzidos e em taxas maiores de inflação para a região,  
como no caso do Qatar e dos Emirados Árabes Unidos.  
Este contexto incentiva os países do Oriente Médio a diversificarem  
as suas reservas centrais. Caso isso se concretize, a reciclagem dos petro-  
dólares nos títulos governamentais estadunidenses pode se deslocar para  
outros mercados, como na Ásia ou no próprio Oriente Médio (Momani,  
2008), gerando consequências relevantes para a capacidade dos EUA de in-  
correr em déficits públicos (Spiro, 2012). Como resultado, abre-se espaço  
para a China ampliar o número de contratos petrolíferos com parceiros  
árabes indexados ao renminbi. Em 2022, o presidente chinês Xi Jinping  
visitou a Arábia Saudita a fim de estabelecer laços cooperativos com os  
planos da nação árabe de aproveitar as suas receitas petrolíferas para im-  
pulsionar a diversificação da sua economia. Para tanto, o governo chinês  
apresentou planos para investir em projetos de energia e infraestrutura  
na nação com base no renminbi. Outros acordos incluem trocas cambiais  
entre os bancos centrais dos dois Estados estimados em ¥50 bilhões. O ob-  
jetivo desta parceria é facilitar o comércio entre as nações com ênfase nas  
suas moedas locais. Desta forma, é possível observar que a Arábia Saudita  
e outras nações árabes exportadoras de petróleo olham favoravelmente  
para a expansão das suas reservas de renminbi. No entanto, este processo  
deve ocorrer incrementalmente de forma a equilibrar o relacionamento  
da região tanto com a China quanto com os EUA (Taylor, 2025).  
A reação do governo norte-americano aos esforços de internacio-  
nalização monetária da China também é essencial para compreender o  
futuro do petroyuan. Diante dos esforços chineses, é possível afirmar  
que a política adotada pelos EUA para proteger sua hegemonia mone-  
tária tem sido passiva e baseada em inatividade proposital. Esta atitude  
pode ser explicada por excesso de confiança no poder do dólar, o que  
gera complacência e leva ao entendimento de que o “privilégio exorbitan-  
te” é um fenômeno dado, não conquistado (Cohen, 2017, 2019). Se o país  
norte-americano decidisse atuar para defender a posição internacional da  
sua moeda por meio de pressão sobre os seus parceiros comerciais, os  
seus vastos recursos de poder o colocariam em uma posição ideal para tal  
(Helleiner; Kirshner, 2014).  
Quando se trata do domínio do dólar dentro do comércio petrolí-  
fero, as autoridades estadunidenses têm um grande incentivo para atuar  
em defesa da reciclagem do petrodólar em seus mercados domésticos.  
Caso contrário, a incapacidade do governo em financiar as suas massivas  
dívidas públicas pode negativamente impactar as suas taxas de juros e  
de crescimento econômico. Qualquer que seja a estratégia tomada pelos  
EUA, “[...] um denominador comum é que o resultado será determinado  
mais pela política do que pela economia.” (Helleiner; Kirshner, 2014, p. 7,  
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9
tradução própria ). Para Mathews e Selden (2018), o desempenho do pe-  
troyuan é ameaçado pela guerra comercial entre os EUA e a China. A  
retórica agressiva de Donald Trump e a sua aplicação de sanções contra  
parceiros petrolíferos do Partido Comunista, sobretudo o Irã, evidenciam  
que a mira das políticas coercitivas norte-americanas é de fato contra o  
país asiático.  
4 CONCLUSÕES  
Este artigo teve como objetivo examinar a internacionalização do  
renminbi por meio das ações do governo chinês no mercado petrolífero e  
apontar como este processo se assemelha ao papel histórico do petrodó-  
lar na sustentação da hegemonia monetária dos EUA. Apontou-se que o  
sucesso do petroyuan depende de uma série de medidas que irão prover  
liquidez e convertibilidade à moeda chinesa. No entanto, alguns desafios  
persistem para que isto de fato ocorra. Em primeiro lugar, ao permitir que  
investidores estrangeiros atuem diretamente no seu mercado financeiro  
doméstico, a China sinaliza uma abertura estratégica e controlada da sua  
economia. Como mencionado anteriormente, um obstáculo enfrentado  
pelo governo chinês no comércio energético global está associado às suas  
políticas intensivas de controles de capitais. A flexibilização destes, por-  
tanto, permite uma entrada maior de capital estrangeiro na China, o que  
o seu governo tem promovido por meio de incentivos tributários, do es-  
tabelecimento de uma zona de livre comércio e da concessão de maiores  
licenças de importação a refinarias privadas.  
Contudo, esta liberalização monetária não é provável de ocorrer  
na forma esperada, dado o valor dos controles de capitais observado pelo  
governo chinês em períodos de instabilidade financeira no mercado cam-  
bial internacional. Os mercados financeiros da China permanecem exces-  
sivamente regulamentados e subdesenvolvidos em muitos sentidos, o que  
entra em contradição com as tendências históricas de internacionalização  
monetária ocorrendo em ambientes domésticos com intervenções esta-  
tais limitadas. Desta forma, a natureza autoritária do Partido Comunista,  
combinada com o seu baixo compromisso com os direitos de proprieda-  
de privada e com o cumprimento de obrigações contratuais, não assegu-  
ra confiança por parte de investidores internacionais nas suas políticas  
monetárias.  
Em segundo lugar, qualquer iniciativa de desdolarização promo-  
vida pela China, seja pela redução do seu prestígio por meio da diver-  
sificação monetária ou por sua substituição direta, é confrontada pelas  
suas vastas reservas da moeda norte-americana. Além disso, o comércio  
mundial continua centrado no dólar apesar de tentativas de diversifica-  
ção. Neste sentido, a maioria das commodities, incluindo o petróleo, são  
precificadas com base na moeda norte-americana. Isto encoraja a China  
a manter suas reservas altas e garantir o seu desempenho comercial no  
palco mundial. Como consequência, mesmo com as suas iniciativas de  
9. [...] a common denominator is that the outcome will be determined more by politics than economics (Hellei-  
ner; Kirshner, 2014, p. 7).  
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Jacqueline A. Haffner, Julia Driemeir Vieira Rosa A internacionalização do renminbi como instrumento geopolítico: estratégias chinesas para reduzir a dependência do dólar  
internacionalização do renminbi, o governo chinês continua exibindo  
um interesse alto pela promoção de uma ordem financeira na qual o dólar  
ocupa o topo da hierarquia monetária.  
Quando se trata do comércio petrolífero, esta discussão é coloca-  
da em evidência. Os mercados de commodities como o petróleo e o gás  
natural exibem um incentivo natural pelo domínio de uma só moeda, já  
que isto torna o comércio mais eficiente. Além disso, a moeda de veículo  
para a compra e venda dos recursos energéticos será a que já ocupa o  
topo da hierarquia monetária em demais mercados. Qualquer mudan-  
ça nesse cenário ficará dependente do estreitamento da relação chinesa  
com o Oriente Médio e com os membros da OPEP. Como mencionado  
anteriormente, os objetivos chineses são incertos e as vastas reservas de  
dólar do país reforçam o seu interesse em manter a posição da moeda  
norte-americana no topo da hierarquia monetária. A internacionalização  
monetária é acompanhada por custos e riscos altos. A China usufrui de  
proteções naturais contra instabilidades comerciais externas, conhecidas  
como a sua “Grande Muralha Monetária”. Além disso, produtores e ins-  
tituições bancárias da China têm ganhado vantagens pelo forte controle  
estatal sobre taxas de juros e a distribuição de crédito. Assim, existem  
fortes grupos de interesse domésticos que podem ser contrários a maiores  
esforços de liberalização monetária por entender que estas colocam em  
risco o modelo de desenvolvimento do país.  
Nesta discussão, é evidente que os planos da China não são aber-  
tamente revisionistas, visto que o país também se beneficia da ordem  
liberal internacional. A interdependência entre a China e os EUA reduz  
as suas possibilidades de contenção de poder. Embora a intenção chinesa  
não aparente ser favorável à substituição direta da ordem mundial vigen-  
te, isto pode mudar conforme as suas capacidades estruturais se forta-  
leçam. Por um lado, a redução da dependência da China ao dólar terá  
consequências no comércio mundial e nas instituições internacionais, o  
que pode deter a sua ambição a médio prazo. Por outro lado, a China não  
tem interesse no liberalismo e tampouco no poder excessivo dos EUA. Os  
esforços chineses serão ditados não somente pelo seu poder material, mas  
também pelas suas raízes institucionais e ideacionais. A internacionaliza-  
ção monetária do renminbi, portanto, será guiada a partir da definição do  
que a China quer daqui em diante. A reação dos EUA a este processo irá  
precisar estimar corretamente as pretensões chinesas, evitando a compla-  
cência e o medo exagerado ao mesmo tempo.  
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148  
Fernando A. Ramos-Zaga Insuficiencia estructural del control humano significativo en armas autónomas:  
fundamentos para una reorientación normativa post-antropocéntrica  
Insuficiencia estructural del control  
humano significativo en armas autónomas:  
fundamentos para una reorientación  
normativa post-antropocéntrica  
Structural Insufficiency of Meaningful Human Control  
in Autonomous Weapons: Foundations for a Post-  
Anthropocentric Normative Reorientation  
Insuficiência estrutural do controle humano significativo  
em armas autônomas: fundamentos para uma  
reorientação normativa pós-antropocêntrica  
1
Fernando A. Ramos-Zaga  
DOI: 10.5752/P.2317-773X.2025v13.n2.p149  
Enviado em: 22 de setembro de 2025  
Aceito em: 03 de março de 2026  
RESUMEN  
El avance acelerado de los Sistemas de Armas Letales Autónomas (LAWS)  
ha generado una transformación radical en las lógicas del conflicto armado,  
planteando desafíos ético-normativos que cuestionan la continuidad de la  
agencia humana en decisiones letales automatizadas. Frente a este escenario, el  
presente estudio examina críticamente la noción de Control Humano Signifi-  
cativo (MHC) como dispositivo normativo central en la regulación de LAWS,  
con el objetivo de construir un marco filosófico que fundamente éticamente su  
exigencia, explore su viabilidad en entornos militares avanzados y proponga una  
reconceptualización que articule agencia, dignidad y responsabilidad. Los halla-  
zgos evidencian que el MHC, en su formulación actual, presenta limitaciones  
estructurales derivadas de la opacidad de los sistemas algorítmicos, la imprevisi-  
bilidad conductual y la dilución de la responsabilidad moral, lo cual imposibilita  
su función como garante ético en la guerra automatizada. En conclusión, se  
plantea un giro normativo que interpela la arquitectura jurídica y técnica exis-  
tente, exigiendo la adopción de marcos regulatorios internacionales capaces de  
salvaguardar principios morales fundamentales en un contexto marcado por la  
creciente mediación algorítmica de la violencia.  
Palabras clave: Sistemas de armas letales autónomas, control humano signifi-  
cativo, brecha de responsabilidad, guerra algorítmica, ética militar, inteligencia  
artificial.  
1. Abogado. Docente investigador a tempo completo. Universidad Privada del Norte, Lima, Perú. https://orcid.  
org/0000-0001-6301-9460. fernandozaga@gmail.com  
149  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 149-165  
ABSTRACT  
The rapid advancement of Lethal Autonomous Weapon Systems (LAWS) has  
fundamentally altered the dynamics of armed conflict, raising profound ethical  
and normative challenges that call into question the continuity of human agen-  
cy in automated lethal decision-making. In response to this scenario, the present  
study critically examines the notion of Meaningful Human Control (MHC) as  
a central normative device in the regulation of LAWS. The objective is to cons-  
truct a philosophical framework that ethically grounds the demand for MHC,  
assesses its operational viability in advanced military environments, and pro-  
poses a reconceptualization that integrates agency, dignity, and moral respon-  
sibility. The findings reveal that MHC, in its current formulation, suffers from  
structural limitations rooted in algorithmic opacity, behavioral unpredictability,  
and the fragmentation of moral responsibility, which collectively undermine  
its role as an ethical safeguard in autonomous warfare. The study concludes by  
proposing a normative shift that challenges existing legal and technical archi-  
tectures, advocating for the establishment of binding international regulatory  
frameworks capable of upholding fundamental moral principles in a context  
increasingly shaped by the algorithmic mediation of violence.  
Keywords: Lethal autonomous weapon systems, meaningful human control,  
responsibility gap, algorithmic warfare, military ethics, artificial intelligence.  
RESUMO  
O avanço acelerado dos Sistemas de Armas Letais Autônomas (LAWS) tem  
provocado uma transformação radical nas lógicas do conflito armado, susci-  
tando desafios ético-normativos que questionam a continuidade da agência  
humana em decisões letais automatizadas. Diante desse cenário, o presente  
estudo examina criticamente a noção de Controle Humano Significativo (MHC)  
como dispositivo normativo central na regulação dos LAWS, com o objetivo de  
construir um marco filosófico que fundamente eticamente sua exigência, explo-  
re sua viabilidade em contextos militares avançados e proponha uma recon-  
ceitualização que articule agência, dignidade e responsabilidade. Os resultados  
evidenciam que o MHC, em sua formulação atual, apresenta limitações estru-  
turais decorrentes da opacidade dos sistemas algorítmicos, da imprevisibilidade  
comportamental e da diluição da responsabilidade moral, o que inviabiliza sua  
função como garantidor ético na guerra automatizada. Conclui-se, portanto,  
que é necessário um giro normativo que interpele a arquitetura jurídica e téc-  
nica existente, exigindo a adoção de marcos regulatórios internacionais capazes  
de salvaguardar princípios morais fundamentais em um contexto marcado pela  
crescente mediação algorítmica da violência.  
Palavras-chave: Sistemas de armas letais autônomas, controle humano signifi-  
cativo, lacuna de responsabilidade, guerra algorítmica, ética militar, inteligência  
artificial.  
1 INTRODUCCIÓN  
En los últimos años, el desarrollo exponencial de tecnologías apli-  
cadas a la defensa ha reconfigurado los parámetros tradicionales de la  
guerra, inaugurando una nueva era marcada por la creciente autonomi-  
zación de los sistemas armamentísticos. La reciente inversión de 600 mil-  
lones de euros liderada por Daniel Ek, fundador de Spotify, en la empresa  
Helsing, especializada en sistemas de guerra basados en inteligencia ar-  
tificial (Browne, 2025), ilustra de forma paradigmática la militarización  
150  
Fernando A. Ramos-Zaga Insuficiencia estructural del control humano significativo en armas autónomas:  
fundamentos para una reorientación normativa post-antropocéntrica  
de la inteligencia artificial, impulsada tanto por actores estatales como  
por consorcios tecnológicos privados. El viraje hacia una guerra tecnoló-  
gicamente mediada plantea preguntas urgentes sobre la legitimidad del  
uso autónomo de la fuerza y sobre los límites éticos de la delegación de  
decisiones letales a entidades no humanas, particularmente en un esce-  
nario donde los marcos jurídicos tradicionales y las estructuras morales  
heredadas resultan insuficientes para aprehender la complejidad del fenó-  
meno emergente.  
La aparición de los Sistemas de Armas Letales Autónomos (LAWS,  
por sus siglas en inglés) ha catalizado un debate cuyo eje central gira en  
torno a la noción de Control Humano Significativo (MHC), introducida  
en 2013 como respuesta normativa ante la opacidad decisional de los sis-  
temas autónomos (Horowitz, 2016). No obstante, múltiples estudios han  
advertido sobre la ambigüedad conceptual del MHC y su limitada aplica-  
bilidad en contextos operacionales reales, marcados por la alta velocidad,  
la complejidad ambiental y la impredecibilidad algorítmica (Santoni De  
Sio; Van Den Hoven, 2018). A ello se suma el desafío ontológico plantea-  
do por la autonomía algorítmica, cuya lógica causal-determinista entra  
en tensión con la estructura intencional y relacional que define la acción  
moral humana (Matthias, 2004).  
La persistencia de una brecha epistemológica y normativa entre las  
capacidades técnicas de los LAWS y las exigencias morales del ius in bello  
pone de manifiesto una zona crítica de indeterminación conceptual. La  
actual arquitectura del MHC, centrada en fases operacionales específi-  
cas, desconoce el carácter distribuido y sistémico de la responsabilidad en  
entornos de guerra algorítmica (Taddeo; Floridi, 2018). En tal sentido, la  
idea de una “certificación humana significativa” ha sido propuesta como  
alternativa que podría preservar la autoría moral sin sacrificar la eficien-  
cia técnica (Winfield; Jirotka, 2018). Sin embargo, dicha reconceptualiza-  
ción plantea interrogantes profundos acerca de la trazabilidad de la inten-  
ción humana en redes decisionales algorítmicas evolutivas y distribuidas,  
lo cual exige una revisión crítica de las nociones tradicionales de control,  
causalidad y responsabilidad.  
El presente análisis se justifica por la urgencia de construir un mar-  
co filosófico-normativo que permita evaluar, fundamentar y, eventual-  
mente, redefinir el concepto de MHC en un contexto donde las decisiones  
sobre la vida y la muerte ya no dependen exclusivamente de agentes hu-  
manos identificables. Lejos de constituir una discusión académica aisla-  
da, esta problemática tiene implicaciones directas sobre la legitimidad del  
uso de la fuerza, la arquitectura normativa del derecho internacional y,  
en última instancia, sobre los fundamentos éticos que sostienen la convi-  
vencia global. En un momento histórico caracterizado por la aceleración  
tecnológica y la erosión de las formas tradicionales de soberanía, la ausen-  
cia de un paradigma coherente que preserve la agencia humana ante el  
avance de la autonomía algorítmica representa una amenaza a los princi-  
pios fundacionales del orden jurídico-moral contemporáneo.  
Las implicaciones prácticas de esta investigación son múltiples. En  
primer lugar, el desarrollo de un marco normativo robusto en torno al  
MHC puede ofrecer orientaciones concretas para legisladores, diseñadores  
151  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 149-165  
de sistemas de defensa y organismos internacionales encargados de la re-  
gulación de armamento. En segundo lugar, puede contribuir a delimitar  
los márgenes éticamente aceptables de la innovación tecnológica en con-  
textos de seguridad, evitando que los imperativos de eficiencia desplacen  
completamente los criterios de legitimidad moral. Finalmente, una redefi-  
nición del MHC podría servir como fundamento para sistemas de certifi-  
cación internacional que articulen principios éticos, criterios operacionales  
y requisitos legales en torno al uso de tecnologías autónomas en la guerra.  
La relevancia de esta reflexión se acentúa aún más cuando se la vin-  
cula con los desafíos contemporáneos que atraviesan tanto el campo de  
la gobernanza tecnológica como el del orden internacional. El creciente  
protagonismo de empresas privadas en la producción de armamento inte-  
ligente, la presión geopolítica por alcanzar la supremacía algorítmica y la  
normalización social del uso de drones autónomos en conflictos armados  
configuran un panorama en el cual las decisiones normativas actuales  
tendrán efectos estructurales en las décadas venideras. En este sentido, la  
discusión sobre el MHC no puede desligarse de las tensiones más amplias  
que afectan a las democracias liberales, a la arquitectura institucional del  
derecho internacional y a las formas emergentes de subjetividad en la era  
de la inteligencia artificial.  
En ese sentido, el objetivo del presente artículo es analizar crítica-  
mente la noción de Control Humano Significativo en sistemas armamen-  
tísticos autónomos, con el fin de desarrollar un marco normativo-filosófi-  
co que permita fundamentar éticamente su exigencia, evaluar su viabili-  
dad operativa en contextos militares tecnológicamente avanzados y pro-  
poner una reconceptualización sistemática que articule agencia, dignidad  
humana y responsabilidad moral en el entorno de la guerra algorítmica.  
Se espera que los resultados de este trabajo contribuyan a esclarecer los  
fundamentos éticos que deben orientar el desarrollo y despliegue de los  
LAWS, ofreciendo herramientas conceptuales y normativas que permi-  
tan preservar la centralidad de la agencia moral humana en un mundo  
progresivamente automatizado.  
2 GENEALOGÍA DE LA AUTOMATIZACIÓN DE LA VIOLENCIA  
La trayectoria histórica y conceptual de las armas automatizadas  
permite apreciar cómo la tecnología ha modificado progresivamente la  
estructura de la guerra. Durante la Guerra Fría, con el desarrollo de mi-  
siles antibalísticos guiados por radar, se consolidó un interés por delegar  
funciones críticas en las máquinas, aunque sin desplazar la centralidad  
del juicio humano. En tal contexto, la lógica de disuasión nuclear descan-  
saba en la capacidad decisional de líderes políticos y militares, quienes  
conservaban el control último sobre la acción letal (Freedman, 1989). Ello  
evidenciaba un perfeccionamiento del apoyo técnico orientado a la efi-  
ciencia, más que una auténtica autonomía decisional.  
Con la irrupción de la ciberguerra en los años noventa se produjo  
un giro significativo, ya que el escenario de confrontación se trasladó al  
espacio informacional. En este ámbito, los ataques contra infraestructu-  
ras digitales funcionaban primordialmente como formas de sabotaje y  
152  
Fernando A. Ramos-Zaga Insuficiencia estructural del control humano significativo en armas autónomas:  
fundamentos para una reorientación normativa post-antropocéntrica  
no como guerra en sentido estricto, debido a su limitada capacidad de  
destrucción masiva (Arquilla; Ronfeldt, 1993; Libicki, 1995; Rid, 2013). De  
ese modo, se reforzaba la premisa de que el factor humano seguía siendo  
insustituible, pues la decisión sobre el momento, el lugar y la intensidad  
de la intervención permanecía en manos de actores políticos y militares.  
Posteriormente, la evolución tecnológica introdujo un cambio  
cualitativo de mayor envergadura. El tránsito desde sistemas de apoyo  
hacia sistemas autónomos modificó sustancialmente la concepción de  
agencia en el campo bélico. Mientras la automatización remitía a la eje-  
cución mecánica de instrucciones, la autonomía abrió la posibilidad de  
que la máquina actuara y decidiera sin supervisión directa (Scharre, 2018;  
Singer, 2009). La incorporación de inteligencia artificial y sensores avan-  
zados intensificó esa transformación, acelerando el ritmo del combate a  
velocidades que superaban las capacidades cognitivas humanas (M. L.  
Cummings, 2021). Como consecuencia, surgió la noción de irresponsa-  
bilidad estructural, ya que cuando las máquinas operan con mínima in-  
tervención humana, la atribución de responsabilidad se vuelve difusa o  
incluso impracticable (Sparrow, 2007).  
En la actualidad, los conflictos armados han convertido el debate  
en experiencia tangible. La guerra en Ucrania se ha configurado como un  
laboratorio de experimentación con drones kamikaze y sistemas híbridos  
que combinan innovación comercial y despliegue militar, lo que refleja  
la convergencia entre ambas esferas (Kunertova, 2023). De manera simi-  
lar, en Gaza, los sistemas de selección automatizada de objetivos como  
“Lavender” han generado cuestionamientos éticos y jurídicos, debido a  
la dificultad de distinguir de forma confiable entre combatientes y civi-  
les, con posibles vulneraciones al Derecho Internacional Humanitario  
(Gusterson, 2024). A su vez, en Yemen, la continuidad de ataques con dro-  
nes de bajo costo ha configurado un patrón de guerra dronizada, aunque  
con eficacia relativa que atenúa la idea de autonomía plena en el terreno  
(Boyle, 2013; Kallenborn; Bleek, 2018).  
Desde un punto de vista analítico, resulta clave examinar los dis-  
tintos grados de intervención humana. El modelo human-in-the-loop ase-  
gura que el operador conserve el control directo sobre cada decisión le-  
tal, con lo cual mantiene una trazabilidad ética básica (Horowitz, 2016).  
A su vez, el modelo human-on-the-loop permite la actuación automática  
bajo supervisión diferida, lo que abre un espacio controvertido en ma-  
teria de responsabilidad (Scharre, 2018). En el extremo, el modelo hu-  
man-out-of-the-loop delega en la máquina la totalidad del ciclo decisional  
y elimina cualquier posibilidad de control humano significativo (Asaro,  
2012). De ese modo, se configura un continuo que va desde la supervi-  
sión plena hasta la autonomía absoluta, con consecuencias jurídicas y  
éticas de gran alcance.  
El panorama descrito evidencia una mutación estructural de la  
guerra. La agencia bélica ya no se define exclusivamente en términos hu-  
manos, sino como producto de ensamblajes socio-técnicos que redistribu-  
yen la capacidad de decidir y ejecutar acciones (Bode et al., 2024). Surge  
entonces un desfase entre la práctica militar y los marcos normativos,  
concebidos en un contexto donde el combatiente humano ocupaba un  
153  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 149-165  
lugar indiscutible. Tal desfase abre espacios de impunidad y erosiona la  
legitimidad del Derecho Internacional Humanitario (Winter, 2022).  
Con todo, la discusión incorpora también una dimensión menos  
pesimista. Se ha planteado que la autonomía algorítmica podría, en con-  
diciones específicas, contribuir a reducir violaciones al derecho de la  
guerra, dado que las máquinas carecen de emociones y sesgos que con  
frecuencia inducen a los combatientes humanos a excesos en el uso de  
la fuerza (Arkin, 2009). Se configura así una tensión entre quienes con-  
ciben la autonomía como un riesgo ontológico y normativo y quienes la  
valoran como una herramienta correctiva frente a la falibilidad humana.  
Reconocer tal tensión obliga a asumir la complejidad del fenómeno y a  
resistir la tentación de respuestas absolutas, puesto que el vínculo entre  
tecnología, ética y guerra exige un análisis abierto, crítico y matizado.  
En ese marco, el concepto de “control humano significativo” (MHC,  
por sus siglas en inglés) se ha propuesto como una tentativa de reintro-  
ducir la agencia moral en contextos automatizados. La sección siguiente  
examinará su génesis conceptual, su potencial normativo y sus limitacio-  
nes estructurales, con el fin de valorar si puede consolidarse como princi-  
pio operativo eficaz o si, por el contrario, se trata de una ficción regulativa  
que encubre la inercia de una automatización ya desbordada. Lo que está  
en juego no se limita a la regulación de una nueva tecnología, sino a la  
posibilidad de preservar una ética de la guerra en un mundo donde la de-  
cisión de matar podría ejecutarse sin que nadie, realmente, decida.  
3 EL CONTROL HUMANO SIGNIFICATIVO COMO RESPUESTA  
NORMATIVA INSUFICIENTE  
Desde su irrupción en el debate internacional sobre los sistemas  
de armas autónomos letales, el concepto de control humano significativo  
(MHC, por sus siglas en inglés) se ha consolidado como un artefacto nor-  
mativo de notable plasticidad discursiva. Su emergencia puede interpre-  
tarse como una tentativa colectiva de reinstalar la figura humana en un  
escenario tecnológico que, de manera progresiva, desplaza su agencia  
decisional y su capacidad deliberativa. A lo largo de su desarrollo concep-  
tual, se advierte una tensión persistente entre la voluntad de mantener el  
juicio humano como eje ético de la acción bélica y las limitaciones estruc-  
turales, epistémicas y morales que impone la creciente sofisticación de los  
sistemas algorítmicos.  
Es necesario señalar que la primera formulación sustantiva del  
MHC se articuló en el seno de la organización Article 36 durante las dis-  
cusiones de la Convención sobre Ciertas Armas Convencionales en 2013.  
En aquel contexto, se trataba de una propuesta concebida no solo como  
mecanismo regulador, sino también como una respuesta ética frente a  
la amenaza de deshumanización del uso de la fuerza (Klonowska, 2022).  
Desde esa perspectiva inicial, el MHC buscaba establecer un umbral mí-  
nimo de intervención humana que preservara la legitimidad moral y ju-  
rídica de la decisión letal. En consecuencia, más que un cuerpo doctrinal  
coherente, se ofrecía un principio guía suficientemente abierto para pro-  
piciar un consenso básico entre actores con posiciones divergentes.  
154  
Fernando A. Ramos-Zaga Insuficiencia estructural del control humano significativo en armas autónomas:  
fundamentos para una reorientación normativa post-antropocéntrica  
Posteriormente, la consolidación del MHC en la agenda internacio-  
nal respondió a la acción concertada de organizaciones de la sociedad ci-  
vil y coaliciones transnacionales. De hecho, iniciativas como la Campaign  
to Stop Killer Robots y Human Rights Watch ejercieron presión en foros mul-  
tilaterales con el objetivo de impulsar la adopción de un estándar nor-  
mativo vinculante que garantizara un umbral mínimo de intervención  
humana en el uso de la fuerza (Roff, 2014; Solovyeva; Hynek, 2023). Sin  
embargo, la postura de potencias con alta inversión en sistemas autóno-  
mos, como Estados Unidos, Rusia e Israel, apuntó hacia aproximaciones  
más flexibles, alineadas con la noción de “juicio humano apropiado” y  
con énfasis en la interoperabilidad técnica y la eficacia táctica (Boulanin;  
Verbruggen, 2017; Department of Defense, 2012). Tal divergencia crista-  
lizó en la Convención sobre Ciertas Armas Convencionales, donde los  
intentos de avanzar hacia un tratado vinculante enfrentaron la resistencia  
de Estados reticentes a limitar su superioridad estratégica (Payne, 2021).  
En ese orden de hechos, la emergencia de posturas intermedias com-  
plejizó aún más el panorama. La Unión Europea y algunos de sus Estados  
miembros, entre ellos Alemania y Países Bajos, reconocieron la necesidad  
de preservar la agencia humana, pero prefirieron impulsar mecanismos  
de carácter político antes que jurídicamente obligatorios (Ekelhof, 2019).  
Como resultado, los puntos de fricción giraron en torno a la naturaleza  
vinculante del MHC, a la definición operativa del umbral de intervención  
humana y a la tensión entre criterios ético-jurídicos y exigencias de viabi-  
lidad militar. El MHC se configuró así como un campo de competencia  
discursiva en el que confluyen racionalidades heterogéneas, tanto éticas  
como jurídicas y geopolíticas (Santoni De Sio; Van Den Hoven, 2018).  
Ahora bien, la vaguedad inicial que facilitó la aceptación política  
del MHC se ha transformado con el tiempo en un obstáculo epistemoló-  
gico y normativo. La ambigüedad de su formulación permitió su captura  
por marcos estratégicos disímiles, diluyendo así su potencial regulador  
(Jani atová; Mlejnková, 2021). El contraste con el enfoque estadouniden-  
se, centrado en la noción de “niveles apropiados de juicio humano”, resul-  
ta ilustrativo. Mientras que el MHC aspira a preservar la agencia ética y  
la responsabilidad humana, la postura del Departamento de Defensa de  
Estados Unidos privilegia la interoperabilidad técnica y la eficacia tácti-  
ca, relegando la cuestión moral a un plano secundario (Department of  
Defense, 2012). De ello se desprende una fractura profunda entre los im-  
perativos éticos de control y las exigencias operativas de eficiencia militar.  
En paralelo, a medida que el MHC adquirió mayor visibilidad en  
foros internacionales, se le atribuyeron funciones progresivamente más  
ambiciosas. Así, de mero instrumento de supervisión pasó a convertirse  
en símbolo de resistencia ética frente a la automatización del juicio, lle-  
gando incluso a proyectársele la capacidad de garantizar el cumplimiento  
del derecho internacional humanitario y de prevenir la fragmentación  
de la responsabilidad en contextos tecnológicamente mediados (Santoni  
De Sio; Van Den Hoven, 2018). Sin embargo, esta sobrecarga funcional  
condujo a un fenómeno de inflación normativa, donde las expectativas  
asignadas superaron con creces su factibilidad operativa, generando una  
disonancia entre aspiraciones éticas y limitaciones técnicas.  
