Hécuba

paradigma da sempre dolorosa velhice

  • Maria de Fátima Silva Universidade de Coimbra
Palavras-chave: Ilíada, Eurípides, Troianas, Hécuba

Resumo

Quando pensamos, no contexto da Antiguidade Grega, em paradigmas de velhice em versão feminina, a figura mais emblemática é, sem dúvida, Hécuba, a rainha de Troia. Sobre esta figura, a Literatura Grega, no seu conjunto, produziu um retrato que se vai adensando em duas grandes etapas. A visibilidade que lhe é conferida pela épica, tomando por testemunho a Ilíada, é ainda a de uma soberana poderosa, que goza de prestígio junto do marido e dos filhos, e do respeito e simpatia do seu povo, nomeadamente das mulheres que rodeiam a sua vida no palácio. Por sua vez a tragédia fixou-se sobretudo no pós-guerra, dando grande projeção às mulheres de Troia, sobreviventes da guerra para caírem nas mãos do inimigo e se tornarem nas principais vítimas do conflito. Várias dessas mulheres se tornaram padrão da violência da guerra. Mas nenhuma delas reuniu, como Hécuba, o cúmulo do sofrimento feminino: como exemplo de todas as perdas, ápais, ánandros, ápolis (privada de filhos, de marido, de cidade), num momento em que a idade avançada a privava de resistência.

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Biografia do Autor

Maria de Fátima Silva, Universidade de Coimbra

Biografia da autora:
Professora Catedrática jubilada do Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e membro do CECH-Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos. Investigadora na área da Literatura Grega, com preferência pelo teatro, historiografia, textos científicos e estudos de recepção. Atualmente tradutora de Pausânias.

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Publicado
23-08-2023
Como Citar
Silva, M. de F. (2023). Hécuba. Virtuajus, 8(15), 36-46. https://doi.org/10.5752/P.1678-3425.2023v8n15p36-46