Entre leis, censos e congressos: o debate sobre o trabalho livre no Brasil, na segunda metade do século XIX

  • João Fernando Barreto de Brito Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Palavras-chave: Estado Imperial, Trabalhadores, Norte e Sul.

Resumo

Os anos de 1850-1878 notadamente caracterizaram-se por intensos debates entre parlamentares em todo o Estado Imperial, no que tange aos rumos que tomaria a grande lavoura exportadora, dos investimentos e da manutenção do controle dos fazendeiros sobre os trabalhadores livres e cativos. Nesse período, transformações nas relações de trabalho estavam em curso, pautadas por uma nova lógica, a qual se construía de maneira concomitante ao processo de desmoronamento do sistema escravista e às tentativas de regulamentação do trabalho livre, a partir da promulgação de leis como a Lei Eusébio de Queiróz (1850), a Lei de Terras (1850), a Lei do Ventre Livre (1871) e a Lei de Locação de Serviços (1879). Nesse âmbito, as diferenças entre os fazendeiros cafeicultores do Sul e os senhores do açúcar do Norte do Império passariam a polarizar as discussões acerca dos melhoramentos no campo (como financiamentos e usos de novas técnicas) e do controle da mão de obra livre.

Biografia do Autor

João Fernando Barreto de Brito, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Doutorando em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mestre em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Graduado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Tem experiência na área de História, com ênfase em História do Rio Grande do Norte, particularmente entre 1850 e 1880. Atualmente desenvolve estudos relacionados ao mundo do trabalho no Rio Grande do Norte na segunda metade do século XIX.

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Publicado
14-11-2017
Seção
TEMÁTICA LIVRE/FREE SUBJECT - ARTIGOS/ARTICLES