De Roboré aos anos 2000: A Bolívia como Vértice de (In)Segurança Energética Brasileira?

From Robore to the 2000s: Bolivia as Brazilian Energy (In)Security Vertex?

  • Tiago Tasca Universidade de Brasília - IREL – UnB
Palavras-chave: Segurança Energética Brasileira, Geopolítica Energética, América do Sul, Política Externa Brasileira.

Resumo

Este artigo tem como tema a segurança energética brasileira e sua relação com o gás natural importado da Bolívia. A construção do elo gasífero brasileiro-boliviano tem seu desenvolvimento desde os anos 1950, confluindo com a assinatura do Tratado de La Paz (1996) e com a edificação do Gasoduto Brasil-Bolívia. Essa trajetória não esteve isenta de desafios e dificuldades para a segurança energética brasileira, sobretudo após os anos 2000. Destarte, o objetivo central é apresentar a Bolívia como vetor de (in)segurança energética brasileira. Parte-se da seguinte pergunta: a Bolívia configura-se como ameaça à segurança energética brasileira depois de 2000? Para respondê-la, utiliza-se do estudo de caso do Gasbol e da estratégia metodológica da inferência descritiva. Conclui-se, a partir de um framework analítico de fonte de risco, escopo da medida de impacto e certeza da ameaça que a Bolívia pode configurar uma ameaça à segurança energética brasileira. Todavia, dois mecanismos devem ser levados em conta no cálculo das decisões energéticas brasileiras concernentes às negociações de renovação do Gasbol, em 2019: diversificação de suprimento e resiliência. 

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Biografia do Autor

Tiago Tasca, Universidade de Brasília - IREL – UnB

Mestrando em Política Internacional e Comparada pela Universidade de Brasília (IREL - UnB). Pesquisador vinculado ao Laboratório de Estudos de Defesa (LED). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).  Áreas de interesse: geopolítica energética; segurança energética brasileira; energia e mudanças climáticas.

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Publicado
29-04-2017
Como Citar
Tasca, T. (2017). De Roboré aos anos 2000: A Bolívia como Vértice de (In)Segurança Energética Brasileira?. Conjuntura Internacional, 14(1), 12-24. https://doi.org/10.5752/P.1809-6182.2017v14n1p12