Hécuba

paradigma da sempre dolorosa velhice

Autores

  • Maria de Fátima Silva Universidade de Coimbra

DOI:

https://doi.org/10.5752/P.1678-3425.2023v8n15p36-46

Palavras-chave:

Ilíada, Eurípides, Troianas, Hécuba

Resumo

Quando pensamos, no contexto da Antiguidade Grega, em paradigmas de velhice em versão feminina, a figura mais emblemática é, sem dúvida, Hécuba, a rainha de Troia. Sobre esta figura, a Literatura Grega, no seu conjunto, produziu um retrato que se vai adensando em duas grandes etapas. A visibilidade que lhe é conferida pela épica, tomando por testemunho a Ilíada, é ainda a de uma soberana poderosa, que goza de prestígio junto do marido e dos filhos, e do respeito e simpatia do seu povo, nomeadamente das mulheres que rodeiam a sua vida no palácio. Por sua vez a tragédia fixou-se sobretudo no pós-guerra, dando grande projeção às mulheres de Troia, sobreviventes da guerra para caírem nas mãos do inimigo e se tornarem nas principais vítimas do conflito. Várias dessas mulheres se tornaram padrão da violência da guerra. Mas nenhuma delas reuniu, como Hécuba, o cúmulo do sofrimento feminino: como exemplo de todas as perdas, ápais, ánandros, ápolis (privada de filhos, de marido, de cidade), num momento em que a idade avançada a privava de resistência.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Maria de Fátima Silva, Universidade de Coimbra

Biografia da autora:
Professora Catedrática do Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e membro do CECH-Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos. Investigadora na área da Literatura Grega, com preferência pelo teatro, historiografia, textos científicos e estudos de recepção. Atualmente tradutora de Pausânias.

Referências

ABRAHAMSON, Ernst L. Euripides’ tragedy of Hecuba. Transactions of the American Philological Association, v. 83, p. 120-129, 1952. DOI: https://doi.org/10.2307/283378

CONACHER, Desmond. J. Euripides’ Hecuba. American Journal of Philology, v. 82.1, p. 1-26, 1961. DOI: https://doi.org/10.2307/292004

CONACHER, Desmond. J. Euripidean Drama. Myth, theme and struture. Toronto: University of Toronto Press, 1967. DOI: https://doi.org/10.3138/9781442653047

EASTERLING, Patricia. The Cambridge Companion to Greek Tragedy. Cambridge: University Press, 2003.

GOLDHILL, Simon. The Language of Tragedy: Rhetoric and Communication. In: EASTERLING, Patricia. The Cambridge Companion to Greek Tragedy. Cambridge: University Press, 2003. p. 127-150. DOI: https://doi.org/10.1017/CCOL0521412455.006

GRIFFIN, Jasper. The speeches. In: FOWLER, Robert. (ed.). The Cambridge Companion to Homer. Cambridge: University Press, 2006. p. 156-167. DOI: https://doi.org/10.1017/CCOL0521813026.010

KASTELY, James. L. Violence and Rhetoric in Euripides' Hecuba. Proceedings of the Modern Language Association, v. 108.5, p. 1036-1049, 1993. DOI: https://doi.org/10.2307/462984

KOVACS, David. The heroic Muse. Studies on Hippolytus and Hecuba of Euripides. Baltimore and London: The Johns Hopkins University Press, 1987.

LUSCHNIG, Cecelia. A. E. Euripides’ Trojan Women: all is vanity. The Classical World, v. 65. 1, p. 8-12, 1971. DOI: https://doi.org/10.2307/4347531

MERIDOR, Ra’anana. Hecuba’s revenge. Some observations on Euripides’ Hecuba. American Journal of Philology, v. 99.1, p. 28-35, 1978. DOI: https://doi.org/10.2307/293863

MERIDOR, Ra’anana. The function of Polymestor’s crime in the Hecuba of Euripides, Eranos, v. 81.1, p. 13-20, 1983.

MICHELINI, Ann. N. Euripides and the Tragic Tradition. London: The University of Wisconsin Press, 1987.

PERDICOYIANNI, Helene. Le vocabulaire de la douleur dans l’Hécube et Les Troyennes d’Euripide. Études Classiques, v. 61.3, p. 195-204, 1993.

SCODEL, Ruth. The captive’s dilemma: sexual acquiescence in Euripides’ Hecuba and Troades. Harvard Studies in Philology, v. 98, p. 137-154, 1998. DOI: https://doi.org/10.2307/311340

SEGAL, Charles. Violence and the other: Greek, female and barbarian in Euripides’ Hecuba. Transactions of the American Philological Association, v. 120, p. 109-31, 1990. DOI: https://doi.org/10.2307/283981

STANTON, Greg R. Aristocratic obligation in Euripides’ Hekabe. Mnemosyne, v. 48.1, p. 11-33, 1995. DOI: https://doi.org/10.1163/156852595X00022

SUTER, Ann. Lament in Euripides’ Trojan Women. Mnemosyne, v. 56.1, p. 1-28, 2003. DOI: https://doi.org/10.1163/156852503762457473

TARKOW, Theodore. A. Tragedy and transformation: parent and child in Euripides’ Hecuba. Maia, v. 36, p. 123-136, 1994.

TORRANCE, Isabelle. Metapoetry in Euripides. Oxford: University Press, 2013. DOI: https://doi.org/10.1093/acprof:oso/9780199657834.001.0001

Downloads

Publicado

2023-08-23

Como Citar

SILVA, Maria de Fátima. Hécuba: paradigma da sempre dolorosa velhice. Virtuajus, Belo Horizonte, v. 8, n. 15, p. 36–46, 2023. DOI: 10.5752/P.1678-3425.2023v8n15p36-46. Disponível em: https://periodicos.pucminas.br/virtuajus/article/view/31276. Acesso em: 17 abr. 2026.