DO CONFINAMENTO DOMÉSTICO À AMBIÇÃO FEMININA
O CONTEXTO SÓCIO-HISTÓRICO, A INSTRUÇÃO E A INTELECTUALIDADE DAS MULHERES NA FRANÇA SETECENTISTA
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2177-6342.2026v3n3p267-286Palavras-chave:
intelectualidade, ambição feminina, privado, público, mulheresResumo
O presente artigo tem como objetivo apresentar uma análise do contexto social das mulheres do século XVIII, de modo que, vislumbre-se como os limites entre o público e privado foram substanciais na vida, na instrução e na intelectualidade das mulheres na França setecentista. Especificamente, a investigação enfatizou questões que versam sobre quais os contextos sociais que as mulheres viviam e se relacionavam, quais espaços por elas eram ocupados na sociedade francesa pré-revolução, bem como, qual foi a instrução transmitida a elas e quais as ambições das intelectuais da Ilustração. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, exploratória e de caráter bibliográfico, desenvolvida metodologicamente a partir da análise teórica, abordagem crítico-reflexiva interdisciplinar e interpretação hermenêutica. Com base na pesquisa realizada, constatou-se que a civilidade e sociabilidade imposta às mulheres, principalmente, sob o pretexto de uma moral feminina, deu origem a uma nova forma de “ser mulher” em uma sociedade cortesã que estava muito mais preocupada com hábitos voltados à representação do vestir, do comer, do falar e do agir, do que com o verdadeiro desenvolvimento das faculdades humanas.
Downloads
Referências
BADINTER, Elisabeth. Émilie, Émilie: ambição feminina no Século XVIII. Tradução: Celeste Marcondes. São Paulo: Discurso Editorial, Duna Dueto, Paz e Terra, 2003.
BADINTER, Elisabeth. Prefácio. In: CHÂTELET, Madame Du. Discurso sobre a felicidade. Tradução: Marina Appnezeller. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
BADINTER, Elisabeth. Prefácio. In: THOMAS A. L., DIDEROT, D’EPINAY, Madame. O que é uma Mulher? um debate. Tradução de Maria Helena Franco Martins. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991.
CASTAN, Nicole. O público e o particular. In: AIRÈS, Philippe; CHARTIER. Roger (org.). História da vida privada: da Renascença ao Século das Luzes. v. 3. Tradução de Hildegard Feist. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
CHARTIER, Roger. In: CHARTIER, Roger (org.). História da vida privada: Da Renascença ao Século das Luzes. 3. Direção de Philippe Ariès e Georges Duby. Tradução: Hildegard Feist. São Paulo: Companhia de Bolso, 2009.
CHATELET, Madame Du. Discurso sobre a felicidade. Tradução de Marina Appnezeller. Prefácio de Elisabeth Badinter. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
CRAMPE-CASNABET, Michèle. A mulher no pensamento filosófico do século XVIII. In: DUBY, Georges; PERROT, Michelle (org.). História das Mulheres no Ocidente: do Renascimento à Idade Moderna de organização. 3. v. Tradução de Alda Maria Durães, Egito Gonçalves, João Barrote, José S. Ribeiro,Maria Carvalho Torres e Maria Clarinda Moreira. Porto: Edições Afrontamento, 1991.
FRASER, Antonia. Maria Antonieta. Rio de Janeiro: Record, 2009.
GILBERT, Oliver. "E eu não sou uma mulher?" A narrativa de Sojourner Truth. Tradução de Carla Cardoso. Rio de Janeiro: Imã Editorial, 2020.
GOMES, Anderson Soares. Mulheres, Sociedade E Iluminismo: o surgimento de uma Filosofia Protofeminista na Inglaterra do Século XVIII. Matraga, Rio de Janeiro, v. 18, n. 29, jul./dez. 2011. Disponível em: file:///C:/Users/Francisca/Downloads/26059-82691-1-SM.pdf. Acesso em: 12 set. 2020.
GOUGES. Olympe de. Os Direitos da Mulher. Tradução de Andrea Maria Melo. In: MAXIME ROVERE, (Org). Arqueofeminismo: mulheres filósofas e filósofos feministas- século XVII-XVIII. Tradução: Andrea Maria Mello, Camila Lima de Oliveira, Pedro Muniz, Viviana Ribeiro e Yasmim Haddad. 2. ed. São Paulo: N-1 Edições, 2019.
