Na ponta da chuteira havia um fuzil: Adriano Imperador e o percalço da euforia a criminalização

  • Jefferson Aleff Oliveira Universidade Estadual de Montes Claros
Palavras-chave: Violência Urbana, Criminalização da pobreza, Adriano Imperador, Micro história

Resumo

: Por este trabalho propõe-se discutir a criminalização da pobreza e seus efeitos no proibicionismo de entorpecentes, assim como, sua relação com o extermínio de jovens negros nas periferias brasileiras. Cabendo aos meios de comunicação um papel de mediadora ou de catalisador desse processo. Para isso, utilizaremos da especialidade da Micro-história a fim de tomar a figura do futebolista Adriano Imperador e suas relações extracampo com a impressa e sua comunidade natal, como problematização primordial. Sendo assim, este trabalho tem os seguintes objetivos demonstrar como a mídia tem um papel importante na construção da imagem do inimigo na sociedade; problematizar a falta de um debate mais profundo sobre o crime e sua relação com a população favelada e periférica, bem como, esse tipo de matéria reforça o estereótipo favelado criminoso. Como metodologia de trabalho utilizaremos as imagens contidas nos jornais e sendo assim, buscaremos analisar os ditos e não ditos nessas imagens e a resposta dada pelo jogador contra esse tipo de jornalismo, explorando aquilo que o historiador italiano Carlo Ginzburg intitulou de paradigma indiciário.

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Publicado
30-11-2021
Como Citar
OLIVEIRA, J. A. Na ponta da chuteira havia um fuzil: Adriano Imperador e o percalço da euforia a criminalização. Cadernos de História, v. 22, n. 37, p. 296-313, 30 nov. 2021.
Seção
Dossiê - Artigos: História do Esporte