PODER E VIOLÊNCIA NOS PENSAMENTOS DE HANNAH ARENDT E WALTER BENJAMIN

  • Luciano Gomes Brazil Universidade Federal do Rio de Janeiro
Palavras-chave: Arendt, Benjamin, Violência, Poder, Violência mítica

Resumo

Neste artigo procuramos elaborar um diálogo improvável entre as concepções arendtiana e benjaminiana da violência, procurando primeiro entender a separação conceitual entre Violência e Poder e os pressupostos que estão colocados nesta abordagem encontrada no ensaio On Violence e alguns outros textos de Hannah Arendt. A autora entende que toda violência é instrumental, enquanto o poder não se manifesta da mesma forma. Arendt procura traçar uma crítica ao mal-entendido de que para haver poder é preciso que haja violência. Para fundamentar este posicionamento conceitual, Arendt visita as concepções greco-romanas de civitas e isonomia e conclui que os revolucionários do século XVIII se equivocaram acerca da noção de obediência. Em seguida, buscando entender a concepção benjaminiana de Gewalt, sinônimo tanto de violência quanto de poder, observamos o exemplo e a distinção entre dois tipos de greve que adotam estratégias diferentes diante do poder coercivo do estado, portanto duas diferentes Práxis: uma, nomeada por greve geral política, cuja ação se compreende como meio para fins de direito e que, portanto, na concepção benjaminiana é violenta; e outra cujos fins não são de direito e que, portanto, seria uma concepção não violenta. Benjamin, além de não distinguir violência e poder, concebe a forma jurídica estatal como uma forma violenta e que procura monopolizar os usos da violência desautorizando quaisquer outras formas de sua manifestação. Os argumentos benjaminianos se encaminham para uma concepção mítica de manifestação da violência a isto se ligando concepções próprias encontradas tanto em Para a crítica da violência quanto outros escritos da década de 1920 e cuja forma mais geral é formulada na oposição entre mito e história. À guisa de conclusão, arriscamos algumas considerações aproximativas entre estes dois autores.

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Biografia do Autor

Luciano Gomes Brazil, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutorando em filosofia pelo PPGF-UFRJ, orientando da professora Carla Rodrigues. Atualmente leciona para a Universidade de Pernambuco, campus Petrolina, onde ministra disciplinas do ciclo básico de licenciatura. É mestre, também pelo PPGF-UFRJ, com um estudo sobre a Genealogia da Moral, de Nietzsche, sob orientação do professor Gilvan Fogel. Foi professor substituto pela Universidade Federal do Tocantins e pelo Instituto Federal de Goiás.

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Publicado
12-06-2023
Como Citar
Brazil, L. G. (2023). PODER E VIOLÊNCIA NOS PENSAMENTOS DE HANNAH ARENDT E WALTER BENJAMIN. Virtuajus, 8(14), 125-140. https://doi.org/10.5752/P.1678-3425.2023v8n14p125-140
Seção
Dossiê “Para uma crítica da violência": Walter Benjamin 100 anos depois