155  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 149-165  
En el plano estructural, el MHC se sostiene en tres pilares funda-  
mentales: información, acción y responsabilidad. No obstante, un análisis  
riguroso de cada dimensión revela inconsistencias significativas. En lo  
que respecta al principio de información, la hipótesis de que el agente hu-  
mano puede procesar datos relevantes en tiempo real resulta insostenible.  
Se ha demostrado que la capacidad cognitiva humana se ve rápidamente  
desbordada en entornos de elevada complejidad, lo que reduce al opera-  
dor a un rol simbólico (M. M. Cummings, 2014). Además, disponer de  
información no equivale a comprenderla en términos semánticos, pues  
solo una inteligibilidad contextualizada permite fundamentar decisiones  
normativas (Floridi, 2011).  
En cuanto al principio de acción, los marcos tradicionales han ten-  
dido a reducir la agencia humana a una intervención puntual sobre el  
sistema. Sin embargo, tal visión ignora las condiciones estructurales que  
determinan la posibilidad misma de actuar. En esa dirección, se ha plan-  
teado que la agencia incluye no solo la decisión inmediata, sino también  
los procesos de diseño anticipado y las restricciones ex ante que configu-  
ran el marco de acción (Taddeo; Floridi, 2018).  
El principio de responsabilidad constituye, con todo, el pilar más  
problemático. La dispersión de atribuciones a lo largo del ciclo de vida  
del sistema genera lo que se ha denominado el problema de las “muchas  
manos” (Matthias, 2004). La dificultad de imputar responsabilidad com-  
promete tanto la justicia retributiva como la confianza en los marcos éti-  
cos y legales vigentes. Surge así la pregunta sobre quién debe responder:  
el diseñador del algoritmo, el aprobador político o el operador en campo.  
En consecuencia, los modelos clásicos de interacción hombre-má-  
quina muestran limitaciones análogas. El modelo human-in-the-loop, que  
exige la autorización humana antes de ejecutar una acción, se ha reve-  
lado ineficaz, ya que la presión situacional y la familiaridad con el sis-  
tema conducen a un automatismo de la confianza (Skitka et al., 1999).  
De manera similar, el modelo human-on-the-loop otorga al operador un  
papel de supervisión diferida, pero la vigilancia sin capacidad efectiva de  
intervención equivale a una responsabilidad ilusoria (Denning, 2011). En  
el extremo, el modelo human-out-of-the-loop representa la consagración de  
la alienación moral, al romper la cadena que conecta juicio humano y ac-  
ción operativa (Sparrow, 2007). Incluso se ha sostenido que la autonomía  
técnica no constituye una opción ideológica, sino una imposición funcio-  
nal derivada de la velocidad de los sistemas (Scharre, 2018).  
Todo ello permite constatar la paradoja estructural que atraviesa al  
MHC: a mayor autonomía técnica, menor margen para la responsabilidad  
moral. En tal sentido, se ha planteado que el MHC funciona menos como  
una solución normativa que como un dispositivo discursivo destinado a  
reconciliar lo irreconciliable, es decir, la eficiencia algorítmica con la deli-  
beración ética (Danaher, 2016; Matthias, 2004).  
En definitiva, el análisis del MHC no puede reducirse a cuestiones  
técnicas de implementación, sino que exige una reflexión crítica sobre  
las mutaciones normativas que introduce la automatización en el ámbito  
de la agencia moral. A medida que los sistemas autónomos reducen la  
posibilidad de intervención significativa, también se erosiona la relación  
156  
Fernando A. Ramos-Zaga Insuficiencia estructural del control humano significativo en armas autónomas:  
fundamentos para una reorientación normativa post-antropocéntrica  
normativa entre intención, acción y responsabilidad. La discusión se  
orienta, por tanto, hacia la exploración de la brecha de responsabilidad,  
en la cual la opacidad algorítmica, la pérdida de atribución causal y la di-  
solución del vínculo ético con el Otro configuran un impasse normativo  
que interpela los fundamentos antropocéntricos del derecho y de la ética  
contemporánea.  
4 LA BRECHA DE RESPONSABILIDAD COMO IMPASSE ONTOLÓGICO  
La creciente incorporación de sistemas autónomos en contextos  
bélicos plantea interrogantes éticos y ontológicos que desbordan las es-  
tructuras normativas existentes. En particular, la opacidad y el carácter  
emergente de los comportamientos algorítmicos marcan un punto de in-  
flexión en la manera de entender la acción, la responsabilidad y el vínculo  
moral con el otro. La opacidad algorítmica no remite únicamente a una  
cuestión técnica, sino que conlleva implicaciones filosóficas profundas re-  
lacionadas con la posibilidad misma de comprender y atribuir agencia a  
sistemas no humanos.  
Al respecto, cabe señalar que la arquitectura de las redes neurona-  
les profundas, en tanto estructuras no lineales y no simbólicas, impide  
rastrear causalmente los procesos internos que conducen a una decisión  
específica. En esa dirección, se ha destacado que la opacidad epistémi-  
2
ca excede la comprensión humana incluso de los propios diseñadores, lo  
cual supone una ruptura con los supuestos clásicos de transparencia ope-  
rativa sobre los que se apoyan la responsabilidad jurídica y la atribución  
ética (Greif, 2022).  
Asimismo, la imposibilidad de establecer una secuencia causal legi-  
ble entre insumos y resultados constituye un obstáculo insalvable para el  
tipo de racionalidad que históricamente ha orientado la atribución moral.  
De acuerdo con la argumentación contemporánea, cuando se pierde la  
capacidad de reconstruir nexos causales no se enfrenta únicamente una  
limitación de la interfaz humano-máquina, sino una crisis del modelo  
mismo de acción deliberativa (Shea, 2023). En el caso de los sistemas de  
armas letales autónomas, esta falta de trazabilidad implica la desaparición  
de un agente en sentido fuerte, es decir, de un sujeto que decida en cono-  
cimiento de causa. La consecuencia directa es la erosión del fundamento  
normativo de la rendición de cuentas.  
Ahora bien, el problema no se reduce a la opacidad epistémica. Existe  
también un nivel de ininteligibilidad estructural que agrava el desfase en-  
tre sistemas técnicos y comprensión humana. Se ha sostenido que este fe-  
nómeno no alude únicamente a la falta de acceso técnico, sino a la ausen-  
cia de coherencia semántica que imposibilita al operador humano atribuir  
sentido a las decisiones algorítmicas (Zednik, 2021). En otros términos, el  
obstáculo no radica solo en no conocer cómo funciona el sistema, sino en  
la incapacidad de interpretar sus acciones en términos significativos para  
2. El término hace referencia a la imposibilidad de comprender de manera exhaustiva los procesos mediante  
los cuales un sistema algorítmico complejo genera resultados decisionales, lo que compromete la trazabilidad  
requerida para la atribución de responsabilidad ética y jurídica.  
157  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 149-165  
la experiencia humana. Esa brecha semántica afecta directamente la capa-  
cidad de anticipación y de justificación de los operadores.  
El desfase se acentúa aún más en presencia de comportamientos  
emergentes. Los sistemas adaptativos, al integrar retroalimentación con-  
tinua y aprendizaje autónomo, generan respuestas inéditas que no remi-  
ten a ninguna intención humana explícita. En tal dinámica, el origen de  
la acción se traslada desde el sujeto humano hacia la lógica interna del sis-  
tema técnico. En consecuencia, se diluye el nexo entre decisión, intención  
y sujeto, es decir, se pierde el punto de anclaje que sostiene los marcos  
normativos basados en la imputabilidad individual. Lo que emerge es una  
agencia distribuida, no reducible a una entidad unitaria, lo que plantea  
desafíos conceptuales para una ética aún anclada en el sujeto racional.  
En ese escenario, adquiere plena relevancia la noción de “brecha  
de responsabilidad”, formulada como una desconexión estructural entre  
el agente y la acción. La imposibilidad de imputar responsabilidad moral  
no se explica por una falla accidental, sino por la delegación de decisiones  
con implicancias letales a sistemas autónomos que operan sin supervisión  
continua ni previsibilidad suficiente (Matthias, 2004). Frente a tal panora-  
ma, resulta inviable pensar en soluciones jurídicas o administrativas que  
simplemente redistribuyan la culpa. Se ha argumentado que la fractura  
entre delegación técnica y agencia moral constituye una aporía insoluble,  
en la que toda tentativa de atribuir responsabilidad queda frustrada por la  
ausencia de un agente deliberativo identificable (Danaher, 2016).  
A partir de lo anterior, se hace evidente que el paradigma antropo-  
céntrico de imputabilidad entra en crisis. El modelo clásico de responsa-  
bilidad, basado en intención individual, previsibilidad y control, resulta  
incompatible con sistemas algorítmicos cuyas decisiones no emergen de  
una subjetividad consciente ni de una secuencia causal gobernable. De  
hecho, se ha mostrado que dichos sistemas eluden los requisitos míni-  
mos para la aplicación del modelo kantiano de sujeto moral (List, 2021).  
De ello se desprende la urgencia de un giro conceptual. Así, se ha sos-  
tenido la necesidad de abandonar una ética centrada en el individuo ra-  
cional y adoptar un enfoque postantropocéntrico, capaz de concebir la  
agencia como cualidad emergente de estructuras sociotécnicas complejas  
(Coeckelbergh, 2020). En un marco semejante, la responsabilidad no pue-  
de atribuirse a un agente singular, sino que debe entenderse como una  
propiedad relacional distribuida entre distintos niveles de intervención  
humana y técnica.  
La crisis de imputabilidad se hace especialmente visible en el pla-  
no del encuentro ético con el otro. Desde la filosofía de Lévinas, se ha  
insistido en que el rostro del Otro constituye la interpelación ética por  
excelencia, una presencia que exige respuesta moral (Lévinas, 1969). Sin  
embargo, la mediación algorítmica elimina ese encuentro: la víctima de  
una decisión automatizada ya no aparece como un rostro humano, sino  
como un objeto codificado, una probabilidad estadística o una firma tér-  
mica. El resultado es un proceso de objetivación que reduce la alteridad a  
una variable operativa y anula la posibilidad de respuesta ética.  
Del mismo modo, la reducción de la alteridad afecta también al  
agente. Tal como se ha advertido, la acción política se constituye en un  
158  
Fernando A. Ramos-Zaga Insuficiencia estructural del control humano significativo en armas autónomas:  
fundamentos para una reorientación normativa post-antropocéntrica  
espacio compartido de pluralidad, donde los seres humanos interactúan  
como agentes libres (Arendt, 2018). La guerra algorítmica destruye ese  
espacio, sustituyendo la acción deliberativa por cálculo instrumental. El  
operador ya no actúa, sino que ejecuta protocolos; ya no delibera, sino  
que calibra parámetros. En ese tránsito, el sujeto desaparece como agente  
ético, subsumido en una lógica que privilegia la eficiencia por sobre la  
deliberación.  
Este fenómeno ha sido descrito como el triunfo de la racionalidad  
instrumental, es decir, una forma de acción guiada exclusivamente por  
la optimización de medios (Habermas, 1984). En la distinción entre “sis-  
tema” y “mundo de la vida”, el primero coloniza al segundo e impone su  
lógica sobre ámbitos previamente sustentados en la generación de senti-  
do intersubjetivo. Las armas autónomas operan dentro de ese dominio  
sistémico, colonizando el espacio militar y configurando un paradigma  
donde la compasión, el juicio y la responsabilidad quedan subordinados a  
la eficiencia algorítmica.  
La consecuencia es una forma radical de alienación. Los agentes  
humanos se ven desplazados por procesos técnicos que no comprenden  
ni controlan, de modo que en lugar de ejercer juicio moral simplemente  
ajustan parámetros y cumplen funciones. Esa dinámica refleja la consu-  
mación de una tendencia más amplia: la instrumentalización de lo hu-  
mano por la técnica. En tal contexto, la ética tradicional no solo resulta  
insuficiente, sino conceptualmente desfasada.  
De lo anterior se desprende que la brecha de responsabilidad no  
puede cerrarse mediante reformas jurídicas ni con mejoras en la supervi-  
sión técnica. Se trata, más bien, de una aporía estructural que exige una  
revisión profunda de los marcos normativos y ontológicos con los que  
se ha concebido la responsabilidad. En este horizonte, el siguiente paso  
requiere una reconceptualización filosófica del control, orientada hacia  
formas anticipatorias de certificación, rediseños éticos de los sistemas y  
esquemas robustos de atribución distribuida. Solo una transformación in-  
tegral permitirá recuperar un horizonte de legitimidad moral en escena-  
rios donde la decisión humana ha sido desplazada por la automatización  
técnica.  
5 RECONCEPTUALIZACIÓN NORMATIVO-FILOSÓFICA DEL CONTROL  
La consolidación de una ética de la certificación significativa en el  
contexto de los sistemas autónomos letales constituye uno de los desafíos  
más urgentes y complejos para la filosofía moral contemporánea, en par-  
ticular para la bioética en su vertiente tecnopolítica. En lugar de limitarse  
a marcos normativos centrados en la intervención reactiva o situacional,  
resulta imprescindible avanzar hacia una transformación estructural que  
reformule la supervisión ética de los sistemas automatizados, desplazan-  
do el eje desde el control humano inmediato hacia una responsabilidad  
anticipada, distribuida e integrada de manera sistémica. Desde una pers-  
pectiva crítica, la reevaluación de nociones como agencia, dignidad y res-  
ponsabilidad no puede restringirse al plano conceptual, sino que debe  
proyectarse en su aplicabilidad institucional y tecnológica.  
159  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 149-165  
El paradigma dominante del control humano significativo, sustenta-  
do en fórmulas como human-in-the-loop o human-on-the-loop, ha presumido  
durante años que la proximidad temporal entre el ser humano y la acción  
letal garantiza la supervisión moral. Sin embargo, dicha presunción se de-  
muestra insuficiente cuando se somete a un análisis técnico y normativo ri-  
guroso. La aceleración propia de los entornos algorítmicos reduce drástica-  
mente los márgenes de intervención, imposibilitando la toma de decisiones  
reflexiva en tiempo real. De acuerdo con la evidencia empírica, limitaciones  
como la latencia perceptual, la sobrecarga cognitiva y la no linealidad del  
comportamiento sistémico restringen la efectividad de la supervisión (M.  
M. Cummings, 2014). A ello se añade el sesgo de automatización, según el  
cual los operadores tienden a aceptar de manera acrítica las recomendacio-  
nes de los sistemas, incluso cuando contradicen la información disponible  
(Skitka et al., 1999). Por tanto, vincular la agencia moral únicamente con la  
inmediatez temporal no solo resulta falaz desde un punto de vista filosófi-  
co, sino también impracticable en términos operativos.  
Frente a tales limitaciones, la certificación significativa se configu-  
ra como una alternativa epistemológica y normativamente más sólida.  
El objetivo no consiste en eliminar la supervisión humana, sino en re-  
distribuirla de manera anticipatoria a lo largo del ciclo de vida del siste-  
ma, incorporando evaluaciones éticas ex ante que establezcan umbrales  
de aceptabilidad moral antes del despliegue operativo. En esta línea, la  
certificación actúa como un mecanismo de orquestación moral en el que  
convergen la ingeniería ética, la evaluación legal y la deliberación política  
(Winfield; Jirotka, 2018). De esta manera, la anticipación adquiere un ca-  
rácter no solo técnico, sino también axiológico, puesto que implica definir  
desde el diseño cuáles conductas resultan moralmente tolerables y cuáles  
deben quedar descartadas.  
La certificación supera, por tanto, la mera conformidad regulato-  
ria. Mientras el cumplimiento legal suele adoptar un carácter formal,  
reactivo e incluso insuficiente, la certificación supone la configuración  
activa de valores en el sistema, mediante simulaciones éticas, algoritmos  
limitadores y validaciones orientadas por principios normativos. De este  
modo, la autoría moral no se diluye, sino que se reformula como una  
práctica distribuida, en la que cada etapa del ciclo, tales como diseño,  
implementación y evaluación, comporta responsabilidades diferenciadas,  
aunque interdependientes.  
Sobre esta base, resulta fundamental identificar tres imperativos éti-  
cos que estructuren cualquier desarrollo de sistemas autónomos letales.  
En primer lugar, la preservación de la agencia debe asumirse como un  
nexo intencional irreductible. La acción moral requiere la existencia de  
una intención atribuible a un sujeto que pueda comprender, deliberar y  
responsabilizarse de sus actos. Cuando la automatización diluye esta inten-  
cionalidad mediante abstracción procedimental o delegación algorítmica,  
se erosiona la base misma de la responsabilidad moral (Anscombe, 1957).  
En términos más contemporáneos, la agencia puede entenderse como una  
capacidad situada de intervención con sentido (Bennett, 2005), de modo  
que todo diseño que impida rastrear la autoría humana de las decisiones  
incurre en una irresponsabilidad estructural éticamente inaceptable.  
160  
Fernando A. Ramos-Zaga Insuficiencia estructural del control humano significativo en armas autónomas:  
fundamentos para una reorientación normativa post-antropocéntrica  
En segundo lugar, el respeto a la dignidad humana debe asumirse  
como un límite ontológico ineludible. No se trata de un mero atributo  
legal, sino de una condición constitutiva del ser moral. Desde una pers-  
pectiva kantiana, la dignidad radica en la capacidad de autolegislación  
racional, lo que prohíbe tratar a los individuos como medios para fines  
externos (Kant, 1996). Así, cualquier sistema que habilite la supresión  
de vidas humanas sin mediación moral transgrede este principio de ma-  
nera radical. En esta dirección, se ha defendido la necesidad de un “di-  
seño con dignidad” que integre restricciones morales no negociables en  
la arquitectura misma de los sistemas (Sparrow, 2016). El objetivo, por  
tanto, no consiste únicamente en prevenir abusos, sino en garantizar  
que la dignidad permanezca inviolable incluso en escenarios de auto-  
matización extrema.  
Así, la atribución clara y distribuida de la responsabilidad constitu-  
ye un imperativo ético decisivo. La complejidad de los sistemas tiende a  
diluir la culpa y a dispersar la rendición de cuentas, lo que exige instau-  
rar un modelo de responsabilidad estructurada que defina obligaciones  
específicas en cada etapa del ciclo de vida del sistema (Floridi; Cowls,  
2019), el cual debe institucionalizarse mediante mecanismos verificables  
de transparencia, auditabilidad y exigibilidad jurídica, de manera que la  
responsabilidad no quede reducida a un plano retórico, sino que se tradu-  
zca en prácticas concretas capaces de responder por los efectos generados.  
Con base en lo anterior, resulta pertinente articular un marco pos-  
t-MHC compuesto por tres dimensiones temporales: la anticipación ética  
en el diseño, los límites operativos en la implementación y la trazabili-  
dad moral en la fase posterior al despliegue. Dichas dimensiones, aun-  
que diferenciadas, convergen en la aspiración de reconstruir la agencia  
humana en contextos crecientemente automatizados. La dimensión ex  
ante implica incorporar, desde la génesis del sistema, criterios normativos  
que orienten su comportamiento futuro, lo que requiere la cooperación  
interdisciplinaria capaz de traducir principios éticos en restricciones fun-  
cionales y líneas de código (Taddeo; Blanchard, 2022).  
Asimismo, durante la implementación se deben establecer límites  
operativos que prevengan desvíos moralmente problemáticos, ya sea me-  
diante zonas de exclusión, umbrales de validación o mecanismos inter-  
nos de autorregulación, como los denominados “gobernadores éticos”  
(Arkin, 2009). No obstante, dichos mecanismos solo resultan legítimos si  
los operadores humanos conservan siempre una capacidad real de anula-  
ción. Por otro lado, la dimensión ex post requiere sistemas de trazabilidad  
que permitan reconstruir las cadenas de decisión, identificar responsables  
y generar aprendizajes para nuevas iteraciones. Dicho propósito demanda  
no solo registros técnicos, sino también herramientas de inteligencia ar-  
tificial explicable, auditorías independientes y estructuras institucionales  
adaptativas (Wood, 2024).  
En definitiva, el modelo post-MHC no pretende erradicar la agen-  
cia humana, sino reconstruirla en condiciones de creciente complejidad  
técnica. Dicha reconstrucción debe ser ética, robusta y distribuida, de  
manera que preserve la integridad moral de la acción colectiva incluso  
cuando se medie por tecnologías altamente autónomas. No se trata de  
161  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 149-165  
sostener una ilusión de control, sino de reconfigurar las condiciones de  
posibilidad para una agencia deliberativa, responsable y, en última instan-  
cia, genuinamente humana.  
6 CONCLUSIONES  
El análisis realizado confirma que el marco antropocéntrico clásico  
ha perdido eficacia como fundamento normativo ante la creciente auto-  
nomía de los sistemas de armas letales. El desplazamiento ontológico pro-  
ducido por la automatización del conflicto no puede reducirse a una mera  
sofisticación técnica, sino que inaugura nuevas formas de agencia cuya  
opacidad desafía los esquemas normativos convencionales. El concepto  
de control humano significativo, aunque reiterado en diversos foros regu-  
latorios, parece responder más a una necesidad simbólica que a una viabi-  
lidad práctica. Desde esta perspectiva, la legitimidad ética de los entornos  
bélicos automatizados no puede mantenerse sin una revisión estructural  
de los marcos valorativos que justifican el uso de la fuerza.  
El andamiaje teórico aquí propuesto introduce tres aportaciones  
decisivas para la ética de la tecnología. En primer lugar, la noción de  
brecha de responsabilidad permite problematizar la desconexión entre  
agencia técnica y responsabilidad moral como un problema estructural,  
no meramente resoluble mediante ajustes jurídicos. En segundo lugar,  
se propone el modelo de certificación significativa, que desplaza el foco  
desde la supervisión puntual hacia formas de responsabilidad anticipada  
e inscrita desde el diseño. Finalmente, se formulan tres principios éticos  
ineludibles, cuya función no es meramente declarativa sino operativa: la  
preservación de la agencia intencional, la inviolabilidad de la dignidad  
humana como límite ontológico y la asignación distribuida de responsa-  
bilidad. Estas premisas configuran un marco normativo integral frente a  
los desafíos éticos de la automatización letal.  
La dimensión aplicada del marco planteado requiere reestructura-  
ciones institucionales y metodológicas sustanciales. La incorporación de  
equipos transdisciplinarios desde el diseño inicial de los sistemas permiti-  
ría que las restricciones normativas se traduzcan en arquitecturas funcio-  
nales concretas. Paralelamente, se demanda la adopción de protocolos de  
evaluación ética ex ante, con énfasis en simulaciones moralmente sensi-  
bles y trazabilidad de decisiones técnicas. Estas transformaciones no pue-  
den depender de iniciativas fragmentarias. Resulta imperativo avanzar  
hacia marcos regulatorios internacionales con fuerza vinculante, capaces  
de unificar criterios de certificación ética y evitar disonancias normativas  
que pongan en riesgo la gobernanza efectiva de estas tecnologías.  
Los hallazgos invitan a una agenda investigativa abierta y plural.  
En el plano teórico, se requiere profundizar en la articulación entre agen-  
cia distribuida y responsabilidad colectiva, sin incurrir en esquemas que  
diluyan la rendición de cuentas individual. La filosofía moral enfrenta el  
desafío de construir una ética post-antropocéntrica con capacidad pres-  
criptiva, sin recurrir a formas de relativismo que neutralicen su eficacia  
normativa. Desde un enfoque empírico, urge el desarrollo de metodo-  
logías que operacionalicen la certificación significativa en escenarios  
162  
Fernando A. Ramos-Zaga Insuficiencia estructural del control humano significativo en armas autónomas:  
fundamentos para una reorientación normativa post-antropocéntrica  
tecnológicos concretos. Finalmente, se impone una reflexión política de  
corte comparativo que identifique modelos exitosos de gobernanza algo-  
rítmica, con el fin de extrapolar aprendizajes al dominio de la automati-  
zación militar.  
El debate sobre sistemas autónomos letales desborda su especifici-  
dad técnica para convertirse en un punto de inflexión filosófico. La au-  
tomatización de la violencia obliga a reconsiderar las condiciones bajo  
las cuales puede sostenerse una ética de la responsabilidad en contextos  
de mediación tecnológica extrema. La guerra algorítmica no solo plan-  
tea riesgos operativos, sino que expone una tensión más profunda entre  
racionalidad instrumental y juicio moral, que recorre otras esferas del  
presente. En ese marco, los conceptos elaborados para abordar la autono-  
mía bélica ofrecen un potencial heurístico relevante para pensar la auto-  
matización en educación, salud, justicia o gestión ambiental. La defensa  
de la agencia humana, por tanto, no implica una negación nostálgica del  
progreso técnico, sino una afirmación crítica de su orientación ética.  
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para poder corregir errores de redacción, tipográficos. Se aseguró que los  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 166-183  
Regulação Global da Inteligência Artificial:  
1
Atores e Estruturas de Governança  
Global Regulation of Artificial Intelligence: Actors and  
Governance Structures  
Regulación Global de la Inteligencia Artificial: Actores y  
Estructuras de Gobernanza  
2
Natália Diniz Schwether  
3
Graciela de Conti Pagliari  
DOI: 10.5752/P.2317-773X.2025v13.n2.p166  
Enviado em: 01 de julho de 2025  
Aceito em: 02 de março de 2026  
RESUMO  
A Inteligência Artificial (IA) tem se tornado uma área estratégica para Estados,  
organizações internacionais e atores não estatais, impulsionando a formulação  
de regulamentações que conciliem inovação, ética e transparência. No entanto,  
a governança global da IA ainda carece de um arcabouço regulatório consolida-  
do, enquanto países tecnologicamente avançados moldam normas e mercados,  
aprofundando desigualdades. Diante desse cenário, este estudo busca responder  
à seguinte questão: quais são os acordos e agências responsáveis pela regula-  
mentação global da IA? Para isso, adota-se uma abordagem empírica voltada ao  
mapeamento dos mecanismos e processos que estruturam a governança da IA.  
O artigo contribui para a literatura existente ao oferecer uma visão abrangente  
do estado atual da governança global da IA, destacando os principais atores  
envolvidos na construção desse regime.  
Palavras-Chave: Inteligência Artificial; Governança; Regulação.  
ABSTRACT  
Artificial Intelligence (AI) has become a strategic area for states, international  
organizations, and non-state actors, driving the development of regulations that  
balance innovation, ethics, and transparency. However, global AI governance  
1. Este artigo foi produzido no âmbito de projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação  
do Estado de Santa Catarina (FAPESC), Edital 20/2024.  
2. Doutora em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Mestra em Relações  
Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atualmente realiza estágio pós-doutoral  
no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da UFSC, apoiada pela Fundação de Amparo à  
Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC). E-mail: n.schwether@ufsc.br ORCID ID: 0000-  
0002-8022-237X  
3. Professora Adjunta da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Doutora em Relações Internacionais  
pela Universidade de Brasília (UnB) e Mestra em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio  
Grande do Sul (UFRGS). Grupos pesquisa: Brasil e as Américas (CNPQ) e Núcleo de Pesquisa em Política  
Internacional, Segurança e Defesa (NPSeD). ORCID ID: 0000-0002-8233-9387  
166  
Natália Diniz Schwether, Graciela de Conti Pagliari Regulação Global da Inteligência Artificial: Atores e Estruturas de Governança  
still lacks a consolidated regulatory framework, while technologically advanced  
countries shape norms and markets, deepening inequalities. In this context, this  
study seeks to answer the following question: which agreements and agencies  
are responsible for the global regulation of AI? To address this, an empirical  
approach is adopted to map the mechanisms and processes that structure AI  
governance. This article contributes to the existing literature by providing a  
comprehensive overview of the current state of global AI governance, highligh-  
ting the key actors involved in shaping this regulatory regime.  
Keywords: Artificial Intelligence; Governance; Regulation.  
RESUMEN  
La Inteligencia Artificial (IA) se ha convertido en un área estratégica para los Es-  
tados, las organizaciones internacionales y los actores no estatales, impulsando  
la formulación de normativas que concilien innovación, ética y transparencia.  
Sin embargo, la gobernanza global de la IA aún carece de un marco regulatorio  
consolidado, mientras que los países tecnológicamente avanzados moldean  
normas y mercados, profundizando las desigualdades. Ante este escenario, este  
estudio busca responder a la siguiente pregunta: ¿cuáles son los acuerdos y agen-  
cias responsables de la regulación global de la IA? Para ello, se adopta un enfo-  
que empírico orientado al mapeo de los mecanismos y procesos que estructuran  
la gobernanza de la IA. El artículo contribuye a la literatura existente al ofrecer  
una visión integral del estado actual de la gobernanza global de la IA, destacan-  
do a los principales actores involucrados en la construcción de este régimen.  
Palabras clave: Inteligencia Artificial; Gobernanza; Regulación.  
1 INTRODUÇÃO  
A Inteligência Artificial (IA) pode ser compreendida de forma ge-  
nérica como um campo de pesquisa ou como um conjunto de algoritmos  
e robôs com funções específicas. No entanto, em uma perspectiva mais  
aprofundada, a IA constitui sistemas sociotécnicos complexos, nos quais  
interagem seres humanos, máquinas, algoritmos e dados. Sua implemen-  
tação suscita questões em diversos setores, mas apenas recentemente  
os governos começaram a lidar com as transformações provocadas por  
essa tecnologia, adotando medidas legislativas e regulatórias (Peng; Lin;  
Streinz, 2021).  
Globalmente, Estados Unidos e China lideram o desenvolvimento  
4
da IA , e essa dinâmica é frequentemente descrita como uma “corrida”  
pela supremacia no setor, na qual a China tem demonstrado um claro  
interesse em moldar, ou mesmo estabelecer, a ordem emergente (Cheng;  
Zeng, 2023; Hine; Flordlfl, 2024). Entretanto, a IA também tem remode-  
lado padrões de competição, uma vez que os efeitos transfronteiriços da  
tecnologia obrigam especialistas de diferentes países a colaborarem na  
elaboração de normas técnicas (Buthe et al., 2022).  
Estados, atores não estatais e organizações internacionais (OIs) têm  
reconhecido cada vez mais a IA como uma área de importância estra-  
tégica, com impactos na concorrência econômica e na gestão de riscos  
4. Em 2023, o investimento estadunidense em IA alcançou os 67.2 bilhões de dólares, aproximadamente 8.7  
vezes mais do que a China, segundo maior investidor (HAI, 2024).  
167  
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(Tallberg et al., 2023). Essa relevância exige que os governos ao redor do  
mundo considerem diferentes abordagens para regulamentar a IA, as  
quais incluem desde questões éticas até a transparência nas decisões algo-  
rítmicas, tanto no setor público quanto no privado. Paralelamente, mui-  
tos países têm acelerado o desenvolvimento de suas estratégias nacionais  
de IA (Peng; Lin; Streinz, 2021).  
Nesse contexto, formuladores de políticas defrontam-se com um té-  
nue equilíbrio entre objetivos, frequentemente conflitantes, como justiça,  
não discriminação, privacidade e segurança, e regulamentações excessi-  
vas que podem frear inovações (Peng; Lin; Streinz, 2021). A governança da  
IA enfrenta, ainda, um “problema de ritmo”, em que as normas, frequen-  
temente, estão aquém do rápido avanço tecnológico (Cheng, Zeng, 2023).  
A dependência da IA por dados pode ainda acentuar divisões glo-  
bais. Na era da IA, países tecnologicamente avançados tendem a dominar  
mercados e influenciar normas, enquanto países em desenvolvimento,  
com menor capacidade institucional, correm o risco de se tornarem me-  
ros consumidores da tecnologia, em vez de desenvolvedores, assumindo  
5
uma posição passiva na definição de regras (Peng; Lin; Streinz, 2021).  
