HERMENÊUTICA DOS SIGNOS E ALGORITMOS

peirce e o processamento de linguagem natural nas inteligências artificiais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5752/P.2236-0603.2026v13n25p17-30

Palavras-chave:

Semiótica Peirceana, Processamento de Linguagem Natural, Inteligência Artificial, Filosofia da Linguagem, Hermenêutica

Resumo

Este artigo investiga as intersecções entre a semiótica peirceana e o Processamento de Linguagem Natural (PLN) com Inteligência Artificial (IA), problematizando o discurso tecnológico que atribui às máquinas a capacidade de interpretar linguagem. A partir da lógica triádica de Charles Sanders Peirce — signo, objeto e interpretante —, demonstra-se que os sistemas de PLN não realizam semiose, mas apenas operações estatísticas travestidas de compreensão. Argumenta-se que a confusão entre cálculo e interpretação não é neutra: infiltra-se na educação, na ciência, no direito e na política, promovendo uma hermenêutica empobrecida e deslocando responsabilidades humanas para algoritmos opacos. A análise conclui que as supostas semioses artificiais não passam de simulacros e que resistir a essa retórica é reafirmar a diferença entre resposta maquínica e interpretação humana.

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Biografia do Autor

Hugo Paiva Barbosa, PUC Minas/Doutorando

Brasileiro. E-mail institucional: hugopaivabarbosa@gmail.com. Professor de Direito Constitucional e Direito Civil e Empresarial na UniAtenas - Sete Lagoas. Doutorando em Direito na área de concentração Democracia, Liberdade e Cidadania na linha de Teoria do Direito e da Justiça pela PUC MINAS; Mestre em Direito e Inovação na área de estudo empiria, políticas públicas e argumentação pela Universidade Federal de Juiz de Fora; Especialista em Direito Civil e Direito Processual Civil pela Escola Brasileira de Direito; Especialista nas áreas multidisciplinares de Análise de Dados, Gestão de Negócios e Marketing Estratégico Digital pela Uniamérica Centro Universitário. Graduado em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Essa pesquisa foi desenvolvida com financiamento da agência de fomento Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). Esta pesquisa está vinculada ao grupo de pesquisa “Direito e Razão Prática”, vinculada ao programa de pós-graduação em Direito da PUC MINAS e coordenada pelo professor Dr. Alexandre Travessoni Gomes Trivisonno.

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Publicado

2026-02-10

Edição

Seção

Artigos Tema Livre