Interseções: o darwinismo social em Rubens Figueiredo e o humanitismo machadiano

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Rejane Fernández Loureiro de Paiva

Resumo

Este artigo trata da interlocução que o romance Passageiro do fim do dia (2010), de Rubens Figueiredo, estabelece com o Humanitismo, a filosofia cínica proposta por Quincas Borba, notória personagem de Machado de Assis. Apesar da distância de, aproximadamente 150 anos, que separa os dois autores, entendemos que o darwinismo social, sobre o qual se detém Rubens Figueiredo, e o humanitismo machadiano, conformam-se como estratégias textuais similares. Ambos os autores interpelam correntes filosóficas positivistas, em voga na época do “bruxo do Cosme Velho” e ainda vigentes, mormente no que se aplica ao postulado de Charles Darwin aplicado ao mundo social, nos anos atuais. Assim, ambos tematizam as relações de força, em que prevalecem o ganho, o prestígio pessoal e a soberania do interesse. Enquanto Machado de Assis se centra nos jogos de salão da Corte, Rubens Figueiredo privilegia a arraia miúda, a classe trabalhadora e as interdições que lhes são impostas. Encontramos, tanto na narrativa de Rubens Figueiredo, quanto na obra de Machado de Assis, uma busca por uma “teoria de tudo”, “uma doutrina que, segundo diziam, abria mil caminhos, explicava muita coisa e de uma vez por todas”, no universo ficcional do primeiro, e,  na linguagem de Machado de Assis, “a mais abrangente das filosofias, a ponto de vir a ser mesmo uma nova religião”, o “remate das coisas”. Todos esses elementos conformar-se-iam como a busca impossível por uma resposta radical, totalizante, que aliviasse os males humanos, encenados em suas narrativas.

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Como Citar
Paiva, R. F. L. de. (2020). Interseções: o darwinismo social em Rubens Figueiredo e o humanitismo machadiano. Cadernos CESPUC De Pesquisa Série Ensaios, (36), 93-105. https://doi.org/10.5752/P.2358-3231.2020n36p93-105
Seção
Artigos