As disposições regulatórias em elaboração tendem a impactar sig-  
nificativamente as relações de poder, a distribuição de valor econômico e  
a legitimidade política da governança da IA nos próximos anos. No entan-  
to, há pouco conhecimento sistemático sobre a natureza da regulamenta-  
ção global da IA (Tallberg et al., 2023).  
Ainda que a pesquisa sobre a relação entre sociedade e IA não seja  
recente, os debates internacionais sobre sua governança são relativamente  
novos (Maas, 2021). Considerando que qualquer solução regulatória para  
a IA requer um diálogo global, tratados internacionais sobre o tema não  
são apenas relevantes, mas urgentes (Cheng; Zeng, 2023). Nesse sentido,  
estudos em Ciência Política e Relações Internacionais desempenham um  
papel fundamental na formulação de políticas e na concepção de modelos  
de governança para a IA (Schmitt, 2022).  
No entanto, até o momento, tais estudos têm se concentrado mais  
nas aplicações da IA do que na emergente arquitetura regulatória global.  
Embora haja uma ampla literatura sobre aspectos morais e éticos, pesqui-  
sas sobre questões normativas ainda são escassas. Persiste uma lacuna na  
compreensão do estado atual da governança da IA (Cihon; Maas; Kemp,  
2020; Schmitt, 2022; Tallberg et al., 2023).  
Diante desse cenário, o presente artigo busca responder à questão  
central: quais são os acordos e as agências responsáveis pela regulamen-  
tação global da IA? Para isso, adota uma abordagem empírica destinada a  
mapear a governança global da IA, fundamentada na relevância descriti-  
va e exploratória que esse campo emergente exige.  
O artigo se ancora na ideia de que a tarefa descritiva possibilita esta-  
belecer o status quo institucional, bem como identificar os atores centrais  
5. Um relatório da Oxford Insights revela que países do Sul Global (África Subsaariana, Ásia Central e do Sul)  
estão entre os menos preparados para usar a IA devido à falta de infraestrutura e uma visão estratégica com  
atenção à governança. Soma-se a isso, os altos custos para treinar e manter sistemas de IA, que tornam a  
tecnologia inacessível para muitos países com recursos limitados (Yu, Rosenfeld, Gupta, 2023).  
168  
Natália Diniz Schwether, Graciela de Conti Pagliari Regulação Global da Inteligência Artificial: Atores e Estruturas de Governança  
para estruturar investigações futuras mais explicativas. Conforme  
Gerring (2012), a descrição não é uma etapa menor ou subsidiária da  
inferência causal, mas uma atividade metodológica essencial e autôno-  
ma, especialmente relevante quando se trata de áreas pouco exploradas  
ou com forte contestação conceitual, como a regulação internacional da  
inteligência artificial.  
Além disso, esse estudo reconhece o valor heurístico da pesqui-  
sa exploratória como etapa preliminar indispensável na formulação de  
perguntas relevantes e na identificação de relações institucionais ainda  
não sistematicamente teorizadas (Swedberg, 2018). Nessa direção, o ar-  
tigo adota uma estratégia descritivo-exploratória voltada à identificação  
das iniciativas normativas internacionais relacionadas à IA, priorizando a  
construção de um panorama abrangente que possa servir de base empíri-  
ca para futuros estudos comparativos e explicativos sobre o tema.  
Para isso, após esta introdução, a segunda seção dedica-se à defini-  
ção e compreensão do conceito de IA, seguida, na terceira seção, por uma  
discussão sobre os principais desafios e abordagens relacionados à sua  
regulação. Na quarta seção, apresenta-se um panorama da governança  
global da IA, permitindo delinear as primeiras impressões sobre a confi-  
guração desse campo no cenário internacional.  
2 O QUE É INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL?  
O termo IA tem sido usado de forma ampla e vaga, carregado  
de exageros, confusão e falta de precisão (Veale; Matus; Gorwa, 2023).  
Contudo, sua definição é fundamental, entre outras coisas, para atribui-  
ção de direitos e obrigações aos seus usuários. A falta de uma definição  
clara gera uma expansão conceitual, a qual prejudica, também, a precisão  
analítica e a acumulação de conhecimento (Buthe, et. al, 2022).  
Isto posto, o termo IA é, geralmente, atribuído a John McCarthy e  
seus colaboradores, os quais, em 1956, organizaram um workshop para in-  
vestigar a hipótese de que todos os aspectos da aprendizagem e da inteli-  
gência poderiam ser descritos com tal precisão que uma máquina poderia  
simular essa inteligência (Peng; Lin; Streinz, 2021).  
No sentido mais básico, as máquinas são consideradas inteligentes  
quando podem realizar tarefas que exigiriam inteligência se fossem rea-  
lizadas por humanos (Tallberg, et.al, 2023). Segundo Barros (2020), a IA  
pode ser entendida como a simulação da inteligência humana por máqui-  
nas, capaz de realizar funções cognitivas associadas ao cérebro humano,  
como percepção, raciocínio, aprendizado, evolução, resolução de proble-  
mas, interação com o ambiente e até criatividade (Galvani; Oliveira, 2022).  
Assim, o surgimento da IA implicou, também, na necessidade de  
uma definição de inteligência. E, muito embora as primeiras ideias bus-  
cassem emular a cognição humana, a definição predominante foi a de  
racionalidade: uma máquina é inteligente se for capaz de atingir objetivos  
específicos com suas ações (Russell, 2022). Outras definições incluíram  
características semelhantes como percepção, processamento de infor-  
mações, tomada de decisão e alcance de objetivos (Minkklnen; Zimmer;  
Mantymaki, 2023).  
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O Grupo de Especialistas de Alto Nível em IA da União Europeia,  
define a IA como “sistemas que apresentam comportamento inteligente  
analisando o seu ambiente e tomando ações – com algum grau de auto-  
nomia – para atingir objetivos específicos” (2019, p. 1). Da mesma forma,  
Buthe e outros (2022) descrevem a IA como composta por sistemas que  
coletam dados do ambiente externo e os processam por meio de tecno-  
logias que os relacionam algoritmicamente a informações previamente  
armazenadas, sem a necessidade de intervenção humana contínua. Além  
disso, destacam a capacidade de aprendizado desses sistemas, a qual con-  
tribui para a tomada de decisões humanas.  
Filgueiras (2022) destaca, igualmente, a capacidade da IA em tomar  
decisões com base no aprendizado e, com isso, aprimorar o seu desempe-  
nho. Para Kaplan e Haenlein (2019, p.17) a IA é “a capacidade de um siste-  
ma interpretar corretamente dados externos, aprender com esses dados  
e usar esses aprendizados para atingir objetivos e tarefas específicas por  
meio de adaptação flexível”.  
Figura 1. Visão Geral de um Sistema de IA – Fase de Construção e Fase de Uso  
Fonte: Elaborada com base em OCDE (2022).  
Nesse sentido, um sistema de IA opera a partir de alguns alicerces  
fundamentais, como: contexto – espaço físico ou virtual percebido pe-  
los sensores e influenciado por meio de ações; objetivos – explícitos (pro-  
gramados diretamente por humanos), implícitos (baseados em regras,  
170  
Natália Diniz Schwether, Graciela de Conti Pagliari Regulação Global da Inteligência Artificial: Atores e Estruturas de Governança  
geralmente especificadas por humanos, ou dados de treinamento) ou não  
totalmente conhecidos (recomendações, modelos de preferências indivi-  
duais); dados – informações fornecidas por humanos ou máquinas para  
treinar ou operar o sistema; e, resultados – recomendações, previsões ou  
decisões (OCDE, 2024).  
Em síntese, um sistema de IA depende de grandes quantidades de  
dados e aprimora as suas entregas quanto mais dados puder utilizar, se  
distingue das formas tradicionais de análise de dados, pois envolve apren-  
dizado e a maior parte da ação da IA advém de combinações com outros  
sistemas, como os dispositivos robóticos (Buthe et. al, 2022).  
Destaca-se, portanto, que embora frequentemente associada ao  
6
Big Data , a análise de grandes volumes de dados por si só não justifica a  
classificação como inteligência. A IA envolve métodos nos quais os algo-  
ritmos são responsáveis por identificar padrões. Além disso, a IA não se  
restringe ao mundo digital; ela também pode ser aplicada a objetos físi-  
cos, permitindo que realizem funções. Essas configurações, comumente  
chamadas de robôs, têm impulsionado novas formas de automação e me-  
canização, sendo parte da “Quarta Revolução Industrial” ou “Indústria  
4.0” (Peng, Lin, Streinz, 2021).  
O campo da IA, nos últimos setenta anos, passou por múltiplos ci-  
clos. Enquanto as décadas de 1970 e 1990 foram tidas como invernos da  
IA, não há dúvida de que, na última década, houve um avanço rápido e  
sustentado. Esse sucesso foi impulsionado por melhorias simultâneas em  
algoritmos, avanços constantes no poder computacional e uma capaci-  
dade crescente de capturar, armazenar e aplicar grandes quantidades de  
dados (Maas, 2021).  
Ao longo dos anos a IA superou os padrões humanos em áreas  
como a classificação de imagens (2015), compreensão básica de leitura  
(2017), raciocínio visual (2020), e inferência de linguagem natural (2021)  
(HAI, 2024). Conquanto os notáveis avanços, as limitações da IA moder-  
na não podem ser ignoradas. A IA, em 2025, ainda não alcançou realizar  
tarefas cognitivas mais complexas, como raciocínio visual baseado em  
senso comum e resolução de problemas matemáticos avançados (HAI,  
2024). Restringe-se a tarefas para as quais foi treinada e estão além de sua  
capacidade àquelas que não existem dados confiáveis para treinamento  
(Peng; Lin; Streinz, 2021).  
Além disso, o processo de aprendizagem geralmente é restrito a  
conjuntos de dados fixos, o que limita a emergência de comportamentos  
inteligentes mais complexos e autônomos (Cossu; Ziosi; Lomonaco, 2021).  
Por sua vez, o uso generalizado da IA tem gerado críticas especial-  
mente no que se refere aos possíveis vieses nos dados. Pesquisas revela-  
ram que os grandes modelos de linguagem não refletem de maneira equi-  
tativa as opiniões globais sobre temas como política, religião e tecnologia.  
Os modelos tendem a alinhar-se mais com opiniões de países ocidentais,  
evidenciando uma falta de diversidade, especialmente em relação a na-  
ções não ocidentais (HAI, 2024).  
6. Big Data refere-se à criação e análise de conjuntos de dados tão grandes que superam a capacidade  
humana de compreensão.  
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Reconhecer possíveis vieses é essencial para identificar limitações  
nos modelos e ajustá-los, evitando sua reprodução ou até mesmo dissemi-  
nação (Maas, 2021). Logo, tornou-se um importante desafio, aos acadêmi-  
cos e profissionais da área, distinguir quais alegações são cientificamente  
fundamentadas e podem orientar a formulação de políticas. Desde 2013,  
os incidentes relacionados à IA aumentaram mais de vinte vezes, dentre  
7
eles os deepfakes gerados por IA (HAI, 2024).  
No contexto dos detectores de deepkafe é importante destacar, tam-  
bém, experimentos que mostraram que o desempenho de métodos de de-  
tecção varia significativamente de acordo com atributos de raça. Alguns  
dos conjuntos de dados utilizados para treinar detectores não são igual-  
mente balanceados em relação à raça e gênero. Os detectores apresentam,  
em geral, pior desempenho em pessoas de pele escura (HAI, 2024).  
Os riscos da IA são, igualmente, uma preocupação para as empresas  
e Estados no que tange à segurança dos dados e a privacidade. Embora,  
muitas empresas já estejam implementando soluções para detectar e miti-  
gar tais ameaças, há, também, riscos não intencionais à segurança. Soma-  
se a isso, o fato de muitos dos resultados gerados por IAs conterem ma-  
terial protegido por direitos autorais, caracterizando violações autorais e  
uma questão jurídica (Cheng; Zeng, 2023).  
À vista disso, a próxima seção irá discutir os desafios e as aborda-  
gens para a regulação das tecnologias de IA, destacando a complexidade  
de criar políticas regulatórias adequadas. São apresentados, ainda, alguns  
exemplos de iniciativas regulatórias dos Estados Unidos, do Reino Unido,  
da China e da União Europeia, auxiliando na compreensão das diferentes  
formas de abordagem e controle sobre o desenvolvimento e o uso da IA.  
3 COMO REGULAMENTAR A IA?  
Regulamentar consiste na criação de um conjunto de instrumentos  
de política pelos quais o governo exerce sua autoridade, diretamente ou  
indiretamente, na sociedade (Filgueiras, 2022). É comum a alegação de  
que as tecnologias digitais são singularmente desafiadoras para a regula-  
mentação pelos Estados, em geral, associado à natureza descentralizada  
do ciberespaço, o qual estaria além do alcance das jurisdições nacionais.  
Contudo, quanto mais avançam as capacidades e usos das tecnolo-  
gias de IA ampliam-se as discussões regulatórias, que vão desde a ética da  
IA, exigências de transparência para decisões algorítmicas públicas e pri-  
vadas, até proibições totais de certos usos. Afinal, é um equívoco crer que  
a IA ocupa um espaço virtual desvinculado do mundo físico (Galvani;  
Oliveira, 2022).  
Conforme análise realizada pelo IA Index, no período entre 2016 e  
2023, 32 países promulgaram ao menos uma lei relacionada à IA sendo,  
no total, aprovadas 148 leis, com um crescimento significativo nos últi-  
mos anos. Somente em 2023 o número de regulamentações relacionadas  
à IA cresceu 56,3% (HAI, 2024).  
7. Técnica de síntese de imagens ou sons humanos baseada em IA.  
172  
Natália Diniz Schwether, Graciela de Conti Pagliari Regulação Global da Inteligência Artificial: Atores e Estruturas de Governança  
Isto posto, a regulação da IA pode ser analisada sob diversas pers-  
pectivas que refletem tanto a complexidade da tecnologia quanto os im-  
pactos que ela gera em diferentes esferas da sociedade. Uma das primei-  
ras formas de análise se concentra nos componentes constitutivos da IA,  
como hardware, algoritmos e dados, reconhecendo que cada um desses  
elementos pode exigir um tratamento regulatório distinto (Peng; Lin;  
Streinz, 2021).  
A segunda, distingue três domínios principais: o econômico, o so-  
cial e o administrativo. Cada um desses domínios aborda aspectos espe-  
cíficos da IA, como a promoção de inovação, a proteção da sociedade e a  
gestão de processos públicos e privados (Peng; Lin; Streinz, 2021), confor-  
me é possível observar no quadro abaixo (Quadro 1):  
Quadro 1: Tipos de Regulação em IA  
Tipo de Regulação  
Objetivo Principal  
Fomentar inovação e eficiência Normas técnicas, concorrência,  
nos mercados propriedade intelectual  
Proteger os cidadãos, abordando Regulamentação da privacidade,  
privacidade e segurança prevenção de discriminação  
Garantir o funcionamento ade- Mecanismos de transparência,  
quado do setor público e privado controle humano da tecnologia  
Fonte: Elaborado pelas autoras.  
Exemplo de Aplicação  
Econômica  
Social  
Administrativa  
Essa abordagem amplia a compreensão da regulação, sugerindo  
que ela não se restringe apenas aos aspectos técnicos da IA, como, tam-  
bém, envolve diversos atores, incluindo governos, empresas, OIs e ou-  
tros stakeholders, com interesses e responsabilidades distintas (Peng; Lin;  
Streinz, 2021, Lleblg et al., 2024).  
Alguns exemplos recentes de regulamentações amplas são a Lei de  
Treinamento de Lideranças em IA, adotada em 2023, nos Estados Unidos,  
a qual exige que seja criado e atualizado um programa de treinamento  
em IA aos membros do governo federal, promovendo o uso responsável  
e ético da tecnologia. Bem como, os princípios para fomentar mercados  
de IA competitivos e proteger consumidores propostos pelo Reino Unido,  
os quais visam manter o acesso contínuo a insumos essenciais para IA,  
promover a diversidade de modelos de negócios, oferecer opções às em-  
presas, além de assegurar práticas justas que evitem comportamentos an-  
ticompetitivos (HAI, 2024).  
Por esse prisma, a regulação da IA não é algo abstrato ou aten-  
to apenas à novidade tecnológica, ao contrário, ela tem como pretensão  
criar um quadro regulatório adequado à complexidade conjuntural, an-  
tecipando as prováveis mudanças em todo o ciclo de vida da IA, desde  
sua concepção até sua implementação e uso (Peng; Lin; Streinz, 2021,  
Tallberg, et.al, 2023). Tal como a Lei dos Empregos do Futuro, proposta  
nos Estados Unidos, a qual preocupa-se em avaliar os setores e ocupações  
com potencial de crescimento devido à IA, efeitos nas habilidades dos tra-  
balhadores ou na possível substituição por máquinas, identificar os gru-  
pos demográficos mais afetados e as habilidades e a formação educacional  
necessárias (HAI, 2024).  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 166-183  
Por sua vez, o desenvolvimento jurídico dessas leis poder ocorrer  
de diversas maneiras, isto significa que tanto as regras existentes podem  
ser reinterpretadas para incluir a IA, quanto elaborados complementos às  
regras existentes, ajustando-as para responder às necessidades da IA, ou,  
ainda, concebido um novo quadro legal, por meio de novas legislações  
específicas (Maas, 2021).  
Contudo, um desafio significativo diz respeito à regulação ex ante  
(antes da implementação) ou ex post (depois de seu uso). A regulação ex  
ante é particularmente difícil, uma vez que a pesquisa e o desenvolvi-  
mento da IA são frequentemente dispersos (Butcher; Beridze, 2019). Para  
Etzioni (2018), por exemplo, a regulamentação da pesquisa deveria ser  
substituída pela regulação, exclusivamente, das aplicações da IA.  
Em contrapartida, a regulação ex post incide na determinação de  
quem seria responsável por possíveis danos causados por decisões não  
intencionais ou imprevistas da IA (Butcher; Beridze, 2019). Allen e West  
(2021) recomendam, na esteira desse pensamento, que as regulamenta-  
ções e acordos incorporem princípios éticos e mantenham, sempre, os  
humanos no processo decisório, aprimorem a transparência e desenvol-  
vam mecanismos de supervisão eficazes.  
Foi o que fez a China, por exemplo, quando, em 2023, aprovou as  
Medidas Provisórias para a Gestão de Serviços de Inteligência Artificial  
Generativa, caracterizada por uma abordagem regulatória mais direcio-  
nada e concentrada nas aplicações, incentivo ao desenvolvimento e des-  
tituída de foco punitivo. As Medidas exigem, entre outros, a melhoria da  
precisão, objetividade e diversidade dos dados de treinamento das IAs  
generativas. Enquanto isso, nos Estados Unidos, a Lei CREATE AI esta-  
beleceu o Recurso Nacional de Pesquisa em IA, isto é, uma infraestrutura  
nacional de pesquisa destinada a melhorar o acesso de pesquisadores e  
estudantes de IA a recursos essenciais, com o objetivo de fortalecer a ca-  
pacidade de pesquisa em IA do país (HAI, 2024).  
Em relação à União Europeia (UE), o grupo tem se posiciona-  
do como um importante regulador tecnológico global, propondo leis  
para serviços digitais, mercados digitais e IA. O Regulamento Geral de  
Proteção de Dados (RGPD) da UE foi um passo importante e um primei-  
ro movimento para construir confiança, essencial para as pessoas e as  
empresas (Cheng; Zeng, 2023, Straus, 2020).  
No tocante a IA, a Comissão Europeia, em 2018, criou o Grupo de  
Especialistas de Alto Nível sobre Inteligência Artificial, para apoiar o de-  
senvolvimento de políticas e possíveis regulamentações. Em 2019, houve  
a publicação das Diretrizes Éticas para a IA Confiável, de acordo com as  
Diretrizes, uma IA confiável é uma IA que cumpra todas as leis e regula-  
mentos aplicáveis e seja aderente a princípios e valores éticos. No mesmo  
ano foi publicado o Livro Branco sobre IA: uma Abordagem Europeia  
para Excelência e Confiança, com o objetivo de apresentar opções políti-  
cas sobre como promover a adoção da IA e os riscos associados ao uso da  
tecnologia (Straus, 2020).  
O documento da Comissão Europeia busca impulsionar a transi-  
ção e a soberania digital da UE por meio de investimentos, regulamen-  
tações e inovação. Entre suas principais pretensões estão: acelerar o  
174  
Natália Diniz Schwether, Graciela de Conti Pagliari Regulação Global da Inteligência Artificial: Atores e Estruturas de Governança  
desenvolvimento de infraestruturas tecnológicas, fortalecer a proteção  
contra cibercrimes e garantir a integridade de redes, criar um quadro  
jurídico para IA que respeite direitos fundamentais, garantindo trans-  
parência e responsabilidade, expandir o ensino de tecnologia, reduzir a  
desigualdade de gênero no setor e qualificar profissionais, promover o  
compartilhamento seguro de dados, em um ‘espaço comum europeu de  
dados’ e aplicar a IA para otimizar setores como transporte, meio am-  
biente e energia (Comissão Europeia, 2020).  
Em conformidade com uma das observações listadas no documen-  
to de 2020, a Comissão aprovou, em 2024, o Regulamento da Inteligência  
Artificial da UE, o primeiro ato legislativo do mundo em matéria de IA. O  
Regulamento objetiva, acima de tudo, assegurar que os sistemas de IA se-  
jam desenvolvidos e utilizados de forma responsável. As regras impõem  
obrigações aos fornecedores e aos responsáveis pela implantação das tec-  
nologias e regulam a autorização de sistemas de IA no mercado único da  
UE. O ato legislativo aborda, ainda, os riscos associados à IA e incentiva a  
sua adoção (Conselho Europeu, s.d).  
Contudo, face às lacunas e ambiguidades das regulamentações  
existentes e a ausência de uma regulação centralizada. Nos últimos anos,  
cresceu o número de novos arranjos de governança global adaptados à  
IA (Maas, 2021). Diante disso, a próxima seção irá destacar as principais  
iniciativas existentes, bem como a multiplicidade de atores envolvidos,  
reforçando os desafios de coordenação e legitimidade nesse novo ecossis-  
tema regulatório.  
4 GOVERNANÇA GLOBAL DA IA  
O conceito governança global é empregado aos processos regu-  
latórios que vão além do Estado-nação, seja a nível global ou regional.  
Embora, os Estados e as OIs sejam frequentemente centrais nestes pro-  
cessos regulatórios, a governança global também envolve diversos atores  
não estatais (Rosenau, 1999). Em geral, essas iniciativas compõem o gru-  
po de padrões globais ou diretrizes não vinculativas, os quais não deri-  
vam de instrumentos legais internacionais e nem foram desenvolvidos  
nos fóruns tradicionais do direito internacional ou da diplomacia estatal,  
mas sim formulados pelos próprios stakeholders (Maas, 2021).  
A governança global pode ser entendida como uma ordem inten-  
cional e reconhecida intersubjetivamente em nível global. Trata-se de  
uma ordem com propósito, que define, limita e molda as expectativas e  
condutas dos atores dentro de um determinado domínio temático. Seus  
objetivos podem ser variados, incluindo a gestão de conflitos, a facilita-  
ção da cooperação, a redução da incerteza, a mobilização de recursos e a  
resolução de problemas coletivos. Para que haja governança global não é  
necessário que essas regras sejam universalmente reconhecidas como le-  
gítimas, mas apenas que sejam amplamente compartilhadas e praticadas  
em escala global (Biersteker, 2011).  
Para Patrick (2023, p. 22) a necessidade de princípios e regras com-  
partilhados é especialmente evidente nos campos onde verifica-se um  
ritmo acelerado de inovação, “se a necessidade é a mãe da invenção, a  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 166-183  
invenção frequentemente dá origem à governança” e o mundo vive, hoje,  
uma intensa aceleração tecnológica, marcada por avanços significativos  
na área de IA.  
Conforme avaliação conduzida pela AlgorithmWatch (2020), a maio-  
ria dos acordos vinculativos e compromissos voluntários existentes para  
IA foram propostos pelo setor privado, o qual reúne empresas líderes no  
desenvolvimento e implementação da tecnologia e é onde estão concen-  
8
trados a maioria dos recursos financeiros e humanos (Butcher; Beridze,  
2019, Leung, 2019).  
O setor público, representado por países e órgãos estatais, também,  
tem se empenhado na publicação de relatórios e no estabelecimento de  
iniciativas em suas estratégias nacionais. Mais de sete dezenas de países  
lançaram estratégias nacionais de IA, esses documentos políticos apresen-  
tam narrativas interligadas, destacando tanto pontos em comum quanto  
diferenças entre os planos nacionais, comprovam, sobretudo, a expansão  
global do debate (Butcher; Beridze, 2019, Leung, 2019, Singh, 2024).  
De um modo geral, a IA apresenta um desafio de governança para  
todos eles devido aos seus efeitos na competitividade econômica, na segu-  
rança militar e na integridade pessoal, com consequências para os Estados  
e as sociedades. Em uma análise dos últimos dez anos depreende-se que,  
inicialmente, esses desafios foram assumidos, principalmente, pelas au-  
toridades nacionais, porém, mais recentemente houve um expressivo au-  
mento nas iniciativas de governança por parte das OIs (Tallberg, et.al,  
2023), conforme ilustra o gráfico abaixo:  
Gráfico 1: Origem das Iniciativas de Governança em IA 2015-2022  
Organizações Internacionais / Autoridades Nacionais  
Fonte: Tallberg (2023).  
8. Dentre as empresas que mais investiram em IA estão: Google, Amazon, Apple, Microsoft, Baidu, Alibaba e  
Tencent.  
176  
Natália Diniz Schwether, Graciela de Conti Pagliari Regulação Global da Inteligência Artificial: Atores e Estruturas de Governança  
No que tange às iniciativas propostas pelas OIs, elas, em grande par-  
te, foram traçadas na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento  
Econômico (OCDE), no Grupo dos Vinte (G20), Grupo dos Sete (G7),  
Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) e na Parceria  
Global em IA (GPAI) (Maas, 2021, Cheng; Zeng, 2023).  
A OCDE, em maio de 2019, emitiu um conjunto de princípios  
sobre IA, adotados por seus 36 países membros e Argentina, Brasil,  
Colômbia, Costa Rica, Peru e Romênia, na Recomendação do Conselho  
sobre Inteligência Artificial, os quais foram posteriormente endossados  
pelo G20. Dentre as recomendações está a facilitação de investimentos  
públicos e privados para pesquisa e desenvolvimento que impulsionem  
a inovação em IA confiável, ecossistemas acessíveis e mecanismos para  
compartilhar dados e conhecimento, recomendou, ainda a habilitação  
das pessoas em IA, apoio aos trabalhadores e cooperação além-fronteiras,  
estimulou, igualmente, o desenvolvimento de padrões e uma governança  
responsável (Maas, 2021, Straus, 2020).  
Baseados na Recomendação da OCDE sobre IA, os Princípios do  
G20 sobre IA, firmados em junho de 2019, incluem: crescimento inclu-  
sivo, desenvolvimento sustentável e bem-estar, valores humanos e equi-  
dade, transparência e explicabilidade, robustez, segurança e proteção e  
responsabilidade. Além disso, oferecem diretrizes para os formuladores  
de políticas, com o objetivo de maximizar e compartilhar os benefícios  
da IA. Os membros do G20 reconhecem a necessidade contínua de pro-  
mover a proteção da privacidade e dos dados pessoais e a importância  
de fortalecer a capacitação e o desenvolvimento de habilidades em IA  
(G20, 2019).  
Por sua vez, a Parceria Global sobre Inteligência Artificial (GPAI)  
é uma iniciativa internacional que conta com 44 países membros e pro-  
move o desenvolvimento e o uso responsável da IA. A parceria integra-  
da reúne membros da OCDE e países da GPAI em igualdade de condi-  
ções, sendo os Princípios de IA da OCDE a base que orienta os traba-  
lhos (OCDE, s.d). A Declaração Ministerial da GPAI, de Nova Délhi, de  
2024, reafirmou o compromisso da parceria em buscar uma composição  
diversificada de membros, com foco especial em países de baixa e média  
renda, garantindo uma ampla gama de conhecimentos, perspectivas na-  
cionais e regionais e experiências baseadas em valores compartilhados  
(GPAI, 2024).  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 166-183  
Figura 2: Panorama da Governança em IA  
Fonte: Cihon; Maas; Kemp (2020).  
Além da OCDE, o Banco Interamericano de Desenvolvimento  
(BID) tem monitorado políticas para transformação digital e o Centro  
Latino-Americano de Administração para o Desenvolvimento (CLAD)  
patrocinou a Carta Ibero-americana de Inovação na Gestão Pública,  
abrangendo princípios e diretrizes para a adoção de IA na administração  
pública (Filgueiras, 2021).  
Em 2023, foi assinada por Austrália, Brasil, Canadá, China, França,  
Alemanha, Índia, Japão, Reino Unido, Estados Unidos, União Europeia,  
entre outros, a Declaração de Bletchley. O documento enfatizou que o  
desenvolvimento e a aplicação da IA devem seguir princípios claros: cen-  
tralidade no ser humano, segurança, confiabilidade, responsabilidade  
e ética. A Declaração reforçou, ainda, que os riscos associados à IA são  
transnacionais e, portanto, exigem respostas coordenadas e cooperação  
internacional. Os países se comprometem a colaborar em fóruns já exis-  
tentes e outras iniciativas relevantes para desenvolver políticas baseadas  
em riscos, com abordagens proporcionais e que respeitem as especifici-  
dades nacionais. Houve, também, um incentivo ao desenvolvimento de  
princípios comuns, códigos de conduta e métricas de avaliação, com foco  
especial na transparência (United Kingdom, 2025).  
No âmbito minilateral, diversos acordos de livre comércio pas-  
saram a incluir regras sobre fluxos de dados, privacidade, proteção de  
dados pessoais, concorrência e código-fonte. Exemplos são: o Acordo  
Econômico e Comercial Abrangente (CETA) e o Acordo de Parceria para  
178  
Natália Diniz Schwether, Graciela de Conti Pagliari Regulação Global da Inteligência Artificial: Atores e Estruturas de Governança  
a Economia Digital (DEPA), ambos abordam a IA e a economia digital.  
Outros acordos bilaterais como o Acordo de Economia Digital Austrália-  
Cingapura (ASDEA) e o Acordo Comercial Digital EUA-Japão (USJDTA),  
também, lidam com questões emergentes de cooperação tecnológica e  
regulatória (Peng, Lin, Streinz, 2021).  
No que tange às modalidades da governança global da IA é pos-  
sível distinguir cinco principais formas: os códigos éticos e conselhos,  
muitos dos quais criados por grandes empresas de tecnologia. Dentre os  
exemplos está a Partnership on AI (PAI), estabelecida pela Amazon, Apple,  
DeepMind, Google, Facebook, IBM e Microsoft, em 2016, uma aliança  
entre atores não estatais na vanguarda do desenvolvimento da IA (Veale;  
Matus; Gorwa, 2023, Schmitt, 2022).  
A segunda são os contratos e licenciamentos, os quais apesar de, mui-  
tas vezes, redigidos de forma vaga, vêm sendo utilizados. A OpenAI, por  
exemplo, exige que a mídia gerada seja divulgada como artificial e proíbe  
tópicos que possam estar relacionados a políticos ou promovam conspira-  
ções. Se essas diretrizes forem violadas, a OpenAI reserva o direito de revo-  
gar a licença que fornece aos usuários (Veale; Matus; Gorwa, 2023).  
