A CONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE NA PÓS-MODERNIDADE: UMA REVISÃO DE LITERATURA

  • Patricia de Lourdes Queiroz Feliciano Pontifícia Universidade católica de Minas Gerais
  • Tereza Cristina Peixoto
Palavras-chave: Pós-modernidade, Subjetividade, Sofrimento psíquico.

Resumo

O objetivo do artigo é discorrer sobre os processos de subjetivação a partir da contextualização da transição modernidade/pós-modernidade, abordando por fim os sintomas clínicos que emergiram neste segundo período. A metodologia utilizada foi de pesquisa bibliográfica com abordagem qualitativa, com análise dos dados a partir de categorias previamente definidas, sendo elas a transição da Modernidade para a Pós-Modernidade, a Constituição subjetiva e as relações na sociedade atual, e por último, os sintomas e as possíveis patologias desencadeadas pelos novos modos de se relacionar na pós-modernidade. Os principais resultados apontam que o sujeito contemporâneo vive em uma sociedade na qual as relações sociais se modificaram, as pessoas estão mais narcísicas, se importam mais consigo mesmas do que com os outros, com expectativas de mera contemplação do espetáculo de suas conquistas pessoais por parte de seus relacionamentos. As características desses modos de subjetividade são egocentrismo e exibicionismo. Conclui-se, que a pós-modernidade constitui-se de sujeitos solitários e desamparados considerados como únicos responsáveis pelo seu êxito ou fracasso, pessoas que buscam sobreviver a uma sociedade desafiadora em constantes mudanças. Esses modos de subjetivação podem levar à depressão, a ansiedade e aos vícios em geral, pela impossibilidade de se alcançar o reconhecimento social e pelo distanciamento de si mesmo que os sujeitos se encontram. A exaltação do eu e a fragilidade das relações interpessoais levam o sujeito a um sentimento de solidão, resultado de um vazio interior e da falta de sentido para a vida.

Referências

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Publicado
16-12-2019
Seção
Artigos de temática livre