A HOSPITALIDADE UNIVERSAL
UMA ANÁLISE A PARTIR DE FRANCISCO DE VITÓRIA E KANT
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2177-6342.2026v3n3p26-43Palavras-chave:
Kant, Francisco de Vitória, colonização, hospitalidade, pazResumo
O presente artigo propõe uma comparação entre os projetos filosóficos de hospitalidade universal de Francisco de Vitória (1483-1546) e de Immanuel Kant (1724-1804). Para isso, examina especialmente a obra De Indis, contextualizando-a no cenário da conquista das américas, bem como o projeto kantiano em À Paz Perpétua, considerando também seu sistema filosófico. Observa-se que, apesar das distintas finalidades filosóficas, no caso de Vitória voltadas ao problema do justo título indígena e no de Kant à culminação de um amplo sistema moral e político, há convergências argumentativas relevantes entre ambos. Entre elas, destacam-se a defesa da propriedade comum da terra, a necessidade do trânsito pacífico dos estrangeiros e, ainda que de modo mais discreto em Kant, a preocupação com o trato das colônias. Conclui-se, assim, que, de maneira indireta, é possível identificar certa influência da tradição da Escola Ibérica da Paz nos escritos kantianos, sendo Francisco de Vitória considerado um dos pioneiros a refletir sobre o direito de hospitalidade, cuja culminação se dá em Kant.
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