VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: A AGRESSÃO SILENCIOSA NAS SALAS DE PARTO

  • Júlia Araujo Coelho Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
  • Ana Flávia Dia de Andrade Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
  • Bruno Vasconcelos de Almeida PUC Minas
Palavras-chave: Violência obstétrica, SUS, Parto, Feminismo, Maternidade

Resumo

Este artigo apresenta reflexões acerca da violência obstétrica no Brasil, abordando a história do parto, explicitando as práticas utilizadas, bem como as definições, categorias e consequências geradas pela violência obstétrica. Discute-se ainda a naturalização das diversas formas de violência praticadas durante o pré-natal, parto e puerpério, bem como as diferenças observadas entre os acompanhamentos e partos efetuados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), nos âmbitos público e privado, neste último caso, quando há regulação pública. Realizou-se um questionário online sobre a vivência do parto e episódios de violência obstétrica com 120 mães. Encontrou-se, através do questionário, grande desconhecimento acerca dos próprios direitos e das práticas alternativas àquelas desenvolvidas pela medicina clássica, além disso, destacou-se a conduta inadequada dos profissionais e sua relação com a prática da violência.

Biografia do Autor

Júlia Araujo Coelho, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Graduanda em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (2016-2020). Foi monitora das disciplinas de "Técnicas de Exame e Avalização Psicológica I" (2018-2019) e "Técnicas de Exame da Personalidade" (2019), e do Laboratório de Coordenação de Monografia (2019). Além disso, realizou estágio extracurricular nas escolas "ComumViver" (2016-2017), auxiliando a professora em atividades que visavam a autonomia e independência de alunos com deficiência, e "Ipê Amarelo" (2017), acompanhando criança autista e auxiliando a professora na rotina escolar. Atualmente é voluntária no projeto "Libras no Buritis" (2019).

Ana Flávia Dia de Andrade, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Graduanda em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (2016-2020). Participou dos projetos de extensões Trilhas Filosóficas (2016) e Projeto Laços (2018) e, a partir das experiências obtidas no segundo projeto escreveu o artigo " Ressignificar a experiência da medida socioeducativa numa perspectiva não punitivista: a experiência do Projeto de Extensão Laços / PUC Minas", publicado na Conecte-se! Revista Interdisciplinar de Extensão. Atualmente é monitora da disciplina "Análise Experimental do Comportamento" (2019). Foi voluntária do Programa Adote um Amigo (2016-2018) e do Projeto RONDOM (2019). Como estágio extracurricular prestou acompanhamento domiciliar de uma criança com Transtorno do Espetro do Autismo (2019).

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Publicado
08-09-2020
Como Citar
ARAUJO COELHO, J.; DIA DE ANDRADE, A. F.; VASCONCELOS DE ALMEIDA, B. VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA: A AGRESSÃO SILENCIOSA NAS SALAS DE PARTO. Pretextos - Revista da Graduação em Psicologia da PUC Minas, v. 5, n. 9, p. 719-740, 8 set. 2020.
Seção
Artigos de temática livre