A terceira modalidade são os padrões. Órgãos como o Internet  
Engineering Task Force, o World Wide Web Consortium e o IEEE geren-  
ciam padrões importantes como TCP/IP, HTML e 802.11 (WiFi). Nem  
todos os padrões são necessários para a funcionalidade, alguns podem  
simplesmente transmitir conhecimento. Outro papel importante é o de  
sinalização, tais como melhores práticas (Veale; Matus; Gorwa, 2023).  
A quarta modalidade são os acordos internacionais, os quais in-  
cluem, por exemplo, a Recomendação da OCDE sobre IA (OCDE, 2019) e  
os Princípios da IA do G20 (G20, 2019). A quinta modalidade é a regulação  
doméstica convergente e extraterritorial. Evolve regras estabelecidas por  
governos nacionais, ou por associações supranacionais de governos na-  
cionais, como a União Europeia (Veale; Matus; Gorwa, 2023). O quadro  
abaixo resume o exposto:  
Quadro 2: Modalidades de Governança Global em IA  
Modalidade  
Descrição  
Diretrizes criadas por grandes empresas de tecnologia Partnership on IA (PAI)  
Regras, restrições e sanções OpenAI  
Normas técnicas para interoperabilidade e segurança W3C (TCP/IP, HTML)  
Exemplos  
Códigos Éticos e Conselhos  
Contratos e Licenciamentos  
Padrões  
Acordos Internacionais  
Regulação Doméstica  
Diretrizes globais  
Recomendação da OCDE  
Normas da UE  
Leis nacionais ou supranacionais  
Fonte: Elaborado com base em Veale, Matus, Gorwa (2023).  
Além dos atores e iniciativas mencionados, existem diversos outros  
que também afetam a governança global da IA, como organizações não  
governamentais, institutos de pesquisa, entidades do setor público (cida-  
des e governos regionais), movimentos globais. Suas interações regula-  
res com os outros atores podem influenciar diretamente os resultados à  
179  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 166-183  
9
nível global e juntos fornecem uma fonte epistêmica engajada na agenda  
(Schmitt, 2022). Verifica-se, por exemplo, que entre 2010 e 2022, o número  
total de publicações sobre IA quase triplicou, passando de aproximada-  
mente 88.000, em 2010, para mais de 240.000 em 2022 (HAI, 2024).  
Do exposto fica nítida a complexidade da arquitetura de governança  
global para a IA, com uma estrutura de acordos parcialmente sobrepostos  
e diversos, sem uma instituição ou hierarquia central claramente defini-  
da (Tallberg et.al, 2023). Assim, não obstante algumas OIs, com adesão  
universal, terem tomado iniciativas para a governança da IA, nenhuma  
instituição assumiu o papel de órgão regulador central a nível global. Pelo  
contrário, a proliferação de iniciativas paralelas, entre níveis e regiões, dá  
peso à conclusão de que os arranjos contemporâneos para a governança  
global da IA são fortemente descentralizados (Cihon et al. 2020a).  
5 CONCLUSÕES  
Destarte, a análise evidencia que vivemos atualmente uma fase de  
crescente atenção e mobilização global em torno da governança da IA,  
impulsionada principalmente pela necessidade de respostas coordenadas  
às externalidades transfronteiriças geradas por essa tecnologia. O avanço  
da IA ocorre por meio de processos intrinsecamente transnacionais, o  
que torna a cooperação internacional uma condição indispensável para  
uma governança eficaz e abrangente.  
Nesse cenário, três iniciativas destacam-se pelo seu alcance e in-  
fluência: a Recomendação da OCDE sobre IA, os Princípios do G20 sobre  
IA e o mais recente e normativamente vinculante Regulamento da União  
Europeia sobre IA. Iniciativas como a Declaração de Bletchley, também,  
ganham relevância estratégica, pois sinalizam um compromisso compar-  
tilhado entre nações para enfrentar os desafios da IA.  
A Recomendação da OCDE, em específico, constituiu o primei-  
ro acordo intergovernamental dedicado a estabelecer princípios para o  
desenvolvimento, uso e governança da IA. Sua elaboração foi justificada  
pela necessidade de promover o uso responsável e confiável dessas tec-  
nologias, ao mesmo tempo em que se buscava maximizar os benefícios  
socioeconômicos associados à inovação em IA. Outro fator motivador foi  
a preocupação em mitigar os riscos sociais, éticos e econômicos decorren-  
tes do uso indiscriminado de sistemas algorítmicos, como discriminação  
e impactos adversos no mercado de trabalho.  
Em linha com essa proposta, os Princípios do G20 emergiram como  
uma tentativa de alinhar as maiores economias globais em torno de dire-  
trizes éticas e de governança mínimas para a IA. Sua justificativa central  
repousava na necessidade de evitar assimetrias regulatórias que pudes-  
sem comprometer o comércio internacional, a inovação tecnológica e a  
estabilidade econômica mundial, além de promover a confiança pública  
9. O número de pesquisadores envolvidos com IA cresceu exponencialmente nos últimos anos, bem como a  
colaboração internacional entre pesquisadores de diferentes países (Butcher; Beridze, 2019). Em análise de  
artigos acadêmicos apresentados em conferências sobre IA, Leung (2019) observou que o número de artigos  
provenientes da China aumentou 150% entre 2007 e 2017.  
180  
Natália Diniz Schwether, Graciela de Conti Pagliari Regulação Global da Inteligência Artificial: Atores e Estruturas de Governança  
no uso dessas tecnologias. Os princípios do G20 reproduzem, quase inte-  
gralmente, os princípios estabelecidos pela OCDE, mas com um compo-  
nente geopolítico mais evidente, visando garantir a competitividade e a  
interoperabilidade técnica entre os países membros.  
Por sua vez, o Regulamento UE orientou-se pela preocupação em  
proteger os direitos fundamentais dos cidadãos europeus, assegurar a se-  
gurança dos sistemas de IA e estabelecer uma governança tecnológica  
baseada nos valores e princípios do bloco. A UE buscou não apenas miti-  
gar riscos, mas também posicionar-se como referência normativa global  
na regulamentação da IA, definindo obrigações legais vinculantes para  
desenvolvedores, fornecedores e usuários de sistemas algorítmicos. Além  
disso, o Regulamento diferencia-se das iniciativas anteriores ao adotar  
uma estrutura normativa que incorpora mecanismos de supervisão, san-  
ção e fiscalização, ausentes nas recomendações da OCDE e nas diretrizes  
do G20, evidenciando o caráter mais coercitivo.  
Enquanto a OCDE e o G20 operam no campo das boas práticas, a  
UE avança na consolidação de um modelo de regulação normativa obri-  
gatória. Apesar dessa diferença, as três iniciativas apresentam pontos em  
comum, especialmente na defesa da centralidade humana no uso da IA,  
no compromisso com direitos humanos, transparência, bem como na  
ênfase na necessidade de cooperar internacionalmente para estabelecer  
parâmetros comuns que favoreçam o uso seguro e ético da tecnologia.  
Isto posto, embora seja tácito o avanço na formulação de diretrizes  
e boas práticas regulatórias por diferentes atores do sistema internacional,  
ainda persiste a ausência de uma instituição central que possa coordenar  
e harmonizar esses esforços em nível global. Esse vácuo institucional di-  
ficulta a criação de uma estrutura coesa de governança que seja capaz de  
acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas.  
Destaca-se, ademais, que muitas das organizações que hoje se debru-  
çam sobre os impactos da IA não foram originalmente concebidas para lidar  
com tecnologias digitais emergentes, o que exige a reconfiguração de suas  
competências, mandatos e estruturas operacionais. Considerando a natureza  
estratégica e competitiva do ciberespaço, é legítimo questionar a capacidade  
dessas iniciativas de lidar com interesses assimétricos de forma eficaz e im-  
parcial. Soma-se a isso o risco de fragmentação regulatória, com a prolifera-  
ção de normas divergentes entre países ou blocos regionais, o que pode gerar  
insegurança jurídica e comprometer a interoperabilidade de sistemas de IA.  
O atual contexto exige, portanto, o contínuo desenvolvimento de  
esforços regulatórios e de governança de maneira adaptativa e dinâmica,  
os quais levem em consideração as características singulares da IA, como  
sua autonomia e capacidade de aprendizado contínuo. Esses esforços  
devem respeitar os direitos humanos, promover uma visão cooperativa  
global e buscar o bem-estar coletivo em um mundo marcado pela inter-  
dependência digital.  
Aliado a isso, é essencial que os marcos regulatórios não se tornem  
barreiras ao progresso tecnológico. A regulação deve funcionar como um  
instrumento de equilíbrio entre incentivo à inovação e proteção de direitos  
fundamentais, assegurando que os benefícios da tecnologia sejam ampla-  
mente distribuídos, ao mesmo tempo em que se mitiguem seus riscos.  
181  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 166-183  
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183  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 184-198  
The Impact of Border Disputes on Fragile:  
Case Study of Bahrain and Qatar  
El impacto de las disputas fronterizas en los países  
frágiles: estudio de caso de Bahréin y Qatar  
O Impacto das Disputas de Fronteira em Países Frágeis:  
Estudo de Caso do Bahrein e do Catar  
1
Seyedmohammad Seyedi Asl  
DOI: 10.5752/P.2317-773X.2025v13.n2.p184  
Enviado em: 26 de junho de 2025  
Aceito em: 14 de março de 2026  
ABSTRACT  
When the borders between states are subject to dispute, building of good  
relations among the concerned states become a complicated issue. For decades,  
Bahrain and Qatar have been incompatible with each other over territorial wa-  
ters, including sovereignty over the Hawar and Zubarah islands in the southern  
part of the Persian Gulf. Although, the two countries were satisfied with the  
final ruling of the International Court of Justice to end the disputes in 2001, the  
disputes between the two countries over the mentioned islands and areas resu-  
med almost 20 years. Given these circumstances, this article seeks to examine  
the impact of border disputes on the relations between countries, particularly  
Bahrain and Qatar. This study employs a descriptive-analytical method to in-  
vestigate the impact of this influence on the ties among Persian Gulf countries,  
specifically focusing on the interactions between Bahrain and Qatar. It was  
found that these countries have taken some significant steps in recent decades  
to resolve their issues. However, we conclude that these measures have proven  
ineffective in solving the exiting disputes and the emerging ones.  
Keywords: Border, Border Disputes, Arabian Peninsula, Bahrain, Qatar.  
RESUMEN  
Cuando las fronteras entre los estados están sujetas a disputa, la construcción  
de buenas relaciones entre los estados involucrados se convierte en un asunto  
complicado. Durante décadas, Bahréin y Catar han sido incompatibles entre sí  
en cuanto a las aguas territoriales, incluida la soberanía sobre las islas Hawar  
y Zubarah en la parte sur del Golfo Pérsico. Aunque los dos países estaban  
satisfechos con el fallo final de la Corte Internacional de Justicia para poner fin  
a las disputas en 2001, las disputas entre los dos países sobre las mencionadas  
islas y áreas se reanudaron casi 20 años después. Dadas estas circunstancias, este  
artículo busca examinar el impacto de las disputas fronterizas en las relaciones  
1. PhD in International Relations, Research Fellow, HSE University, Faculty of World Economy and International  
Affairs; 17 Malaya Ordynka Ulitsa, Moscow, Russia. sseyediasl@hse.ru. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-  
5237-7385.  
184  
Seyedmohammad Seyedi Asl The Impact of Border Disputes on Fragile: Case Study of Bahrain and Qatar  
entre países, en particular entre Baréin y Catar. Este estudio emplea un método  
descriptivo-analítico para investigar el impacto de esta influencia en los vínculos  
entre los países del Golfo Pérsico, centrándose específicamente en las interac-  
ciones entre Baréin y Catar. Se constató que estos países han adoptado medidas  
significativas en las últimas décadas para resolver sus problemas. Sin embargo,  
concluimos que estas medidas han resultado ineficaces para resolver las disputas  
existentes y las emergentes.  
Palabras clave: Frontera, Disputas Fronterizas, Península Arábiga, Baréin, Catar.  
RESUMO  
Quando as fronteiras entre os estados estão sujeitas a disputas, a construção de  
boas relações entre os estados envolvidos torna-se uma questão complicada.  
Durante décadas, Bahrein e Catar têm sido incompatíveis entre si em relação às  
águas territoriais, incluindo a soberania sobre as ilhas Hawar e Zubarah na parte  
sul do Golfo Pérsico. Embora os dois países tenham ficado satisfeitos com a deci-  
são final do Tribunal Internacional de Justiça para encerrar as disputas em 2001,  
as disputas entre os dois países sobre as ilhas e áreas mencionadas recomeçaram  
quase 20 anos depois. Diante dessas circunstâncias, este artigo busca examinar  
o impacto das disputas de fronteira nas relações entre os países, particularmen-  
te Bahrein e Catar. Este estudo emprega um método descritivo-analítico para  
investigar o impacto dessa influência nos laços entre os países do Golfo Pérsico,  
com foco específico nas interações entre Bahrein e Catar. Constatou-se que esses  
países tomaram medidas significativas nas últimas décadas para resolver seus  
problemas. No entanto, concluímos que essas medidas se mostraram ineficazes  
para solucionar as disputas existentes e as emergentes.  
Palavras-chave: Fronteira, Disputas de Fronteira, Península Arábica, Baréin, Catar.  
1 INTRODUCTION  
A political border is a phenomenon that demonstrates a country’s po-  
litical sovereignty and prevents the movement of individuals, the exchan-  
ge of goods, or the spread of ideas according to certain norms (Mirheydar,  
2001, p. 114). There are several outstanding issues in this field of political  
geography. People, nations, countries, etc. Knowing such issues may be  
a very beneficial resource within the field of interplay given the charac-  
teristics of the world, as knowledge of nature, features, and unique types  
of restrictions plays an important role in defining the connections and in-  
teractions between them. Convenient, prepared, and free of violence and  
conflict between people, nations, and causes. Border zones and traces ser-  
ve the purpose of separating political subdivisions. Border zones have dis-  
tinct characteristics due to their interaction with a variety of interior and  
outdoor surroundings (Seyedi Asl, & Bahremani, 2021, p. 669).  
Borders are defined as the heart of territorial sovereignty which  
means that anything related to a state border or crossing it is subject to  
potential politicization (Scott, 2020: 7). On the other hand, the conception  
of border security, travel and trade is one of the main axes of government  
policies in international relations, diplomacy and security circles which  
attracts the attention of social researchers (Maigari; Dantani, 2020, p. 2).  
Borders are lines that define the outer limits of a political unit, or a  
country, and separate it from other neighboring units. The main function  
185  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 184-198  
of the borders is revealed in the interactions between the surrounding  
countries, and it evolves over time. It should be said that border lines  
determine the behavior of people and governments towards themselves.  
Which means governments and people influence the behavior and func-  
tion of the border (Ezzati & Savarrakhsh, 2013, p. 48).  
Border lines and areas are currently important issues that easily  
arouse national and patriotic feelings and, according to some scholars,  
carry inherent dangers. In terms of the consequences for the internal  
and external security of countries, they are considered important fac-  
tors in determining peaceful or, conversely, hostile relations between  
them. There are always reasons for these disagreements to arise, and  
such confrontations are likely to have an impact on the global political-  
-security landscape (Rabiee, 2012, p. 180). In the meantime, in this stu-  
dy the disputes between the mentioned borders, the management and  
decision-making procedures in the current complex world system will  
be studies from different aspects. It should be emphasized that recogni-  
zing and understanding the origins and causes of crises, types of crises  
and their consequences along with management and decision-making  
when face the crises, will provide a more comprehensive understanding  
of the environment of the international system and it will help to pre-  
vent the crises or at least minimize their negative effects (Janparvar &  
Salehabadi, 2019, p. 134).  
The drawing of borders in the Middle East is a complex process that  
is relatively new and the result of colonial divisions and national claims.  
In the ongoing conflicts, like Iraq or Syria, the durability of the states in  
their current territories and the fear of new divisions are subjects for dis-  
cussion (Doraï, 2014, p. 122).  
Territorial (and border) disputes in the Arabian Peninsula are lar-  
gely rooted in the legacy of colonialism, and foreign intervention. Except  
for Iran and Oman so-called the Persian Gulf states are outcomes of the  
20th century where they are largely imposed by imperialism. It can be  
outlined that the foreign actor promoted the international concept of pre-  
cise territorial boundaries. The delimitation of borders became a serious  
issue only after the granting of oil concessions, and Britain, international  
companies and local rulers moved to delimit the territorial boundaries of  
sovereignty (Okruhlik; Conge, 1999, p. 233). In the meantime, the study  
of border disputes, especially in areas that have high-value resources and  
prominent geopolitical and geostrategic positions, is a prominent subject  
of disputes. One of the most important and prominent areas is the bor-  
ders of the Persian Gulf region, where the existing border disputes have  
caused many challenges and conflicts between the neighboring countries  
from time to time. This article, focusing specifically on the relationship  
between Bahrain and Qatar, argues that despite the two countries’ ef-  
forts to resolve border disputes over the past decades, some unresolved  
issues persist and new political crises have emerged, causing these border  
disputes to remain a significant factor in bilateral relations and even in  
interactions among (Persian) Gulf Cooperation Council (GCC) countries  
This paper addresses this very important issue and offers insight from  
improving the affairs between these two countries and PGC as a whole.  
186  
Seyedmohammad Seyedi Asl The Impact of Border Disputes on Fragile: Case Study of Bahrain and Qatar  
This descriptive-analytical method research aims to examine the role and  
consequences of these disputes in shaping the political relations between  
Bahrain and Qatar.  
The paper is structured in three sections. The first section introdu-  
ces the study, its purpose and significance. The second section describes  
the concept of borders and border disputes and presents the conceptual  
framework of the study. This section describes the concept of border in  
the context of this study for the clarity of the readers. It also highlights  
the prevailing disputes and their impacts on the relationship between the  
two countries. The third section presents study findings and discussion in  
relationship to the prevailing scholarship and value addition of the study.  
The final and fourth section offers the conclusions of the study.  
2 BORDERS AND BORDER DISPUTES  
Borders that reflect the centrality of human social interaction and  
the exercise of power have become a current research topic in many dis-  
ciplines. Instead of simple excuses for the barriers to conflict or mobility,  
border researchers have begun to consider the lines that separate human  
groups as key processes worthy of deeper and layered evaluation in multi-  
-scalar geopolitics (Diener; Hagen, 2012, p. 13). The Treaty of Westphalia  
is a starting point in political geography (and Political) studies; credibly  
the geographical boundaries were legally recognized for the first time  
after the mentioned treaty. In addition, a consistent definition of country  
was made for the first time in this agreement. In modern administration,  
which is a product of the Westphalian system, borders, with all their fea-  
tures and functions, have had a special importance as a means of defen-  
ding legitimacy, identity (individual and national) and sovereignty and  
territorial integrity (Ahmadi; Hafeznia, 2020; Seyedi Asl; Karao lu, 2023).  
To have better understanding on the provided concept, the word  
“border” defines a political territory and a living space in English. The  
border exists not only between independent countries but also between  
other forms of political units (Guo, 2005). The border is conceptualized as  
a set of institutions, textual power dynamics, social discourses, everyday  
practices, population movement, and cross-border trade flows (Shahriar,  
2022). On the other hand, borders are an integral part of human activity  
and organization. That is to say, we are forced to deepen our understan-  
ding of their role as zones of opportunity and insecurity, zones of con-  
tact and conflict, sites of cooperation and competition, sites of ambivalent  
identities and aggressive claims (Diener; Joshua Hagen, 2012, p. 17).  
Borders are divided into areas called border zones and are shown  
as very thin lines on the map. But in reality, a border is not a line, but a  
vertical plane or surface that cuts space, soil, and the depths of the earth,  
which is a conical wedge to the center of the earth. It is visible on the sur-  
face of the earth in the form of a line, because it divides the surface and  
becomes a sign. Bearing in the mind that most countries are extremely  
careful about their space and its protection; the borders are effective and  
influential phenomena because they limit the scope of action of neighbo-  
ring governments (Glassner; Chuck, 2004).  
187  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 184-198  
Border has been considered as a key category for social scientists  
since the 19th century, when the processes of modern state-building and  
nation-building intensified in Europe. To provide an example, we know  
well how Friedrich Ratzel emphasized the importance of borders for “po-  
litical balance. One of the lesser-known pioneers in border studies is the  
famous sociologist Georg Simmel, for whom “the border is not a spatial  
fact with sociological consequences, but a sociological reality that shapes  
itself spatially. He discussed the role of borders in social life and cons-  
ciousness and concluded: “Considering that we have borders everywhere  
and all the times, therefore we are borders” (Paasi, 2012). On the other  
hand, both material and metaphorical, the borders form areas of contact,  
cooperation and conflict between different political and cultural groups  
(Johnson, 2013).  
During the first half of the 20th century, the first systematic studies  
of borders focused on natural and man-made borders. For example, Ellen  
Churchill Semple compared borders and boundaries, arguing that natu-  
ral geographic borders, where humans cannot inhabit, are ideal borders.  
Later, Holdich and Lyde debated the virtues of borders. They highlighted  
that the borders good or bad depending on their inherent merit in enhan-  
cing or limiting tensions and possibly war between states (Brunet-Jailly,  
2005). Basically, border scholars of the first half of the 20th century consider  
the borders just the physical and static result of a political decision-making  
process (Newman, 2006). According to Mingy, this leads to an overempha-  
sis on differences and change in borders, in terms of physical demarcation  
or at the times of war and military occupation and an under emphasis on  
the interest in borders in “normal” times (Van Houtum, 2005).  
After the war, scholars usually considered borders as physical lines  
to separate states or “artifacts on the ground” and studied border lands-  
capes, their functional roles in social and economic interaction, and their  
perceptions. Therefore, they reflected broader philosophical and metho-  
dological developments in geography. These abstract lines became criti-  
cal in understanding concepts such as state, territory, and sovereignty. At  
the local and regional level, borders were lines between jurisdictions or  
voting districts (Paasi, 2013).  
The postmodern paradigm has been emerging and evolving since  
the late 1980s. Along with political geography in general, border studies  
was significantly influenced by, the first world systems theory, particu-  
larly the idea of interdependence and the role of processes occurring at  
different spatial scales. Second, the importance of structuralism theory  
related to Anthony Giddens, who proposed the idea of certain freedom  
of action for subjects of economic and political activity and public insti-  
tutions at different territorial levels. Third, border studies now widely  
use the concepts of political discourse and its role in the construction of  
space, which were developed by the French philosopher Michel Foucault  
and his followers (Kolosov, 2015). Ashley suggested that this political  
practice—which takes place in a historically inscribed social space—has  
important effects such as the creation and reaffirmation of recognizable  
social boundaries that separate spheres of action on a global scale. Later,  
Ashley explicitly used poststructuralism and addressed the role of the  
188  
Seyedmohammad Seyedi Asl The Impact of Border Disputes on Fragile: Case Study of Bahrain and Qatar  
border that the state monitors and defines and separates the total “other”  
from the total “same” (Paasi, 2013).  
In the first decade of the 21st century, instead of softening the  
borders between states and the borders between categories of group  
identity, they have been changed, reestablished and hardened as part of  
the “Global War on Terror. Instead of removing borders and opening  
borders, governments are reassessing immigration and border controls  
to prevent contact with dangerous “others” (Jones, 2009). Today, bor-  
der lines and areas are important issues that easily arouse national and  
patriotic feelings, and according to some scholars, they carry inherent  
risks. Also, in terms of the consequences, they have for the internal and  
external security of countries, they are considered important factors that  
determine peaceful relations or, on the contrary, hostile relations bet-  
ween them (Razavi, 2015).  
Border disputes and territorial expansionism have always exis-  
ted between countries and local communities since ancient times and  
have been the main factor in creating wars and conflicts among them.  
Meanwhile, the first step to stabilize the borders in Europe was taken  
with the conclusion of the Treaty of Westphalia in 1648, during which  
the territorial borders between European countries were recognized.  
Knowing the fact that border disputes and conflicts did not disappear  
completely, the project of stabilizing borders and resolving border dis-  
putes in Europe was not completed even after World War II and conti-  
nued until the collapse of the Soviet Union. At the opposite point is the  
Arab Middle East region, whose general political shape was drawn by  
the victorious countries after the First World War. In this region, we  
see countless conflicts in the field of territorial and border issues (Yari  
& Abdalipour, 2017). According to Martin Gloster, the number of major  
border disputes on the mainland alone is about 100, and if the concentra-  
tion to be on the disputed islands, the number will be much higher. On  
the other hand, border disputes regarding maritime borders are a larger  
category and predominantly these disputes are mainly related to border  
disputes on land (Glassner; Fahrer, 2004).  
The meaning of border dispute is the difference between two  
neighboring countries on the common border from different aspects of  
location, territory, function... and at different levels from micro to macro.  
Delimitation and marking procedures, which usually take place together  
with border agreements, do not protect any government from border dis-  
putes (Janparvar; Salehabadi, 2019).  
According to Philip Kraus, border disputes are, as much as na-  
tionalism, a legacy of colonialism exacerbated by the Cold War. But it  
is also clear that these legacies are exploited by local politicians in po-  
pulist rhetoric and domestic politics. In many cases, long-term border  
disputes are caused by the complex internal situation in these countries  
(Kraus, 2017).  
Although the causes of border disputes and open conflict are many  
and diverse, they can be logically divided into four categories (Bjelland, 2015):  
Positional disputes occur when states disagree on the interpretation  
of documents that define a border and/or how to determine the border.  
189  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 184-198  
Territorial disputes over ownership of an area often, though not  
always, simply arise when a border drawn over a landscape divides an  
ethnically homogeneous population.  
Resource disputes are closely related to territorial conflicts.  
Neighboring countries are likely to covet the resources—whether valuab-  
le mineral deposits, fertile farmland, or rich fishing grounds—located in  
border areas and disagree over their use.  
Functional disputes arise when neighboring countries disagree on  
policies that apply along a border. Such policies may relate to migration,  
displacement of traditional nomadic groups, customs regulations or land  
use. Historically, border disputes have been resolved by war. Borderlands  
at risk, and those with valuable economic or political assets contested  
between two or more countries, are also war zones.  
World wars, regional wars, bilateral wars, the liberation of colo-  
nized lands and the collapse of empires are the most important dates  
of changing the political map and the emergence of territorial disputes.  
New borders that are imposed on a defeated country as a result of a war  
create territorial disputes. Disruption of the geopolitical balance between  
the two countries also creates territorial differences. Another factor is the  
spirit and personality of the country’s leaders. Some leaders have a belli-  
gerent attitude towards others, which can use border issues as an excuse  
to trigger disputes (Rabiee, 2012).  
3 FINDINGS AND DISCUSSION  
Each territory has unique traits that make it valuable. These fea-  
tures include natural resources, land productivity, population, and a key  
geopolitical and geostrategic position, among others. The importance  
and worth of lands have given rise to a number of disputes and conflicts  
between governments and nations over access to these regions. Disputes  
over land control and ownership are one of the most prevalent causes  
of conflicts and wars. Disputed territories are those over which two or  
more nations or groups of people claim sovereignty and possession along  
a shared border. These contested lands inside two nations’ boundaries  
play a crucial role in the formation of conflicts and problems between the  
two countries, and countries are extremely sensitive to them. This sensi-  
tivity, when other countries draw these areas on maps for their own gain,  
heightens the risk of conflicts and other dissimilar concerns between the  
two countries (Nadafi; Mojtahedzadeh; Lotfi, 2022, p. 70).  
Since ancient times, the Persian Gulf has held a unique position and  
importance, and as the political-economic conflict between European po-  
wers in the East intensified, the Persian Gulf was viewed as a commercial  
and trade highway, as well as an essential link in the worldwide strategic net-  
work. The Persian Gulf region has long been an important strategic region  
for trans-regional actors, particularly great powers, and as the economic im-  
portance of the Persian Gulf’s oil resources has grown, so has the great po-  
wers’ presence and intervention in the region (Ghorani Noshad, 2016, p. 448).  
The geopolitical region of the Persian Gulf has extremely complex  
territorial patterns, each of which can ignite a full-scale war. Territorial and  
190  
Seyedmohammad Seyedi Asl The Impact of Border Disputes on Fragile: Case Study of Bahrain and Qatar  
border disputes between Persian Gulf countries are the most important  
factors that have brought the trust-building process to a standstill. These  
differences have played a prominent role in shaping the economic and po-  
litical relations between the countries of the Persian Gulf and have repea-  
tedly caused tension between the governments of the region throughout  
history. And in recent years, this issue has played a major role in disrupting  
the security of the region in an unprecedented way (Ibid, 457).  
The collapse of the Ottoman Empire and the period between the  
end of the First World War in 1918 and the beginning of the Second World  
War in 1939 is considered a very important period for the Middle East.  
After more than half a century, its consequences have cast a shadow on  
this region until now. What happened in these fateful decades changed  
the fate of all nations, created new countries, resulted in the clear govern  
of Europeans over the region, and caused the redraw and change of na-  
tional borders and the emergence of new dynasties. European powers  
played the main role in proceeding this fact. In the First World War, the  
Ottoman Empire was so weakened which one of its inevitable consequen-  
ces was the dismemberment of its land by the Europeans. Assuredly, the  
role of competing countries, especially the British government, in this  
context is undeniable (Yari; Abdalipour, 2017, p. 205). The mandates of  
the League of Nations, which were granted to France and Great Britain in  
1920, caused the penetration of the Western territorial sovereignty state  
system and established the foundations of the implementation of this mo-  
del in the Middle East through the production of elites and the political  
control of new states. Local people fought against these newly imposed  
state borders for years after the 1920 San Remo Conference. The only  
endogenous internal borders in the region were the Ottoman and Iranian  
borders, and only the Kingdom of Saudi Arabia and Turkey succeeded  
in negotiating their borders with European powers (Meier, 2018, p. 497).  
Before the southern Persian Gulf countries were shown on international  
maps, Iran, the Ottoman Empire, India, and other powerful countries  
had already set a lot of their borders and decided what land they would  
control. However, on the southern beaches of the Persian Gulf, where fo-  
reign nations had lived and governed for centuries, border determination  
remained hazy and uncertain (Nadafi; Mojtahedzadeh; Lotfi, 2022, p. 70).  
Therefore, the responsibility for creating ‘modern nation-states’ with de-  
fined borders, such as Syria, Lebanon, Iraq, Jordan, and the smaller king-  
doms of the Persian Gulf, rests with the European colonial powers. In  
Maghreb, where there was no border, the governance was based on “tri-  
bal” loyalties, the French and Spanish colonial powers imposed borders,  
“without caring the pre-existing local historical factors and consulting  
the local people”. Colonial policies towards different ethnic and religious  
groups significantly contributed to the friction between the legitimacy  
of state authority and its territorial control. While Middle Eastern bor-  
ders did not usually demarcate ethnic or religious communities, colonial  
powers often exploited ethnic and religious divisions to their advantage  
through the old Roman strategy of “divide and rule” (Del Sarto, 2017,  
p. 772-773). According to John Wilkinson, borders are transplantations  
from European feudal society and oddities to an Arab political culture  
191  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 184-198  
characterized by tribalism and mobility. Moreover, they are “testimony  
to British imperial politics, triggered by the desire for oil and commercial  
control” (Polak-Springer, 2022, p. 1074).  
