HERMENÊUTICA DOS SIGNOS E ALGORITMOS
peirce e o processamento de linguagem natural nas inteligências artificiais
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2236-0603.2026v13n25p17-30Palavras-chave:
Semiótica Peirceana, Processamento de Linguagem Natural, Inteligência Artificial, Filosofia da Linguagem, HermenêuticaResumo
Este artigo investiga as intersecções entre a semiótica peirceana e o Processamento de Linguagem Natural (PLN) com Inteligência Artificial (IA), problematizando o discurso tecnológico que atribui às máquinas a capacidade de interpretar linguagem. A partir da lógica triádica de Charles Sanders Peirce — signo, objeto e interpretante —, demonstra-se que os sistemas de PLN não realizam semiose, mas apenas operações estatísticas travestidas de compreensão. Argumenta-se que a confusão entre cálculo e interpretação não é neutra: infiltra-se na educação, na ciência, no direito e na política, promovendo uma hermenêutica empobrecida e deslocando responsabilidades humanas para algoritmos opacos. A análise conclui que as supostas semioses artificiais não passam de simulacros e que resistir a essa retórica é reafirmar a diferença entre resposta maquínica e interpretação humana.
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