A URGÊNCIA SUBJETIVA NO SERVIÇO RESIDENCIAL TERAPÊUTICO: EFEITOS DA ESCUTA ANALÍTICA

Marcela Mascarenhas de Figueiredo Burni

Resumo


Este artigo foi construído com o intuito de se pensar no conceito psicanalítico de urgência subjetiva e refletir acerca das atuações dos profissionais dentro do Serviço Residencial Terapêutico, que não é um dispositivo capacitado para atender esses momentos. Porém, com a experiência como estagiária em uma determinada SRT, localizada em Belo Horizonte/MG[1], ressaltou-se a importância de aprofundar os estudos no assunto, pois este se faz muito presente nestas instituições. Na urgência subjetiva há uma ruptura aguda da cadeia significante e uma impossibilidade de situar-se no registro da palavra. No encontro com real, com o vazio de representações simbólicas e imaginárias, há uma suspenção, exemplificada pelo ato falho nas neuroses e a passagem ao ato nas psicoses. Isso traz um sofrimento avassalador para quem vive. Pensando nisso, o que é viável no momento de urgência subjetiva e passagem ao ato, tendo em vista que aqui falamos da psicose - que é a condição estrutural do maior público destas casas? Com a construção de um caso clínico em que um sujeito vivia um momento de crise, foi possível perceber que, nesta situação, a escuta orientada pela psicanálise se fez muito eficaz. Só quando foi possível localizar o que era individual daquele sujeito na sua vivência da urgência subjetiva, ele pôde reconstruir simbolicamente aquilo desmontado no encontro com o real.


[1] Residência Terapêutica “Teófilo Otoni” localizada na Rua Teófilo Otoni, número 285, Bairro Carlos Prates – Belo Horizonte/MG. Período de estágio entre 08/2016 a 08/2017.


Palavras-chave


Psicanálise; Urgência subjetiva; Crise; Psicose; Serviço Residencial Terapêutico

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