Seemingly, the disputes over territorial demarcations persisted  
among the countries of the peninsula for decades, after the Persian Gulf  
War of 1990-1, challenges to the status quo intensified and competing ter-  
ritorial claims became prominently placed on the regional political agen-  
da. At one extreme, the settlement of border disputes was followed by  
violence. For example, armed conflicts occurred in 1992 and 1994 along  
the border between Saudi Arabia and Qatar and between Saudi Arabia  
and Yemen in 1995, 1997 and 1998. For example, after ten years of nego-  
tiations to determine their borders, Oman and Yemen finally reached a  
preliminary agreement in 1992 and a final agreement was signed in 1997  
(Okruhlik; Conge, 1999, p. 230).  
Providing that in 1913, Bahrain and Qatar were recognized as  
two independent territorial units during the Ottoman-British treaty, but  
Bahrain sought to restore its lost territories in Qatar because this treaty  
did not draw precise borders between the two countries. In other words,  
there was no clear demarcation between Bahrain and Qatar (Islamtimes,  
2020).  
The understanding of the Britain’s role in the conflict is essential to  
identify the final judgment and its perceived resolution. Britain supported  
and recognized Al-Thani rule of Qatar over Zabarah and prevented the  
intervention of Al-Khalifa of Bahrain in 1868. Qatar had begun to align its  
loyalties with the Ottoman Empire since the 1870s and enjoyed imperial  
support in extending its authority over Zubarah. What makes Qatar’s  
claim stronger is the fact that, despite Britain’s opposition to Al-Thani’s  
effort (as it was seen as an attempt by the Ottoman Empire to expand  
its authority), it did not allow Bahrain’s Al-Khalifa ruler to intervene in  
Zubarah. This sacrifice to help al-Thani to secure sovereignty over the  
region that was enshrined in the 1913 of Anglo-Ottoman Treaty (Pandey,  
2021). Even with the end of the Ottoman Empire, relations between  
Qatar and Bahrain were fraught with conflict, and in 1937, Abdullah bin  
Jassim al-Thani, the Emir of Qatar suppressed the tribes that considered  
themselves dependent on the Bahraini government. In 1971, Qatar chal-  
lenged Bahrain over the Hawar Islands, which resulted in a naval conflict  
periodically. Especially in 1985, they were about to begin the war over  
borders. This year, after Bahrain started building fortifications on the is-  
land of Fasht ad Dubal, Qatar considered the construction to be a viola-  
tion of the 1978 agreement. And in April 1986, Qatari forces entered the  
island via helicopter and declared it a “prohibited zone”. They arrested  
several Bahraini officials and 29 Dutch contractors employed by Bahrain  
(Islamtimes, 2020).  
In 1987, the two countries agreed to a frame an agreement pro-  
posed by Saudi Arabia. In this situation, it was stated that if Qatar and  
Bahrain cannot resolve the dispute through a comprehensive agreement,  
they will conduct the next negotiations within the framework of inter-  
national laws. Bahrain and Qatar relied on international law to resolve  
their dispute. During the (Persian) Gulf Cooperation Council meeting in  
192  
Seyedmohammad Seyedi Asl The Impact of Border Disputes on Fragile: Case Study of Bahrain and Qatar  
1990, Bahrain agreed on Qatar’s request to refer the border dispute to the  
International Court of Justice (Ebrahim, 2023).  
With the inability of the (Persian) Gulf Cooperation Council to  
resolve the territorial (and border) dispute between Qatar and Bahrain,  
Qatar unilaterally referred the case to the International Court of Justice  
in 1991. Both Qatar and Bahrain claim sovereignty over the oil-rich  
Hawar Islands (controlled by Bahrain since the 1930s), the mainland city  
of Zubarah (currently under Qatari control), Janan Island, and a series of  
uninhabitable reefs important for establishing the baseline for the ma-  
ritime (Seddiq, 2001). On the other hand, in April 1992, Qatar increased  
the width of its coastal waters from three to two miles, which completely  
included the Hawar Islands, which widened the differences in this matter  
(Eghtesadsaramad, 2023).  
After Sheikh Hamed bin Khalifa ascended to the throne in Qatar in  
1995, he took prominent domestic and foreign policies, including a com-  
promise-oriented approach with Bahrain. Nevertheless, Bahrain’s propo-  
sal regarding Saudi mediation in this regard was not accepted. The dispu-  
te between the two countries continued for years until the conviction of  
two Qataris for espionage in Bahrain and participating in the 1999 coup  
in order to return the Emir to power. The mentioned incident led to the  
climax of mutual accusations. In the meantime, a Bahraini Air Force offi-  
cer fled to Qatar with his helicopter. In 2000, the ambassadors of the two  
countries met based on the arrangements of the International Court of  
Justice in order to improve relations and discuss disputes (Mohammadi,  
2015, p. 123). The International Court of Justice resolved these sovereig-  
nty disputes in 2001, at least from the perspective of international law.  
Court awarded Hawar Islands to Bahrain and Jenan and Zubarah Islands  
to Qatar (Giorgio, 2022).  
While the tension between the two countries continued even after  
the agreement, in 2005, Qatar rejected Bahrain’s request to extend the  
gas pipeline between the two countries, despite Bahrain’s offer to buy  
gas from Qatar at standard prices. After the Arab Spring in 2011, ten-  
sions between Bahrain and Qatar turned into concerns about terrorism  
and regional stability, and Bahrain accused Qatar of sponsoring terrorism  
(Ebrahim, 2023). In 2011, despite Qatar conveyance of its military to work  
under a Saudi-led coalition to quell protests in Bahrain, Bahrain accused  
Qatar’s Al Jazeera TV of bias in its coverage of the Bahraini uprising, whi-  
ch caused a diplomatic crisis in August of that year (Afsal, 2021).  
In 2014, Bahrain accused Qatar of offering Qatari citizenship to  
some Bahraini families in exchange for renouncing Bahraini citizenship.  
Middle East Eye reported that Bahrain’s foreign minister openly accu-  
sed Qatar of participating in the “sectarian naturalization” of its citizens.  
The Qatari government facilitated the citizenship of Bahraini tribes by  
facilitating the legal procedures through which they can obtain Qatari  
citizenship (Galeeva, 2022).  
In 2015, bilateral tensions flared over citizenship issues. Bahraini  
Interior Minister Sheikh Rashid bin Abdullah al-Khalifa warned that  
Manama may take action against Doha in response to “Qatar’s un-  
friendly policies and its efforts to tempt Bahrainis to renounce their  
193  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 184-198  
nationality” (Langlois; Giorgio, 2023). The old conflicts over the border  
and political disputes between Qatar and Bahrain reframed in 2017. In  
fact, it can be said that Al-Khalifa used the opportunity of the decision  
of Saudi Arabia, the UAE and Egypt to sanction and punish Qatar for  
supporting the Muslim Brotherhood, to reopen the dispute case. On June  
5, 2017, Bahrain, along with Saudi Arabia, the United Arab Emirates, and  
Egypt, severed air and sea connections with Qatar by issuance of official  
statement arranged by the Ministry of Foreign Affairs. It accused Qatar  
of spreading chaos in Bahrain, destabilizing the region and inciting the  
public opinion of this country through Al Jazeera media. After the crisis  
in Qatar’s foreign relations with its Arab neighbors, Bahrain tried to use  
this opportunity while establishing close relations with the United Arab  
Emirates and Saudi Arabia (Tasnim News Agency, 2022).  
On November 4, 2017, the state of Bahrain issued a statement in  
which it announced that Zubarah was forcibly cut off from Bahrainis who  
have “right” to claim the land and challenge the “legitimacy of Qatar’s  
rule in the Northern Territory. Upon the statement “Bahrain has en-  
dured intolerable conditions and surrendered many of its internationally  
documented historical rights in order to distance the GCC from bilateral  
disputes. The statement refers to the establishment of the (Persian) Gulf  
Cooperation Council in 1981, and confirms the leadership in Manama “it  
agreed to postpone the demand for their rights, accepted the damages  
and gave up what they were entitled to in order to guarantee the unity of  
the Persian Gulf(Al-Jaber &amp; Giorgio, 2017).  
In continuation of the disputes between the two countries, in 2020,  
Bahraini fighters violated Qatar’s airspace and Manama’s commercial  
boats violated Qatar’s territorial waters. Qatar also complained to the  
United Nations and the Security Council to prevent a repeat of such at-  
tempt from Bahrain (Student News Network, 2020). Despite the progress  
made at the Al-Ula meeting in January 2021, relations between Manama  
and Doha remained tense. Qatar went so far as to accuse Bahrain several  
times in December 2021 of violating its airspace and territorial waters  
(Galeeva, 2022).  
In a new controversy about the dispute between Bahrain and Qatar  
over the border islands, the advisor of the king of Bahrain emphasized the  
sovereignty of his country over the island of “Hawar” and its sovereignty  
over the island of “Zubarah” in Qatar. Khalid bin Ahmed, the adviser to  
the king of Bahrain and the former foreign minister of the country, in a  
tweet in response to the widespread request of Qatari users that “Hawar”  
island is Qatari, and said: “Hawar” and “Zubarah” islands belong to the  
people of Bahrain and their rights will not be lost. He added: We have 83  
fake documents that include such claims, but the International Court of  
Justice ruled that Hawar Islands are Bahraini. But “Zubarah” remains,  
whose people, whether the claimants want it or not, are Bahrainis, and  
no matter how much time passes, their rights will not be lost (Tasnim  
News Agency, 2022).  
Recently in December of 2023, the bilateral relations between the  
two countries have been strained once again when Bahrain’s foreign mi-  
nister accused Qatar of not taking any initiative to resolve the differences  
194  
Seyedmohammad Seyedi Asl The Impact of Border Disputes on Fragile: Case Study of Bahrain and Qatar  
with Manama. These statements of the Bahraini minister were made  
following the arrest of a number of Qatari travelers who were entering  
Bahrain through the “King Fahd” bridge (between Saudi Arabia and  
Bahrain). The ministry also accused Doha of not responding to Manama’s  
invitation to send an official delegation to Bahrain to start bilateral talks  
on outstanding issues as soon as possible (Mdeast News, 2022).  
4 CONCLUSIONS  
This study answered to the questions of the impact of border dis-  
putes on the relationships between Bahrain and Qatar. Our findings  
highlight the significance of mutual effects of border lines on the beha-  
vior of people and governments towards themselves, and on the behavior  
and functioning of the border. The governments on both sides of the bor-  
der must exhibit a behavior of cooperation towards each other in order to  
maintain smooth functioning of the border. We conclude that it is Qatar  
and Bahrain to settle the existing border issues between themselves. The  
settlement will not only contribute the political stability in the two coun-  
tries but across Persian Gulf region as a whole and far-reaching global ef-  
fect. One of the key considerations is the formation of local governments  
on the shores of the Persian Gulf, caused by the migration of tribes from  
the peninsula and their settlement on the southern shores of the Persian  
Gulf. These tribes have always been in competition and enmity with each  
other that led to wars and clashes between them. It is also important to  
highlight the territorial importance of the deserts. Once considered of  
little value, their significance increased dramatically with the discovery  
of oil in the region. This, in turn, intensified efforts by countries to en-  
croach upon disputed territories with their neighbors.  
This strategic importance was further compounded by the presen-  
ce of European colonialists, particularly the British, who took control of  
the region from the beginning of the 19th century. Focusing on the fact  
that all the borders of the region were determined by the British in line  
with their imperialist interests and ambitions, had a significant impact  
on the formation of disputes. It is unfortunate that these border dispu-  
tes, between the Arab countries of the Persian Gulf, still ongoing exists  
and causes political instability in the region. In other words, the border  
and territorial disputes between the Persian Gulf countries have not only  
remained as disputes, but have usually been related to border clashes.  
Border disputes between Arab countries are one of the biggest dangers  
fronting the Arab world and threaten the relations between different  
countries.  
Although the International Court of Justice’s (ICJ) verdict appeared  
to conclude the dispute between Qatar and Bahrain, it is still ongoing and  
plays an important role in both nations’ foreign policies. In addition to  
the boundary problems between the two nations, the rulers of Qatar and  
Bahrain have opposing and sometimes incompatible ideological views,  
which have exacerbated the border tensions. For example, as the political  
crisis between Qatar and numerous Arab countries erupted in 2017, bor-  
der disputes between Qatar and Bahrain became apparent.  
195  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 184-198  
Despite the fact that Qatar and Bahrain’s relations were normali-  
zed following the 2017 crisis, it appears that the two countries reconci-  
led in order to maintain the integrity of the (Persian) Gulf Cooperation  
Council. The longstanding divisions between the Al Khalifa and Al Thani  
families, as well as the border and territorial issues, are unlikely to be  
forgotten. It should be noted that the factors behind the continuation of  
border conflicts in the Persian Gulf are complicated, involving problems  
of resources, identity, and security. Although the two neighbors’ territo-  
rial expansionist tendencies toward each other’s lands are obvious (Qatar  
in the Hawar slands and Bahrain in Zubarah), the strategic position of  
the Hawar tourist islands, which also have oil resources, is the most sig-  
nificant factor that has caused disputes between the two countries. We  
concluded that despite the deep-rooted differences and the issue of border  
and territorial disputes between the two countries, in the most optimistic  
case, they are two tactical partners in limited cases and the relationship  
between them will never become a strategic one.  
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198  
Zirui Wu Tianxia como vínculo clave para la cooperación de China con Argentina en el contexto de la reglobalización  
Tianxia como vínculo clave para la  
cooperación de China con Argentina en el  
contexto de la reglobalización  
Tianxia as a key link for China’s cooperation with  
Argentina in the context of reglobalisation  
Tianxia como elo chave para a cooperação da China com  
Argentina no contexto da reglobalização  
1
Zirui Wu  
DOI: 10.5752/P.2317-773X.2025v13.n2.p199  
Enviado em: 18 de outubro de 2024  
Aceito em: 12 de novembro de 2025  
RESUMEN  
En este trabajo se explora la relación bilateral entre China y Argentina desde la  
perspectiva de la reglobalización china, con el propósito de comprender más  
a fondo las oportunidades y desafíos futuros de la cooperación entre ambos  
países, a partir de una reinterpretación de la noción de Tianxia. Dada la trans-  
formación del rol de China en la globalización tradicional y su ascenso como  
centro del poder mundial, Argentina, como país del Sur Global, se ve inevitable-  
mente involucrada en la cadena global de producción liderada por China. A me-  
dida que el comercio y las inversiones de China en Argentina se han ampliado,  
Argentina ha consolidado su posición como país periférico en esta cooperación,  
lo que ha suscitado preocupación entre los académicos, especialmente por la  
posibilidad de que China intente replicar el modelo tradicional de cooperación  
de Europa y Estados Unidos en Argentina.  
Palabras clave: cooperación sino-argentina; sistema Tianxia; reglobalización  
china; cooperación internacional; relaciones internacionales;  
ABSTRACT  
This paper explores the bilateral relationship between China and Argentina  
from the perspective of Chinese reglobalisation, with the aim of gaining a  
deeper understanding of the future opportunities and challenges of cooperation  
between the two countries, based on a reinterpretation of the notion of Tian-  
xia. Given the transformation of China’s role in traditional globalisation and its  
rise as the center of world power, Argentina, as a country of the Global South,  
is inevitably involved in the global production chain led by China. As China’s  
trade and investment in Argentina has expanded, Argentina has consolidated its  
position as a peripheral country in this cooperation, which has raised concerns  
1. Zirui Wu, doctorando en Estudios Latinoamericanos en la Universidad de Salamanca.Forma parte del Grupo  
de Investigación sobre Cooperación Sur-Sur de la Red Española de Estudios del Desarrollo (REEDES). con  
ORCID https://orcid.org/0009-0009-1240-2668. Email para contacto es: ziruiwu@usal.es  
199  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 199-215  
among scholars, especially about the possibility of China attempting to replicate  
the traditional European and US model of cooperation in Argentina.  
Keywords: China-Argentina cooperation; Tianxia system; Chinese reglobalisa-  
tion; international cooperation; international relations;  
RESUMO  
Este artigo explora a relação bilateral entre a China e a Argentina a partir da  
perspetiva da reglobalização chinesa, com o objetivo de aprofundar a compre-  
ensão das oportunidades e desafios futuros da cooperação entre os dois países,  
com base numa reinterpretação da noção de Tianxia. Dada a transformação  
do papel da China na globalização tradicional e a sua ascensão como centro  
do poder mundial, a Argentina, como país do Sul Global, está inevitavelmente  
envolvida na cadeia de produção global liderada pela China. Com a expansão do  
comércio e do investimento da China na Argentina, este país consolidou a sua  
posição de país periférico nesta cooperação, o que tem suscitado preocupações  
entre os académicos, nomeadamente quanto à possibilidade de a China tentar  
replicar na Argentina o modelo tradicional de cooperação da Europa e dos  
Estados Unidos.  
Palavras chave: cooperação China-Argentina; sistema Tianxia; reglobalização  
chinesa; cooperação internacional; relações internacionais.  
1 INTRODUCCIÓN  
Cuatro décadas después de la implementación de la política de re-  
forma y apertura, China ha conseguido un resultado fructífero tanto en  
el ámbito económico como en el político. Por un lado, adoptando una  
postura pragmática y una política de desarrollo basada en el paradigma  
de “Gobierno + Mercado”, China, apoyada en su ventaja comparativa en  
mano de obra, ha aprovechado los recursos provenientes de la globaliza-  
ción tradicional para realizar una transformación industrial de alto valor  
agregado y mejorar su dotación de infraestructuras (Lin; Wang, 2017).  
Por otro lado, frente a la crisis orgánica de la globalización neolibe-  
ral expuesta desde 2008 y el impacto de la corriente de desglobalización  
representada por el trumpismo en la agenda de desarrollo internacional  
(Domínguez, 2020), el gobierno de Xi Jinping ha comenzado a construir  
proactivamente alternativa a la globalización neoliberal, denominada por  
Wang y Cao (2021) como reglobalización. Y la cooperación económica y  
comercial entre China y Argentina en el siglo XXI constituye una encar-  
nación concreta de este proceso histórico.  
Sin embargo, en el contexto del sistema capitalista global, las acti-  
vidades de China enfrentan una profunda resistencia en su implementa-  
ción práctica en Argentina. El actual presidente argentino, Javier Milei,  
como líder de un partido de ultraderecha, ha heredado profundamente  
en términos de sistema político e ideología un sistema teórico y discur-  
sivo que abarca todo el espectro ideológico eurocéntrico, considerando  
la cooperación Sur-Sur (CSS) de China como una continuación del le-  
gado político del peronismo, e intentando remodelar las relaciones con  
Washington para regresar a la órbita estratégica neoliberal. Esta dilución  
de la voluntad política de desacoplamiento no puede eludir la asimetría  
200  
Zirui Wu Tianxia como vínculo clave para la cooperación de China con Argentina en el contexto de la reglobalización  
en las relaciones económicas y comerciales entre Argentina y China y  
la reformulación del modelo centro-periferia, así como las acusaciones  
contra China respecto al objetivo de Argentina de alcanzar un desarrollo  
independiente y autónomo (Bernal-Meza, 2021; Da Gama; Bui, 2022). A  
pesar de que algunos académicos intentan utilizar las teorías chinas de re-  
laciones internacionales que están arraigadas en la cultura autóctona chi-  
na, resulta difícil que constituya desde la perspectiva de China como país  
semiperiférico una superación de la estructura centro-periferia (Babones,  
2017; Zhao, 2005; Zhao, 2021).  
Este trabajo intenta complementar la explicación del concepto del  
sistema Tianxia sobre la CSS de China desde una perspectiva crítica del  
capitalismo global, y busca combinarlo con la teoría de la dependencia  
para construir una perspectiva de análisis sintética de asimetría aceptable  
y analizar las oportunidades y desafíos de la cooperación económica y co-  
mercial entre China y Argentina. Para ello, se opta por una metodología  
de investigación cualitativa que combina literatura académica y documen-  
tos oficiales. En cuanto a la planificación del trabajo, se divide en cuatro  
apartados. En el primero, se repasa brevemente el contexto y la definición  
de la reglobalización china; en el segundo, se clarifica la relación entre la  
teoría del sistema Tianxia y la teoría de la dependencia, así como el marco  
de esta perspectiva integral; en el tercero, se analizan los principales pila-  
res de la reglobalización y los elementos reflejados por el Tianxia; y, en el  
cuarto, se sinteriza la relación de China con Argentina desde el siglo XXI y  
el desarrollo de la cooperación estratégica entre ambas partes. Por último,  
el trabajo cierra con las conclusiones y una reflexión final.  
2 EL CONTEXTO DEL DESARROLLO GLOBAL Y LA DEFINICIÓN DE LA  
REGLOBLALIZACIÓN CHINA  
En un artículo de portada de la revista The Economist publicado en  
2025, se representaba a Trump cortando la relación de Estados Unidos  
con el mundo con una sierra bajo el título Make China Great Again. Este es-  
logan encapsula con precisión una lógica de atribución popular en las re-  
laciones internacionales contemporáneas que el trumpismo, como repre-  
sentante de la corriente neoconservadora de derecha, es la causa principal  
del colapso del orden de la globalización neoliberal y de la fragmentación  
del desarrollo global.  
No obstante, un análisis riguroso, como subraya Michelsen (2023),  
exige deconstruir esta atribución causal. El trumpismo debe ser interpre-  
tado no como el origen de la fragmentación global, sino como la manifes-  
tación política más visible de una crisis orgánica más profunda, inherente  
al capitalismo contemporáneo. Desde el fin de la Guerra Fría, la lógica del  
sistema ha estado dominada por una oligarquía financiera cuyo motor ya  
no es la inversión productiva, sino la extracción de rentas imperialistas  
(Amin, 1977) mediante la expansión global de un modo de producción  
desanclado de toda restricción social, moral o política (Vadell, 2023). Este  
proceso ha reducido el desarrollo en el Sur Global a un resultado pre-  
determinado por las leyes del mercado, generando el fenómeno de cre-  
cimiento sin desarrollo y convirtiendo los mecanismos de cooperación  
201  
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liderados por Occidente en herramientas para la perpetuación del sistema  
centro-periferia.  
Por ello, desde la crisis económica de 2008, los países emergentes,  
con China a la cabeza, han comenzado a explorar rutas de globalización  
alternativas. Si bien algunos autores lo interpretan como un mero “efec-  
to expansivo y optimizador” del orden existente (Wang; Cao, 2021), una  
perspectiva crítica-marxista ofrece una lectura más profunda. Vadell y  
Jabbour (2024) lo conceptualizan como un contramovimiento histórico,  
cuya lógica interna está anclada en la especificidad de la formación eco-  
nómico-social china. No se trata, pues, de una simple reforma, sino de la  
proyección de un todo orgánico —que articula modo de producción, rela-  
ciones Estado-sociedad y arreglos institucionales— como una alternativa  
sistémica a la globalización neoliberal. Un proyecto cuyos instrumentos  
vertebradores son la Iniciativa de la Franja y la Ruta (IFR) y la Iniciativa  
para el Desarrollo Global (IDG).  
El creciente protagonismo de China en el sistema mundial reside,  
en efecto, en su respuesta performativa a los dilemas generados por el  
Consenso de Washington. El éxito del denominado Consenso de Beijing  
no solo ha proporcionado al Sur Global un modelo de desarrollo alternati-  
vo, sino que ha estimulado un descontento estructural con el orden exis-  
tente. Sin embargo, el análisis de los bienes públicos globales que China  
provee se enfrenta a un impasse teórico: los marcos convencionales —  
desde la Teoría de la Dependencia hasta la Transición de Poder— son  
criticados por pertenecer a una genealogía teórica eurocéntrica (Hobson,  
2024). Consecuentemente, tienden a interpretar a China a través del úni-  
co prisma disponible: el de una potencia hegemónica en ascenso (Stalling,  
2021). Dicho posicionamiento se fundamenta en su indiscutible peso eco-  
nómico, su contribución al crecimiento global y su capacidad para mol-  
dear relaciones a través de múltiples mecanismos de poder.  
Frente a este encuadre teórico, y como advirtiera Samir Amin  
(1986), las transiciones históricas solo pueden analizarse a posteriori. La  
propia formación económico-social china —una economía socialista de  
mercado— es conceptualizada como una compleja fase transicional en-  
tre la lógica de acumulación capitalista y una teleología socialista aún  
no resuelta. Es precisamente para navegar esta ambigüedad que Beijing,  
sobre la base de la CSS, ha comenzado a movilizar estratégicamente su  
poder blando, anclándolo en factores culturales y su experiencia histó-  
rica (Domínguez, 2023). La directriz de Xi Jinping (2022) de arraigar la  
cooperación internacional en la excelente cultura china es explícita: se  
trata de una operación consciente para dar forma a una concepción de la  
cooperación con características propias. Esta operación asume los sím-  
bolos culturales tradicionales —con el sistema Tianxia como el más re-  
presentativo— para reforzar una narrativa de legitimidad interna y una  
autoconfianza estratégica diferenciada (Staiano, 2023; Zhang, 2012). Los  
atributos de la reglobalización, por tanto, deben ser entendidos como el  
resultado de una doble proyección: la del Estado-nación (la CSS) y la del  
Estado civilizado (cultura autóctona).  
La Teoría del Sistema-Mundo advierte, no obstante, que este pro-  
ceso podría no alterar la arquitectura central del capitalismo global, sino  
202  
Zirui Wu Tianxia como vínculo clave para la cooperación de China con Argentina en el contexto de la reglobalización  
meramente instalar un nuevo garante. Sin embargo, ignorar las oportuni-  
dades de movilidad ascendente que China introduce para los países peri-  
féricos, como sugiere Li (2016), sería un error analítico. En consecuencia,  
y para superar el impasse teórico descrito, este trabajo propone un marco  
de análisis sintético: la asimetría aceptable. Combinando la potencia crí-  
tica de la Teoría de la Dependencia con la lógica relacional del sistema  
Tianxia, esta perspectiva busca explicar precisamente cómo China y los  
países del Sur Global negocian la tensión entre dependencia y oportuni-  
dad en el interregno de la reglobalización.  
3 EL SISTEMA TIANXIA Y LA TEORÍA DE LA DEPENDENCIA: UNA  
RELACIÓN DE COOPERACIÓN ACEPTABLE PERO DESIGUAL  
Desde el inicio del siglo XXI, el auge del Oriente Global ha venido  
acompañado de un renacimiento civilizatorio y una autoconciencia cul-  
tural en Asia Oriental (Sun, 2023), lo que ha llevado a que la mirada global  
se focalice en esta región antigua, históricamente considerada como el  
centro económico y político mundial. Como un líder importante en el  
antiguo sistema de Asia Oriental, la reinterpretación moderna del sistema  
Tianxia, basada en el pensamiento confuciano, refleja la orientación de  
valor de la política exterior con características chinas y la construcción de  
su sistema narrativo de discurso global (Lemus-Delgado, 2020).  
Según Zhao (2005), Tianxia pertenece a China, pero el sistema  
Tianxia es del mundo. Estos investigadores contemporáneos del sistema  
Tianxia, basados en la normatividad confuciana, sostienen firmemente  
que este sistema es la mejor alternativa que China ofrece para la reconfi-  
guración del orden global, ya que refleja una insatisfacción con el neoim-  
perialismo desde la perspectiva del sistema-mundo capitalista. Esto se  
debe a que la invariancia de la ideología dominante bajo el sistema-mun-  
do capitalista, caracterizado por el imperialismo, no puede alcanzar un  
estado global de una orientación hacia el bienestar de toda la humani-  
dad, aspirando a un estado perpetuo de paz universal (Amin, 2007; Amin,  
2011; Qian; Ye, 2017), y distorsiona la ley de la evolución universal del ser  
humano como sujeto histórico desde una perspectiva de desarrollo. Esto  
no es lo que requieren los principios de beneficio mutuo y compatibilidad  
universal del orden mundial, ni constituye una condición necesaria para  
la solidaridad y el desarrollo autónomo en el verdadero sentido del Sur  
Global (Yao, 2019).  
Desde esta perspectiva, el Tianxia es presentado como una ideolo-  
gía poscolonial con la capacidad de efectuar una superación civilizatoria  
del sistema Westfaliano, trascendiendo su lógica de conflicto soberano.  
Su objetivo es diseñar una postura internacional que refleje los valores co-  
munes de la humanidad, articulada sobre un principio de maximización  
de la cooperación y minimización del conflicto (Zhao, 2021). Al hacerlo,  
el sistema Tianxia busca proveer a la política global de China de una justi-  
ficación de legitimidad moral no-hegemónica (Qin, 2012), diferenciándola  
programáticamente de las potencias occidentales.  
A pesar de su potencia normativa, la teorización contemporánea  
del Tianxia adolece de una abstracción filosófica que limita su poder  
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explicativo. Este idealismo (Bell, 2016), al operar en un plano transregio-  
nal, corre el riesgo de la irrelevancia analítica frente a la asimetría objetiva  
que caracteriza la CSS de China en el sistema capitalista global (Banones,  
2017; Zhao, 2021). Para que el Tianxia funcione, por tanto, como un siste-  
ma de discurso global efectivo, exige una puesta a tierra dialéctica, es de-  
cir, su puesta en correlación con la Teoría de la Dependencia. Lejos de ser  
una yuxtaposición forzada, esta articulación es históricamente coherente.  
Ambas perspectivas —la dependencia como pensamiento crítico marxis-  
ta y el Tianxia como sabiduría intrínseca a la modernidad no-occidental  
(Yao, 2019)— constituyen las dos caras de la misma moneda crítica del  
desarrollo: construyen una oposición conjunta a la explotación del capital  
imperialista y a la narrativa eurocéntrica. Dicha correlación responde,  
además, a una doble necesidad contemporánea: por un lado, la demanda  
de un modelo de desarrollo alternativo y por otro, el imperativo geoes-  
tratégico del Sur Global en el contexto de la competencia entre China y  
Estados Unidos. La construcción de esta perspectiva, por tanto, no es un  
mero ejercicio utópico, sino la forja de una utopía realista: un marco que  
debe anclarse en el mundo real de las interacciones recíprocas y las con-  
tradicciones materiales que definen el ascenso del Sur Global.  
LaarticulaciónentreelsistemaTianxiaylaTeoríadelaDependencia  
no es una mera yuxtaposición teórica, sino que encuentra su punto de  
anclaje conceptual en la cuestión de la legitimidad fáctica del desarrol-  
lo. Como argumentara Amin (1977), el modo de producción del Tianxia  
representa la formación precapitalista más madura precisamente porque  
su singularidad radicaba en una base económica anti-alienación: una alta  
unificación de productores, medios de producción y productos del traba-  
jo. Este desarrollo endógeno, fundamentado en la producción agrícola  
familiar, evitó la valorización ilimitada del capital y forjó una conciencia  
política que priorizaba la economía real. Dicha base material, a su vez,  
determinó una relación única Estado-sociedad en la que el Estado, para  
asegurar su propia base de gobierno, se veía compelido a actuar como  
principal inversor del sector agrícola. Esta estructura generó un contrato  
social de facto centrado en el pueblo (Minbenismo), donde la garantía  
del bienestar popular —”cuando los graneros están llenos, el pueblo ob-  
serva normas de conducta”— se erigía como el núcleo de la legitimidad  
del régimen. Es precisamente este fundamento material compartido, que  
es una crítica a la alienación capitalista y una priorización del desarrollo  
endógeno, lo que explica la convergencia teórica de ambas perspectivas  
en su oposición a la explotación imperialista y a la narrativa eurocéntrica.  
Al respecto, Amin (1977, p.53) señala:  
La clase estatal que se organizó a escala nacional no era, a pesar de  
las nociones ampliamente sostenidas, particularmente despótica…tenía  
en cuenta el interés público y organizaba obras públicas de gran utili-  
dad…el poder del estado, que era característico de estas formaciones en  
su condición desarrollada, daba al modo de pago de tributo una clara  
dominancia dentro de ellas.  
