Leituras da liberdade – “O Taquaryense” e o pós-abolição

  • Neli Galarce Machado Universidade do Vale do Taquari - UNIVATES
  • Karen Daniela Pires Universidade do Vale do Taquari - UNIVATES
  • Magna Lima Magalhães Universidade Feevale
Palavras-chave: Jornal, Liberdade, Taquari, Rio Grande do Sul.

Resumo

A imprensa é exaustivamente citada em estudos históricos do fim do século XIX no Rio Grande do Sul. Os jornais foram elementos importantes vinculados ao crescimentos das cidades e a formação das elites e da sociedade de massas. Nesse estudo, trataremos de apresentar algumas reflexões sobre o conteúdo veiculado no jornal, O Taquaryense e sua abordagem acerca da presença negra no município de Taquari, Rio Grande do Sul. Interessa-nos as matérias veiculadas entre os anos de 1889 e 1890, período marcado pela Lei Áurea (1888), pelo fim da Monarquia, bem como início da República (1889) e seu impacto sócio-político no Brasil. Pretende-se, discutir o pós-abolição a partir das matérias publicadas no periódico, as quais nos instigam a pensar sobre as novas experiências de liberdade, bem como sobre as diferentes percepções presentes nos escritos publicados no Taquaryense a respeito dos libertos e seu papel social. Neste sentido, ao lançarmos mão da imprensa como fonte histórica é possível o contato com elementos configuradores da complexidade do cenário local e sua pluralidade, os quais possibilitam uma reconstituição histórica envolvendo um contexto vinculado as disputas e conflitos de uma dada realidade escravagista.

Biografia do Autor

Neli Galarce Machado, Universidade do Vale do Taquari - UNIVATES

Doutora em Arqueologia pela Universidade de São Paulo (2004). Mestre em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (1999). Graduada em História pela Universidade Federal de Santa Maria (1994). Atualmente é professora titular da Universidade do Vale do Taquari (UNIVATES), professora do curso de História, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Ambiente e Desenvolvimento e professora do Programa de Pós-graduação em Ensino. Coordenadora do Setor de Arqueologia do Museu de Ciências Naturais da UNIVATES. É pesquisadora com projetos aprovados pela 12ª Superintendência Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul e UNIVATES, membro do Conselho Internacional de Museus/ICOM. Tem experiência na área de História e Arqueologia, com ênfase em Arqueologia Histórica e Pré-Histórica, atuando principalmente nos seguintes temas: arqueologia, história, arqueologia da paisagem, história ambiental, patrimônio cultural, educação patrimonial, acervos e documentos, história regional e cultura material.

Karen Daniela Pires, Universidade do Vale do Taquari - UNIVATES
Doutoranda do Programa de Pós-graduação e Ambiente e Desenvolvimento.
Magna Lima Magalhães, Universidade Feevale

Doutora em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (2010). Atualmente é professora da Universidade Feevale no Mestrado em Processos e Manifestações Culturais e do curso de História. Líder do grupo de pesquisa Cultura e Memória da Comunidade e coordenadora do Centro de Documentação e Memória-Feevale. Tem experiência na área de História, com ênfase em multidisciplinar, atuando principalmente no seguinte tema: memória, história, identidade, associativismo negro.

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Publicado
30-05-2019
Seção
TEMÁTICA LIVRE/FREE SUBJECT - ARTIGOS/ARTICLES