A OBRA DE ARTE COMO VERDADE EM HEIDEGGER E O BELO MUSICAL EM KIERKEGAARD
Aproximações estético-ontológicas em torno da poesia
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2177-6342.2026v17n33p245-265Palavras-chave:
obra de arte, poesia, técnica, estética, belo musicalResumo
Este artigo conduz uma investigação de natureza estético-ontológica acerca das noções de obra de arte em Martin Heidegger e de belo musical em Søren Kierkegaard, procurando estabelecer aproximações e tensões entre ambos os pensadores a partir da experiência poética moderna. Partindo do ensaio "A origem da obra de arte" (1935) e dos conceitos heideggerianos de Gestell, Bestand e Terra, o artigo discute como a poesia de Hölderlin — em particular o hino "Patmos" — exemplifica a resistência ontológica da linguagem poética frente ao avanço da técnica. Em seguida, articula os estádios existenciais kierkegaardianos (estético, ético e religioso) e suas categorias de desespero, angústia e repetição, para então abordar o belo musical no "Ou, Ou": a figura do poeta infeliz, cujos gritos de agonia soam como bela música, ressoa tanto na Antígona lida por Kierkegaard quanto nos poemas simbolistas "Antífona" e "Carnal e Místico", de Cruz e Sousa, que atravessam com singular densidade a problemática do trágico e do desejo. Conclui-se que ambos os filósofos realizam, por vias distintas, um mesmo gesto de resgate ontológico do estético, devolvendo à experiência sensível e poética uma dignidade filosófica que o pensamento técnico-racional lhe subtraíra.
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