Este modelo de desarrollo inspira el retorno de los valores socia-  
listas centrados en el pueblo y el desarrollismo de Estado, al tiempo que  
satisface el esquema teórico de la perspectiva de la dependencia para que  
204  
Zirui Wu Tianxia como vínculo clave para la cooperación de China con Argentina en el contexto de la reglobalización  
los países de desarrollo tardío alcancen la equiparación económica dentro  
2
del contexto de la CSS de China .  
Partiendo de la legitimidad del desarrollo como eje conceptual co-  
mún, la relación asimétrica de China con el Sur Global revela su dinamis-  
mo. La clave analítica para comprenderlo se encuentra en la lógica com-  
pensatoria del sistema tributario histórico, donde la paz duradera se arti-  
culaba sobre un mecanismo en el que la igualdad informal contrarrestaba  
la desigualdad formal. Kang (2010) deconstruye este mecanismo como  
una reciprocidad asimétrica que descansaba sobre tres pilares interconec-  
tados, derivados de la combinación de la autoridad legítima y el poder  
material de China. El primer pilar era político-estratégico: el compromiso  
creíble y el autocontrol moral del centro aliviaban el dilema de seguridad  
de los estados subordinados (Yan, 2016). El segundo era material-econó-  
mico: la provisión de una base material sólida por parte de China gene-  
raba una legitimidad por desempeño que garantizaba tanto el desarrollo  
periférico como la estabilidad de sus élites gobernantes. El tercer pilar era  
normativo-cultural: un sistema de valores confucianos compartidos otor-  
gaba un significado estable y un propósito constructivo a la desigualdad  
inherente al orden. Es la conjunción de estos tres factores lo que consti-  
tuía, y define para este trabajo, una relación de asimetría aceptable.  
En consecuencia, la lógica de la asimetría aceptable se operaciona-  
liza en la praxis contemporánea de la CSS china. Al examinar su funcio-  
namiento en el sistema capitalista global, se constata que China enfrenta  
una desigualdad formal ineludible, producto de su disparidad de poder  
objetiva (tamaño económico, nivel tecnológico, influencia geopolítica).  
La implementación del Tianxia, por tanto, no busca negar esta asimetría,  
sino contrarrestarla activamente a través de la institucionalización de una  
serie de mecanismos de igualdad informal. En este contexto, la desigual-  
dad formal se define como la presión estructural inherente al sistema ca-  
pitalista global, generada por las brechas objetivas de poder (económico,  
industrial, tecnológico y geopolítico) que prefiguran una asimetría rela-  
cional. En contraposición, la igualdad informal no niega esta brecha, sino  
que opera como una praxis contrahegemónica. Su objetivo es resignificar  
la cooperación en el plano político y cultural, de modo que, adhiriendo a  
principios comunes como la CSS, se contrarreste activamente la presión  
estructural para construir una relación de facto igualitaria.  
Estos mecanismos se despliegan sobre los mismos tres pilares anali-  
zados previamente. A nivel político, los Cinco Principios de Coexistencia  
Pacífica y la no injerencia funcionan como un compromiso de liderazgo  
moral que garantiza la autonomía del Sur Global. A nivel económico, el  
enfoque en la transformación estructural (Lin; Wang, 2017) busca satis-  
facer las estrategias de desarrollo endógeno de los socios, creando capaci-  
dades y promoviendo su autosuficiencia. Finalmente, a nivel normativo,  
se articula una orientación de valor centrada en el pueblo y anclada en los  
2. Como mencionó Xi Jinping en 2019 en el Cuarto Pleno del XIX Comité Central del Partido Comunista de  
China, «las políticas socialistas con características chinas y su sistema de gobernanza tiene un profundo fun-  
damento histórico. Su esencia radica en la afirmación del minbenismo y de que la moralidad debe prevalecer  
sobre los códigos de leyes, usando para educar a los pueblos»;  
205  
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principios de la CSS. El sistema Tianxia, por tanto, no debe ser entendido  
como un modelo a exportar, sino como el paradigma orientador que pro-  
vee la matriz para una praxis internacional diferenciada, buscando dise-  
minar una normatividad alternativa en el período poscolonial.  
4 LA REGLOBALIZACIÓN: DESDE IFR HASTA LA IDG  
El binomio paz-desarrollo ha constituido el eje vertebrador de la  
agenda internacional de China. Su política de cooperación evidencia una  
fuerte continuidad que se extiende desde la Conferencia Afroasiática de  
Bandung en 1955 hasta la reciente IDG, articulando un mensaje central:  
sin paz no hay desarrollo y, a su vez, el desarrollo funge como facilitador  
de la paz. Este planteamiento es coherente con la noción de “comunidad  
de futuro compartido para la humanidad” y se erige como pilar para la  
construcción de lo que Beijing ha definido como un “nuevo tipo de rela-  
ciones internacionales basadas en el respeto mutuo, la equidad, la justicia  
y la cooperación ganar-ganar” (Xinhua, 2017).  
Frente al escenario de desglobalización y la reconfiguración del or-  
den mundial, el presidente Xi Jinping presentó la GDI ante la 76ª Asamblea  
General de las Naciones Unidas en septiembre de 2021. La iniciativa busca  
alinear la cooperación china con la Agenda 2030, acelerando la imple-  
mentación de sus Objetivos de Desarrollo Sostenible (Dueñas, 2024). De  
forma simultánea, la GDI representa una estrategia de multilateraliza-  
ción de la cooperación internacional con un marcado énfasis en el Sur  
Global, buscando articular un consenso entre estos países para transitar  
hacia un desarrollo global “más robusto, más verde y más equilibrado”  
(Xinhua, 2021).  
La adopción de la IDG puede interpretarse como una manifestación  
del escepticismo de Beijing sobre la validez de las estrategias de desarrollo  
occidentales (Mulakala, 2022). En el contexto del proyecto de reglobali-  
zación que China aspira a liderar (Domínguez, 2023), la transición de su  
cooperación desde la IFR hasta la IDG resulta coherente. La IFR, descrita  
como una “nueva fase incluyente de la globalización” (Domínguez, 2023),  
se fundamenta en una política de desarrollo que, mediante la prolifera-  
ción de la cooperación regional, busca promover el paradigma chino y  
corregir los desequilibrios del desarrollo global. En ese sentido, Beijing  
sostiene que la implementación conjunta de la IFR y la IDG constituye  
una vía eficaz para promover los intereses comunes de la humanidad  
(Lin; Wang, 2017; Zhang, 2022).  
La IFR no solo responde a imperativos de la política exterior y la es-  
trategia económica de China, sino que también ha servido para construir  
la plataforma estratégica sobre la cual se despliega la IDG. Ambas iniciati-  
vas corren en pistas paralelas (Mulakala, 2022), implicando un reajuste que  
representa una transición: se transita desde un modelo de cooperación (la  
IFR) centrado en el poder material y orientado a la exportación de capacidad  
instalada, hacia uno (la IDG) más enfocado en el desarrollo “centrado en la  
gente” y la “coexistencia armoniosa” con la naturaleza. Esto responde a la  
necesidad de China de buscar el upgrading de su política de Cooperación  
Sur-Sur (CSS) para reforzar su poder inteligente (Domínguez, 2023).  
206  
Zirui Wu Tianxia como vínculo clave para la cooperación de China con Argentina en el contexto de la reglobalización  
Así, mientras la fase inicial de la IFR fue cuestionada por privilegiar  
la cantidad sobre la calidad de los proyectos, con los consecuentes impac-  
tos socioambientales y de vulnerabilidad fiscal en los países receptores  
(Domínguez, 2023; Lin; Wang, 2017; Slipak, 2014), la IDG busca absorber  
a nivel de valores y estrategia las connotaciones del pensamiento relacio-  
nal del Tianxia y del materialismo histórico. De este modo, Beijing repo-  
siciona el propósito de su modelo de CSS, planteando una superación del  
desarrollismo occidental (capital-céntrico) mediante una concepción de  
desarrollo (pueblo-céntrica).  
El desarrollo centrado en el pueblo, uno de los seis principios de la  
IDG, funge como eje discursivo y núcleo legitimador del modelo chino,  
tal y como fue reafirmado en el XX Congreso Nacional del PCC. La alo-  
cución de Xi Jinping sobre el pueblo como creador de la historia y el pro-  
pósito fundamental del Partido de servir al pueblo”presenta una fuerte  
continuidad doctrinal (Zhang, 2022).  
Dicha continuidad se refleja en los libros blancos sobre cooperación  
internacional de 2014 y 2021, los cuales priorizan la mejora de los medios  
de vida y el beneficio tangible para la gente común como objetivo de la  
acción exterior china. Esta imbricación entre la gobernanza interna y la  
proyección internacional puede analizarse desde la perspectiva del realis-  
mo moral: la confianza de la comunidad internacional en una potencia  
no se genera si esta no demuestra ser responsable primero de sus propios  
intereses nacionales (Yan, 2016). En la narrativa de Beijing, el bienestar de  
su población es la máxima expresión de ese interés nacional, sirviendo así  
como fundamento de su credibilidad y legitimidad externas.  
Adhiriéndose a una orientación de valor centrada en el desarrollo y  
la creación de capacidades, China consolida su rol como pionera de la CSS.  
Esta política, caracterizada por el pragmatismo y la precisión (Lin; Wang,  
2017), ha experimentado un upgrading institucional con la creación de la  
Agencia China de Cooperación Internacional para el Desarrollo (CIDCA)  
en 2018. La materialización de esta estrategia es evidente: a fines de 2023,  
el stock de inversión directa en los países de la IFR superó los 300 mil  
millones de dólares, mientras el volumen de negocios de proyectos con-  
tratados alcanzó casi los 2 billones de dólares (INVESTMENT REPORT,  
2023). En paralelo, China ha impulsado la multilateralización de su coo-  
peración mediante la creación del Fondo de Asistencia para la CSS en  
2015, el cual fue refundado y ampliado con 1.000 millones de dólares adi-  
cionales en el marco del Diálogo de Alto Nivel sobre el Desarrollo Global  
de 2022 (CIDCA, 2022). Dicho fondo ha financiado más de 180 proyectos  
en 60 países, beneficiando a más de 30 millones de personas (CIKD, 2025).  
Este modelo se contrapone a las narrativas del G7, que recurren al  
meme fabricado en Occidente de la trampa de deuda (Brautigam, 2020)  
para desacreditar los resultados de la IFR. Frente a la autolimitación que  
el enfoque neoliberal impone a la cooperación del CAD-OCDE, la re-  
globalización de China se sustenta en una tipología de relaciones inter-  
nacionales —basada en los Cinco Principios de Coexistencia Pacífica y  
el binomio paz-desarrollo— que rechaza las condicionalidades políticas.  
Más allá, debido al enfoque especial en la ventaja comparativa, que se  
beneficia a los países en desarrollo realizar upgrading industrial, China  
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pretende establecer un mecanismo de cooperación horizontal, de modo  
que la interacción entre China y el Sur se caracteriza por una colabora-  
ción multiforme y de beneficio mutuo, a través de un modelo innovador  
de aprendizaje conjunto y transformación concertada (Lin; Wang, 2017).  
Todo ello se desarrolla en el contexto de la competencia estratégi-  
ca que Estados Unidos ha intensificado mediante políticas de contención  
y coerción económica, como la estrategia de Friendshoring, con el fin  
de obstruir el ascenso de China como potencia emergente. Esta ofensi-  
va ha socavado el equilibrio previo (denominado Chinese Money and  
American Policy), forzando a Beijing a reconfigurar sus herramientas de  
poder. Para superar su dilema de ascenso, China debe complementar su  
poder material con un emprendimiento normativo que intensifique el  
diálogo político con el Sur Global.  
Aquí es donde opera el realismo moral: la clave para asegurar el  
respaldo estratégico de la comunidad internacional radica en que el nue-  
vo orden promovido por China atienda los intereses y necesidades de los  
países en desarrollo, ofreciendo bienes públicos globales y valores percibi-  
dos como más justos, en superación de la orientación eurocéntrica del or-  
den internacional basado en reglas de Washington (Yan, 2015; Yan, 2024).  
El gobierno de Xi Jinping ha interpretado esta tendencia histórica,  
promoviendo la IDG como el componente esencial de su esfuerzo por  
reformar la gobernanza global. Como señala Cheng (2021), la asociación  
de China con el Sur Global (notablemente el G77) sigue siendo la caracte-  
rística clave de su política exterior, manifestada en una oposición común  
al injusto orden internacional establecido por los países centrales. Así,  
mediante la IFR y la IDG, China no busca comprar apoyos, sino construir  
coaliciones para la acción colectiva, ofreciendo condiciones ventajosas y  
mecanismos innovadores de cooperación al Sur Global.  
La IDG proyecta un enfoque universalista enraizado en la filo-  
sofía relacional e incluyente del Tianxia, ajena a la idea de hegemonía  
(Domínguez, 2023). Este enfoque permite a China abordar el sesgo es-  
tructural hacia el Norte que prevalece en el sistema internacional. La  
creación del Grupo de Amigos de la IDG en Naciones Unidas (Progress  
Report on the Global Development Initiative 2023) refuerza este com-  
promiso. Representa un ejercicio de poder blando basado en un enfoque  
relacional que busca la consecución de consensos, distanciándose de la ló-  
gica competitiva y de suma cero que caracteriza la diplomacia occidental.  
La esencia de esta comunidad no es solo de intereses, sino de res-  
ponsabilidad. Los mecanismos de la IDG, basados en la “consulta, contri-  
bución y beneficios compartidos” (Xinhua, 2023b), reinterpretan el prin-  
cipio de “responsabilidades comunes pero diferenciadas” (Staiano, 2023;  
Wang; Cao, 2023; Yan, 2024). Cada país asume un nivel de responsabili-  
dad acorde a su capacidad, promoviendo una distribución equitativa de  
los bienes públicos globales. Esto representa un esfuerzo consciente por  
redefinir las dinámicas de poder. En suma, la IDG es fundamental para  
posicionar a China como la única fuerza capaz de articular una nueva  
globalización contrahegemónica, incentivando lo que Amin (2010) deno-  
minó el “segundo despertar del Sur.  
208  
Zirui Wu Tianxia como vínculo clave para la cooperación de China con Argentina en el contexto de la reglobalización  
5 TIANXIA COMO VÍNCULO DE LA COOPERACIÓN CHINA CON  
ARGENTINA EN EL SIGLO XXI  
Frente a la creciente centralidad de China en la cadena de produc-  
ción global, Argentina —una economía semiperiférica marcada por la  
desindustrialización y las crisis recurrentes de deuda— ha enfrentado  
una volatilidad endémica en sus políticas de desarrollo. Esta fragilidad  
estructural ha condicionado su acción exterior. Con la excepción de las  
administraciones iniciales de derecha, los sucesivos gobiernos han adop-  
tado un pragmatismo diplomático, adhiriendo a los principios de la CSS  
y evitando confrontaciones ideológicas, a cambio de acceso a la financia-  
ción china y la expansión del comercio bilateral.  
Por consiguiente, la interacción bilateral ha sido eminentemente  
geoeconómica. El milagro sin precedentes del cambio estructural chino,  
con su correlato de urbanización y expansión de la clase media, ha gene-  
rado una demanda masiva de productos primarios (Lin, 2017). Esto ha  
consolidado un patrón de comercio asimétrico pero mutuamente benefi-  
cioso, donde Beijing prioriza la seguridad de recursos (alimentos y mate-  
rias primas) de Sudamérica para satisfacer las necesidades de su mercado  
interno (Oviedo, 2015).  
Como resultado, la densidad de esta relación asimétrica se profun-  
dizó en la segunda década del siglo XXI. Entre 2020 y 2022, China absor-  
bió el 8.7% de las exportaciones argentinas y proveyó el 20.9% de sus im-  
portaciones (CEPAL, 2023). Sin embargo, esta interdependencia refuerza  
la inserción periférica de Argentina: las exportaciones clave se concentran  
en commodities (soja, carne bovina, cebada, sorgo y aceite de soja). La de-  
manda china (que ascendió a 7.140 millones de dólares en importaciones  
desde Argentina en 2021) incentiva los precios de estos productos, pero a  
la vez refuerza la reprimarización de la economía argentina, limitando su  
upgrading industrial (CEPAL, 2023).  
Paralelamente, la Inversión Extranjera Directa china ha experi-  
mentado un salto cualitativo. Entre 2020 y 2023, Argentina se convirtió  
en un destino principal de la IED china en la región, alcanzando 10.411  
millones de dólares (frente a los 2.998 millones del período 2015-2019),  
generando 16.940 empleos (Peters, 2024). Esta afluencia de capital, crucial  
para la financiación del desarrollo en un contexto de exclusión de los mer-  
cados de capital occidentales, se dirige predominantemente a sectores es-  
tratégicos funcionales a la exportación de capacidad instalada de Beijing  
y a la consolidación de su seguridad alimentaria.  
Este empirismo comercial, sin embargo, ha puesto de relieve la asi-  
metría estructural que caracteriza la relación sino-argentina dentro del  
sistema capitalista global. El persistente superávit chino y su exportación  
de bienes de media y alta tecnología profundizan la tendencia a la repri-  
marización de la economía argentina, haciendo que su canasta exporta-  
dora se asemeje a un patrón decimonónico, lo que genera serias dudas  
sobre sus perspectivas de upgrading industrial.  
No obstante, la gobernanza macroeconómica argentina ha estado  
condicionada por la necesidad de controlar la inflación. Desde esta pers-  
pectiva, la exportación de commodities agropecuarios a China constituye  
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estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 199-215  
una estrategia geoeconómica de corto plazo. El pragmatismo económico  
dicta que el fortalecimiento de esta cooperación permite la importación  
de manufacturas a un coste inferior al de la producción local (López,  
2024), mitigando presiones inflacionarias, al tiempo que la capacidad del  
sector agrícola genera un flujo vital de divisas. De acuerdo con la Nueva  
Economía Estructuralista (Lin; Wang,2017), esta estrategia permitiría a  
Argentina utilizar el comercio con China para lograr la acumulación de  
capital necesaria para una eventual modernización industrial.  
Con el despliegue de la Iniciativa de la IFR en América Latina, el  
gobierno de centroderecha de Mauricio Macri buscó con pragmatismo  
renegociar los términos de esta relación asimétrica. Se hizo evidente que  
la cooperación bilateral no podía sustentarse únicamente en el comercio  
tradicional (Lin, 2017), lo que abrió la posibilidad de avanzar hacia una  
asociación estratégica desigual, pero capaz de generar nuevos espacios de  
cooperación siguiendo los principios de la CSS de China.  
De hecho, la rápida expansión de China no se limita a una visión  
económica, sino que se fundamenta en una estrategia integral para la  
reconfiguración de su poder global. Esta perspectiva coincide con el pro-  
yecto de reglobalización de Beijing, el cual avanza más allá de la esfera  
económica hacia ámbitos políticos y de poder inteligente. En el contexto  
de esta reglobalización, las relaciones sino-argentinas comienzan a incor-  
porar los elementos filosóficos del sistema Tianxia. Como indica Jorquera  
Mery (2021), la clave para esta integración es la cooperación multinivel.  
Mediante este mecanismo, China busca establecer una relación armónica  
y relacional (económica, política y cultural), reforzando el reconocimien-  
to de una identidad común (Sur-Sur) como vehículo de su poder blando y  
facilitando la adaptación de Argentina a un orden alternativo al hegemó-  
nico occidental.  
En este sentido, en el fortalecimiento de su cooperación multini-  
vel con Argentina, Beijing ha mantenido consistentemente su identidad  
dual: por un lado, como país del Tercer Mundo y, por otro, proyectan-  
do su rol de gran potencia responsable. Esta narrativa busca promover  
el desarrollo conjunto y los “beneficios mutuos” (ganar-ganar). Como  
enfatizó Xi Jinping en su reunión con Alberto Fernández durante la III  
Cumbre de la IFR (2023), siendo ambos “importantes países en desar-  
rollo”, China y Argentina deben intensificar su alianza para servir de  
modelo a la solidaridad y cooperación entre los países del Sur Global  
(Ministerio Exteriores, 2023).  
La institucionalización de esta alianza estratégica global, acordada  
en 2014, se profundizó e integró en el proyecto de reglobalización chino  
con la ratificación formal de la adhesión de Argentina a la IFR en 2022  
(Cancillería Argentina, 2022). La declaración conjunta de ese año subraya  
la confianza mutua y la ampliación de la cooperación en el ámbito de  
economía, comercio, agricultura, ciencia y tecnología, intercambio de di-  
visas y cultura.  
Sin embargo, el eje vertebrador de esta asociación trasciende lo me-  
ramente geoeconómico para adentrarse en lo geopolítico. Se materializa  
en un apoyo recíproco sobre cuestiones de soberanía que son centrales  
para ambos Estados: Beijing apoya firmemente la reclamación argentina  
210  
Zirui Wu Tianxia como vínculo clave para la cooperación de China con Argentina en el contexto de la reglobalización  
sobre las Islas Malvinas, mientras que Buenos Aires adhiere al principio  
de “Una Sola China” respecto a Taiwán. Más aún, ambas partes coordinan  
activamente sus posiciones en plataformas multilaterales como el G20,  
buscando amplificar la voz de los países en desarrollo y abogando por una  
reforma del sistema financiero internacional que desafíe la dominación  
del Norte Global. Es precisamente esta convergencia —la construcción  
de una coalición para la acción colectiva— la que forja una cosmovisión  
estratégica compartida y una confianza política que trasciende la mera  
transacción económica (Lin, 2023).  
Adicionalmente, la exclusión de Argentina de las instituciones fi-  
nancieras occidentales derivada de su histórica crisis de deuda generó un  
déficit crónico en la financiación de infraestructuras a gran escala, resul-  
tando en una crisis energética. China ha llenado este vacío. Los acuerdos  
de 2014, cuya piedra angular fue el préstamo de 4.7 mil millones de dó-  
lares de un consorcio bancario como CDB, ICBC, Banco de China para  
la construcción de las centrales hidroeléctricas en el Río Santa Cruz, a  
cargo del Grupo Gezhouba, son un claro ejemplo de esta provisión de  
bienes públicos que Occidente, por su autolimitación neoliberal, no pue-  
de ofrecer. Este proyecto, que aumentará la capacidad instalada en un  
6.5%, y otros dirigidos a subsanar el obsoleto sistema logístico del país,  
son funcionales tanto a la competitividad exportadora argentina como a  
la seguridad de recursos china.  
Esta cooperación geoeconómica se extiende al ámbito moneta-  
rio, como parte del proceso de desdolarización del Sur Global. China y  
Argentina acordaron un swap de divisas por 18.5 mil millones de dóla-  
res en 2020 (La Nación, 2023), ampliado con un tramo de 5.000 millones  
en 2023. Aunque la internacionalización del RMB enfrenta limitaciones  
técnicas (la apertura incompleta de la cuenta de capital) (Iglesias and  
Agote, 2023), su atractivo geopolítico es innegable. A diferencia del dólar,  
la financiación china rechaza las condicionalidades políticas neoliberales.  
Esto convierte al swap en una alternativa tangible a la hegemonía del dó-  
lar, aliviando la presión sobre las reservas argentinas y fomentando el uso  
de arquitecturas financieras paralelas como el CIPS.  
Considerando la asimetría estructural de la relación, la estrategia  
de Argentina y China consiste en aprovechar las plataformas multilate-  
rales del Sur Global para fortalecer su cooperación y, a la vez, construir  
coaliciones para la acción colectiva que reequilibren el poder global. Esto  
constituye el vórtice del sistema Tianxia (Zhao, 2021): una filosofía rela-  
cional e incluyente. El poder normativo de este sistema se basa en el para-  
digma Do As I Do (Gabrieca; Qin, 2024), donde China proyecta su propio  
modelo de desarrollo como un bien público, permitiendo a los países del  
Sur enfocarse en el desarrollo colectivo. El discurso de Alberto Fernández  
(CASA ROSADA, 2023), apoyando explícitamente la IDG como una “lógi-  
ca cooperativa” para enfrentar desafíos comunes, confirma la adhesión de  
Argentina a este emprendimiento normativo.  
Este emprendimiento institucional fue evidente en la III Reunión  
Ministerial del Foro China-CELAC. Wang Yi posicionó la IDG como un  
reflejo de los intereses comunes de ALC, buscando su participación proac-  
tiva en una nueva era de relaciones de igualdad, pluralismo, y beneficio  
211  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 199-215  
mutuo. Esto sitúa a ALC como una plataforma crucial para la reglobali-  
zación china, perfilando a Beijing como un líder conectivo y no hegemó-  
nico en la CSS y logrando una multilateralización de facto de su coope-  
ración. Este multilateralismo no compite con las estructuras regionales  
existentes, sino que se alinea con ellas y aprovecha sus fortalezas (CASA  
ROSADA, 2023). Asimismo, la propuesta de la IFR y la IDG facilitan que  
Argentina aproveche sus ventajas comparativas en las redes agrícolas y  
los recursos minerales, configurando una relación interdependiente y  
mutuamente beneficiosa con otros países de la región, con el objetivo de  
alcanzar la autosuficiencia colectiva de los países latinoamericanos.  
CONCLUSIÓN  
A través del análisis de la evolución dinámica de las relaciones si-  
no-argentinas, este trabajo ha argumentado que la asimetría aceptable  
emerge como un marco analítico central para comprender la interacción  
de China con el Sur Global. Se constata que la desigualdad formal fue  
pragmáticamente aceptada por Argentina en tanto esta asociación satis-  
facía sus necesidades estratégicas, proveyendo financiación para el desar-  
rollo allí donde el orden internacional liberal y sus condicionalidades la  
negaba. A diferencia de las teorías occidentales sobre la naturaleza impe-  
rialista de la globalización, la IDG, inspirada en la filosofía relacional del  
Tianxia, proyecta una narrativa de desarrollo colectivo y armónico que  
busca superar los enfoques desarrollistas tradicionales.  
No obstante, este proyecto filosófico se enfrenta a las lógicas com-  
petitivas de la Nueva Guerra Fría entre China y Estados Unidos. En este  
escenario de paz inestable, Tianxia no es suficiente para que países como  
Argentina se desprendan de la presión bipolar. Esto conduce a los países  
subalternos a un cálculo pragmático: su alineamiento dependerá menos  
de la “sinceridad” de las motivaciones chinas que de la capacidad material  
de Beijing para proveer eficazmente bienes públicos globales que den so-  
lución a sus dilemas de desarrollo.  
El discurso oficial de China intenta ofrecer una respuesta sistémica.  
El libro blanco La cooperación internacional al desarrollo de China en la  
nueva era remonta sus motivaciones a las raíces culturales de Tianxia y  
subraya su historia de internacionalismo y humanitarismo en apoyo a los  
países en desarrollo (CHINA-SCPRC, 2021).  
Frente a esta demanda pragmática, el discurso oficial de China  
ofrece una respuesta sistémica, que sitúa su acción exterior en una con-  
tinuidad histórica de internacionalismo y humanitarismo (el Espíritu de  
Bandung), legitimada por las raíces culturales del Tianxia. Pero la res-  
puesta más contundente es el emprendimiento institucional. Sobre la  
base de las iniciativas de Desarrollo, Seguridad y Civilización, China ha  
propuesto la “Iniciativa para la Gobernanza Global” (2025) (Ministerio  
Exteriores, 2025).  
Esta última iniciativa busca institucionalizar su proyecto de re-  
globalización, articulando un orden alternativo al basado en reglas de  
Washington. Sus conceptos centrales como igualdad soberana, multi-  
lateralismo real y pragmatismo están diseñados para salvaguardar los  
212  
Zirui Wu Tianxia como vínculo clave para la cooperación de China con Argentina en el contexto de la reglobalización  
intereses del Sur Global y consolidar la imagen de China como un provee-  
dor de bienes públicos globales y promotor de la “comunidad de futuro  
compartido”.  
Por lo tanto, la reflexión de fondo, en el marco del sistema capita-  
lista global, es la dialéctica entre el proyecto de reglobalización de China  
(con el Tianxia como software filosófico) y las demandas materiales del  
Sur Global. La cuestión vital es si la conexión entre el pensamiento autóc-  
tono chino y los principios de la Cooperación Sur-Sur será suficiente para  
evitar que la acción exterior de China, en su ascenso como cuasi-centro  
del sistema mundial, termine por reproducir las mismas prácticas impe-  
riales y de dualismo envolvente que hoy critica.  
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The Quiet Architects of Global Governance:  
Small State Agency in an Era of Diffuse  
Authority  
Os Arquitetos Silenciosos da Governança Global: A Agência  
dos Pequenos Estados em uma Era de Autoridade Difusa  
Los Arquitectos Silenciosos de la Gobernanza Global: La  
Agencia de los Pequeños Estados en una Era de Autoridad  
Difusa  
1
Shamkhal Mammadov  
2
Zeynalabdin Naghisoy  
3
Muharrem Bagir  
DOI: 10.5752/P.2317-773X.2025v13.n2.p216  
Enviado em: 23 de agosto de 2025  
Aceito em: 18 de novembro de 2025  
ABSTRACT  
This study undertakes a critical examination of the multifaceted effects of  
globalization on small states, engaging with the conceptual foundations of sove-  
reignty, agency, and security within an increasingly interdependent global order.  
It moves beyond traditional materialist paradigms by employing constructivist  
and institutionalist perspectives to assess how small states, often marked by limi-  
ted strategic depth and asymmetrical power relations, mitigate structural vulne-  
rabilities through adaptive practices such as multilateral engagement, normative  
entrepreneurship, and specialized diplomacy. Adopting a conceptual-analytical  
approach, the analysis demonstrates how the erosion of conventional state bou-  
ndaries, intensified by digitalization and expanding communication networks,  
reconfigures security imperatives and constrains national autonomy, particularly  
in contexts of weak institutional resilience. Rather than treating small states so-  
lely as passive recipients of global transformations, the study underscores their  
capacity to act as agents that shape emerging normative frameworks and exploit  
institutional gaps. It further emphasizes the growing importance of intangi-  
ble assets such as credibility, innovation, and normative leadership in shaping  
influence. The findings suggest that within the dynamics of globalization, the  
survival and relevance of small states depend less on material power capabilities  
than on their ability to reconceptualize sovereignty, engage strategically with  
international institutions, and innovate diplomatically.  
1. Dr Shamkhal Mammadov, Associate Professor and Head, Department of International Relations, Nakhchivan  
State University, Nakhchivan, Azerbaijan, ORCID: 0000-0002-6072-0312, samxalmammadov@ndu.edu.az.  
2. Zeynalabdin Naghisoy, Department of International Relations, Selçuk University, Konya, Türkiye, ORCID:  
0009-0002-9058-6887, znaghisoy@gmail.com.  
3. Dr Muharrem Bagir, Department of Sociology, Selçuk University, Konya, Türkiye, ORCID: 0000-0002-0895-  
1340, bagirmuharrem@gmail.com.  
