COLÚVIOS DO PLANALTO DA BORBOREMA COMO GEOARQUIVOS DO QUATERNÁRIO TARDIO
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2318-2962.2025v35n1p41Palavras-chave:
Depósitos coluviais, Fluxo de detrito, Planalto da Borborema, Semiárido, Nordeste do Brasil.Resumo
Os depósitos coluviais constituem registros relevantes para a interpretação da evolução geomorfológica e paleoclimática, sendo amplamente utilizados na análise da configuração das paisagens. No semiárido brasileiro, sob o ponto de vista morfológico, ou seja, o domínio das encostas, os colúvios no Planalto da Borborema se encontram nas cabeceiras de drenagem, hollows, e sobre as encostas preenchendo integralmente ou parcialmente as concavidades topográficas. Por outro lado, processualmente, os depósitos coluviais podem atingir o domínio fluvial, dando origem a rampas de colúvio-aluvio, onde as inundações periódicas mascaram a inclinação original do depósito, incorporando os colúvios a terraços erosivos, que só podem ser distinguidos do material aluvial pela estrutura dos sedimentos originais. Na atualidade, há um consenso de que em ambientes áridos e semiáridos os fatores meteorológicos responsáveis pelo início de fluxos de detritos associados aos depósitos coluviais dependem de eventos extremos de precipitação ocorrendo em intervalos curtos, os quais devem ser precedidos por uma fase de umedecimento do solo, caracterizada por pelo menos 10 mm de chuva distribuídos entre três e cinco dias após um período seco prolongado. Por outro lado, nas encostas úmidas do Sudeste do Brasil, esses depósitos são controlados por talvegues que se encontram sob a topografia atual, os quais condicionam o direcionamento do transporte sedimentar. Nesse contexto, o deslocamento de uma massa coluvial geralmente se inicia sob a forma de fluxo, evoluindo para um movimento translacional, no qual a zona de fluxo é sucedida por uma massa deslizante que se movimenta sobre uma superfície de ruptura bem delimitada. Dessa forma, o presente estudo estabelece uma correlação entre os processos de coluvionamento em setores úmidos do Planalto Atlântico do Sudeste e as encostas semiáridas do Planalto da Borborema, testando parâmetros relativos ao desencadeamento de fluxos de detritos. No Sudeste, os depósitos coluviais revelam uma continuidade entre os processos pretéritos e os atuais. Em contrapartida, no Planalto da Borborema, observou-se uma descontinuidade na formação coluvial, com redução significativa a partir do Holoceno Superior, não havendo evidências expressivas desse processo no período histórico.
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