LIBERDADE CONTRA O ARBÍTRIO
O TEMA DA ESCRAVIDÃO EM JOHN LOCKE
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2177-6342.2026v3n3p317-330Palavras-chave:
colonialismo, escravidão, consentimento, John Locke, liberdade naturalResumo
Este artigo reconstrói o núcleo normativo da liberdade em John Locke nos Dois Tratados sobre o Governo e demonstra como a escravidão opera como caso-limite e padrão negativo para distinguir poder político legítimo e dominação despótica. Parte-se da definição lockiana de liberdade natural como não sujeição à vontade arbitrária de outro, vinculada à lei da natureza e ao dever de preservação, para explicitar por que liberdade não se confunde com licença. Em seguida, examina-se o papel do consentimento na crítica a Filmer e na delimitação do poder civil como poder fiduciário. Na sequência, analisa-se o direito de punir e a guerra justa como condições de inteligibilidade da escravidão punitiva. Por fim, propõe-se uma articulação entre dois planos: o exegético-normativo, no qual a escravidão lockiana permanece estritamente punitiva e não fundamenta, por seus próprios critérios, a escravidão racial-hereditária; e o genealógico-estrutural, no qual a gramática da liberdade e da propriedade circula em contextos coloniais e pode operar por filtros de pertença que restringem, na prática, o sujeito reconhecido como plenamente livre.
Downloads
Referências
ARNEIL, Barbara. John Locke and America: the defence of English colonialism. Oxford: Clarendon Press, 1996.
ASHCRAFT, Richard. Revolutionary Politics and Locke’s Two Treatises of Government. Princeton: Princeton University Press, 1986.
BLACKBURN, Robin. The Making of New World Slavery: from the Baroque to the Modern, 1492–1800. London: Verso, 1997.
BOBBIO, Norberto. Locke e o Direito Natural. São Paulo: Edipro, 2024.
BREWER, Holly. By Birth or Consent: children, law, and the Anglo-American revolution in authority. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 2005.
BREWER, Holly. Slavery, sovereignty, and inheritable blood: reconsidering John Locke and the origins of American slavery. The American Historical Review, v. 122, n. 4, 2017, p. 1038-1078.
DAVIS, David Brion. O problema da escravidão na cultura ocidental. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.
DUNN, John. The Political Thought of John Locke: an historical account of the argument of the “Two Treatises of Government”. Cambridge: Cambridge University Press, 1969.
FARR, James. Locke, natural law, and New World slavery. Political Theory, v. 36, n. 4, 2008, p. 495-522.
FILMER, Robert. Patriarcha and Other Writings. Ed. Peter Laslett. Cambridge: Cambridge University Press, 1991.
FRANKLIN, Julian H. John Locke and the Theory of Sovereignty: Mixed Monarchy and the Right of Resistance in the Political Thought of the English Revolution. Cambridge: Cambridge University Press, 1978.
HALLDENIUS, Lena. Locke and the non-arbitrary. European Journal of Political Theory, v. 2, n. 3, 2003, p. 261-279.
LOCKE, John. Dois tratados sobre o governo. Edição de Peter Laslett. Trad. Júlio Fischer. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2020.
LOSURDO, Domenico. Contra-história do liberalismo. Rio de Janeiro: Revan, 2006.
LLS, Charles W. O contrato racial. São Paulo: Boitempo, 2023.
RENAULT, Matthieu. L’Amérique de John Locke: l’expansion coloniale de la philosophie européenne. Paris: Éditions Amsterdam, 2014.
SANTOS, Antônio Carlos dos. John Locke: da leitura liberal aos valores republicanos. Filosofia Unisinos / Unisinos Journal of Philosophy, v. 26, n. 1, p. 1-16, 2025. DOI: 10.4013/fsu,2025.261.03
SIMMONS, A. John. The Lockean Theory of Rights. Princeton: Princeton University Press, 1992.
SKINNER, Quentin. Liberdade antes do liberalismo. Trad. Raul Fiker. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
TULLY, James. An Approach to Political Philosophy: Locke in Contexts. New York: Cambridge University Press, 1993.
WALDRON, Jeremy. God, Locke and Equality: Christian foundations of John Locke’s political thought. Cambridge: Cambridge University Press, 2002.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
TERMO DE DECLARAÇÃO:
Submeto (emos) o trabalho apresentado, texto original, à avaliação da revista Sapere Aude, e concordo (amos) que os direitos autorais a ele referentes se tornem propriedade exclusiva da Editora PUC Minas, sendo vedada qualquer reprodução total ou parcial, em qualquer outra parte ou meio de divulgação impresso ou eletrônico, sem que a necessária e prévia autorização seja solicitada por escrito e obtida junto à Editora. Declaro (amos) ainda que não existe conflito de interesse entre o tema abordado e o (s) autor (es), empresas, instituições ou indivíduos.
Português
English
Español
Français
Italiano