“Carece de ter muita coragem...”

uma travessia afro-indígena e galega em Grande Sertão: veredas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2025v29n67p412-450

Palavras-chave:

Grande sertão: veredas, estudos translíngues, estudos decoloniais, memória ancestral , Rio São Francisco

Resumo

Este ensaio, uma homenagem aos 70 anos de publicação da obra “Grande Sertão: veredas”, propõe uma leitura contemporânea de um episódio ocorrido em suas páginas a partir das perspectivas dos estudos translíngues e dos estudos decoloniais. Por meio do uso de diferentes dicionários das línguas Banto, Tupi, Galego e Português e das categorias da Antropologia da Linguagem como instrumentos de geração de registros, este texto pretende, primeiramente, identificar a quais línguas pertencem cada palavra analisada, para em seguida, discorrer sobre o resgate histórico e cultural que advém a partir das indexicalidades produzidas por essas palavras no contexto literário rosiano específico. As análises do léxico identificado trazem à tona a memória ancestral em detrimento da consciência colonizadora que homogeiniza e apaga diferenças. O mergulho nos redemoinhos linguageiros fecundos da primazia do texto literário de João Guimarães Rosa revelou, a partir de seu rico e diverso repertório lexical, Brasis profundos oralizados que trazem, em sua ancestralidade, a estruturação indígena, africana e galega da nossa língua brasileira. Assim, trazer as lentes das translinguagens, da decolonialidade e da antropologia das linguagens para a obra rosiana desnaturaliza a colonialidade das linguagens que nos impedem de ver a beleza das raízes e das profundezas de um Brasil que pulsa, existe e resiste. A construção da linguagem na obra “Grande Sertão: veredas”, analisada a partir da perspectiva presente neste ensaio, revela para seus leitores as línguas-culturas dos povos ribeirinhos e barranqueiros em suas solidariedades dos existires.       

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Biografia do Autor

Henrique Rodrigues Leroy, UFMG

Professor da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) na área de Linguística Aplicada - Língua Portuguesa Adicional e Língua Portuguesa Materna. Licenciado em Letras (2007) pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Mestre em Estudos de Linguagens (2011) pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG). Doutor em Letras (2018) na área de concentração Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE-PR). Na UFMG, é professor do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (POSLIN), orientando trabalhos em Linguística Aplicada, nas temáticas sobre Plurilinguismo, Políticas Linguísticas e Educação Bilíngue e também é professor do Programa de Mestrado Profissional em Letras (PROFLETRAS) - área de concentração Linguagens e Letramentos. É o atual coordenador da área de Português como Língua Adicional da Faculdade de Letras da UFMG. Coordena o curso de PLA para candidatos ao Programa Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-PLE/PEC-G).  Tem experiência, no Brasil e no exterior (Argentina, Colômbia, Cuba, Espanha (Galícia e Andaluzia), Paraguai, Peru e Romênia), na Formação Crítica e Ampliada de Professores e na área de Ensino-Aprendizagem de Línguas Adicionais, com ênfase na Licenciatura de Língua Portuguesa. É integrante da Comissão Técnico-Científica do Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros (Exame Celpe-bras). Atua na área da Linguística Aplicada Crítica, com ênfase nos seguintes temas: ensino-aprendizagem-avaliação em Português Língua Adicional e Português Língua Materna na interface com línguas indígenas brasileiras, línguas africano-brasileiras, com a língua galega e nas perspectivas críticas dos Estudos Decoloniais e Translíngues e das Lutas Anti/Contracoloniais, na Formação Crítica de Professores e na Educação Linguística Ampliada.

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Publicado

31-12-2025

Como Citar

LEROY, Henrique Rodrigues. “Carece de ter muita coragem...”: uma travessia afro-indígena e galega em Grande Sertão: veredas. Scripta, Belo Horizonte, v. 29, n. 67, p. 412–450, 2025. DOI: 10.5752/P.2358-3428.2025v29n67p412-450. Disponível em: https://periodicos.pucminas.br/scripta/article/view/36543. Acesso em: 15 set. 2026.