Precariedade e desenraizamento em Myra de Maria Velho da Costa

Autores

  • Luma de Almeida Espíndola Universidade Federal Fluminense

DOI:

https://doi.org/10.5752/P.2358-3231.2025n47p91-105

Palavras-chave:

estrangeiridade, identidade, alteridade, corpo feminino, alma crescendo

Resumo

Este artigo discute a obra Myra, de Maria Velho da Costa, a partir da precária condição de estrangeiridade de uma jovem russa, vítima de um sistema bem-articulado de tráfico de pessoas para exploração sexual em Portugal. Proibida de poder ser, resta à personagem escamotear-se em inúmeros disfarces (ao lado de um cão) de acordo com a ocasião, uma vez que deixar-se assimilar pela nova cultura equivaleria a uma espécie de aniquilamento. Através de uma leitura analítico-interpretativa, fundamentada em referencial teórico de Julia Kristeva, Donatella Di Cesare e Maria Gabriela Llansol, pretendo traçar diálogos e entendimentos sobre as estratégias que a personagem desenvolve para forjar a própria identidade e resistir em um contexto de violência, desenraizamento e desamparo. Os resultados dessa análise, inspirados pela figuração llansoliana de “alma  crescendo” demonstram como a protagonista Myra se recria em diálogo com alteridades humanas, animais, espaciais e literárias até culminar em uma morte como gesto de liberdade final diante de uma vida cuja possibilidade de existência plena lhe foi negada.

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Biografia do Autor

Luma de Almeida Espíndola, Universidade Federal Fluminense

Universidade Federal Fluminense – UFF, RJ. Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura, subárea de Literatura Portuguesa e Africanas de Língua Portuguesa, financiada pela CAPES.

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Publicado

2025-12-31

Como Citar

Espíndola, L. de A. (2025). Precariedade e desenraizamento em Myra de Maria Velho da Costa. Cadernos CESPUC De Pesquisa Série Ensaios, (47), 91–105. https://doi.org/10.5752/P.2358-3231.2025n47p91-105