PERFORMATIVIDADE E ALGUNS DOS SEUS EFEITOS NA ORIENTAÇÃO DA FORMAÇÃO E DO TRABALHO DOCENTE NO BRASIL

  • Susana Scherer Universidade Federal de Pelotas - UFPel
Palavras-chave: política educacional, formação e trabalho docente, gerencialismo e performatividade

Resumo

O presente texto se dedica a analisar a presença e alguns dos efeitos da performatividade, no contexto da construção de uma escola gerencial, na orientação da formação e do trabalho docente no Brasil. Com base na abordagem metodológica macro-global e micro-local da sociologia da educação, são aclaradas as vinculações entre as atuais estratégias neoliberais e a gestão gerencial e a performatividade. Os estudos apontam que o gerencialismo e a performatividade se manifestam por políticas que visam infiltrar a lógica de mercado no setor público, através do foco em desempenhos. Os resultados da pesquisa sobre o Brasil indicam a construção de uma escola gerencial e de expressões da performatividade em propostas a partir dos anos 90, com o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), seu aperfeiçoamento e desdobramentos na BNCC e propostas como a BNC Docente, Prova Nacional Docente, nova Política Nacional de Formação inicial e continuada de professores para a educação básica, Exame Nacional do Magistério na educação básica (ENAMEB). Dessa forma, analisa-se a que a construção de uma escola gerencial se dá no país para inclinar a educação ao mercado, para o qual a performatividade tem papel chave para orientar a formação e o trabalho docente, deslegitimando o caráter social da educação, da escola e do professor.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Susana Scherer, Universidade Federal de Pelotas - UFPel

Graduada e Mestra em Educação Física pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Doutora em Educação pela Universidade Federal de Pelotas. Realizou Estágio Doutoral na Universidade do Minho - Portugal com supervisão do Prof. Licínio Lima. É integrante do Núcleo de Estudos e Pesquisas e Políticas Educacionais.

 

REFERÊNCIAS

AFONSO,    Nem   tudo   o   que   conta   em   educação   é   mensurável   ou comparável.  Crítica  à accountability baseada  em  testes  estandardizados  e  rankings escolares. Revista Lusófona de Educação, v. 13, p. 13-29, 2009.

ANPED, Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação. Manifesto contra a  Base  Nacional  Comum  São  Luís  do  Maranhão,  04 out. 2017.  Disponível em: www.anped.org.br. Acesso em: 29 fev. 2018.

ANPED et al. Entidades se posicionam contrárias à padronização e controle impostos pelo  Programa  de  Residência  Pedagógica!  Não  à  BNCC! Notícia em 06mar. 2018. Disponível em: www.anped.org.br. Acesso em: 29 fev. 2018.

BALL, Stephen. Reformar escolas/reformar    professores    e    os    terrores    da performatividade. Revista  Portuguesa  de  Educação. Braga,    15,  n.  2,  p.  3-23, 2002.

BALL, Stephen. Diretrizes Políticas Globais eRelações Políticas Locais em Educação.Currículo sem Fronteiras, v.1, n.2, Jul/Dez, p.99-116, 2001.

BALL, Profissionalismo,  Gerencialismo  e  Performatividade. Cadernos  de Pesquisa,v. 35, nº. 126, p. 539-564, 2005.

BALL, Entrevista. Um  diálogo  sobre  justiça  social,  pesquisa  e  política educacional. Educação e Sociedade,v.30, nº, 106, p. 303-318, 2009.

BALL, Stephen. Performatividades e  fabricações  na  economia  educacional:  rumo  a uma sociedade performativa. Educação e Realidade. Porto Alegre, v. 35, n. 2, p. 37-55, maio/ago. 2010.

BALL, Educação  Global  S.A.  Novas  Redes  políticas  e  o  imaginário neoliberal. Ponta Grossa: Editora UEPG, 2014.

Projeto  de  Lei  n.º6.114-A, de  2009: Exame  Nacional  de  Avaliação  do Magistério da Educação Básica (ENAMEB). Disponível em: http://www.camara.gov.br/. Acesso em 20 mai. 2016.

