ECOLOGIA INTEGRAL
Fundamentos teológicos, filosóficos e socioambientais de um novo paradigma civilizatório
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2177-6342.2026v17n33p505-523Palavras-chave:
Ecologia Integral, filosofia socioambiental, justiça socioambiental, ecossocialismo, crise climáticaResumo
A crise socioambiental contemporânea evidencia os limites estruturais do modelo civilizatório dominante. A intensificação das mudanças climáticas, a degradação dos ecossistemas e o aprofundamento das desigualdades sociais demonstram que a crise ecológica não pode ser compreendida apenas como um problema ambiental isolado, mas como uma crise sistêmica que envolve dimensões econômicas, políticas, sociais e culturais. Diversas correntes teóricas têm buscado formular alternativas. Entre essas perspectivas destaca-se o paradigma da Ecologia Integral, desenvolvido sobretudo no magistério social do Papa Francisco. O presente ensaio tem como objetivo analisar a Ecologia Integral como uma filosofia socioambiental teologicamente fundamentada, capaz de articular ética, política, espiritualidade e crítica socioeconômica na interpretação da crise ecológica contemporânea. O estudo adota abordagem teórica e interdisciplinar, dialogando com contribuições da filosofia social, da teologia, das ciências sociais e da crítica da economia política. Demonstra-se que a Ecologia Integral apresenta uma concepção ampliada de ecologia, na qual as dimensões ambiental, social, econômica e cultural são compreendidas de forma interdependente. Identificam-se convergências relevantes entre essa perspectiva e correntes críticas da modernidade capitalista, como os ecossocialismos contemporâneos. A Ecologia Integral pode ser interpretada como um paradigma filosófico-normativo voltado à construção de um horizonte civilizatório baseado na justiça socioambiental e na solidariedade intergeracional.
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