SOLO E RELEVO COMO CHAVE PARA COMPREENSÃO DA EVOLUÇÃO DA PAISAGEM SEMIÁRIDA NORDESTINA

Autores

  • Grace Bungenstab Alves Universidade Federal da Bahia

DOI:

https://doi.org/10.5752/P.2318-2962.2025v35n1p251

Palavras-chave:

Solo e paisagem, Pedologia, Evolução da paisagem, Solos relictuais.

Resumo

O semiárido nordestino abriga uma variedade de paisagens resultante de um histórico evolutivo policíclico. Apesar dos avanços recentes, ainda falta conectar, em múltiplas escalas, uma leitura integrada de solo e relevo. Este artigo discute os processos que influenciaram solos e relevo na evolução das paisagens do Nordeste semiárido, adotando uma abordagem multiescalar e integrada. Partimos de um enquadramento conceitual que integra a evolução de materiais, formas e processos; avançamos para a leitura de solos e relevo como arquivos complementares de tempo e dinâmica e discutimos sua influência nas formações vegetais, com exemplos que iluminam padrões e singularidades regionais. Como resultado, propomos dois grandes conjuntos de solos: (i) Solos Relictuais, lateríticos e herdados de condições mais úmidas, e (ii) Solos Recentes formados sob semiaridez (Luvissolos, Planossolos, Vertissolos e Chernossolos), cuja distribuição acompanha majoritariamente áreas mais dissecadas pela esculturação cenozoica. No compartimento de Solos Relictuais, a topografia controla a distribuição de fitofisionomias (Caatinga, Cerrado, Floresta Semidecidual) na Chapada Diamantina. Nas áreas de Solos Recentes, idades holocênicas por LOE em Vertissolos, associadas a pedogênese ativa e mistura vertical, recomendam cautela frente a interpretações estritamente morfogenéticas. Também mostramos que não há generalização regional simples: em zonas de transição, a transformação de Latossolos em Planossolos por desequilíbrio pedobioclimático evidencia que leituras apressadas não capturam os processos pedológicos que moldaram as superfícies rebaixadas do Nordeste. Concluímos que a leitura integrada solo e relevo, ancorada em cronologias absolutas e estudos detalhados de solos, aprimora a interpretação das pedopaisagens do semiárido nordestino e pode sustentar estratégias de adaptação baseadas na natureza, com implicações para o planejamento territorial, a conservação de serviços ambientais e políticas públicas.

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Biografia do Autor

Grace Bungenstab Alves, Universidade Federal da Bahia

Doutora em Geografia Física pela Universidade de São Paulo, Professora do Departamento de Geografia da Universidade Federal da Bahia, Brasil. Pós-doutoranda em Queens College, City University of New York, Estados Unidos da América.

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Publicado

2025-11-21

Como Citar

Alves, G. B. (2025). SOLO E RELEVO COMO CHAVE PARA COMPREENSÃO DA EVOLUÇÃO DA PAISAGEM SEMIÁRIDA NORDESTINA. Caderno De Geografia, 35(1), 251. https://doi.org/10.5752/P.2318-2962.2025v35n1p251

Edição

Seção

ARTIGOS