ELAS NO CONTROLE: MULHERES GAMERS E AS RELAÇÕES DE GÊNERO NO AMBIENTE VIRTUAL DE JOGOS

  • Luiza de Abreu França
  • Márcia Stengel
  • Maria Madalena Silva de Assunção
Palavras-chave: Mulheres, Gênero, Jogos eletrônicos, Mulheres gamers

Resumo

Em 2016, a pesquisa Game Brasil, realizada com 2.848 pessoas de 26 Estados e o Distrito Federal, revelou que 52,6% das pessoas que dizem jogar algum jogo eletrônico são mulheres. No ano anterior, o percentual fora 47,1%. Assim sendo, a questão de gênero se mostra muito evidente nos jogos virtuais, o que é vivenciado de uma maneira muito particular por cada jogador(a). Frente à perspectiva da pesquisa exploratória, foi escolhida a pesquisa de campo vistos os questionamentos levantados: como as relações de gênero perpassam o ambiente virtual de jogos a partir das experiências de mulheres jogadoras? Como essas relações interferem em ser mulher e se apresentar como tal nesse ambiente, conhecido ainda por ser majoritariamente masculino? Desse modo, a pesquisa buscou compreender como as mulheres gamers percebem e vivenciam as desigualdades existentes entre os públicos masculino e feminino. A presente pesquisa objetivou: realizar uma discussão teórica sobre as tecnologias da informação e a temática dos jogos virtuais até a atualidade; entender como é o ambiente virtual dos games na percepção das mulheres jogadoras; compreender como são retratados os personagens dentro dos jogos e analisar no relato das jogadoras quais significados elas atribuem à experiência do jogo; conhecer as possíveis estratégias que elas usam diante de alguma situação que lhes causaram algum desconforto por serem mulheres e jogadoras. Como metodologia utilizou-se uma abordagem qualitativa de pesquisa com a realização de entrevistas semiestruturadas com jogadoras de jogos virtuais. Mesmo que o público feminino seja considerado maioria no meio dos jogos virtuais, situações de assédio e violência ainda são constantes e geram, por vezes, a necessidade de utilizarem recursos para se manterem invisíveis nesse ambiente, além de o próprio mercado de trabalho na indústria tecnológica ainda ser restrito aos homens.

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Publicado
16-12-2019
Seção
Artigos de temática livre