216  
Shamkhal Mammadov, Zeynalabdin Naghisoy, Muharrem Bagir The Quiet Architects of Global Governance: Small State Agency in an Era of Diffuse Authority  
Keywords: Small states, global governance, globalization, interdependence,  
norm entrepreneurship  
RESUMO  
A globalização e o aprofundamento da interdependência remodelaram tanto as  
vulnerabilidades quanto às oportunidades enfrentadas pelos pequenos Estados,  
expondo-os a choques externos, como intrusões cibernéticas, interrupções nas  
cadeias de suprimentos e pressões regulatórias transfronteiriças, ao mesmo  
tempo em que ampliam os espaços institucionais e técnicos por meio dos quais  
podem exercer influência. A crescente integração aos mercados globais e aos  
sistemas de governança gera riscos assimétricos, mas também permite que pe-  
quenos Estados convertam o entrelaçamento em vantagem estratégica ao diver-  
sificarem alinhamentos, fortalecerem capacidades de adaptação governamental  
e investirem em formas de expertise que têm peso nos processos de formulação  
de regras. À medida que a autoridade no sistema internacional se dispersa cada  
vez mais entre órgãos regulatórios, comitês técnicos e instituições multilayer,  
pequenos Estados passam a dispor de novas vias para moldar resultados por  
meio de diplomacia ancorada na credibilidade, definição de padrões e iniciativas  
específicas de mediação. A análise sugere que a ordem global contemporânea  
não apenas impõe limitações aos pequenos Estados; ela também lhes oferece  
mecanismos distintivos de agência, enraizados na resiliência, na especialização e  
na capacidade de transformar a interdependência em influência estruturada.  
Palavras-chave: Estados pequeños, gobernanza global, globalización, interde-  
pendencia, emprendimiento normativo  
RESUMEN  
La globalización y el creciente grado de interdependencia han transformado  
tanto las vulnerabilidades como las oportunidades que enfrentan los Estados  
pequeños, exponiéndolos a choques externos como intrusiones cibernéticas,  
interrupciones en las cadenas de suministro y presiones regulatorias transfron-  
terizas, mientras amplían los espacios institucionales y técnicos a través de los  
cuales pueden ejercer influencia. La integración cada vez mayor en los merca-  
dos globales y en los sistemas de gobernanza genera riesgos asimétricos, pero  
también permite que los Estados pequeños conviertan dicha interconexión en  
una ventaja estratégica mediante la diversificación de alineamientos, el fortale-  
cimiento de sus capacidades de adaptación gubernamental y la inversión en for-  
mas de especialización que resultan decisivas en los procesos de elaboración de  
normas. A medida que la autoridad en el sistema internacional se dispersa entre  
organismos regulatorios, comités técnicos e instituciones multinivel, los Estados  
pequeños disponen de nuevas vías para moldear resultados mediante diploma-  
cia basada en la credibilidad, la definición de estándares y esfuerzos específicos  
de mediación. El análisis sugiere que el orden global contemporáneo no solo  
impone limitaciones a los Estados pequeños; también les proporciona mecanis-  
mos distintivos de agencia, basados en la resiliencia, la pericia y la capacidad de  
transformar la interdependencia en influencia estructurada.  
Palabras clave: Estados pequeños, globalización, soberanía, adaptación estraté-  
gica, agencia internacional  
1 INTRODUCTION  
The contemporary phase of globalization, particularly in its post-  
-Cold War manifestation, acquired a more pronounced and institutiona-  
lized character following the disintegration of the bipolar international  
217  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 216-235  
order and the subsequent collapse of communism (Bagir, 2024). While  
the Cold War structure effectively divided the international system into  
two antagonistic ideological and geopolitical blocs, each orbiting around  
a dominant superpower, namely the United States and the Soviet Union,  
this dichotomy, despite its restrictive nature, paradoxically preserved the  
autonomy of national governments, which retained near-exclusive autho-  
rity over their domestic affairs, including security, cultural orientation,  
economic management, and the regulation of external relations. In that  
configuration, although states were aligned, either willingly or coerci-  
vely, with one of the two hegemonic poles, the apparatuses of governance  
and control remained primarily centered within the territorial nation-s-  
tate, with national sovereignty and governmental authority functioning  
as the principal locus of power (Gaddis, 2005; Held et al., 1999; Seyidbayli,  
2025).  
However, the post-Cold War transition toward a unipolar interna-  
tional structure, dominated by the United States and facilitated by the  
ideational expansion of liberalism (Fukuyama, 1992; Taylor, 1996), coin-  
cided with the intensification of globalization processes, which precipi-  
tated fundamental transformations in the conceptualization of political  
authority, economic interdependence, cultural exchange, and, critically,  
national and international security (Held et al. 1999; Bagir, 2024). This  
transformative shift was not merely institutional but also communica-  
tive and epistemological, as the rapid proliferation of information tech-  
nologies, digital networks, and satellite communications fundamentally  
altered the dynamics of state-society relations and redefined the spatial  
and functional boundaries of state sovereignty. The global diffusion of  
the Internet, along with the liberalization of media environments, con-  
fronted states, particularly those with limited strategic depth and insti-  
tutional resilience, with unprecedented challenges in managing external  
influences and maintaining control over public discourse and informatio-  
nal flows (Deibert, 1997).  
Historically, the conceptualization of security had been predomi-  
nantly territorial, centered on the physical protection and surveillance of  
borders, wherein the state functioned as the exclusive gateway through  
which individuals could engage with the external world (Acharya; Buzan,  
2019). Even before the modern period, the nature of security was actually  
defined in response to a situation of all-out war. Communication chan-  
nels were limited, and interactions were often limited to meeting basic  
needs such as preventing war or providing for war supplies. But as social  
life progressed, states took control of everything, effectively socializing  
human life in an interconnected society.  
Before the spread of globalization, nationalist narratives were lar-  
gely confined to state-owned or tightly controlled media outlets, which  
functioned as instruments for transmitting official discourses and rein-  
forcing state authority. By contrast, the rise of a globally interconnected  
digital environment has significantly eroded these boundaries, allowing  
individuals to access, disseminate, and engage with diverse sources of  
information and ideological content across borders in real time, indepen-  
dent of state structures or their mediation. Consequently, the security  
218  
Shamkhal Mammadov, Zeynalabdin Naghisoy, Muharrem Bagir The Quiet Architects of Global Governance: Small State Agency in an Era of Diffuse Authority  
paradigm has broadened to encompass non-traditional and transnatio-  
nal dimensions, compelling states, and particularly small nation-states,  
to reconceptualize their strategic posture in response to a fundamentally  
transformed informational and geopolitical context.  
Small states are generally defined by their limited material and geo-  
political capabilities, such as small populations, territorial size, economic  
resources, or global influence, which shape their strategic behavior in the  
international system. Thorhallsson (2018) characterizes small states as  
entities with constrained administrative and economic capacities, often  
relying on international cooperation and institutions to pursue their in-  
terests, particularly in a globalized world. Similarly, Maass (2009) defines  
small states by their relative power asymmetry compared to larger states,  
emphasizing their vulnerability to external pressures and their strategic  
use of diplomacy to mitigate risks. Additionally, Baldacchino and Wivel  
(2020) argue that small states are distinguished not only by quantitative  
metrics like GDP or population but also by their ability to leverage niche  
roles, such as mediation or innovation, to enhance their global presen-  
ce despite limited resources. These definitions highlight the interplay of  
measurable attributes and strategic adaptability in conceptualizing small  
states.  
This research seeks to advance the literature on small state beha-  
vior in the context of globalization by highlighting how these actors exer-  
cise agency and shape global governance beyond conventional measures  
of power. While much of the existing research emphasizes the material  
limitations of small states or their dependence on multilateral institu-  
tions, this study introduces a nuanced conceptualization that highlights  
the strategic use of normative authority, specialized expertise, and proce-  
dural influence. By examining how small states use regulatory, technical,  
and institutional arenas to embed their preferences in global norms, this  
article addresses a gap in understanding the mechanisms through which  
smaller actors can exert sustained influence despite structural asymme-  
tries. In doing so, it contributes theoretically by redefining agency not as  
a derivative of material capacity but as a function of strategic adaptation,  
credibility, and innovative engagement with institutional processes, the-  
reby offering a fresh window into the analysis of power and influence in  
a fragmented global order.  
This study attempts to answer a set of research questions that at-  
tempt to shed light on how small states cope with the challenges posed  
by their structural constraints. Specifically, it asks how globalization af-  
fects fundamental conceptual foundations such as governance, economi-  
cs, and security for states with limited strategic depth and asymmetric  
power relations. It also examines the extent to which adaptive strategies  
such as multilateralism, entrepreneurship, and special diplomacy enable  
small states to reduce vulnerabilities and ensure a degree of cooperation  
and adaptation in a system dominated by super powers. Furthermore,  
the analysis examines how the erosion of conventional state boundaries  
through digitalization and the expansion of communication networks  
has transformed the nature of classical security imperatives and impo-  
sed new constraints on national sovereignty, especially for small states.  
219  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 216-235  
Ultimately, the central question revolves around whether the survival of  
small states in the globalization era depends less on traditional material  
power capabilities and more on their capacity to reconceptualize sove-  
reignty, engage strategically with international institutions, and innovate  
diplomatically.  
To avoid conceptual confusion, this study distinguishes between  
the key concepts of sovereignty, autonomy, agency, and resilience in re-  
lation to small states. Sovereignty refers to the formal-legal authority  
of a state to make independent decisions and exercise control within its  
recognized borders, while autonomy indicates the practical dimension  
of that sovereignty, its capacity to act freely within the structural cons-  
traints imposed by great powers and global institutions (Krasner, 1999).  
In contrast, agency refers to the ability of small states to act purposefully  
and influence outcomes beyond their material capabilities, often through  
strategies such as coalition building, normative entrepreneurship, or di-  
plomatic expertise (Braun, 2019). Finally, resilience refers to the institu-  
tional and normative flexibility that enables these states to resist external  
pressures, adapt to systemic changes, and maintain both their autonomy  
and agency over time (Bourbeau, 2015). By drawing on these related but  
distinct concepts, this paper aims to provide greater analytical rigor in  
examining how globalization is changing the strategic behavior of small  
nation-states.  
Based on these questions, this research hypothesizes that in the  
current globalized order, the survival of small states is determined not  
primarily by their material capabilities, but rather by their ability to adapt  
to global governance, strengthen governance adaptability, and pursue  
adaptive strategies such as multilateral engagement, normative entre-  
preneurship, and special status diplomacy, which collectively allow small  
states to reduce systemic fragility and maintain a degree of autonomy.  
2 METHODOLOGY  
The methodological approach of this study combines conceptual and  
analytical reasoning with a structured bibliographic strategy. The sources  
reviewed include peer-reviewed journal articles, monographs, and institu-  
tional reports published primarily between 1990 and 2025, selected based  
on their relevance to three related areas of globalization, small state theory,  
and international political economy. Relevant scholarly books, including  
Barry Buzan and Lene Hansen (2009) and also Andres Wivel publications  
preceding this period, are employed as foundational theoretical sources.  
The bibliographic collection was refined through thematic relevance and  
theoretical saturation rather than through quantitative sampling. The  
analytical categories of sovereignty, agency, autonomy, resilience, and  
adaptation were extracted through interpretive study and conceptual co-  
ding, allowing the study to trace the evolving meanings and operational  
meanings of these terms in scholarly discourse. The analytical process is  
therefore aligned with constructivist and institutionalist perspectives, em-  
phasizing how the strategic behavior of small states in a globalized interna-  
tional order is shaped by institutional ideas, norms, and practices.  
220  
Shamkhal Mammadov, Zeynalabdin Naghisoy, Muharrem Bagir The Quiet Architects of Global Governance: Small State Agency in an Era of Diffuse Authority  
This method is informed by the logic of structured, focused com-  
parison (George; Bennett, 2004), in which select dimensions; namely,  
sovereignty, security, and strategic agency, are explored in light of their  
interaction with globalization-induced structural pressures. The theore-  
tical grounding relies primarily on constructivist international political  
theory, supplemented by ideas on small state literature, global gover-  
nance studies, and critical security theory. This framework allows for an  
analysis that transcends materialist definitions of power, focusing instead  
on ideational agency, institutional adaptation, and the reconfiguration of  
strategic behavior in the face of complex interdependence (Keohane; Nye,  
1977). Given the paper’s ambition to function as a reference study rather  
than an empirical report, the emphasis is placed on the interpretive syn-  
thesis of existing knowledge, critical examination of current and emer-  
ging conceptual debates, and proposition of future research trajectories  
grounded in normative and institutional transformations affecting small  
states under globalization.  
3 SOVEREIGNTY, ADAPTATION AND STRATEGIC AGENCY IN AN  
INTERDEPENDENT WORLD  
From a neoliberal institutionalist perspective, the enduring role of  
state actors remains intact amidst the proliferation of supranational regi-  
mes and organizations that are shifting the locus of governance and nor-  
mative innovation away from national capitals. But this fragmentation is  
eroding the monopoly of state power structures and strengthening the  
influence of supranational institutions and supranational institutions in  
shaping actors’ national and international policies (Keohane, 1984). Thus,  
rather than eroding into oblivion, sovereignty, as a temporary and in-  
terwoven structure, is deeply embedded in networks of legal, market-  
-based, and ideological linkages. All actors, especially small states that  
are constrained by limited resources due to pursuing individual strate-  
gies, are initially constrained by their location in global architectures.  
But along with this, it opens up avenues for strengthening the voice of  
small states through common international platforms (Thorhallsson,  
2018; Ingebritsen, 2006).  
The increasing entanglement of states in dense networks of econo-  
mic, technological, and normative interdependence has made sovereig-  
nty a much more flexible and negotiable condition than classical interna-  
tional relations theory once assumed. For small states in particular, so-  
vereignty no longer means a static set of territorial or coercive attributes  
but rather a dynamic capacity to manage confrontation, foster strategic  
partnerships, and exercise measured forms of agency in various arenas  
of governance. Rather than seeing globalization as a unilateral force that  
diminishes their autonomy, many small states have begun to reinterpret  
its pressures as opportunities for strategic repositioning, using institu-  
tional partnerships, regulatory innovation, and credit capital to consoli-  
date their authority at home while increasing their presence abroad. In  
this space, sovereignty is better understood not as a dual asset, but as a  
relational practice shaped by adaptability, credibility, and the ability to  
221  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 216-235  
navigate asymmetrical structures without ceding decision-making au-  
thority (Baker, 2021; Long, 2017).  
National sovereignty is now subject to a set of new changes cente-  
red on “the shifting distribution of state power and the frequent occur-  
rence of transnational crises” (Faude; Karlsrud, 2025). This transforma-  
tion in governance is particularly evident in how small states reconfigure  
agency through selective engagement with global governance mechanis-  
ms. By strategically aligning themselves with issue-specific regimes such  
as international humanitarian action, digital regulation, environmental  
governance, maritime security, or financial transparency, these states  
use institutional influence as a source of insulation and influence. Their  
participation in such regimes aims to create international legitimacy to  
shape legislative processes, gain technical leverage, and cultivate a credi-  
ble authority that compensates for limited material capabilities. In doing  
so, small states transform their structural vulnerabilities into platforms  
for self-expression, often becoming agenda-setters in areas where exper-  
tise and normative clarity matter more than economic or military power.  
This strategic realignment emphasizes that agency in a globalized system  
is increasingly exercised through institutional skill, not through the accu-  
mulation of hard power (Tonon, 2020; Wijaya et al., 2024).  
From a constructivist standpoint, sovereignty is not merely a legal  
status but a socially constructed institution, the legitimacy and meaning  
of which are contingent upon intersubjective recognition and normative  
consensus within the international community (Wendt, 1992; Bartelson,  
1993). In this view, the agency of small states is not solely determined  
by material capability, but also by their capacity to engage in ideational  
contestation, norm entrepreneurship, and diplomatic innovation, thereby  
influencing the constitutive rules of the international system. As such,  
small states can wield disproportionate normative influence when they  
successfully position themselves as credible advocates of global norms,  
mediators in regional disputes, or innovators in international governance  
(Cooper; Shaw, 2009).  
4 RESILIENCE AMID ASYMMETRY  
Small states today navigate a complex arena in which structural  
vulnerability to external shocks, market volatility, coercive diplomacy,  
and transboundary threats is a persistent constraint and at the same time  
a catalyst for new strategic processes. Rather than viewing vulnerability  
as an unchangeable state, contemporary research increasingly emphasi-  
zes how vulnerability stimulates institutional learning, accelerates policy  
innovation, and leads small states to diversify their external engagements  
in ways that enhance resilience. For example, financial fragility often for-  
ces these states to establish strong regulatory frameworks, improve trans-  
parency, and build their credibility with international investors and ra-  
ting agencies. Similarly, limited military capacity encourages investment  
in non-traditional security tools such as cyber defense architectures, in-  
formation-sharing networks, and diplomatic de-escalation mechanisms.  
These adaptive capacities are not created against structural vulnerability,  
222  
Shamkhal Mammadov, Zeynalabdin Naghisoy, Muharrem Bagir The Quiet Architects of Global Governance: Small State Agency in an Era of Diffuse Authority  
but emerge because of it. That is, adaptive capacities represent a strategic  
reconfiguration in which resource constraints encourage efficiency, fore-  
sight, and expertise (Briguglio, 2014; Vaicekauskait , 2017).  
At the same time, adaptive behaviors among small states have in-  
creasingly expanded beyond traditional domains of statecraft toward  
predictive governance that encompasses risk assessment, technological  
literacy, and regional coordination. This shift reflects the recognition  
that multifaceted exposures span economic, environmental, digital, and  
geopolitical domains and therefore require multidimensional policy res-  
ponses. Small states are responding by institutionalizing early warning  
mechanisms, nurturing innovation ecosystems to reduce dependence  
on foreign technology actors, and embedding their domestic agendas in  
transnational networks that provide both protection and visibility. Such  
practices suggest that structural exposure does not necessarily diminish  
sovereignty; rather, it can transform the concept of sovereignty by em-  
phasizing agility, strategic diversity, and the capacity to transform vulne-  
rability into long-term adaptive advantage (Lutmar 2025; Briguglio, 2022).  
Exposure to information and technology threats has become one  
of the most important constraints shaping the strategic horizons of small  
states, as their limited resources make them particularly vulnerable to  
disruptions in digital infrastructure and the politicization of information  
flows. Unlike larger powers that can absorb cyber shocks or maintain  
diverse technology ecosystems, small states often rely on foreign provi-  
ders for cloud services, data storage, telecommunications hardware, and  
artificial intelligence applications, leading to dependencies that expose  
them to vulnerabilities ranging from cyber sabotage to foreign surveil-  
lance and algorithmic manipulation. However, this same exposure to in-  
formation is also pushing small states to adopt forward-looking strategies  
that combine regulatory innovation with technological experimentation  
(UNDP, 2024).  
Some states, such as Estonia, have begun to develop sovereign data  
frameworks, invest in secure digital identity systems, and participate in  
regional cybersecurity alliances to mitigate asymmetric risks (Hardy,  
2024). Others are experimenting with public and private digital innova-  
tion labs that nurture domestic technological competencies and thereby  
gradually reduce dependence on foreign suppliers. By turning informa-  
tion exposure into an incentive for institutional modernization, small  
states are demonstrating that technological dependence has presented  
them with an opportunity to strengthen infrastructure. It can also serve  
as a catalyst for rethinking digital governance, increasing resilience, and  
emphasizing a more meaningful presence in emerging global technology  
regimes (Kuulmann, 2024).  
Therefore, in response to these growing information and technologi-  
cal vulnerabilities, like great powers, small states are increasingly adopting  
multi-layered strategies that combine institutional innovation, regulatory  
tightening, and strategic partnerships to counter external shocks and re-  
gain some of their digital autonomy. Many are developing comprehensi-  
ve national cybersecurity architectures, such as integrating early warning  
systems, encrypted government communications, and centralized incident  
223  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 216-235  
response units, while strengthening data protection regimes to limit undue  
influence by foreign technology providers. Others are pursuing selective  
diversification by partnering with multiple technology providers rather  
than relying on a single great power ecosystem, thereby reducing the poli-  
tical risks inherent in technological dependency. At the same time, regional  
cooperation platforms, joint cyber training programs, and joint digital fo-  
rensics initiatives are helping small states share expertise that they cannot  
develop on their own. Small states are increasingly investing in domestic  
innovation ecosystems by supporting digital startups, university research  
partnerships, and autonomous cloud initiatives to cultivate indigenous ca-  
pacities that gradually reduce their asymmetric exposure. Thus, through  
this combination of defensive, regulatory, and developmental measures,  
some small states have transformed structural vulnerability into a more  
manageable strategic position (Areng, 2014; Wu, 2025).  
5 THE FADING DOMINION OF STATE-CENTRIC AUTHORITY  
The erosion of purely state-centered authority in the era of globa-  
lization has transformed the security environment in ways that dispro-  
portionately affect small states, exposing them to pressures that they are  
structurally less equipped to withstand. As security is the core for sta-  
te survival, states are highly vulnerable in the new global environment  
(Sadri Alibabalu, 2022). No longer isolated by geography or traditional  
notions of territorial control, small states now face security challenges  
stemming from transnational economic fluctuations, global market de-  
pendencies, changing alliance structures, and the increasing assertiveness  
of great powers. Their limited military capabilities make them highly  
vulnerable to coercive diplomacy, great power competition, and regional  
instability. The openness of their economies increases their exposure to  
external shocks, sanctions, and supply chain disruptions that can quickly  
translate into political or social stress. At the same time, participation  
in global institutions and normative regimes, while offering avenues for  
protection, also limits their political autonomy by imposing standards  
and expectations often shaped by larger states. In this transformed en-  
vironment, security for small states is no longer primarily limited to the  
concept of territorial defense, but is defined by the capacity to manage  
interdependence, maintain decision-making space, and mitigate the risks  
posed by a system in which authority is diffuse and asymmetrical power  
relations remain deeply entrenched (Wivel et al., 2014: 4-8, Bagir, 2024).  
At the same time, the dispersion of authority in international ins-  
titutions, regulatory regimes, and transnational networks forces small  
states to navigate security environments in which power lies as much in  
rules and dependencies as in military might. Their participation in global  
markets, financial systems, and multilateral agreements that are essen-  
tial for economic survival inevitably ties their security to external actors  
whose priorities they cannot fully shape. This creates a security paradox.  
Accordingly, the same mechanisms that provide stability and legitimacy  
also create new vulnerabilities, from exposure to geopolitical conditio-  
nality to vulnerability to political constraints imposed by international  
224  
Shamkhal Mammadov, Zeynalabdin Naghisoy, Muharrem Bagir The Quiet Architects of Global Governance: Small State Agency in an Era of Diffuse Authority  
lenders or powerful regional blocs. Moreover, the increasing securitiza-  
tion of trade, infrastructure, and strategic resources means that small sta-  
tes often find themselves at the intersection of competing agendas of great  
powers, forced to balance rather than choose sides. As a result, their main  
security challenge is to maintain independence in increasingly dense pat-  
terns of interdependence, which requires ongoing diplomatic coordina-  
tion to prevent external pressures from eroding the foundations of their  
sovereignty and long-term strategic choice (Samardžija and Šabi, 2014).  
Beyond traditional military considerations, all states, especially  
small ones, now face a growing range of unconventional threats, particu-  
larly cybersecurity risks, digital espionage, and the weaponization of in-  
formation, which increase their structural vulnerabilities in a globalized  
environment. Unlike conventional threats, which typically involve identi-  
fiable actors and tangible forms of coercion, these emerging threats operate  
through dispersed networks, ambiguous attribution, and low-cost disrup-  
tion, placing disproportionate pressure on states with limited technologi-  
cal infrastructure and defense capacities. Cyberattacks targeting financial  
systems, energy networks, and critical public services can cause strategic  
paralysis without a single shot being fired. Disinformation campaigns and  
digital interference also undermine social cohesion, electoral integrity, and  
the credibility of public institutions. For small countries that rely heavily  
on digital governance, open economies, and external connectivity, these  
threats pose a profound challenge, as they undermine domestic stability  
and complicate foreign policy independence in ways that blur the bounda-  
ries between domestic and external security (Li, 2024; Tan, 2020).  
In response to these security challenges, some small states have  
demonstrated remarkable adaptive capacity by integrating resilience into  
their technological infrastructure and governance practices. For exam-  
ple, Estonia has emerged as a global example after the massive attacks on  
its digital infrastructure in 2007 by developing a comprehensive cyber-  
security architecture, including the X-Road data exchange platform,  
advanced digital identity systems, and the establishment of the NATO  
Cooperative Cyber Defense Center of Excellence. These measures not  
only protected critical national functions from cyber disruption, but also  
positioned Estonia as a knowledge hub and normative actor in internatio-  
nal cybersecurity governance (Carmichael, 2025; Marak, 2025). By leve-  
raging expertise, institutional innovation, and multilateral engagement,  
the country has demonstrated how small states can turn vulnerability  
into strategic advantage and ensure that limited material resources do  
not prevent meaningful influence in a security environment increasingly  
defined by technological interdependence and information disclosure.  
6 THE IMPERATIVES OF INTERDEPENDENCE IN ENTANGLED  
ECONOMIES  
The deep interdependence of global markets has transformed the  
strategic security, especially security of small countries, forcing them to  
navigate an economic environment in which domestic stability is deeply  
tied to foreign policy, international flows of capital, trade, and investment.  
225  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 216-235  
In such interconnected economies, even minor disruptions such as war  
between other states, financial shocks, supply chain disruptions, or com-  
modity price fluctuations can disproportionately affect national outco-  
mes and expose small countries to vulnerabilities that go far beyond their  
territorial or demographic limits. The imperative is therefore not isola-  
tion but calculated integration. Many small countries in Europe and Asia  
have developed diverse economic linkages, protecting themselves against  
dependence, and actively participating in multilateral trading regimes to  
reduce asymmetric pressures from larger economic actors (Lupel et al.,  
2024; Sadri Alibabalu, 2018).  
Beyond risk management, then, interdependence opens avenues  
for strategic leverage. By gaining specialized positions in global economic  
networks, small states can turn connectivity into bargaining power and  
influence in agenda-setting. For example, small states such as the UAE,  
Qatar, and Singapore, which have acted as vital logistics hubs, financial  
intermediaries, or suppliers of unique natural resources, have acquired  
asymmetric importance despite their limited overall material capacity.  
This strategic use of economic connectivity allows small states to shape  
outcomes in ways that compensate for their size, suggesting that agency  
in the contemporary global economy derives as much from position and  
relational advantage as from absolute power.  
At the same time, interdependence has intensified the need for ins-  
titutional complexity and adaptive governance. Small states increasingly  
rely on flexible policy frameworks, forward-looking regulatory regimes,  
and public-private coordination to manage the cascading effects of ex-  
ternal shocks. Singapore exemplifies this approach through its proactive  
economic diversification strategies, strong sovereign wealth manage-  
ment, and regional trade leadership, which collectively ensure resilience  
while maximizing the country’s influence in Southeast Asian and global  
markets (Cheang; Lim, 2023). Such practices demonstrate that taking the  
right measures can reduce the risks of entangled and restrictive economic  
relationships and can also strategically contribute to enhancing security  
and agency in an era defined by global solidarity.  
7 SMALL STATES AS PIONEERS OF GLOBAL NORMS AND  
STANDARDS  
Amid the architecture of global governance, small states have be-  
gun to cultivate alternative avenues for influence that go beyond the con-  
ventional emphasis on multilateral engagement or moral support. Their  
strategic behavior increasingly reflects a form of collective governance  
engineering in which groups of small actors coordinate to shape the pro-  
cedural norms, administrative standards, and issue-specific regimes that  
structure international cooperation. This approach enables them to em-  
bed their preferences in the operating routines of global institutions and  
to create forms of influence that are subtle but durable. Small states are  
redefining how authority is exercised in institutional settings by setting  
coalition-based agendas in thematic areas ranging from maritime regu-  
lation and digital certification standards to biodiversity protection and  
226  
Shamkhal Mammadov, Zeynalabdin Naghisoy, Muharrem Bagir The Quiet Architects of Global Governance: Small State Agency in an Era of Diffuse Authority  
cross-border financial transparency. Rather than positioning themselves  
as norm entrepreneurs in the traditional sense, many of them now act as  
regime architects, using their regulatory authority, technical expertise,  
and credit capital to guide institutional design in ways that reduce vulne-  
rability and expand their diplomatic presence. In doing so, they demons-  
trate that the strategic value of small states increasingly lies not in sym-  
bolic leadership or reliance on multilateral support, but in their capacity  
to shape the procedural DNA of global governance itself (Lutmar, 2025).  
Multilateral organizations, particularly the United Nations, the  
World Trade Organization, and regionally embedded regimes such as  
the European Union, the African Union, or ASEAN, provide small states  
with arenas in which formal equality of representation and procedural le-  
gitimacy can be leveraged to constrain the unilateralism of larger powers  
and advance normatively grounded foreign policy agendas. Through ac-  
tive participation in committees, voting procedures, and agenda-setting  
mechanisms, small states have been able to exercise influence that trans-  
cends their limited material power, often acting as brokers, mediators,  
or coalition-builders in contexts where consensus-based decision-making  
prevails.  
Drawing on this institutional leverage, a growing number of small  
states have begun to specialize in highly technical regulatory areas whe-  
re competence carries more weight than coercive capacity. For exam-  
ple, Singapore’s leadership in maritime safety and port control regimes,  
Estonia’s pioneering role in digital identification systems and cross-bor-  
der e-governance interoperability, Luxembourg’s and some Caribbean  
countries’ authority in sustainable finance frameworks and green taxo-  
nomy, and Iceland’s prominence in climate risk metrics and environmen-  
tal monitoring illustrate how small states with technical expertise are  
increasingly shaping the international standards governing these areas  
(Lutmar, 2025).  
Alongside these monitoring functions, several small states, such  
as Norway and Qatar, have expanded their influence by participating in  
peacebuilding and mediation initiatives, using diplomatic credibility and  
normative authority to shape conflict resolution processes (Harpviken  
and Barakat, 2018). Consequently, these states have garnered internatio-  
nal public favor and cultivated soft power through astute public diploma-  
cy initiatives (Alibabalu & Sarkhanov, 2023). Their influence is exerted  
through specialized committees, certification bodies, and rulemaking  
platforms where decisions are made based on technical credibility rather  
than geopolitical power. This specialization allows small states to enshri-  
ne their preferences in globally applied rules, often without overt political  
competition. By defining the criteria by which compliance is measured,  
they effectively distribute authority within global governance framewor-  
ks, ensuring that their strategic interests are maintained not through  
hard balancing but through soft regulatory power.  
In sum, the multilateral arena serves not merely as a defensive  
shield against systemic marginalization, but as an active site of agency  
formation for small states. Through norm promotion, strategic alliances,  
and discursive interventions, small states are able to transcend material  
227  
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limitations and assert themselves as consequential actors in shaping the  
rules, norms, and institutions that govern international life. This phe-  
nomenon challenges the conventional realist presumption that agency  
is coterminous with capability, offering instead a constructivist-inflected  
vision of power rooted in persuasion, legitimacy, and institutional embe-  
ddedness (Posazhennikova, 2023).  
8 DISCUSSION: SMALL STATES IN AN UNCERTAIN WORLD  
The contemporary global order confronts small states with an intri-  
cate blend of challenges and possibilities, especially in the Global South,  
where enduring legacies of dependency collide with the fluid forces of  
globalization. Far from mere bystanders on the periphery of world af-  
fairs, these states, especially in Latin America, the Caribbean, and Africa,  
are proving that scant material resources need not diminish their strate-  
gic weight. Actors such as Uruguay and Costa Rica illustrate how smaller  
actors can navigate a landscape riddled with power imbalances to bolster  
their independence (Lupel et al., 2024). Their stories imply that the tra-  
jectory of small states hinges less on shielding themselves from outside  
forces and more on artfully steering the web of mutual dependencies.  
Handled with foresight, this approach can transform economic fragility  
and geopolitical obscurity into springboards for enduring clout and norm  
authority on the world stage.  
