NEUROCIÊNCIA E CULTURA DIGITAL:

estratégias para reduzir os efeitos do brain rot em contextos educacionais

Autores

  • Flávia Cecília Abrahão Morais Leandro
  • Jociele de Abreu da Silva
  • Josiane Cristina Cavalcante
  • Luciana Santo da Cruz
  • Márcia Gorett Ribeiro Grossi

Resumo

O termo brain rot descreve o declínio cognitivo associado ao consumo excessivo de conteúdos digitais superficiais, fenômeno que desafia os processos de aprendizagem em ambientes mediados por tecnologias. Diante desse cenário, tornou-se pertinente fazer uma pesquisa que teve como objetivo investigar de que forma as redes sociais podem ser ressignificadas como ferramentas educativas capazes de mobilizar a atenção e favorecer a aprendizagem, contrapondo-se aos efeitos do brain rot. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica qualitativa realizada no Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), a partir da análise de produções que relacionam neurociência da atenção, cultura digital e práticas pedagógicas baseadas no movimento studygram. A literatura consultada indica que a atenção envolve três circuitos neurais integrados e se manifesta em quatro modalidades principais: seletiva, sustentada, dividida e alternada. O brain rot compromete esses mecanismos ao estimular gratificação instantânea e resistência a tarefas cognitivas mais exigentes, intensificadas por arquiteturas digitais voltadas à fragmentação da atenção. Em contrapartida, o studygram se destaca como prática que transforma o Instagram em espaço de aprendizagem colaborativa, no qual estudantes compartilham rotinas, materiais e estratégias de estudo. Ao demandar planejamento, síntese e comunicação eficaz, essa prática mobiliza processos cognitivos relacionados à autonomia e à disciplina, além de promover competências transmídia. Os resultados da análise evidenciam que o studygram pode atuar como estratégia eficaz de mitigação do brain rot, ao converter o consumo passivo de conteúdos em experiências de aprendizagem ativa e colaborativa. Conclui-se que o enfrentamento desse fenômeno depende do uso intencional e crítico das tecnologias digitais, fundamentado em princípios pedagógicos que estimulem engajamento intelectual e redes de apoio acadêmico.

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Publicado

2026-06-25

Edição

Seção

ARTIGOS/ARTICLES