A crítica ao paradigma culturalista na interpretação da formação histórica brasileira

  • Renato Somberg Pfeffer Fundação João Pinheiro de Minas Gerais
Palavras-chave: História, Cultura, Política.

Resumo

A formação histórica brasileira tem sido estudada a partir da influência, direta ou indireta, de um arcabouço weberiano. Essa matriz teórica assume a ideia de que a estrutura política brasileira não conseguiu superar a cultura política patrimonialista de origem portuguesa. O motivo disso seria uma peculiar articulação entre o autoritarismo social com a acumulação capitalista que teria bloqueado a construção da cidadania no país. Além das divergências internas, essa vertente culturalista tem sido questionada por suas limitações e incongruências. O presente texto pretende discutir teoricamente as críticas que o paradigma culturalista tem recebido e que explicitam as fragilidades analíticas desse modelo que busca situar e explicar o Brasil como país periférico marcado pelo amálgama da dominação tradicional/racional e associaram o atraso em relação ao centro capitalista com a herança patrimonialista ibérica.

Biografia do Autor

Renato Somberg Pfeffer, Fundação João Pinheiro de Minas Gerais

Doutor em Filosofia pela Universidade Complutense de Madri. Mestre em Sociologia pela UFMG. Pós graduado em História do Brasil pela Pucminas. Graduado em Comunicação pela UFMG e História pela FAFI-BH. Pesquisador e professor da Fundação João Pinheiro de Minas Gerais.

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Publicado
05-09-2020
Como Citar
Pfeffer, R. S. (2020). A crítica ao paradigma culturalista na interpretação da formação histórica brasileira. Cadernos De História, 21(33), 20. Recuperado de http://periodicos.pucminas.br/index.php/cadernoshistoria/article/view/20841
Seção
TEMÁTICA LIVRE/FREE SUBJECT - ARTIGOS/ARTICLES