Presidência da  República  Casa  Civil.  Subchefia  para  Assuntos  Jurídicos. Decreto   nº   8.752,   de   09/05/2016. Dispõe   sobre   a   Política   Nacional   de Formação dos Profissionais da Educação Básica. Brasília, 2016.

Base Nacional Curricular Comum. Site institucional. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br.Acesso em 20 jan. 2018a.

Proposta de Base nacional comum da formação de professores da educação básica. Brasília: MEC, 2018.

CAPES, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Programa de Residência  Pedagógica. Publicado  em  01  de  março  de    Disponível  em: http://www.capes.gov.br/educacao-basica/programa-residencia-pedagogica.  Acesso em 01 dez. 2018.

CLARKE, John; NEWMAN, Janet. Gerencialismo. Educação e Realidade, v. 37, nº. 2, p. 353-381, 2012.

CÓSSIO, Maria de Fátima. Avaliação em larga escala e as novas formas de regulação da educação nacional. Anais... III CONAVE, Bauru, 2014.

DALE, Roger. Globalização e Educação: demonstrando a existência de uma “Cultura Educacional Mundial Comum” ou localizando uma “Agenda Globalmente Estruturada para a educação”? Revista Educação e Sociedade, Campinas, v. 25, n. 87, p. 423-460, 2004.

FREITAS, Luiz Carlos. ENAMEB: alcance e situação atual. Notícia em: 08 mai. 2016. Disponível  em:  https://avaliacaoeducacional.files.wordpress.com.  Acesso  em 20mai. 2016.

FRIGOTTO, Gaudêncio. Projeto societário contra-hegemônico e educação do campo: Desafios de conteúdo, método e forma. In: MONARIM. Antônio. Educação do campo. Reflexões e perspectivas. 1ª. ed. Florianópolis: Insular, 2010, p. 19-46.

INEP, Instituto Nacional de  Estudos  e  Pesquisas Educacionais  Anísio  Site oficial. Disponível em: http://portal.inep.gov.br. Acesso em 20 mai. 2020.

MAGUIRE, Meg; BALL, Stephen J. Discursos da reforma educacional no Reino Unido e Estados Unidos e o trabalho dos professores. Práxis Educativa. Ponta Grossa, PR, v. 2, n. 2, p. 97 -104, jul/dez. 2007. MAROY,   Estado  Avaliador,  Accountability  e  confiança  na  instituição escolar. Revista Educação e Políticas em Debate, v. 2, n. 2, p. 319-338, 2013.

MÉSZÁROS, István. A educação para além do capital. Theomai, Buenos Aires, Argentina, Red Internacional de Estudios sobre Sociedad, Naturaleza y Desarroll, n. 15, p. 107-130, 2007. Disponível em: <https://www.redalyc.org/pdf/124/12401511.pdf>. Acesso em: 07 dez. 2019.

PERONI, Vera Maria. As redefinições na relação público/privado e as implicações para a democratização da educação. Anais... Congresso Sul-brasileiro da ANPAE, p. 1-17, 2010.

PERONI, Vera Maria. A autonomia docente em tempos de Neoliberalismo e Terceira Via. Disponível em: ufrgs.br/faced/peroni/docs/A%20autonomia%20docente.pdf. Acesso em 20 ago. 2018.

ROBERTSON, Susan. As implicações em justiça social da privatização nos modelos de governança da educação: um relato relacional. Educação e Sociedade, v. 34, n. 34, p. 679-703, jul./set. 2013.

SCHERER, A  performatividade  e  o  trabalho  docente  na  escola pública: concepções e alguns de seus efeitos. Tese (Doutorado). Programa de Pós-Graduação  em  Educação,  Faculdade  de  Educação,  Universidade  Federal  de Pelotas. Pelotas, 2020.

 

Publicado
30-11-2023
Como Citar
Scherer, S. (2023). PERFORMATIVIDADE E ALGUNS DOS SEUS EFEITOS NA ORIENTAÇÃO DA FORMAÇÃO E DO TRABALHO DOCENTE NO BRASIL. @rquivo Brasileiro De Educação, 11(20), 219-235. Recuperado de https://periodicos.pucminas.br/index.php/arquivobrasileiroeducacao/article/view/30917