Machado de Assis, Guimarães Rosa e o espelho

  • Márcio Vinícius do Rosário Hilário Professor do Colégio Pedro II. Doutor em Literatura Brasileira pela UFRJ.
Palavras-chave: Machado de Assis. Guimarães Rosa. Espelho. Símbolo. Intertextualidade.

Resumo

ais do que meros contadores de histórias ou estórias, os grandes escritores são capazes de criar universos ficcionais particulares, nos quais as mínimas partes se inter-relacionam dentro de um todo poético articulado. Nesse sentido, todos os
elementos constituintes de um enredo combinamse organicamente de tal modo que, por meio de cada um é possível ver representado o discurso maior pretendido pelo autor, embora somente na complementaridade de um com o outro se possa
realmente materializar a totalidade do tecido. Em outras palavras, quando um escritor elabora seu texto, ele está ao mesmo tempo criando um universo particular – porque tudo naquela tessitura se combina de forma muito específica – e geral – na
medida em que existe um princípio regente o qual se manifestará em qualquer outro texto produzido por ele. Fosse diferente, bastaria ao escritor (e ao leitor) apenas um único objeto artístico, já que qualquer outro diria exatamente aquilo que um primeiro já
teria revelado. Por extensão, do mesmo modo que um conto pode interagir com toda a ficção narrativa que compõe a obra de um artista, dentro dele todas as suas partes estão conectadas numa espécie de jogo metonímico. Partindo, então, da premissa
de que todo texto literário é merecedor de uma leitura singularizante, ainda que ele, obviamente, se insira no todo de um projeto estético, optamos por trabalhar em contos homônimos – “O espelho” – de Machado de Assis e de Guimarães Rosa – seus
aspectos imagético-simbólicos, dando um destaque especial, sobretudo, para o objeto-tema escolhido por seus autores.


Palavras-chave: Machado de Assis. Guimarães Rosa. Espelho. Símbolo. Intertextualidade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Márcio Vinícius do Rosário Hilário, Professor do Colégio Pedro II. Doutor em Literatura Brasileira pela UFRJ.
Graduou-se em Letras (Português-Literaturas), com Bacharelado (1998) e Licenciatura (1999), pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde também concluiu, sob a orientação do Professor Doutor Ronaldes de Melo e Souza, o Mestrado (2003) e o Doutorado (2012) em Letras Vernáculas - Literatura Brasileira, com enfoque nos romances escritos por Machado de Assis nos anos de 1870. Lecionou em diversas instituições da rede privada de educação do Rio de Janeiro e atua desde 1996 como voluntário no projeto social Pré-vestibular para Negros e Carentes/Pastoral da Juventude, em Duque de Caxias. Desde 2005, é professor concursado do Colégio Pedro II - do qual é orgulhosamente ex-aluno -, ministrando cursos regulares de Literatura Brasileira, Língua Portuguesa e Produção Textual no Ensino Médio. Em 2013, passou também a trabalhar na pós-graduação do Colégio Pedro II, até 2017 como Supervisor/Orientador de Língua Portuguesa do Programa de Residência Docente e em 2018 como regente no curso de especialização de Educação para as Relações Étnico-Raciais (EREREBÁ). Faz parte do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB) e dos grupos de pesquisa LITESCOLA e LEPELL, ambos preocupados com o ensino de Letras na Educação Básica. Exercer atualmente a função de Coordenador-Geral do Departamento de Português e Literaturas de Língua Portuguesa do Colégio Pedro II.

Referências

ASSIS, Machado de. “Os cegos: tréplica ao Sr. Jq. Sr.”, In: MASSA, Jean-Michel (Org.). Dispersos de Machado de Assis. Rio de Janeiro: MEC/ Instituto Nacional do Livro, 1965, p.62.

ASSIS, Machado de. Papéis avulsos. Rio de Janeiro, Belo Horizonte: Livraria Garnier, 1989.

CHEVALIER, Jean & GHEERBRANT, Alain. Dicionário de símbolos: mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. 13.ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1999.

HILÁRIO, Márcio Vinícius do Rosário. A desconstrução do romanesco: uma análise dos primeiros romances de Machado de Assis. Rio de Janeiro: UFRJ / Faculdade de Letras, 2012. Tese de Doutorado em Literatura Brasileira.

HILÁRIO, Márcio Vinícius do Rosário. “Reflexões e divagações diante de ‘O espelho’”. In: BASTOS, Dau. (Org.). Jornada discente Machado de Assis: melhores artigos. Rio de Janeiro: UFRJ, Centro de Letras e Artes, Faculdade de Letras, 2009, p.125-9

ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. 5.ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1969.

SOUZA, Ronaldes de Melo. Ficção e verdade: diálogo e caterse em “Grande sertão: veredas”. Série Compromisso, n.3. Brasília: Clube de Poesia de Brasília, 1978.

Publicado
07-11-2016
Como Citar
Hilário, M. V. do R. (2016). Machado de Assis, Guimarães Rosa e o espelho. Cadernos CESPUC De Pesquisa Série Ensaios, (28), 95-108. https://doi.org/10.5752/P2358-3231.2016n28p95