Em busca do eu desconhecido:

amor e subjetividade errante em O conto da Ilha Desconhecida, de José Saramago

  • Vanessa Cardozo Brandão UFMG
Palavras-chave: Amor, Sujeito porvir, Literatura, Viagem, José Saramago

Resumo

Em romances, contos, crônicas e livros de viagem, José Saramago trata do tema da viagem de forma recorrente. Na perspectiva filosófica, pode-se logo perceber a temática como reflexão sobre o homem e sua viagem no mundo. A viagem da vida, do ser, do “ser-no-mundo” (Heidegger). Em dupla interpretação, a viagem poder ser lida ainda como percurso do próprio texto – viagem da escrita, viagem da leitura, percorrer de sentidos em movimento, errantes como o próprio viajante. Em “O conto da ilha desconhecida”, (1998) escolhido para esse trabalho, a dupla leitura da viagem como tema é atravessada ainda pela reflexão sobre a subjetividade. No conto, a ideia de um sujeito dado como pronto, inteiro (que poderíamos relacionar ao sujeito cartesiano) é colocada em xeque para que então se apresente um outro modelo de subjetividade atravessada pelo encontro com o outro como aventura, a partir da relação amorosa desenhada no texto. Tomando “O conto da ilha desconhecida” como micro-narrativa exemplar na obra de Saramago, pretende-se mostrar como o autor coloca a questão de uma subjetividade em processo, que busca seu questionamento filosófico fora de si, no outro, e ainda na escrita. Para isso, principalmente as ideias de Derrida e Blanchot serão importantes operadores de leitura do texto.

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Biografia do Autor

Vanessa Cardozo Brandão, UFMG

Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Professora Adjunta de Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Minhas Gerais (UFMG). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1119-212X.

Publicado
09-09-2022
Como Citar
Brandão, V. C. (2022). Em busca do eu desconhecido: . Cadernos CESPUC De Pesquisa Série Ensaios, (40), 175-193. https://doi.org/10.5752/P.2358-3231.2022n40p175-193