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 A LITERATURA NA SALA DE AULA DA EDUCAÇÃO BÁSICA:  quem ensina, por que ensina e como ensina

22-12-2023

CADERNOS CESPUC DE PESQUISA: SÉRIE ENSAIO

Número 45- 1º SEMESTRE/ 2024

O ensino da literatura depende de vários fatores, que podem ser estudados em suas especificidades ou em suas interseções. Trata-se de um campo de ensino e aprendizagem bastante complexo, envolvo em paradigmas e contextos históricos, o que demanda frequentes reflexões.

Entre esses fatores, podemos considerar a formação do professor (desde aquele que atua nos anos iniciais da Educação Básica), seu repertório de leituras, seu histórico de leitor de literatura, seu gosto pessoal por obras, estilos, autores etc.; sua concepção de literatura, a(s) linha(s) teórica(s) à(s) qual(is) se filia. Tudo isso, envolvido com sua própria formação docente, reflete nas práticas escolares que se aproximam ou se afastam do ensino efetivo da leitura da literatura.

Também não se pode furtar às imposições políticas, como ordenamentos de documentos oficiais, a exemplo a BNCC, que, entre outros problemas, “terapeutiza a educação, valendo-se de um conceito de ´formação integral` que significa, não o confronto produtivo do indivíduo com o mundo da cultura, mas sim a consciência de que os sujeitos são compostos de uma dimensão afetiva que deve ser cultivada pelas chamadas ´competências sócio-emocionais ─ amabilidade, autogestão, engajamento com os outros, resiliência emocional, abertura ao novo” (Durão e Cechinel, 2022, p.69), algo distinto do que se espera de um corpo de orientações para o ensino da literatura: “uma caracterização teoricamente situada da postura que a área solicita para a relação entre leitor e obra no espaço singular da sala de aula” (Durão e Cechinel, 2022, p.71). 

Há ainda que se considerar, subjacentes às condições acima apontadas, as ideologias que (des)locam a literatura (para)em altos, baixos ou nenhuns patamares, inclusive pela ausência de uma função que  a legitime em meio ao capitalismo que exalta o prático, o utilitário, o tecnológico, o lucrativo, o mercadológico.

Por fim, relevam-se ingredientes que se somam a esse cenário, ou interagem nele, como a própria concepção do que seja literatura, aproximada ou distanciada de sua constituição estética; a justificativa idealizadora da presença da literatura na escola ou seu condicionamento a um valor moral; o papel do leitor no processamento da leitura do texto literário; e a ingerência das preocupações temático-políticas.

Considerando esse quadro de complexas inter-relações, a proposta do dossiê em pauta é reunir artigos e ensaios que coloquem em discussão o ensino da literatura na Educação Básica: quem ensina, por que ensina e como ensina. 

Profa. Dra. Celia Abicalil Belmiro (FaE/UFMG)

Profa. Dra. Vera Lopes da Silva (PUC Minas)

 

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n. 44 (2023): Estudos linguísticos e os seus diferentes quadros teóricos
Árvores no fundo com máscara amarelada por cima da imagem. Texto: Cadernos CESPUC de Pesquisa. Série Ensaios — n. 44 1° semestre de 2024. Título em cor preta: Estudos linguísticos e os seus diferentes quadros teóricos. Organizadoras: Arabie Bezri Hermont e Ev'Ângela Batista Rodrigues de Barros. LOGO: Editora PUC Minas.
Publicado: 20-03-2024

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