ENTRE A VÍTIMA E A CULPADA: RELATO DE UM PEDIDO DE AJUDA SOB O OLHAR DA LOGOTERAPIA E ANÁLISE EXISTENCIAL

  • Rejane de Souza Correa PUC MINAS
  • Karla Gomes Nunes
Palavras-chave: Violência contra a mulher, Construções subjetivas, Psicologia Existencial-Humanista, Grupos de encontros

Resumo

Buscando respostas para os conflitos no binômio: vítima/culpada emergentes nos atendimentos de mulheres que utilizavam os serviços do CREAM de um município da região metropolitana de Minas Gerais, este artigo apropriou-se do caso Aghata, atendido em experiência de estágio curricular vinculado ao Setor de Proteção Social da Secretaria Municipal de Assistência Social, para problematizar as operações subjetivas das mulheres em situação de violência, visando o fortalecimento das políticas de atenção à mulher. Partindo de uma análise existencial-humanista das configurações de sentido que emergem da situada vivenciada pelas mulheres, buscou compreender as construções subjetivas que geram uma retificação da sua posição frente ao agressor e às agressões sofridas. O estudo demonstrou que ter que “conviver com o medo” impediu Agatha de gritar sua dor, mas ela não é a única a silenciar-se, o meio circundante e até mesmo o seu agressor detém-se pelo imperativo do silêncio, tornando a violência dos homens contra as mulheres invisíveis socialmente. Uma saída possível rumo à superação desta impactante realidade são os grupos de encontros com mulheres. Assim sendo, o estudo evidenciou que para romper com os grilhões do domínio privado é necessário um engajamento concreto dos homens na luta pela superação da dominação e abuso do homem à mulher.

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Publicado
07-09-2020
Como Citar
CORREA, R. DE S.; NUNES, K. G. ENTRE A VÍTIMA E A CULPADA: RELATO DE UM PEDIDO DE AJUDA SOB O OLHAR DA LOGOTERAPIA E ANÁLISE EXISTENCIAL. Pretextos - Revista da Graduação em Psicologia da PUC Minas, v. 5, n. 9, p. 309-327, 7 set. 2020.
Seção
Artigos de temática livre