Literatura e história: passageiros do esperança e passageiros do aliança: uma mesma outro ponta da diáspora africana
Palavras-chave:
literaturas de língua portuguesa, linguística, filologiaResumo
A constatação de que muitas narrativas ficcionais vêm sendo utilizadas nas escolas como objeto de trabalho para dar cumprimento às disposições da Lei 10.639/2003 – a qual torna obrigatório o ensino da História e da Cultura Afro-brasileira e Africana em todas as escolas, públicas e particulares, do Ensino Fundamental até o Ensino Médio – leva-nos a buscar uma análise da possibilidade de aproximação entre as linhas de estudo da Literatura e outras disciplinas tais como a História e a Geografia, dentre outras. Tendo em vista o trabalho de pesquisa antropológica e histórica que norteou a escrita ficcional de Antonio Olinto na elaboração de sua reconhecida trilogia Alma da África, este artigo procura abordar alguns aspectos do primeiro romance que a compõe, ou seja, A casa da Água, publicado em 1969 pelo escritor ubaense. Referidos aspectos se acham relacionados com a temática do traslado de ex-escravizados e de seus familiares afro-brasileiros em direção ao outro lado do Atlântico Negro, expressão recorrente na obra do teórico Paul Gilroy. Entrecruzando os elementos da realidade de navios negreiros não só com aspectos da rotina das viagens dos veleiros que no século XIX foram utilizados como transporte aos ex-escravizados em sua jornada de retorno à África, mas também com a verve ficcional olintiana, traremos a efeito uma abordagem panorâmica do romance em questão, considerando os pontos de proximidade entre a ficção e a realidade histórica, passíveis de trabalho pelo professor em sala de aula. A trilogia Alma da África, a partir dessa perspectiva, inaugura novas possibilidades para a inserção da temática da História e da Cultura Afro-brasileira e Africana no âmbito da reflexão acadêmica, na medida em que o autor, no mencionado romance, recria uma dessas viagens de retorno de antigos escravizados no Brasil ao continente africano, inspirado na experiência pessoal da descendente de uma ex-escravizada que empreendeu uma viagem de volta à Nigéria, em 1889, a bordo de um navio chamado Aliança.
Palavras-chave: Afrodescendência. Agudás. Diáspora. História. Identidade. Literatura Brasileira.
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