Saúde Mental em tempos de Sorôco e possibilidades na atualidade

  • Maria Angélica Silva Vaccarini Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC Minas. Mestranda. Bolsista da CAPES. Médica psiquiatra.
  • Ilka Franco Ferrari Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC Minas.Doutora. Membro da Escola Brasileira de Psicanálise (Brasil)e da Associação Mundial de Psicanálise (Paris, França). Bolsistade produtividade em pesquisa, CNPQ, nível pq2. http://orcid.org/0000-0002-6367-3136
Palavras-chave: Guimarães Rosa. Drogadição. Reforma Psiquiátrica. Soluções singulares.

Resumo

Este texto objetiva considerar que, diferentemente do vivenciado em tempos passados, mudanças ocorrem nas práticas em Saúde Mental que possibilitam saídas para o sujeito encarcerado no mundo das drogas. Elas contam com possibilidades desse próprio sujeito e com a entrada em cena de outros atores sociais, indo além do instituído pelas políticas públicas, como a Reforma Psiquiátrica, e pelo saber profissional, surpreendendo com invenções que só acontecem quando se abre para o inusitado e se desprende
do enraizamento aos mesmos paradigmas. Ilustra-o um caso clínico atendido no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Coronel Fabriciano-MG, que encontra sua própria saída seguindo os postulados usados pela equipe de saúde do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), saberes construídos em parceria inédita entre aquele movimento e a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, através da Escola de Saúde Pública. Traçase um paralelo entre o paradigmático caso da internação manicomial da mãe e filha de Sorôco, personagens de João Guimarães Rosa, em seu livro Primeiras estórias, em que o determinismo da única e imposta saída são percebidos de forma avassaladora, tanto pelos protagonistas como pelo povo do local, comparando-se com as possibilidades contemporâneas. Diversificação das saídas permitem ampliação dos recursos, facilitando ao sujeito a localização de seu papel singular, encontrando respostas únicas, originais, abrindo outros espaços psíquicos possíveis, para além do que nos foi retratado pelo poeta. Aborda também a capacidade de interposição do saber profissional entre o sujeito e suas saídas, por estarem estas fora do instituído como saber legítimo.


Palavras-chave: Guimarães Rosa. Drogadição. Reforma Psiquiátrica. Soluções singulares.

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Biografia do Autor

Maria Angélica Silva Vaccarini, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC Minas. Mestranda. Bolsista da CAPES. Médica psiquiatra.

Possui graduação em Medicina pela UFJF (1981), Residência Médica em Psiquiatria pelo Instituto Raul Soares/FHEMIG, especialização em Saúde Publica pela UFMG, título de Especialista em Medicina Preventiva e Social no CRMMG. Especialização em Educação Médica por Havana-Cuba, MBA em Gestão das Organizações de Saúde. Mestre em Psicologia Social pela PUCMINAS, na área de Processos de Subjetivação, como bolsista da CAPES.

Ilka Franco Ferrari, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC Minas.Doutora. Membro da Escola Brasileira de Psicanálise (Brasil)e da Associação Mundial de Psicanálise (Paris, França). Bolsistade produtividade em pesquisa, CNPQ, nível pq2.

Graduada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1981) e doutora em Psicologia pelo Programa de Clínica y Aplicaciones del Psicoanális, na Universidade de Barcelona (2001), Espanha. Professor adjunto IV da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, com experiências de ensino na graduação, pós-graduação e em funções administrativas,a exemplo de Vice-coordenadora do curso de graduação e coordenadora da Pós-graduação. Compôs equipe que construiu o projeto do Programa de Pós-graduação da PUC Minas e nele está desde sua implantação. Atua na área de Psicologia com ênfase em Tratamento e Prevenção Psicológica, principalmente, nos campos da psicanálise, psicopatologia e formação e inserção profissional dos psicólogos. É analista praticante, membro da Escola Brasileira de Psicanálise, Seção Minas Gerais, e da Associação Mundial de Psicanálise (AMP). Está na Vice-coordenação do GT Psicanálise em Redes: teorias e práticas acadêmicas e profissionais, e na universidade a psicanálise tem sido enfatizada em sua interlocução com a realidade social, como pode ser visto nos projetos de pesquisa realizados e orientados. Bolsista de Produtividade em Pesquisa,Cnpq, nível PQ - 2 .

Referências

MINAS GERAIS. Cuidados em saúde mental: diálogos entre o MST e o SUS. Belo Horizonte: ESP-MG, 2014.

MINAS GERAIS. Secretaria de Estado de Saúde. Atenção em saúde mental. Organização de Marta Elizabeth de Souza. 2.ed. Belo Horizonte: SES, 2007

ROSA, João Guimarães. Grandes sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.

ROSA, João Guimarães. Sorôco, sua mãe, sua filha. In: ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

Publicado
07-11-2016
Como Citar
Vaccarini, M. A. S., & Ferrari, I. F. (2016). Saúde Mental em tempos de Sorôco e possibilidades na atualidade. Cadernos CESPUC De Pesquisa Série Ensaios, (28), 160-167. https://doi.org/10.5752/P2358-3231.2016n28p160
Seção
Literatura e Psicanálise