O MESSIANISMO DO MOISÉS DE FREUD

um ajuste de contas a partir de Walter Benjamin

  • Alessandra Affortunati Martins Universidade Federal de São Paulo
Palavras-chave: Messianismo, Moisés, Emancipação, Freud

Resumo

Partindo de duas breves alusões feitas por Walter Benjamin ao personagem bíblico Moisés, o artigo busca desvendar algumas das causas do fracasso mosaico em termos emancipatórios. Seu gesto, de fato, não foi capaz de dissolver a contínua história de opressão escrita pelas mãos dos vencedores. Para realizar esta análise, observa-se uma pequena alteração feita por Benjamin de dois termos decisivos em um trecho de Panorama Imperial: o ódio e a prece da versão de 1923 são correspondentemente substituídos por amargura e revolta em 1928 (LÖWY, 2012). Com esse debate e resgatando o Moisés egípcio de Freud, observa-se que o ímpeto mosaico inicial, que tinha no horizonte a libertação dos oprimidos, deveria ser preservado. Por outro lado, sua adesão às leis abstratas mostra a pertinência das críticas que parecem existir nos trechos alusivos à figura bíblica, escritos por Benjamin.

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Biografia do Autor

Alessandra Affortunati Martins, Universidade Federal de São Paulo

psicanalista, Doutora em Psicologia Social e do Trabalho pela Universidade de São Paulo (Bolsa Capes - USP/2015) com período sanduíche na Alemanha-Berlim (ZfL), Mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica (Bolsa Capes - PUC-SP/2004), Formada em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP/2007) e em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP/1999). Em sua pesquisa de pós-doutorado pela FFLCH-USP e pela Birkbeck, University of London (bolsa FAPESP) dedicou-se ao estudo da categoria de estrangeiro em Freud e Walter Benjamin. Atualmente é pesquisadora na Cátedra Edward Said (UNIFESP), onde ainda estuda a categoria de estrangeiro a partir de perspectivas decoloniais. Tal pesquisa, centrada nessa categoria teórico-clínica não-identitária - o estrangeiro -, tem orientado atendimentos em grupo e individuais realizados pelo Projeto Causdequê? (Casa do Adolescente-SUS), voltados atualmente para questões de classe, gênero e raça. É membra do GT de Filosofia da Psicanálise da ANPOF e do GEPEF (Grupo de Estudos, Pesquisas e Escritas Feministas).

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Publicado
12-05-2023
Como Citar
Martins, A. A. (2023). O MESSIANISMO DO MOISÉS DE FREUD. Virtuajus, 8(14), 75-86. https://doi.org/10.5752/P.1678-3425.2023v8n14p75-86
Seção
Dossiê “Para uma crítica da violência": Walter Benjamin 100 anos depois