DO BRASIL À ANTÁRTICA (E DE VOLTA)

UMA JORNADA ATRAVÉS DA GEOMORFOLOGIA

Autores

  • Fábio Soares de Oliveira Universidade Federal de Minas Gerais
  • Davi do Vale Lopes Universidade Federal do Rio Grande do Norte
  • Carlos Ernesto Gonçalves Reynaud Schaefer Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Márcio Rocha Francelino Universidade Federal de Viçosa

DOI:

https://doi.org/10.5752/P.2318-2962.2025v35n1p87

Palavras-chave:

Áreas livres de gelo; Diversidade litológica; Clima; Colonização biológica; Tempo.

Resumo

A experiência científica brasileira na Antártica configura um movimento epistemológico de ida e volta, uma travessia que transforma tanto o olhar de quem investiga quanto o objeto investigado. Este artigo reflete sobre os resultados e significados de mais de vinte anos de pesquisas do Grupo Terrantar, dedicados ao estudo dos ecossistemas terrestres em áreas livres de gelo da Antártica. Aqui, sob a perspectiva da Geomorfologia, discutem-se as contribuições de pesquisadores e pesquisadoras com “alma tropical”, que precisaram “reformatar seu HD” para avançar na compreensão dos fatores fundamentais que controlam a evolução das paisagens frias. Na primeira parte, analisa-se o movimento de ida, quando o olhar tropical se desloca para o continente gelado e, a partir da tríade formas, materiais e processos, revela o papel de quatro fatores azonais fundamentais para a morfogênese e a morfodinâmica antártica: diversidade litológica, clima, colonização biológica e tempo. Essa abordagem permite interpretar as paisagens pro-para-periglaciais como sistemas dinâmicos em permanente reorganização. A segunda parte aborda o movimento de volta desse conhecimento ao Brasil, destacando como a experiência polar pode refinar a leitura da geomorfologia tropical, inspirando interpretações sobre intemperismo profundo, bioturbação, regolitos antigos e fosfatização em ilhas oceânicas. O artigo também evidencia o impacto institucional dessa trajetória, com a consolidação de redes de pesquisa, a formação de dezenas de mestres e doutores e o reconhecimento internacional da ciência brasileira em solos e paisagens polares. Estudar a Antártica tornou-se, também, um modo de compreender o Brasil: dois extremos em diálogo que revelam a unidade planetária dos processos geomorfológicos que moldam a Terra e conectam ciência, tempo e imaginação.

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Biografia do Autor

Fábio Soares de Oliveira, Universidade Federal de Minas Gerais

Geógrafo, Dr. em Geologia e Professor no Instituto de Geociências da UFMG, Brasil.

Davi do Vale Lopes, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Geógrafo, Dr. em Geografia e Professor no Departamento de Geografia do Centro de Ensino Superior do Seridó (CERES) da UFRN, Brasil.

Carlos Ernesto Gonçalves Reynaud Schaefer, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Agrônomo. PhD. em Ciência do Solo e Professor no Instituto de Geociências da UFRJ, Brasil.

Márcio Rocha Francelino, Universidade Federal de Viçosa

Agrônomo. Dr. em Solo e Nutrição de Plantas e Professor no Departamento de Solos da UFV, Brasil.

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Publicado

2025-11-21

Como Citar

Oliveira, F. S. de, Lopes, D. do V., Schaefer, C. E. G. R., & Francelino, M. R. (2025). DO BRASIL À ANTÁRTICA (E DE VOLTA): UMA JORNADA ATRAVÉS DA GEOMORFOLOGIA. Caderno De Geografia, 35(1), 87. https://doi.org/10.5752/P.2318-2962.2025v35n1p87

Edição

Seção

ARTIGOS