A busca por seu igual: As alianças étnicas da diáspora atlântica nos espaços do casamento católico na Paróquia do Pilar. (São João del-Rei, séculos XVIII e XIX):

  • Leonara Lacerda Delfino Pós-doutoranda em História (Unimontes). Doutora e Mestre em História (UFJF)
Palavras-chave: diáspora atlântica, endogamia cultural, casamento escravo

Resumo

O artigo analisa o papel das estratégias matrimoniais como instrumento de fronteirização cultural na diáspora atlântica, buscado por estrangeiros para o fortalecimento de suas afinidades culturais construídas no contexto da pós-travessia. No primeiro momento, analisamos as imposições demográficas colocadas pela participação da Freguesia no tráfico de escravos, para,  em seguida, investigarmos a confluência da distribuição étnica no processo de seletividade matrimonial produzido por estrangeiros e insiders (escravos nascidos no Brasil). Para este fim utilizamos as fontes seriais, como os assentos de óbitos e de casamentos alocados na Freguesia do Pilar de São João del-Rei (MG).

Palavras-chave: diáspora atlântica, endogamia cultural, casamento escravo.

Biografia do Autor

Leonara Lacerda Delfino, Pós-doutoranda em História (Unimontes). Doutora e Mestre em História (UFJF)
Pós-doutoranda em História (Unimontes).BolsistaCAPES/PNPD. Doutora em História pela UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), com a pesquisa intitulada por - O Rosário dos Irmãos Escravos e Libertos: Fronteiras, Identidades e Representações do Viver e Morrer na Diáspora Atlântica. Participou do Programa Institucional de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE- CAPES) pela Universidade de Coimbra (2014). Possui mestrado em história pela UFJF, com a pesquisa: Família Negra na Freguesia de São Bom Jesus dos Mártires. Graduou-se em história pela Universidade do Vale do Sapucaí/UNIVÁS (2004). Trabalhou como professora de história na rede pública do ensino estadual de Minas Gerais, entre os anos de 2005 a 2011. Assumiu, temporariamente, as cadeiras de História, Práticas de Ensino e Estágio Supervisionado nos cursos de História e de Pedagogia da Unifal (2015-2016). Tem experiência na orientação de estágios supervisionados em História e nos estudos relacionados às irmandades do Rosário e aos processos identitários na Diáspora Atlântica, através dos ritos fúnebres do cativeiro. Atualmente desenvolve uma pesquisa de pós-doutorado, articulando temas como ensino de história, PIBID e cidadania nas escolas.

Referências

Referências:

Fontes Primárias:

Arquivo da Matriz de Nossa Senhora do Pilar de São João del-Rei (AMNSP-SJDR)

Livros de Registros Paroquiais de Casamento (nº de 1 a 11, 1730-1868)

Livros Paroquiais de Registros de Óbitos (1782-1850)

BENCI, Jorge. Economia Cristã dos senhores no governo dos escravos. São Paulo: Grijalbo, 1977, (1ª Ed. 1705).

VIDE, D. Sebastião Monteiro da. Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia feitas e ordenados pelo Ilustríssimo e reverendíssimo senhor D. Sebastião Monteiro da Vide 5º Arcebispo e do Conselho de Sua Majestade. Proposta e aceita em Sínodo Diocesano, que o dito senhor celebrou em 12 de junho de 1707. 1ª Ed. Lisboa 1719 e Coimbra 1720. São Paulo: Typografia 2 de dezembro de Antônio Louzada Antunes, 1853.

Fontes Secundárias:

ALMEIDA, C. M. De Vila Rica ao Rio das Mortes: mudança do eixo econômico em Minas colonial. Locus (Juiz de Fora), v. 11. Ano 2006, pp. 137-160.

ANDRADE, Marcos Ferreira de. Rebeldia e Resistência: as revoltas escravas na Província de Minas Gerais. (1831-1840). Belo Horizonte. Dissertação de Mestrado em História: UFMG, 1996.

_________________________. Família, fortuna e poder no Império do Brasil. Minas Gerais. Campanha da Princesa, (1799-1850). Niterói: Tese de Doutorado em História: UFF, 2005.

ANDRADE, Rômulo. Garcia de. Casamento entre escravos na região cafeeira de Minas Gerais. In: Revista da Universidade Rural – Série Ciências Humanas. V. 22, número 2, jul./ dez. 2002, 177-197.

BARTH, F. O guru, o iniciador e outras variações antropológicas. Tomke Lask (org.) Rio de Janeiro: Contra Capa, 2000.

BERGAD, Lair. Escravidão e História Econômica. Demografia de Minas Gerais. 1720-1888. Bauru: EDUSC, 2004.

BOTELHO, Tarcísio. Famílias e escravarias: demografia e família escrava no Norte de Minas Gerais no século XIX. Dissertação de Mestrado em História. São Paulo: USP, 1994.

BRÜGGER, S. “Legitimidade e Comportamentos Conjugais: São João del-Rei, séculos XVIII e primeira metade do XIX.” In: XII Encontro de Estudos Populacionais da ABEP, 2000, Caxambú. Anais do XII Encontro de Estudos Populacionais da ABEP, 2000, p. 7-11.

__________ & OLIVEIRA, A. “Os Benguelas de São João Del Rei: tráfico- atlântico, religiosidade e identidades étnicas. (Séculos XVIII e XIX).” In: Revista Tempo, v. 13, nº 26, Niterói-RJ, 2009.

CHARTIER, R. História Cultural: Entre práticas e representações. Lisboa: Difel, 2002.

