TERRITÓRIO, INVISIBILIDADE E ESCOLA:
por um ensino geográfico emancipador
Resumo
Este artigo discute a Geografia escolar como linguagem de leitura do mundo, articulando território, invisibilidades e cartografia como dimensões políticas da produção espacial. Partindo da crítica de Yves Lacoste à função estratégica do saber geográfico e da concepção do espaço como produção social em Milton Santos e Henri Lefebvre, argumenta-se que mapas não são representações neutras, mas discursos que organizam o visível e legitimam narrativas territoriais. Nesse contexto, defende-se o letramento territorial como eixo formativo capaz de deslocar o ensino de Geografia da memorização para a interpretação crítica do cotidiano vivido. À luz da BNCC, problematiza-se a tensão entre competências e instrumentalização técnica, propondo uma abordagem que integre autoria, vivência e reflexão conceitual. A cartografia afetiva é apresentada como gesto político-pedagógico que reinsere o estudante como produtor de representações, articulando experiência, análise e consciência espacial. Conclui-se que um ensino geográfico emancipador é aquele que torna o território legível, questionável e transformável, enfrentando os apagamentos inscritos tanto nos mapas quanto no currículo.
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