LIMIARES DA CONSCIÊNCIA NA FILOSOFIA DE CONDILLAC
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2177-6342.2026v3n3p196-216Palavras-chave:
inconsciente, hábito, reflexão, consciência, CondillacResumo
Descreve-se a questão dos limiares da consciência na filosofia de Condillac a partir de duas de suas principais fontes, Locke e Leibniz. Parte-se do argumento que concede a Locke a formulação canônica do problema da consciência, e do confronto com objeções leibinizanas a respeito das “pequenas percepções”. Na esteira da influência de ambos os autores, mostra-se como Condillac busca balancear as exigências de suas filosofias, produzindo assim a concepção de uma dinâmica psíquica entre a reflexão e o hábito que visa esquematizar aspectos das passagens das representações pelo limiar da consciência, quer do que vem a se tornar consciente, quer do que gradualmente deixa de sê-lo. Em Condillac, há três planos de inconsciência: o daquilo que escapa à apreensão simultânea da atenção, o da presença integral do corpo próprio, e o dos efeitos globais da economia da língua (i.e., dos códigos sociais particulares). Derivam-se então as consequências da questão para a concepção metodológica do filósofo, e sugere-se que suas reflexões devam ser integradas a uma arqueologia da ideia de inconsciente.
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