CONFLUÊNCIAS ENTRE A VIDA E A FORMAÇÃO DOCENTE NO AMAZONAS
O ATELIÊ ARTESANAL COMO COMPARTILHAMENTO DE SABERES ANCESTRAIS
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2236-0603.2026v13n25p46-60Palavras-chave:
Formação docente, (auto)biografia, Educação Física, CulturaResumo
Este artigo apresenta uma narrativa (auto)biográfica que reflete profundamente sobre a formação docente na região amazônica, entrelaçando experiências pessoais, culturais e pedagógicas em um contexto social complexo. Por meio da criação de um ateliê artesanal voltado para a confecção de materiais didáticos destinados à Educação Física, os professores participaram de um processo coletivo que resgatou memórias, saberes ancestrais e práticas manuais tradicionais da região. Esse processo evidenciou diferenças geracionais nas habilidades de tessitura, valorizando a troca intergeracional de conhecimentos e promovendo o fortalecimento dos laços comunitários. A pesquisa se fundamenta na teoria do habitus de Pierre Bourdieu, destacando a importância da relação entre os contextos socioculturais locais e a construção da identidade docente. Enfatiza-se, assim, a integração dos saberes regionais na prática pedagógica, contribuindo para uma formação mais contextualizada, significativa e alinhada com a realidade amazônica. A (auto)biografia funciona como instrumento epistemológico, abrindo espaço para uma reflexão crítica e emancipatória sobre o papel do educador na Amazônia. O estudo valoriza a diversidade cultural como elemento central na construção da identidade profissional, reforçando a importância das narrativas de vida para articular experiência pessoal, saberes locais e prática educacional. Dessa forma, oferece subsídios importantes para a elaboração de políticas formativas que contemplem a pluralidade sociocultural da região amazônica.
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