A (in)visibilidade das crianças na migração climática
limitações do Direito Internacional na proteção infantojuvenil
Resumo
O presente artigo analisa a atuação do Direito Internacional diante da migração infantil motivada por causas climáticas, com ênfase na invisibilidade jurídica e política dessa população no sistema internacional. Parte-se da hipótese de que crianças e adolescentes em contextos de deslocamento climático estão submetidos a múltiplas vulnerabilidades, de caráter cumulativo e interseccional, que não são adequadamente contempladas pelos instrumentos normativos internacionais vigentes. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, com base em revisão interdisciplinar nas áreas do Direito, Relações Internacionais e Psicologia, complementada pela análise de dados de organismos internacionais. O artigo estrutura-se em três eixos analíticos: (i) os riscos do processo migratório, com foco na experiência infantojuvenil; (ii) os impactos físicos e mentais associados à migração em contexto de crise climática; e (iii) a avaliação dos instrumentos do Direito Internacional voltados à proteção de crianças migrantes. Os resultados indicam que, embora existam dispositivos normativos potencialmente aplicáveis, a ausência de reconhecimento jurídico específico da migração climática infantil amplia o espaço para interpretações restritivas por parte dos Estados, comprometendo a efetividade da proteção internacional e a garantia de direitos fundamentais, especialmente no que se refere às dimensões social, econômica e de saúde do desenvolvimento infantojuvenil.
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