A maternidade como identidade e resistência no poema “Vietnã”, de Wisława Szymborska
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2358-3231.2025n47p125-140Palavras-chave:
subalternidade, violência bélica, maternidade, resistência, Wisława SzymborskaResumo
Este artigo analisa o poema “Vietnã”, da poeta polonesa Wisława Szymborska, como representação do esvaziamento identitário em um contexto de guerra. No interrogatório que estrutura o poema, uma mulher anônima, refugiada e privada de vínculos, responde com negativas ou evasivas a quase todas as perguntas, até que, ao ser questionada sobre os filhos, afirma com convicção que aquelas crianças eram, de fato, seus filhos. Esse contraste evidencia a maternidade como a única afirmação possível de si, instaurando um gesto de resistência em meio ao apagamento imposto pela violência bélica. A leitura dialoga com Spivak (2010), ao problematizar os limites da voz subalterna; com Arendt (1973), Agamben (2002) e Butler (2015), que discutem, respectivamente, exílio, destituição de direitos em contextos de violência e precariedade. Somam-se a essas contribuições a historiografia feminista de Scott (1992), que propõe a categoria “mulher” como construção histórica e política, e a análise de Badinter (1985), que questiona a naturalização do instinto materno. Ao articular essas perspectivas, evidencia-se que, em “Vietnã”, o reconhecimento da maternidade ultrapassa o âmbito privado e se configura como fronteira identitária e gesto de resistência frente ao desamparo, ao deslocamento e à supressão simbólica.
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