DAS LETRAS AOS NÚMEROS E SUAS SINGULARIDADES:

um olhar humanizado aos transtornos de aprendizagem

Autores

  • João Leonardo Cordeiro Júnior
  • Maria Eduarda Souza Melo
  • Maria Franciely Amaral de Oliveira
  • Regina Célia Avelar Antônio
  • Vera Lúcia Morais de Souza Simões
  • Stela Maria Fernandes Marques

Resumo

O presente artigo analisa os transtornos de aprendizagem, a partir de uma abordagem interdisciplinar que integra aportes da neurociência, psicopedagogia, educação inclusiva e políticas públicas educacionais. Parte-se do entendimento de que as dificuldades em leitura, escrita, cálculo e atenção não devem ser vistas como falhas individuais, mas como expressões da diversidade neurobiológica, que desafia os modelos escolares historicamente homogêneos. O objetivo principal é entender como as singularidades dos alunos podem ser atendidas por intervenções pedagógicas contextualizadas, planejamento flexível e diálogo interdisciplinar. Do ponto de vista metodológico, o estudo articula uma revisão teórica com uma análise de uma entrevista, realizada no contexto da disciplina Práticas Investigativas em Educação: A Escola e os Alunos com Necessidades Educativas Especiais, ofertada no curso de Letras da PUC Minas, com uma psicopedagoga que trabalha em ambientes clínicos e escolares. Os resultados mostram que muitos estudantes chegam ao atendimento especializado após experiências marcadas por rotulação precoce, práticas pedagógicas rígidas, avaliações punitivas e fragilização emocional. Esses fatores tendem a agravar as dificuldades iniciais e a prejudicar a autoestima dos alunos. A pesquisa enfatiza a importância da detecção precoce, das avaliações multidimensionais e da colaboração eficaz entre a escola, a família e os serviços de saúde. Evidencia-se que ações que usam recursos multissensoriais, flexibilizam tempo pedagógico, diversificam formas de expressão do saber e fortalecem a relação professor-aluno contribuem ao engajamento e ao avanço acadêmico. A efetivação da educação inclusiva requer a superação de práticas convencionais e a construção de uma cultura escolar que valorize as singularidades, transformando a escola em ambiente de acolhimento, equidade e pertencimento. Conclui-se, ressaltando que a mudança das práticas educacionais depende da formação docente contínua e do compromisso das instituições com a inclusão efetiva dos alunos no ambiente escolar atual.

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Publicado

2026-06-19