Entre o Mutum e Buriti Bom
Miguilim em travessia
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2025v29n67p88-116Palavras-chave:
João Guimarães Rosa, Corpo de Baile, Manuelzão e Miguilim, Noites do Sertão, literatura e psicanáliseResumo
Este artigo propõe uma leitura do ciclo Corpo de Baile, de João Guimarães Rosa (1956), a partir do trânsito de personagens entre as sete novelas que o compõem, com atenção especial ao percurso de Miguilim, protagonista de “Campo Geral”, e à sua reaparição como Miguel, na novela final, “Buriti”. O estudo parte da observação de que há, no conjunto, uma dinâmica narrativa que permite o deslocamento de figuras pelo sertão rosiano, revelando uma rede de vínculos entre histórias, personagens e espaços. Na primeira parte, são rastreados os deslocamentos dessas figuras e discutidas algumas características do sertão representado por Rosa, compreendido como espaço simbólico em que carências materiais e afetivas coexistem e se complementam. Em seguida, examinam-se as menções aos familiares de Miguilim em outras novelas, com o objetivo de compará-las ao que se sabia de sua infância no Mutum e de situá-los na geografia sertaneja da obra. Por fim, propõe-se o cotejo entre Miguilim e Miguel adulto, tal como reaparece em “Buriti”, em busca de rastros das faltas afetivas e materiais que marcaram sua trajetória. A análise textual busca identificar indícios de permanência na constituição da personagem e refletir sobre o processo de sua travessia, da infância à vida adulta. Ao explorar os ecos e continuidades que atravessam o ciclo, o artigo reforça a ideia de unidade narrativa e simbólica em Corpo de Baile, para além da aparente fragmentação entre as novelas.
Downloads
Referências
ARRIGUCCI Jr., Davi. O mundo misturado: romance e experiência em Guimarães Rosa. Novos Estudos Cebrap, São Paulo, n. 40, 1994.
BARROS, Maria Helena Noronha. Miguilim e Manuelzão – Viagem para o Ser. Dissertação. UFMG, 1988.
BERGAMIN, Cecília de Aguiar. DANSADAMENTE: unidade do Corpo de Baile de João Guimarães Rosa. Dissertação (Mestrado). FFLCH, USP, 2008.
BIZZARRI, Edoardo. Guimarães Rosa: correspondência com seu tradutor italiano. São Paulo: T.A. Queiroz: Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro, 1980, 2ª Ed.
BOSI, Alfredo. Céu, Inferno: ensaios de crítica literária e ideológica. São Paulo: Duas Cidades, Ed. 34, 2003.
CALQUI, Mayara de Andrade. Travessia e elaboração das perdas em “Miguilim”, de João Guimarães Rosa. 2016. Dissertação (Mestrado em Teoria Literária e Literatura Comparada) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016.
CANDIDO, Antonio. A vida familiar do caipira, In: Parceiros do Rio Bonito. Estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida. 11. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2010.
DEL PRIORE, Mary. História do amor no Brasil. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2006.
DEL PRIORE, Mary. Uma Breve História do Brasil. Mary del Priore, Renato Venancio. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil, 2010.
FREUD, Sigmund. Escritores criativos e devaneios [1908]. In: FREUD, Sigmund. Os Chistes e sua relação com o Inconsciente. Rio de Janeiro: Imago, 1996. (vol. VII).
FREUD, Sigmund. Recordar, Repetir e Elaborar. [1914]. In: O Caso Schreber, Artigos sobre Técnica e outros trabalhos (1911-1913). Rio de Janeiro: Imago, 1996. (vol. XII).
FREUD, Sigmund. Além do Princípio de Prazer [1920]. In: FREUD, Sigmund. Além do Princípio de Prazer, Psicologia de Grupo e outros trabalhos (1920~1922). Rio de Janeiro: Imago, 1996. (vol. XVIII)
FREUD, Sigmund. A Negativa [1925]. In: O Ego e o Id e outros trabalhos. Rio de Janeiro: Imago, 1996. (vol. XIX).
HANSEN, João Adolfo. Guimarães Rosa e a Crítica Literária: Forma literária e crítica na lógica racionalista em Guimarães Rosa. Letras de Hoje, Porto Alegre, v.47, n.2, p.120-130, abr./jun. 2012.
LAGES, Susana Kampff. João Guimarães Rosa e a Saudade. Cotia: Ateliê Editorial, 2002.
LIMA, Luiz Costa. A Metamorfose do Silêncio (Análise do discurso literário). Rio de Janeiro: Livraria Eldorado Tijuca Ltda., 1974.
LIMA, Deise Dantas. Encenações do Brasil Rural em Guimarães Rosa. Niterói: Ed. UFF, 2001.
LORENZ, Günter. Diálogo com Guimarães Rosa. In: COUTINHO, Eduardo (org.) Guimarães Rosa. 2. ed. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira, 1991, p. 62-97.
MARQUES, Davina. Rosa e as mulheres do Mutum. Universidade Estadual de Maringá – UEM. Maringá-PR, 9, 10 e 11 de junho de 2010 – ANAIS - ISSN 2177-6350
NUNES, Benedito. A Rosa o que é de Rosa: literatura e filosofia em Guimarães Rosa. Org. Victor S. Pinheiro. Rio de Janeiro: DIFEL, 2013.
PASSOS, Cleusa Rios P. Guimarães Rosa: do feminino e suas estórias. São Paulo: Hucitec; Fapesp, 2000.
PASSOS, Cleusa Rios P. Os Roteiros de Corpo de Baile: travessias do sertão e do devaneio. In: Scripta, Belo Horizonte, v.5, n. 10, p. 78-98, 1º sem. 2002.
REINALDO, Gabriela. A cura pela palavra: Aristeu e Guimarães Rosa. In: Ângulo 115, out./dez., 2009, p. 92-99.
RÓNAI, Paulo. Rondando os segredos de Guimarães Rosa. In: ROSA, J.G. Noites do Sertão: (Corpo de Baile). 9. ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira, 2001, p. 17-25.
RONCARI, Luiz. Patriarcalismo e dionisismo no santuário do Buriti Bom. In: FANTINI, Marli (org.) A poética migrante de Guimarães Rosa. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2008, p.145-189.
ROSA, João Guimarães. Manuelzão e Miguilim. [1956]. 9. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
ROSA, João Guimarães. Noites do Sertão: (Corpo de Baile). [1956]. 9. ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira, 2001.
ROSA, João Guimarães. No Urubuquaquá no Pinhém:(Corpo de Baile). [1956]. 9. ed. Rio de Janeiro: Nova fronteira, 2001b.
ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. [1956]. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.
SCOTT, Ana Silvia. O caleidoscópio dos arranjos familiares. In: PINSKY, Carla Bassanezi e PEDRO, Joana Maria (orgs.). Nova História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2013, p. 15-42.
ZILBERMAN, Regina (org.). Corpo de Baile: Romance, Viagem e Erotismo no Sertão. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2007.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Editora PUC Minas

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
O envio de qualquer colaboração implica, automaticamente, a cessão integral dos direitos autorais à PUC Minas. Solicita-se aos autores assegurarem:
- a inexistência de conflito de interesses (relações entre autores, empresas/instituições ou indivíduos com interesse no tema abordado pelo artigo), e
- órgãos ou instituições financiadoras da pesquisa que deu origem ao artigo.
- todos os trabalhos submetidos estarão automaticamente inscritos sob uma licença creative commons do tipo "by-nc-nd/4.0".
Português
English
Español
Italiano