CONRAD, Robert Edgar. Tumbeiros. O tráfico de escravos para o Brasil. São Paulo Brasiliense, 1985.

DELFINO, L. L. A família negra na Freguesia de São Bom Jesus dos Mártires: incursões em uma demografia da escravidão no sul de Minas (1810-1873). Dissertação de Mestrado em História. Juiz de Fora: UFJF, 2010.

ELIAS, N. & SCOTSON, J. Os Estabelecidos e os Outsiders. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000.

FARIA, Sheila de Castro. A colônia em movimento: fortuna e famílias no cotidiano colonial. 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998.

_____________________. Sinhás Pretas, Damas Mercadoras: as pretas minas nas cidades do Rio de Janeiro e de São João del-Rei (1700-1850). Tese para concurso de Professor Titular em História do Brasil. Niterói, UFF, 2004.

FERNANDES, Florestan. A integração do negro na sociedade de classes. 2 vol. São Paulo: Dominius/Edusp, 1965.

FIGUEIREDO, Luciano. Barrocas Famílias: Vida familiar em Minas Gerais no século XVIII. São Paulo: Hucitec, 1997.

_________________. O Avesso da Memória: Cotidiano e trabalho da mulher em Minas Gerais no século XVIII. Rio de Janeiro: José Olympio, 1993.

FRAGOSO, J. L. & FERREIRA R. G. “Alegrias e artimanhas de uma fonte seriada. Os códices 390, 421, 424 e 425: despachos de escravos e passaportes da Intendência de Polícia da Corte, 1819-1833”. In: BOTELHO, Tarcísio R. (Org.) História Quantitativa e Serial: um balanço. Belo Horizonte: ANPUH-MG, 2001.

GONÇALVES, Andréa Lisly. As Margens da Liberdade. Estudo sobre a prática das alforrias em Minas colonial e provincial. Belo Horizonte: Editora Fino Traço, 2011.

KARASCH, Mary C. A vida dos escravos no Rio de Janeiro 1808-1850. São Paulo, Companhia das Letras, 2000.

LENHARO, Alcir. Tropas da moderação. O abastecimento da Corte na formação política do Brasil (1808- 1842). São Paulo: Símbolo, 1979.

LEVI, G. Herança imaterial: trajetória de um exorcista no Piemonte do século XVII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.

LIBBY, Douglas Cole. Transformação e trabalho em uma economia escravista: Minas Gerais no século XIX. São Paulo: Brasiliense, 1988.

________________. “Minas na Mira dos Brasilianistas: reflexões sobre os trabalhos de Higgins e Bergad.” In: BOTELHO, Tarcísio R. (Org.) História Quantitativa e Serial: um balanço. Belo Horizonte: ANPUH-MG, 2001, p. 279-304.

LOTT, Mirian Moura. Na forma do ritual romano: casamento e família em Vila Rica. São Paulo: Annablume, Belo Horizonte: PPGH/ UFMG (Coleção Olhares), 2008.

MATTOS de CASTRO, Hebe Maria. Das cores do silêncio: os significados da liberdade no sudeste escravista. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998.

MELLO e SOUZA, Laura. Norma e Conflito: Aspectos de Minas Gerais no século XVIII. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006.

MOTTA, José Flávio. Corpos escravos, vontades livres: estrutura de posses de cativos e família escrava em núcleo cafeeiro (Bananal, 1801- 1829). Tese de doutorado em economia, USP, 1990.

OLIVEIRA, Mônica, Ribeiro. Negócios de Família: mercado, Terra e poder na formação da cafeicultura mineira- 1780-1870. Bauru/ SP: EDUSC; Juiz de Fora, MG: FUNALFA, 2005.

PAIVA, E. F. “Coartações e alforrias nas Minas do século VIII: as possibilidades de libertação escrava no principal centro colonial.”. In.: Revista de História, Nº 133, 2º Semestre de 2005, FFLCH-USP, 1995, p. 49-57.

PASCOAL, Isaías. A economia agrária e poder político no Sul de Minas: formação de uma identidade política conservadora na primeira metade do século XIX. Dissertação de Mestrado em Ciências Sociais. IFCH: UNICAMP, 2000.

______________, Reprodução e força de trabalho no Sul de Minas - século XIX - no contexto de uma formação econômica não exportadora. Tese de Doutorado em Ciências Sociais, IFCH: UNICAMP, 2005.

PINTO, F. C. V. Família escrava em São José del-Rei: aspectos demográficos e identitários (1830-1850). Dissertação de Mestrado em História. São João del-Rei- MG: UFSJ, 2010.

RAMOS, Donald. “A estrutura demográfica de Vila Rica às vésperas da Inconfidência”. Anuário do Museu da Inconfidência, Vol. V, 1998, pp. 41-58.

ROCHA, C. M. Histórias de famílias escravas. Campinas: Ed. Unicamp, 2004.

RODRIGUES, J. L. Serra dos Pretos: Trajetórias de famílias entre o cativeiro e a liberdade no Sul de Minas (1811-1960). Dissertação de Mestrado em História. São João del-Rei – MG: UFSJ, 2013.

SAMARA, Eni de Mesquita. A família brasileira. São Paulo: Brasiliense, 2004.

TEIXEIRA, Maria Lúcia Rezende Chaves. Família escrava e riqueza na Comarca do Rio das Mortes. O Distrito de Lage e o Quarteirão do Mosquito. São Paulo: Annablume, 2006.

Publicado
30-05-2019
Seção
TEMÁTICA LIVRE/FREE SUBJECT - ARTIGOS/ARTICLES