MAXIME ROVERE, (Org). Arqueofeminismo: mulheres filósofas e filósofos feministas- século XVII-XVIII. Tradução de Andrea Maria Mello, Camila Lima de Oliveira, Pedro Muniz, Viviana Ribeiro e Yasmim Haddad. 2. ed. São Paulo: N-1 Edições, 2019.
MORAES, Maria Lygia Quartim de (pref.). Mary Wollstonecraft e o nascimento do feminismo. In: WOLLSTONECRAFT, Mary. Reivindicação dos direitos da mulher. 1. ed. Tradução de Ivania Poncinho Motta. Prefácio de Maria Lygia Quartim de Moraes. São Paulo: Boi Tempo, 2016.
PACHECO, Juliana (org.). Filósofas: a presença das mulheres na filosofia. Porto Alegre, RS: Editora Fi, 2016.
PERROT, Michelle. As mulheres ou os silêncios da história. Tradução de Viviane Ribeiro. Bauru, SP: EDUSC, 2005.
PERROT, Michelle (org.). História da vida privada: da Revolução à Primeira Guerra. 4. vol. Tradução de Denise Bottmann (partes 1 e 2) e Bernardo Joffily (partes 3 e 4). São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
PERROT, Michelle. Minha história das mulheres. Tradução de Angela M. S. Côrrea. -2. ed. São Paulo: Contexto, 2019.
PIMENTA, Pedro Paulo. Uma nova concepção de filosofia. In: DIDEROT; D’ALEMBERT. Enciclopédia ou Dicionário razoado das Ciências, das Artes e dos Ofícios: o sistema dos conhecimentos. 2. v. 1. ed. Tradução de Pedro Paulo Pimenta, Maria das Graças de Souza e Luís Fernandes Nascimento. Organização de Pedro Paulo Pimenta e Maria das Graças de Souza. São Paulo: Editora Unesp, 2015.
SONNET, Martine. Uma filha para educar. In: DUBY, Georges; PERROT, Michelle (direç.). História das Mulheres no Ocidente: do Renascimento à Idade Moderna. 3. v. Tradução de Alda Maria Durães, Egito Gonçalves, João Barrote, José S. Ribeiro,Maria Carvalho Torres e Maria Clarinda Moreira. Porto: Edições Afrontamento, 1991.
THOMAS A. L.; DIDEROT, D’Epinay, Madame. O que é uma Mulher? um debate. Tradução de Maria Helena Franco Martins. Prefácio de Elisabeth Badinter. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991.
TOLEDO, Lívia Gonsalves; TEIXEIRA FILHO; Fernando Silva. Apontamentos sobre a construção sócio-histórica de estigmas e estereótipos em relação ao homoerotismo entre mulheres. Revista de Psicologia da UNESP v1, n1, p. 39-61. 2011. Disponível em: file:///C:/Users/franc/Downloads/558-Texto%20do%20artigo-1714-1-10-20170922.pdf. Acesso em 22 out. 2021.
WOLLSTONECRAFT, Mary. Reivindicação dos direitos da mulher. 1. ed. Tradução de Ivania Poncinho Motta. Prefácio de Maria Lygia Quartim de Moraes. São Paulo: Boitempo, 2016.
ZECHLINSKI, Beatriz Polidori. Três autoras francesas e a cultura escrita no século XVII: gênero e sociabilidades. 2012. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal do Paraná, Programa de Pós-Graduação em História, Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Curitiba, 2012.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
TERMO DE DECLARAÇÃO:
Submeto (emos) o trabalho apresentado, texto original, à avaliação da revista Sapere Aude, e concordo (amos) que os direitos autorais a ele referentes se tornem propriedade exclusiva da Editora PUC Minas, sendo vedada qualquer reprodução total ou parcial, em qualquer outra parte ou meio de divulgação impresso ou eletrônico, sem que a necessária e prévia autorização seja solicitada por escrito e obtida junto à Editora. Declaro (amos) ainda que não existe conflito de interesse entre o tema abordado e o (s) autor (es), empresas, instituições ou indivíduos.
Português
English
Español
Français
Italiano