Building on this dynamic, the agency of small states in the Global  
South increasingly stems from their capacity to cultivate adaptive go-  
vernance models that blend domestic resilience with outward-looking  
engagement. Their collective cooperation in areas such as innovation,  
sustainable development, and institutional reliability allows these states  
to move beyond structural constraints and exercise distinctive forms of  
influence within an international system historically tilted toward great  
powers. Panama’s strategic deployment of its logistics and financial sec-  
tors, bolstered by the enduring global relevance of the Panama Canal,  
illustrates how small economies can convert geographic advantage and  
infrastructural capacity into diplomatic visibility amid asymmetrical  
power relations (Ruiz-Hernández, Berg, 2025). Likewise, Paraguay’s  
growing focus on renewable energy diplomacy, particularly through its  
hydroelectric partnerships with Brazil and Argentina, underscores how  
small states can transform energy interdependence into leverage for re-  
gional influence (Berkhout, 2024). Together, these examples reveal that  
the strategic posture of small Latin American states lies not in opposing  
globalization but in reframing it as a vehicle for sustained participation in  
the normative and institutional environment of global governance.  
Conversely, the intensification of systemic volatility, marked by geo-  
political realignments, rising great power competition, and the securitiza-  
tion of domains once considered benign (e.g., data, health, environment),  
threatens to constrain the maneuverability of small states. Particularly  
troubling is the increasing use of economic statecraft, cyber intrusion,  
and disinformation campaigns by larger powers, which disproportiona-  
tely affect states with limited governance adaptability and constrained  
228  
Shamkhal Mammadov, Zeynalabdin Naghisoy, Muharrem Bagir The Quiet Architects of Global Governance: Small State Agency in an Era of Diffuse Authority  
counter-coercion capacities (Balfour, Ülgen, 2024). Additionally, the re-  
treat from rules-based multilateralism and the resurgence of transactio-  
nalism in international affairs could marginalize small states, whose le-  
verage often depends upon the predictability and normative legitimacy  
of international institutions. Therefore, multilateralism and international  
institutions are keys in the future for the small states in uncertain world  
geopolitics.  
Looking ahead, the role of small states in the global South is likely  
to depend on their ability to position themselves at the intersection of  
emerging global transformations such as digitalization, the green tran-  
sition, and multipolarization. As technological infrastructure, data ma-  
nagement, and climate adaptation become central to international legi-  
timacy, small states that can institutionalize innovation, maintain policy  
coherence, and form transregional alliances will play a crucial role in  
shaping the moral and practical conditions of global governance. This  
may translate into a new generation of strategic partnerships that trans-  
cend traditional North-South hierarchies and lead to shared commit-  
ments to sustainability, equitable development, and digital governance.  
Ultimately, the future of small states will depend not on their capacity to  
emulate great powers, but on their ability to anticipate systemic change  
and adapt to credible visions for a more pluralistic world order.  
Globalization has fundamentally reshaped the landscape of sta-  
te sovereignty, imposing new constraints and redistributing influence  
across a wider range of actors. In this interconnected environment, in-  
dividuals, transnational corporations, non-governmental organizations,  
and other private entities have increasingly become involved in interna-  
tional exchanges and decision-making processes, reducing the monopoly  
of state authority. As a result, states are forced to adopt proactive and  
cooperative mechanisms and reassess their traditional privileges. In ef-  
fect, globalization has undermined the concept of absolute sovereignty  
and has required nation-states, especially smaller ones, to cooperate and  
develop adaptive strategies that reconcile domestic priorities with the re-  
quirements of a new global system.  
Globalization has fundamentally reshaped the landscape of state so-  
vereignty, imposing new constraints and redistributing influence across  
a wider range of actors. In this interconnected environment, individuals,  
transnational corporations, non-governmental organizations, and other  
private entities have increasingly become involved in international ex-  
changes and decision-making processes, reducing the monopoly of state  
authority. As a result, states are forced to adopt proactive and cooperative  
mechanisms and reassess their traditional privileges. In effect, globaliza-  
tion has undermined the concept of absolute sovereignty and has requi-  
red nation-states, especially smaller ones, to cooperate and develop adap-  
tive strategies that reconcile domestic priorities with the requirements of  
a new global system (Long, 2017).  
The present analysis is primarily conceptual, but gains further  
analytical depth when embedded in comparative examples that connect  
theory to the empirical realities of small states in different regions. The  
Estonian digital governance model demonstrates how technological  
229  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 216-235  
innovation can turn structural vulnerability into strategic advantage by  
enhancing administrative efficiency and cyber resilience, while Qatar’s  
normative entrepreneurial practices, manifested through brokered di-  
plomacy and the display of influence through global media platforms,  
demonstrate how soft power can effectively offset material and geogra-  
phical asymmetries. Similarly, Singapore’s comparative economic go-  
vernance highlights the institutional agility that allows small states to  
maintain their competitiveness despite limited strategic depth, while  
Barbados’ sustained multilateralism highlights the potential for institu-  
tional engagement to amplify the voices of smaller actors in the global  
order (UN, 2025). The extension of this framework to the Global South,  
Latin America and the Caribbean, such as Uruguay’s commitment to  
multilateral rule of law, Costa Rica’s environmental diplomacy and the  
participation of small Caribbean states in international institutions, de-  
monstrates that small states’ adaptation strategies are not geographically  
limited but are structurally shaped by the asymmetries of globalization.  
Collectively, these examples confirm that small states, through innovati-  
ve governance, diplomatic sophistication and normative leadership, can  
not only reduce their inherent vulnerabilities but also reconceptualize  
agency and resilience as dynamic tools for survival and influence in the  
international system (Cooper; Shaw, 2009).  
Expanding this conceptual framework further requires recognizing  
that the global environment is generating new arenas in which small sta-  
tes can exercise agency that was previously inaccessible. As geopolitical  
competition intensifies and global governance becomes increasingly issue-  
-fragmented, opportunities emerged for smaller actors to insert themsel-  
ves into specialized domains, ranging from climate adaptation financing  
and cybersecurity coordination to global health governance and norma-  
tive standard-setting in emerging technologies. In these spaces, expertise,  
credibility, and institutional reliability often outweigh material capabili-  
ties, allowing small states to influence regulatory trajectories and shape  
discursive outcomes. As these domains expand, small states are poised  
not merely to adapt to structural asymmetries but to participate in the  
normative and institutional directions of the international system, thereby  
demonstrating that the future of global governance will be determined as  
much by agile innovators as by traditional great powers (Long, 2017).  
In general, although the sovereignty of today’s states has been  
limited by globalization in most areas, especially the Internet and the  
virtual world, this does not mean the end of the age of states. It means  
that nation-states continue to operate as the most important actors in the  
international system. In doing so, they must modernize themselves by  
abandoning some of their old habits in the economic, political, and social  
fields. While some nation-states carry out this modernization within the  
framework of the democratic system and in a timely manner, others do  
so with delay. While nation-states that can keep up with globalization can  
maintain their existence by restructuring their spheres of sovereignty,  
nation-states that try to resist it are weakened and weakened in the face of  
the international system. The task of national states here is not to wait to  
benefit from the opportunities provided by globalization without doing  
230  
Shamkhal Mammadov, Zeynalabdin Naghisoy, Muharrem Bagir The Quiet Architects of Global Governance: Small State Agency in an Era of Diffuse Authority  
anything, but to try to conduct this competition on equal terms, to pro-  
tect themselves from the harms of globalization and, if necessary, even to  
shape the concept of sovereignty in line with the interests of the country.  
As a result, although the nation-state, which has been the main political  
actor since the French Revolution, still exists, it has lost many of its foun-  
dations, has largely lost its sovereign authority in the classical sense, and  
has undergone significant transformation in the process of globalization.  
9 SUGGESTIONS  
9.1 Leveraging institutional and organizational power  
Small states can increase their influence by actively shaping the  
agendas of international and regional organizations. By promoting rule-  
-of-law mechanisms, developing protective norms, and advancing regu-  
latory frameworks, they can reduce asymmetries with larger powers. For  
example, building coalitions of like-minded states or leading norm-set-  
ting initiatives allows them to protect their sovereignty through institu-  
tional rather than material means.  
9.2 Investing in digital and artificial intelligence capacities  
Given the digitization of global power structures, small states  
should prioritize investments in artificial intelligence, cybersecurity, and  
data governance. By developing digital infrastructure and AI-based in-  
novation hubs, they can create comparative advantages that overcome  
material constraints while securing critical infrastructure from external  
vulnerabilities.  
9.3 Expanding Specialized Diplomacy  
Small countries can specialize in subject areas such as climate chan-  
ge, maritime governance, humanitarian aid, or digital ethics, positioning  
themselves as essential actors in global debates. This form of “specialized  
diplomacy” allows them to wield influence disproportionate to their size.  
9.4 Building strategic partnerships and networks  
Rather than aligning exclusively with a single great power, small  
states should build flexible networks across regions and organizations,  
thereby reducing dependency and increasing bargaining power.  
9.5 Prioritizing human capital and knowledge-based economies  
Investing in education, innovation, and knowledge production ena-  
bles small countries to rely on intellectual and normative influence. By  
transforming themselves into laboratories of policy innovation, they can  
become global authorities in specialized areas.  
231  
estudos internacionais • Belo Horizonte, ISSN 2317-773X, v. 13, n. 2, (jun. 2025), p. 216-235  
10 CONCLUSION  
The preceding analysis has sought to illuminate the recently emer-  
ged transformations that globalization has imposed upon the structural  
conditions, strategic behavior, and survival imperatives of small states in  
the post-Cold War international system. It has become abundantly clear  
that traditional conceptions of state power, predicated predominantly on  
material capabilities, territorial expanse, and geostrategic leverage, are  
increasingly inadequate for capturing the operational realities of small  
states in a world characterized by transnational interdependence, epis-  
temic fluidity, and normative contestation. As globalization accelerates  
the diffusion of power across non-territorial domains, digital, ideational,  
financial, and informational, small states are compelled to adopt not only  
their external strategies but also the very meaning of agency, autonomy,  
and resilience within a new complex world.  
The synthesis of the empirical and theoretical ideas across this stu-  
dy suggests that small states must continuously negotiate the dual logics  
of vulnerability and opportunity. While globalization undeniably expo-  
ses them to economic volatility, cyber threats, and strategic coercion by  
more powerful actors, it simultaneously offers platforms through which  
they can amplify their influence, project normative authority, and engage  
in agile, issue-specific diplomacy. Hence, survival and relevance in this  
context are not reducible to defensive posturing or alignment-seeking  
alone; rather, they require proactive forms of agency, ranging from norm  
entrepreneurship and institutional coalition-building to digital innova-  
tion and strategic narrative construction.  
Future research should explore the conceptual evolution and prac-  
tical manifestations of digital sovereignty as a critical dimension of small  
state autonomy in the 21st century, particularly as issues of data gover-  
nance, algorithmic control, and cybersecurity increasingly intersect with  
national security. Likewise, the growing salience of minilateralism, is-  
sue-based, flexible, and often informal cooperation among small groups  
of states, warrants systematic examination, as it presents a potentially  
transformative alternative to the constraints of formal multilateralism.  
Finally, greater scholarly attention must be devoted to adaptive governan-  
ce models that emphasize anticipatory capacity, institutional elasticity,  
and cross-sectoral integration, all of which are indispensable for small  
states surviving in a global order surrounded by persistent uncertainty,  
systemic disruption, and normative flux. In sum, small states should not  
be defined solely by perceptions of weakness or passivity. Rather, they  
demonstrate strategic agency by adapting to challenges, reshaping power  
dynamics, and maintaining relevance in an increasingly interconnected  
yet fragmented global order.  
In light of the research questions and guiding hypothesis, this  
analysis substantiates the argument that small states, while structurally  
constrained in an international system dominated by larger powers, have  
not been reduced to mere passivity or dependency; rather, they are ac-  
tively aligning their survival strategies with global changes, taking ad-  
vantage of the fluid and multidimensional opportunities afforded by  
232  
Shamkhal Mammadov, Zeynalabdin Naghisoy, Muharrem Bagir The Quiet Architects of Global Governance: Small State Agency in an Era of Diffuse Authority  
globalization. Thus, the evidence suggests that material power, while  
still relevant, no longer serves as the exclusive determinant in world po-  
litics. Instead, survival and influence increasingly depend on the ability  
of small states to exercise agency through adaptive governance, issue-ba-  
sed coalitions, and the creation of strategic positions that allow them to  
transcend traditional vulnerabilities. Thus, the hypothesis that survival  
is less dependent on mere size or material capability and more tied to ins-  
titutional innovation, strategic flexibility, and normative engagement is  
confirmed. By embracing multilateralism, pursuing digital governance,  
and advancing normative agendas in international forums, small states  
such as Singapore, the UAE, and Qatar have not only reduced asymmetry  
vis-à-vis great powers but have also positioned themselves as active parti-  
cipants in shaping global norms and practices. This suggests that the logic  
of small state behavior is not reducible to reactive alignment or defensive  
shielding, but rather reflects proactive engagement with the structural  
changes of globalization.  
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Mulheres e Guerra: Lições sobre uma  
Realidade Ocultada  
Women and War: Insights into a Hidden Reality  
Mujeres y guerra: aprendizajes sobre una realidad oculta  
1
Ana Laura Baia de Morais  
Thaís Vieira  
2
DOI: 10.5752/P.2317-773X.2025v13.n2.p236  
Enviado em: 13 de novembro de 2025  
Aceito em: 16 de março de 2026  
RESUMO  
Esta resenha analisa a obra Twelve Feminist Lessons of War (2023), da teórica femi-  
nista Cynthia Enloe. O tema central é o impacto do militarismo sobre os corpos  
femininos e a necessidade de uma lente de gênero para compreender como o  
militarismo atravessa violentamente a vida de mulheres, crianças e populações  
LGBTQUIA+. O objetivo do texto é examinar, a partir de uma abordagem crí-  
tica, as doze lições propostas pela autora, que desafiam a invisibilidade das mu-  
lheres nas narrativas de guerra e discutem a militarização. Ademais, propõe-se  
um diálogo com a antropóloga argentina Rita Segato, dadas suas contribuições  
acerca da violência no Sul Global e de sua relação com a masculinidade. Desta-  
ca-se que, embora a obra de Enloe seja indispensável pela fluidez e pela riqueza  
de casos práticos, apresenta lacunas quanto à formalização metodológica e à  
integração de perspectivas latino-americanas. Por fim, ressalta-se a originalidade  
do livro ao convocar uma construção coletiva de novos saberes feministas, rea-  
firmando que a compreensão da guerra é indissociável das dinâmicas de gênero  
que a tornam possível.  
Palavras-chave: Militarismo; Gênero; Relações Internacionais; Cynthia Enloe;  
Feminismo.  
ABSTRACT  
This review analyzes the work Twelve Feminist Lessons of War (2023), by  
feminist theorist Cynthia Enloe. The central theme is the impact of militarism  
on female bodies and the need for a gender lens to understand how militarism  
violently permeates the lives of women, children, and LGBTQIA+ populations.  
The objective of this text is to examine, through a critical approach, the twelve  
1. Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade  
Federal de Goiás (UFG). Graduada em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG).  
E-mail: analauramoraiscontato@gmail.com. ORCID: 0009-0004-2630-1802.  
2. Doutora em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Mestra em Relações Interna-  
cionais pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Bacharela em Relações Internacionais pela Pon-  
tifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Bolsista de Pós-doutorado Capes no Programa de Pós-Gradua-  
ção em Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade Federal de Goiás, código de financiamento  
001. E-mail: thaisvieirari@gmail.com. ORCID: 0000-0002-9524-4141.  
236  
Ana Laura Baia de Morais, Thaís Vieira Mulheres e Guerra: Lições sobre uma Realidade Ocultada  
lessons proposed by the author, which challenge the invisibility of women in  
war narratives and discuss militarization. Furthermore, a dialogue is proposed  
with the Argentine anthropologist Rita Segato, given her contributions regar-  
ding violence in the Global South and its relationship with masculinity. It is  
noted that, although Enloe’s work is indispensable for its fluidity and richness  
of practical cases, it presents gaps regarding methodological formalization and  
the integration of Latin American perspectives. Finally, the review highlights the  
book’s originality in calling for a collective construction of new feminist know-  
ledge, reaffirming that the understanding of war is inseparable from the gender  
dynamics that make it possible.  
Keywords: Militarism; Gender; International Relations; Cynthia Enloe; Femi-  
nism.  
RESUMEN  
Esta reseña analiza la obra Twelve Feminist Lessons of War (2023), de la teórica  
feminista Cynthia Enloe. El tema central es el impacto del militarismo sobre  
los cuerpos femeninos y la necesidad de una lente de género para comprender  
cómo el militarismo atraviesa violentamente la vida de las mujeres, niños y  
poblaciones LGBTQIA+. El objetivo del texto es examinar, desde un enfoque  
crítico, las doce lecciones propuestas por la autora, las cuales desafían la invi-  
sibilidad de las mujeres en las narrativas de guerra y discuten la militarización.  
Además, se propone un diálogo con la antropóloga argentina Rita Segato, dadas  
sus contribuciones sobre la violencia en el Sur Global y su relación con la mas-  
culinidad. Se destaca que, si bien la obra de Enloe es indispensable por su fluidez  
y riqueza de casos prácticos, presenta lagunas en cuanto a la formalización  
metodológica y la integración de perspectivas latinoamericanas. Por último, se  
resalta la originalidad del libro al convocar una construcción colectiva de nuevos  
saberes feministas, reafirmando que la comprensión de la guerra es indisociable  
de las dinámicas de género que la hacen posible.  
Palabras claves: Militarismo; Género; Relaciones Internacionales; Cynthia  
Enloe; Feminismo.  
Cynthia Enloe é uma ativista feminista, teórica e referência indis-  
pensável nos estudos feministas de Relações Internacionais. Atualmente,  
atua como professora e pesquisadora na Clark University, no departa-  
mento de Sustentabilidade e Justiça Social. O mais recente dos seus 15  
livros publicados, Twelve Feminist Lessons of War, publicado em 2023 pela  
University of California Press, possui a mesma fluidez do seu clássico livro  
Bananas, Beaches and Bases: Making Feminist Sense of International Politics  
(Enloe, 1990), sendo um grande compilado dos aprendizados e insights  
que a autora acumulou ao longo da sua vida se dedicando a estudar como  
o militarismo atravessa os corpos femininos.  
Publicado em inglês um ano após o início da guerra entre Rússia e  
Ucrânia, a autora, com muita sensibilidade, dedica seu livro às feministas  
ucranianas – as quais posteriormente recebem um capítulo onde a autora  
explicita os ensinamentos que essas mulheres nos deixam em contexto de  
guerra. Já no prefácio, Enloe explica de forma clara o propósito da obra:  
ela não está trazendo doze lições feministas sobre a guerra para trans-  
formar em militares de alta patente, mas sim para podermos expandir as  
percepções sobre as guerras a partir de uma lente de gênero e compreen-  
der como essas guerras afetam violentamente a vida de mulheres, crian-  
ças e populações LGBTQUIA+. Dessa forma, a autora defende que “se  
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não prestarmos séria atenção às complexidades das ideias e experiências  
em tempos de guerra de diversas mulheres, nós arriscamos perder – ou  
3
compreender de forma errônea – as causas e consequências das guerras”  
(Enloe, 2023, p. 2, tradução nossa).  
Assim, suas doze lições não são fruto de um ano ou dois de pes-  
quisa, mas de uma vida inteira observando atentamente e, especialmen-  
te, conversando com outras mulheres que também estavam observando  
atentamente o mundo ao seu redor. Este fato contribui para que a autora  
traga uma vasta lista de referências e notas de rodapé valiosíssimas, com  
vivências e estudos de casos plurais, trazendo à luz casos e pesquisas,  
tanto mais conhecidos – como, por exemplo, os escândalos dos capacetes  
azuis mencionados no quarto capítulo –, quanto aqueles pouco impul-  
sionados pelo mainstream. Suas doze lições são, na verdade, um convite  
para que possamos refletir sobre nossas experiências e dedicar um olhar  
cuidadoso a experiências divergentes, para que seja uma construção co-  
letiva crescente.  
Portanto, façamos um passeio pelas lições elaboradas no volume,  
embora a densidade dos capítulos não permita que somente seus títu-  
los sejam mencionados. Em primeiro lugar, Cynthia Enloe aponta que  
as guerras das mulheres não são as guerras dos homens, uma vez que  
mulheres e homens vivenciam a guerra de formas diferentes, visto que  
mesmo na guerra as mulheres estão sobrecarregadas por trabalhos desva-  
lorizados e invisibilizados. Assim, a autora defende que a guerra antecede  
o primeiro disparo, na verdade ela sempre é precedida por condições de  
desigualdade. Na segunda lição, a autora nos ensina que toda guerra é  
travada em um contexto histórico inerentemente permeado pela variável  
gênero. Neste sentido, todos os detalhes que constroem uma guerra são  
genderizados, os meios de comunicação são genderizados, o acesso aos  
recursos é genderizado, o capital é genderizado. Partir desse pressuposto  
permite que vejamos padrões, decisões e cálculos deliberados onde antes  
havia somente “consequências inevitáveis” e “efeitos colaterais”. “A guer-  
ra é um inferno. A guerra é um inferno genderizado. A guerra é um infer-  
4
no genderizado dentro de uma história genderizada em curso” (Enloe,  
2023, p. 32, tradução nossa).  
Terceira lição: fazer homens lutarem não é tão fácil assim, uma vez  
que envolve acesso à informação, dinheiro, treinamento e, especialmente,  
uma intensa construção social da masculinidade como sendo algo atrela-  
do ao militarismo. Assim, o elo forte entre o militarismo e a masculini-  
dade é forjado não somente pelo Estado, mas pelo apoio civil, incluindo  
as mulheres – mães e esposas, por exemplo –, o que faz com que possam  
ser também vozes de contestação. Como consequência, entender a guer-  
ra é compreender as dinâmicas de gênero que a torna possível. A quarta  
lição, por sua vez, ensina que as mulheres soldadas não configuram um  
tipo de libertação, visto que há uma permissão de que as mulheres aden-  
trem somente espaços que os homens julgam apropriados, explorando  
3. If we do not pay serious attention to the complexities of diverse women’s ideas and wartime experiences,  
we risk missing – or misunderstanding – the causes and consequences of wars. (Enloe, 2023, p. 2).  
4. War is hell. War is a gendered hell. War is a gendered hell in ongoing gendered history (Enloe, 2023, p. 32).  
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Ana Laura Baia de Morais, Thaís Vieira Mulheres e Guerra: Lições sobre uma Realidade Ocultada  
convenientemente as contribuições das forças de trabalho feminina, po-  
rém mantendo o privilégio masculino acima das necessidades femininas.  
Na quinta lição, Enloe (2023) demonstra que mulheres como in-  
surgentes armadas oferecem advertências feministas, uma vez que estas  
fazem esforços e sacrifícios para se juntar a forças anti-coloniais e anti-di-  
tatoriais e então, ao reestabelecer lideranças e partidos, são deixadas com-  
pletamente de fora. Nenhum levante organizado por homens será contra  
o patriarcado, logo, o fim do privilégio masculino será sempre posterga-  
do. Tal leitura realizada pela autora vai ao encontro do que Segato (2022,  
p. 37) propõe ao dizer que “nenhum patriarcão fará a revolução”, onde  
a autora argentina argumenta que os homens não abrirão mão de seus  
privilégios em prol de construir conjuntamente os direitos das mulheres,  
uma vez que a relação entre homens e mulheres e pautada numa lógica  
de donidade, em que os homens se configuram enquanto donos da vida.  
A sexta lição informa que feridos importam, e os feridos possuem gênero.  
Dedicar atenção aos feridos é expandir a visão sobre as reais consequên-  
cias da guerra e entender mais sobre a dor que vem com a guerra – além  
de chamar à atenção para o fato de que esses feridos serão cuidados por  
alguém, que mais uma vez serão em maioria mulheres com o trabalho  
completamente invisibilizado. E toda essa invisibilização nos faz pensar  
que os custos de uma guerra são menores do que realmente são.  
Na sétima lição a autora discorre sobre a necessidade de tornar os  
estupros em tempos de guerra visíveis e tratá-los como o crime gravís-  
simo que realmente são, pois somente por meio de investigações indivi-  
duais dos abusos sexuais e do mapeamento de possíveis padrões desses  
atos, será possível contabilizar e responsabilizar os abusadores. Neste sen-  
tido, podemos pensar nas próprias violências sexuais infringidas contra  
as mulheres guerrilheiras nas ditaduras latino-americanas, seja no Chile  
– como a própria Enloe exemplifica no livro –, na Argentina, no Brasil,  
entre outros diversos países que possuíram os mesmos padrões de puni-  
ção sobre corpos femininos, impedindo que esses estupros possam ser  
considerados meros efeitos colaterais da guerra dos homens. O estupro  
em tempos de guerra, de conflito, é sistemático e tem o papel de comuni-  
car uma mensagem, como abordaremos mais a frente.  
A oitava lição discutiu como as feministas seguem se organizando  
enquanto a guerra está em ebulição, uma marca dos movimentos sociais  
feministas ao longo da história que pode ser exemplificado através da mo-  
bilização em torno do Primeiro Congresso Mundial Feminino pela Paz,  
que ocorre em 1915, e delineou as bases do que hoje é conhecida como  
Política Externa Feminista. Mesmo em tempos de guerra as mulheres  
seguem se organizando, traçando estratégias e desenvolvendo seus pen-  
samentos. A nona lição nos traz as consequências da guerra para as ge-  
rações vindouras, visto que as consequências da guerra podem se refletir  
por diversas gerações. Ao dizer “após a guerra suas necessidades serão  
priorizadas”, pode-se compreender que o “depois” é uma zona temporal  
5
patriarcal (Enloe, 2023, p. 121), o que de certa forma pode se comunicar  
5. “Later” is a patriarchal time zone (Enloe, 2023, p. 121).  
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também com o quinto capítulo. Ao definir um período como “pós-guer-  
ra”, não somente falamos que se trata de um período após a guerra, mas  
que segue sendo definido em torno da guerra prévia. Pensar em pós-guer-  
ra, é ouvir os silêncios e trabalhar a memória, compreender quais serão as  
lições de guerra, evitando que seja um simples processo de colocar tudo  
debaixo do tapete e arrumar a casa superficialmente para receber visitas  
– ou investidores.  
A décima lição demonstra como a militarização começa em tempos  
de paz, sendo um lento progresso ao longo do tempo, em camadas mui-  
to sutis, em um conjunto de ideias distintas e até mesmo contraditórias.  
Assim, para entender a militarização, é preciso entender como garotas e  
mulheres se tornam militarizadas, não em processo de julgamento, mas  
de real interesse nessas vivências e nesses processos. Décima-primeira li-  
ção: as feministas ucranianas têm lições a nos ensinar sobre a guerra, em  
que Enloe (2023) traz à luz não somente a guerra russo-ucraniana, mas a  
ampla participação de ucranianas em guerras ao longo da história, como  
na I e II Guerra Mundial. Este capítulo pode ser considerado quase como  
um estudo de caso da oitava lição, de como as feministas ucranianas se-  
guiram se organizando, reconhecendo seus esforços em buscar ajudar  
mulheres e crianças a estarem seguras, reduzir as consequências devasta-  
doras da guerra e atrair solidariedade e apoio.  
Por último, Enloe traz a sua décima-segunda lição, onde defende  
que lições feministas são para todo mundo. É uma espécie de reflexão,  
mas também um convite para pensarmos as guerras em outros termos e  
desenvolvermos nossas próprias lições, sempre em movimento. Inclusive,  
ela dá uma pista do que poderia ser a décima-terceira lição: é preciso se  
colocar no lugar dessas mulheres e meninas, ser solidárias e nos mobi-  
lizarmos. Portanto, como ilustrado, a cada capítulo é como se todo um  
universo estivesse sendo revelado, com riqueza de detalhes e elucidando  
questões impensadas, ao invés de trazer simples ramificações de um mes-  
mo ponto observado.  
O livro é muito rico, bem escrito e organizado, porém falha ao dei-  
xar de acrescentar uma perspectiva de violência contra a mulher oriunda  
do Sul Global que dialoga diretamente com a proposta do livro, como as  
obras da antropóloga argentina Rita Laura Segato, referência em estu-  
dos sobre masculinidade e violência, o que faremos, abraçando seu con-  
vite a pensar em outras lições e encararmos suas lições como algo em  
movimento. É possível traçar inúmeros diálogos entre as autoras, seja  
pensando em questões pontuais apresentadas no livro de Enloe, ou para  
expandir a própria ideia de guerra. No primeiro caso, podemos mencio-  
nar as ponderações sobre o que leva os homens a ir à guerra, e sua análise  
sobre o estupro em tempos de guerra, considerando que a Segato possui  
amplas teorizações.  
Nesse sentido, Segato em seu livro “La guerra contra las mujeres”  
compila algumas de suas formulações sobre tal tópico:  
1) la expresión “violencia sexual” confunde, pues aunque la agresión se ejecute  
por medios sexuales, la finalidad de la misma no es del orden de lo sexual sino  
del orden del poder; 2) no se trata de agresiones originadas en la pulsión libidinal  
traducida en deseo de satisfacción sexual, sino que la libido se orienta aquí al po-  
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Ana Laura Baia de Morais, Thaís Vieira Mulheres e Guerra: Lições sobre uma Realidade Ocultada  
der y a un mandato de pares o cofrades masculinos que exige una prueba de per-  
tenencia al grupo; 3) lo que refrenda la pertenencia al grupo es un tributo que,  
mediante exacción, fluye de la posición femenina a la masculina, construyéndola  
como resultado de ese proceso; 4) la estructura funcional jerárquicamente  
dispuesta que el mandato de masculinidad origina es análoga al orden mafioso;  
5) mediante este tipo de violencia el poder se expresa, se exhibe y se consolida de  
forma truculenta ante la mirada pública, por lo tanto representando un tipo de  
violencia expresiva y no instrumental. (Segato, 2016, p. 10).  
Um outro ponto de crítica que pode ser abordado em relação à obra  
analisada diz respeito à lacuna da metodologia presente no texto. Como  
o objetivo do texto é teorizar a experiência das mulheres na guerra, a au-  
sência de uma metodologia que evidencie como foi feita a coleta e a análi-  
se de dados deixa dúvidas a respeito de como o argumento foi construído.  
A falta de descrição dos aportes metodológicos utilizados deixa dúvidas  
para o leitor que pretende empreender pesquisas na área, visto que os  
dados e evidências coletados, pelo que demonstra o texto, não apresenta  
uma estruturação única, podendo ter sido reunidos de várias formas dife-  
rentes. Esta, inclusive, é uma crítica que se faz aos trabalhos referentes às  
disciplinas de Relações Internacionais no Brasil, que em geral carecem de  
metodologias bem delimitadas, especialmente, quando se trata de traba-  
lhos referentes que utilizam uma metodologia qualitativa.  
Recomendamos que seja feita uma leitura crítica do texto apresen-  
tado, considerando as inovações que a autora faz ao trazer os aspectos que  
podem ser apreendidos da vivência das mulheres na guerra e os debates  
que podem ser suscitados a partir das discussões apresentadas. Contudo,  
há que se estar atento para os déficits ou omissões metodológicas que o  
texto apresenta. Acreditamos que essa falta de uma metodologia explícita  
fragiliza o argumento, mas não o invalida como um todo. Com muita  
originalidade, Enloe (2023) nos apresenta um livro que traz considerações  
muito difíceis, mas com uma linguagem clara e acessível, contando com  
um acervo surpreendente e muito bem fundamentado.  
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  
ENLOE, Cynthia H. Bananas, Beaches & Bases: Making Feminist Sense of International  
Politics. 1. ed. Berkeley: University of California Press, 1990.  
SEGATO, Rita Laura. Cenas de um pensamento incômodo: gênero, cárcere e cultura em  
uma visada decolonial. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2022.  
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